Mendoza – Reserva Natural de Villavicencio

Estamos em 19 de maio de 2018. O Carlos e eu vamos conhecer mais um pouco da linda região de Mendoza. O transporte nos pega no hotel Carollo Gold às 8 h e nos deixa de volta às 13 h, conforme combinado e pago na agência Las Mayas y Turismo, situada no Paseo Sarmiento, 290. Desta vez a guia era a Antonela e o motorista o Cairo na van Oro Negro. Encontramos a nova amiga, de Diadema – São Paulo, Áurea Regina no ônibus. Estivemos nas bodegas juntos.
Pelo caminho até a Reserva Natural de Villavicencio a 1800m acima do nível do mar, testemunhamos a existência da rota mais antiga para ir ao Chile com 365 curvas. Tem mirante e ponta panorâmica. Ufa! Não deve ser fácil.
Vale dizer que na região de Mendoza há extração de minérios. O clima é semidesértico e a água da cidade depende exclusivamente das nevadas.
A Reserva Natural de Villavicencio hoje pertence ao grupo francês Danone e se chama Águas Danone Argentina. Diga-se de passagem, é só o que se toma na cidade. Os mananciais estão a 1700m de profundidade e a água tem a temperatura de 28˚C. Sai da montanha aos 24˚C, com mineralização completa e tem o sódio como conservação natural. São 82 vertentes do mesmo aquífero.
Quem descobriu o lugar foi o espanhol Villavicencio em 1704. Estava em busca de ouro e prata, foi o pioneiro a usar a água. A região foi muito utilizada como paragem para comerciantes e mineiros, rumo ao Chile. Paravam para água e comida.
Falemos na história da água mineral. Dois argentinos: Henrique Soarez de Mendoza e Lúcio Funes de Buenos Aires a descobriram e começaram a usá-la como produto medicinal, de modo precário e com venda para hospitais e farmácias. O primeiro era farmacêutico e descobriu as propriedades antiácidas, bom para acabar gastrite e úlcera; o segundo era médico e começou a engarrafar a água. A primeira engarrafadora de Mendoza foi de 1923. Foi vendida a um basco em 1918 e assim sucessivamente. Depois foi vendida ao grupo Grieco e mais tarde ao grupo Tartellone. Em 2000 passou ao grupo Danone e foi nessa época que os 72 mil hectares se transformaram em reserva natural com o intuito de proteger a flora e fauna.
Em 1940 no local foi construído um hotel icônico e em 1978 foi fechado e abandonado por má administração, uma vez que amigos e familiares de Dom Ángel (o dono) se hospedavam e não pagavam. A arquitetura me recordou muito o hotel Quitandinha de Petrópolis. Em 1980 veio a crise do vinho na região e por motivos políticos com grupos financeiros houve a decadência do hotel. Com a morte de Dom Ángel, os sobrinhos assumiram. A história continua com a intervenção em 1980, e consequente vandalismo de 1980 a 1989.
Está cerrado atualmente, os turistas só veem a fachada, a capela (de 1941, neocolonial, de Maria Auxiliadora) e a reserva natural. Os jardins são dignos de um passeio com calma. O guia Davi dá banho de conhecimento. Segundo ele, está sendo reconstruído e será um museu.
Foi uma enorme perda para o país o hotel fechado, pois eu imagino à época o seu esplendor: tinha sala de chá, orquestras, concertos e muita gente circulando. Inclusive a seleção holandesa na Copa do Mundo de 1978 se hospedou ali.
No caminho até lá se vê a paisagem de deserto mendocino, com arbustos baixos chamados cariza – flor de Mendoza, ou seja, são plantas aromáticas. Quando subimos a Pré-Cordilheira, a paisagem vai mudando. A flora aumenta muito e os animais autóctones, como aranhas do tamanho da palma da mão ou as venenosas como a viúva negra, se fazem presente. Também há lagartixas, roedores, aves de rapina, pumas, raposas vermelhas e famílias de guanacos, essas mandadas por machos “alfa” com suas 40 “noivas”. “Cairo” é como se denomina o macho alfa e o filhote “chulengo”. Chocante dizer que quando os machos “alfa” brigam pelo seu harém, a luta é feroz. Às vezes arrancam os genitais ou vão embora e começam outro harém. São da família dos camelos, vicunhas, lhamas, logo bebem pouca água. Por ser uma reserva natural, é proibido arrancar qualquer arbusto ou flor. Vai-se ao máximo da subida e após isso, descemos ao hotel, que está incrustado nas montanhas.
O argentino vende seu produto muito bem. Êta Argentina encantadora. Quando retornamos, fomos direto almoçar. Escolhemos a Estancia La Florencia, restaurante e churrascaria perto do nosso hotel. Escolhemos truta a la Florencia com molho de mariscos (camarão e ostras com creme de leite feito em casa) . Considero fantásticos os restaurantes terem mesas nas calçadas. Saindo de lá, fomos ao supermercado Carrefour para comprar o jantar: empanadas. Comemos com o suco de pêssego, com bagaço da fruta, adquirido em Cacheuta. Uma delícia!
