Buenos Aires

 

Buenos Aires é um show!

Vamos começar a nossa jornada portenha. Estamos em outubro de 2015. Chegamos ao aeroporto Ezeiza e logo fomos pegar o ônibus da Tienda León por 155 pesos (agora em outubro estava 1 real por 4 pesos). Do local central da Tienda se toma um táxi até o hotel. Faz parte do pacote.  Demora um pouco, mas é válido.

Buenos Aires é uma capital europeia. Até na quantidade de fumantes parece com a Europa. Por conta de suas avenidas largas, inúmeras praças, muitas árvores, cafés e pessoas que aproveitam a cidade torna-se um local imperdível. Para nós, brasileiros, é um lugar onde podemos caminhar em pleno centro a toa, com tranquilidade. Lá há o descuidista e o problema com dinheiro falso, mas tirando isso, são dias com mais segurança.

BA está mais bem amada em comparação com 2010. Já fui algumas vezes e pretendo voltar sempre. Sou uma grande fã do país e do povo. São bonitos e educados. Seu nível de escolaridade e letramento é enorme. Graças à decisão política do então presidente Sarmiento há décadas atrás. Nossa diferença é grande: nós ainda lidamos com o analfabetismo. Vergonha para nós. Por isso, a crise deles ser menor que a nossa. Sinceramente, vi uma Buenos Aires pujante e espetacular. Esperava vê-los mal e vi uma cidade limpa, com cuidado com as plantas (todas são protegidas por um tipo de armadura de ferro aberta que ninguém mexe), as calçadas e ruas não têm buracos, eles vivem sua cidade.  O centro é habitável e movimentado. O fato de que as pessoas podem sair de casa se sentindo bem e seguras faz uma grande diferença até no trânsito. As casas não têm cercas elétricas e os muros continuam baixos. Precisa explicar?

O centro de BA tem menos pichações do que Santiago do Chile. Vi poucos pedintes. Interessante mencionar que estão em plena campanha política para presidente da nação. A eleição é geral. Só vi propaganda em outdoors e na TV nada apoteótico. Os candidatos se apresentam e falam de seus projetos. Não há o marketing político que aqui existe. A cidade não se suja por causa de campanhas.

Vamos às dicas: Dorá Hotel na rua (calle) Maipú, 963, centro, perto da famosa calle Florida e das Galerias Pacífico. A localização é excelente. Ali na esquina tem o Café Ditali, e ao redor um supermercado, lojas diversas e o Museu das Armas (fica para a próxima).

Todos os dias fomos ao Café Ditali para o nosso café da manhã. Delícia sentar, ler um jornal e degustar um bom café com pão coberto de doce de leite ou geleias de frutas.  Nada mais portenho.

Vale a pena pegar o bus (ônibus) turístico e dar uma volta longa pelos recantos principais da cidade. Aconselho fazer isso no primeiro dia. Por 260 pesos se aproveita muito o dia. Desta vez, a escolha foi por museus: MALBA, Museu de Arte Decorativo e o Museu Nacional de Belas Artes. Cabe aqui mencionar este último. É fantástico com suas diversas salas: dos Impressionistas, de móveis doados por várias famílias tradicionais da terra etc. A exposição itinerante de Pérez Celis, argentino, artista do mundo, é formidável. Algumas obras são abstratas, outras têm inspiração da simbologia indígena americana. Seu trabalho colorido com madeiras sobrepostas é digno de nota. As telas as quais mais me identifiquei foram as impactantes “Pampa Roja” (Pampa Vermelho) de 1967 e 1968 e “Dar Movimiento” (Dar Movimento) de 1983. O bom de viajar é aprender e se aculturar. Nunca tinha ouvido falar em tal artista. Hoje já sei quem é. Pelo visto, trata-se de uma personalidade importante no país vizinho.

Vamos ao tango, música que fala alto à alma do argentino. Para mim, é de uma beleza sem fim. E a dança também. Não há nada mais sensual e sem malícia do que ver um casal bailando com aquelas roupas de extremo bom gosto ao som de um tango de Piazzolla ou Gardel. A última casa de tango que fui se chama Piazzolla. Achei tudo muito bom: o jantar, o atendimento e o show. Devo dizer que é estilo clássico e não “hollywoodiano”.  Uma noite e tanto em um teatro que fica no subsolo de uma galeria e foi inaugurado em 1915, com estilo art nouveau.

