Turquia – Meryem Ana Evi, a Casa da Virgem Maria em Éfeso

Turquia – Meryemana, a Casa da Virgem Maria em Éfeso

Continuamos no dia 24 de outubro de 2019. Saímos de Pamukkale e Hierápolis de ônibus e antes do almoço prosseguimos na excursão até Izmir (uns 250 km). Antes passaremos em Éfeso onde se localiza a Casa de Nossa Senhora na região de Selçuk.

Observando o caminho vejo figueiras à direita e em cima das montanhas, uvas. Há centrais geotérmicas que aquecem a água da cidade. Curiosidade: os turcos assim como os italianos, falam e parecem que estão brigando.

Cruzamos a cidade de Nazilli, uma joia que mais parece Punta del Este no Uruguai. Tem clima mais quente, avenida principal e prédios baixos. Típica cidade litorânea. No verão chega a 40° C. Na saída da localidade o nosso guia Ali comprou figos secos para todos a fim de enganar a fome. Em outra parada técnica mais adiante, comprei por 15 liras turcas uma rapadura de gergelim.  Nas lojas vemos uma roupa típica dos homens: uma calça estilo bombacha.

Enfim, chegamos a Éfeso. Cidade fofa, limpa, com prédios baixos, por isso muito agradável. Fora do município, finalmente chegamos ao restaurante self-service Konaklama cuja comida foi boa, temperada e com opções, já a sobremesa de melão e docinhos, achei sem gosto. Nunca pensei que me livraria de filas para os banheiros femininos. Milagre!

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Placa de entrada do Santuário Meryem Ana Evi em Éfeso-foto tirada por Mônica D. Furtado

De lá rumamos à Meryem Ana Evi, ou seja, a Casa da Virgem Maria, a 6 km de Éfeso. Trata-se da primeira igreja da cidade. A aldeia à época tinha uns 500 habitantes. Um pedaço da primeira construção está exposto.

A estátua da Virgem existente no local é recente, de 6 a 7 anos. Cristo antes de morrer, confiou Nossa Senhora a João Evangelista e ele escolheu a região de Éfeso para viver. Mais tarde foi exilado na ilha de Patmos por ordem do imperador Domiciano, mas seu túmulo se encontra nas ruínas da Basílica de São João na cidade. Aliás, a pequena ilha grega era o lugar de banimento do Império Romano e se situa no Egeu meridional.

Em 15 de agosto os cristãos vão à Meryem Ana Evi para comemorar a festa da Assunção da Virgem Maria. Ela nasceu em Jerusalém e morreu no lugar visitado, porém não se sabe onde está enterrada.

Conforme a Wikipédia, o papa Leão XIII esteve no lugar em 1896; João XXIII em 1961; Paulo VI em 1967; João Paulo II em 1979; e Bento XVI em 2006. Todos os papas celebraram missas lá.  A revista Hola espanhola diz que o papa João XXIII mudou para Éfeso as indulgências que a Igreja garantia aos peregrinos que visitaram a tumba da Virgem Maria em Jerusalém. Logo, fez do santuário um lugar de peregrinação. Acrescenta que no Concílio de Éfeso, celebrado em 431 d. C., se promulgou o dogma de fé da Virgem Maria como mãe de Deus.

O islã reconhece a Virgem como mãe de Cristo, o profeta dos cristãos. De acordo com a revista mencionada acima, é o único lugar do mundo em que cristãos e muçulmanos rezam juntos. A Virgem Maria é mencionada trinta e seis vezes no Corão, como a mais pura, santa e mulher venerada por todos. Recebe até vinte mil peregrinos por dia do mundo todo e de todas as religiões.

É um paraíso de paz, o clima é mais fresco por estar em um bosque e em uma colina (monte Koressos), logo o calor é atenuado. Há para conhecer a igreja, sem fotos permitidas dentro; a fonte de água sagrada e potável; o mural de pedidos (é tradição asiática fazer pedidos e amarrá-los com um nó em árvores ou muros); um café; e lojas de santinhos (em euros). Os arqueólogos encontraram uma cisterna de água para umas 500 pessoas da época e relíquias pertencentes a Nossa Senhora. Notável contar que a fonte de água mencionada anteriormente é dita com poderes milagrosos de cura ou de fertilidade.

De acordo com o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), a montanha Bülbül-Dag (monte Rouxinol em português), próxima a Éfeso é o lugar onde consta que São João e Maria se refugiaram e viveram após a morte de Jesus. As escrituras mantêm silêncio sobre a vida Dela. O escritor Eusébio de Cesarea diz expressamente que São João foi para a Ásia. Segundo a terminologia romana da época, a palavra Ásia se aplica somente à região de Éfeso. O lugar foi descoberto a partir das visões de uma freira alemã Catharina Emmerich, falecida em 1824. Dois anos antes de sua morte, descreveu com detalhes as colinas de Éfeso e a casa da Virgem Maria, tal como foi encontrada.

A Wikipédia adiciona que a casa da Virgem, hoje igreja, era de pedra e ali viveram São João e Maria até a Assunção de Maria (segundo a doutrina católica) ou até a Dormição (segundo a doutrina ortodoxa). Em relação à freira alemã, Ana Catharina Emmerich (1774-1824) era da ordem agostiniana, estava doente há muito tempo na comunidade rural de Dülmen (Alemanha) e era reconhecida como mística. Foi beatificada pelo papa João Paulo II em 03 de outubro de 2004. O primeiro a encontrar o local da casa foi o padre francês, o abade Julien Gouyet, porém não foi levado a sério. Dez anos depois dois missionários lazaristas padres Poulin e Jung, instigados pela irmã Marie de Mandat-Grancey, estiveram lá e então entraram para a história em 29 de julho de 1891. A casa era à época conhecida como Panaya Kapulu, ou seja, Portal para a Virgem. Foi consagrada em 1896.

A revista Hola espanhola nos conta que a freira irmã Marie era da ordem das Filhas de Caridade e superiora do Hospital Naval francês em Esmirna (hoje Izmir). De acordo com a Wikipédia, a casa foi descoberta em ruínas: com quatro paredes e sem o teto. A irmã Marie de Mandat-Grancey, então, foi nomeada a fundadora da Casa de Maria pela Igreja Católica e ficou responsável por adquirir, restaurar e preservar o local e as redondezas de 1891 até a sua morte em 1915.

Muita história na linda Turquia. Em breve as ruínas de Éfeso.

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