Cartagena das Índias – Colômbia
Continuemos nossa viagem agora em março de 2017. De Bogotá pegamos o avião da Avianca e em uma hora chegamos a Cartagena das Índias. Do frio nos deparamos com um calorão. Lá tem o clima do Rio de Janeiro no calor: chega a 42˚ C. Estava 36˚ C, ainda bem que a brisa estava constante perto do mar.
Ficamos no bairro Bocagrande à beira mar. A av. San Martin onde ficamos oferece de tudo: lojas, shoppings, bons restaurantes, muitos turistas e movimento. Não posso deixar de mencionar algo que incomoda lá: a quantidade de ambulantes que propagandeiam seus produtos insistentemente. Vendem pulseiras, chapéus, artigos para turistas e muito mais. Mas não se deixem desiludir por isso, pois, no mais, é só diversão e beleza. Depois que adentramos a fortificação, ficamos tão deslumbrados com a beleza do centro histórico que não vemos hora de retornar.
No bairro Bocagrande, a dica é o restaurante Olla Cartagenera, Sabor Perú e a confeitaria La Dulceria. Come-se bem e barato. O arroz de coco com peixe é muito bom. Comer ceviche (peixe) com chica morada (bebida típica da Colômbia) vale demais. Usam muito o coco e o café. Gostam de fritura e óleo. Lá existe o hábito (mexicano) de comer abacate e beber Pisco Sour (a caipirinha chilena). Isso é globalização.
Falemos um pouco do que aprendi no passeio pela cidade. O guia mostrou sua cultura e seu conhecimento em história e geografia. Parabéns à Gema Tours por seu trabalho eficiente. Pedro de Heredia foi o fundador de Cartagena em 1533; o nome significa “cidade nova” em fenício; é o maior porto do Caribe; a segunda cidade do mundo com água ao redor: a primeira é Veneza na Itália e depois São Petersburgo na Rússia. Na cidade, há os ônibus coloridos, típicos do Caribe e também encontrados na Índia. Ingleses, franceses e holandeses, os piratas do Caribe, roubavam os espanhóis que saíam com ouro de Cartagena. Os indígenas, primeiros habitantes, cultivavam o hábito de usar muito ouro e esmeraldas sem se dar conta do valor. A cidade é composta de uma miscelânea de povos: indígenas, espanhóis, portugueses e africanos. Hoje há muitos chineses e italianos, donos de restaurantes. Futebol é o esporte nacional, mas o local é o baseball; a economia vive do turismo e petróleo. Cidades importantes do Caribe colombiano: Santa Marta, Barranquilla, além de Cartagena. Há na Colômbia duas florestas, o melhor café do mundo, plantações de banana e milho; em Medellín ouro, rosas e orquídeas, as melhores flores do mundo; duas grandes refinarias, uma em Cartagena. Acho bonito isso, eles publicam o que fazem de melhor.
Vamos agora ao máximo de Cartagena que é o centro histórico com 449 anos. São 11 km de fortificação com uma cidade antiga dentro. Mistura de Bahia com Paraty e Nova Orleans dos Estados Unidos. Lugar mais mágico e romântico impossível. Algo maravilhoso e indescritível. As ruas são estreitas, as casas têm balcões com buganvílias caindo, são coloridas e bem cuidadas. As casas, que não têm varandas, têm um piso, mais simples, mas igualmente lindas com grades de madeira. As portas chamam a atenção. São dois bairros existentes dentro da fortificação: San Diego e Santo Domingo. As casas coloniais são de madeira e as de concreto são republicanas. São 108 ruas com nomes históricos. Casas com janela grande pertenciam aos moradores ricos; com janelas médias, moradores de classe média e de janelas pequenas, moradores mais humildes.
Há gente que habita dentro da fortificação ainda hoje e muitas pousadas, hotéis, restaurantes, cafés, sorveterias, livraria, supermercados, praças com música e gente descansando na hora da sesta, por conta do calor intenso. Também há teatro com ópera e música clássica nos finais de semana. Há vendedores ambulantes nas calçadas, nas praças; as lojas são charmosas com tantas cores e produtos únicos. Amei! Fazer um passeio de charrete é muito romântico. Andar a pé, de bicicleta, tudo é bom. Entre 5 da tarde e 5 da manhã não é permitido andar de carro ou táxi dentro da muralha.
Falando em comida… Gostei do Crepes y Waffles, creperia e sorveteria transada, também existente em Bogotá; da mesma forma achei o restaurante San Valentín muito bem servido e barato; a salada mediterrânea e a maravilhosa limonada, típica de lá do restaurante e bar La Mantilla foi especial. Local caribenho repleto de frutas, lá se encontra graviola, tamarindo, abacaxi, limonada de coco e outras frutas tropicais. Nas ruas, há carrinhos com vendas de frutas que também fazem suco na hora. Bem original.