Como o clima está destemperado em todo o planeta, em Buenos Aires não foi diferente. Em plena primavera, pegamos dias de um frio de rachar: 6˚ C. Minha pele engrossou e meus lábios racharam.  A temperatura máxima foi de 16˚.

Agora falemos de feiras de rua. Amo!!! A de San Telmo todos os domingos já faz parte do calendário turístico. A novidade foi descobrir galerias ao longo da feira. Há lojas encantadoras. E como gostam de antiguidades, duendes, fadas, gatos e penduricalhos charmosos… Lindos! Gostaria de mencionar que prestei atenção a algo: em todas as bancas havia um papel com uma foto de um senhor com homenagens e tarjas pretas.  Era o senhor José Maria Peñas que havia morrido dois dias antes e idealizado a feira 35 anos atrás. Achei muito bonito.  Gosto deste lado tradicional do argentino de manter as casas, os costumes, as feiras por anos sem fim. Nada mais Europa.

Aos sábados a feira para ir e se esbaldar é a da Plaza Francia (Praça França) no bairro da Recoleta. Esta eu nunca tinha ouvido falar e fiquei maravilhada. Há tanto o que se ver e comprar, uma loucura!

Para finalizar as sugestões, falarei de um restaurante bastante simpático para nós: uma cantina italiana. Broccolino é o nome. Na calle Esmeralda, 776, também no centro. A dona é italiana da Toscana, o dono argentino e os filhos administram. Comida saborosa regada por um bom Malbec Santa Julia. Preciso explicar?

Algo interessante para contar. Agora para entrar no país, tira-se a foto e põe-se o polegar no guichê da polícia federal deles. Outro detalhe: até com o lixo reciclável há organização na cidade. Pós-horário comercial vê-se um movimento grande de gente retirando pacotes imensos e uniformes das lojas e restaurantes. Isso explica o centro limpo. Ai, que inveja!

Em suma, estava aqui pensando. Buenos Aires é um exemplo para nós e mostra como a educação guia um país para os bons modos e a leitura. Lá se lê muito. Enfim, ainda tenho muito a conhecer na linda Argentina. Suas dimensões e belezas naturais são infinitas. Fica aqui registrado a minha felicidade em ter estado em um país que me toca tão profundamente.

 

 

 

 

Uruguai

 

Admirável Uruguai

Em 2014 fui ao Uruguai pela segunda vez, mas desta vez com mais vagar. Queria sentir e conhecer mais a atmosfera e o clima do país. Por exemplo: sentar em uma praça, ir ao supermercado, andar de ônibus e conversar com os gentis uruguaios em feiras, na rua, enfim, me entrosar. Eis a melhor maneira de ser turista.

Percebi que o nosso poder de compra na moeda uruguaia: o peso uruguaio, já não é o mesmo de três anos atrás. Perdemos uns 30%, logo achei tudo mais caro. Além de o país vizinho ter tido 9% de inflação em 2013, o que foi negativo. Meu pensamento, então, não era fazer compras, e sim, somente aproveitar os passeios, comer bem e comprar lembrancinhas. Dica de uma loja onde se compram vinhos, doces, licores e outros produtos do país: Las Vizcarras, na rua Bacacay, 1332. O casal é simpaticíssimo e ele fala português.

O lema do país em relação ao turismo e divulgado em propagandas é “Uruguai de bom trato”. Diria que isso é natural a eles. O povo é atencioso, simples e querido. Aliás, é um país classe-média e com baixo nível de analfabetismo, em consequência, não há ostentação em carros, casas e edifícios e não se vê a discrepância entre as classes sociais como no Brasil. Minha família e eu nos encantamos com tão adorável país.

Vale a pena conhecer Montevidéu a pé ou de ônibus. O hotel escolhido foi o Hotel América na calle (rua) Rio Negro. Aconselho, pois é perto do centro histórico, da Praça da Independência, do Teatro Solis e da rambla. E fala-se português. Significa que eles sabem a importância da língua portuguesa para a economia deles, afinal os brasileiros estão, enfim, descobrindo o país vizinho.

Incrível ter um calçadão à beira mar que na verdade, é o Rio de La Plata, que se estende até a cidade de Punta del Este (de ônibus umas duas horas e meia). O oceano só aparece em Punta. O tal calçadão é chamado de rambla e em cada praia adquire um nome diferente. Por exemplo: na praia de Pocitos, bairro charmoso de Montevidéu, o nome da rambla é “República del Perú”.

