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Foz do Iguaçu – Chegada e Duty Free Shop Iguazú na Argentina

Foz do Iguaçu – Chegada e Duty Free Shop Iguazú na Argentina

Hoje é sábado, dia 7 de março de 2020, e o destino é a linda Foz do Iguaçu. Compramos o pacote na CVC do shopping Del Paseo com o nosso agente Dennis. A viagem foi puxada por ser de madrugada: Fortaleza-São Paulo-Foz pela LATAM. Ainda bem que deu tudo certo. Nem sonhávamos com a pandemia que chegaria em breve.

Do avião, vê-se Foz toda verde, um verde vivo, bonito. Muitas árvores a refrescar a cidade. O ônibus da CVC nos espera. O aeroporto é pequeno e organizado, estava em reforma. Recebemos a programação do funcionário (da Natural Travel) logo na chegada. Este pacote é considerado um dos melhores da companhia. Lembrando que Foz é querida dos estrangeiros, vemos de montão. O guia da chegada foi o Jair Machado, bem solícito, explicou as opções de passeios. Não falta o que fazer e em poucos dias não dá para participar de tudo. Não fizemos o passeio panorâmico que mostra o Marco das Três Fronteiras, o Templo Budista e a Mesquita Islâmica; não fomos ao Complexo Dreamland (filial do de Gramado), ao jantar com show latino e ao Paraguai. A respeito do Complexo Dreamland, compreende o Museu de Cera, o Vale dos Dinossauros, as Maravilhas do Mundo, o Ice Bar e mais muitas atrações: são 22. Foz do Iguaçu é lugar para retornar com saudades. Detalhe: pessoas com mais de 60 anos têm desconto nos parques no Brasil; para professor, tem que mostrar o contracheque (essa eu perdi, porque mesmo eu levaria o meu, né?).

O hotel Mirante, localizado no centro, é longe do aeroporto. O endereço é av. República Argentina, 672. A cidade é espalhada, tem avenidas largas, com uma parte plana e uma mais alta, limpa que dá gosto. Já cheguei com uma boa impressão. As calçadas são largas e boas para caminhar. Detalhe: são homogêneas e cuidadas com zelo. Quanto ao clima: de dia 34°C e à noite 24°C. 

O hotel é bem situado, perto de churrascarias, supermercado, cafeteria e confeitaria. Indico o café/restaurante/confeitaria Doce Pão na rua Tarobá, 992. As maravilhas de doces são tentadoras e o almoço simples e gostoso.

Que cidade mais apropriada para o turismo! A infraestrutura funciona bem com transporte, guias, agências etc. Elogiável.

Descobrimos o supermercado Muffato (fundador: José Carlos Muffato). Enorme, uma mistura de hipermercado Extra e Casas Freitas, fabuloso. A comida caseira no quilo valeu. Os preços são mais em conta do que em Fortaleza.

Como chegamos exaustos da noite mal dormida, decidimos somente sair às 18 h para o Duty Free Shop Iguazú argentino (Ruta Nacional, 12, km 1645, Paso de Frontera, Puerto Iguazú). São 16 km de distância. O ônibus até o local é gratuito para os turistas. O lugar parece uma grande loja de departamentos, fica do lado direito, antes da alfândega do país vizinho. A fronteira entre a Argentina e o Brasil é uma ponte sobre o rio Paraná: verde e amarelo: Brasil; e azul e branco: Argentina.

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Eu com a placa do Duty Free Shop em Puerto Iguazú-Argentina-foto tirada por Carlos Alencar

O Duty Free tem 10 mil m. de espaço e lá se compram chocolates, vinhos, uísques, perfumes, chás da Turquia, enfim, produtos importados. A seção de objetos decorativos da França e Inglaterra é linda. Cheio de gente e muito alegre o ambiente. Cada setor é bonito de se ver, o shopping é organizado por categorias e é uma das principais atrações turísticas de Foz. Recebemos um adesivo, colocamos todas as bolsas que levamos em uma sacola do Duty Free lacrado. Na saída se abre essa sacola no caixa. O passeio de compras dura duas horas. Meio corrido, mas ainda temos tempo de pedir umas empanadas argentinas no Restobar.  Lembrando que o limite de gasto é de US$300 (trezentos dólares). Fiquei muito longe disso, comprei chocolates e chás de limão e de maçã turcos para relembrar a bela Turquia.

Dia bem produtivo. Seguiremos com as Cataratas do Iguaçu em breve.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Praia das Fontes – Ceará -Brasil

Praia das Fontes – Ceará – Brasil

De volta ao passado… No dia 07 de junho de 2019 o Carlos e eu decidimos passar um final de semana no litoral leste do estado. Pegamos a CE-040 duplicada em frente ao parque do Cocó em Fortaleza-Ceará e seguimos até Fortim (uns 130 km) na localidade de Jardim de Baixo. Por indicação, fomos conhecer a pousada/restaurante do Raimundinho. Queríamos ficar na localidade, porém não era à beira-mar e sim, à margem do rio Jaguaribe. O lugar é bucólico e promissor de muita beleza e paz.

Nosso desejo era praia. Então, o jeito foi voltar pela CE-040 rumo a Fortaleza e entrar no município de Beberibe. Uma gracinha de cidade com bloquetes de cimento nas ruas. De lá, pegamos o caminho em direção à Praia das Fontes (ao lado da Praia do Morro Branco). Como o nome já vislumbra, a praia é conhecida por ter fontes pela praia. Infelizmente, percebemos que o mar estava destruindo as falésias e construções. Não respeitam a mãe natureza e ela reclama. A diferença de uns 15 anos atrás é gritante.

Ficamos no Hotel das Falésias à beira-mar com restaurante, piscina e decorado com motivos marítimos. Sempre foi um ícone. Só me espantei de cobrarem R$10,00 (dez reais) pelo aluguel de uma rede, um símbolo tão cearense, tomara que tenham mudado isso.  Detalhe: fiquei sem a rede só de mal…

Tomar vinho branco com fondue de queijo na varanda do quarto, regados pela brisa do mar à noite foi muito bom. Gostei da nossa ideia. O café da manhã com tapioca, queijo e presunto, dois tipos de bolo, frutas, café e leite é sempre um deleite.

O banho de mar com a água quente e a maré baixa foi refrescante. À tardinha a caminhada pelo lado direito saindo da escada do hotel. A geografia da praia é única.

Andamos por “crateras da lua”, vimos olhos d´água e grutas com água pura dentro, além de falésias coloridas que, aliás, achei parecidas com as montanhas de Salta no norte da Argentina, porém menores. Geografia de praia interessante essa.

No restaurante do hotel pedimos frango cubano com banana e abacaxi, e arroz a grega. Bem servido e os funcionários muito queridos. No hotel éramos os únicos hóspedes, mas durante o dia alunos de uma escola particular de Fortaleza estavam se divertindo. À noite, silêncio total, som do mar e dos grilos a nos encantar com a maravilha da natureza.

