Olé! Espanha: Madri e arredores – El Escorial e Valle de los Caídos

Olé! Espanha: Madri e arredores – El Escorial e Valle de los Caídos

Eu e as tulipas na Plaza del Oriente em Madri

Eu na Plaza del Oriente com as tulipas em flor-Madri-foto tirada por Carmen Rivas

Cá estou eu novamente a falar sobre as minhas aventuras por este mundo de meu Deus. Desta vez, será sobre a linda terra de Federico Garcia Lorca: a bela Espanha – terra de contrastes, tanto no clima, como nas paisagens e costumes. E como gostam de uma tourada… e de uma paella… e de um vinho… e de sua dança e música mais do que estonteantes, chamada flamenco. O lamento da guitarra cigana parece que fica pairando pelo ar, alucinando os corações mais sensíveis. Interessante acrescentar que há um ditado espanhol para a primavera: “En la primavera la sangre se altera”, ou seja, as pessoas ficam mais festivas e felizes nesta estação.

Foi possível desbravar melhor Madri naquele ano. Estamos em 1999 entre março e abril. Contarei para vocês observações minhas. Nada como passar um domingo pela manhã, dando uma de madrilenha. Primeiro, vai-se ao El Rastro, mercado das pulgas, existente desde a Idade Média, localizado à calle Ribera de Curtidores. Lá se encontra de tudo um pouco: artesanato, pinturas, roupas e muitas pechinchas valiosas. Continuando o passeio dominical, o lugar ideal para se dirigir é o Parque del Retiro, por ser bucólico e repleto de atrações, tais como músicos de rua, bancas de tarô, pedalinhos e alegria, muita alegria. Em uma manhã primaveril, tudo fica colorido e resplandecente com atividade. As pessoas estão em todos os locais, no Palácio de Cristal, vendo uma exposição de pinturas; na grama, lendo, brincando com o cachorro ou namorando, enfim, há vida fervilhante no parque.

Madri é sinônimo de diversão, seja noite ou dia. São tantos os museus, as livrarias, os cafés, os bares de “tapas” (os tira-gostos tradicionais da Espanha), que só vendo.

Eu na Puerta del Sol onde é celebrado o Reveillón em Madri
Eu na Puerta del Sol onde é celebrado o Reveillón em Madri-foto tirada por Carmen Rivas

Também tem o monumental Palácio Real, onde o rei da Espanha trabalha, naquele momento era o Juan Carlos; a Plaza Mayor; a Plaza del Oriente; a Puerta del Sol,onde é celebrado o réveillon e o quilômetro zero das estradas espanholas desde 1950; e outras belezas.

Meu agradecimento ao Mário Gómez del Estal Villarino, irmão do Óscar, professor visitante da Casa de Cultura Hispânica à época. Infelizmente, o Mário faleceu em 2015 e a ele sou muito grata, pois foi um acompanhante divertido e culto a mostrar o melhor de Madri a mim e à Carmen. Comemos “tapas”, bebemos xerez (em espanhol jerez – tipo de vinho fortificado, licoroso, típico da Espanha) e caminhamos muito pela noite.

Fora da cidade, dois lugares são divinos. Um é o El Escorial e o outro, o Valle de los Caídos. O imponente palácio de San Lorenzo de El Escorial tem arquitetura austera e foi a residência de Felipe II. Diz respeito a um grande complexo formado por um mosteiro, uma igreja, um palácio real com um panteão dos reis da Espanha, uma escola, um seminário e uma biblioteca real. Situa-se a 45 km a noroeste de Madri.

Já Santa Cruz del Valle de los Caídos, situado a 9,5 km ao norte do El Escorial, localiza-se no vale de Cuelgamuros, na serra de Guadarrama. Foi erguida entre 1940 e 1958, a cerca de 40 km de Madri no município de San Lorenzo de El Escorial. Trata-se de um memorial mandado construir pelo General Franco, em homenagem aos homens mortos na Guerra Civil Espanhola. Quarenta mil soldados de ambas as facções estão enterrados lá, incluindo a lápide do próprio Franco e, do lado oposto, o de José Rivera, fundador do partido da Falange Espanhola. Sobre a colina que se sobrepõe à basílica, encontra-se uma cruz monumental que se pode subir até ela por um funicular.

A Espanha me conquistou definitivamente. Falemos agora no cotidiano… É sempre maravilhoso passar um tempo fazendo o mesmo que eles, ou seja, vivendo o dia a dia: indo a supermercado, shopping center, cinema dublado (afinal, o espanhol valoriza muito a sua língua), vendo novela mexicana, lendo as revistas mais lidas (Pronto e Hola, estilo Caras), assistindo programas de auditório (o do Jaime Bores e Tómbola à época), e muito mais.

Falemos nos programas mencionados anteriormente… é incrível como gostam de comentar sobre a vida alheia. Convidam pessoas muito conhecidas, pagam, pois de graça, ninguém vai, para depois, fazerem um verdadeiro interrogatório, a lá Santa Inquisição Espanhola. É cômico! Acaba-se sabendo de tudo, da vida familiar à sexual. Para nossos padrões, é tudo íntimo demais para ser exposto ao público, mas lá, a “galera” delira…

A moda entre as mulheres é pintar os cabelos de louro, principalmente. E olha que o tipo delas é de morena do cabelo escuro. E como se vende tintura por aquelas plagas…

O povo é belo, bem nutrido, elegante e cheiroso. Os homens, em geral, vestem paletó e gravata, até aos domingos. Anda-se nas ruas sentindo o rastro de perfume francês. Bem, vale a pena, sem dúvida! Vi tanta gente bonita, que cheguei a enjoar. Nem olhava mais. Pode? Só Freud explica.

Em 1998 houve um superávit no país. O que fez o Primeiro Ministro? Dividiu o dinheirão entre os aposentados e mandou uma carta explicativa à população. Não é fantástico? Isso se chama respeito ao povo. Fiquei com gosto de “também quero o mesmo tratamento do nosso governo.” Será que um dia chegaremos lá?

E tem mais, político, representante do povo não recebe salário. Trabalha de graça, pois já tem o seu emprego. Que tal? Sempre pensei assim e vi que em algum lugar do mundo, pessoas concordam comigo e fazem a realidade, bem diferente da nossa.

Para finalizar, os meus mais sinceros agradecimentos a minha amiga Carmen Rivas (da Casa de Cultura Hispânica da Universidade Federal do Ceará), por ter me recebido de coração aberto na inesquecível Espanha. Estava na época a fazer seu doutorado em Alicante, na região de Valência.

Continuaremos com a Espanha em breve.

2 comentários em “Olé! Espanha: Madri e arredores – El Escorial e Valle de los Caídos

  1. Bela descrição da Espanha e seus encantos. Realmente, sem palavras para representar toda a beleza de Madri e os arredores de um país tão rico em diversidades como o nosso! O verão é como estarmos no centro do agreste nordestino. Lindas regiões e cidades, Mônica. Parabéns!🌸🌸🌸

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