O Outubro Rosa e Eu

O Outubro Rosa e Eu

Este artigo é de outubro de 2015. Hoje em 2017 posso dizer que estou muito bem, ainda em tratamento de imunoterapia, ou seja tomando o remédio para prevenir o retorno do câncer. Em 2016 fiz a reconstituição da mama e continuo na fisioterapia para o braço esquerdo até hoje. É um processo longo.

Muito já foi dito sobre o câncer de mama este mês. Graças ao Outubro Rosa, a divulgação está sendo feita. Parabéns! Enfim, o medo está sendo dissipado e quanto mais se falar, melhor. Mais vidas serão poupadas.

Eu pensei como poderia ajudar. Escrevi dois artigos anteriores, mas falavam em procedimentos e sentimentos. Ficarão para serem publicados em outra oportunidade, porque tive a intuição que era mais importante falar no lado espiritual e nos sentimentos.

Vamos à minha história. Este ano será inesquecível para mim. Foi o ano em que descobri estar com câncer de mama. Ainda bem que no estágio inicial, embora o tumor fosse grande. Foi o grande presente de Deus! Em termos gerais e leigos, fiz a mastectomia da mama esquerda em fevereiro, colocaram o expansor (uma bexiguinha para ser enchida, digamos assim), fiz radioterapia (28 sessões), agora estou na fisioterapia para melhorar o movimento do braço e tomando o remédio que previne o câncer novamente. Em janeiro, faço outra operação. A cirurgiã tira o expansor e coloca a prótese. E a vida continua…

Queria dizer algo que fosse um diferencial. O que seria? Dizer que acreditar que nunca estive doente e que aquele momento de choque e dor, compartilhado pelos familiares e amigos, iria passar. Como passou. O pós-operatório é doloroso e só aguentável, por causa da presença amorosa dos que me cuidaram, além das visitas e telefonemas constantes. Rezas, orações, reiki vindo de longe de alguém que nem me conhecia, pensamentos positivos e até atabaques. Vale tudo e isso faz a diferença.

Ter agido rápido também marcou pontos. Nisso tive o apoio total dos médicos, foi uma corrente de ação a fim de não perder tempo. Afinal, câncer não se fica curtindo, extirpa-se o quanto antes. Entrei na mesa de cirurgia entregando minha vida nas mãos de Deus e na da equipe que me operou. Meus médicos, meus anjos. Aqui se fala em confiança. Confiança de que eles e elas vão cuidar bem de mim e salvar a minha vida. Muito obrigada a cada um e olhem que a lista é longa. Além dos enfermeiros, atendentes no hospital, na Unimed, todos com quem tive contato, muito solidários com aquele momento.

E para finalizar, a pergunta que ronda a cabeça quando descobrimos que temos câncer. Por que eu? Aí vem a resposta do Alto: porque eu tinha força e coragem para enfrentar tudo que passou. E a tudo que acontece de difícil na minha existência, eu peço a Deus me dizer o porquê de estar naquela situação e Deus sempre responde. O que eu tinha que melhorar como pessoa?  Refleti e soube a resposta. Divulgar o que senti, ajudar a quem precisa, continuar a visitar os amigos doentes e terminais, ser ainda mais presente na vida das pessoas amadas. Enfim, aprimorar o que eu já fazia e ser mais ainda alegre. A felicidade é um antídoto contra doenças. O mundo precisa de mais. De agora em diante, transformar minha vida em um jardim com todas as flores do arco-íris é minha responsabilidade.

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Nossa Sociedade Incivilizada

NOSSA SOCIEDADE INCIVILIZADA

Escrevi este artigo em outubro de 2014, porém percebo que em maio de 2017 nada mudou, infelizmente.

Temos uma sociedade violenta, as emoções estão à flor da pele de cada um, sentimos uma agressividade latente em qualquer situação do dia a dia. No trânsito, no banco, no supermercado, enfim onde estivermos, perceberemos a falta de gentileza nas ações. As palavras mágicas: obrigada, com licença, desculpa, por favor, bom dia são obsoletas. A ordem do dia é ser desconfiado e rude. Quem for sensível irá sofrer e se sentir um extraterrestre.

Aí chegam meus pensamentos. Já que vivemos em uma sociedade infantil, onde as pessoas não sabem valores básicos de conduta e bons modos, então devem ser ensinadas. Melhor seria pelas famílias, mas isso não está acontecendo, então pela escola, também isso não está resolvendo. Portanto, as campanhas devem partir do poder público. Campanhas maciças de educação e gentileza ensinando como se portar no trânsito e em todos os momentos. Ao invés de apregoar o posto de saúde, que tal deixar as regras de boa convivência claras na televisão, no rádio, na internet?

Acredito na educação, sem ela não teremos o Brasil que queremos e merecemos. Ao meu ver até as regras mais básicas, como não sujar a rua, devem ser escritas e divulgadas.

Vou dar dois exemplos: em Montevidéu estive em uma livraria e lá estava escrito: quem estiver no café, não pode ler livros. Algo simples e efetivo. Na mesma cidade, em uma excursão de um dia, o guia foi claro ao dizer os horários e esclareceu que se alguém se atrasasse mais do que o horário dito, ficaria para trás. Resultado: todos foram pontuais e não houve problemas. Ou seja, regras ditas e cumpridas.

Algo tem que ser feito, eu faço a minha parte, e você?

 

 

 

 

Praia da Redonda-Ceará

PRAIA DA REDONDA-ICAPUÍ-CEARÁ

 

Este artigo é de agosto de 2016. Será que algo mudou em 2017?

Sempre achei a Redonda uma das praias mais lindas do Ceará. Quando penso naquele céu tão estrelado à noite, no lugar calmo e bucólico que é e, principalmente, na beleza do local fico emocionada. Suas casas à beira-mar formam um conjunto deslumbrante e seu mar, ai, que mar! A água cristalina e de ondas tranquilas convidam a um banho infinito. Se olharmos à direita, veremos as falésias de cores distintas da praia da Peroba, e no horizonte, o cenário é paradisíaco: o vasto oceano com incontáveis barcos dos pescadores da região. Sem os barcos, não seria tão arrebatador o visual.  Mesmo sendo longe, quase na fronteira com o Rio Grande do Norte, vale a pena conhecer também as praias da Peroba, Ponta Grossa, dentre outras.

