Florianópolis Imperdível

Florianópolis Imperdível

Eis “Floripa” para os íntimos, trata-se da cidade com a melhor qualidade de vida do Brasil. Os carros são mais simples, a classe média reina, não se vê tanto desnivelamento social. Bom saber que isso é possível no Brasil.

Vamos às curiosidades: vi alguns outdoors espalhados pela ilha dizendo o seguinte: “Sr. Prefeito, se a cidade estiver suja, a responsabilidade é sua”. Amei! E mais: há uma lei municipal que nas calçadas há a obrigação de ter o caminho especial para os deficientes visuais. Posso dizer que é cumprido. O centro é habitável e andável. Outro detalhe: como gostam de açaí e pão de mel. As pessoas em geral se reportam umas as outras por senhor e senhora, educação portuguesa pela descendência açoriana, eu presumo.

Agora começaremos a viagem. Fomos por meio de um pacote pela CVC baratíssimo com passagens compradas pela GOL e hotel, por ser baixa estação em maio de 2017. O voo foi tranquilo e pontual via Guarulhos em São Paulo. Ao chegarmos, pegamos um táxi sem ser oficial. Aconselho o Felipe Rafael (48-84034366), muito gente boa. A simpatia por uma cidade já começa com os taxistas na entrada. Vamos ao hotel: Castelmar (Rua Felipe Schmidt, 1260) no centro, super bem localizado. Aconselho. Fomos a pé ao Centro Histórico e à Av. Beira-Mar Norte.

Logo ao chegarmos, fomos explorar os arredores, dentre eles, o Centro Histórico. Fiquei encantada com o centro limpo e repleto de pequenas lanchonetes e restaurantes, com muitas opções “naturebas”. Tudo tão bem cuidado que dá gosto se perder por lá.  O suco de morango da “Bom Apetite” é delicioso.

DSCN1326
Palácio Cruz e Sousa-foto tirada por Mônica D. Furtado

Fizemos os passeios típicos de turistas: o Museu de Santa Catarina – o bonito Palácio Cruz e Sousa com suas pantufas obrigatórias a fim de não machucar o chão de madeira antiga; a Catedral Metropolitana de 1753; a Praça XV de Novembro com sua figueira centenária (de 1890); o Mercado Público e a Casa da Alfândega. Ao redor desses dois últimos, há uma feira fantástica de frutas, queijos, doces, cucas e outras maravilhas no chamado Largo da Alfândega aos finais de semana. Também é imperdível entrar na antiga Alfândega e conhecer o centro de artesanato onde se compra artesanato açoriano, barcos, bolsas, bruxinhas etc. Tudo é colorido e bonito. Afinal, estamos na Ilha da Magia. Como não se enfeitiçar?

Dentro do Mercado Público, não deixem de tomar um chope belga no Box 32, o local é famoso e ponto de encontro na cidade. Há vários restaurantes em cujos cardápios encontramos do bacalhau à tainha, típica da região, além das carnes. Vi muita gente circulando e curtindo o local, eis um lugar para ir todos os dias se puder.

Vale a pena passear pelo calçadão no centro com suas lojas e observar o pulsar da cidade. Parece que há mais tranquilidade por lá. Outra tradição é o pastel com caldo de cana e ver moradores jovens e idosos jogando xadrez na praça XV de Novembro. Nada como manter os costumes. Gosto disso. Por sorte, quando estávamos lá estava acontecendo a Feira do Livro, pequena, mas que atraiu muita gente.

A capital é famosa por suas belezas naturais e pelo bem viver. A Grande Florianópolis, a qual inclui os municípios de Palhoça, Biguaçu e São José, possui algumas das praias mais lindas do Brasil, cercadas por dunas, restingas ou morros cobertos de Mata Atlântica. Há praias para todos os gostos: com águas calmas para crianças, com ondas boas para surfistas ou pequenas comunidades de pescadores.

A Av. Beira Mar Norte é uma Copacabana menor. Muito bom o nosso hotel ser perto de lá. É linda demais! O calçadão à beira mar é largo e magnífico, com bloquetes, ciclovia e muito verde. Bom para caminhar, tomar água de coco e aproveitar a vida. Vimos banheiros decentes fixos e água para cachorros. A caminhada é longa até o shopping Beira Mar, o qual considerei bem agradável e com boas opções para compras.

Uma boa sugestão para passeio de um dia é o city tour Ilha da Magia, organizado pela Vavatur Agência de Viagens. Contratamos no hotel e o guia Dimitry (o motorista do nosso dia em Blumenau e Pomerode) foi nos buscar em um carro. Como era baixa estação, só havia outro casal de Belém. Por aproximadamente R$80,00 por pessoa, tivemos um dia deslumbrante. A natureza foi abençoada por Deus na divina Floripa. Começamos pelo Mirante da Ponte Hercílio Luz. Há duas pontes que ligam a ilha ao continente: Colombo Sales de 1982 e Pedro Ivo Campos de 1991 (em uma os carros vão e em outra os carros voltam). A ponte Hercílio Luz é de 1926 e ainda está sendo reformada, hoje vale como cartão postal, não é mais usada.

