Turquia – Ancara –Museu das Civilizações da Anatólia
Hoje é domingo, dia 20 de outubro de 2019. Saindo do passeio do Bósforo, almoçamos e rumamos de ônibus à capital da Turquia: Ancara, sempre com o guia da Abreu Ali e o motorista Dogan.
Chegamos à AnKara, como os turcos escrevem, às 19h35 e nos hospedamos no Swisshotel. Foram 450 km de Istambul com duas paradas técnicas. Achei o hotel confortável e grande. Gostei do cardápio do jantar, o problema foi o café da manhã no dia seguinte. Não tão bom quanto o do hotel em Istambul, com poucas opções e muita fritura. E ainda teve o capítulo do despertar. Havíamos pedido na recepção para nos acordarem cedo, mas não nos despertaram. Foi um corre-corre quando o Carlos e eu vimos o relógio. Conclusão: deveríamos ter deixado a cargo do guia como todos os outros. Mal tomamos café e fomos os últimos a seguir para o ônibus. Aprendemos a lição e não tivemos mais obstáculos. Melhor deixar toda a responsabilidade com o guia.
Hoje é dia 21 de outubro de 2019. O Swisshotel fica no bairro Çankaya, perto de embaixadas, parques, prédios baixos, da Assembleia Nacional com jardins e mais estabelecimentos governamentais. Recordei-me de Ottawa no Canadá. Ancara é a cidade universitária e dos funcionários públicos. Muito linda, agradável, florida, gostosa mesmo, com calçadas arrumadas, árvores e ladeiras.
O nosso city tour faz parte do pacote. Vemos de um lado uma mesquita com quatro minaretes de 5 a 6 anos de idade e do outro lado, a Ópera da cidade. Estamos na área central ou Ulus que significa “nação” em turco. Trata-se do bairro antigo, da cidadela de Ankara. No bairro se situa a primeira Assembleia Nacional, hoje um museu.
Interessante dizer que os prédios oficiais tem um retrato do general Ataturk, isso é obrigatório. Ele é o herói dos turcos, responsável pela Turquia como existe desde 1923. Os turcos não falam mal da bandeira, da religião e de Mustafá Kemal (Ataturk).
Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), Ankara é a segunda cidade depois de Istambul. Localiza-se no centro da Anatólia na parte asiática do país, a 910m de altitude. É o centro administrativo do país e um centro industrial, comercial, cultural e turístico importantes. Já era centro comercial importante no tempo dos hititas (séc. XVIII a. C.). Foi capital de província romana no séc. I, sendo conquistada pelos turcos em meados do séc. XIV. Era uma pequena cidade de província quando foi escolhida para capital da Turquia em 1923.
Um pouco de geografia da Turquia: 97% do país se encontram na Ásia e somente 3% na Europa. Possui dois estreitos fundamentais: o de Bósforo e o de Dardanelos. São 780 mil km² de superfície com sete regiões geográficas: 1-região de Marmara (Istambul); 2-região do mar Negro; 3-região do mar Egeu; 4-região do Mediterrâneo; 5- região da Anatólia Central (Ancara e Capadócia); 6- região da Anatólia Oriental (fronteira com o Irã); 7- região da Anatólia Sudeste (fronteira com a Síria e Iraque). O país faz fronteira com a Bulgária e Grécia, ilhas gregas, Iraque, Irã, Armênia, Geórgia e norte do mar Negro. São 80 cidades além da capital. Até 2000, eram 67.
Falemos agora no nosso passeio ao museu impressionante das Civilizações da Anatólia. De acordo com o livro da Agência PortoSul mencionado anteriormente, as coleções compreendem achados pré-históricos de civilizações hititas, frísias, urartus, persas, gregas e romanas. Possui objetos de Çatalhöyük, primeira comunidade humana que se tem conhecimento; objetos artesanais dos hititas que datam de 6000 a. C.; tabuinhas de argila com escrita cuneiforme; relevos esculpidos em basalto etc.
Até 1930 era o Museu dos Hititas, a partir daí se transformou no Museu das Civilizações. Já ganhou prêmio de melhor museu europeu. Logo na entrada vemos estátuas sem cabeças. Os terremotos quebram braços, pernas e cabeças. O prédio “persa” era o antigo mercado de tecidos.
Amei este museu de alto nível. Aprendi tanto. Vi murais de pedras com escritas; e casas abertas com mortos enterrados dentro em posição fetal. Detalhe: nas sepulturas eram encontrados ouro e joias da Idade do Bronze. As casas eram de adobe, ou seja, terra com palha. Também vi o jarro de cerimônia de casamento: Inandik Vase de XVII a. C.. O símbolo da cidade de Ankara são os animais sagrados da deusa Cibele com raios de Sol. A escrita santa dos faraós do antigo Egito era o hieróglifo.
Que região mais rica! Na Anatólia, no período Paleolítico, as pessoas viviam de caça (100.000 a 10.000 a. C.); no Neolítico (10.000 a 5.000 a. C.), as casas não tinham portas nem janelas, havia vida religiosa e a deusa era Cibele (antes Tibele), a deusa da fertilidade. Os animais eram domesticados e já havia a liga do cobre com o latão. No Calcolítico ou Idade do Cobre (3.300 a 1.200 a. C), o período era dos metais, da agricultura e do escambo de produtos sem dinheiro. Havia a cunhagem e a escrita cuneiforme sobre terra cozida. A escrita surgiu na antiga Mesopotâmia em 3.500 a. C. Estamos falando da região mais fértil do mundo que engloba parte do Iraque, Síria e Turquia e significa em grego “terra entre rios”: os rios Eufrates e Tigre.
Digno de nota citar que os otomanos não tinham cultura de preservação de tesouros arqueológicos. Muito do que ainda existe está no Louvre-Paris e Museu Britânico (British Museum)-Londres.

Ao sair do museu, tomei um bom café turco ainda dentro do espaço do Museu das Civilizações. Tive uma verdadeira aula de história, geografia, antropologia, enfim vale demais conhecer este fabuloso local.

Prosseguiremos com o mausoléu do fundador da república turca em 1923: “Ataturk” em breve.

Parabéns Mônica! Gostei muito de ler sua redação sobre a Turquia, você descreve tão bem que quem não conhece a Turquia como eu , fica com uma visão desse país.
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Querida Eliane,
Que maravilha ler seu comentário! Há muitos artigos da Turquia para você ler e se deleitar, pois é um país histórico e que conserva suas relíquias. Além da cultura, comida, povo, uns queridos. Obrigada por escrever. Beijos.
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