As placas feitas a mão pelos moradores incentivando as pessoas a colocar o lixo no recipiente certo, achei simples e genial. Assim, a praia se encontra razoavelmente limpa. Ponto para os amantes da Redonda. Cuidar do lixo significa amar o lugar em que se vive. Parabéns!

Falar nas nossas praias atraentes não é novidade. Mas resolvi escrever, porque lugar tão fascinante pede socorro. Assim como a praia do Icaraí, a Redonda está sendo engolida pelo mar. Lá havia um calçadão que margeava a praia e era bom para caminhar. Isso é passado. Fiquei impressionada com a destruição do mesmo. Só restou um pequeno pedaço. Em três anos, a força da maré fez mais estragos. E o calçadão não foi reconstruído e nem um paredão de proteção contra a força do mar. O que vi foram poucos moradores protegendo suas casas individualmente. Onde está o poder público? Vão mesmo deixar a “praia das lagostas” ficar abandonada?

Sou uma pessoa acostumada a viajar para as praias que gosto. Vou como turista, mas também como observadora do cotidiano, logo não poderia deixar de manifestar a minha tristeza com o descaso lá visto. Logo, senhores políticos, vocês que têm casa lá, façam algo antes que seja tarde.

Vaquejada

Sou contra a Vaquejada

Este artigo é de novembro de 2016, quando começou a discussão sobre a vaquejada no Congresso. Apesar do lobby forte do Nordeste e de ter sido aprovada como manifestação cultural, sou contra a vaquejada. A engrenagem funciona dependente do gado. O importante é ganhar dinheiro, o sofrimento do bicho realmente importa?

Sou contra a tourada. Acontece na Espanha. Também dizem fazer parte da alma espanhola. Um dia perguntei a uma filha de espanhola o que achava e ela me disse ser uma maneira gloriosa de morrer. Aí eu respondi que essa não era a opinião do touro…

Sou contra a farra do boi. Era ou ainda é feito na região de Santo Antônio de Lisboa em Florianópolis, Santa Catarina e era dito como cultural, uma tradição açoriana.

E aí eu pergunto a vocês: alguém gostaria de estar no lugar do touro, da vaca, do boi? Vocês imaginam o que eles sentem?

Certa vez ganhei um livro de uma amiga portuguesa que contava estórias sobre animais, mas sob o ponto de vista deles. O capítulo sobre a tourada foi de chorar.

Então, não venham me dizer que o animal não sofre que não acreditarei. O lobby em cima da vaquejada é forte, vai do político e prefeito do interior às cervejarias e bandas de forró. O vaqueiro, certamente, nem deve ser tão bem pago assim. Mas ninguém pergunta à estrela do show o que ela acha…

 

São Paulo

São Paulo, sempre São Paulo

Começarei o artigo no período de novembro de 2016, quando estive em Sampa pela última vez. Viajamos juntos o Carlos e eu, e pegamos a filha dele, Denise, pelo caminho, ou seja, via Avianca Fortaleza-Juazeiro-São Paulo. Foi ótimo termos ido juntos a maior parte do tempo.

Vamos às dicas: o restaurante Lá na Venda pela sua gostosura, o Shopping Cidade Jardim pela sua beleza e as de sempre: padaria e confeitaria Bella Paulista e Galeria dos Pães. Amo!!!

Em termos culturais: o musical “Wicked” no Teatro Renault foi fantástico, assim como a peça “Morte Acidental de um Anarquista” com o ator Dan Stulbach no Teatro da Folha no Pátio Higienópolis. Não posso deixar de mencionar a exposição do Gaudí no Instituto Tomie Otake. Aconselho entrar no Parque Trianon em plena Paulista, pois é uma maravilha de tanto verde. São Paulo é uma festa sempre. Agradeço aos meus familiares que moram lá e são constantemente atenciosos.

Agora voltamos a agosto de 2012. O que me encanta na metrópole paulistana é saber que há um planejamento e organização por trás das atitudes tomadas lá, seja no trânsito, como no cotidiano do cidadão. A minha pergunta é como os governantes conseguem fazer isso com uma população tão volumosa? Deve ser por conta de gestões contínuas que pensam no futuro e em longo prazo. Um exemplo: em 2011, testemunhei a campanha da mãozinha, ou seja, havia monitores do trânsito com mãozinhas nas faixas de pedestres, educando os motoristas a respeitar a citada faixa nas avenidas e ruas principais. Um ano depois, volto à cidade e vejo o resultado pelas faixas colocadas nas ruas e avenidas principais elogiando os motoristas e dizendo que o número de atropelamentos diminuiu, graças à conscientização dos motoristas. Também vi dentro de ônibus, avisos aos pedestres dizendo que atravessassem a rua na faixa de pedestres e como ter cuidado. Isso sim é campanha de conscientização. Por essas e outras que sou uma enorme fã da cidade.

Toda vez que vou a São Paulo, me surpreendo com tantas opções culturais, parques, restaurantes e outras novidades. O bom é curtir a cidade como se fosse um paulistano. Vamos lá…

Aconselho observar as ruas largas dos bairros, por exemplo, Pinheiros e Jardins e da famosa Av. Paulista. Elas têm árvores e em grande número. O povo da terra realmente gosta e cuida. Existem plantas e árvores como palmeiras até em varandas pequenas e em coberturas de prédios. A Prefeitura dá o exemplo no seu edifício. Para quem é amante da natureza, a capital é um bom local para se arejar.

Há feiras de rua em cada bairro. O paulistano ama comprar frutas e hortaliças nessas feiras livres, afinal são mais baratas, e comer o pastel em pé ou sentado na calçada. O fantástico é saber que assim que terminam, os garis deixarão tudo limpo como antes. Outro amor da população são os cafés e restaurantes. Há uma quantidade imensa para todos os gostos e bolsos.

Comecemos com as ideias para uma próxima viagem… feiras de antiguidades e artesanatos, como a da praça Benedito Calixto em Pinheiros aos sábados. Existem muitas bancas de comida também. Eu me deliciei com um bacalhau a Gomes de Sá bastante procurado. Nos domingos, uma feira de antiguidades de qualidade acontece no piso inferior do MASP, na Av. Paulista. Vale a pena ir a ambas.

