Turquia – Istambul 4 – Mesquita Azul e outros fatos peculiares

Turquia – Istambul 4 – Mesquita Azul e outros fatos peculiares

Hoje é dia 19 de outubro de 2019: segundo dia de excursão. Vamos visitar a Mesquita Azul, localizada na antiga Praça do Hipódromo romano, hoje Praça Sultanahmet ou Sultão Ahmet. Está há dois ou três anos com obras.

Um pouco de curiosidades históricas sobre a Turquia. O nosso guia Ali foi uma central de informações. No mundo persa ou Irã, chamava-se xá; no mundo oriental, sultão; e no ocidente, imperador. Em 1071 doze ou treze tribos turcas nômades chegaram a esta terra; em 1300 já estava estabelecido o Império Otomano (1299-1923), que englobava o norte da África, Egito, norte do Mar Negro até a fronteira da antiga Pérsia (Irã), chegando a ter 7 milhões de km² de área.

Em 1914-1918, lutava a Turquia na Primeira Guerra Mundial contra os Aliados ao lado da Alemanha. Pela derrota, perdeu enorme quantidade de terras, ficando somente com 783.562 mil km². Baseada na revista Super Interessante online (dez. de 2016), adiciono que com a decadência do sultanato no início do séc. XX, à época da Grande Guerra, a tolerância religiosa antes existente na Turquia foi desaparecendo, logo a violência contra gregos e armênios cristãos foi devastadora.

Segundo o livro da Agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), após a derrota na Primeira Guerra Mundial, os Aliados ocuparam Istambul, planejaram  a divisão do país e a Grécia ocupou a Anatólia Central com  a autorização da Inglaterra. Em 1920, pelo Tratado de Sévres, o país foi dividido entre Inglaterra, Itália, França, Grécia e Armênia. Os estreitos ficaram sob o comando comum Britânico-Francês-Italiano. A Turquia ficou apenas com a Anatólia Central e uma parte do Mar Negro. O general Mustafá Kemal (Ataturk) reuniu representantes locais de todo o país, com os quais fundou um governo. Formou um exército composto por tropas otomanas e camponesas e conseguiu expulsar as forças gregas e armênias, acusadas de atrocidades contra os civis. A Guerra da Independência durou de 1912 a 1922. Com a proclamação da República em 1923, e com a assinatura do Tratado de Lausanne (na Suíça), foram estabelecidas as atuais fronteiras da Turquia. Foi o fim do Império Otomano.

De acordo com o Ali, com esse tratado mencionado anteriormente, foi decidida a transferência de população. A maioria dos gregos (cristãos) foi embora do país, atualmente somente em Istambul ainda há uma comunidade deles (uns dois mil). E os muçulmanos da Grécia vieram para a Turquia. Existe problema ainda hoje da Grécia com a Turquia, por causa da ilha de Chipre no mar Egeu. Conforme a Wikipédia, o terço norte da ilha pertence à Turquia (ocupada por militares turcos) e o sul é a República de Chipre (governo grego-cipriota).

Existem muitos bairros em Istambul com nomes gregos e turcos. No bairro dos cristãos gregos não existem mesquitas, mas igrejas ortodoxas. Da mesma forma existem na cidade sinagogas. O sistema laico está na Constituição do país desde 1924, graças ao general Ataturk.

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Praça Sultanahmet com Obelisco em Istambul-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Voltemos à Praça do antigo Hipódromo romano. Eram 450 m de comprimento e 71 metros de largura para a corrida de bigas e hípica. À época do Império Bizantino, era comum fazerem apostas. Como Constantinopla era a capital do Império Romano do Oriente, a praça era o centro esportivo e social da cidade, que no séc. V chegou a ser a maior do mundo. Lá há um Obelisco egípcio e a Coluna Serpentina, mas as serpentes enroladas desse monumento antigo sumiram.

Interessante dizer que como a cidade não deu apoio aos Templários, eles a danificaram, inclusive destruíram o hipódromo na Quarta Cruzada. Lembrando que os Cavaleiros Templários eram da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão e  existiram como Ordem do Templo entre 1118 e 1312. Seu sucesso estava vinculado com as Cruzadas e o seu propósito era proteger os cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista (Wikipédia). Com a chegada dos turcos em 1453, construíram palácios e mesquitas no local. Hoje é a Praça do Sultanato e por uma das três portas entramos na Mesquita Azul.

Enfim, a Mesquita Azul, assim chamada pelos azulejos azuis Iznik que adornam o seu interior. Na entrada há controle dos lenços na cabeça das mulheres. Tiramos os sapatos e colocamos em sacos plásticos. São quatro mil lugares, quatro pilares, sendo a mesquita de 1619, do séc. XVII. Os tapetes são grandiosos e estão na mesquita toda, mas ficam desgastados com tanta gente. Em casa de turco se tira os sapatos ao entrar, pois são sujos (vivenciei isso em Viena-Áustria). O tapete tira a energia negra das pessoas. Por conta da quantidade de turistas, os tapetes usados hoje são de fazer mecânico e não manuais e mais caros. Diga-se de passagem: os tapetes turcos são fabulosos.  O turco tem o costume de oferecer tapetes de presentes aos amigos estrangeiros.

A revista Where Istambul (2019) acrescenta ser a Mesquita Azul também nomeada de Sultanahmet. Trata-se de um dos mais famosos pontos de referência da cidade. Sendo exemplo de arte clássica turca, é a única deste tipo erigida originalmente com seis minaretes e se sobressai no horizonte de Istambul desde o Bósforo.

Falemos em comidas. 70% dos pratos turcos contem berinjelas e 60% são kebabs. A comida turca é classificada, assim como a chinesa e a francesa. Os turcos comem iogurte, espinafre e preferem cordeiro, ovelha e frango. O muçulmano não come porco, uma vez que a religião proíbe. Em conformidade com o nosso guia, a explicação está na origem dela: nasceu na Arábia Saudita e na região não se conservava a carne de porco.

O Ali chama a atenção para tomar cuidado com taxistas solicitados na rua em Istambul (como em Buenos Aires-Argentina), já que eles enganam o turista trocando o dinheiro. Melhor pedir do hotel, mais seguro.

Continuaremos com o Palácio Topkapi em breve.

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