Diários do Canadá: Ottawa 4
Estamos em 13 de outubro de 2017. Como ainda tínhamos uma hora de crédito com o ônibus turístico double-decker da Grayline, acordamos com a intenção de aproveitar a carona até o Museu de História (Museum of History). Pegamos o ônibus na parada 1: rua Elgin com Sparks e lá fomos nós.
Para começar, as companhias de double-decker Grayline e Lady Dive estavam trabalhando juntas, talvez por ser outono. Passamos pelo rio Ottawa o qual divide Ottawa (lado inglês) e Gatineau (lado francês), onde fica o museu a ser visitado.
Desenhado pelo arquiteto Métis (povo aborígene do Canadá) Douglas Cardinal, o Museu Canadense de História é o mais visitado no país. Eu diria que é imperdível! O exterior do prédio, feito de pedra, foi esculpido em ondas, como uma delicada marola, para honrar a crença indígena de que o mal vive nos cantos angulares.
Mostra o Canadá em toda a sua existência, iniciando com a fase pré-histórica: dos indígenas. Os sítios arqueológicos, os chefes indígenas, as cerimônias, os guerreiros, as peças encontradas, os barcos, as roupas etc. São impressionantes. Mais: a pesca, a tecelagem, a colheita, as máscaras de animais usadas, muitas vezes, assustadoras, totens aos montões. No séc. 19, as comunidades indígenas começaram a se desintegrar com a colonização do país, mas as comunidades da Costa Noroeste ainda hoje preservam a sua cultura na Columbia Britânica.
Detalhe: tudo escrito no museu é em inglês e francês. Há o setor de coleção de selos: The Canadian Stamp Collection; a exposição de carruagens nos idos de 1800 para transporte, neve, brincadeiras, dentre outros. Interessante que a cada uma, escuta-se o som dos cavalos. Tem a parte exclusiva para crianças e exposições, eventos e filmes em Imax o ano todo.
Das origens do Canadá até 1763, a Galeria 1 apresenta interatividade, além do museu em si. Mostram aborígenes; animais empalhados enormes como bisões, um caribu; peixes; os povos indígenas Algonquin e Inuit; vilas com iglus, dentre tantas outras maravilhas.
Aprende-se muito. 7500 anos atrás já plantavam milho na América Central. 500 anos atrás os europeus espalhavam o milho pelo mundo. Trata-se da plantação mais valiosa do país hoje. De Toronto para Ottawa são várias. Da tortilha à pasta de dente, o milho é fundamental.
Os europeus chegaram ao Canadá 1000 anos atrás, os vikings também estiveram lá, mas não ficaram pelo fato de serem violentos. Há explicações faladas em várias partes das galerias e são dadas por “mestres”, indígenas ou não.
Entre 1600 e 1700 os franceses chegaram e se adaptaram. Viraram “Canadenses” e “Acadianos”. O Rei Sol (Luís XIV) foi o rei francês que mais deu apoio e encorajou a Nova França (a província do que é hoje Quebec). Em 1663, se transformou em uma Colônia Real. Em 1763, os britânicos dominaram a Nova França. A Acadia virou a Nova Scotia. Até 1714, 2.500 franceses chamavam-na de casa, até que chegaram os britânicos entre 1600 e 1700. Com a Guerra dos Sete Anos, os britânicos venceram e deportaram 10.000 Acadianos para a França, além de queimarem as casas deles.
A Galeria 2 mostra o Canadá Colonial de 1763 a 1914. O país se torna uma nação dentro do Império Britânico. Até 1840, os católicos não podiam votar nas assembleias de New Brunswick, Nova Scotia e Ilha Prince Edward. O governo britânico não respeitou tratados feitos com os índios e os deixaram passando fome. Pobres índios! Morreram de fome e doenças trazidas pelos brancos. A Estrada de Ferro é de 1885, funciona muito bem desde sempre.
Almocei na cafeteria salada e vanillha pudding (cremogema). Não havia muitas opções tentadoras. Após, continuamos a caminhada. Aliás, como se exercita em um museu.
Fomos para a Galeria 3: o Canadá Moderno de 1914 até hoje. Passamos pelas Duas Guerras Mundiais, pelos heróis nacionais, a mudança no pós-guerra, a crise de 29 etc. Aí temos o herói nacional Terry Fox de novo (ver Toronto 1) e a aliança e amizade com o vizinho: EUA.
O Canadá cometeu genocídio cultural contra as populações indígenas por meio de políticas, como escolas residenciais, que foram criadas para apagar a linguagem e cultura das nações pré-existentes. Quem disse isso foi Beverley McLachlin, Chefe de Justiça da Suprema Corte do Canadá em 2015.
Hoje em 2017 são celebrados os 150 anos do Canadá como nação. Para finalizar o museu, falarei dos dois referendos para saber se o povo da Província de Quebec queria a separação do país. Aconteceram em 1968 e 1995. Este último teve como apoiadores os políticos: do SIM o ex – Primeiro – Ministro René Levesque e do NÃO Pierre Trudeau (então Primeiro – Ministro). Deu como resultado 49% SIM e 51% NÃO.
Bom saber que a nossa música de qualidade viaja pelo mundo. Em alguns museus, escutei Bossa Nova e fiquei radiante.
Ottawa está quase no fim. Em breve, o último. Continuaremos com Montreal.
