Sou professora de inglês aposentada. Ao longo da minha carreira, ensinei no CCAA, no Centro de Línguas da então FUNEFOR/FUNDESP da Prefeitura de Fortaleza e na Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará. Hoje sou aposentada e muito ativa. Nasci em Alegrete-RS e como boa filha de militar, morei no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e desde 1979 moro em Fortaleza-CE. Sou filha de pai cearense e mãe gaúcha, logo sou "ceúcha". Amo viajar e escrever. Em 2000, publiquei meu primeiro livro: Alma de Viajante. Tenho vários escritos em jornais e livros científicos. Escrevo sobre diversos assuntos. Por isso, estou aqui.
Hoje é dia 20 de maio e o nosso passeio do dia será para conhecer a Alta Montanha, ou seja, vamos rumo à montanha mais alta da América do Sul, o Aconcágua, quase Chile.
Pré-Cordilheira dos Andes-Luján de Cuyo-foto tirada por Mônica D. Furtado
Transporte da Hualilán Turismo-passeio da Alta Montanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
O transporte da companhia Hualilán Turismo nos pega no hotel. O guia se chama Marcos e o motorista Alejandro.
No caminho, passamos por um vulcão dormindo, de 6.570m, dito Tupungato. Trata-se de um dos dez maiores do mundo e pertence ao Chile. O nome significa na língua indígena Huarpe “janela de estrelas”. Também visualizamos refinaria de petróleo; a fábrica de alfajores mendocina “Entre Dos”; central de hidrelétrica Cacheuta de 1934, sem uso atualmente; e uma praia com rio da montanha (Luján Playa) onde se pratica rafting e a água é super fria. Já estivemos nessa estrada quando fomos às Termas de Cacheuta. Estamos nos arredores de Mendoza, precisamente em Luján de Cuyo, com seus 163 anos completados.
Dique Potrerillos-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dique Potrerillos no passeio da Alta Montanha-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Entramos pelo segundo túnel dentro de uma montanha, fantástico. O primeiro túnel, diga-se de passagem, não foi bem desenhado e desmoronou, logo construíram este segundo: Túnel Potrerillos. Saindo dele, vê-se algo belo: o dique Potrerillos, feito entre 2002 e 2003, com 1.300 m acima do mar e localizado em Cacheuta. Nenhuma embarcação é permitida, só vela, remo e kitesurf são aceitos a fim de não contaminar a água.
Dique Potrerillos-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu em frente ao dique-Cacheuta-foto tirada pelo guia Marcos
Bancos à beira do dique Potrerillos-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Este grande lago existe para regular os níveis do rio Mendoza e sua água é usada para beber. Do mirador, as fotos saem deslumbrantes e de lá se conhece as montanhas El Cordón de Plata, com 5.968m. Como estão nevadas, a mistura de dique, montanha e neve são um assombro. Realmente parece muito com a Suíça na Europa, segundo meu companheiro de aventuras Carlos.
O frio neste passeio é imenso, vim com minhas roupas mais quentes, mas mesmo assim, ufa! Faltaram as meias de lã… Percebi no caminho hotéis de montanha, cabanas com cavalos, trekking e lojas vendendo artesanatos ou “regionales”. São eles: produtos de couro, doces de marmelada, figada, pessegada e muito vinho do bom.
O rio Mendoza nos acompanha pela direita e vemos muitas planícies. Também encontramos muitos quartéis de polícia, tipo os “carabineros” do Chile. Aqui se chamam de “Gendarmería” e são soldados do Regimento de Montanha. O trânsito de caminhões com o Chile é intenso; as linhas de trem do passado não são mais utilizadas, que pena! Antes se ia ao país vizinho a pé ou no lombo de um cavalo atravessando a Cordilheiras dos Andes. Um heroísmo. O General San Martin que o diga.
Cenas de Uspallata-foto tirada por Mônica D. Furtado
Lojas em Uspallata-foto tirada por Mônica D. Furtado
Chegamos à atraente cidade montanhosa de Uspallata a 1750 m. Estava -0,5˚C às 9 da manhã. Lembra muito Villa Angostura, perto de Bariloche na Patagônia argentina. Tem o mesmo estilo calmo e charmoso por estar ao redor de montanhas. Pronuncia-se “Uspajata” em espanhol argentino, os dois “ll” têm a pronúncia de “j”.
Uspallata-foto tirada por Mônica D. Furtado
Tipo de árvores encontradas em Uspallata-foto tirada por Mônica D. Furtado
Em Uspallata há plantações de alho, batata e álamos para a extração da madeira, usada na construção de casas. Interessante ressaltar que foi neste lindo lugar que foi filmado uma película imperdível: Sete Anos no Tibet (com Brad Pitt). O argentino tem o maior orgulho desse feito. Ali as ruas são de cascalho e asfalto e o cassino virou centro cultural.
Fizemos uma parada para banheiros e cafés na Casita Suiza. Os chocolates eram tentadores, mas amei mesmo foi o doce tradicional da Argentina, alfajor, de chocolate macio e inesquecível. Daqueles que temos saudades… Considerei o melhor até hoje degustado.
Pré-Cordilheira dos Andes-passeio da Alta Montanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
Pré-Cordilheira dos Andes colorida-passeio da Alta Montanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
Falando na Cordilheira dos Andes, tem três milhões de anos e no percurso saindo de Uspallata, há um paredão enorme cimentado pelo rio Mendoza. E é ao lado desse paredão da Pré-Cordilheira que o rio vai encontrando caminhos pela planície. Havia araucárias nessa região, a prova está nas marcas nas rochas, como desenhos.
Continuaremos com a estação de esqui Los Penitentes e Cuevas…
Hotel de Villavicencio em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estamos em 19 de maio de 2018. O Carlos e eu vamos conhecer mais um pouco da linda região de Mendoza. O transporte nos pega no hotel Carollo Gold às 8 h e nos deixa de volta às 13 h, conforme combinado e pago na agência Las Mayas y Turismo, situada no Paseo Sarmiento, 290. Desta vez a guia era a Antonela e o motorista o Cairo na van Oro Negro. Encontramos a nova amiga, de Diadema – São Paulo, Áurea Regina no ônibus. Estivemos nas bodegas juntos.
Van El Oro Negro-nosso transporte a Villavicencio-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu e Áurea Regina no caminho a Villavicencio-selfie tirada por Áurea
Pelo caminho até a Reserva Natural de Villavicencio a 1800m acima do nível do mar, testemunhamos a existência da rota mais antiga para ir ao Chile com 365 curvas. Tem mirante e ponta panorâmica. Ufa! Não deve ser fácil.
Vale dizer que na região de Mendoza há extração de minérios. O clima é semidesértico e a água da cidade depende exclusivamente das nevadas.
