Admirável Uruguai
Em 2014 fui ao Uruguai pela segunda vez, mas desta vez com mais vagar. Queria sentir e conhecer mais a atmosfera e o clima do país. Por exemplo: sentar em uma praça, ir ao supermercado, andar de ônibus e conversar com os gentis uruguaios em feiras, na rua, enfim, me entrosar. Eis a melhor maneira de ser turista.
Percebi que o nosso poder de compra na moeda uruguaia: o peso uruguaio, já não é o mesmo de três anos atrás. Perdemos uns 30%, logo achei tudo mais caro. Além de o país vizinho ter tido 9% de inflação em 2013, o que foi negativo. Meu pensamento, então, não era fazer compras, e sim, somente aproveitar os passeios, comer bem e comprar lembrancinhas. Dica de uma loja onde se compram vinhos, doces, licores e outros produtos do país: Las Vizcarras, na rua Bacacay, 1332. O casal é simpaticíssimo e ele fala português.
O lema do país em relação ao turismo e divulgado em propagandas é “Uruguai de bom trato”. Diria que isso é natural a eles. O povo é atencioso, simples e querido. Aliás, é um país classe-média e com baixo nível de analfabetismo, em consequência, não há ostentação em carros, casas e edifícios e não se vê a discrepância entre as classes sociais como no Brasil. Minha família e eu nos encantamos com tão adorável país.
Vale a pena conhecer Montevidéu a pé ou de ônibus. O hotel escolhido foi o Hotel América na calle (rua) Rio Negro. Aconselho, pois é perto do centro histórico, da Praça da Independência, do Teatro Solis e da rambla. E fala-se português. Significa que eles sabem a importância da língua portuguesa para a economia deles, afinal os brasileiros estão, enfim, descobrindo o país vizinho.
Incrível ter um calçadão à beira mar que na verdade, é o Rio de La Plata, que se estende até a cidade de Punta del Este (de ônibus umas duas horas e meia). O oceano só aparece em Punta. O tal calçadão é chamado de rambla e em cada praia adquire um nome diferente. Por exemplo: na praia de Pocitos, bairro charmoso de Montevidéu, o nome da rambla é “República del Perú”.
Gostaria de mencionar que as estradas do Uruguai são feitas para durar, são de concreto. Aqui no nordeste do Brasil só vi entre a Paraíba e Pernambuco e feito pelo nosso Exército. Para quem dirige, faz a diferença.
O que visitar em Montevidéu? A cidade arborizada, com seus bairros de casas e mais casas, muito espalhada já é um espetáculo. Existem alamedas múltiplas pela cidade. Penso que seja ainda mais repleta de árvores do que Buenos Aires. Mil pontos para ela. O centro histórico é imperdível e fazer uma refeição, embora cara, no Mercado del Pueblo é obrigatório. A carne do Uruguai é conhecida e o doce de leite é considerado o melhor do mundo. É para se refestelar! No mesmo bairro se conhece o Teatro Solis e o Palácio Salvo. E perto se conhece o Museu do Gaúcho e o Museu da República. E também o Museu Torres Garcia, com obras desse artista construtivista, desconhecido no Brasil e respeitado e amado lá. Há da mesma forma o Museu de Arte Histórica, ao lado da prefeitura de Montevidéu. Vale a pena, pois é rico no acervo do Egito antigo, da Pérsia e de outras civilizações marcantes. Muitos dos museus são de graça. Outro passeio é caminhar pela Avenida 18 de Julho e ver as lojas, há umas de decoração e produtos indianos que são de enlouquecer. As praças são para sentar e saborear a vida. Aos finais de semana acontecem feiras de antiguidades e artesanato em algumas delas. Programa inesquecível, já que não temos esta tradição em Fortaleza. E eu ADORO!
Falando em gastronomia, uau! Amo os cafés e seus quitutes. Lá os cafés ou chás para dois fazem parte da cultura. Junto vem um banquete de tentações: pães, doces, chocolates quentes, sucos, croissants, salgadinhos diferentes dos nossos, ou seja, um programa e tanto. Além dos restaurantes que servem muito bem. O melhor é saber qual é o prato do dia, sempre mais em conta. Consta geralmente da entrada (sopa ou salada), do prato principal (a escolher), da sobremesa (pudim de leite com doce de leite ou salada de frutas), e para beber (vinho ou refrigerante). Detalhe: como são produtores do vinho Tannat, danado de bom, esse é sempre mais barato que o refrigerante. Algo mais a partilhar: os doces deles são bem menos doces que os nossos. Aliás, a nossa tradição de gostar de tudo muito doce se origina dos portugueses.
Quanto a viagens rápidas para outros sítios uruguaios, é tudo muito fácil, afinal o país é pequeno. Para conhecer Colônia del Sacramento (fotos acima), pode-se ir com ônibus turístico, saindo do hotel, ou ir por conta própria, sempre mais barato. Peguei um ônibus da Companhia Turil (existem outras) por 268 pesos e em três horas, cheguei lá. Passei por dois pedágios na estrada. Fui andando da rodoviária de Colônia ao centro histórico e aí, me deparei com uma cidade idílica. Também dá para chegar lá de Buenos Aires pelo “buquebus” (um catamarã), pois do outro lado do Rio da Prata, está a capital da Argentina. A cidade tem um ar bucólico, com casas em estilo português, muitas árvores, e um charme todo próprio. Como foi colonizada por portugueses, faz um sucesso enorme no Uruguai. Tem artesanato em branco e azul como em Portugal e museus sobre a sua colonização. Os restaurantes são acolhedores e muito bonitos. Eu diria que é uma mistura de Paraty (no estado do Rio) e Bruges (na Bélgica). Lugar obrigatório!
Também fui a Punta del Este novamente, desta vez, fui com ônibus turístico (fotos acima). Gostei, porque pude conhecer, finalmente, o balneário de Piriápolis (lindo!) e a famosa Casapueblo, toda branca e original, feita pelo artista Carlos Páez Vilaró. Lá está o museu e a venda das obras do artista. Imperdível!
Para concluir, falta dizer que fiquei surpresa ao ver que no Uruguai também se homenageia Iemanjá, no dia 2 de fevereiro, entregando flores ao mar. O país é laico de fato. Os feriados “religiosos” têm outros nomes. No aeroporto quem recebe o turista internacional são os agentes da Polícia Federal, diferente do Brasil, que são os terceirizados. E quem checa a nossa bagagem nas esteiras de raio-x são militares da Força Aérea uruguaia. Não preciso dizer que achei o máximo. Demonstra a seriedade do país que sabe que as fronteiras e aeroportos são fonte de risco à soberania nacional.
