ENSINO MÁGICO
Este artigo é 2002, mesmo antigo será sempre atual, pois um professor nunca deixará de ser professor, ainda que esteja aposentado. Está impresso na alma o seu amor pelo ensinar e seus alunos. Faço deste artigo uma homenagem aos meus queridos pupilos nos meus 33 anos de ensino de inglês. Lembro-me de todos os meus momentos com muito carinho. A vocês, alunos, o meu eterno “muito obrigada”, vocês me fizeram uma pessoa melhor e mais humana.
Para começar, vou repetir algo marcante, lido em algum lugar: “Fora da escola, não há salvação.” Realmente, acredito nisso. Professores, sem tempo, salário e condições de trabalho dignos e ainda querendo continuar professores, sabem muito bem ser a citação acima mais do que verdadeira.
Do que se trata o “Ensino Mágico?” É o tipo de ensino que vai além do conhecimento de conteúdo e atinge o coração do aluno. Como? Com bom tratamento, gentileza e fazendo-o se sentir único na classe. Mas aí se questiona: “É possível? De que maneira conseguir isso num cotidiano tão atribulado de afazeres?” De um modo muito simples: prestando atenção neles, em como estão vestidos (se estão mais elegantes, por exemplo); se parecem felizes ou não; nas suas reações para com o professor e os colegas de classe; se cortaram o cabelo, dentre outros. O fato do professor fazer comentários a respeito desses detalhes faz fluir a energia da turma. É incrível como ficam alegres com uma simples observação: “Fulano, você cortou o cabelo.” Além de ruborizarem, sentem-se “vistos, notados.” Não são um aluno, mas o “aluno.” Saber nomes, então, nem se fala. É condição essencial para um relacionamento igualitário. Agindo assim, o clima na sala torna-se bem mais agradável e o mestre é percebido como um AMIGO. Trabalhando com respeito e carinho, o educador ajuda a elevar a auto-estima dos pupilos, às vezes, fragilizada por motivos outros. Certos alunos tornam-se tão especiais que deixam de ser somente “pessoas na sala” para serem fundamentais, parte do ciclo afetivo do professor.
Certos vocábulos abrem portas e horizontes e fazem parte do “Ensino Mágico.” São palavras milagrosas de tão gentis. “Obrigado(a), de nada, com licença, sinto muito e por favor” transformam a vida do aluno e o fazem vislumbrar a sua potencialidade em ser “cidadão do mundo.” Afinal, educação é a passagem de “ida e volta” para qualquer lugar. Se o professor no seu cotidiano adota essas idéias mágicas, recebe um ambiente de trabalho de PAZ.
O educador é um exemplo, um líder, logo tem o poder de plantar a semente da boa interação. Algo mais a ser mencionado: o valor do sorriso. Como os alunos respondem? Sorrindo de volta!
Tenho trabalhado com os meus alunos na Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará, o seguinte lema: “O que estou fazendo para mudar o Brasil?” Sendo uma otimista incurável e convivendo com a nossa juventude universitária, tão repleta de sonhos e projetos, não deixo de me perguntar quanto ao meu papel na sociedade. Só sei que “Nós, professores, fazemos toda a diferença neste mundo tão desigual.”
Este artigo é uma homenagem a todos os profissionais comprometidos com a transformação do nosso país e olha que eu tenho a sorte de conhecer muitos professores assim. Em especial, dedico a duas pessoas entusiasmadas com a sua missão na Terra: “ensinar, estar rodeado de alunos, amar falar neles e estar sempre trocando experiências sobre as suas vidas escolares”: minha mãe, Sirley Dourado Furtado, professora alfabetizadora nata e minha grande incentivadora na arte de lecionar e meu tio, Celso Barreira Furtado, o tipo de pessoa que tem na testa escrito: “Sou professor com muito orgulho.”
Como uma boa cinéfila, aconselho alguns filmes marcantes sobre a influência de professores sobre os alunos: “Ao Mestre com Carinho 1 e 2, A Corrente do Bem e Meu Adorável Professor”.
Para concluir, uma citação do Pai da Psicologia Humanística, Abraham Maslow: “Os professores não devem somente aceitar os alunos, mas ajudá-los a aprender sobre o tipo de pessoas que eles são.” E eu acrescentaria: “o tipo de pessoas que eles querem ser…”