A Reserva Natural de Villavicencio hoje pertence ao grupo francês Danone e se chama Águas Danone Argentina. Diga-se de passagem, é só o que se toma na cidade. Os mananciais estão a 1700m de profundidade e a água tem a temperatura de 28˚C. Sai da montanha aos 24˚C, com mineralização completa e tem o sódio como conservação natural. São 82 vertentes do mesmo aquífero.
Quem descobriu o lugar foi o espanhol Villavicencio em 1704. Estava em busca de ouro e prata, foi o pioneiro a usar a água. A região foi muito utilizada como paragem para comerciantes e mineiros, rumo ao Chile. Paravam para água e comida.
Falemos na história da água mineral. Dois argentinos: Henrique Soarez de Mendoza e Lúcio Funes de Buenos Aires a descobriram e começaram a usá-la como produto medicinal, de modo precário e com venda para hospitais e farmácias. O primeiro era farmacêutico e descobriu as propriedades antiácidas, bom para acabar gastrite e úlcera; o segundo era médico e começou a engarrafar a água. A primeira engarrafadora de Mendoza foi de 1923. Foi vendida a um basco em 1918 e assim sucessivamente. Depois foi vendida ao grupo Grieco e mais tarde ao grupo Tartellone. Em 2000 passou ao grupo Danone e foi nessa época que os 72 mil hectares se transformaram em reserva natural com o intuito de proteger a flora e fauna.
Carlos e eu em frente a Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Áurea Regina
Fotos da construção do hotel de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu com Áurea em Villavicencio-Mendoza-foto tirada pelo guia Davi
Em 1940 no local foi construído um hotel icônico e em 1978 foi fechado e abandonado por má administração, uma vez que amigos e familiares de Dom Ángel (o dono) se hospedavam e não pagavam. A arquitetura me recordou muito o hotel Quitandinha de Petrópolis. Em 1980 veio a crise do vinho na região e por motivos políticos com grupos financeiros houve a decadência do hotel. Com a morte de Dom Ángel, os sobrinhos assumiram. A história continua com a intervenção em 1980, e consequente vandalismo de 1980 a 1989.
Capela perto do hotel de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Desenho do hotel de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Guia Davi em Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hotel de Villavicencio lá no alto-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Está cerrado atualmente, os turistas só veem a fachada, a capela (de 1941, neocolonial, de Maria Auxiliadora) e a reserva natural. Os jardins são dignos de um passeio com calma. O guia Davi dá banho de conhecimento. Segundo ele, está sendo reconstruído e será um museu.
Jardins de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Fonte existente nos jardins de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu nos jardins de Villavicencio-Mendoza-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Carlos tomando água no bebedouro de água pura-Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Foi uma enorme perda para o país o hotel fechado, pois eu imagino à época o seu esplendor: tinha sala de chá, orquestras, concertos e muita gente circulando. Inclusive a seleção holandesa na Copa do Mundo de 1978 se hospedou ali.
Placa mostrando os animais existentes na Reserva Natural de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Placa apresentando a origem da água mineral de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Flor nos jardins de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Jardins de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
No caminho até lá se vê a paisagem de deserto mendocino, com arbustos baixos chamados cariza – flor de Mendoza, ou seja, são plantas aromáticas. Quando subimos a Pré-Cordilheira, a paisagem vai mudando. A flora aumenta muito e os animais autóctones, como aranhas do tamanho da palma da mão ou as venenosas como a viúva negra, se fazem presente. Também há lagartixas, roedores, aves de rapina, pumas, raposas vermelhas e famílias de guanacos, essas mandadas por machos “alfa” com suas 40 “noivas”. “Cairo” é como se denomina o macho alfa e o filhote “chulengo”. Chocante dizer que quando os machos “alfa” brigam pelo seu harém, a luta é feroz. Às vezes arrancam os genitais ou vão embora e começam outro harém. São da família dos camelos, vicunhas, lhamas, logo bebem pouca água. Por ser uma reserva natural, é proibido arrancar qualquer arbusto ou flor. Vai-se ao máximo da subida e após isso, descemos ao hotel, que está incrustado nas montanhas.
Prato de truta no almoço em Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hotel Termas de Villavicencio em Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu com Áurea Regina no nosso passeio-Villavicencio-Mendoza-foto tirada pelo guia Davi
O argentino vende seu produto muito bem. Êta Argentina encantadora. Quando retornamos, fomos direto almoçar. Escolhemos a Estancia La Florencia, restaurante e churrascaria perto do nosso hotel. Escolhemos truta a la Florencia com molho de mariscos (camarão e ostras com creme de leite feito em casa) . Considero fantásticos os restaurantes terem mesas nas calçadas. Saindo de lá, fomos ao supermercado Carrefour para comprar o jantar: empanadas. Comemos com o suco de pêssego, com bagaço da fruta, adquirido em Cacheuta. Uma delícia!
Eu com as placas simpáticas na praça principal de Flecheiras-foto tirada por Carlos Alencar
Mais um final de semana, mais uma viagem. Desta vez, para uma praia que amo de paixão: Flecheiras. Estamos no dia 20 de julho de 2018 em plenas férias.
Para chegar àquela localidade, vai-se de Fortaleza a caminho de Iparana, procurando pela CE-085, ou seja, pela estrada do Sol Poente. Vamos rumo a Trairi e de lá à praia de Flecheiras. Em 2 h e meia chegamos, são 130 km de Fortaleza.
Trairi é um município muito arrumado e limpo. Está sendo feito o recapeamento da estrada entre Trairi e seus distritos: Flecheiras, Mundaú e Guajiru, praias fabulosas, uma diferente da outra. Hoje a escrita é sobre Flecheiras.
Meu companheiro de aventuras Carlos Alencar e eu somos velhos conhecidos deste paraíso. Já ficamos nas pousadas O Paiva, na Casa do Alemão e na Red House.
Pátio interno da pousada Ubaia-Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Entrada da pousada Ubaia-Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu em uma rede na pousada Ubaia-Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Na Ubaia é a segunda vez que nos hospedamos (Rua São Pedro, 40/ http://www.pousadaubaia.com.br). O preço é bom e é no centrinho de Flecheiras, na frente da praça principal, no “point” à noite, além de ser perto do mar. Aconselho para quem não se incomoda com barulho, afinal movimento não falta nos finais de semana, ainda mais nas férias. A proprietária Rejane é uma simpatia, trata a todos com muito carinho. O café da manhã é rico e saboroso. Amei os diversos bolos com menos açúcar. Só de pensar neles fico com água na boca. Falta só ter cafezinho nas sextas e domingos à tarde!!!
Comecemos a jornada praiana. Na sexta almoçamos no self-service O Rinoceronte, como sempre. Localiza-se à rua Principal, 777, centro. Por R$3,90 o kilo, come-se bem. À noite a pizza é uma boa pedida. E ao lado tem a Sorveteria da Lya com o nosso gostoso sorvete Pardal: o de cajá e o de graviola são imperdíveis. É tão bom estar nos lugares e conhecer as pessoas.
