CHILE E SUAS BELEZAS
Começo nossa jornada pela capital chilena: Santiago. Estamos em janeiro de 2015. Trata-se de uma cidade sólida, com muito para ver e passear. Para nós, brasileiros, está um pouco cara, o nosso real estava bem mais desvalorizado, quando fui em janeiro de 2015. O clima é muito quente nessa época. Poderíamos aproveitar mais com uma temperatura mais amena. O salutar da cidade é andar pelas ruas sem medo. Os policiais de lá: os carabineros são conhecidos como sérios e anticorruptíveis. Então, vale a pena conhecer o país e se soltar na maior liberdade do respirar livremente.
O centro da cidade está bastante pichado, fiquei triste com isso. Mesmo assim, é válido ficar por lá. Dica: hotel Paris 813 (fone: 56-2-26640921). Preço em conta, local bucólico e bem central. Perto do hotel tem o Café Barrios, a Igreja São Francisco, a Av. Ahumada (um calçadão com lojas, restaurantes, cafés, bares e muito policiamento), o Museu de Belas Artes, o Palácio de La Moneda (residência e gabinete presidencial) etc. Foi inaugurado um centro cultural ao lado do citado palácio, com cinemas, restaurantes, lojas de artesanato, enfim vale conhecê-lo. Tivemos a sorte de lá estar quando acontecia o festival de cinema chileno. O coquetel de abertura foi aberto ao público e contou com ilhas de vinho chileno, cerveja, pisco sour (bebida típica chilena), salgadinhos, tudo muito chique. Saímos de lá com presentes de massa, molho e risoto da marca Trattoria. Além de felizes com a nossa sorte.
Sugestão: pegar o ônibus turístico Touristik em frente à Universidade do Chile. O passeio pelos bairros de Providencia, Del Golf, Las Condes, só para citar alguns, é imperdível. São bairros bonitos, bem cuidados e verdejantes, com asfalto de concreto e ainda, se aprende sobre a história do Chile. Os bairros novos são um primor. Amei o shopping Arauco; o parque Arauco ao lado, com suas flores, é um lugar de lazer com muito espaço verde e onde se joga golf; e o bairro Bellavista com o seu Pátio Bellavista. Que lugar mais interessante com suas lojas de artesanato, suas joalherias com muito lápis-lazuli (pedra semipreciosa típica do Chile), restaurantes, lanchonetes de sucos etc. É uma festa, com muita gente bonita, turistas, um lugar vivo onde reina a conversa e a animação.
Tenho que dizer que o chileno ama suco! Há por todo país quiosques a vender sucos batidos no liquidificador na hora. 500 ml de pura delícia, os de framboesa, amora, morango, ou seja, frutas vermelhas são especiais.
Há também para visitar o Mercado Central; a antiga estação ferroviária virou o Centro Cultural Mapocho (índios nativos do Chile); os montes (cerros) Santa Lucía e San Cristóbal e muito mais.
Continuaremos a nossa viagem rumo à Patagônia chilena: Puerto Varas, Frutillar e ilha de Chiloé . Puerto Montt é a cidade central da região. Vale a pena conhecer a feira de artesanato perto do porto, mas a área já foi bonita. Construíram umas paradas de ônibus envidraçadas em frente ao melhor hotel localizado na baía e tornaram o local feio. Além de tudo, estão pichadas. Uma tristeza! Pelo menos, o terminal rodoviário está localizado à beira da baía e não faltam ônibus para Puerto Varas.
Já Puerto Varas é um mimo. Ficamos sete dias lá no hotel Colonos del Sur Mirador (pelo sistema Bancorbrás), um quatro-estrelas fabuloso e bem localizado. Íamos ao centro a pé. A região é um deslumbre de tão bela. Vale citar que gostei da empresa aérea Lan Chile. Na hora do lanche, são oferecidas quatro opções, mas temos direito a somente duas.
Como lá era verão, foi muito interessante ver os moradores tomarem banho no Lago Todo Los Santos que tem adiante o vulcão Osorno, ainda salpicado de neve. Visão de encher os olhos.
Conhecida como a cidade das rosas, é repleta de turistas do próprio Chile e também da Argentina e menos do Brasil. É pequena e tem uma feira de artesanato concorrida no centro, montada em toldos. Lá, além do artesanato típico da região, com muita lã, encontram-se bijuterias, comida, empanadas, chocolates e muitos quiosques de sucos. E haja suco natural ou com leite todos os dias!
