Fortaleza Sem Árvores
Este artigo de 2012 foi repaginado e continua moderno. Nos idos dos anos 60, segundo pesquisas orais, Fortaleza era uma cidade jardim, tinha casas com plantas, árvores, pássaros, era pavimentada em pedra tosca ou paralelepípedo e no centro era concreto e não asfalto, enfim, era um lugar bucólico com clima agradável e em julho e agosto fazia frio à noite. Era considerado um exemplo de cidade boa de viver, com qualidade de vida.
Passados bons anos, o que vemos hoje? Uma cidade destruidora. Casas, prédios de poucos andares, principalmente na Aldeota e perto da Beira Mar, vindo abaixo pela fome implacável das construtoras, além de terrenos arborizados com macaquinhos, pássaros diversos na calada da noite, como aquele conhecido de todos na esquina das avenidas Virgílio Távora com a Santos Dumont na Aldeota.
Para que se preocupar com o meio ambiente, não é mesmo? Isso é coisa sem importância, dizem alguns, o progresso é assim. Outros mais conscientes e amantes da velha Fortaleza pensam o contrário. Eis a Fortaleza bela, a loira desposada pelo Sol de edifícios e mais edifícios, trânsito difícil, insegurança para todos e sem árvores.
O motivo deste desabafo é na realidade as árvores. São muitas passadas na guilhotina. Vejo isso diariamente, seja nas ruas ou praças. Qual é a razão deste desatino? Fico a questionar-me. Ou é para não ter que limpar a calçada, afinal as folhas sujam muito… Ou é porque as pobres vítimas estão morrendo, mas aí eu pergunto: e onde estão as árvores novas e por que não são plantadas imediatamente? Ou é pelo motivo de aumentar o estacionamento, como testemunhei em salão de beleza na rua Silva Paulet, ou em confeitaria conhecida na avenida Padre Antônio Tomás, também na Aldeota? Ou é porque os fios de iluminação ficam enganchados nos galhos? O gostar de plantas deve ter ficado no passado, certamente. Atualmente, o que ouvimos são serras elétricas aos domingos. Afinal, tem que ser escondido.
Algo mais a mencionar: os arquitetos só escolhem plantas como coqueiros e palmeiras para os edifícios novos. Vamos combinar… lindas plantas se estiverem na beira do mar, mas não fazem sombra em outros locais.
Penso em outras cidades: João Pessoa e Natal no nordeste e fico suspirando com tanto verde. Ou São Paulo, tão cosmopolita, porém tão sábia em oferecer parques fenomenais e muitas árvores para a sua população ter sombra e lazer.
Fortaleza, acorde! Para ser bela, há de mudar e muito a sua consciência ecológica e ao invés de decapitar a mãe natureza, plantar sempre!