O hotel tem um mirante na falésia que dá para o mar, olhando de cima, um espetáculo. Durante o dia, muito calor: 30° C. O banho de mar estava agitado no domingo de manhã, logo tomamos banho de fonte na praia.

Antes de ir embora fomos conhecer outro hotel que nos chamou a atenção: Bouganville Hotel, todo amarelo com chalés/quartos, um paraíso convidativo, com certeza. Uma lindeza.

Vale a pena um final de semana assim. Penso como estarão algumas das nossas praias cearenses no futuro com o mar atingindo a costa com tal poder de destruição. É de se preocupar. Enfim, retornamos descansados. A proximidade com um mar tão limpo e quente é qualidade de vida. Considero um luxo termos esta possibilidade no Ceará.

Jangadas na praia
Jangadas na Praia das Fontes-Beberibe-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado

 

Turquia – Çanakkale no Estreito de Dardanelos

Turquia – Çanakkale no Estreito de Dardanelos

Hoje é dia 25 de outubro de 2019 e saímos de Troia rumo a Çanakkale (o “Ça” se diz  “tcha”). Chegamos ao hotel Parion somente para jantar e dormir. Aliás, muito bom o hotel com uma refeição noturna de respeito e repleto de turistas da Malásia. Notei ser comum nos hotéis a falta de barra de segurança nos banheiros.

No dia 26 de outubro de 2019 no nosso último dia de excursão, acordamos às 5 h da manhã, pois a saída para pegar o ferryboat do lado asiático e atravessar o mar de Mármara pelo Estreito de Dardanelos em direção à Europa estava marcado para as 7h. Istambul, estamos voltando… Impressionante a fila de ônibus. No transporte o jeito foi encarar o banheiro a la turca (sem vaso sanitário, uma trabalheira!). Acho bem intrigante Çanakkale ser na Ásia e o distrito de Çanakkale na Europa.

O Estreito de Dardanelos tem 64 km de comprimento e 6 km de largura. Impossível estar em um local tão conhecido da história e não falar na I Guerra Mundial. Segundo o livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS, o Estreito de Dardanelos corresponde à antiga Helesponto, que Xerxes fez transpor com suas tropas uma ponte de barcos antes de se confrontarem com Leônidas no desfiladeiro das Termópilas na Grécia (em 480 a. C.). Foi onde aconteceu também o “Inferno de Dardanelos” durante a I Guerra Mundial. Os turcos minaram o fundo do estreito, afundaram os barcos e mataram milhares de soldados aliados. Os que não morriam afogados guerreavam em terra. O lugar se tornou um mar de sangue. A cor vermelha da bandeira da Turquia representa o sangue derramado.

O site itinerariodeviagem.com acrescenta que 500 mil soldados turcos e Aliados (Austrália, Grã-Bretanha, França, Índia e Nova Zelândia) morreram no período 1915-1916. O site brasilescola.uol.com.br nos conta que a Batalha de Dardanelos, também conhecida como Campanha de Galípoli, teve como palco a península de Galípoli. Foi uma das campanhas mais custosas e trágicas da guerra. Do lado aliado, Winston Churchill, então Primeiro Lorde do Almirantado inglês; a resistência a essa invasão foi articulada pelos estrategistas Otto Liman von Sanders, da Alemanha, e Mustafá Kemal, do Império Turco-Otomano. A vitória foi dos últimos citados. O nosso guia nos diz que o navio dos turcos se chamava Agamenon e dos franceses, Aquiles, heróis da guerra de Troia.

Voltando ao ferryboat. Chegamos e seguimos viagem dentro do ônibus. São 312 km até Istambul. A primeira cidade na Turquia europeia é Eceabat. Lá se encontra o Memorial Mehmetcik que homenageia os filhos mortos da Turquia (Mehmetcik) e os aliados (Johnnies). O monumento se situa no distrito de Çanakkale no Parque Nacional de Galípoli histórico. No nosso percurso passamos por um cemitério da I Guerra Mundial em homenagem aos mortos.

Nosso percurso na Turquia foi de 2400 km. No fim da viagem passam um questionário de satisfação da Deluks Turizm ou Fineway Travel, ligados à agência Abreu. Gostei. Digno de nota mencionar que nos aproximamos bastante da Grécia em Kesan, são somente 20 km da  fronteira.

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Almoço no restaurante Rotana Istanbul-foto tirada por Mônica D. Furtado

A entrada em Istambul foi caótica, com engarrafamento por quilômetros. Depois a entrada no hotel foi demorada demais. No fim, procuramos um restaurante, estávamos exaustos e esfomeados. Era 15h20. Perto do Hilton encontramos o Rotana Istanbul (em Cumhuriyet Caddesi Harbiye Mahallesi, 52/D), aconselho. O frango ao molho de limão, arroz e batata frita estava delicioso, logo valeu, com pouco sal e muito pimentão. O turco gosta de pimenta em pó por fora. Havia gente fumando narguilé, nada mais característico do país.

O receptivo da Abreu para nos levar ao aeroporto de madrugada no outro dia foi perfeito. O aeroporto de Istambul é absolutamente enorme, fantástico e com um shopping divino. Em cada canto uma casa de câmbio e um quiosque de comida e muito controle de malas.

Enfim, o último artigo sobre a Turquia. Êta país para render tanto. Apesar de finalizar uma excursão dessas com dor nas costas, pernas e joelhos inchados, digo que VALEU demais. Que país mais maravilhoso, receptivo e caloroso. Amei! Saudações a todos da excursão e também ao nosso guia Ali e motorista Dogan.

Turquia – Troia

Turquia – Troia

Hoje é dia 25 de outubro de 2019 e de Pérgamo seguimos viagem de ônibus até Troia (uma hora aproximadamente). Mas antes almoçamos em Bergama (Pérgamo em turco) em um restaurante de festas para grandes grupos com comida em quantidade. Uma hora e meia depois fizemos uma parada técnica para banheiros e lanches no Özgün Molan. Lá estava o indefectível suco de romã (bom para o coração, dizem), além de café turco. Comprei enfim um picolé de iogurte e amora delicioso e um perfume de limão tradicional.

Estamos ao longo do mar Egeu com sol e calor. Vamos subindo a serra ainda repleta de florestas, estamos no monte Ida onde viveu um dos protagonistas da Guerra de Troia: Páris, de acordo com a mitologia grega.

A porta de entrada para a cidade de Troia é Çanakkale no Estreito de Dardanelos. A cidade antiga tem 3000 anos e em 1998 se tornou Patrimônio Mundial da UNESCO, conforme a Wikipédia.

