Argentina – Serras de Córdoba – La Cumbrecita
Hoje é dia 15 de outubro de 2018. Visitamos as serras de Córdoba: La Cumbrecita e Villa General Belgrano com a agência Nativo Viajes. Estamos na região turística mais significativa de Córdoba. A guia Carla nos ensina muito e nos direciona ao Centro de Turismo com o objetivo de pegarmos mapas e informações. De lá cada visitante toma seu rumo. Gostei de ter ficado livre com o Carlos.
Falemos em La Cumbrecita. Trata-se de uma comuna de dois mil habitantes, uma cidade pequena estilo alpino que tem a singularidade de ser um dos poucos pueblitos peatonais (povoados com calçadões para pedestres) do mundo. É uma reserva natural protegida com topografia de montanha, flora e fauna. Há cascatas e vertentes na Alta Montanha, da mesma forma existe um parque temático na qual se praticam esportes de aventura, como rapel, tirolesa, passeios pelo rio del Medio, trekking (caminhada) etc. O Parque Temático Peñon del Águila funciona o ano todo e é um empreendimento de Sergio Roggio. A serra tem o clima ideal para a prática de atividades de montanha.
Em um pueblo peatonal não se anda de carro. O município é peculiar com características únicas.

Por conta de um temporal em outubro de 2012, muitas árvores pereceram, aí o trade turístico com o Centro Cívico de La Cumbrecita decidiu transformá-las em esculturas de madeira espalhadas pela cidade. Achei original. Parabéns ao artista Luis Carlos Perez. Adicionando mais: se remover uma árvore, tem que plantar duas. Amei!
A parte comercial é pequena e após a ponte que dá para o centrinho, há wifi para todos (a senha se pega no Centro de Turismo). Existem bairros privados, ou seja, condomínios fechados que eles chamam de countries.
Estamos a 1.450 m. As chuvas que enchem os rios só acontecem em fevereiro. Agora estão baixos e a primavera está quente demais. Infelizmente, aqui também há exploração na montanha, responsável pelo desaparecimento de animais e da flora. Uma lástima! Nos bosques, há cobras tipo jararaca e coral, o condor andino, o gato montês e pássaros diversos.
Um pouco de história: o cavalo foi introduzido pelos espanhóis no passado remoto. Mulas e cavalos eram trocados comercialmente nesta região. Estamos nos referindo ao Caminho Real. Os incas nunca alcançaram esta montanha. Os jesuítas foram importantes, porque protegiam os indígenas da região dos conquistadores espanhóis que os usavam para trabalho escravo. Os caminhos para a serra eram de terra, hoje são estradas asfaltadas modernas. Ainda hoje os cavalos são fundamentais para o transporte da população, as crianças os utilizam para irem à escola, até os idosos montam os seus. Para se deslocar à parte alta da montanha, há a opção de pequenos ônibus para os moradores.
O início de La Cumbrecita foi em 1934, quando a Família alemã Cabjolsky vem a cavalo comprar 500 hectares de terra e começa a construção do que é hoje a cidade, a partir de uma casa de verão. Queriam construir a casa em um ano e, para tanto, usaram material da região, como mármore, rochas e cal. A cidade base era Alta Gracia. Ele, engenheiro de Berlim, veio para o país a fim de trabalhar como gerente da empresa SIEMENS. Eram amigos do afamado General Belgrano. Em 1935 inauguraram a propriedade e logo depois começaram a chegar novas famílias de origem crioula (descendentes de europeus nascidos em países originários da colonização europeia) e centro-europeia.
La Cumbrecita está situada no Vale de Calamuchita nas Serras Grandes de Córdoba. A cadeia montanhosa tem 300 km de extensão. Interessante mencionar o clima: nos últimos sete anos, a umidade tem aumentado muito e a temperatura mudado: um dia está -5˚C e no outro 34˚C.
Não existe prefeitura, banco ou posto de gasolina. Vi um banco móvel. A Secretaria de Turismo, onde os descendentes do fundador da cidade trabalham, controla tudo.
Na hora do almoço, rumamos ao restaurante indicado pela guia: El Puente, na entrada da cidade. Pedi a truta com limão e guarnição (salada: alface, tomate e cenoura da região) por 310 pesos; o Carlos ficou com a truta ao queijo roquefort com salada por 350 pesos, além da gaseosa (água tônica). Recomendo.
La Cumbrecita é espalhada, suas lojinhas são tentadoras com artesanato próprio. São muitas cervejarias originais, hotéis diversos, camping, restaurantes, cafés, sanduicherias etc. Tudo é de muito bom gosto e transado. A pé dá para fazer muito. Há fincas (propriedades) com restaurantes, alojamentos, bodega e agropecuária. A cidade é ecológica: trata os resíduos sólidos e não incentiva o cigarro, uma vez que a possibilidade de incêndios nas serras é real.
O próximo artigo será sobre a Villa General Belgrano.
