Turquia – Ancara – Mausoléu do Ataturk

Turquia – Ancara – Mausoléu do Ataturk

Hoje é dia 20 de outubro de 2019. Estamos na capital da Turquia: a ajeitada e agradável Ancara. Do Museu das Civilizações da Anatólia rumamos a pé para o Mausoléu do Ataturk. O clima é bem mais frio do que Istambul: 14°C.

Este mausoléu é tão importante para o país, basta dizer que se a autoridade de um país estrangeiro em viagem oficial não visitá-lo, é sinal que não aceita a república. Os extremistas religiosos turcos não gostam do Ataturk. Sem dúvida, a Turquia é o que é hoje graças a ele. Quem segue o pensamento do Mustafá Kemal até hoje é considerado kemalista, quem é por esses religiosos é islamista.

Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), o Mausoléu de Mustafá Kemal, conhecido como Ataturk (pai dos turcos), foi construído em mármore travertino entre 1940 e 1950. Ele nasceu em Tessalônica (Macedônia grega), terminou com o regime de sultanato e com a monarquia e proclamou a república em 20 de outubro de 1923.

O nosso guia Ali da agência Abreu acrescentou que o Ataturk casou uma vez, mas não teve filhos e depois se divorciou. Não queria um mausoléu tão esplendoroso: são 700 mil m² com árvores de várias regiões. Pelas fotos, era branco, bem ocidental, bonito e de olhos claros. Era militar do Exército do Império Otomano. Faleceu em Istambul em 1938 aos 57 anos de cirrose, pois bebia muito raki (licor derivado da uva com sabor de anis-bebida nacional da Turquia).

O mausoléu foi inaugurado em 1953 no bairro de Çankaya. É enorme e imponente, muitos alunos de escolas o frequentam. Vários eventos políticos ocorrem no local, é simbólico. Na entrada novamente há controle de bolsas em todos os lugares, é muito bem policiado. No museu visitamos várias salas, vimos um carro Lincoln de 1973 do segundo presidente do país, objetos particulares de Mustafá Kemal, dentre eles: armas e medalhas e o seu sarcófago etc.

De acordo com o livro mencionado anteriormente, Ataturk foi o artífice do estado moderno turco e num gesto de coragem iniciou a ocidentalização da Turquia, aproximando-a da Europa. Entre as grandes reformas estão: 1-a separação da religião do estado; 2- a troca dos códigos religiosos pelos civis, copiando-os da Suíça e Itália (o código civil do suíço e o código penal do italiano); 3-a instituição do divórcio; 4-o casamento monogâmico; 5-a mudança no sistema de medidas; 6- a adoção do calendário gregoriano; 7-a mudança dos caracteres Magrebis (alfabeto árabe) pelos latinos; 8- a troca do modo de vestir árabe pelo europeu; 9- a adoção do domingo como feriado civil.

Algo digno de nota a ser contado: a palavra “mausoléu” vem de “Mausolo”. A Wikipédia explica que o Mausoléu de Halicarnasso ou de Mausolo foi uma tumba construída entre 353 e 350 a. C. em Halicarnasso para Mausolo (o governante de Cária no sudoeste da Ásia Menor) pela sua esposa e irmã Artemísia II. Com 45 m de altura, chama-se também de Túmulo de Mausolo e é umas das sete maravilhas do mundo antigo. Halicarnasso se tornou Bodrum na Turquia. A Encyclopaedia Britannica adiciona que o edifício foi desenhado pelos arquitetos gregos Pythius e Satyros; e as esculturas pelos artistas gregos: Scopas, Bryaxis, Leochares e Timotheus – cada um responsável por um lado do túmulo.

Saindo do local tão fundamental para o país, seguimos para o almoço no restaurante Emin Koçak Kebab. Minha refeição foi arroz com vegetariano (legumes) e sobremesa: pudim de arroz. O kebab também pode ser servido como pedaços de pizza magrinhos. Tem loja ao lado do restaurante que vende chaveiros, produtos de azeite, bolsas, doces, chocolates etc. Muitas lindezas tentadoras.

Mais um pouco de história: 1. Os romanos fundaram Ancara e chamaram-na de Ankre.  Chegaram de galés, ou seja, antigos navios de guerra, movidos a remo e geralmente movimentados por condenados ou escravos. 2. Os primeiros habitantes da região datam de 10.000 anos a. C.. Trata-se de uma terra muito antiga. Os hititas estavam lá em 2000 a. C.. Na cidade foram encontrados sítios arqueológicos hititas, frígios, helenísticos, romanos, bizantinos e otomanos.

A Wikipédia diz: “o centro histórico da cidade é um monte rochoso que sobe a 150 metros sobre a margem esquerda do Ankara Çayı, um afluente do rio Sakarya. A colina permanece coroada pelas ruínas da antiga cidadela. Ainda há exemplos bem preservados da arquitetura otomana e romana em toda a cidade, sendo o mais notável sendo o Monumento de Ancira, construído entre os anos 34 a. C. e 20 d. C..”

Na capital, em cima da montanha, havia favelas até o ano 2000. Algo bom feito pelo atual presidente Erdogan foi tê-las destruído e erigido prédios funcionais e bons para habitar de 60, 100 e 120 m² para venda para os trabalhadores pagar em 20 anos. São elogiados.

A aposentadoria na Turquia segue o modelo europeu: homens com 65 anos e mulheres com 62. 70 % da população têm menos de 35 anos. Com o salário mínimo de 2.200 liras turcas não dá para viver na cidade, porque os aluguéis são muito caros, vão de 2 mil a 20 mil liras mensais no centro, por exemplo. Um médico ganha umas 15 mil liras por mês; o professor universitário, de 10 a 15 mil; o professor de escola pública, umas 4 mil; e o policial, umas 7 mil liras turcas. As rodovias nacionais não são pagas, mas as autoestradas são por meio de pedágios.

Continuaremos com o lago Salgado em direção à Capadócia.

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