A cidade é ponto de partida para outras localidades. Um dos passeios foi até o vulcão Osorno. Fomos pela empresa Turistour. Iniciamos por uma visita ao Lago Escondido, lugar que só se entra com um barco de vez e é rodeado de florestas. Dentro do lago, há a Ilha Loreley, onde vimos um casal de martim pescador: pássaros grandes, coloridos e lindos. Paga-se por qualquer passeio extra, é bom estar preparado. O vulcão está localizado no Parque Nacional Pérez Rosales e sua última erupção foi em 1869. Tal passeio lembra a parte mais alta da Ilha da Madeira em Portugal, por conta da vegetação e clima. Depois que chegamos ao restaurante e também ponto de apoio, fizemos uma subida ao vulcão. A terra é logicamente vulcânica e brotam flores silvestres parecidas com lavandas pelo caminho. Naquela área encontram-se cervos, pumas, javalis, lebres, dentre outros animais. Não deu para pegar o teleférico de 10 mil e 14 mil metros, uma vez que estava nublado e não se veria nada. Falando sobre a companhia turística, gostei do guia e do passeio, apenas não achei certo nos levar a um restaurante bastante caro e com buffet na Playa de Ensenada. Eles não disseram antes que ficaríamos presos a um só local. 11.500 pesos pelo buffet é muito dinheiro. Já achei o guia eficiente. No mesmo passeio, fomos ver as quedas do rio Petrohue, com suas águas verde-esmeralda. Muito lindo.
Nesta região chilena, houve colonização alemã de 1850 a 1900, logo as casas têm a arquitetura do país de origem de seus colonizadores. Verdadeiras belezas. Lá há lei, como em Gramado, para a conservação e construção de novas casas. O chileno é simpático e agradável com o turista e também gostaria de mencionar, tratar-se de um povo confiado. Eles confiam, porque geralmente são honestos.
De Puerto Varas, pegamos um ônibus de carreira para Frutillar. Passamos por Llanquihue. Cidade pequena, charmosa e simples, com suas casinhas de madeira coloridas. Falemos de Frutillar. Ma-ra-vi-lho-sa! Suas casas também de madeira são encantadoras, com jardins na frente e decoradas com mimos nas janelas, nos jardins e nas portas. Amei! O forte da região é a madeira. Entramos na igreja Nossa Senhora da Conceição toda de madeira. Ao lado, havia uma feira de artesanato de frutas secas, roupas de lã, chocolates, doces, enfim o melhor da região. O Museu Colonial Alemão vale a visita. Trata-se de um lugar enorme com parques, jardins muito bem cuidados, árvores frondosas e as casas dos primeiros colonos alemães que lá chegaram. De lá, rumamos para a beira do lago Llanquihue. Além dos restaurantes (salmão e refrigerante feito de gengibre ginger ale!) e sorveterias (framboesa!), há o próprio lago e sombras verdejantes para o descanso. Como em Puerto Varas, os moradores aproveitam o calor imenso para se refestelar na água e andar de barco e bote. Fiquei com uma vontade de fazer o mesmo! Mas quem imaginaria tal atividade em plena Patagônia? Eu confesso não ter estado preparada para tanto calor. Fui pensando no frio da Patagônia Argentina e encontrei um calor “arretado”, como se diz. Tive que comprar roupas pelo caminho. É digno de nota citar o arrojado Teatro do Lago e suas atrações culturais. Vale a pena se hospedar em Frutillar, o difícil é ir embora, pois encanta os turistas.
O comércio é fechado em Puerto Varas aos domingos, então o jeito foi desbravar igrejas e museus. A Igreja Sagrado Coração de Jesus, com arquitetura igual à da mesma igreja na Floresta Negra na Alemanha, é um espetáculo. O singular é ser toda na madeira. O Museu Pablo Fierro é único. Parece o Zé Pinto chileno. O autor das obras de ferro nos recebe e mostra sua especialidade: transformar absolutamente tudo em arte. Outro passeio a pé válido é conhecer os hotéis da região: Cumbria, Cabañas del Lago, dentre outros. Subir o monte (cerro) Phillip é ter um visual arrebatador, porém faltam informações no local.
Outro passeio de um dia só foi para a ilha de Chiloé. A companhia foi a LSTravel. Pega-se a rota 5, que vai do Chile ao Alasca e é a mais longa da América. E chega-se na ilha por ferryboat. Chiloé significa “lugar das gaivotas” na língua indígena dos chonos, os primeiros índios que foram extintos na região. Visitamos Ancud, com suas casas coloridas que são um local de pescadores. Também o Forte de São João, datado de 1771, usado para defender a ilha do ataque de ingleses, holandeses e piratas.
Importante mencionar que o maior índice de alfabetização do país está na ilha, por causa do legado dos jesuítas (estiveram lá aproximadamente de 1600 a 1800). Há mais de 200 igrejas em Chiloé, construídas por eles. Algumas são Patrimônios da Humanidade, únicas no mundo, feitas das madeiras das árvores ciprestes e alerces.
Outra cidade é Dalcahue, linda! Significa “lugar de dalcas”, embarcações dos índios chonos. As pessoas da ilha são longevas, tudo que consomem é orgânico, produzido por elas, além disso, comem muito peixe. Acrescentando mais uma informação: a ilha foi descoberta aproximadamente em 1540. Foi invadida pelos holandeses três vezes e como não foram bem sucedidos, a incendiaram. A capital é Castro e lá está o cartão postal do local: as casas coloridas sobre palafitas. São um primor. Foi um passeio cansativo, pois se pega ferryboat, por ser longe, porém vale cada minuto. A beleza da ilha é estonteante. E o passeio foi um colosso. Recomendo.