Para uma tapioca com cafezinho à tardinha nada como a padaria Tropical. À noite decidimos conhecer as barracas/restaurantes da beira-mar.
Cortina de escamas de camurupim no restaurante Marítimo em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Nosso jantar de lagosta no restaurante Marítimo em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
No Marítimo, degustamos um prato há tempo desejado: lagosta grelhada com legumes salteados e arroz ao molho de alcaparras. O garçom Firmino é uma graça. São 40 anos de existência do restaurante. Li no cardápio algo tão romântico que divido com vocês. De Rita de Sena Souza: “Flecheiras, Flecheiras! Teu céu, teu mar, Nas belas noites enluaradas, Tua beleza é sem par.” Da mesma forma, também descobri com ela que a origem do nome da localidade vem de uma antiga lenda contada pelos mais velhos, em que se referem às índias, garantidoras do sustento de suas famílias por meio da pesca com flechas, como “mulheres atiradoras de flechas”.
Restaurante Doya em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Restaurante Maré Alta em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Cerca de ali há outras barracas lindamente decoradas com motivos praianos. Há o restaurante Doya, Caravela e Maré Alta. Acho fantástico utilizarem em lustres, cortinas, abajures e em outros objetos as escamas do peixe camurupim, que tratadas parecem madrepérola.
Lá na Cris Bistrô em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Igrejinha de Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Flecheiras se transforma à noite. Fervilha de gente. Tem a igrejinha bem frequentada ao sábado. Na Lá na Cris Bistrô, casa azul muito original, tem música ao vivo de boa qualidade.
Carlos no mar de Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu no mar de Flecheiras-foto tirada por Carlos Alencar
O pôr-do-sol é sublime em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
A orla tem muitas pousadas e restaurantes coloridos e enfeitados com objetos nordestinos. Vemos gente tomando banho de mar à tardinha (melhor horário pelo mar mais calmo que forma piscininhas), andando de triciclo, quadriciclo, moto, carro (o que é proibido), jogando futebol, enfim curtindo o local.
Estacas na praia de Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
O mar transparente de Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Sargaços na praia de Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Jangadas na praia de Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
A água é uma delícia. De manhã percebemos a transparência do mar verde, lindo! Interessante dizer que na praia há arrecifes e pedregulhos em alguns pontos.
Cenário da praia de Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Visual da praia de Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Jangada na praia à tardinha em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Jangada na praia pela manhã em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Gosto de tudo em Flecheiras: dos passeios pela praça principal e centrinho, da areia da praia, do clima tranquilo de cidade interiorana, do sol poente que a tudo realça. Os coqueiros existentes na beira da praia dão um toque de cartão postal. Vejo muitos turistas em famílias e grupos de amigos. Sentar em um banco em frente à pousada Paiva para mirar o anoitecer é um luxo.
Restaurante Brisa da Moça em Emboaca-foto tirada por Mônica D. Furtado
Barraca Brisa da Moça em Emboaca-foto tirada por Mônica D. Furtado
Praia de Emboaca-foto tirada por Mônica D. Furtado
Prato de lagosta com baião de dois no restaurante em Emboaca-foto tirada por Mônica D. Furtado
No sábado fomos almoçar em uma barraca chamada Brisa da Moça na praia de Emboaca entre Flecheiras e Mundaú. Dizem que lá se come bem e barato em qualquer barraca litorânea. Realmente o preço é incrível: R$40,00 por um kilo de lagosta grelhada com baião de dois e salada de tomate e alface. Emboaca tem restaurantes muito simples e é uma comunidade de pescadores, sem pousadas por lá.
Muitos coqueiros entre Emboaca e Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Caminho entre Emboaca e Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Vacas no caminho entre Emboaca e Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Voltando a Flecheiras, falemos nas compras no centrinho. Comprar roupas e artigos de casa de renda de bilro na casa da dona Constância vale a pena.
Como se faz renda de bilro na casa da d. Constância em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Roupas de renda de bilro na loja da d. Constância em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu com d. Constância na loja dela em Flecheiras-foto tirada por Carlos Alencar
Também tem a loja Mandarina da Amanda, minha vizinha do passado em Fortaleza. A originalidade começa pela fachada. As roupas são repletas de cor e bonitas. Ao lado existe a hamburgueria do marido espanhol dela. E estão agora com uma pousada: Vila Mandarina. Promete. A pousada São Pedro da Michelly de Goiânia tem um espaço interno muito agradável. Como se vê, opções não faltam.
Pousada do Paiva em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
Prato de peixe grelhado do restaurante da pousada do Paiva em Flecheiras-foto tirada por Mônica D. Furtado
O almoço de domingo foi a repetição de um prato que amo na pousada do Paiva. Fomos andando, apesar do sol intenso. O filé de peixe grelhado, servido com molho de alcaparras, batatas salteadas no alho, salada e arroz de banana é divino.
Como eram férias, os serviços estavam um pouco lentos. Isso faz parte da nossa realidade. Precisamos ter paciência. No primeiro dia, faltou luz na localidade, por conta de um carro que bateu em um poste de eletricidade e passamos calor sem o ar-condicionado. Mas tudo bem. Flecheiras é tão encantadora que tudo se resolve. O período das brisas está iniciando, logo nos sentimos bem mais confortáveis na praia.
Para concluir, tenho algo a falar aos prefeitos de Caucaia e Fortaleza. Quando voltamos por Iparana (Caucaia) e Av. Leste Oeste em Fortaleza nos deparamos com monturos de lixo nos meios-fios em pleno domingo. Pensando que são caminhos turísticos, fico envergonhada com tal desleixo.
O pôr-do-sol em Flecheiras-Trairi-Ceará-Brasil-foto tirada por Mônica D. Furtado
Por isso, viajo tanto nos finais de semana a fim de visitar lugares paradisíacos e mais limpos aqui perto.
Voo de parapente em Canoa Quebrada-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu e meu companheiro de aventuras Carlos Alencar saímos de Fortaleza para mais um final de semana. Hoje é dia 30 de junho de 2018. Rumamos à estrada Litorânea Sol Nascente, que está aproximadamente 80 % finalizada em sua duplicação e chegamos à praia de Canoa Quebrada 3 h depois. São 160 km indo contra o vento. Fazia tempo que não voltávamos lá.
É distrito de Aracati. Quando conheci era tão mais simples, hoje tem tantas casas, pousadas, hotéis que só vendo. E tem o eterno point: a rua chamada Broadway. Já falarei mais nela.