Pela dificuldade de relacionamento da Turquia com a Grécia desde a Primeira Guerra Mundial, o nosso guia Ali diz não ter lição da guerra em escolas no país. Quem escreveu sobre a guerra de Troia foi o poeta Homero em VII, VIII a. C. em sua obra épica Ilíada, mas somente sobre o último mês da guerra, que durou 10 anos, pelo motivo de não saber como havia sido. Lembrando que Esparta se situa na Grécia do outro lado do mar Egeu e Troia na Turquia. Pelo visto, as relações difíceis são bem antigas…

No site superabril.com.br, sabe-se que no poema Ilíada, escrito provavelmente em VIII a. C., Homero narrou uma grande guerra entre gregos e troianos, em um ponto estratégico que separa o Mediterrâneo do mar Negro.

Nosso guia Ali esclarece que a estratégia de guerra foi genial, já que Troia era circundada por muralhas, então dão de presente um cavalo de madeira enorme. De lá à noite saem os soldados que matam todos e queimam a cidade. Por isso se diz na Turquia: “Nem grego nem presente de grego”.

A Wikipédia nos conta que segundo a mitologia grega houve um casamento forçado entre os deuses no Olimpo: Peleu e Tétis (futuros pais de Aquiles), porém a deusa da discórdia Éris não foi convidada. Era filha dos deuses Zeus e Hera, contudo fora desprezada pela mãe por não ter beleza. Mandou um presente de uma maçã de ouro onde escreveu “a mais linda do mundo”. A inteligente Atena, a mulher de Zeus Hera e a deusa da beleza Afrodite estavam na disputa. O rei de Troia Príamo foi escolhido por Zeus para resolver a contenda, mas por estar velho, passou a responsabilidade ao seu filho Páris. Ele decide por Afrodite que havia prometido dar-lhe Helena, a mulher mais bonita do mundo. Páris, já comentado anteriormente, era um cuidador de ovelhas e príncipe. Está selada a discórdia, assim ele atraiu a ira de Hera e Atena e condenou sua cidade Troia.

Na lenda ou história real, Páris conhece Helena (esposa de Menelau, rei lendário da Lacedemônia em Esparta) e ambos se apaixonam, ele a rapta e a leva para Troia. Eis o motivo da guerra. Os espartanos que chegam escondidos no cavalo guerreiam com Troia. Os heróis são Aquiles, Agamenon e Heitor. Páris lança uma flecha no calcanhar de Aquiles e o mata, porque ali era o ponto fraco dele, ele fora batizado pelo calcanhar. Lembrando que ele era semideus, quase imortal, não fosse seu calcanhar, era um guerreiro grego lendário o qual comandava seu próprio exército, considerado o mais belo, forte e corajoso. No cinema este personagem foi encenado por Brad Pitt. O filme Troia de 2004 também tem Eric Bana como Heitor, Orlando Bloom como Páris e Diane Kruger como Helena.

Na sinopse do filme, acrescentam que o irmão do rei de Esparta (Menelau, da Grécia), o rei Agamenon já havia derrotado todos os exércitos na Grécia, logo encontra o pretexto que faltava para declarar guerra à Troia (Turquia), o único reino que o impede de controlar o mar Egeu. Estamos em 1193 a. C.. A Wikipédia adiciona que a esperança do rei Príamo de Troia em vencer a guerra está nas mãos de seus filhos Heitor, que é um grande guerreiro e comanda o exército, e de Páris, o mais jovem. Da mesma forma contam com a forma estratégica como a cidade-estado foi construída, tendo suas muralhas quase intransponíveis para os adversários.

Falando na histórica Troya (em turco), o livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS nos conta que suas origens remontam à Idade do Bronze. A cidade ficava na colina de Hissarlik  e parecia uma imensa cebola, que era preciso desfolhar camada por camada. Cada era uma Troya diferente, com sucessivas civilizações, povos e cidades. Depois de averiguações sucessivas por Carl W. Blegen ficou confirmada a existência de nove níveis de urbanização de Troya. A cidade foi descoberta pelo alemão Heinrich Schliemann, motivado desde a infância pelas histórias de Homero. Ele foi caixeiro, náufrago, comerciante, aprendeu 14 idiomas e graças ao seu trabalho e sorte tornou-se muito rico e pode seguir seu sonho. Em 1868 iniciou sua busca e em 1871 encontrou a cidade, que infelizmente, por sua inexperiência em arqueologia, destruiu muitos vestígios. O sítio é coberto por escombros e restos de muralhas. No local foi construída uma réplica do que teria sido o cavalo de madeira que o astuto Ulisses, rei de Ítaca (na Grécia), mandara construir como esconderijo para seus soldados. Bom enfatizar que os reis de Esparta se uniram para guerrear Troia.

O cavalo do mito grego tinha em torno de 4 m de altura e 7 m de comprimento. Dentro dele cabiam sete soldados. Está localizado no sítio arqueológico de Troia em Çanakkale, na planície dos Dardanelos na costa noroeste da Turquia (Wikipédia).

Nosso guia Ali nos reporta que a riqueza descoberta em Troia está no museu Hermitage em St. Petersburgo na Rússia e em Atenas na Grécia, dizem que Heinrich “roubou” tudo. Só pelos idos de 1870 e 1880 foi que os turcos souberam o que era arqueologia. No passado o Império Otomano não conservava o que tinha. Que pena! Quanta riqueza! Em 1910 fizeram uma lei proibindo remover objetos (arqueológicos, históricos) do país e em 1999 saiu a lei em que obriga a devolução.

Andar pela passarela de madeira no sítio arqueológico é uma aula de história preciosa. Vemos os vestígios da cidade pequena, todavia importante, e das muralhas, tudo bem conservado. As placas explicativas em inglês ajudam muito. Havia templo e teatro para pequenos concertos, vemos as flechas da época no pequeno museu, além da réplica do cavalo de madeira, por sinal usado no filme Troia do diretor Wolfgang Peterson. Ter visto esquilos no local foi um prazer. Fiquei fascinada, vale a pena. Pensem em uma cidade que foi destruída nove vezes e reconstruída também nove vezes.

O site superabril.com.br nos conta que até o séc. XIX se achava que a cidade era ficção. Troia I, II e III, IV e V parecem ter abrigado prósperos comerciantes que se aproveitavam da ótima localização (de 2900 a. C. a 1870 a. C.). Troia VI, de 1870 a. C. a 1600 a. C., teria sido destruída por um terremoto. Troia VII, de 1250 a. C. a 1020 a. C., aparenta ser a da Ilíada, pois foram achados sinais de conflitos militares. Nas escavações encontraram rastros que batem com a suposta guerra com os gregos que teriam queimado a cidade após invadi-la. Construções com marcas de incêndio e ossadas humanas com pistas de morte violenta e vestígios de flechas estavam lá. Troia VIII, de 700 a. C. a 400 a. C., foi reocupada por colonos gregos, e Troia IX, de 85 a. C. a 400 d. C., era uma cidade romana cujos habitantes já vendiam suvenires do cavalo de Troia.

Nossa continuação será no Estreito de Dardanelos em Çanakkale. Enfim, nosso último artigo sobre a fenomenal e histórica Turquia.

