Argentina – Salta – San Antonio de los Cobres e Tren a las Nubes – segunda parte
Estamos em 25 de outubro de 2018 e seguimos a nossa aventura rumo às nuvens. Na primeira parte deste artigo contamos como foi o início do percurso. Em San Antonio de los Cobres adentramos o trem começando um percurso impactante.
O Trem para as Nuvens (Tren a las Nubes) é uma obra de engenharia impressionante. Trata-se de uma locomotiva de vapor série C12, fabricada em 1921. Em 1920 começou o assentamento dos primeiros acampamentos que iriam realizar esta obra. O engenheiro foi o americano Richard Fontain Maury. Contabilizavam mil operários: 50% eram imigrantes estrangeiros com 14 horas de trabalho ao dia. Pode-se imaginar com aquela altitude? Difícil. Em 1924 foi inaugurada a primeira via e em 1941 a obra foi finalizada com o ex-presidente Perón. As vias eram extensas, havia 3 a 4 trens por dia exportando carne, cereais e minerais. Importavam roupas e eletrodomésticos. Em 1942 eram 1.600 toneladas de ferro sendo transportados. Em 1972 começa o trem turístico, sendo o quarto mais alto do mundo. Em 1994 privatizaram a ferrovia. De 2005 a 2008 não funcionou. Em 2014 passou a ser uma empresa provincial.

A ideia era partir no trem às 12 h sem almoçar a fim de não passar mal. Nunca vi nada igual, é deslumbrante estar em um trem em tal altitude em um lugar único no planeta. Com áudio em espanhol e inglês, tivemos como guia o Gabriel. Há loja, bar e assistência médica em cada vagão. Estamos na fronteira com o Chile. Perto de cidade, existem as Águas Termais de Pompeya. Um percurso muito interessante de se fazer. No trem vendem quinoa doce em sementes. Uma delícia.
O trem vai e volta sem mudar de lado, quem muda são os passageiros. Com as janelas abertas, o vento é gostoso. No meio do caminho há uma parada em Mina Concórdia, mina de 1660, a mais antiga do país, desativada em 1986. Produzia zinco, prata e cobre. O desengate do trem é realizado, uma máquina empurra e continuamos a viagem. Considerei original demais.
São 15 km de San Antonio de los Cobres até o Mercado Artesanal na última parada. Estamos a 4.220 m. Eis o ponto culminante do dia. Devagar levamos 2 horas até o local. Lá há indígenas vendendo artesanatos e tortilhas. Comprei a de queijo e presunto. A bandeira foi hasteada no morro acima com o hino da Aurora (Bandeira) sendo cantado pelos argentinos. Depois aplaudiram. Achei o máximo! Ficamos um tempinho no lugar.
O famoso viaduto em curva La Polvorilla é enorme com seus 224 m de comprimento e 63 m de altura. Sentimos estar realmente nas alturas. Experiência única na vida.
A volta para a cidade de Santo Antônio vai mais rápido (1h e meia). A pessoa tem que estar bem de saúde para este dia, é puxado, pois a altitude cansa. Ao retornarmos ao município às 15 h, nos dirigimos ao Centro de Artesanato onde havia um restaurante com opções boas. Comemos a melhor empanada até aquele momento: de frango e mais uma salada. A nossa garçonete foi uma indiazinha muito fofa chamada Luiza. Ela nos amou e nós a ela, uma graça. Dei a ela um bottom do Brasil e ela delirou. Depois, fomos conhecer a localidade.

Estivemos na igreja Santo Antônio de Pádua e demos uma volta. Vimos muitos estudantes saindo da escola, observamos as casas e as ruas. Parece de faroeste tal a aridez do solo. Valeu!
Na volta entramos no sítio Santa Rosa de Tastil a 3.110 m. Trata-se de um povoado pré-hispânico com 15 famílias, um sítio arqueológico na Quebrada del Tastil, uma região inca. Visitamos o Museu de Tastil do Governo da Província de Salta – museu arqueológico – sem pagar nada, um achado. Pena que a visita tenha sido só de 10 minutos, mas deu para impressionar. Foi inaugurado em 1975. Vimos a arte rupestre na rocha com motivos naturalistas figurativos e outros. Entre os achados se exibem peças e objetos pertencentes ao sítio arqueológico situado na parte alta da montanha, muito próximo do atual povoado. É um dos maiores do país, calcula-se que chegou a albergar aproximadamente 3 mil pessoas. Tastil e o museu fazem parte do Patrimônio Cultural Qhapaq Ñan (Caminho Principal Andino ou Caminho Real Incaico).
Fora há uma feirinha com produtos artesanais com venda de roupas de lhama e alpaca e outros objetos. Digno de nota relatar que a lhama é mais elegante que a selvagem vicunha. Essa tem um pelo fino e a lã é cara, o kilo custa $25 mil pesos, já a lã de ovelha e lhama é mais barata por ser mais comum. Uma curiosidade da localidade: o El Baile de Suri (avestruz) é uma antiga dança cerimonial de origem pré-hispânica que hoje se realiza em ocasião das festas patronais, como a adoração a La Virgen ou Patrona local, no qual adultos e crianças usam penas pelo corpo.
Ao fim da excursão ganhamos uma caixa com alfajor e salgadinhos e café ou bebidas no próprio ônibus. Ainda fizemos uma parada técnica para fotos do entardecer nas montanhas de cores variadas. Deslumbrantes! Só tenho elogios ao passeio, foi perfeito! Voltando a Salta, repetirei tão formidável turnê.