Vegetação na pousada Morada do Sol em Canoa Quebrada-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Pousada Morada do Sol em Canoa Quebrada-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Exemplo de decoração dentro da pousada Morada do Sol-Canoa Quebrada-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Viemos para a pousada Morada do Sol (88-34217031) pelo booking.com, conseguida por um preço mais em conta, mas sem café da manhã o qual pagamos por fora: R$ 15,00. A proprietária é a Andréa Foianini, argentina de Córdoba e nutróloga, e o atendente Márcio de São Paulo. Coincidência que havia assistido esse ano uma palestra sobre alimentação natural em Fortaleza e a Andréa estava lá. A pousada dela oferece cursos de ioga (naquele momento com um instrutor de Punta del Este no Uruguai) e jornada de desintoxicação do organismo. Como se diz, bem “natureba”. Gostaria de mencionar que temos uma amiga em comum: a jornalista Letícia Amaral (quem me ajudou a criar este blog).
Quisemos provar por R$25,00 o almoço vegano na pousada. Gostei, considerei diferente, só dava para reconhecer as verduras cortadas bem fininhas. O espaço é repleto de plantas, hortas, animais domésticos, paz e amor. Amei! A gente se sente no Éden. Interessante a cadeira embaixo de uma pirâmide para se energizar.
A igrejinha de Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
A cruz na pracinha da igreja em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
À tarde desbravamos Canoa. Estivemos na pracinha da igreja e na própria igreja, tão linda. A prefeitura de Aracati tem que consertar as calçadas que foram destruídas talvez pela erosão das chuvas e o pátio também. Além de pensar no escoamento sanitário, infelizmente, são fossas sépticas. Algumas ruas têm calçamento, outras ainda estão na areia.
A escola Zé Melancia em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Jangada homenageando Dragão do Mar em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
A escola primária Zé Melancia está em containers provisórios, embora com desenhos bonitos e coloridos. E pensar que a entrada de uma cidade é marcante para o turista: há de dar um jeito nos buracos, Sr. Prefeito!
A Broadway à tardinha-Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos Alencar e eu na Broadway em Canoa Quebrada-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Muro na Broadway em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Broadway decorada para a Copa do Mundo 2018-foto tirada por Mônica D. Furtado
Agora falemos na mais do que imperdível Broadway. Para mim, vale o passeio à noite. Trata-se de um calçadão com movimento intenso. Há bares, restaurantes diversos, padaria, lojas de couro, artesanato e trajes de banho, supermercado, hippies, enfim, tudo se encontra lá e é muito divertido. O lugar é um mel, atrai a todos. Para jantar, quisemos pizza marguerita, como sempre, no Cantinho da Sardenha. A pizza grande é enorme. Um achado!
Eu com a Baiana na Broadway em Canoa Quebrada-foto tirada por Carlos Alencar
Carlos e eu nas falésias de Canoa-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Símbolo de Canoa Quebrada ao fundo-foto tirada por Mônica D. Furtado
O mar de Canoa Quebrada visto da falésia-foto tirada por Mônica D. Furtado
Ter conhecido a banca da Baiana foi uma graça. Vende duendes, fadas, produtos esotéricos e tem o axé e a simpatia da boa Bahia. Lembrou-me da feira da Praça França em Buenos Aires.
Carlos na descida para a praia de Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos descendo a escadaria para a praia de Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
A praia é perto da pousada, mas se vai andando no sol forte. Pegamos um caminho de areia e descemos a falésia pela escada cerca da pracinha da igreja até a praia que tem barracas palafitas. Bem originalmente construídas em estilo hippie e pintadas com desenhos praianos. Combinam com Canoa Quebrada, afinal sempre foi conhecida como o paraíso hippie. O banho é divino e admirar as falésias é obrigatório. Em uma delas, está o símbolo da praia, famoso mundialmente: uma lua e uma estrela.
Guia Emanuel cuidando das falésias de Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Restaurante palafita em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Beira-mar da praia de Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Falésias de Canoa com o mar lá embaixo-foto tirada por Mônica D. Furtado
Tenho que citar os nativos. São queridos, atenciosos e educados. Cumprimentam a gente e se preocupam com o meio ambiente. Quem suja é o de fora. Ter nos deparado com o Emanuel colocando uma estaca com os dizeres: “Não suje a praia” foi um prazer. Ele trabalha como guia e informante (fone: 88-97542743).
Restaurante O Nain em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Cenário visto do restaurante O Nain em Canoa-foto tirada por Mônica D. Furtado
O Nain em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Para o almoço no domingo, resolvemos conhecer o restaurante O Nain, dica do Márcio da pousada. Fomos de carro, por conta do sol forte, pegamos a rua da igreja, descemos, contornamos as falésias e chegamos ao restaurante/bar na colônia de pescadores. Lugar rústico, ajeitado e bem frequentado por quem conhece. Tem um visual do mar e das falésias arrebatador. Os preços são consideravelmente mais baratos que na Broadway. Aconselho o garçom Ramon (todos atendem bem, na verdade).
Nosso almoço em O Nain em Canoa-foto tirada por Mônica D. Furtado
Cantinho original na Colônia de Pescadores ao lado de O Nain em Canoa-foto tirada por Mônica D. Furtado
Pedimos o peixe frito guaiúba com tomate, alface, cebola, baião de dois, pratinho de salada e pirão de farinha de mandioca. Super!
Canoa Quebrada com suas ruelas estreitas, ruas assimétricas e com calçadas curtas é um lugar deslumbrante. Cada minuto é revitalizante. Recomendo!
Falésias em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Planta típica das falésias em Canoa Quebrada-foto tirada por Mônica D. Furtado
Mais falésias de Canoa-foto tirada por Mônica D. Furtado
Símbolo de Canoa: a lua e a estrela-foto tirada por Mônica D. Furtado
Termas de Cacheuta-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu nas Termas de Cacheuta-Mendoza-foto tirada por Carlos Alencar
Hoje é dia 18 de maio de 2018, data escolhida para visitar as Termas de Cacheuta. O transporte da agência nos pegou às 9 da manhã. Compramos o passeio na agência Las Mayas y Turismo na Paseo Sarmiento, 290. Queríamos tomar banho de água pura, vinda das Cordilheiras dos Andes. Já saímos de Fortaleza sabendo que iríamos lá, logo levamos roupas de banho.
Antes de descrever o lugar, vamos ao que aprendi no caminho. Os argentinos jogam polo, hóquei, futebol e tênis. Mendoza tem espaços largos, convidativos a passeios nos parques e praças. Saindo para as termas, passamos por condomínios fechados. Percebe-se a natureza mais árida e vemos o rio Mendoza seco. A umidade é baixíssima: 30 %. Percorremos a cidade de Luján de Cuyo com bodegas importantes como a Nieto Senetiner e vemos uma praia de rio com guarda-sóis, uma hidrelétrica, cervejarias artesanais e hotéis com cabanas. A atmosfera é interiorana.
O Carlos e eu mostrando as piscinas do lado de fora-Termas de Cacheuta-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Eu mostrando a vegetação do lado de fora das Termas de Cacheuta-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Falemos nas Termas de Cacheuta. Diria que achei Cacheuta uma cidade de faroeste americano, devido às suas construções de madeira e aridez local.