Gostaria de mencionar que as estradas do Uruguai são feitas para durar, são de concreto. Aqui no nordeste do Brasil só vi entre a Paraíba e Pernambuco e feito pelo nosso Exército. Para quem dirige, faz a diferença.

O que visitar em Montevidéu? A cidade arborizada, com seus bairros de casas e mais casas, muito espalhada já é um espetáculo. Existem alamedas múltiplas pela cidade. Penso que seja ainda mais repleta de árvores do que Buenos Aires. Mil pontos para ela. O centro histórico é imperdível e fazer uma refeição, embora cara, no Mercado del Pueblo é obrigatório. A carne do Uruguai é conhecida e o doce de leite é considerado o melhor do mundo. É para se refestelar! No mesmo bairro se conhece o Teatro Solis e o Palácio Salvo. E perto se conhece o Museu do Gaúcho e o Museu da República. E também o Museu Torres Garcia, com obras desse artista construtivista, desconhecido no Brasil e respeitado e amado lá.  Há da mesma forma o Museu de Arte Histórica, ao lado da prefeitura de Montevidéu. Vale a pena, pois é rico no acervo do Egito antigo, da Pérsia e de outras civilizações marcantes. Muitos dos museus são de graça. Outro passeio é caminhar pela Avenida 18 de Julho e ver as lojas, há umas de decoração e produtos indianos que são de enlouquecer. As praças são para sentar e saborear a vida. Aos finais de semana acontecem feiras de antiguidades e artesanato em algumas delas. Programa inesquecível, já que não temos esta tradição em Fortaleza. E eu ADORO!

Falando em gastronomia, uau! Amo os cafés e seus quitutes. Lá os cafés ou chás para dois fazem parte da cultura. Junto vem um banquete de tentações: pães, doces, chocolates quentes, sucos, croissants, salgadinhos diferentes dos nossos, ou seja, um programa e tanto. Além dos restaurantes que servem muito bem. O melhor é saber qual é o prato do dia, sempre mais em conta. Consta geralmente da entrada (sopa ou salada), do prato principal (a escolher), da sobremesa (pudim de leite com doce de leite ou salada de frutas), e para beber (vinho ou refrigerante). Detalhe: como são produtores do vinho Tannat, danado de bom, esse é sempre mais barato que o refrigerante. Algo mais a partilhar: os doces deles são bem menos doces que os nossos. Aliás, a nossa tradição de gostar de tudo muito doce se origina dos portugueses.

 

Quanto a viagens rápidas para outros sítios uruguaios, é tudo muito fácil, afinal o país é pequeno. Para conhecer Colônia del Sacramento (fotos acima), pode-se ir com ônibus turístico, saindo do hotel, ou ir por conta própria, sempre mais barato. Peguei um ônibus da Companhia Turil (existem outras) por 268 pesos e em três horas, cheguei lá. Passei por dois pedágios na estrada. Fui andando da rodoviária de Colônia ao centro histórico e aí, me deparei com uma cidade idílica. Também dá para chegar lá de Buenos Aires pelo “buquebus” (um catamarã), pois do outro lado do Rio da Prata, está a capital da Argentina. A cidade tem um ar bucólico, com casas em estilo português, muitas árvores, e um charme todo próprio. Como foi colonizada por portugueses, faz um sucesso enorme no Uruguai. Tem artesanato em branco e azul como em Portugal e museus sobre a sua colonização. Os restaurantes são acolhedores e muito bonitos. Eu diria que é uma mistura de Paraty (no estado do Rio) e Bruges (na Bélgica). Lugar obrigatório!

 

Também fui a Punta del Este novamente, desta vez, fui com ônibus turístico (fotos acima). Gostei, porque pude conhecer, finalmente, o balneário de Piriápolis (lindo!) e a famosa Casapueblo, toda branca e original, feita pelo artista Carlos Páez Vilaró. Lá está o museu e a venda das obras do artista. Imperdível!

Para concluir, falta dizer que fiquei surpresa ao ver que no Uruguai também se homenageia Iemanjá, no dia 2 de fevereiro, entregando flores ao mar. O país é laico de fato. Os feriados “religiosos” têm outros nomes. No aeroporto quem recebe o turista internacional são os agentes da Polícia Federal, diferente do Brasil, que são os terceirizados. E quem checa a nossa bagagem nas esteiras de raio-x são militares da Força Aérea uruguaia. Não preciso dizer que achei o máximo. Demonstra a seriedade do país que sabe que as fronteiras e aeroportos são fonte de risco à soberania nacional.       

