Argentina – Salta – Museu Histórico do Norte

Hoje é dia 24 de outubro de 2018 e vamos conhecer outro museu: o Museu Histórico do Norte no antigo Cabildo (centro do governo da província). Já estivemos no MAAM (Museu de Arqueologia da Alta Montanha), também situado em frente à praça 9 de Julho. Segundo o Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul de Zizo Anis & Os Viajantes (quarta edição), “é o edifício mais antigo da cidade, sua construção começou no mesmo dia da fundação de Salta, em 1852. Desde então foi modificado diversas vezes, e é um dos mais completos e conservados centros históricos do país. A fachada de arcos brancos, típica da arquitetura colonial, estende-se por todo o quarteirão”.
Em 16 de abril de 1945, no dia do aniversário da fundação de Salta, este Cabildo foi reintegrado à Nação por iniciativa do ex-senador Dr. Carlos Serrey.
Por 20 pesos, conhecemos muito da história do norte da Argentina. A audição com os audioguias (audioguides) no local é feita em francês, inglês e espanhol. Parabéns!
Vamos lá. 12 mil anos atrás os indígenas, habitantes do noroeste argentino, tinham vida nômade. Há 8 mil anos novos grupos de caçadores adentraram esta região. Produziam cerâmicas, vasos, jarros etc. As plantas alimentícias mais importantes eram o milho, o feijão e a abóbora. Depois veio a batata. Entre 650 e 850 d. C. se desenvolve uma cultura que se sobressai no norte do país: a cultura de La Aguada (agricultura, guerreiros e religiosos).
Tastil, La Paya e Tolombón apareceram como centros urbanos. Os cemitérios foram separados das áreas de vivendas, ou seja, isso significa uma planificação com todas as implicâncias sociopolíticas e religiosas. As urnas funerárias para crianças são um dos elementos mais característicos dessa época.
Quando os grupos indígenas estavam no apogeu (até 1480 d. C), chegam os Incas. Provocam um profundo impacto naquelas sociedades locais. A quinua passa a ser um alimento fundamental. As collcas eram os depósitos de alimentos dos incas para proteger contra as mudanças climáticas. A dominação inca no território argentino facilitou a conquista pelos espanhóis, estes entraram de forma rápida e precisa. Aí os espanhóis destruíram os incas. Nos séculos XVI e XVII houve a miscigenação entre espanhóis e indígenas, dando lugar à cultura mestiça ou crioula.
Estamos agora no período colonial. A conquista espanhola trouxe o culto católico que foi difundido pelos missionários nos séc. XVII e XVIII. Vemos no museu as obras religiosas, como retábulos, quadros, cadeiras e baús. A arte alto-peruana fez escola em Tucumán. Um pintor flamenco Rodrigo Sas (1608) fez inúmeras obras em Potosi. Existiu da mesma forma Melchor Pérez em Holguin e Tomás Cabrera em Salta. Trabalhos em madeira na forma de escultura de Cristo e Nossa Senhora, além de mesas e vestes talares. Digno de nota a bela imagem da Virgen de La Merced do séc. XIX, e o jesuíta artista José Schmidt (1690-1752). Era escultor e retablista, nascido na Baviera – Alemanha, que em 1721 chegou a salta para edificar o colégio da Cia. de Jesus e também fazer pinturas e adornos. O Retablo (retábulo) Portátil do séc. XIX da Porta de La Paya do sino da igreja de Sumalas de 1822 (Valle Calchaquí – província de Salta a 33 km da capital) é um deslumbre.
Na Sala Capitular, encontra-se o autêntico mobiliário luso-brasileiro do séc. XVIII, acompanhado de quadros a óleo da escola Quitenha (de Quito – Equador) do mesmo século.
Na Sala de Moedas da época, tem-se uma verdadeira aula de história. A casa da Moeda foi fundada em 1754. Observamos o sistema monetário argentino desde o séc. XVI com as primeiras cunhagens de medas hispano-americanas. Uma riqueza de lugar para quem coleciona moedas.
Nos séc. XIX e XX, percebe-se o desenvolvimento, e a arquitetura da cidade começa a se modificar. Ao fim do séc. XVIII, o município tinha mais de 50 casas com duas plantas (Buenos Aires só tinha 12). Tinham balcões sustentados por mísulas magnificamente talhadas. De acordo com a Wikipédia: mísula é “um ornato que ressai de uma superfície, geralmente vertical, e que serve para sustentar um arco de abóbada, uma cornija, figura, busto, vaso etc”. Salta “era mais populosa em comércio e gente depois de Córdoba em 1697”, conforme o ex-governador de Tucumán Juan de Zamudio. A cidade cresceu a partir da Calle Comercio, hoje Caseros.
O Período Independente do séc. XIX aparece com mobílias, jogo de sala pertencente à Casa de Graña (uva), lugar frequentado pelo Gal. Güemes. As batalhas históricas pela independência foram de Tucumán (1812) e de Salta (1813). O Exército do Norte era comandado pelo Gal. Belgrano. A Guerra da Independência a partir de 1816 estava mais cruel. Foi o governador saltenho e comandante da vanguarda Gal. Martin Miguel de Güemes que assumiu o compromisso de impedir o avanço do inimigo. Nasceu em Salta em 1785. Os seus comandados eram conhecidos como os gaúchos. Os pró-espanhóis eram os realistas (Unitários) e estavam com o Gal. Pio Tristán, já os contra eram os Patriotas (Federais). Entre 1810 e 1821, Salta suportou oito invasões realistas.
Existe a Sala dos Governadores da província de Salta do séc. XIX e XX. Na área exterior do museu, há carruagens do séc. XIX. Na época de Felipe II (Espanha), ele proibira o uso na América. Antigamente, a distância entre Salta e Buenos Aires era de 40 dias indo de carruagem. Vimos carro dos correios e carro fúnebre de tempos passados, e um carro Renault modelo 1911 de propriedade do ex- governador de Tucumán Alberto Paz Posse.
Em outra área externa, estavam moedeiras de cana de açúcar, o recipiente para espremer uvas com os pés, ponchos de Molinos, e roupas de lã de vicunha, lhama e ovelha para venda da Associação de Artesãos e Produtores San Pedro Nolasco.

Saindo de lá, já era noite, logo decidimos jantar na rua Caseros, 342 no El Comedor. A empanada de frango estava menos temperada (ainda bem!), risoto de quinua e sobremesa de maçã ao malbec (vinho) por 180 pesos. Delícia. Na terra saltenha, gostam muito de uma pimentinha e temperos… Lembrei-me da nossa Bahia.
Ufa! Que passeio! Fiquei fã do Gal. Güemes, aliás, eu e a população argentina toda. Que cidade! O povo reverencia seus heróis o tempo todo. Os guias falam neles, os museus mostram, enfim, a gente aprende nem que não queira. Parabéns a Salta por tanta cultura!