 

 

Turquia – Pérgamo e Esculápio

Turquia – Pérgamo e centro de medicina Esculápio

Hoje é dia 25 de outubro de 2019. Saímos de Izmir de ônibus e fomos a Pérgamo, cidade rival de Éfeso no plano comercial e de Alexandria e Antioquia, no plano cultural, segundo o livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS. A Wikipédia nos conta que fica a 26 km da costa do mar Egeu em um promontório no lado norte do rio Caicos e a noroeste da moderna cidade de Bergama (Pérgamo). Era a antiga cidade grega rica e poderosa na Eólia. Desde 2014 é inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO.

O mesmo livro adiciona que lá foi inventado o pergaminho a partir do couro de carneiro, quando o Egito lhes interditou a venda do papiro. A história menciona Pérgamo desde o séc. IV a. C., mas existem achados arqueológicos que datam da Idade da Pedra. A biblioteca da cidade continha cerca de 200 mil rolos de pergaminho, que Marco Aurélio, apaixonado, presenteou à Cleópatra. Esses pergaminhos se perderam no grande incêndio da Biblioteca de Alexandria.

O nosso guia Ali esclarece que os homens de ciência em Pérgamo começam a escrever sobre pele de animais, eis o pergaminho e depois veio o papel. Primeiro se escreve com maiúsculas nos mosteiros e para pequenas escritas com as letras minúsculas. Interessante que o imperador Constantino pediu 50 bíblias sobre o pergaminho.

A cidade é ancestral. Era a Pergamon helenística de 2, 3 a. C. Fez parte do império macedônico de Alexandre Magno em 1 d. C. Com a morte dele, os generais ficaram com a direção da terra.

Uma lindeza a igreja de Pérgamo (Bergama em turco), uma das sete igrejas do Apocalipse. A Wikipédia nos informa que eram sete as igrejas primitivas do cristianismo: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sárdis, Filadélfia, e Laodiceia. São as Sete Congregações da Revelação, também conhecidas como as Sete Congregações da Ásia Menor, as congregações das cidades mais importantes da região do início do cristianismo mencionadas no livro do Apocalipse no Novo Testamento. Atualmente todas as ruínas destas antigas cidades se encontram na Turquia.

O blog old.aproximaviagem.pt nos descreve que os monumentos arquiteturais mais importantes do distrito onde foi inventado o pergaminho encontram-se na Acrópole. No local está situada a biblioteca, famosa pelos seus 200 mil manuscritos; os templos Atena e Trajano; o teatro mais vertical do mundo e a base do altar de Zeus, classificado entre as maravilhas artísticas do mundo. Digno de nota mencionar que as acrópoles gregas sempre se situam em uma montanha, isto é, na parte mais alta do terreno.

Visitamos o primeiro santuário da medicina mental chamado Esculápio. Na mitologia grega e romana, o deus da medicina e da cura. Trata-se de um complexo constituído por biblioteca, anfiteatro e escolas de medicina. Os vestígios gregos do centro do deus Esculapium encontrados são dos séc. 4 a. C. até 4 d. C. O cristianismo chega à região e fecha o culto a ele, mas não o centro de medicina. A Wikipédia relata que Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, se formou no santuário de Esculápio em Cós (ilha grega do Dodecaneso, a 4 km da costa de Bodrum na Turquia). Foi um dos deuses pagãos de maior sobrevida no cristianismo, em virtude de sua fama de bondade e compaixão.

De acordo com a Wikipédia, as versões mais correntes apontam Esculápio como filho do deus Apolo e da mortal Corônis. Teve dois filhos: Podalírio e Macaão. Seus templos e santuários atuavam como hospitais em uma vasta região da Europa, norte da África e Oriente Próximo. Foi um dos primeiros deuses gregos a serem assimilados pelos romanos.

O médico Galeno ali exerceu sua atividade até a morte e 210 d. C., foi o fundador da ciência farmacêutica. A Wikipédia adiciona que era o médico mais famoso do antigo Império Romano e era médico pessoal do imperador Marco Aurélio e trabalhou no local por muitos anos.

Diz-se em turco Asklepion; na mitologia romana: Esculápio. O livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS acrescenta que não admitiam velhos nem mulheres grávidas no centro. Foi o primeiro hospital psicoterápico que se tem notícias na História. O tratamento consistia em leituras, meditações, exercícios físicos, teatralizações, orações, jejuns, além de aplicações de unguentos e do emprego de ervas medicinais.

A Wikipédia nos informa que a cura era um processo que envolvia a transformação do corpo e do espírito. Instruções eram dadas em sonhos dos enfermos e era pré-requisito para a cura. O sonho era então relatado aos sacerdotes que interpretavam ou complementavam as instruções.  Houve relatos em que o deus Esculápio aparecia em sonhos contrariando a falta de fé do paciente.

Na localidade impressionante, andamos pela Via Tecta ou Caminho Sagrado que era uma rua colunada que leva ao santuário, era coberta no passado remoto e se vê escrito: “O Morto não entre neste lugar”. Os doentes chegavam de cavalo ou burro. Os “doutores” curavam problemas mentais, psicológicos. Havia o templo de Esculápio com uma biblioteca rica em livros de medicina, e teatro para enfermos com 3, 4 mil lugares. Diz uma lenda que a origem do antídoto foi descoberta no centro. Uma pessoa quase morta bebeu o antídoto das cobras, feita do vômito delas, se curou, logo a partir daí foram estudar e descobriram o antídoto.

Vimos colunas jônicas com sulcos profundos. Que sítio arqueológico incrível. Como era uma cidade helenística havia um teatro. E não podia faltar a homenagem ao deus grego Dionísio ou ao romano Baco, fundador do teatro e do espetáculo para festas. Escavaram a costa da colina e colocaram as pedras. Criaram um lugar circular: a orquestra, ou seja, o teatro primitivo dos gregos. O romano acrescenta a parte de trás, um muro para a acústica, por isso o nome teatro greco-romano. Cabiam de 40 a 50 mil pessoas no anfiteatro circular.

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Eis umas piscinas onde os enfermos tomavam banho no centro de medicina Esculápio em Pérgamo-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Depois do espetáculo no teatro, os doentes tomavam banho de lama (perto das piscinas), depois de água normal nas piscinas, tomavam água e após isso, se dirigiam ao túnel. O túnel escuro com água dentro tinha doze aberturas com assistentes de Esculápio dizendo “Você vai se curar” onde os doentes caminhavam sem sapato. Saíam do túnel e passavam pelo lugar circular no meio onde se localizavam os dormitórios ou celas. Os assistentes faziam os remédios enquanto os enfermos dormiam. Somente saíam do centro, depois da “revelação”, ou seja, de como seria o tratamento. Os pacientes levavam os medicamentos ao partirem. Quantos dias ficavam, não se sabe.

Importante mencionar que devemos o conhecimento do Esculápio ao grego Aristides, pois o visitou e escreveu um livro.

Entramos no ônibus e em mais uma hora chegamos a Troia.

