Longe de casa
Ana Carolina Tavares

Quando nos mudamos para outro país, o luto migratório, afeta diretamente nossa identidade. Deixa-se no país de origem, um idioma, uma família, amigos, uma cultura, uma maneira de viver. No início, ao mesmo tempo em que somos atraídos pelo novo, e pela mudança de ares, nos sentimos inadequados. As diferenças muitas vezes assustam, e nos afastam dos outros, principalmente, se tivermos uma visão etnocêntrica, onde acreditamos que a nossa maneira de viver a vida é o centro do mundo, e quando não percebemos que a nossa cultura, é apenas uma forma de ser e estar no mundo, dentre as muitas outras formas que existem. Talvez porque sentimos a diferença como uma ameaça ao nosso modo de viver. Questionamos, “como pode, essas pessoas viverem dessa forma, tão diferente da minha?” e como consequência, nos sentimos irritados, e também afrontados. Em seguida completamos, para nos reafirmarmos “meu modo de viver é que está certo, a minha cultura é que está certa”.
Pois é, mas para a felicidade geral de todas as nações, não existe cultura certa ou errada. Não existe melhor nem pior. Não se pode comparar. São apenas modos de viver diferentes. Com o tempo, depois de passar pelo processo do luto migratório, nos tornamos alguém que construiu uma identidade diferente, mais ampla e rica, pois agregamos saberes sobre aqueles que já possuíamos anteriormente. Ao invés de um idioma, falaremos dois. Ao invés de conhecer um modo de viver, conheceremos mais um. É soma. Não se trata de subtração, de esquecer as nossas raízes. E no final das contas, percebemos que apesar de viver em culturas diferentes somos todos seres humanos, merecedores de gentileza e compaixão. E que o sorriso é nossa língua universal. ☺
Por Carolina Tavares
Psicóloga clínica
Contato: 85 987897633
Minha amiga Carol Tavares ama escrever e já colaborou com meu blog com o artigo “Viajar é Viver”. Esse artigo “Longe de casa” tem como assunto o ano de 2013 em que ela passou em Salamanca – Espanha, estudando, fazendo um master em terapia de casal e família pela Universidad de Salamanca. O texto foi publicado na íntegra no Jornal O Povo online.