Continuemos com o passeio. Direi a vocês o que aprendi. Florianópolis era antigamente “Vila do Desterro”. Quem nasce lá é floriapolitano, ou melhor, “mané da ilha”. O Mercado Público com o Largo da Alfândega são do final do séc. 18 e era onde os pescadores guardavam suas embarcações. Naquela região houve 700 m de aterro (vindo do mar) na década de 70, por conta da expansão populacional e a construção da ponte Colombo Sales. Incrível! Para vocês terem uma ideia, onde é hoje o Memorial Miramar, antes era água. Só vi isso em Funchal na Ilha da Madeira para a ampliação do aeroporto. A citada região é tombada e o governador da época era Colombo Sales. A calçada usada é original de pedra portuguesa, como no centro de Lisboa. A influência açoriana na ilha é visível em todos os lugares, principalmente, no Centro Histórico.

DSCN1331
Ribeirão da Ilha-foto tirada por Mônica D. Furtado

Vamos agora para a parte sul da ilha. Trata-se de uma região sem grande estrutura de hotéis e restaurantes. Ribeirão da Ilha foi descoberta em 1506, mas só ocupada em 1726. Para aquela paragem, seis mil açorianos vieram como imigrantes. Os primeiros habitantes eram os índios carijós. O forte na Freguesia da Ribeira, local tombado, são as ostras. A Igreja Nossa senhora da Ajuda de 1806 vale uma visita. Aliás, a localidade é colorida com suas casinhas açorianas. Os habitantes têm gosto em decorar seus lares e tornam Ribeirão da Ilha em um lugar encantador. Ali está a montanha mais alta da ilha: o Morro de Cabeça do Macaco. Seguindo em frente, visualizamos o Morro das Pedras, a ilha do Campeche e a praia famosa Joaquina, ideal para surfistas. Fomos ao Mirante do Convento Vila Fátima de onde se tem um visual arrebatador da Praia de Armação com sua baía e da Praia de Matadeiro. No séc. 18 se caçavam baleias naquela região, afinal a iluminação e a construção dependiam do óleo delas e a estrutura para o abate existia no Matadeiro. Atualmente, felizmente, a história mudou. Há pesca artesanal de tainha por dois meses ao ano, aí os surfistas são proibidos de ir ao mar, pois afastam os cardumes. Detalhe: a temporada se encerra com 150 toneladas. Depois do período, os surfistas são liberados.

Achei o guia muito bom e informado, assim o dia se tornou bastante produtivo. Continuemos… O Parque da Lagoa do Peri, com a Mata Atlântica preservada, com livre acesso, com a lagoa boa para banho e com viveiros de plantas nativas ; a Lagoinha do Leste; a praia do Pântano do Sul, o ponto mais afastado do centro; a Armação do Pântano do Sul com sua Igreja de Santa Ana de 1772, onde os pescadores recebiam as bênçãos antes de ir ao mar, valem a visita. O lugar é lindo! Sinceramente, só vi belezas mil e um ritmo diferente de vida. O lema deles deve ser “nada de estresse”.

Vamos ao lado leste da ilha que é a região central. Lá está a encantadora Lagoa da Conceição e o Canto da Lagoa. A natureza é conservada, há muito movimento de bares, restaurantes, bancos, supermercados e lojas na Avenida das Rendeiras, a principal; e pedalinhos e práticas de esporte na lagoa. Eis o destino mais nobre da ilha. Do outro lado da lagoa, está a Barra da Lagoa com turismo forte o ano todo. De lá visualizamos as dunas que vão até a praia da Joaquina. As casas de madeira ao longo do canal são de pescadores. Tudo é gracioso. A parada para o almoço foi naquela paragem, no restaurante “Dois Irmãos”: tainha grelhada com pirão e batata souté. Da Barra, ruma-se ao Morro das Sete Curvas e chega-se ao Mirante do Morro da Lagoa com um cenário fabuloso. Vê-se a Lagoa da Conceição do alto.

As praias continuam: Praia Mole, com ondas boas; a ilha do Xavier; e a Praia da Galheta, de nudismo com ou sem roupa. Praias preferidas do público GLS. Na parte leste, a fonte de renda é o turismo, a pesca e tem uma melhor estrutura hoteleira. A praia da Joaquina é conhecida internacionalmente pelos seus campeonatos de surf. Tais competições completaram 40 anos em 2016.

DSCN1317
Jurerê Internacional-foto tirada por Mônica D. Furtado

Do lado norte da ilha, encontramos praias badaladas como Jurerê Internacional e Tradicional. A primeira tem mansões de famosos, como a da Xuxa, dentre outros e é proibido construir muros, logo as casas são expostas, estilo americano. Umas mais bonitas que as outras, mas o lugar é estilizado. Tem um mar calmo e um calçadão no meio de prédios baixos, lindos, que dá vontade de curtir cada loja e cafeteria. A Tradicional tem vida própria, também com prédios baixos e convidativos.

A localidade que mais gosto é Santo Antônio de Lisboa. Região de ostras, bucólica com os barcos coloridos balançando nas marolas, é uma beleza ao amanhecer, ao entardecer e ao anoitecer. Os açorianos souberam escolher suas moradas bem, transformaram o lugar em um recanto aprazível com suas casas coloridas e decoradas com cortininhas. Típico de português. Eu amo!!!! O gosto é de quero ficar lá!

Após umas 10 horas de passeio, voltamos satisfeitos e querendo voltar o quanto antes a esta terra tão adorável e que nos recebeu tão bem. Não poderia de deixar de agradecer à minha família de lá e aos novos amigos. Vocês fizeram a viagem ter o gostinho do coração.

Um comentário em “Florianópolis Imperdível

Deixe um comentário