 

 

 

Turquia – Izmir

Turquia – Izmir

Hoje é dia 24 de outubro de 2019. Saídos do sítio arqueológico de Éfeso às 17 h, nos dirigimos a uma loja de couro ou centro de peles chamado Freya Russo. Mesmo estando exaustos, deu para se divertir. Logo na entrada nos oferecem vinho branco, tinto ou chá de maçã. Vários vendedores mostram jaquetas de couro deslumbrantes que são exportadas para lojas da Itália. São feitas de couro de cordeiro, vaca, camurça e seda. São belas, leves e coloridas. Algumas têm 0,4 mm e não amassam. As vendas são feitas em euro no cartão com 50 a 60% de desconto. A tentação foi grande, alguns compraram. No fim ainda há um desfile com membros da excursão de modelos, bem alegre o momento.

Chegamos à turística Izmir no sudoeste do país. Depois rumamos ao hotel Izmir Hilton. Estava em reformas do lado de fora. Após o jantar, o grupo foi dormir e pelo visto somente eu e o Carlos saímos pelas redondezas para dar uma olhada nos arredores. Já a conhecia das novelas turcas da TV Band. São quatro milhões de habitantes. Entramos pela periferia com um trânsito menor.

Os edifícios à beira-mar são bem simpáticos. Vimos uma avenida larga que convive com o verde no calçadão que alcança a água. Lembrei-me de Santos no litoral do estado de São Paulo. Estamos no mar Egeu. O calçadão se chama “Kordon”, ou seja, cordão em português. O site istambulturquia.com.br informa que são 6 km de costa a partir do Konak píer até a estação de trem Alsancak.

Os prédios têm bares e restaurantes embaixo e muita gente se divertindo, incluindo mulheres tomando cerveja e a sós, vestidas como ocidentais. Isso não ocorre em cidades mais muçulmanas. Estamos na Copacabana carioca da Turquia com aquele ar de descontração litorânea. Gostaria de passar mais tempo na cidade que aparenta ser uma delícia. Demos uma volta e retornamos.

A fundação de Izmir (nome turco) contabiliza cinco mil anos; era nomeada Smyrna pois era grega. Lá nasceu o poeta Homero 3.500 anos atrás. Em português é dita Esmirna, eis a pérola do Egeu, cidade mais ocidentalizada da Turquia quanto a valores e estilo de vida.

No dia seguinte, 25 de outubro de 2019, partimos do hotel. Detalhe: comemos banana no café da manhã, estávamos saudosos. O pessoal ficou chateado de não ter conhecido nada da cidade. Nem um city tour. Fomos embora de ônibus às 7 h da manhã. No jardim em frente ao hotel havia um gari com um pegador longo de pequenos lixos. Tudo muito limpo.

Izmir tem organização: lugar na avenida para ônibus parar, está marcado. Na avenida à beira-mar ônibus não cruza. Tem porto, tram (tipo de trem), metrô e aeroporto a 25 km da cidade. Um município sem pichações dá gosto. Tudo é gracioso. Que cidade mais convidativa!

Carlos de Campinas discursando
Nosso companheiro de viagem: Carlos de Campinas discursando ao lado do nosso guia Ali-foto tirada por Mônica D. Furtado

No caminho até Pergamon (em grego) ou Bergama em turco, demos presentes financeiros ao guia Ali e ao motorista Dogan com discurso do Carlos de Campinas-SP. Eles amaram. Tínhamos um ambiente irmão. Um adendo sobre os guias na Turquia. São quatro anos de curso ofertado pelo Ministério de Turismo. Estudam cultura geral, geografia, história, arte, etiqueta e língua estrangeira. Fazem muitas provas e ainda passam 45 dias viajando pela Turquia em um treinamento ao término do curso.

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Eu com o motorista Dogan da nossa excursão pela Turquia-foto tirada por Carlos Alencar

Passamos pelas cidades de Menemen, distrito de Izmir, e Aliarra. Tivemos uma parada técnica no café Bonjour onde tirei uma foto com o motorista Dogan. Gente boa. Continuamos ao longo do mar Egeu. Dizer que as cidades do país são ajeitadas e caprichosas é me repetir.

A Turquia tem cinco refinarias de petróleo. No norte do mar Egeu, local ventoso, há fábricas de hélices da energia eólica. Curiosidade cultural: no país os convidados deixam os sapatos na entrada da casa. A dona da casa oferece água, café ou chá e um cheiro perfumado para as mãos, geralmente, uma água de colônia de limão e é obrigatório aceitar. Faz parte da tradição.

De Izmir a Çanakkale (o “ç” em turco se fala “tch” em português) são 350 km. Antes encontraremos a cidade de Pérgamo onde se localiza o Asklepion, santuário dedicado ao deus da medicina Esculápio. Rodamos a Turquia de ônibus.

Em breve, chegaremos a Pérgamo.

Turquia – Éfeso

Turquia – Éfeso

Hoje é dia 24 de outubro de 2019. O dia será longo, já estivemos na Casa da Virgem Maria e agora vamos ao sítio arqueológico de Éfeso.

O site da abreutur.com.br nos informa que a cidade greco-romana da Antiguidade foi uma das doze cidades da liga jônica durante o período clássico grego. Durante o período romano, foi por muitos anos a segunda maior cidade do Império Romano apenas atrás de Roma, a capital do império.

O clima estava quente e a caminhada é boa. Logo, é aconselhável levar água e usar sapatos confortáveis.  Estamos na região de Selçuk na província de Izmir.

O livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009) nos conta que a cidade de mármore, como é conhecida Éfeso, foi fundada nos séculos XVI a XI a. C. por colonos helênicos e esteve em poder de Ciro da Pérsia no séc. VI a. C. Depois de várias vicissitudes (dificuldades), passou pacificamente para os romanos e se tornou um ativo centro comercial e financeiro. Foi capital da província da Anatólia no ano 1000 a. C. Sua decadência começou em meados do séc. III a. C. quando conquistada pelos Godos. Éfeso sofreu muitos terremotos e acabou por sucumbir pela acumulação de depósitos aluviais (de chuva). Em consequência, o mar se afastou do local, deixando o porto obstruído por sedimentos.

O mesmo livro diz que em 1869 foram iniciadas as escavações arqueológicas e parte da cidade foi recuperada, mostrando as belezas do que foi: as avenidas de mármore com os sulcos deixados pelas antigas rodas e as inscrições que indicavam o caminho do bordel (Casa do Amor); as Termas de Santa Escolástica; as latrinas; o Grande Anfiteatro com capacidade para 24 mil espectadores, construído no período helênico, onde São Paulo foi apedrejado pelos devotos de Artemisa (a deusa Diana); a Fonte do Imperador Trajano; o Templo de Adriano; a belíssima Biblioteca de Celso; e muito mais.