Carlos mostrando a piscina do lado de fora-Termas de Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Piscina do lado de fora do galpão nas Termas de Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Piscina com aviso do lado de fora do galpão nas Termas de Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
As termas consistem em um galpão enorme fechado com piscinas térmicas e do lado de fora, outras piscinas. Como estava muito frio, ficamos dentro. Nós éramos os únicos brasileiros, salve! A vantagem é podermos praticar mais o espanhol. Pareceu ser o paraíso da terceira idade argentina. Trata-se de um local pequeno com opções de restaurantes dentro e fora do complexo.
Carlos tomando banho na piscina dentro do galpão-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu na piscina borbulhante nas Termas de Cacheuta-foto tirada por Carlos Alencar
O banho é sensacional com diferentes piscinas e temperaturas. Amei a que borbulhava e dava massagem no corpo.
Visual do restaurante dentro do complexo das Termas de Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Vegetação encontrada em Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Para almoçar, fomos ao restaurante dentro do complexo e eu pedi frango com batatas fritas com casca, fatiadas ao sal, pimenta, alho, queijo parmesão e azeite de oliva ao forno (pollo disco con papas cuñas), mas o Carlos decidiu pelo ragú de ternera con papas cuñas, ou seja, guisado francês de vitela com as batatas mencionadas. Bem simples e gostoso. Considero muito simpático não cobrarem a entrada de pães (cubierto).
Cenário de Cacheuta-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Tipo de casa em Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Cacheuta-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
O forte de Cacheuta são as bancas de frutas secas, mel, nozes, passas, sucos etc. Tudo em conta. Os mercadinhos fora do complexo tem artesanato a oferecer, embora poucos. A cidadezinha lembra o Atacama no Chile, segundo o Carlos.
Pondero que o passeio poderia ser mais curto. Das 9 às 18 h é muito tempo. Ficamos esperando do lado de fora das termas a partir das 16 h sem ter o que fazer. O maravilhoso foi ter conhecido uns argentinos bons de papo.
Carlos com nossos novos amigos: Ana e Nuncio em Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu com o Nuncio e a Ana Steinberg em Mendoza-foto tirada por Carlos Alencar
Fizemos amizade com um casal especial: Ana e Nunzio Schembari: ela, argentina e ele, italiano. Depois nos encontramos com eles em outras ocasiões em Mendoza e era uma alegria. Quando formos a Buenos Aires, nós os procuraremos, com certeza.
Tem gente que pega a van e vai ao hotel que oferece spa de um dia e não às termas. Por isso, a demora maior, pois temos que aguardar. Mesmo assim, valeu. Foi uma experiência única.
Continuaremos com a Reserva Natural de Villavicencio.
Mendoza – Argentina – a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo
Visitantes na fábrica de azeite Pasrai-Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
A fábrica de azeite Pasrai em Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estamos em 17 de maio de 2018. Da bodega Vistandes, rumamos à fábrica de azeites. Gostei muito da visita, por ser diferente e pela degustação soberba. Chegaremos lá. Também houve apresentações do processo em duas línguas. A guia deu uma aula e tanto sobre azeitonas. Todas são verdes, outras cores como violeta e preta dependem da maturação. A Argentina é responsável por 5 % da colheita do mundo.
Maquinário da Pasrai-Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Máquinas da Pasrai-Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
A empresa visitada foi criada em 1920 e tem ainda a parte antiga, juntamente com a atual. Hoje é uma empresa moderna, mas da mesma família fundadora: Muravnik. Também produzem tomates secos e passas de uva. Chama-se Pasrai (pasas e raisins, ou seja, passas de uva em espanhol e inglês) e se situa em Ozamis Sur, 2731, Russell, Maipú. Os empregados trabalham por temporada, por exemplo: de maio a julho extraem o azeite e em outros momentos plantam e colhem a azeitona. São de confiança.
O tipo de azeite depende da acidez das azeitonas. Extravirgem, virgem e regular de oliva (o mais barato, bom para cozinhar); azeite dividido em não filtrado (natural, com a primeira prensa com a polpa) e filtrado. São mais de 80 qualidades de oliva, com diferentes cores e maturação, sabor e aroma. Tanto faz em plástico, vidro ou lata. Aberto dura menos e tem que ficar em lugar fresco sem calor.
Vamos à degustação. Saborosa! Várias mesas com pães e azeites e a linha spa de cosméticos. Provamos dos mais suaves aos mais intensos. Oliva tradicional, azeite sem filtrar, azeite com sabor de laranja, azeite com alho e pão com grão de bico, azeite com orégano, azeite com manjericão e pão com tomate seco e pão com pasta de feijão vermelho e pimenta, além de passas de uva e as cobertas com chocolate e azeitonas diversas. Ufa! Que delícia! Amamos! Depois de tal festa, como não consumir? Comprei uvas passas cobertas de chocolate, azeite extravirgem com sabor de laranja: Quinta Generacion (incrível!) e um creme hidratante de azeite de oliva. Lugarzinho imperdível esse.
No caminho para a outra bodega, vimos o rio Mendoza seco e o Canal San Martin com seus 74 km, sendo um dos principais sistemas de irrigação da região. Lembrando que 18 % do petróleo do país vêm de Mendoza. É válido mencionar que a Argentina é a maior exportadora de limão do mundo e suas plantações estão no norte do país: em Tucumán.
Plantas na bodega Cavas de Don Arturo-Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
A guia da bodega Cavas de Don Arturo com a amiga Áurea Ramos e o Carlos Alencar à esquerda-foto tirada por Mônica D. Furtado
A guia dando explicações sobre a bodega Cavas de Don Arturo-Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Chegamos às Cavas de Don Arturo, uma bodega mais antiga, de 1826. Localiza-se no Vale de Lunlunta, reconhecido como a primeira região vinícola. O endereço é Villanueva, 2233 em Maipú. O prédio é acolhedor. Novamente, guias nos recebem em duas línguas. Nesta vinícola, o método de produzir o vinho é o tradicional, sendo as plantas mais expostas ao sol e as parreiras situadas como trepadeiras, com 1.60 m de altura e menor quantidade de uvas, mas com mais qualidade. São produzidos oito mil kilos por hectare. A colheita é manual e começa em 1˚ de março. Tira-se a uva e leva-se à bodega. Na sala de colheita, onde recebe a fruta, existem máquinas que separam a pasta líquida da sólida. O caminho é mais lento pelo fato de ser mais natural, não usam produtos químicos para acelerar o processo, que dura nove meses. Cada variedade de uva tem seu sabor e aroma natural.