Cartagena-Colômbia

 

Cartagena das Índias – Colômbia

Continuemos nossa viagem agora em março de 2017. De Bogotá pegamos o avião da Avianca e em uma hora chegamos a Cartagena das Índias. Do frio nos deparamos com um calorão. Lá tem o clima do Rio de Janeiro no calor: chega a 42˚ C. Estava 36˚ C, ainda bem que a brisa estava constante perto do mar.

Ficamos no bairro Bocagrande à beira mar. A av. San Martin onde ficamos oferece de tudo: lojas, shoppings, bons restaurantes, muitos turistas e movimento. Não posso deixar de mencionar algo que incomoda lá: a quantidade de ambulantes que propagandeiam seus produtos insistentemente. Vendem pulseiras, chapéus, artigos para turistas e muito mais. Mas não se deixem desiludir por isso, pois, no mais, é só diversão e beleza. Depois que adentramos a fortificação, ficamos tão deslumbrados com a beleza do centro histórico que não vemos hora de retornar.

No bairro Bocagrande, a dica é o restaurante Olla Cartagenera, Sabor Perú e a confeitaria La Dulceria. Come-se bem e barato. O arroz de coco com peixe é muito bom. Comer ceviche (peixe) com chica morada (bebida típica da Colômbia) vale demais. Usam muito o coco e o café. Gostam de fritura e óleo. Lá existe o hábito (mexicano) de comer abacate e beber Pisco Sour (a caipirinha chilena). Isso é globalização.

Falemos um pouco do que aprendi no passeio pela cidade. O guia mostrou sua cultura e seu conhecimento em história e geografia. Parabéns à Gema Tours por seu trabalho eficiente. Pedro de Heredia foi o fundador de Cartagena em 1533; o nome significa “cidade nova” em fenício; é o maior porto do Caribe; a segunda cidade do mundo com água ao redor: a primeira é Veneza na Itália e depois São Petersburgo na Rússia. Na cidade, há os ônibus coloridos, típicos do Caribe e também encontrados na Índia. Ingleses, franceses e holandeses, os piratas do Caribe, roubavam os espanhóis que saíam com ouro de Cartagena. Os indígenas, primeiros habitantes, cultivavam o hábito de usar muito ouro e esmeraldas sem se dar conta do valor. A cidade é composta de uma miscelânea de povos: indígenas, espanhóis, portugueses e africanos. Hoje há muitos chineses e italianos, donos de restaurantes. Futebol é o esporte nacional, mas o local é o baseball; a economia vive do turismo e petróleo. Cidades importantes do Caribe colombiano: Santa Marta, Barranquilla, além de Cartagena. Há na Colômbia duas florestas, o melhor café do mundo, plantações de banana e milho; em Medellín ouro, rosas e orquídeas, as melhores flores do mundo; duas grandes refinarias, uma em Cartagena. Acho bonito isso, eles publicam o que fazem de melhor.

Vamos agora ao máximo de Cartagena que é o centro histórico com 449 anos. São 11 km de fortificação com uma cidade antiga dentro. Mistura de Bahia com Paraty e Nova Orleans dos Estados Unidos. Lugar mais mágico e romântico impossível. Algo maravilhoso e indescritível. As ruas são estreitas, as casas têm balcões com buganvílias caindo, são coloridas e bem cuidadas. As casas, que não têm varandas, têm um piso, mais simples, mas igualmente lindas com grades de madeira. As portas chamam a atenção. São dois bairros existentes dentro da fortificação: San Diego e Santo Domingo. As casas coloniais são de madeira e as de concreto são republicanas. São 108 ruas com nomes históricos. Casas com janela grande pertenciam aos moradores ricos; com janelas médias, moradores de classe média e de janelas pequenas, moradores mais humildes.

Há gente que habita dentro da fortificação ainda hoje e muitas pousadas, hotéis, restaurantes, cafés, sorveterias, livraria, supermercados, praças com música e gente descansando na hora da sesta, por conta do calor intenso. Também há teatro com ópera e música clássica nos finais de semana. Há vendedores ambulantes nas calçadas, nas praças; as lojas são charmosas com tantas cores e produtos únicos. Amei! Fazer um passeio de charrete é muito romântico. Andar a pé, de bicicleta, tudo é bom. Entre 5 da tarde e 5 da manhã não é permitido andar de carro ou táxi dentro da muralha.