Segundo o nosso guia Ali, a primeira cidade foi fundada em VI mil a. C., mas sem vestígios. Os habitantes mudaram de lugar, porque o mar estava se aproximando. A segunda Éfeso também não deixou marcas, já a terceira (o sítio arqueológico) se situava entre duas colunas à beira-mar. Só 20 a 25 % são visitados e estamos falando da parte administrativa. O restante ainda está a ser descoberto. Eram 250 mil habitantes à época. Também moravam na cidade alguns filósofos estoicos, sábios que praticavam o estoicismo, isto é, a busca pela vida boa e a felicidade. Lá da mesma forma vivia o arquiteto mais antigo do mundo: Hipódamo de Mileto (498 a. C.- 408 a. C.).

São João vivia a 6 km de Éfeso com a Virgem Maria, então ele andava pela cidade. Quando o imperador romano Domiciano estava inaugurando a Ágora (lugar de reunião) Política, o combinado é que todos viessem de branco, mas São João veio de preto. Tal imperador foi responsável pela morte de muitos cristãos e foi ele que exilou São João na ilha de Patmos no mar Egeu.

No nosso passeio sob um sol forte, conhecemos os banhos; o parlamento dito Bouleterion que seria um conselho de representantes; a rua principal “dos Curetes” que dá diretamente na Biblioteca de Celso; o Monumento Memmius; as casas dos ricos com mosaicos; os banheiros da época cuja água suja dos banhos descia e limpava as latrinas; o Mercado Público ou Ágora Comercial, cuja porta de entrada se localizava ao lado da Biblioteca de Celso; um tipo de prefeitura chamado Pritâneon, o Grande Anfiteatro etc.

Agora um pouco de cada local. Achei a Biblioteca de Celso parecida com o Teatro Romano de Hierápolis. Baseando-me no blog mochilacameraacao.com, narro que a citada biblioteca é a atração mais esperada de Éfeso. Foi erigida em 115 d. C. e abrigou doze mil pergaminhos, sendo considerada a terceira biblioteca mais rica e importante nos tempos antigos, só perdendo para as bibliotecas de Alexandria e Pérgamo. Sua fachada é feita de puro mármore e resiste até hoje, ainda que com algumas restaurações, com detalhes esculpidos em baixo relevo. Além de seus três belos portões e quatro estátuas de deusas simbolizando: a Sabedoria (Sophia), o Conhecimento (Episteme), a Virtude (Arete) e a Inteligência (Ennoia). Sua construção foi uma homenagem ao senador romano de origem grega e também governador do Império Romano Tiberius Julius Celsus Polemaenus, que está sepultado lá. O blog asdistancias.com acrescenta que a sua destruição foi ocasionada aparentemente por um terremoto.

Conforme o blog mochilacameraacao.com, no Grande Teatro (anfiteatro) cabia 25 mil pessoas e foi usado a princípio para teatro, mas posteriormente para lutas de gladiadores. A sua acústica era impressionante. A rua em frente ao teatro se chamava “do Porto”, pois ligava o teatro ao cais do porto. Reporta a história que Marco Antônio e Cleópatra desfilaram por essa rua durante uma visita a Éfeso.

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Sítio arqueológico de Éfeso-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

A Fonte do Imperador Trajano foi construída em honra a esse imperador que morreu em 132 d. C. aos 62 anos de idade. Situava-se na via principal: Rua dos Curetes.

Com base no blog mochilacameraacao.com, explico que a Rua dos Curetes era pavimentada toda em mármore branco que cobria o grande sistema de saneamento na cidade e que ainda pode ser visto em partes. No passado remoto ali havia muito comércio. A rua conectava a parte administrativa e política com a parte pública da cidade. Já a prefeitura da cidade era o Pritâneon. Edifício administrativo onde funcionavam escritórios, arquivos e salas de reunião. Em seu pátio ficava uma chama sagrada em homenagem à deusa do lar: Hestia. Essa chama era mantida por sacerdotes, ditos Curetes. Na mitologia a palavra “curetes” se referia aos semideuses.  O Templo de Adriano, segundo a mesma fonte, foi construído originalmente em 138 d. C. em tributo ao imperador romano Adriano. Em sua bela fachada existe uma imagem da deusa da vitória: Tique. Dentro do templo dizem ter uma imagem da Medusa. A Wikipédia relata que o templo localizado na Rua dos Curetes é uma das peças mais bem preservadas do período romano.

O parlamento ou Bouleuterion era o teatro Odeon, lugar coberto, utilizado para reuniões do Senado e performances artísticas em concertos.

O Templo de Ártemis (Artemisa) fica nos arredores de Éfeso. As moças a serviço do templo eram virgens e acendiam o fogo da cidade de Éfeso que servia como farol para o porto. Trata-se de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, era enorme e hoje, porém, sobrou somente uma coluna das 127 existentes. Um lunático incendiou o templo no séc. III a fim de ter seu nome imortalizado. Duas estátuas de Artemisa ou Diana estão preservadas no museu Arqueológico da cidade de Selçuk (a 2 km de Éfeso). Vi uma foto, era monumental e imponente, uma lástima.

Passeio mais divino esse. Em breve Izmir.

 

 

 

Turquia – Meryem Ana Evi, a Casa da Virgem Maria em Éfeso

Turquia – Meryemana, a Casa da Virgem Maria em Éfeso

Continuamos no dia 24 de outubro de 2019. Saímos de Pamukkale e Hierápolis de ônibus e antes do almoço prosseguimos na excursão até Izmir (uns 250 km). Antes passaremos em Éfeso onde se localiza a Casa de Nossa Senhora na região de Selçuk.

Observando o caminho vejo figueiras à direita e em cima das montanhas, uvas. Há centrais geotérmicas que aquecem a água da cidade. Curiosidade: os turcos assim como os italianos, falam e parecem que estão brigando.

Cruzamos a cidade de Nazilli, uma joia que mais parece Punta del Este no Uruguai. Tem clima mais quente, avenida principal e prédios baixos. Típica cidade litorânea. No verão chega a 40° C. Na saída da localidade o nosso guia Ali comprou figos secos para todos a fim de enganar a fome. Em outra parada técnica mais adiante, comprei por 15 liras turcas uma rapadura de gergelim.  Nas lojas vemos uma roupa típica dos homens: uma calça estilo bombacha.

Enfim, chegamos a Éfeso. Cidade fofa, limpa, com prédios baixos, por isso muito agradável. Fora do município, finalmente chegamos ao restaurante self-service Konaklama cuja comida foi boa, temperada e com opções, já a sobremesa de melão e docinhos, achei sem gosto. Nunca pensei que me livraria de filas para os banheiros femininos. Milagre!

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Placa de entrada do Santuário Meryem Ana Evi em Éfeso-foto tirada por Mônica D. Furtado

De lá rumamos à Meryem Ana Evi, ou seja, a Casa da Virgem Maria, a 6 km de Éfeso. Trata-se da primeira igreja da cidade. A aldeia à época tinha uns 500 habitantes. Um pedaço da primeira construção está exposto.

