Turquia – Konya
Hoje é dia 23 de outubro de 2019. De Avanos até Pamukkale são 670 km de estrada. Chegamos a Konya, capital do Sultanato turco no passado, dita cidade devota e a mais praticante do islã hoje em dia. Antes dos turcos conquistarem a região, era cristã e se nomeava Iconium (do latim). Santa Tecla e São Nicolau são originários da Turquia. Nos séculos IV e V d. C. os cristãos saíram das catacumbas e fizeram imagens nas inúmeras igrejas da localidade.
A Wikipédia esclarece que Santa Tecla é a padroeira dos agonizantes. Foi uma virgem proveniente de família rica e influente de Icônio que não quis casar e, sim, seguir o apóstolo Paulo. É considerada “protomártir” entre as mulheres, ou seja, a primeira mártir do país, e também “igual aos apóstolos”. Já o site pt.aleteia.org nos informa que São Nicolau inspirou o surgimento do bom velhinho Papai Noel. Nasceu em Patara (atual Turquia) em 270 d. C., era de família abastada, recebeu uma grande herança que distribuiu com os necessitados. É o mesmo São Nicolau de Bari ou Mira e é padroeiro da Rússia, Grécia e Turquia natal.

Um dervixe místico, filósofo e religioso, islâmico fundador da Ordem Mevlevi, chamado Mevlana, chegou a Konya no séc. XIII. Conhece o Islã e prega o amor de maneira diferente. Não precisa buscar Alá na mesquita, pode-se dançar e tocar instrumento para chegar ao Nirvana. Aí as almas desaparecem no amor de Alá. Tratam-se dos dervixes rodopiantes ou giróvagos que não seguem as regras dos sunitas nem dos xiitas. As mulheres não participam das orações em forma de danças.
A cidade, muçulmana por excelência, com muitas mesquitas, hospeda o túmulo/mausoléu de Jalal ad-Din Muhammed Rumi, isto é, Mevlana, o fundador da ordem dos dervixes rodopiantes, além de sua família. Data do séc. XIII. Ele nasceu em 30 de setembro de 1207 na cidade de Baji na Ásia Central (atual Afeganistão) e faleceu em Konya em 1273. O local usado por ele vira um convento. Em 1927 o monastério dervixe se transforma em museu dos Dervixes, onde foi erguida uma pequena mesquita pelo sultão e califa do islã Suleyman, o Magnífico (Solimão I que reinou de 1520 a 1566 quando morreu). Lembrando que as mulheres rezam separadas dos homens. Para o turista entrar, tiramos os sapatos e utilizamos sacos plásticos como galochas. As mulheres não precisam de véus. A cor dos muçulmanos é verde.
O museu com objetos do líder dos dervixes é bonito e possui uma caixa sagrada “com um fio de barba de Maomé”. Havia dois imãs (guias espirituais do islamismo) em visita ao museu, muito fotografados e reverenciados. Estivemos na sala dos dervixes, salas com rosários (99 vezes dizendo Alá) e salas com instrumentos sufi para fazer os seres humanos conscientes da sua dependência de Deus (Alá). Digno de nota mencionar que o lugar é importantíssimo para os muçulmanos. Guarda o Mathnawi, seis livros que ensinam a filosofia da união espiritual e do amor universal do poeta Rumi ou Mevlana. Estamos no museu mais visitado da Turquia, segundo o blog TRT Português. Duas universitárias turcas vieram conversar comigo e com o Carlos. Queriam saber de onde éramos, e se comunicaram em inglês bem. Umas gracinhas.
Ainda estamos na Anatólia Central. A cidade é graciosa, plana, limpa, linda, aberta, com flores nos postes de iluminação. O país é um brinco. A construção civil está em efervescência. E mais: as calçadas são bem cuidadas, com canteiros centrais com rosas e canaletas de irrigação. Fiquei encantada. Tem comércio, shopping center, o catador de reciclável anda de moto com o reciclado atrás. Vi o transporte: tram (tipo de trem urbano moderno), casas de muros baixos e prédios baixos.
Era capital do Império Romano em 1230 antes dos otomanos. Hoje tem uma única igreja católica: São Paulo. Atualmente é a sexta ou sétima cidade da Turquia.
Em Cônia (em português) há fábrica de sapatos de pele de ovelha e confecção de casacos. O couro da Turquia tem como concorrente a Itália. O país tem as fábricas Lacoste e Burberry. Da região se exporta mármore para o mundo todo; cerejas para a Grã-Bretanha e papoulas para produzir morfina sob controle do estado, além de rosas que viram perfumes e sabonetes.
Saímos na estrada onde o nosso guia comprou simit: um caldo de uva com gergelim e massa de pão, um tipo de rosca grande a fim de enganar o estômago. Vendem na estrada com chá turco. Os carros ficam parados esperando.
Em Akşehir paramos no restaurante Özkan, espaçoso o suficiente para muita gente. Comemos salada ou canja de entrada, almoço principal de churrasco a lá turca, sobremesa de maçã ou bolinho de nozes ou pudim de arroz.

Outra parada técnica em Dinar, onde havia uma cafeteria e loja, aliás, fantástica. Inaugurada recentemente. Vi maravilhas de sabonetes, sapatos, lenços, almofadas e cremes, paraíso das mulheres. Comprei um creme hidratante de azeite de oliva por 48 liras. Em toda parada há venda de sucos de romã, fruta nacional. Delícia!
Estamos rumo a Pamukkhale por uma estrada vicinal, o interior encanta. São plantações e tratores no campo e montanhas de mármore do lado esquerdo. Enfim, saímos da Anatólia Central rumo ao mar Egeu. A terra é mais fértil e rica. Estamos na região do algodão, já que pamuk significa algodão e khale castelo.
Em breve visitaremos o Castelo de Algodão, outra preciosidade da Turquia.
