Turquia – Capadócia – Museu e loja de tapetes em Avanos

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Saímos do Vale do Göreme bastante cansados e rumamos a um museu e loja de tapetes, o Centro de Artesanato em Avanos. A manhã rendeu.
Na casa de tapetes turcos que tanto é loja como museu se aprende muito sobre a obra de arte de fabricar um tapete artesanalmente, passado de geração em geração. Explicam como se faz e negociam, também entregam em domicílio para outros países. Lembrando que o turco é tão bom comerciante como o judeu e fala português em centros de comércio. Infelizmente, ninguém da excursão comprou, por ser muito caro, embora existissem em várias opções de tamanhos, padrões, cores e preços. A tentação foi grande, posso assegurar. São belíssimos.
O tapete chamado hereke é considerado especial. Era usado nos palácios dos sultões e hoje embelezam o Palácio de Versalhes na França, a Casa Branca nos EUA e o Vaticano. Só em ver já é um deslumbre.
O guia Kahn deu aula de conhecimento e com um português excelente. Começamos com uma artesã fabricando um tapete no tear. São quatro tipos: de lã pura; lã sobre algodão; seda (orgulho do país); e algodão puro. O tapete tem trama e nós (com dois pontos fechados). O tapete pisado tem mais valor, porque os nós são mais apertados quando pisados. A artesã turca faz com dois nós, baixa e corta com uma tesoura especial.
Segundo a Wikipédia, a área de produção de tapetes pode ser comparada com os territórios historicamente dominados pelo Império Otomano. Possui um tecido atado com fios e é produzido para uso doméstico, colocação em pisos ou paredes, venda local e também exportação. Faz parte da cultura da Turquia, os exemplos mais antigos datam do séc. XIII. O material mais tradicional é a lã natural tingida a mão. A chegada do Islã e o desenvolvimento da arte islâmica influenciaram profundamente o design dos tapetes da Anatólia.

O desenho é realizado em papel milimétrico: 1 m² para fazer em lã pura leva duas semanas; já o de seda leva um ano. O valor do tapete depende da mão de obra. A cor e o brilho do tapete de seda se conseguem no máximo em duas horas.
O local é uma cooperativa, são 2.500 meninas que aprendem a arte e trabalham em casa. Elas têm direito à aposentadoria e recebem 250 dólares por mês mais o bônus pela venda. Os tapetes prontos vão para a Câmara do Comércio com certificado de autenticidade.
Sobre a seda… a brasileira utilizada na localidade vem do Paraná e São Paulo. Para o nosso orgulho, é dita como a melhor do mundo. Também usam a da China e da própria Turquia, da região de Bursa (dependem das amoreiras).
O processo nos é mostrado. A larva vira lagarta, aí uma parte é morta. Cada casulo tem 1.200 a 1.400 metros de fio. Molham-se os casulos com água quente e se acham as pontas: os fios principais são molhados em água fria, esses passam por uma máquina que move os fios. As lagartas que sobram são dadas para os animais na Turquia. Porém, na China e Coreia as comem.
Ao fim do percurso, na hora da amostragem dos tipos diferentes de tapetes, oferecem chás de maçã e o turco (preto), além de vinho branco. O guia nos conta que o vinho no país não tem gosto de madeira, pois é guardado em um buraco na rocha.
Interessante mencionar que o tapete de seda não pega fogo. Diversos tipos como o de lã e algodão com bambu são vintage (desgastados), têm uns 8 anos; o de seda com bambu é elegante e lindo; e os da Capadócia têm cores fortes por conta do solo vulcânico e seco. Em muitos outros sítios do país há lojas com tapetes diferentes e de cores variadas, nem sempre artesanais. Eis um produto muito apreciado. Conforme a Wikipédia, vintage é uma corrente da moda que busca recuperar modos de vestir de períodos passados, o tapete também faz parte.
Gostei do passeio e de ter visto tapetes únicos em beleza. Somente na Turquia visitaria um museu assim.
Seguiremos nossa jornada em uma cidade subterrânea em breve.