Foi nos dito que o Instituto Nacional de Vinicultura controla a qualidade do vinho. A cave é escura e úmida. Exportam minimamente para os EUA e não vendem para restaurantes. Interessante dizer que a oxigenação dá o aroma e sabor ao vinho. As barricas, que amadurecem o vinho, tem vida útil de quatro anos. A linha superior de vinho (reserva e gran-reserva) fica 12 meses na barrica. Mais: o Malbec natural é suave. Se não tiver lágrimas, não é um bom vinho. O Cabernet Savignon significa mais tanino, mais cor e mais corpo. O vinho mais seco tem mais tanino, é mais estruturado e tem mais polifenóis. Aprendemos bastante nesta visita. Na degustação, bebemos os oferecidos, mas confesso que gostei mais dos da Vistandes, embora isso seja gosto pessoal. Dessa bodega, amei o doce mendocino, vendido bem baratinho por 20 pesos. É uma bolacha com doce de leite dentro, típico de Mendoza.
Igreja N. Sra. de Carrodilla-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Na saída já era mais tarde, porém ainda passamos na casa antiga com a igreja de La Virgen deCarrodilla, isto é, a Nossa Senhora protetora dos vinhedos. Nas paredes do lado de fora, há mosaicos de argila com a história de Mendoza e dentro do prédio há um pátio estilo espanhol muito bucólico. Trata-se de um monumento histórico que em 2013 completou 100 anos e em 1992 tornou-se Patrimônio Histórico de Mendoza. A casa pertenceu à família Solanilla Estrella. Lugar que merece mais tempo.
Mosaicos de argila ao lado da Igreja N. Sra. de Carrodilla-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Mosaico de argila com a história de Mendoza ao lado da Igreja N. Sra. de Carrodilla-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hoje é dia 17 de maio de 2018 e resolvemos comprar os passeios a fazer. O Carlos e eu passamos a pé pela Praça Chile e chegamos à Peatonal Sarmiento. Lá na loja de turismo Los Mayas (Paseo Sarmiento, 290 – info@mayaturismo.tur.ar), encontramos uma pessoa muito simpática: o Pablo. Ele nos deu um desconto bom e compramos quatro passeios por 1.900 pesos. Hoje é dia de visitar as bodegas e uma fábrica de azeite pela tarde. A van nos pegou no hotel às 14.30 h. Mas como era de manhã, tínhamos que pensar em refeição. Tomamos café e comemos mil folhas com doce de leite (mil hojas con dulce de leche) e o almoço foi da La Viga Drugstore: pão gostoso com salame e mussarela, iogurte desnatado com polpa de pêssego (durazno) e torta de milho (tarta de choclo). Recomendo.
Entramos no transporte da empresa Huentata e conhecemos o outro lado da cidade. Tudo é organizado, com casas lindas e muitas árvores, impressionante. A Argentina mesmo em crise dá banho de civilidade. Como não amar a cidade?
Cenário da bodega Vistandes em Maipú – Mendoza – foto tirada por Mônica D. Furtado
O guia Sérgio e o motorista Mário nos levaram a uma vinícola moderna e minimalista chamada Vistandes. Trata-se de uma bodega boutique em Maipú, a 24 km sudoeste de Mendoza. Localiza-se à Ruta 60 y Carril Urquiza, Cruz de Piedra.
Nós tomando vinho na bodega Vistandes em Maipú – Mendoza – foto tirada por Áurea Ramos
O prédio tem estilo modernista com uma sala de entrada enorme, muito vidro e dois andares. Fantástico terem guias para inglês e espanhol, afinal turistas estrangeiros não faltam. Nesse local, conheci a jovem Áurea Ramos de Diadema em São Paulo. Muito bom fazer amizades pelo caminho.
Mendoza e seus arredores têm 270 a 300 dias com sol e a temperatura vai de 15 a 20˚C em geral, clima perfeito para a plantação de uvas. Os terrenos têm pouca umidade e o solo é desértico, o que é bom para as parreiras. Os álamos protegem as videiras dos ventos que vão de 90 a 100 km/h em agosto e setembro. A região também é produtora de hortaliças e frutas variadas. Alho, tomate, batata e azeitona são plantações significativas. A Argentina é o décimo produtor de azeitona do mundo, a Espanha é o primeiro.
Em abril de 2017, houve chuva de granizo considerada horrível pelos produtores de hortaliças e uvas. Segundo eles, usam muito dinheiro e lágrimas. Outro fenômeno climático prejudicial é a geada tardia. Queima as flores. A de 2013 provocou um desastre. Atualmente, usam redes a fim de proteger as colheitas. Só lembrando que o terremoto de 1861 matou 1/3 da população e destruiu a cidade toda.
Tonéis da vinícola Vistandes em Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Vinhos na bodega Vistandes em Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Maquinaria na bodega Vistandes em Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Parreiras da vinícola Vistandes em Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Nomes muito conhecidos como Quilmes, Concha y Toro e Peñaflor produzem vinho na região. Cada vinícola tem seu estilo próprio, são aproximadamente 980. Voltemos à Vistandes, inaugurada em 2006. Foi a primeira bodega a usar o sistema de gotejamento constante pressurizado. É pequena com uma produção limitada. Produzem uvas Malbec, Cabernet Savignon, Sirah etc. Seu sistema foi copiado dos franceses. Após a visita para conhecer o processo utilizado na preparação do vinho, fomos convidados a degustar os vinhos da casa: o rosé (frutado de cereja) para saborear com chocolates e mariscos, o Malbec jovem de linha frutada para tomar sob temperatura ambiente, e o Cabernet Savignon, amadeirado, mais forte que o anterior. Comprei um Malbec rosé jovem frutado chamado Hechizo del Plata. Simplesmente maravilhoso!
Pátio da bodega Vistandes em Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Plantas na vinícola Vistandes em Maipú-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Continuaremos com a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo.
Ônibus turístico Oro Negro em Mendoza-passeio ao Cerro de la Gloria-foto tirada por Carlos Alencar
Estamos no dia 16 de maio de 2018 na continuação do city tour por Mendoza. Finalizamos o passeio pela cidade e agora vamos à parte mais alta do município: o Cerro de la Gloria, dentro do parque Gal. San Martin. A guia é outra e muito boa também: a Jessica.
Pegamos a Av. Emílio Civit com suas casas ostentosas, segundo eles. A continuação da av. Sarmiento terá o nome de av. Libertador dentro do parque General San Martin. Este parque foi criado em 1907 a oeste da cidade por Emílio Civit (1856-1920). Ele foi um político argentino que exerceu os cargos de deputado, senador nacional, governador da Província de Mendoza e Ministro de Obras Públicas e de Agricultura da nação (Wikipédia).
Quanto ao parque, são 950 hectares com árvores do mundo todo. Achei semelhante ao Parque Maria Luísa em Sevilha – Espanha. Fenomenal tal lugar. É o maior espaço verde da cidade, estende-se por 17 km e alcança o sopé da Cordilheira dos Andes. Vale a pena ver o site www.experiencemendoza.com. Depois de passar pelo portão rebuscado, logo na entrada do parque, vemos as duas cópias dos Cavallitos de Marly, feitas em mármore branco de Carrara, de primeira qualidade. Representam dois cavalos selvagens com seus domadores, cada um em cima de uma coluna. São réplicas dos cavalos franceses, realizados por Guilhaume Coustou entre 1743 e 1745, trabalho requisitado pelo rei Luís XV a fim de decorar a entrada do parque do Palácio de Marly fora de Paris.