Outra agrado da região é o mel de olmo, comprado em feiras de artesanato ou supermercado. O seu sabor é delicioso e é bom para a pele, cabelo, garganta etc.
Ao voltarmos para Santiago, resolvemos fazer outro passeio de um dia: para Valparaíso e Viña del Mar. Desta vez pela Kolob Tours, que tem um quiosque no Mercado Central. Ao sairmos da capital, nos deparamos com paisagens muito bonitas e plantações de oliveiras. Novamente o guia nos dá uma aula sobre o país. Lá há lei e ela é cumprida. Só um exemplo: não pode beber bebida alcoólica na rua, e ponto final. Se fizer isso, segundo o guia, é cadeia! E mais: o Chile exporta cobre, lítio e celulose para o Japão. Como os mexicanos, os chilenos usam muito abacate (palta) na sua culinária, seja no pão, na salada e sempre mais salgado. Em todas as autoestradas (rutas) são cobrados pedágios, ou seja, são privatizadas. E em geral, há mais de um por ruta. Santiago é uma cidade, que por estar localizada entre morros, é poluída e causa no inverno muitos problemas respiratórios na população. Por isso, os mais bem aquinhoados, moram nos morros, porque lá há vento. E algo mais: no Chile até o corte de árvores é controlado pela polícia. Para uma cortada, plantam-se quatro.
Continuemos a falar sobre o passeio… No caminho, descemos em uma loja fantástica e enorme, com degustação grátis de vinhos. Chama-se Rio Tinto e de acordo com o guia, muito mais em conta do que as vinícolas. Há de tudo nessa loja, artesanato, queijos, salames, enfim, fenomenal! Também passamos pelo Santuário de Lo Vásquez, onde se venera a padroeira do país: Nossa Senhora Imaculada Conceição. Em dezembro, há um dia no qual a ruta é fechada a fim de se fazer a romaria a pé de Santiago até o Santuário.
Em Valparaíso se localiza o congresso do país, logo os políticos se dirigem para lá. Também lá se encontra uma das famosas casas de Pablo Neruda, a La Sebastiana. (Anos antes eu já havia conhecido a La Chascona em Santiago no bairro Providência). Todas as casas viraram museus e valem uma visita, pois são originais. Infelizmente, com o tempo curto da excursão, fiquei sem entrar nessa. Fica para outra vez…
Falemos mais sobre esta cidade. É o primeiro e mais importante porto chileno. Com a inauguração do Canal do Panamá na América Central, o porto de Valparaíso declinou, porém devido a novos contratos comerciais com outros países, o porto floresceu novamente. Interessante que frutas saem de outro porto perto: o de Santo Antônio e os caminhões rumam ao porto por outro caminho: o Caminho da Pólvora, assim não atrapalham o tráfego.
Valparaíso é uma cidade com altos e baixos, nos morros se localiza a área residencial e no plano, a parte comercial. O local é muito visitado por argentinos de Mendonza, uma vez que a cidade é mais perto do que Mar del Plata na Argentina, a badalada praia de veraneio. É Patrimônio da Humanidade, sendo que a UNESCO ajuda os donos a manter suas casas. Vale lembrar que o último terremoto em 2010, cujo epicentro foi em Concepción, provocou uma onda gigante que destruiu muito da cidade. Ainda há marcas deixadas como lembrança e há rotas de escape caso haja outro. Significa que aprenderam a lição. Hoje a cidade está reconstruída.
No Museu Naval, que também não entrei por falta de tempo, há a cápsula que salvou os mineiros que ficaram soterrados no interior do país algum tempo atrás. E perto tem uma feira de artesanato onde encontrei preciosidades.
O que separa Valparaíso de Viña del Mar é uma rua e um metrô (comprado do Brasil já usado e renovado no Chile) une as duas. Trata-se do único caso no país.
Viña del Mar é uma cidade jardim, amei! Passaria lá as férias todas, pois é alegre, movimentada, uma cidade completa. Tem o Relógio das Flores, presente dos suíços na Copa do Mundo. A prefeita, que está no poder a um bom tempo, cuida da cidade com esmero. Antes, havia uma competição pelo jardim mais bonito. Quem ganhava, tinha luz de graça por um ano. Hoje, não fazem mais isso, pois a população se acostumou a tratar a cidade com amor e flores. Há flores na cidade toda, nas casas, nos postes, nas vias de pedestres, enfim, uma lindeza. As alamedas são cobertas de árvores, há também o cuidado com o reciclável, nas ruas existem camburões de ferro para as garrafas de plástico usadas. A beira-mar é bem cuidada, convida a um passeio. Em suma, a cidade é toda graciosa, lembra muito Punta del Este no Uruguai.
O Chile é um país admirável. Apesar de não ter a Patagônia colossal como a Argentina, nem os parques nacionais tão bem cuidados como o do país vizinho, tem algo muito procurado hoje em dia: a segurança. Seu território é bem menor em comparação com o nosso país. Mas tem a seriedade de um país que respeita as leis. Podemos conhecer o país com suas peculiaridades na tranquilidade. E isso, vamos combinar… é um docinho de chocolate para nós brasileiros…