Falando em comida… Gostei do Crepes y Waffles, creperia e sorveteria transada, também existente em Bogotá; da mesma forma achei o restaurante San Valentín muito bem servido e barato; a salada mediterrânea e a maravilhosa limonada, típica de lá do restaurante e bar La Mantilla foi especial. Local caribenho repleto de frutas, lá se encontra graviola, tamarindo, abacaxi, limonada de coco e outras frutas tropicais. Nas ruas, há carrinhos com vendas de frutas que também fazem suco na hora. Bem original.

São vários os locais importantes para conhecer: o Claustro de San Diego, a Plaza (praça) de Santa Teresa, a Plaza Bolívar, o Museu Del Oro (ouro), o Palacio de la Inquisición, dentre outros. Esse palácio foi centro de inquisição a partir do ano de 1610. Triste dizer que funcionava de Lima – Peru a Cartagena e eram sentenciados à morte índios e negros. A praça Bolívar é em honra à Simon Bolívar, herói da independência da Colômbia em 1821.  Ele nasceu na Venezuela, mas viveu na Colômbia.

Da próxima vez ficaremos dentro do centro histórico, absolutamente fabuloso. O fim da tarde é curtido no Café Del Mar, local onde não se vende café, mas bebidas alcoólicas. Nunca vi tantos americanos na minha vida, amam Cartagena. Tornam o ambiente jovial, leve e feliz. Pôr do sol feito para fotos alegres.

Interessante dizer que a Prefeitura faz concurso todo ano para escolher os cinco balcões mais bonitos na cidade antiga. Quem ganhar, não paga o IPTU deles. Achei o máximo!

Há gente famosa que tem apartamento lá, como a cantora colombiana Shakira. O Gabriel Garcia Marquez, conhecido como Gabo, Prêmio Nobel de Literatura de 1982, viveu lá até a morte (nasceu em Santa Marta no Caribe Colombiano). A viúva e duas filhas continuam na casa.

Entre 1˚ e 6 de março ocorreu o Festival Internacional de Cine de Cartagena de Índias (FICCI) no Centro Histórico, evento tal que ocorre há 57 anos . Foram seis dias com uma programação intensa, mais de 130 filmes, entre concursos, premiações, homenagens e novos talentos distribuídos entre várias salas de exibição. Interessante que o troféu é a imagem da Índia Catalina, a dita Pocahontas colombiana, símbolo da cidade. Sua escultura de bronze está situada no Parque Lineal de Puerto Duro no Centro Histórico e foi feita pelo espanhol Eladio Gil.

Saindo da cidade fortificada, voltemos a outros pontos turísticos: a Baía de Cartagena é uma maravilha, circunda os bairros Bocagrande e Castillogrande. 20 anos atrás, casas coloniais espanholas, hoje, edifícios modernos. Mesmo assim, a brisa e o astral atraem a gente. Morar ali deve ser uma delícia.

Interessante mencionar que vi muita diferença social no país. Não é tão diferente do Brasil, a maravilha é se sentir mais seguro lá do que cá. Até Medellín é um convite a uma próxima visita.

Continuando com outros passeios feitos no city tour, vale a pena conhecer a Fortaleza San Felipe de Barajas, construído de cima para baixo. Teve início em 1657 e levou 19 a 20 anos para concluir. Ficamos impressionados com os engenheiros militares espanhóis e sua genialidade. O Monastério de La Popa, cujo pátio central é decorado por buganvílias e plantas diversas, é de 1606 e tem na capela a imagem de ouro de Nossa Senhora da Candelária. A proteção à Cartagena das Índias na época dos piratas era orquestrada pelo trio: o Monastério mencionado por descortinar o visual amplo da cidade; pela Fortaleza citada por fazer a defesa por terra e pela Cidade Fortificada que é atualmente o Centro Histórico. Também visitamos o Museu da Esmeralda. Nós brasileiros não compramos nada, mas gostei de ver tantas belezas.

Ufa! Tão pouco tempo no país e muito aprendemos. Eu amei! Sinceramente, será um prazer retornar para uma cidade peculiar como essa.  Para quem quer magia, cores, sabores e felicidade, aconselho ir com calma para curtir a vida. Viva a Colômbia!

 

Bariloche-Argentina

 

Bariloche, Patagônia Argentina

Imagine um lugar colossal, gigantesco, com montanhas flocadas de neve, lagos com águas limpas e verdes. Pois é, eis a Patagônia Argentina.

