PLÁCIDO E PIERINA
Cel. Rui Pinheiro Silva
No começo do século passado vivia em Fortaleza um notável comerciante, homem destemido na arte de ganhar dinheiro e executar obras suntuosas: chamava-se Plácido Carvalho.
Sua loja, localizada numa esquina da Praça do Ferreira, vendia roupas, calçados, perfumes, era quase um shopping. Para comercializar tanto luxo, ele viajava constantemente à Europa onde se abastecia nos melhores endereços do Velho Mundo. Mas um dia, avistou em Paris uma linda mulher pela qual se enfeitiçou: era uma italiana de Milão, elegante, vistosa e disponível, cujo nome era Maria Pierina.
Corria o ano de 1914 e a 1ª Grande Guerra irrompia na Europa com todas as suas consequências, mas, graças à visão do excelente comerciante, a loja de Fortaleza já fora totalmente reabastecida.
Casam-se, e a vida de ambos toma novo destino. Plácido retorna a Fortaleza e, para receber sua amada, manda construir o suntuoso Theatro Majestic Palace, localizado na Praça do Ferreira, cuja festiva inauguração coincide com a chegada dela. Fortaleza vira Paris. Com o fim da guerra e a ajuda de Pierina, a Casa Plácido passa a exportar para a Europa, agora com preços multiplicados, os inumeráveis bens que ali faltam. O casal torna-se riquíssimo e decide construir no bairro Outeiro, hoje Aldeota, um palácio, que fica conhecido como o Palácio do Plácido, entre as Av. Santos Dumont, Costa Barros, Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno. É um belíssimo palácio italiano, onde vai residir o casal.
Em 1922, Plácido inaugura na Praça do Ferreira o requintado Cine Moderno que irá servir à sociedade e, também, inaugura o prédio da Farmácia Oswaldo Cruz. Resolve, por fim, dotar Fortaleza do seu maior prédio. Encarrega o cunhado Natale, irmão de Pierina, de executar o projeto feito na Europa. E, daí, vai surgir o Excelsior Hotel, de nove andares, construído em alvenaria e suportes de longarinas, inaugurado em 31 de dezembro de 1931. Todas essas notáveis personagens e belíssimas construções, exceto o Excelsior (graças ao Janos) e a Farmácia, o vento levou. Cadê nossa história?
P.S. O Coronel Rui Pinheiro Silva é um querido amigo do meu pai, escreve para jornais e é outro apaixonado pela arte da escrita, por isso ele está aqui no meu blog. Falar da Fortaleza antiga é indubitavelmente um prazer e uma nostalgia a quem viveu aquela outra cidade e hoje não reconhece a atual, pois a que temos mudou muito.

Excelente iniciativa de resgatar a história de Fortaleza antiga.
Aguardo outras postagens.
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Salve, Robson,
Realmente, somos sedentos de resgates sobre a história de Fortaleza. Foi um artigo ímpar do Cel. Rui. Obrigada pela leitura.
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Monica, é uma tristeza ver o descaso com que nossas edificacoes antigas vem sendo banidas. Ainda consegui ver aquele castelo de pé quando menina. Foi uma grande perda para a nossa história e pra linda história de amor daquele casal.
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Socorro, olá,
Concordo com você: perder o castelo para o descaso com a história foi imperdoável. Temos que aprender mais com os europeus a valorizar nossas relíquias. Grande abraço.
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Realmente! Cadê nossa história.
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Prima Maria Carmen,
Teremos a nossa história o dia em que valorizarmos a nossa cidade, o nosso estado, o nosso país. Ainda falta muito para isso… Enquanto se destruir casas como em Fortaleza para construir prédios, não honraremos o nosso passado. Grande beijo.
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Distinta amiga Mõnica. Muito grato por ter publicado no seu lindo blog minha humilde crônica ” Plácido e Pierina” Forte abraço Rui.
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Cel. Rui,
O prazer é meu. Sempre que tiver algum artigo referente a Fortaleza antiga ou sobre lugares, me interessa publicá-lo. Grata e grande abraço.
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