Olé! Espanha: Granada
Estamos em 1999. As maravilhas da Espanha ainda não terminaram para mim e amiga Carmen Rivas. De Alicante, seguimos de ônibus para Granada após a Semana Santa. Uma jornada longa, embora barata. Valeu ter conhecido um pouco mais das paisagens e das estradas.
Falemos no sul da Espanha, na região da Andaluzia. Trata-se de um verdadeiro caldeirão cultural, com magia e mistérios da civilização moura que lá habitou. Pensar na Andaluzia e não se reportar ao flamenco é impossível, as origens de tão encantadoras e fortes dança e música têm origens difíceis de definir. Os ciganos podem ter sido os principais criadores da arte, misturando sua própria cultura de influências indianas ao folclore mouro e andaluz existente e à sua música judaica e cristã.
Também é a terra dos vinhos fortificados e o melhor deles é o xerez. Os andaluzes tomam o fino seco e leve e o “manzanilla”, da mesma forma tipo xerez e são apreciados gelados. Acompanham, geralmente, as “tapas” (tira-gostos) e o presunto serrano.
Um costume bastante espanhol é tomar o café da manhã na rua, nos cafés ou lanchonetes. Ficam em pé, em grupos, fumando. Enquanto eles colocavam azeite no pão torrado, juntamente com o presunto serrano ou “jamón serrano”, a Carmen e eu degustávamos uma geleia no pão.
Enfim, chegaremos a Granada. Que lugar mais deslumbrante! Amei!!! Era tanta gente bonita, uns tipos morenos, que nós ficávamos boquiabertas e nos beliscando…
O clima na primavera já pega fogo: uns 35˚C, ufa! No verão, então, vai pros 42˚C ou mais. Sinceramente, melhor no outono. Incrível saber que fora de Granada existe a Serra Nevada, pertencente à Cordilheira Penibética, e com 3478 m, onde se pratica esqui. Uma dica de hospedagem: Hostal Consul, localizado na Calle Ignacio San Antón, 34. Simples, bom e barato. Vale dar uma olhada na internet.
A cidade se destacou na história como capital dos reinos muçulmanos Zirida (séc. XI) e Nasrida (séculos XII a XV). Foram mais de 700 anos de ocupação moura.
Granada é um centro turístico importante e sua maior riqueza artística é a arte hispano-muçulmana. No Palácio Carlos V de 1526 se encontra um acervo significativo dessa arte. A principal atração é o “jarro do Alhambra”. As duas principais cidades palacianas são Alhambra e Generalife. As duas, além do bairro El Albaicin, são Patrimônio da Humanidade desde 1984.
Sem dúvida, um dos locais mais espetaculares da face da terra se chama Alhambra.
A combinação de espaço, luz, decoração e água caracterizam este sensual exemplar de arquitetura. Foi edificado sob Ismail I, Yusuf I e Muhammad V, califas, quando a dinastia Nasrida governava Granada.
Criaram um paraíso terrestre que fascina e transmite a ideia de estarmos “nas mil e uma noites”. Como diz minha amiga Carmencita: “É um lugar das Arábias”.
Lá o sitio mais famoso é o “Patio de los Leones”, construído por Muhammad V. No “Patio de Arrayanes”, a piscina reflete luz nas salas ao seu redor.
Do lado norte do Alhambra, um caminho leva ao Generalife, a propriedade de campo dos reis Nasridas. Dirigiam-se para ali, quando queriam escapar das intrigas palacianas e desfrutar a tranquilidade no “jardim do paraíso elevado” (um dos significados mais belos do nome Generalife em árabe). O festival anual de música e dança da cidade acontece naquele Olimpo.

Outros lugares imperdíveis são o bairro de El Albaicin, por conta de sua forte influência mourisca; o Mirante de San Nicolás no mesmo bairro; a Catedral, levantada em 1523 com um projeto gótico de Enrique de Egas, ao lado dela existe uma capela dita Capela Real que tem os túmulos dos reis católicos Fernando e Isabel; o El Bañuelo, termas mouriscas do século XI: o Sacromonte, onde há shows de flamenco em cavernas, antes habitadas por ciganos; a Igreja de Santa Ana em estilo mudéjar do séc. XVI; e muito mais. O rio Guadalquivir merece fotos.
Interessante mencionar que, quando estávamos visitando o Mirante de San Nicolás, estava lá uma equipe da televisão espanhola. Coincidentemente, estavam perto de onde iríamos sentar e eu perguntei se não havia problema em sentarmos. Não é que eles filmaram a gente sem percebermos e nós saímos na TV em Alicante e no país todo? Soubemos depois por uma amiga da Carmen a razão. O Bill Clinton (então presidente dos EUA) havia estado no mesmo mirante no dia anterior e a TV queria mostrar o que ele tinha visto.

Granada representa uma parte importante da história da Espanha Católica, pois foi lá que, após dez longos anos de guerra, Boabdil, governador de Granada, entregou as chaves do último reino mourisco aos reis católicos, Fernando e Isabel. Após isso, Granada se manteve como capital do reino castelhano. O pintor Francisco Padilha (1846-1921) retratou tão ilustre cena em “A Rendição de Granada” (1492) e entrou para a história mundial. Digno de nota lembrar que foram os citados reis católicos que financiaram a viagem de Cristóvão Colombo na descoberta da América.
Algumas informações históricas aqui expostas foram coletadas do Guia Visual da Folha de São Paulo-Espanha (Editora Dorling Kindersley, Empresa Folha da Manhã S.A., 1 ͣedição brasileira, 1995). Sugiro consultarem, vale a pena ler muito sobre o lugar antes da viagem. Conhecemos Alhambra e o Generalife com este livro na mão.
Mais fotos do Alhambra:

Continuaremos nossa jornada andaluza em Sevilha…