A estátua da Virgem existente no local é recente, de 6 a 7 anos. Cristo antes de morrer, confiou Nossa Senhora a João Evangelista e ele escolheu a região de Éfeso para viver. Mais tarde foi exilado na ilha de Patmos por ordem do imperador Domiciano, mas seu túmulo se encontra nas ruínas da Basílica de São João na cidade. Aliás, a pequena ilha grega era o lugar de banimento do Império Romano e se situa no Egeu meridional.

Em 15 de agosto os cristãos vão à Meryem Ana Evi para comemorar a festa da Assunção da Virgem Maria. Ela nasceu em Jerusalém e morreu no lugar visitado, porém não se sabe onde está enterrada.

Conforme a Wikipédia, o papa Leão XIII esteve no lugar em 1896; João XXIII em 1961; Paulo VI em 1967; João Paulo II em 1979; e Bento XVI em 2006. Todos os papas celebraram missas lá.  A revista Hola espanhola diz que o papa João XXIII mudou para Éfeso as indulgências que a Igreja garantia aos peregrinos que visitaram a tumba da Virgem Maria em Jerusalém. Logo, fez do santuário um lugar de peregrinação. Acrescenta que no Concílio de Éfeso, celebrado em 431 d. C., se promulgou o dogma de fé da Virgem Maria como mãe de Deus.

O islã reconhece a Virgem como mãe de Cristo, o profeta dos cristãos. De acordo com a revista mencionada acima, é o único lugar do mundo em que cristãos e muçulmanos rezam juntos. A Virgem Maria é mencionada trinta e seis vezes no Corão, como a mais pura, santa e mulher venerada por todos. Recebe até vinte mil peregrinos por dia do mundo todo e de todas as religiões.

É um paraíso de paz, o clima é mais fresco por estar em um bosque e em uma colina (monte Koressos), logo o calor é atenuado. Há para conhecer a igreja, sem fotos permitidas dentro; a fonte de água sagrada e potável; o mural de pedidos (é tradição asiática fazer pedidos e amarrá-los com um nó em árvores ou muros); um café; e lojas de santinhos (em euros). Os arqueólogos encontraram uma cisterna de água para umas 500 pessoas da época e relíquias pertencentes a Nossa Senhora. Notável contar que a fonte de água mencionada anteriormente é dita com poderes milagrosos de cura ou de fertilidade.

De acordo com o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), a montanha Bülbül-Dag (monte Rouxinol em português), próxima a Éfeso é o lugar onde consta que São João e Maria se refugiaram e viveram após a morte de Jesus. As escrituras mantêm silêncio sobre a vida Dela. O escritor Eusébio de Cesarea diz expressamente que São João foi para a Ásia. Segundo a terminologia romana da época, a palavra Ásia se aplica somente à região de Éfeso. O lugar foi descoberto a partir das visões de uma freira alemã Catharina Emmerich, falecida em 1824. Dois anos antes de sua morte, descreveu com detalhes as colinas de Éfeso e a casa da Virgem Maria, tal como foi encontrada.

A Wikipédia adiciona que a casa da Virgem, hoje igreja, era de pedra e ali viveram São João e Maria até a Assunção de Maria (segundo a doutrina católica) ou até a Dormição (segundo a doutrina ortodoxa). Em relação à freira alemã, Ana Catharina Emmerich (1774-1824) era da ordem agostiniana, estava doente há muito tempo na comunidade rural de Dülmen (Alemanha) e era reconhecida como mística. Foi beatificada pelo papa João Paulo II em 03 de outubro de 2004. O primeiro a encontrar o local da casa foi o padre francês, o abade Julien Gouyet, porém não foi levado a sério. Dez anos depois dois missionários lazaristas padres Poulin e Jung, instigados pela irmã Marie de Mandat-Grancey, estiveram lá e então entraram para a história em 29 de julho de 1891. A casa era à época conhecida como Panaya Kapulu, ou seja, Portal para a Virgem. Foi consagrada em 1896.

A revista Hola espanhola nos conta que a freira irmã Marie era da ordem das Filhas de Caridade e superiora do Hospital Naval francês em Esmirna (hoje Izmir). De acordo com a Wikipédia, a casa foi descoberta em ruínas: com quatro paredes e sem o teto. A irmã Marie de Mandat-Grancey, então, foi nomeada a fundadora da Casa de Maria pela Igreja Católica e ficou responsável por adquirir, restaurar e preservar o local e as redondezas de 1891 até a sua morte em 1915.

Muita história na linda Turquia. Em breve as ruínas de Éfeso.

Turquia – Hierápolis e Pamukkale

Turquia – Hierápolis e Pamukkale

Continuamos no dia 24 de outubro de 2019. Nós passeamos pela manhã por Pamukkale e Hierápolis, uma ao lado da outra. Ambas pertencem à cidade de Denizli.

De acordo com o blog qualviagem.com.br, o complexo Pamukkale reúne as famosas piscinas naturais petrificadas do chamado “Castelo de Algodão” e um outro conjunto de piscinas de águas termais que descem em cascatas em Hierápolis. O blog flickr.com menciona a existência da antiga piscina romana, a mais famosa, tendo sido mandada construir por Cleópatra (69 a. C. a 30 a. C.) em Hierápolis, onde supostamente se banhava. Eis a piscina da Cleópatra. Dentro da água estão colunas das ruínas romanas do Templo de Apollo que caiu durante um terremoto no ano de 7 d. C. A temperatura da água é de 36 ° C.

“Polis” significa “cidade” em grego. O nosso guia Ali comentou ter sido a cidade greco-romana erigida em 3 a. C. (a Wikipédia cita a data de 2 a. C.), na região clássica da Frígia. Os frígios viviam naquela região e eram aliados dos troianos.

A Wikipédia esclarece que viveu nesta localidade Papias, discípulo de São João, e Epíteto, filósofo estoico. Entre outros monumentos encontrados está o túmulo de São Felipe, construído no séc. V, segundo um complexo plano da época bizantina (quarto octogonal, formando uma cruz dupla, rodeado por uma praça), o Teatro Romano e as fontes termais que atraem milhares de doentes. A cidade foi, em conjunto com Pamukkale, declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.

O cemitério do mundo grego se situava neste local e se chamava Necrópolis, ou seja, a cidade dos mortos. Acrópolis era a cidade dos vivos. O período era o helenístico. A cidade antiga era cercada por muralhas que não existem mais, somente as pedras. O teatro era na avenida principal e cabiam 25 mil pessoas. Só 10% foram escavados até hoje. À época tinha 60, 70 mil habitantes. Havia banhos romanos, basílica bizantina, ginásio, latrinas, portão frontinus da avenida principal dita Frontinus, ágora (onde faziam as eleições políticas) e travertinos (tipo de rocha) de Pamukkale onde se localizavam as montanhas de calcário.

Os romanos, macedônios, turcos da mesma forma estiveram em Hierápolis. Os gregos que habitavam no local até 1923 foram embora para Denizli, por causa dos terremotos.