São vários os locais importantes para conhecer: o Claustro de San Diego, a Plaza (praça) de Santa Teresa, a Plaza Bolívar, o Museu Del Oro (ouro), o Palacio de la Inquisición, dentre outros. Esse palácio foi centro de inquisição a partir do ano de 1610. Triste dizer que funcionava de Lima – Peru a Cartagena e eram sentenciados à morte índios e negros. A praça Bolívar é em honra à Simon Bolívar, herói da independência da Colômbia em 1821. Ele nasceu na Venezuela, mas viveu na Colômbia.
Da próxima vez ficaremos dentro do centro histórico, absolutamente fabuloso. O fim da tarde é curtido no Café Del Mar, local onde não se vende café, mas bebidas alcoólicas. Nunca vi tantos americanos na minha vida, amam Cartagena. Tornam o ambiente jovial, leve e feliz. Pôr do sol feito para fotos alegres.
Interessante dizer que a Prefeitura faz concurso todo ano para escolher os cinco balcões mais bonitos na cidade antiga. Quem ganhar, não paga o IPTU deles. Achei o máximo!
Há gente famosa que tem apartamento lá, como a cantora colombiana Shakira. O Gabriel Garcia Marquez, conhecido como Gabo, Prêmio Nobel de Literatura de 1982, viveu lá até a morte (nasceu em Santa Marta no Caribe Colombiano). A viúva e duas filhas continuam na casa.
Entre 1˚ e 6 de março ocorreu o Festival Internacional de Cine de Cartagena de Índias (FICCI) no Centro Histórico, evento tal que ocorre há 57 anos . Foram seis dias com uma programação intensa, mais de 130 filmes, entre concursos, premiações, homenagens e novos talentos distribuídos entre várias salas de exibição. Interessante que o troféu é a imagem da Índia Catalina, a dita Pocahontas colombiana, símbolo da cidade. Sua escultura de bronze está situada no Parque Lineal de Puerto Duro no Centro Histórico e foi feita pelo espanhol Eladio Gil.
Saindo da cidade fortificada, voltemos a outros pontos turísticos: a Baía de Cartagena é uma maravilha, circunda os bairros Bocagrande e Castillogrande. 20 anos atrás, casas coloniais espanholas, hoje, edifícios modernos. Mesmo assim, a brisa e o astral atraem a gente. Morar ali deve ser uma delícia.
Interessante mencionar que vi muita diferença social no país. Não é tão diferente do Brasil, a maravilha é se sentir mais seguro lá do que cá. Até Medellín é um convite a uma próxima visita.
Continuando com outros passeios feitos no city tour, vale a pena conhecer a Fortaleza San Felipe de Barajas, construído de cima para baixo. Teve início em 1657 e levou 19 a 20 anos para concluir. Ficamos impressionados com os engenheiros militares espanhóis e sua genialidade. O Monastério de La Popa, cujo pátio central é decorado por buganvílias e plantas diversas, é de 1606 e tem na capela a imagem de ouro de Nossa Senhora da Candelária. A proteção à Cartagena das Índias na época dos piratas era orquestrada pelo trio: o Monastério mencionado por descortinar o visual amplo da cidade; pela Fortaleza citada por fazer a defesa por terra e pela Cidade Fortificada que é atualmente o Centro Histórico. Também visitamos o Museu da Esmeralda. Nós brasileiros não compramos nada, mas gostei de ver tantas belezas.
Ufa! Tão pouco tempo no país e muito aprendemos. Eu amei! Sinceramente, será um prazer retornar para uma cidade peculiar como essa. Para quem quer magia, cores, sabores e felicidade, aconselho ir com calma para curtir a vida. Viva a Colômbia!

Monica querida,
Acabo de fazer uma viagem à Cartagena junto com seu belo texto… Quando você escreve: “andar a pé, de bicicleta, tudo é bom”, você deixa escapar uma frase que define o seu olhar… “Tudo é bom” é mesmo o melhor jeito de ver as coisas… na realidade a maior bondade está no seu coração… E isso é lindo…
Também notei que os textos desta nova fase, em relação aos textos do seu livro, estão cada vez mais envolventes… Você foi aperfeiçoando seu jeito de falar de turismo. Adorei e acho, sinceramente, que seu próximo livro já está praticamente aqui.. É só escolher os melhores e publicar! Aí é só esperar a ligação do Lonely Planet para te contratar, ou da revista da Gol ou da American Airlines! Parabéns!!!! Estás arrasando!!! Abraço forte, Lê
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Obrigada, querida Letícia. Fico muito honrada com a sua opinião.
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