Vamos conhecer Bariloche, lugar querido dos brasileiros durante o ano todo. Era setembro de 2016. Chegamos lá vindos de Buenos Aires após duas horas de voo. O lanche no avião já agradou: alfajor pequeno e galletitas salgadas e doces. Do aeroporto pequeno e lotado, pegamos um remis, ou seja, um carro tipo Uber, simples e com motorista simpático.

 

O Carlos e eu ficamos no hotel Villa Huinid, localizado à Av. Bustillo. Muito bom, com uma infraestrutura de restaurantes, piscina térmica, dois hotéis e um cenário inigualável na frente: o lago Nahuel Huapi.

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Pousada na qual o Carlos ficou em Bariloche anteriormente-Pousada Wikter no centro-foto tirada por Mônica D. Furtado

O ambiente ao redor dos dois hotéis é belo, bem cuidado, pura natureza com árvores frondosas. O jantar chamado de cena buffet à noite é fenomenal. Melhor para quem tinha carro. Como não tínhamos, gastamos um dinheirinho com os remisses e táxis a fim de chegar aos lugares. Da próxima vez, ficaremos em alguma pousada perto do centro.

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Prato de truta com ervas e limão da Cantina La Rivera em Bariloche-foto tirada por Mônica D. Furtado

O forte da culinária da região é a truta: com ervas, ao queijo roquefort, com limão, alcaparra e tomate, enfim uma maravilha de peixe. Aconselho os restaurantes: Família Weiss, Brava e Cantina La Rivera. As lojas de chocolate são sensacionais e existem aos montes para todos os gostos e bolsos. As maiores são confeitaria, sorveteria e chocolateria: Mamuschka e Rapa Nui (essa ainda tem pista de patinação no gelo). Fantásticas! O chocolate não é doce como o nosso. Bom demais! As frutas típicas da Patagônia são as vermelhas: framboesa, morango e amora. E as tortas? A Selva Negra, feita de chocolate, mousse de chocolate e cereja, além da de maçã. Um arraso!  Lembra muito Gramado pela natureza, lojas de chocolate, roupas de tricô e artesanato. E os brasileiros amam. O centro da cidade é uma festa constante pela quantidade de turistas. Uma dica de café que gostei é o Morfy´s Café.

Há muita ligação de Bariloche com Puerto Montt e Puerto Varas na Patagônia chilena. Atualmente os argentinos estão viajando para compras no outro país, devido à inflação crescente. De Bariloche para Puerto Varas são 5 horas de ônibus.

Vale conhecer o Museu Patagônico Francisco P. Moreno no centro. Existe desde 1940 e embora seja pequeno, tem muito conteúdo sobre a luta dos índios com os espanhóis.

 

Visitar a Ilha Vitória e o Bosque de Arrayanes é um evento e tanto. Fomos pela companhia Turisur, de ônibus primeiro e depois pegamos o barco Modesta Victoria para descermos no Puerto Anchorena. No bosque há árvores cor de canela clara, ditas arrayanes, de 650 anos e 15 m. de altura e também sequoias. Trata-se de um local único no mundo.

 

O Parque Nacional de Arrayanes foi criado em 1951 e pertence à Província de Neuquém. O passeio é lindo com o lago de águas transparentes e montanhas nevadas ao fundo. No barco as guias falam espanhol, inglês e português. É o turismo levado a sério.

O esqui é praticado em Bariloche desde a fundação pelos alemães. Foi por este esporte que a cidade se desenvolveu. O primeiro centro de esqui foi o Cerro Otto (1.454 m). Ainda muito visitado pelo seu restaurante giratório, confeitaria e galeria de arte, além de discoteca. Interessante dizer que a Fundação Sara Maria Furman controla este cerro. O total dos ganhos é dividido por dois hospitais da cidade.

 

Estivemos lá no final do inverno, logo ainda havia neve no Cerro Otto e no Cerro Catedral e muitos esquiadores. Estar em uma estação de esqui é de se beliscar para acreditar.

