Turquia – Istambul 5 – Palácio Topkapi
Hoje é dia 19 de outubro de 2019, sábado. Da Mesquita Azul fomos com o grupo da Abreu a pé até o Palácio Topkapi, foi uma boa caminhada. Enfrentamos a multidão e entramos no local existente entre os mares de Marmara, Bósforo e Chifre de Ouro.

Na entrada, há controle de bolsas e guardas com metralhadoras para defesa de perto. Fiquei abismada, mas não podemos esquecer que o país tem problemas com terrorismo. Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS, o Palácio Topkapi foi a sede administrativa do Império Otomano. Construído pelo Sultão Mehmet II (Maomé) entre 1475-1478 sobre as ruínas de uma cidade romana. Nos séculos posteriores foi ampliado e enriquecido, muitos edifícios sofreram danos por incêndios e terremotos, sendo restaurados. Daí os estilos de épocas distintas, do séc. XV a XIX. O palácio apresenta 34 locais de grande interesse. Consta que umas 5000 pessoas viviam lá e tantas outras visitavam diariamente. Possui uma das coleções mais ricas do mundo. Entre as joias da Sala do Tesouro está o famoso diamante “Kasikci” de 86 quilates, lapidado em 58 faces e ladeado por 49 brilhantes menores, bem como tronos decorados com joias.
O folder do museu diz que o palácio foi residência dos sultões otomanos por 400 anos. Também foi o centro da administração imperial, educação e arte. No meio do séc. XIX os sultões se mudaram para o Palácio Dolmabahçe (se diz “Dolmabati”), mas o palácio manteve sua importância desde que o Tesouro e a Câmara Privada (Relíquias Sagradas) continuaram no mesmo lugar. No dia 3 de abril de 1924 se tornou um museu pelo fundador da república turca: Mustafa Kemal Atatürk. Trata-se de um lugar único no mundo pela sua coleção e estilo arquitetônico. A espada do sultão Mehmet II, o Conquistador, que data do séc. XV e é feita de aço, ferro, ouro e dentes de peixe, com 125 cm, se encontra exposta.
A revista Where Istambul (2019) acrescenta que o palácio foi construído em 1478 durante o reinado de Mehmet II, e a organização como museu foi da época do reinado de Abdülhamid II (1876-deposto em 1909), mas ficou sem ser aberto ao público até 1924.

As seções são muitas, as mais atrativas são o Harém, o Divã (Divan Square: pátio usado para ocasiões especiais), a Sala de Audiência, Sala de Relógios, de Armas, O Portão Imperial, O Salão do Conselho Imperial etc. De acordo com o folder do museu, o harém era a sala de estar onde somente o sultão, seus familiares, as concubinas, os eunucos (Harem Aghas) que guardavam e outros serventes podiam entrar. Foi expandido com estruturas adicionais do séc. XVI até os anos iniciais do séc. XIX. Atualmente, existem aproximadamente 300 quartos, 9 banheiros, 2 mesquitas, 1 hospital, 1 lavanderia e muitos dormitórios.
O sultão deixava um lenço no ombro da moça de quem se interessasse, isso significaria que passariam a noite juntos. Se apreciasse, seria uma odalisca, então viveria em um quarto como uma das concubinas do sultão. Se ela tivesse um filho homem, se tornaria uma das mais importantes. No mundo muçulmano, o homem pode ter até quatro mulheres, mas não na Turquia de hoje.
Falando no harém, tinha umas 700 mulheres. Era um lugar de acesso proibido, na verdade, não se sabia quantas mulheres existiam lá. A que o sultão gostasse, tinha o direito a um quarto particular e essa ganhava do sultão o anel do harém de quatro rodas. Os filhos das mulheres ficavam com elas no local. O filho com 10 anos seria nomeado governador, sairia com a mãe para um lugar mais distante. Os filhos mais inteligentes seriam governadores de lugares mais próximos de Istambul. Os funcionários mais altos do palácio casavam com mulheres desconhecidas; os ministros casavam com as filhas do sultão. O harém existiu até a proclamação da República. Depois foram expulsos os sultões e suas famílias do país. Voltando às mulheres do harém, a revista Super Interessante online (maio de 2009) esclarece que a maior parte delas chegava lá como prisioneiras de guerra, escravas comercializadas e até como presente de outros líderes ao poderoso sultão otomano.
A respeito dos eunucos, a mesma revista adiciona que havia tantos eunucos negros como brancos. Estes normalmente eram capturados na Europa e assumiam funções administrativas. Os eunucos negros controlavam o harém do sultão e tinham muito prestígio por isso. Eram escravos africanos que cuidavam da segurança das mulheres. O convívio próximo a elas custava-lhes a retirada dos órgãos genitais. Era o chefe dos eunucos negros quem conduzia as amantes para os aposentos do sultão.
Os eunucos para o Palácio Topkapi já vinham da Tunísia castrados, tal ato ocorria no mercado (conforme o nosso guia Ali explicitou) de escravos pelos vendedores para que custassem mais caro. Em www.iqaraislam.com/senhor-das-mocas-eunucos-otomanos, descobre-se que eles eram escravos capturados em batalha, ou comprados de mercadores que os traziam da Europa ou do Sudão.
Já os cristãos, foram crianças pegas nas conquistas dos otomanos e se tornavam ex-escravos guerreiros: os janissários. Eram circuncidados no palácio, os mais inteligentes iam para as escolas de elite: ou se tornavam arquitetos ou iam para o Exército Otomano. Esses não podiam casar. Na escola aprendiam o turco otomano (com palavras do árabe e persa) e se convertiam ao islamismo. Eram a força militar mais poderosa dos otomanos.

Só pra se ter ideia da enormidade do local: ali serviam 15 mil refeições para as pessoas de dentro e em dias de festas para umas 10 mil, além das pessoas da Família Real.
O Palácio Topkapi teve problemas com o último terremoto, então está sendo cuidado. Istambul está em cima de uma falha sísmica, por isso a frequência de problemas.
Saudações ao casal Taís e Carlos de Campinas, da nossa excursão, com quem trocamos ideias nesse passeio. Após conhecer um pouco do Topkapi, estávamos cansados. Só fomos almoçar pelas 15h30, pois o trânsito estava caótico. No Kebab House Restaurante comemos o menu de turista. Lá tinha fava de feijão, terrine, iogurte com pepino, salada ao molho de berinjela, como entrada; arroz, frango e esfirra de carne como prato principal; e melão e doce de nozes como sobremesa.
Mais uma informação interessante: a maioria dos imigrantes na Turquia é síria. Na capital Ancara, são 5 milhões; e na grande Istambul, 15 milhões.
Seguiremos com mais Istambul em breve. Há sempre muito a contar sobre esta cidade tão rica em cultura e história.