Desta vez, fui aos museus MASP e Pinacoteca. Sempre com exposições diferentes e válidas. Na Pinacoteca, não paguei por ser professora. E os musicais? Maravilhosos, tanto a Família Addams no teatro Abril Cultural, como Priscilla, a Rainha do Deserto, no Shopping Bourbon. Trata-se de um dinheiro bem empregado, uma vez que essa fartura de musicais, peças, cinemas, e eventos culturais só existe lá.

Falemos em parques…  dar uma caminhada no Ibirapuera é algo paulistano de se fazer e também conhecer o Trianon na Av. Paulista é um frescor. Se fora está calor, dentro tem um clima agradabilíssimo. Acho sempre incrível ter um parque desses em uma rua de negócios, comércio e dinheiro. O povo frequenta seus parques e há muitos outros pela cidade.

Uma boa dica grátis é visitar o Conjunto Nacional na Av. Paulista, entrar na Livraria Cultura e assistir todas as terças-feiras às 12.30 h. o show do Tito Martini Jazz Band. Já fui duas vezes e é delicioso. Eles dão uma boa viajada do jazz original ao moderno. Todo mundo ama! Outra sugestão é ir à magnífica Sala São Paulo e assistir um concerto da OSESP, tanto a sala como a performance dos músicos é de se orgulhar. Trata-se da melhor sala do Brasil e uma das dez melhores do mundo em termos de acústica.

E viagens para fora de São Paulo. Desta vez foi para a fervilhante cidade de Campos do Jordão (fotos acima). Não há o que comparar com Gramado-RS, Gravatá-PE ou com a nossa Guaramiranga. O comum é serem serras. E só. São diferentes, sem dúvida. Campos é a paixão do paulistano e dá para entender o motivo. É uma cidade maior do que eu pensava e com uma infraestrutura invejável. A quantidade de restaurantes, cafés, malharias e chocolaterias é de cair o queixo. Além do afamado festival de inverno de música erudita em julho. Também se faz passeios de natureza, como no Pico Itapeva e na cachoeira Ducha de Prata. No pico citado, há uma feira de malharias artesanais, muito em conta. E como ir? Para quem quiser ir por um dia, a sugestão é a agência Vida e Energia (receptivo.sp@vidaeenergia.com.br). Gostei bastante e os guias são muito queridos e interessados no bem-estar do turista. O passeio é longo, começou às 8h e às 20 h. cheguei ao hotel. Foi um grande achado.

Enfim, Sampa é assim: cativante, alegre, colorida… quem disser que se trata de uma selva de pedra, realmente, nunca foi lá. Vejo verde em tudo e gente viva e falante. E tem mais: quem vai e gosta de cultura, toma uma chuvarada e volta renovado.

 

 

Porto Alegre

 

Porto Alegre – uma “baita” cidade

Estamos em julho de 2014. Vou começar a nossa jornada em terras gaúchas por um bairro: o da Tristeza, na zona sul de Porto Alegre, perto do rio Guaíba e pros lados do estádio Beira Rio. De triste não tem nada, trata-se de uma parte da cidade alegre, agradável, “família”, com lojas de decoração fantásticas, bons restaurantes e confeitarias/cafés, e que existe como uma cidade pequena, onde todos se conhecem e o bairro acontece ao redor do supermercado, da igreja e da praça. Ao ficar lá por uns dias, deu pra sentir o clima bucólico e gostoso de dias invernais.

Sou sempre encantada com cidades com muitas árvores, só pra se ter ideia, no prédio onde me hospedei, os moradores trocaram a garagem pelas árvores e jardim florido, logo preferiram que seus carros ficassem na rua, mas que tivessem um espaço amplo para sentar e conversar com os vizinhos, papos regados por um bom chimarrão. A isso se chama de qualidade de vida.

Muito bom ter frequentado a Confeitaria Itália e tomado o café da tarde com amigos; ter comido doces na Confeitaria Rony e almoçado algumas vezes no Restaurante Mezcla. Também dou dicas da confeitaria Madame Antonieta, um sonho de lugar. O Paseo Shopping é importante para o bairro, por ter lojas e restaurantes bonitos e oferecer uma programação cultural. Lá assistimos a um show de flamenco com artistas da Espanha.

Lá perto há muitos passeios: ver o pôr do sol no Parque Marinha do Brasil ou à beira do rio/lago Guaíba é emocionante. Visitar o Museu Iberê Camargo é obrigatório para os amantes das artes; e principalmente, explorar os arredores e respirar o ar do bairro. As casas são ma-ra-vi-lho-sas! Folgo em testemunhar que ainda há cidades nas quais as pessoas amam uma boa casa com jardins e plantas.

Porto Alegre é uma cidade desconhecida do cearense, infelizmente. Aqui só se fala em Gramado, lógico que entendo, mas penso que se perde uma capital com muito potencial a ofertar ao turista, em termos de cultura, gastronomia, vida noturna e passeios.

Uma dica imperdível na cidade: almoçar no restaurante panorâmico da universidade PUC-RS. Nunca vi algo igual: são várias ilhas de comida e sobremesa. Achei o buffet fenomenal. O problema é a balança… Depois se dirigir ao Museu de Ciência e Tecnologia na própria universidade. Que achado! A parte de biologia e física é deslumbrante. Já havia lido a respeito, mas sinceramente, é muito melhor do que imaginado.

Falando em museus… o Museu do Rio Grande do Sul (MARGS) e o Santander no centro são básicos. Isto quer dizer, deve-se ir sempre. No último estava a exposição do paulista que vive entre o Rio e Nova York: Vik Muniz. Excelente com suas obras originais.

Porto Alegre, terra escolhida pelo poeta Mário Quintana para morar e acabar seus dias; pátria do Internacional e do Grêmio; do Parque da Redenção onde acontece o popular brique, ou seja, a feira das pulgas todos os domingos do ano etc merece ser mais divulgada na terra alencarina. São tantos lugares interessantes, mas cá deixarei minha homenagem singela aos meus familiares e amigos que lá residem e que sempre nos recebem tão bem. Muito obrigada.

