Argentina – Serras de Córdoba – La Cumbrecita e Villa General Belgrano – primeira parte

Estamos no dia 15 de outubro de 2018, feriado em homenagem à diversidade cultural em Córdoba, logo o trânsito está tranquilo. A van da Nativo Viajes nos pegou no hotel Caseros 248 entre 9 h e 9.30 h. da manhã. Pagamos o valor de 1.350 pesos na hora para a guia. O nome dela é Carla e o motorista Federico. Nosso primeiro destino é a serra de La Cumbrecita.
Já no começo do percurso, a Carla nos dá muitas informações. Em Córdoba cada monumento histórico tem placas azuis grandes com a sua respectiva história. Uma boa ideia. Muitos prédios são de tijolo a vista. Lembra Bogotá na Colômbia. O clima de primavera está esquentando bastante.
Passamos pela Ciudad Universitaria. São 120 carreiras, 400 hectares, cursos gratuitos, sendo o de medicina o mais importante. A Universidade Nacional de Córdoba depende do estado e teve sua fundação em 1613 pela Companhia de Jesus.
Interessante dizer que a natureza é pobre e a cidade de mais de dois milhões de habitantes e possuidora de inúmeros bairros é a segunda do país, juntamente com Rosário. Não vive do turismo, é uma cidade universitária por excelência. A Universidade Católica (privada) se localiza fora da capital e o único curso de veterinária da cidade funciona nela.
O turismo em Córdoba está em quinto lugar por importância. As fábricas de materiais de construção, de automóveis, de alimentos e as universidades são mais fundamentais.
No verão a temperatura atinge os 50˚C, mas a sensação térmica é de 65˚C. Ninguém merece! O clima está se modificando: de seco está ficando úmido.
Estamos na estrada Ruta Provincial n˚5, perto da localidade chamada de Alta Gracia. Era no passado ideal para enfermidades respiratórias, fica a 30 km de Córdoba e lá viveu Che Guevara, pois sofria de asma. A partir de 2001 a casa onde habitou se transformou em museu. Também morou em Carlos Paz e Córdoba. Alta Gracia é tão histórica quanto a capital da província, foi fundada em 1588, enquanto Córdoba em 1573. A patrona é a Virgen de La Merced e a residência de Alta Gracia teve inúmeros donos, sendo que o último foi Juan Manoel Solares. A partir daí se tornou Estância Jesuítica. Há uma praça em honra a ele. No caminho há fazendas agropecuárias. 30% de sua economia dependem do turismo. Mais fábricas de bebidas, supermercados da terra, comércios etc.
Algo mostrado no passeio é o Mausoléu Myriam Stefford de 82 m, fechado para o público. A guia nos contou uma história bem dramática, mas preferi consultar a Wikipédia. Diga-se de passagem que ambas têm desenrolar totalmente diferente. Vamos lá. Trata-se de Rosa Margarida Rossi Hoffman, atriz suíça, com o pseudônimo de Myriam Stefford. Nasceu em 1905 e faleceu em 1931. Viajando por Veneza na Itália, conhece um empresário e escritor argentino, dito Raúl Barón Biza, apaixonam-se, casam e ela vem viver na Argentina. O casal amava a aviação e fizeram o primeiro percurso Buenos Aires – Rio de Janeiro. Após essa maratona, voaram por 14 capitais argentinas. Em uma das viagens aéreas, saindo de Buenos Aires com seu marido no avião Chingollo e depois de duas aterrissagens de emergências em Santiago del Estero e Jujuy, ela seguiu a aventura com seu co-piloto Luís Fuchs a San Luís em outro avião – o Chingollo II. Em Marayes tiveram um novo acidente, aí morreria Myriam. O viúvo Raúl contrata o engenheiro Fausto Newton para construir um mausoléu gigante para que ele nunca a esquecesse. Foi inaugurado em 1935. Sua tumba a 6 m. de profundidade tem os restos mortais dela e dizem que ali também estão suas joias, incluindo o famoso diamante Cruz del Sur de 45 quilates. O maior monumento do país não é exposto ao público, a família assim o deseja, mas o governo quer administrá-lo, porque está abandonado e o descendente responsável mora na França. Fica encostado na Ruta Provincial 5 na Paraje Los Cerrillos entre as localidades de Alta Gracia e Córdoba.
Falemos nas serras. Ambas têm menos de 100 anos e foram fundadas por alemães. Estão no Valle de Calamuchita com 1.450m. Os homens de montanha do passado eram conhecidos por comechingones (segundo a Wikipédia: são indígenas originários das regiões de Córdoba e San Luis. Foram completamente deslocados ou exterminados pelos conquistadores espanhóis do final do séc. XVII). As cidades vivem do turismo interno, uma vez que os cordobeses passam o final de semana lá. Na época baixa são os estudantes e os aposentados os visitantes.
Os rios nascem das montanhas, há 24 diques na província de Córdoba que tem quatro milhões de habitantes. O caminho lembra a serra fluminense com curvas e mais curvas, mas a cidade de Villa General Belgrano me recordou uma mistura de Gramado (RS) e Blumenau (SC). De Córdoba para a Villa Gal. Belgrano a distância é de 86 km, mais 40 km chega-se a La Cumbrecita.
Antes de se aproximar de La Cumbrecita, vemos o Lago Molinos. Trata-se do segundo maior com três mil hectares. Na verdade, é um dique. Lá foram introduzidas trutas, bagres, carpas etc, além da flora e fauna.
O dique abastece de água as cidades próximas à Córdoba. O lago de 57 m de profundidade oferece passeios turísticos. Importante mencionar que a flora e fauna são divididas com San Luis, cidade próxima.
Paramos para degustação e compras na La Ponderosa Fiambreria. Valeu ter conhecido, uma vez que provamos salames diversos (de porco e cabra) com queijo no pão e vinho tipo moscatel. O local é lindo com varandas de madeira que dão para o lago Molinos. E sempre há a loja de artesanato. Comprei doce de leite de cabra que é mais suave. Tudo ofertado é feito pela família e é dada uma aula sobre a produção. Sempre aprendo muito.
Continuaremos nossa expedição às serras em breve.
