Buenos Aires é um show!
Vamos começar a nossa jornada portenha. Estamos em outubro de 2015. Chegamos ao aeroporto Ezeiza e logo fomos pegar o ônibus da Tienda León por 155 pesos (agora em outubro estava 1 real por 4 pesos). Do local central da Tienda se toma um táxi até o hotel. Faz parte do pacote. Demora um pouco, mas é válido.
Buenos Aires é uma capital europeia. Até na quantidade de fumantes parece com a Europa. Por conta de suas avenidas largas, inúmeras praças, muitas árvores, cafés e pessoas que aproveitam a cidade torna-se um local imperdível. Para nós, brasileiros, é um lugar onde podemos caminhar em pleno centro a toa, com tranquilidade. Lá há o descuidista e o problema com dinheiro falso, mas tirando isso, são dias com mais segurança.
BA está mais bem amada em comparação com 2010. Já fui algumas vezes e pretendo voltar sempre. Sou uma grande fã do país e do povo. São bonitos e educados. Seu nível de escolaridade e letramento é enorme. Graças à decisão política do então presidente Sarmiento há décadas atrás. Nossa diferença é grande: nós ainda lidamos com o analfabetismo. Vergonha para nós. Por isso, a crise deles ser menor que a nossa. Sinceramente, vi uma Buenos Aires pujante e espetacular. Esperava vê-los mal e vi uma cidade limpa, com cuidado com as plantas (todas são protegidas por um tipo de armadura de ferro aberta que ninguém mexe), as calçadas e ruas não têm buracos, eles vivem sua cidade. O centro é habitável e movimentado. O fato de que as pessoas podem sair de casa se sentindo bem e seguras faz uma grande diferença até no trânsito. As casas não têm cercas elétricas e os muros continuam baixos. Precisa explicar?
O centro de BA tem menos pichações do que Santiago do Chile. Vi poucos pedintes. Interessante mencionar que estão em plena campanha política para presidente da nação. A eleição é geral. Só vi propaganda em outdoors e na TV nada apoteótico. Os candidatos se apresentam e falam de seus projetos. Não há o marketing político que aqui existe. A cidade não se suja por causa de campanhas.
Vamos às dicas: Dorá Hotel na rua (calle) Maipú, 963, centro, perto da famosa calle Florida e das Galerias Pacífico. A localização é excelente. Ali na esquina tem o Café Ditali, e ao redor um supermercado, lojas diversas e o Museu das Armas (fica para a próxima).
Todos os dias fomos ao Café Ditali para o nosso café da manhã. Delícia sentar, ler um jornal e degustar um bom café com pão coberto de doce de leite ou geleias de frutas. Nada mais portenho.
Vale a pena pegar o bus (ônibus) turístico e dar uma volta longa pelos recantos principais da cidade. Aconselho fazer isso no primeiro dia. Por 260 pesos se aproveita muito o dia. Desta vez, a escolha foi por museus: MALBA, Museu de Arte Decorativo e o Museu Nacional de Belas Artes. Cabe aqui mencionar este último. É fantástico com suas diversas salas: dos Impressionistas, de móveis doados por várias famílias tradicionais da terra etc. A exposição itinerante de Pérez Celis, argentino, artista do mundo, é formidável. Algumas obras são abstratas, outras têm inspiração da simbologia indígena americana. Seu trabalho colorido com madeiras sobrepostas é digno de nota. As telas as quais mais me identifiquei foram as impactantes “Pampa Roja” (Pampa Vermelho) de 1967 e 1968 e “Dar Movimiento” (Dar Movimento) de 1983. O bom de viajar é aprender e se aculturar. Nunca tinha ouvido falar em tal artista. Hoje já sei quem é. Pelo visto, trata-se de uma personalidade importante no país vizinho.
Vamos ao tango, música que fala alto à alma do argentino. Para mim, é de uma beleza sem fim. E a dança também. Não há nada mais sensual e sem malícia do que ver um casal bailando com aquelas roupas de extremo bom gosto ao som de um tango de Piazzolla ou Gardel. A última casa de tango que fui se chama Piazzolla. Achei tudo muito bom: o jantar, o atendimento e o show. Devo dizer que é estilo clássico e não “hollywoodiano”. Uma noite e tanto em um teatro que fica no subsolo de uma galeria e foi inaugurado em 1915, com estilo art nouveau.
Como o clima está destemperado em todo o planeta, em Buenos Aires não foi diferente. Em plena primavera, pegamos dias de um frio de rachar: 6˚ C. Minha pele engrossou e meus lábios racharam. A temperatura máxima foi de 16˚.
Agora falemos de feiras de rua. Amo!!! A de San Telmo todos os domingos já faz parte do calendário turístico. A novidade foi descobrir galerias ao longo da feira. Há lojas encantadoras. E como gostam de antiguidades, duendes, fadas, gatos e penduricalhos charmosos… Lindos! Gostaria de mencionar que prestei atenção a algo: em todas as bancas havia um papel com uma foto de um senhor com homenagens e tarjas pretas. Era o senhor José Maria Peñas que havia morrido dois dias antes e idealizado a feira 35 anos atrás. Achei muito bonito. Gosto deste lado tradicional do argentino de manter as casas, os costumes, as feiras por anos sem fim. Nada mais Europa.
Aos sábados a feira para ir e se esbaldar é a da Plaza Francia (Praça França) no bairro da Recoleta. Esta eu nunca tinha ouvido falar e fiquei maravilhada. Há tanto o que se ver e comprar, uma loucura!
Para finalizar as sugestões, falarei de um restaurante bastante simpático para nós: uma cantina italiana. Broccolino é o nome. Na calle Esmeralda, 776, também no centro. A dona é italiana da Toscana, o dono argentino e os filhos administram. Comida saborosa regada por um bom Malbec Santa Julia. Preciso explicar?
Algo interessante para contar. Agora para entrar no país, tira-se a foto e põe-se o polegar no guichê da polícia federal deles. Outro detalhe: até com o lixo reciclável há organização na cidade. Pós-horário comercial vê-se um movimento grande de gente retirando pacotes imensos e uniformes das lojas e restaurantes. Isso explica o centro limpo. Ai, que inveja!
Em suma, estava aqui pensando. Buenos Aires é um exemplo para nós e mostra como a educação guia um país para os bons modos e a leitura. Lá se lê muito. Enfim, ainda tenho muito a conhecer na linda Argentina. Suas dimensões e belezas naturais são infinitas. Fica aqui registrado a minha felicidade em ter estado em um país que me toca tão profundamente.