No passado, o governo argentino contratou um europeu para definir o melhor centro de esqui. Ele escolheu uma montanha mais alta que o Cerro Otto, ou seja, o Cerro Catedral. Então, desde 1936 começou a expansão da região Catedral e de Bariloche. Trata-se do maior centro de esqui da América do Sul, com 600 hectares e inúmeros hotéis com cinco mil camas.    Para subir a montanha de 2.388 m, pode-se usar o teleférico, o bonde fechado ou as cadeirinhas. Na base há lojas, restaurantes e hospital; no centro há 400 pessoas trabalhando. Os patrulheiros são os esquiadores salvadores. Para entrar no Parque Nacional, pagamos 355 pesos. Fiquei encantada em conhecer o Cerro Catedral. Ver os esquiadores com suas roupas coloridas fazendo acrobacias trouxe à mente a ideia de liberdade. Conversamos um bocado com gente legal. O centro fecha às 16.30 hs e em 30 de setembro acaba o período de esqui. Para descer do Cerro, usam-se as cadeirinhas para duas pessoas ou seis pessoas. O chocolate quente tomado naquela altura foi inesquecível.

Vamos a algumas informações: a telefonia na Argentina é muito boa e barata. Sou apaixonada pelos locutórios, pequenas lojas com venda de sanduíches, refrigerantes, sucos, balas, chocolates e cabines telefônicas. Práticas demais. As estradas são perfeitas, sem buracos. Sinceramente, temos vergonha das nossas. A inflação está alta, ainda levará um tempo para a economia argentina entrar nos trilhos. Do ano passado para este, sentimos muita diferença no câmbio. O país era barato para nós, não está mais.

 

De Bariloche, pegamos o ônibus no terminal e fomos conhecer Villa Angostura. Uma cidade com centro plano e repleto de lojas esotéricas, de chocolate, vinhos, restaurantes, confeitarias, enfim, uma gracinha. Toda construída na madeira da região – o pinho Paraná de cor clara. Parece um pouco com El Calafate no sul da Patagônia Argentina.

 

Outro passeio válido foi a El Bolsón. Fomos de ônibus novamente, saindo do mesmo terminal. Nesta cidade pitoresca há uma feira famosa de artesanato, do tipo hippie e esotérica ás terças, quintas e sábados. Muito interessante ver pessoas tão originais. O almoço na feira foi de empanadas, calzones e sucos de framboesa e a sobremesa de waffle de framboesa com creme chantilly. Os brasileiros ficam em Bariloche, não costumam viajar para essas cidades.

Vale a pena mencionar que no passado houve um acidente de carro em Bariloche no qual morreram cinco jovens, por conta do álcool. Logo, o município estipulou uma data que é de 11 a 12 de setembro em que não se pode beber álcool, das 8 da manhã às 20 hs da noite. Se não respeitar, paga multa.

Muito se aprende quando viajamos. Visitar o país dos hermanos é sempre um prazer. Êta lugar com paisagens belas e grandiosas. Da próxima vez? Para o norte lá vamos nós. Ainda dou a dica: Salta la Linda, Tucumán e Jujuy. Muito bem faladas e totalmente diferentes do frio patagônico.  Vamos conhecer a origem da Argentina. País tão apaixonante…

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Nós no Cerro Catedral-Bariloche-foto tirada pela nossa guia

Bogotá

Bogotá D.C. (Distrito Capital) – Colômbia

Maravilha termos um voo direto Fortaleza-Bogotá: 5 h. e 20 min. Parabéns à Avianca pelo serviço. Gostei da gentileza da tripulação e do jantar: frango, creme de cenoura, arroz à grega e uma sobremesa deliciosa de chocolate e coco.  Chegamos no horário, mas aí o pobre do piloto ficou taxiando pelo estacionamento de aeronaves até ser liberado para parar. Essa brincadeira durou uma hora! Significa que o aeroporto não tem um plano B ou C ou D. Quando finalmente chegamos ao hotel, estávamos exaustos. Depois descobrimos que o aeroporto é novo e ainda está em reformas. Por curiosidade, o fuso horário é de duas horas antes do nosso.

Sempre aconselho viajar com um pouco da moeda local para casos de eventualidades ou transportes saindo do aeroporto. Aqui em Fortaleza, encontramos o peso colombiano.

Comecemos a viagem: Bogotá, localizada em um platô da Cordilheira Oriental dos Andes, foi fundada em 1538 por Gonzalo Jiménez de Quesada e nomeada “Santa Fé de Bogotá”. De início, já fiquei encantada com a cidade. Limpa, com prédios baixos de tijolos de todo tipo, o que é típico, sem pichações, com muito verde e agradável de viver. O clima é sempre frio, pois a altitude é de 2630 m. acima do nível do mar. Não posso deixar de propagandear o hotel: Egina no bairro Santa Bárbara, lugar residencial com um shopping center: Unicentro bem ao lado. Aliás, lá se chama centro comercial.

