Argentina – Salta – Cerro San Bernardo e Estância de Veraneio San Lorenzo
Hoje é dia 21 de outubro de 2018 e continuamos no passeio do city tour à tarde. O guia Davi nos dá dicas sobre os locais por onde passamos. San Bernardo é 3 km e meio de Salta, tem 600 mil habitantes e se pode subir a montanha de carro, ônibus ou por funicular (estação na praça San Martin). Estamos a 300 km do Chile a oeste e a 400 km da Bolívia ao norte.
As montanhas são as mais jovens da Terra, tremem todos os dias e a cada dois anos acontece um movimento importante.
Em San Bernardo estamos a 1454 m acima do nível do mar. A água é reciclada, há mirante com plataformas, lojas de artesanato, confeitaria, dentre outros. A folha de coca se compra nos quiosques e servem para o mal estar causado pela altitude. Lembrando que tem um gosto forte e se coloca no canto da boca e não se mastiga.
O solo é hostil por aqui. As árvores perdem as folhas que adubam a terra. Vê-se o autódromo Güemes de cima. Antigamente se tirava a madeira e a terra do cerro, hoje isso é proibido. A Reserva Provincial foi criada há 70 anos para proteger a área. 300 mil anos atrás a região era um lago, segundo geólogos.
O dique Cobra Corral ao sul produz energia hídrica e lá se pratica a pesca e o rafting. Bonito ver as pedras em três níveis colocadas para proteger a rocha: gabiões, ou seja, segundo a pt.wikipédia.org, trata-se de estrutura flexível armada, drenante de grande durabilidade e resistência, são feitos com malha de fios de aço galvanizado, em dupla torção, amarrados nas extremidades e vértices por fios de diâmetro maior e preenchidos com pedras. Encontramos pelo caminho do cerro para evitar deslizamento.
Na zona de montanha, a variação térmica vai de 38˚C de dia para 20˚C à noite nessa época. É grande amplitude térmica. Não há umidade e nem neva. Em geral a temperatura é de 16˚C.
Interessante dizer que nesta área de Salta se homenageiam com estátuas até grupos de músicos locais. Aliás, há grande produção literária e de folclore, são muitos os músicos e poetas. Os locais de música noturnos típicos para nativos e turistas são as peñas: restaurantes com música regional para dançar à noite, muitas existentes perto da antiga estação de trem e nas seções mais turísticas da cidade. Infelizmente, não fomos, estávamos sempre exaustos à noite, mas deve ser bem divertido.
Passamos por bairros diversos de Salta: o Güemes é o mais caro e o Gran Burgo, o centro cívico (administrativo). Parece a Europa com suas praças e monumentos. Vimos o Monumento da Vitória que diz respeito à segunda batalha de Salta pela independência, a primeira foi a de Tucumán.
Há jacarandás na cidade vindos da Bahia. O serviço militar não é obrigatório no país. Cruzamos o hospital militar o qual atende o público civil também. O Batalhão de Engenharia de Montanha com sua vila militar foi novidade. A área militar é bem extensa. Mais ao norte percorremos duas universidades e tribunais. O deserto do Atacama do Chile está a oeste.

Vamos ao município de casas de finais de semana agora. Estamos em San Lorenzo. A sede administrativa é independente de Salta. O rio com o mesmo nome está seco no momento, depende das chuvas. Tudo é muito verde e úmido. Por conta da altitude é mais frio uns 4˚C. Localiza-se a uns 15 km de Salta e tem casas grandes e bonitas, restaurantes e hotéis. O centro é tranquilo. A cidade é arborizada, linda, com moradores que vivem na paz. Digno de nota o castelo de San Lorenzo, construído por um italiano, destinado a ser restaurante na atualidade.
Os saltenhos andam a cavalo e fazem piquenique na Reserva Natural Quebrada de San Lorenzo. Lá se compra produtos da terra e artesanatos coloridos.
O guia nos informa que dia 17 de junho é feriado nacional em honra ao General Güemes, herói fundamental à independência. Era de família rica, mas mais próximo aos pobres ditos gaúchos. Os ricos ficavam enraivecidos. Na excursão os guias sempre falam da importância do General San Martin para a Argentina e Chile e mencionam Simon Bolívar para os outros países da América do Sul hispânica.
Pera, maçã, cítricos, banana e tabaco são produtos da região. Carne de lhama (livre de gordura), de gado e o couro são fundamentais para a economia. Não podemos esquecer a energia produzida. Vimos muitas residências com energia solar. A indústria não é forte.
O nome Salta significa “lindo lugar para crescer” na tribo indígena de los Saltas.
Para finalizar a tarde, visualizamos o Mercado de Artesanato que está sendo renovado há um ano. As lojas se situam do outro lado, porém ninguém quis descer, estávamos cansados. Detalhe: fora do centro as casas e lojas têm grades, isso quer dizer que o centro histórico é mais protegido.
Vale a pena fazer o city tour. O guia Davi ajudou muito pelo seu conhecimento.
Em breve iremos a Cafayate, a cidade dos vinhos.