Trânsito de Fortaleza-Ce

 

carros
http://blogs.diariodonordeste.com.br/olharesdiarios/cidade/transito-fortaleza-aumenta-desvios/

TRÂNSITO MALUCO

Fala-se mal do trânsito de Roma, mas estamos chegando lá em termos de maluquice. Aqui ninguém respeita lei, nem o pedestre, nem o motoqueiro, nem o motorista de qualquer tipo de transporte de quatro rodas. Logicamente, há exceções, que são poucas. Aquelas pessoas generosas, educadas e gentis são contabilizadas nos dedos. Em geral, vive-se uma loucura nas ruas e calçadas. Eu ia dizer que se vive na selva, mas até a selva tem mais ordem e organização.

Vamos ser bem sinceros: as calçadas estão péssimas, desniveladas e esburacadas, a Prefeitura não cobra, não multa, logo todos fazem o que querem, ou simplesmente, não fazem nada. Em consequência, moradores da cidade caem e se machucam, principalmente, idosos. E aí alguns dizem e eu com isso? Em país de primeiro mundo, o dono da casa é responsável pela sua calçada, qualquer queda, o cidadão machucado entra na justiça e ganha indenização. O Brasil melhora sua economia, mas o respeito ao cidadão ainda está a anos luz da civilidade.

Agora o pedestre: atravessa fora da faixa, ziguezagueando e correndo o risco de ser atropelado e morrer. Esse, em geral, é um coitado, pois nenhum motorista respeita. E se morrer, e eu com isso?

O motoqueiro: ai, meu Deus, nos proteja…  não respeita regra, lei, nada mesmo. Faz o que quer, corre, anda sem capacete no interior do estado, leva na sua moto todo o tipo de objetos, de escadas a cachorros…  circula pela direita e esquerda, raramente atrás de carros de forma civilizada, entra pela contramão, anda em cima de calçada, não existe mais sinal de trânsito para eles. Eles atropelam e são atropelados, lotam os hospitais, mas e eu com isso?

Finalmente, o motorista de carro. Este se acha mais poderoso dependendo do tamanho do automóvel. Não respeita leis, a faixa de pedestre, os sinais, não dá sinaleira, ou seja, faz o que quer, para no meio da rua ao seu bel prazer, anda na contramão e muito mais, mas eu com isso?

Em suma, que cidade é essa? Para ser bela, tem que ser civilizada, organizada e ordeira, além de limpa, amada e paparicada. Ai, que saudades do DETRAN, naquele tempo as pessoas pelo menos temiam não respeitar as leis. A AMC não impõe respeito e o cidadão nem sabe onde eles se encontram. É sinal que multar somente não resolve. Onde estão as campanhas de educação e conscientização, Prefeitura e AMC?

 

 

 

 

 

 

Continuando em Portugal

NOTÍCIAS SOBRE PORTUGAL

Estamos em abril de 2013 e continuamos a nossa jornada portuguesa após ter estado pela ilha da Madeira.

Sempre que viajo, gosto de chegar e colocar em palavras emoções sentidas e pensamentos ocorridos no papel. É impossível não fazer comparações com a nossa mãe pátria. Então, vamos começar.

Primeiramente, gostaria de dizer-lhes que Portugal em crise ainda consegue estar melhor do que da última vez que lá estive em 2009. Indago-me como pode. Vi desta vez menos pedintes na rua e a criminalidade baixou, segundo dados mostrados na televisão. O que aumentou foram os roubos de casas. Deu pra ver lojas fechadas, a situação parece mais grave para os funcionários públicos que tiveram seus salários reduzidos. No lado positivo, vemos muitos turistas ingleses e alemães na Ilha da Madeira e espanhóis no Porto na Semana Santa. Com certeza, eles movimentam a economia e fazem a diferença. Apesar da citada crise econômica, as cidades continuam adoráveis, limpas, seguras e organizadas a encantar os viajantes. As cidades pequenas oferecem museus, centros culturais, bibliotecas, dentre outros. As pessoas leem muito jornais, revistas, livros no metrô, no trem, na rua, em todos os sítios, como eles chamam os lugares. Testemunhei taxistas trocando jornais e revistas entre eles no Porto.

Só para dar um exemplo de pontualidade: o trem é para partir às 13.57min. e realmente parte. Ficamos boquiabertos com o detalhe dos números.  Aliás, trem é comboio lá. A terceira idade com mais de 65 anos tem descontos em passagens de ônibus, trens, entradas de museus e outros. Em Funchal na Ilha da Madeira eles são clara maioria.

Comparando a Semana Santa lá e cá, tenho algo a dizer: não vi chocolates para vender nos supermercados. Lá valorizam as amêndoas de chocolate, o bolo pão de ló, o bolo doce recheado de frutas cristalizadas e o pão com massa de pão de ló feito com ovos cozidos em cima dele. Ficamos curiosos com tal pão. Nunca vimos algo igual. A Semana Santa é familiar e religiosa para o português. A diferença gritante com o nosso Brasil é o consumo de ovos de chocolate em demasia aqui e o preço que aumenta a cada ano. Lá nem propaganda na TV se vê.

Estar em Portugal é sentir-se em casa para mim. Andar nas suas ruas e ruelas sem medo é uma glória. Fiquei imaginando que jamais circularia pelas vias do bairro da Ribeira, o mais antigo do Porto, às margens do rio Douro, se a linda cidade estivesse no Brasil. Gostaria muito que cada brasileiro tivesse a oportunidade de conhecer algum país estrangeiro digno e seguro para saber o que é viver pelo menos algum tempo na tranquilidade.

Ao chegarmos a Lisboa, passamos uns cinco minutos na imigração. Foi algo rapidíssimo. Bem, estávamos na baixa estação, mas Lisboa é parada quase obrigatória na Europa para milhares de voos. No guichê, os policiais vestidos a rigor e profissionais. Já de volta ao Brasil, ficamos mais de uma hora em uma fila, na sala havia uma multidão fatigada e impaciente, vinda de horário com 4 horas a mais, isto é, para nós era meia noite e aqui eram 20 horas. Detalhe: fomos atendidos por terceirizados e o sistema que lê o passaporte estava com problemas desde sexta-feira e estávamos na segunda. Vi dois policiais federais no recinto e só soube pelo distintivo e jamais pelas roupas.  Algo tão sério como a entrada no país é entregue a terceirizados? Ou seja, bem vindo ao Brasil.