A Fortaleza de Hierápolis era da Idade Média, conforme o guia Ali. Embaixo, o vale e em cima, Pamukkale. O local é um sítio arqueológico e museu esplendoroso com passarelas de madeira e pedra, rodeado de árvores, plantas e muita água. Debaixo da passarela de madeira veem-se canaletas por onde a água passa. São inúmeras ruínas. Tudo muito bem cuidado e organizado. Gostei de ver banheiros (de madeira combinando com as passarelas) pelo caminho. Andamos muito.

Visitamos o museu dentro da estação arqueológica com suas seções de sarcófagos e estátuas, pequenos achados e achados do teatro.

Hierápolis, conforme o livro PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), conhecida como “Cidade das Águas” ou “Cidade dos Deuses” era muito grande e importante, devido ao poder curativo de suas águas. Reza a tradição que a cidade foi fundada pelo rei de Pérgamo: Eumene II. A partir do séc. II a. C. teria passado aos romanos em virtude de um testamento deixado por Atalo III (170 a. C a 133 a. C.; filho de Eumene II e último rei da dinastia Atálida). No ano 17 d. C. um terremoto a destruiu, mas foi reconstruída. São Felipe cristianizou a região, mas foi martirizado em 80 d. C. Da cidade restou o Teatro Romano que podia abrigar 25 mil espectadores, parabolicamente escavado na montanha; ruínas de um Templo de Apolo e ruínas da Necrópole.

A Wikipédia nos conta que a cidade desmoronou após um terremoto durante o reinado de Tibério (imperador romano) no ano 17. A cidade foi reconstruída e teve transformações significativas nos séculos II e III d. C. que a fizeram perder todo o seu antigo caráter helenístico para se tornar uma típica cidade romana. Nesse período, tornou-se um importante centro de descanso de verão para os nobres de todo o império que iam à cidade, atraídos pelas águas termais. Mais tarde sob o domínio bizantino, caiu nas mãos dos seljúcidas em 1210. Foi completamente destruída por um terremoto em 1354.

Turquia rica, repleta de lugares impressionantes. Uma manhã foi muito pouco para tantas atrações nos dois lugares imensos. Vi umas fotos bem lindas em viajandodenovo.blogspot.com. Vale a pena conferir.

Em breve Éfeso para conhecer a casa da Virgem Maria e as ruínas históricas da cidade.

 

 

 

Turquia – Pamukkale e Hierápolis

Turquia – Pamukkale e Hierápolis

Hoje é dia 23 de outubro de 2019 e chegamos a Denizli para jantar. Estamos no hotel Doga Thermal Health & Spa, o melhor até aqui. Pena que só dormiremos uma noite. O hotel é bonito, confortável e com piscinas termais no primeiro andar para o uso dos hóspedes dentro do espaço interno. Incrível. As do exterior não podiam ser utilizadas no momento. Muitos companheiros de viagem colocaram suas roupas de banho, pegaram seus roupões depois da ceia e foram se deleitar nas águas de diferentes temperaturas, o Carlos, inclusive. Eu mesma tive preguiça, fiquei só na vontade, pois o cansaço de tantas horas no ônibus venceu.

Acrescentando algo sobre o hotel. O jantar buffet foi excelente e o quarto enorme tinha quarto suíte, antessala, sauna e muita beleza. Uau! Não queria sair do paraíso.

Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), a cidade onde nos hospedamos, chamada Denizli, está aninhada na encosta de montanhas perto do rio Büyük Menderes (nome turco) de um lado e um vale verdejante de outro. Sobre sua planície fértil passaram diversas civilizações: hititas, persas, macedônios, romanos, bizantinos e otomanos. Denizli hoje é uma moderna cidade, a maior da província com o mesmo nome.

O rio citado acima é chamado também de Menderes ou Meandro em português. Pamukkale pertence a Denizli, cidade fundada pelos turcos no séc. XII. A Wikipédia acrescenta ser sua localização a sudoeste do país e fazer parte da região do Egeu. Tem uns 600 mil habitantes. No vale do Meandro, onde se situa a cidade, são cultivadas figueiras, uvas, romãs, algodão e oliveiras.

Dia 24 de outubro de 2019. Acordamos bem cedo às 5h30, às 7h15 já estávamos na saída do hotel. Vamos conhecer Hierápolis, a cidade santa, e Pamukkale que em turco significa “Castelo de Algodão”, uma ao lado da outra. Interessante mencionar que nesse local também ocorrem passeios de balão concorridos. É o segundo lugar de balonismo na Turquia, além de parapente.

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Balonismo em Pamukkale-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Pamukkale é uma obra da natureza constituída por várias nascentes de águas quentes e calcárias cujos sedimentos formaram piscinas naturais. Eram usadas para curar reumatismo e outras doenças.

Como a Turquia se situa em cima de duas falhas sísmicas, já houve terremoto na cidade romana de Hierápolis. Destruiu muito e a cidade foi reconstruída. O site flickr.com nos conta que em XVII d. C., no reinado de Tibério (imperador romano), a cidade foi destruída por terremotos e arruinada novamente na época de Nero em 60 d. C. Só lembrando que o último episódio do país foi em 26 de setembro de 2019, com epicentro no mar de Mármara, a 70 km a oeste de Istambul (5.7 na escala Richter).

A respeito de Pamukkale, o livro da agência Porto Sul (2009) diz que as águas termais ricas em minerais, principalmente óxido de cálcio criaram uma série de terraços que se precipitam em cascatas, formando maravilhosas minerações que assumem o aspecto de estalactites. Seriam dezessete, as fontes subterrâneas que chegam à superfície entre 60°C e 100°C, e suas águas estão indicadas para tratamento de doenças nervosas e cardíacas. Devido ao crescente e indiscriminado uso da água pelos hotéis, o governo estabeleceu normas para o seu aproveitamento. O local, com suas águas termais, era usado como centro terapêutico, repouso e banhos termais pelos romanos.

Pamukkale é impressionante de tão belo. O azul das piscinas é de uma cor inigualável. E as piscinas naturais em que só molhamos os pés são um cartão postal. É proibido pisar perto. O clima estava quente: 24°C. Os ditos “vestígios da civilização” são Patrimônio Cultural da UNESCO. Não pode ter mais hotéis dentro dos vestígios. A água sai da nascente a 32°, 37°, 39°C. O óxido de carbono vaporiza e molha o calcário, assim formando as piscinas. Como algodão em turco é pamuk, as formas lembram as flores de algodão. Os balões vistos no horizonte formam uma paisagem bela. Senti não ter tempo para andar de balão de novo.

Pessoas molhando os pés em Pamukkale
Pessoas molhando os pés em Pamukkale-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

De acordo com o blog qualviagem.com.br, há gente por todo o lado, segurando os sapatos e molhando os pés em piscinas naturais que descem em cascata numa colina de 160 m. As manchas brancas (na paisagem) que vemos parecem montanhas de neve. No topo das piscinas, encontra-se Hierápolis. Em breve visitaremos as suas ruínas.