Fonte dos Continentes no parque San Martin em Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Parque San Martin em Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Também somos apresentados à Fonte dos Continentes, representando a América, Europa, Ásia e África, de 1911, com as nereidas protegendo os marinheiros. Faltou a Oceania, porque não existia naquela época. Discursando mais sobre as nereidas, elas fazem parte da mitologia grega e se tratam das 50 filhas de Nereu e Dóris. Nereu compartilhava com elas as águas do Mar Egeu e era um deus marinho mais antigo que Netuno. As nereidas são ninfas do mar, gentis e generosas, sempre prontas a ajudar os marinheiros (Wikipédia).
O lago El Parque foi feito em 1906, sendo um reservatório de água para ser usado em caso de seca. A avenida das Palmeiras é muito bonita e tem um clube de regatas de 1909. O parque Gal. San Martin foi pensado pelo arquiteto francês Carlos Thays. Antes se chamava Oeste. Dentro dele, há a Universidade de Cuyo com 32 cátedras (cursos). É estatal e se entra por meio de exame. A Faculdade de Agronomia funciona fora de lá. Havia um zoológico, hoje os animais da terra estão sendo distribuídos para outras localidades.
Dia 17 de abril é considerado o dia internacional do vinho Malbec e das fontes de Mendoza jorram vinho (ver http://www.malbecworldday.com).
Falemos no Cerro de la Gloria. Não vão carros até o local, um caminhão entra e o outro sai, há controle. A vegetação é nativa da terra. Ao alcançarmos 1800 m chegamos ao Cerro Arco. Esportes radicais são praticados, como parapente, rapel, caminhadas de trilhas etc. As torres de TV estão situadas lá.
Memorial do Centenário do Exército dos Andes-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Vegetação encontrada no caminho ao Cerro de la Gloria-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
No mirante com 965 m existe um memorial homenageando o centenário do Exército dos Andes com a imagem do condor. Tal pássaro gigante é o símbolo de Mendoza. Vive na Cordilheira dos Andes e alcança 3 m com as asas abertas. Lembrando que o General José de San Martin libertou o Chile a pé e a cavalo via Cordilheira dos Andes no dia 12 de fevereiro de 1818. Como é venerado, assim como seus generais. Foi um feito histórico impressionante.
Estátua do Cerro de la Gloria-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estátua do Cerro de la Gloria com placa-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estátua do Cerro de la Gloria mais de perto-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
No Cerro de la Gloria há uma estátua magistral. Antes o monte se chamava Pilar. Após 1812 passou a ter o nome atual. Quem pensou a estátua foi o uruguaio Juan Manuel Ferrari. Ali tudo é paz com a vegetação exuberante e as flores “lavandas” ao redor da estátua.
Flores lavandas no Cerro de la Gloria-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu no Cerro de la Gloria-Mendoza-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Eu com as lavandas no Cerro de la Gloria em Mendoza-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
A guia acrescenta sobre a Festa de la Vendimia que celebra a temporada de colheita de uvas e ocorre no dia 3 de março anualmente perto do cerro no Teatro Griego em 180˚, isto é, o som não se dispersa. Estamos falando do maior anfiteatro ao ar livre de Mendoza. Tal teatro foi construído por Frank Romero Day. Como a uva é sagrada para a região, a festa é uma grande celebração anual. Lembrando que a região do vinho Malbec está na grande Mendoza: nas cidades de Maipú e Luján de Cuyo. A cidade também é a segunda mais importante da Argentina na exploração de petróleo e ainda há as hidrelétricas. As plantas da região vivem do aquífero.
Está sendo construído ali perto um estádio poliesportivo no qual terá velódromo, pista de atletismo etc.
Terminamos o passeio, abismados com tanta beleza e fãs incondicionais de Mendoza. Depois desta viagem, pensamos que nada é impossível de solução em termos de falta de água. Só falta vontade política neste nosso Brasil.
Carlos e eu no restaurante Tommaso em Mendoza-Argentina-foto tirada por garçonete
Meu prato de merluza Tommaso com azeitonas, batatas e mix de salada verde-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Prato do Carlos de bife de chorizo no restaurante Tommaso em Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Por fim, deu fome, era hora do almoço e fomos ao restaurante Tommaso Trattoria cerca do nosso hotel Carollo Gold (25 de Mayo, 1184). Pedi uma merluza Tommaso com azeitonas, batatas e salada verde por 240 pesos e um bom Malbec. Para o Carlos foi o famoso bife de chorizo argentino.
Depois fomos à Peatonal Sarmiento (amei!!!) comprar lembrancinhas. Indico a Imperial Cueros na Peatonal 23 e a La Góndola na Passaje San Martin, local 20. Diga-se de passagem, nós gastamos nosso espanhol com todo mundo. O mendocino é bom de prosa.
Mencionando um pouco do clima: o frio é seco, amanhece às 9 h, é muito frio (uns 6˚ C) pela manhã e noite e ao longo do dia vai esquentando. Vale a pena conhecer tão bucólica cidade no outono.
O próximo artigo será sobre as bodegas e fábrica de azeite. Aguardem…
Hoje é dia 16 de maio de 2018. Vamos passear pela cidade por meio do ônibus de city tour La Batea. Ele é aberto, logo tem que proteger a cabeça do frio. Pagamos 190 pesos por pessoa e fizemos a volta pela cidade (uma hora de city tour) e mais uma hora e meia até o Cerro de La Gloria, a parte mais alta de Mendoza. Você tem escolha de fazer os dois passeios ou só um. Pegamos o ônibus praticamente ao lado da Praça Independência. Parabéns à guia Janina, muito bem informada. Os guias são muito instruídos na história e geografia da cidade e não pedem gorjeta, ponto para eles.
Em 1861 houve um terremoto em Mendoza que a deixou em ruínas. Matou 1/3 da população. Hoje temos uma nova cidade. Falando nas praças… A Praça Independência é a mais importante, tendo quatro outras satélites: Espanha, San Martin, Chile e Itália. Há teatro e museu debaixo da Independência, porém estão fechados no momento.
A Praça Chile tem uma fonte circular e duas estátuas: dos heróis Bernardo O´Higgins e San Martin em homenagem à amizade entre Chile e Argentina. A Praça San Martin estava sendo remodelada e já deve ter sido reinaugurada no final de maio com festa e tudo o mais. Tem um monumento equestre em honra a San Martin. A Praça Espanha faz homenagem à colonização. No centro existe um mosaico contando a história de Mendoza e há duas mulheres juntas: a Espanha e a Argentina formando a Nova Espanha. Em outubro fazem a Festa da Coletividade Espanhola. A Praça Itália honra a comunidade italiana e em fevereiro há a Festa da Comunidade Italiana. As famílias italianas trouxeram 70 % do vinho nacional da Argentina. Ele está posicionado em 8˚ lugar no mundo. O mais típico do local é o vinho Malbec, mas recentemente o melhor tinto do mundo escolhido foi um Cabernet Savignon da região.