Há mais: em Portugal em muitas cidades não existem sinais de trânsito, mas os pedestres são respeitados. Ao tocarem o pé na faixa de pedestre, o motorista já para. Tal grau de civilidade, segundo um amigo me contou há muito tempo, não foi bem sucedido de graça, mas pelas multas. Aprenderam! Em duas semanas, somente escutei duas buzinadas e vi uma batida de carro. Completamente contrária a nossa realidade local. Mal testemunhei motos que lá chamam de motas. E ciclistas? Eu os vi bem paramentados, em termos de segurança. As exigências são severas. Motoqueiros dirigindo pelas calçadas? E livres e crentes que podem? Em Fortaleza, Ceará, sim. Na Europa, com certeza, não ficariam sem punição.

As cidades são floridas, repletas de árvores e com jardins graciosos. Em qualquer cidade, seja pequena ou grande, encontram-se bosques, praças valorizadas e muito verde. Funchal, então, é um delírio aos sentidos. Lá em Portugal não se assassinam árvores como aqui. Tudo é planejado. Se a árvore foi cortada, havia um motivo maior e não porque as folhas  incomodavam!… Estivemos na antiga Universidade de Coimbra e conhecemos a Biblioteca Joanina. Tudo é tão cuidado e preservado para as gerações futuras. Os espaços das universidades na Europa são amplos, verdejantes, intocáveis. Aqui, infelizmente, bem diferente é a realidade. Na nossa UFC, os poucos jardins e árvores que existem no campus do Benfica são destruídos. Em nome do progresso, a fim de construir outro bloco de salas de aula, lá se foi um dos poucos jardins existentes (atrás da Casa de Cultura Francesa) com árvores, grama e tudo o mais. Tudo em nome do desenvolvimento. Talvez seja eu a errada a sonhar com amplos espaços, com bosques, árvores, flores, um lugar que dê prazer em estudar, admirar a paisagem e refletir. Porém, caro leitor, isso existe! A Universidade de Alicante na Espanha é outro exemplo. Você pensa que está em um paraíso. Para mim, é um pesadelo ver uma árvore ser assassinada.

Aí você, caro leitor, pensa, será que não tem nada bom aqui? Apesar do meu momento “expressão dos meus pensamentos”, digo que o melhor que temos aqui são as pessoas amadas, todas elas e a nossa simpatia e calor humano! E o fato de não fumarmos como na Europa. Para mim, é uma praga, que o europeu ainda não acordou para os seus malefícios.

Para concluir, falarei do clima. Em aproximadamente 60 anos, não chovia tanto em Portugal. Desde novembro de 2012, chove todos os dias. Alguns lugares já estavam em alerta amarelo e laranja como na Ilha da Madeira e Coimbra.  Em plena primavera e a temperatura de inverno, com chuva, vento e frio. Foram as minhas férias mais molhadas: duas semanas fazendo turismo de guarda-chuva. Mesmo assim, sempre vale conhecer um pouquinho mais o país de Fernando Pessoa e rever meus amigos que lá estão.

Portugal

ENCANTOS DE PORTUGAL

Estamos em abril de 2013. Lá venho eu novamente escrever sobre Portugal. A maior razão tem origem no sentimento profundo de carinho pela pátria de antepassados meus. Está no sangue e ele se emociona quando chega ao país de Camões.

imagemmapailha damadeira

Aceitam viajar? Então, vamos começar pela Ilha da Madeira. Eu já conhecia de fotos, mas estar em tão florida ilha é um deslumbre. Tudo é colorido, repleto de flores, plantas, montanhas, o grande mar e os nativos, que são muito agradáveis e corteses. Gentileza assim não se encontra tão facilmente.

Ficamos no Molhe Hotel, localizado à Rua Conde Carvalhal, 53 (hotel@molhe.com). Um show de flat. Lá é comum transformarem casas coloniais antigas em hotéis e o turista ainda ganha lindos jardins com espaços para aproveitar o ambiente. Não dá nem vontade de sair, mas como não passear em uma ilha onde o turismo é tudo? Não é à toa que a maioria dos visitantes é da Inglaterra e Alemanha. Há voos diretos desses países para a ilha. Sem dúvida, um encanto.

Há muito a fazer lá. Andar de teleférico e ver de cima as suas belezas naturais, além das casas, que são graciosas; conhecer a zona velha, com suas casas com portas estilizadas e pintadas, e seus restaurantes transados (lembrei-me da rua dos restaurantes no centro de Bruxelas que são um espetáculo!); e os passeios de van pelos dois lados da ilha, que levam dois dias, um para cada lado.

Um dia vai-se a Porto Muniz, Câmara dos Lobos (localidade dos pescadores), Cabo Girão, com um mirante de 800m. (é de vidro e vê-se o mar e a vegetação lá em baixo) e Ribeira Brava, com suas plantações de banana e cana de açúcar para a cachaça deles, além das hortas, muitas hortas! O governo da ilha incentiva às pessoas a plantarem individual ou coletivamente. No mesmo passeio, também se visitam as montanhas. Só para ter ideia a Serra D´Água tem 1.000 m. de altitude, há ainda o Lombo do Mouro e a Bica da Cana com 1.500 m.. Lá se encontram vários moinhos de energia eólica. O almoço foi em Porto Muniz cujas piscinas naturais são enormes e tentadoras. O forte da culinária local é o peixe espada preta, uma delícia! A última parada é em São Vicente, outro lugar da ilha lindo. Aliás, tudo é bonito, limpo e um grande deleite para os olhos.

Em outro dia, vai-se às montanhas sentir um friozão. Paramos em Camacha em uma grande fábrica e loja de cestos, artesanato típico da ilha. Encontra-se de tudo lá. Continuamos até Ribeiro Frio, onde a altitude é de 1.800 m. O frio de 4ºC foi uma surpresa em pleno mês de março, mas é sempre assim nas regiões montanhosas. Em Faial e em Santana, enxergamos agricultores plantando bananas, nêsperas, abacates e mangas nas montanhas.  Depois fomos para a Ponta de São Lourenço onde estão localizadas rochas no mar e enormes rochedos dando para o oceano Atlântico. Uma visão fabulosa! Na volta, passamos por Machico, outra localidade, onde se localiza o aeroporto da ilha. Interessante dizer que lá está o maior túnel da ilha e de Portugal, com dois mil metros de comprimento. Outro fato digno de nota é que o aeroporto foi aumentado em 1.800 m. de uma maneira mais cara, porém efetiva, tendo suas estruturas novas construídas sobre o mar. Os dois passeios saíram por 50 euros por pessoa.

