Turquia – Istambul 6 – Grande Bazar e Mercado de Especiarias

Hoje é sábado, dia 19 de outubro de 2019 e ainda estamos nos passeios. Entramos no famoso Grand Bazar, fechado aos domingos. O nosso guia Ali alerta para a necessidade de pechinchar e negociar com os vendedores, não existe preço escrito nas mercadorias. Há que se ter cuidado com falsificações também. Outro detalhe inconveniente: foi-me reportado que alguns vendedores assediam brasileiras loiras de olhos azuis, mesmo acompanhadas. Isso é inadmissível.
Como já era tarde, tivemos pouco tempo no local, estávamos exaustos. O lugar é imperdível, um ícone de Istambul para compras: bolsas, lembrancinhas, chaveiros, lenços de seda etc, uau! É de se ficar deslumbrado. Achei uma graça a comunicação em português! O turco se vira bem e é um comerciante nato. O “porém” foi a lotação, como dizemos no Ceará: uma “muvuca”. De qualquer modo, foi um passeio divertido, colorido e com muitas opções de compra.
Tenho que contar algo: o banheiro feminino no país todo é um sacrifício. Há filas enormes e muita espera, porque se existem seis portas, duas são para as estrangeiras e quatro para as turcas. As delas não têm vaso sanitário, é no chão mesmo (diz-se “a lá turca”). E as das turistas, têm vaso (“a lá franga”). Por isso os banheiros vivem molhados, são sempre lavados, ainda bem.
Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), o Grande Bazar foi construído em 1461 e é o maior mercado coberto do mundo. Já foi modelo para outros mercados orientais. No séc. XIX era também centro de mercado de escravos. Sua área equivale a 10 campos de futebol. Possui 18 portas, 80 ruas e em torno de 4 mil lojas.
Voltamos para o hotel Hilton Bósforo, satisfeitos. Detalhe: lembrando que toda vez que entrávamos no hotel, tínhamos que passar pelo detector de metais. Para usar o elevador, tínhamos que colocar o cartão primeiro no lugar adequado. Depois de muita confusão, aprendemos com um inglês gentil no primeiro dia.
No dia 20 de outubro de 2019, começamos o dia no Mercado das Especiarias ou Mercado Egípcio ou Pequeno Bazar por ser aberto aos domingos. Foi muito bem tê-lo conhecido. Eu o preferi ao Grand Bazar, porque é menor e mais agradável, com menos gente.
Fundado em 1664, é lindo com suas especiarias e artesanatos. Vale a pena provar o doce árabe: lokum, feito de calda de uvas. Vinte anos atrás só se vendiam especiarias nele. Novamente, a negociação é fundamental. Os vendedores são interessados e queridos
No séc. XV cada cidade do Império Otomano tinha o seu mercado de especiarias, usavam-nas para conservar comidas. Fazia parte da vida oriental, “uma mistura”, como bem descreveu o francês Montesquieu, como disse o nosso guia Ali.
Perto dali, está a original estação do Expresso do Oriente. Quem não se lembra do livro “Assassinato no Expresso do Oriente” da Agatha Christie? Pena estar desativada, a atual estação é mais moderna e em outro local, mas o trem como era e a rota ligando Istambul a Paris não existem mais.
Antes de finalizar este post, mais um pouco de história. Quem começou a erigir as Muralhas de Constantinópolis foi o imperador Constantino e depois o imperador Teodósio construiu as famosas linhas duplas no séc. V. Em 1453 os otomanos conquistaram a cidade (dentro das Muralhas de 22 km) com estratégias ousadas de guerra. Eles eram nômades e vinham da China, Mongólia e de outras terras orientais. Acreditavam em profecias (tanto otomanos quanto romanos orientais), astrologia e astronomia. Fiquei impressionada com o seriado “Império Otomano” da NETFLIX. Indico demais! O jovem de 21 anos Mehmet ou Maomé II (sultão otomano) ganhou na inteligência e com canhões. Fez o cerco à cidade durar dois meses com batalhas intensas pelo mar e por terra. Coube a Constantino XI (imperador romano do Oriente) defender a cidade e morrer com honra. O líder do exército de Constantinopla era o mercenário genovês Giustiniani, que trouxe com ele seus homens. Enfim, é uma aula apaixonante de história. Emocionante ver no seriado a Torre de Gálata e a igreja de Santa Sophia, já existentes à época. Êta Turquia mais estonteante!
Continuaremos em breve com o passeio de barco no estreito do Bósforo.