A estação de trem de 1883 está na Av. Belgrano. Esse meio de transporte trouxe imigrantes e comércio. Funcionou até 1993 e havia o trem Mendoza – Buenos Aires. Por motivos políticos e interesses outros, os governantes acabaram com as ferrovias. Na mesma época, a América Latina tomou essa decisão errônea. No centro do município há um metrô tipo bonde que circula pela região central e se paga com cartão magnético. Nos locutórios se compram e carregam os cartões ou tarjetas.
Mercado Central de Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Na Avenida Las Heras se encontram fábricas de chocolate e couro. O Mercado Central também é de 1883. Lembrou o de Montevidéu. Há restaurantes, mas não tem lojas variadas de artesanatos. Interessante mencionar que os horários do comércio são das 9 às 13h e das 17 às 21.30 h, afinal a sesta é um momento sério para eles.
A respeito da história do local… O General San Martin foi governador da província de Mendoza e foi daqui que formou o Exército dos Andes a fim de libertar o Chile e o Peru da Espanha. Ele é venerado, assim como outros generais, por exemplo: o Las Heras e o Soller. O Gal. Las Heras entrou no Chile por Upstalla. O Gal. Soller comandou três mil homens e entrou pelo sul. O feito de San Martin não foi pequeno. Como conseguiu atravessar a Cordilheira dos Andes a pé e a cavalo com o seu exército, dividido em seis colunas, comandados pelos seus generais, em 1816? San Martin era um estrategista.
Ruínas Jesuíticas de São Francisco-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Ruínas Jesuíticas de São Francisco 2-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Continuando o passeio… Na parte antiga da cidade, as ruas são estreitas e temos o bairro chamado Área Fundacional. As ruínas jesuíticas da Igreja de São Francisco foram remanescentes do terremoto de 1861.
Ruínas Jesuíticas de São Francisco-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
A fundação da cidade foi feita por Pedro de Castillo sob ordens do chileno Garcia Hurtado de Mendoza. Na parte antiga, também passamos pela Plaza de Armas e pelo Parque O´Higgins cujo teatro se chama Gabriela Mistral. Existe uma praça só para crianças, afinal pensam muito em inclusão. Com a mesma entrada para a Área Fundacional, visitamos o Aquário Municipal e o Serpentário. A Praça Sarmiento estava protegida com grades, por conta de vandalismo (ninguém escapa?).
Mosaicos encontrados na parte antiga de Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Passeio de city tour por Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Mendoza é tão única que não se constroem edifícios altos para proteger a vida das árvores. E não tem shopping center para não prejudicar o comércio de rua. O existente fica a 4 km do município e se chama Mendoza Plaza Shopping.
A casa do governo da província de Mendoza se localiza no Parque Cívico em frente ao Memorial da Bandeira do Exército dos Andes. A “La Legislatura” ou Assembleia Legislativa se situa em frente à Praça Independência. O Centro de Congreso de Exposiciones com enoteca (cave onde se guardam vinhos raros) recebe exposições da Argentina e exterior.
Estamos na Europa quando percebo os habitantes viverem as suas praças e caminharem muito pela cidade. Mendoza é simplesmente imperdível.
A rua Paseo del estado de Israel em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estilo de casa em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Café onde tomamos o café “promo” à noite no Paseo del Estado de Israel em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Continuemos com o passeio ao redor da Praça Independência em Mendoza. Estamos em 15 de maio de 2018. A cidade tem a energia calma de Montevidéu. Tem a atmosfera de interior, sentar em suas praças e ficar tranquilo olhando para as árvores é um prazer.
Menorah no Paseo del Estado de Israel em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dizeres da placa sobre a homenagem da comunidade israelense à Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Nas nossas caminhadas, descobrimos o Paseo del Estado de Israel com o símbolo Menorah (candelabro), presente da comunidade israelense da cidade. Toda a cidade é bucólica.
Hotel Park Hyatt em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Fachada do hotel Park Hyatt em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
E o hotel Park Hyatt, o primeiro hotel cinco estrelas da cidade. Também o Teatro Independência, dedicado à ópera e cultura local, foi fundado em 1925.
Teatro Independência em Mendoza – Argentina – foto tirada por Mônica D. Furtado
Vemos árvores por todas as ruas. Os plátanos orientais formam túneis e protegem do sol intenso no verão e do vento no inverno. Toda a arborização existente foi implantada pelo homem, ajudando a criar um clima mais ameno que pudesse ser suportado pela população que se instalava no local.
Canaleta de irrigação na calçada em Mendoza – Argentina – foto tirada por Mônica D. Furtado
Algo único encontrado em Mendoza são as canaletas ou “cequias” em espanhol. Segundo os guias de turismo, foram desenhados pelos incas peruanos. Antigamente, a cidade pertenceu ao Chile e Peru e depois à região de La Plata. As canaletas de irrigação são Patrimônio da Humanidade e responsáveis por 4% de terrenos cultivados na região. Trata-se de pequenos canais que correm junto ao meio fio das calçadas e é por onde escoa a água a qual irriga a cidade. Sobre eles há pequenas lajes para os pedestres atravessarem. Existe um inspetor que controla a irrigação da cidade. São quatro oásis. A água é preciosa lá e cuidada como tal. A crise hídrica ocorre há sete anos. Lembrando que o clima é árido, seco, desértico e chove pouquíssimo: 200 ml de chuva no verão.
Canais existentes na cidade de Mendoza na Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Canaletas em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
O traçado de Mendoza é uniforme, logo é fácil se localizar. A Av. San Martin é a principal artéria e linha comercial, a esquina desta com a Peatonal Sarmiento é o ponto central da cidade. Divide a cidade em norte e sul, a leste (a cidade velha) e a oeste (a nova cidade).
As avenidas são largas, o que é bom caso haja terremotos. A região de Mendoza existe sobre uma placa tectônica. Há sempre movimentos sísmicos e os habitantes são preparados para a evacuação. Mendoza e San Juan são considerados zonas negras sísmicas. O último terremoto foi em 2015 e teve pontuação de 7.5 na escala Richter.
A fronteira entre a Argentina e o Chile tem uma cordilheira com picos eternamente nevados. Entre as províncias de San Juan e, sobretudo, Mendoza encontra-se o ápice da maior montanha das Américas, o Aconcágua, com 6.960 m. Lá está o Parque Provincial Aconcágua. De Mendoza se vê a Pré-Cordilheira dos Andes e a Cordilheira Frontal. Outro importante motivo para se visitar a região.
Tenho muito mais a dizer sobre tão peculiar localidade. No próximo artigo: city tour em Mendoza.