Explanando mais sobre lugar tão maravilhoso, a ilha tem terra muito fértil por ser vulcânica e basáltica. Os bolos típicos da terra são o bolo de caco: um pão com manteiga, alho e salsa torrada e o bolo de mel: pão de mel. Verdadeiras delícias. Vale mencionar a sopa Juliana, feita de repolho, cenoura e caldo de feijão branco. Eu não disse que as pessoas são corteses? Pois também são generosas. A nós foram oferecidos mimos em restaurantes, como balas, vinho da Ilha da Madeira (parecido com o do Porto, só mais suave) e poncha (a cachaça local). Ficamos boquiabertos! Realmente ganham o cliente. No restaurante Encontro (Rua das Murças, 39, junto à Sé Catedral), no centro da ilha, voltamos diversas vezes, devido ao tratamento VIP. Trata-se de um restaurante familiar cuja garçonete é filha dos donos. Procurem por Gabriela, um doce de menina.

Para compras do dia a dia, procurem o supermercado Pingo Doce no Anadia Shopping, perto do hotel. Afinal, ser turista é conhecer como vivem e compram os nativos.

Para banho de mar, a ilha não é o ideal. As pessoas pegam um barco grande e rumam à outra ilha chamada Porto Santo, o qual diferentemente da Madeira, é mais simples e só tem casas, segundo dizem.  Ficará para a próxima vez, pois é um passeio de um dia todo.

Faltou muita visita a fazer, afinal a ilha tem museus diversos, casas históricas, além do Jardim Botânico e do Mercado dos Lavradores. E tem o famoso bordado da Madeira.

Para finalizar sobre a Madeira, um passeio imperdível é andar a dois nos Carreiros do Monte, é aquele tobogã típico da ilha, no qual dois homens vestidos a caráter nos levam ladeira abaixo por dois mil metros. Trata-se de altas emoções, uma diversão e tanto!  Da próxima vez, vou de novo!

Agora sobre o continente. Portugal não cansa de me surpreender, mesmo em crise, vi muitas novidades em termos de lojas, restaurantes, pratos bons para o turista e como o turismo está cada vez mais profissionalizado por aquelas paragens. Dá gosto passear por qualquer cidade, pois são limpas, agradáveis e oferecem infraestrutura para o visitante. Desta vez conheci Évora e o Palácio do Buçaco. Na primeira, vale andar pela cidade e admirar a sua tranquilidade, mas do mesmo modo visitar o Templo de Diana e a exótica Capela dos Ossos. Nunca vi algo igual! Faz lembrar-nos da nossa mortalidade ver tantos ossos e caveiras a formar paredes e tetos. O Buçaco é um capítulo à parte. Ali a Mãe-Natureza criou uma obra-prima. Magnífico estar lá. Da próxima vez quero me hospedar no hotel-palácio. Em baixa estação, é possível. Lá era a residência de veraneio do último rei de Portugal. Novamente estivemos em Óbidos e foi uma glória estar presente no último dia do Festival do Chocolate.

Outras cidades foram visitadas pela segunda vez e posso dizer que todas valem a pena. Porém, paixão é pelo Porto e suas ruelas da Ribeira, rio Douro, bairro da Foz, Palácio de Cristal, centro histórico, Rua de Santa Catarina, enfim pela cidade e seus habitantes, tão queridos e acolhedores.

Chile

CHILE E SUAS BELEZAS

Começo nossa jornada pela capital chilena: Santiago. Estamos em janeiro de 2015. Trata-se de uma cidade sólida, com muito para ver e passear. Para nós, brasileiros, está um pouco cara, o nosso real estava bem mais desvalorizado, quando fui em janeiro de 2015. O clima é muito quente nessa época. Poderíamos aproveitar mais com uma temperatura mais amena. O salutar da cidade é andar pelas ruas sem medo. Os policiais de lá: os carabineros são conhecidos como sérios e anticorruptíveis. Então, vale a pena conhecer o país e se soltar na maior liberdade do respirar livremente.

O centro da cidade está bastante pichado, fiquei triste com isso. Mesmo assim, é válido ficar por lá. Dica: hotel Paris 813 (fone: 56-2-26640921). Preço em conta, local bucólico e bem central. Perto do hotel tem o Café Barrios, a Igreja São Francisco, a Av. Ahumada (um calçadão com lojas, restaurantes, cafés, bares e muito policiamento), o Museu de Belas Artes, o Palácio de La Moneda (residência e gabinete presidencial) etc. Foi inaugurado um centro cultural ao lado do citado palácio, com cinemas, restaurantes, lojas de artesanato, enfim vale conhecê-lo. Tivemos a sorte de lá estar quando acontecia o festival de cinema chileno. O coquetel de abertura foi aberto ao público e contou com ilhas de vinho chileno, cerveja, pisco sour (bebida típica chilena), salgadinhos, tudo muito chique. Saímos de lá com presentes de massa, molho e risoto da marca Trattoria. Além de felizes com a nossa sorte.

Sugestão: pegar o ônibus turístico Touristik em frente à Universidade do Chile. O passeio pelos bairros de Providencia, Del Golf, Las Condes, só para citar alguns, é imperdível. São bairros bonitos, bem cuidados e verdejantes, com asfalto de concreto e ainda, se aprende sobre a história do Chile. Os bairros novos são um primor. Amei o shopping Arauco; o parque Arauco ao lado, com suas flores, é um lugar de lazer com muito espaço verde e onde se joga golf; e o bairro Bellavista com o seu Pátio Bellavista. Que lugar mais interessante com suas lojas de artesanato, suas joalherias com muito lápis-lazuli (pedra semipreciosa típica do Chile), restaurantes, lanchonetes de sucos etc. É uma festa, com muita gente bonita, turistas, um lugar vivo onde reina a conversa e a animação.

Tenho que dizer que o chileno ama suco! Há por todo país quiosques a vender sucos batidos no liquidificador na hora. 500 ml de pura delícia, os de framboesa, amora, morango, ou seja, frutas vermelhas são especiais.