Como eram poucos dias, a escolha nos dias chuvosos ficou para museus situados no centro. Imperdíveis, por sinal. Menciono o Museu do Ouro, único do mundo. Possui 34 mil peças de ouro, pertencentes às culturas indígenas Calima, Quimbaya, Muísca, Tairona, Sinú, dentre outras. Outro museu original é o Botero. A coleção de arte foi doada pelo mestre colombiano Fernando Botero. São 123 trabalhos de sua autoria e 85 de autores internacionais. O terceiro visitado foi o Museu Arqueológico “Casa del Marqués de San Jorge”. Exibe a maior mostra de cerâmica pré-colombiana de diferentes zonas arqueológicas da Colômbia. Em suma, são passeios fascinantes e aprendemos muito sobre o nosso país vizinho e irmão.

Esses museus estão localizados no centro, como já disse. Nessa região da cidade, encontramos a Praça Bolívar, sede das instituições mais representativas da nação e da cidade. Ao seu redor está localizado o Capitólio Nacional, a Prefeitura de Bogotá, a residência do Presidente da República, dentre outros. No mesmo centro, encontra-se o bairro da Candelária, conhecido como centro histórico, porque foi onde foram construídas as doze primeiras casas (choças) da capital, edificações que nos remetem ao período colonial. Tenho que dizer que da próxima vez ficarei no centro histórico. As diversas casas coloniais com balcões floridos são simplesmente repletas de charme. Lá está a história do país com museus variados e muito movimento.

Gostaria de falar um pouco sobre o povo. Como são queridos e gentis. Não tenho palavras. Dizem: “muito amável”, “seja bem vinda” o tempo todo. Ajudam com paciência e estão sempre prontos para sorrir de volta. Amei a recepção.

As lojas de artesanato pelo centro e lugares turísticos são coloridas, visualmente bem atraentes. São bolsas típicas, artigos de couro, produtos de café, chá de coca, pomada de coca e maconha para dor e quinquilharias lindas. Eles sabem oferecer seus produtos. Dizem ter o melhor café do mundo e mostram infinitas produções de café: balas de chocolate e café, cafés de todos os tipos, canecas de café etc. Amei.

No terceiro dia, a escolha de passeio foi o Cerro Monserrate (montanha) onde está situado o Santuário do Senhor de Monserrate.  Para subir os 3200m, fomos de funicular com a presença de um policial. O teleférico não estava funcionando.  A subida é emocionante e no fim do percurso o funicular passa por dentro de uma rocha. Mais empolgante do que a do bonde que leva ao Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Lá em cima o lugar é verdejante e temos o visual amplo da cidade. O Altar Maior exibe a imagem do Senhor Caído de Monserrate, escultura do século XVII feita por Pedro de Lugo y Albarracín. As estações da Via-Crúcis com quatorze estátuas de bronze, manufaturadas e trazidas da Itália no ano de 1920, foram uma iniciativa do Monsenhor Gregorio Nacianceno Ocampo, mostrando o martírio de Cristo ao longo de 200 m. Lembrei-me do Santuário de Bom Jesus do Monte em Braga, Portugal. A imagem venerada no santuário é a da Virgem Morena de Montserrat, a cópia exata da que se encontra no Monastério de Montserrat na Catalunha, na Espanha e foi trazida no ano de 1994. O almoço no restaurante Casa San Isidro foi fenomenal. Lá na Colômbia tem um refrigerante que amo: ginger ale (com gengibre). Pena não encontrar por aqui.   A única dificuldade foi ter feito muito esforço no cerro, pois são muitas escadas e tive como consequência um pouco de dor de cabeça e enjoo. A altitude é uma realidade. Nem o chá de coca ajudou muito. Gostei do gosto, por sinal. Dizem ser bom para a digestão e minimiza os efeitos da altura.

Um local que não deu tempo para ir e quem foi elogiou muito foi a Catedral de Sal em Zipaquirá a 200m abaixo da superfície. Fica para outra. Outros turistas disseram ser uma das Maravilhas da Humanidade.

Em suma, Bogotá vale a pena conhecer e passar pelo menos uns quatro dias para muitos passeios e diversão. Meu próximo artigo será sobre a continuação da minha viagem: Cartagena das Índias, lugar mágico. Viva a Colômbia colorida e amável!