Há também para visitar o Mercado Central; a antiga estação ferroviária virou o Centro Cultural Mapocho (índios nativos do Chile); os montes (cerros) Santa Lucía e San Cristóbal e muito mais.

Continuaremos a nossa viagem rumo à Patagônia chilena: Puerto Varas, Frutillar  e ilha de Chiloé . Puerto Montt é a cidade central da região. Vale a pena conhecer a feira de artesanato perto do porto, mas a área já foi bonita. Construíram umas paradas de ônibus envidraçadas em frente ao melhor hotel localizado na baía e tornaram o local feio. Além de tudo, estão pichadas. Uma tristeza! Pelo menos, o terminal rodoviário está localizado à beira da baía e não faltam ônibus para Puerto Varas.

Já Puerto Varas é um mimo. Ficamos sete dias lá no hotel Colonos del Sur Mirador (pelo sistema Bancorbrás), um quatro-estrelas fabuloso e bem localizado. Íamos ao centro a pé. A região é um deslumbre de tão bela. Vale citar que gostei da empresa aérea Lan Chile. Na hora do lanche, são oferecidas quatro opções, mas temos direito a somente duas.

Como lá era verão, foi muito interessante ver os moradores tomarem banho no Lago Todo Los Santos que tem adiante o vulcão Osorno, ainda salpicado de neve. Visão de encher os olhos.

Conhecida como a cidade das rosas, é repleta de turistas do próprio Chile e também da Argentina e menos do Brasil. É pequena e tem uma feira de artesanato concorrida no centro, montada em toldos. Lá, além do artesanato típico da região, com muita lã, encontram-se bijuterias, comida, empanadas, chocolates e muitos quiosques de sucos. E haja suco natural ou com leite todos os dias!

A cidade é ponto de partida para outras localidades. Um dos passeios foi até o vulcão Osorno. Fomos pela empresa Turistour. Iniciamos por uma visita ao Lago Escondido, lugar que só se entra com um barco de vez e é rodeado de florestas. Dentro do lago, há a Ilha Loreley, onde vimos um casal de martim pescador: pássaros grandes, coloridos e lindos. Paga-se por qualquer passeio extra, é bom estar preparado. O vulcão está localizado no Parque Nacional Pérez Rosales e sua última erupção foi em 1869. Tal passeio lembra a parte mais alta da Ilha da Madeira em Portugal, por conta da vegetação e clima. Depois que chegamos ao restaurante e também ponto de apoio, fizemos uma subida ao vulcão. A terra é logicamente vulcânica e brotam flores silvestres parecidas com lavandas pelo caminho. Naquela área encontram-se cervos, pumas, javalis, lebres, dentre outros animais. Não deu para pegar o teleférico de 10 mil e 14 mil metros, uma vez que estava nublado e não se veria nada. Falando sobre a companhia turística, gostei do guia e do passeio, apenas não achei certo nos levar a um restaurante bastante caro e com buffet na Playa de Ensenada. Eles não disseram antes que ficaríamos presos a um só local.  11.500 pesos pelo buffet é muito dinheiro. Já achei o guia eficiente. No mesmo passeio, fomos ver as quedas do rio Petrohue, com suas águas verde-esmeralda. Muito lindo.

Nesta região chilena, houve colonização alemã de 1850 a 1900, logo as casas têm a arquitetura do país de origem de seus colonizadores. Verdadeiras belezas. Lá há lei, como em Gramado, para a conservação e construção de novas casas.    O chileno é simpático e agradável com o turista e também gostaria de mencionar, tratar-se de um povo confiado. Eles confiam, porque geralmente são honestos.

De Puerto Varas, pegamos um ônibus de carreira para Frutillar. Passamos por Llanquihue.  Cidade pequena, charmosa e simples, com suas casinhas de madeira coloridas. Falemos de Frutillar. Ma-ra-vi-lho-sa! Suas casas também de madeira são encantadoras, com jardins na frente e decoradas com mimos nas janelas, nos jardins e nas portas. Amei! O forte da região é a madeira. Entramos na igreja Nossa Senhora da Conceição toda de madeira. Ao lado, havia uma feira de artesanato de frutas secas, roupas de lã, chocolates, doces, enfim o melhor da região. O Museu Colonial Alemão vale a visita. Trata-se de um lugar enorme com parques, jardins muito bem cuidados, árvores frondosas e as casas dos primeiros colonos alemães que lá chegaram. De lá, rumamos para a beira do lago Llanquihue. Além dos restaurantes (salmão e refrigerante feito de gengibre ginger ale!) e sorveterias (framboesa!), há o próprio lago e sombras verdejantes para o descanso. Como em Puerto Varas, os moradores aproveitam o calor imenso para se refestelar na água e andar de barco e bote. Fiquei com uma vontade de fazer o mesmo! Mas quem imaginaria tal atividade em plena Patagônia? Eu confesso não ter estado preparada para tanto calor. Fui pensando no frio da Patagônia Argentina e encontrei um calor “arretado”, como se diz. Tive que comprar roupas pelo caminho. É digno de nota citar o arrojado Teatro do Lago e suas atrações culturais. Vale a pena se hospedar em Frutillar, o difícil é ir embora, pois encanta os turistas.

O comércio é fechado em Puerto Varas aos domingos, então o jeito foi desbravar igrejas e museus. A Igreja Sagrado Coração de Jesus, com arquitetura igual à da mesma igreja na Floresta Negra na Alemanha, é um espetáculo. O singular é ser toda na madeira. O Museu Pablo Fierro é único. Parece o Zé Pinto chileno. O autor das obras de ferro nos recebe e mostra sua especialidade: transformar absolutamente tudo em arte.  Outro passeio a pé válido é conhecer os hotéis da região: Cumbria, Cabañas del Lago, dentre outros. Subir o monte (cerro) Phillip é ter um visual arrebatador, porém faltam informações no local.

Outro passeio de um dia só foi para a ilha de Chiloé. A companhia foi a LSTravel. Pega-se a rota 5, que vai do Chile ao Alasca e é a mais longa da América. E chega-se na ilha por ferryboat. Chiloé significa “lugar das gaivotas” na língua indígena dos chonos, os primeiros índios que foram extintos na região. Visitamos Ancud, com suas casas coloridas que são um local de pescadores. Também o Forte de São João, datado de 1771, usado para defender a ilha do ataque de ingleses, holandeses e piratas.

Importante mencionar que o maior índice de alfabetização do país está na ilha, por causa do legado dos jesuítas (estiveram lá aproximadamente de 1600 a 1800). Há mais de 200 igrejas em Chiloé, construídas por eles. Algumas são Patrimônios da Humanidade, únicas no mundo, feitas das madeiras das árvores ciprestes e alerces.

Outra cidade é Dalcahue, linda! Significa “lugar de dalcas”, embarcações dos índios chonos. As pessoas da ilha são longevas, tudo que consomem é orgânico, produzido por elas, além disso, comem muito peixe. Acrescentando mais uma informação: a ilha foi descoberta aproximadamente em 1540. Foi invadida pelos holandeses três vezes e como não foram bem sucedidos, a incendiaram. A capital é Castro e lá está o cartão postal do local: as casas coloridas sobre palafitas. São um primor. Foi um passeio cansativo, pois se pega ferryboat, por ser longe, porém vale cada minuto. A beleza da ilha é estonteante. E o passeio foi um colosso. Recomendo.

Outra agrado da região é o mel de olmo, comprado em feiras de artesanato ou supermercado. O seu sabor é delicioso e é bom para a pele, cabelo, garganta etc.

Ao voltarmos para Santiago, resolvemos fazer outro passeio de um dia: para Valparaíso e Viña del Mar. Desta vez pela Kolob Tours, que tem um quiosque no Mercado Central. Ao sairmos da capital, nos deparamos com paisagens muito bonitas e plantações de oliveiras. Novamente o guia nos dá uma aula sobre o país. Lá há lei e ela é cumprida. Só um exemplo: não pode beber bebida alcoólica na rua, e ponto final. Se fizer isso, segundo o guia, é cadeia! E mais: o Chile exporta cobre, lítio e celulose para o Japão. Como os mexicanos, os chilenos usam muito abacate (palta) na sua culinária, seja no pão, na salada e sempre mais salgado. Em todas as autoestradas (rutas) são cobrados pedágios, ou seja, são privatizadas. E em geral, há mais de um por ruta. Santiago é uma cidade, que por estar localizada entre morros, é poluída e causa no inverno muitos problemas respiratórios na população. Por isso, os mais bem aquinhoados, moram nos morros, porque lá há vento. E algo mais: no Chile até o corte de árvores é controlado pela polícia. Para uma cortada, plantam-se quatro.

Continuemos a falar sobre o passeio… No caminho, descemos em uma loja fantástica e enorme, com degustação grátis de vinhos. Chama-se Rio Tinto e de acordo com o guia, muito mais em conta do que as vinícolas. Há de tudo nessa loja, artesanato, queijos, salames, enfim, fenomenal! Também passamos pelo Santuário de Lo Vásquez, onde se venera a padroeira do país: Nossa Senhora Imaculada Conceição. Em dezembro, há um dia no qual a ruta é fechada a fim de se fazer a romaria a pé de Santiago até o Santuário.

Em Valparaíso se localiza o congresso do país, logo os políticos se dirigem para lá. Também lá se encontra uma das famosas casas de Pablo Neruda, a La Sebastiana. (Anos antes eu já havia conhecido a La Chascona em Santiago no bairro Providência). Todas as casas viraram museus e valem uma visita, pois são originais. Infelizmente, com o tempo curto da  excursão, fiquei sem entrar nessa. Fica para outra vez…

Falemos mais sobre esta cidade. É o primeiro e mais importante porto chileno. Com a inauguração do Canal do Panamá na América Central, o porto de Valparaíso declinou, porém devido a novos contratos comerciais com outros países, o porto floresceu novamente. Interessante que frutas saem de outro porto perto: o de Santo Antônio e os caminhões rumam ao porto por outro caminho: o Caminho da Pólvora, assim não atrapalham o tráfego.

Valparaíso é uma cidade com altos e baixos, nos morros se localiza a área residencial e no plano, a parte comercial. O local é muito visitado por argentinos de Mendonza, uma vez que a cidade é mais perto do que Mar del Plata na Argentina, a badalada praia de veraneio. É Patrimônio da Humanidade, sendo que a UNESCO ajuda os donos a manter suas casas. Vale lembrar que o último terremoto em 2010, cujo epicentro foi em Concepción, provocou uma onda gigante que destruiu muito da cidade. Ainda há marcas deixadas como lembrança e há rotas de escape caso haja outro. Significa que aprenderam a lição. Hoje a cidade está reconstruída.

No Museu Naval, que também não entrei por falta de tempo, há a cápsula que salvou os mineiros que ficaram soterrados no interior do país algum tempo atrás. E perto tem uma feira de artesanato onde encontrei preciosidades.

O que separa Valparaíso de Viña del Mar é uma rua e um metrô (comprado do Brasil já usado e renovado no Chile) une as duas. Trata-se do único caso no país.

Viña del Mar é uma cidade jardim, amei! Passaria lá as férias todas, pois é alegre, movimentada, uma cidade completa. Tem o Relógio das Flores, presente dos suíços na Copa do Mundo. A prefeita, que está no poder a um bom tempo, cuida da cidade com esmero. Antes, havia uma competição pelo jardim mais bonito. Quem ganhava, tinha luz de graça por um ano. Hoje, não fazem mais isso, pois a população se acostumou a tratar a cidade com amor e flores. Há flores na cidade toda, nas casas, nos postes, nas vias de pedestres, enfim, uma lindeza. As alamedas são cobertas de árvores, há também o cuidado com o reciclável, nas ruas existem camburões de ferro para as garrafas de plástico usadas.  A beira-mar é bem cuidada, convida a um passeio. Em suma, a cidade é toda graciosa, lembra muito Punta del Este no Uruguai.

O Chile é um país admirável. Apesar de não ter a Patagônia colossal como a Argentina, nem os parques nacionais tão bem cuidados como o do país vizinho, tem algo muito procurado hoje em dia: a segurança. Seu território é bem menor em comparação com o nosso país. Mas tem a seriedade de um país que respeita as leis. Podemos conhecer o país com suas peculiaridades na tranquilidade. E isso, vamos combinar… é um docinho de chocolate para nós brasileiros…