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Chile – Chegada a Pucón

Chile – Chegada a Pucón

Hoje é dia 26 de abril de 2019. O taxista cobrou 20 mil pesos chilenos para nos levar do centro (do apart-hotel Origen – rua Tarapacá, 644) de Santiago ao aeroporto e ainda ganhamos um alfajor. Achei o máximo. Indico o taxista bom de prosa Roberto Cornejo (rcornejo26@gmail.com).

Chegamos ao aeroporto Arturo Benitez (pai da Aeronáutica) na seção de voos nacionais. Tivemos que ir às máquinas para o check-in e para as etiquetas das malas. Depois seguimos ao atendimento: LATAM para Temuco. O avião saiu às 13.38 h e chegou às 15 h. Lembrando que no voo só oferecem água de graça, o restante é pago. Em Pucón o aeroporto só funciona no verão, logo tivemos que descer em Temuco, já que é outono.

No aeroporto de Araucanía descemos e fomos procurar transporte a fim de rumar a Pucón. De ônibus se paga 3 mil pesos, de táxi 55 mil, e de van 12 mil. Escolhemos a van, porque tivemos sorte de muitos visitantes quererem ir para lá. Quem não é tão felizardo, tem que pagar um táxi que é muito caro. Outra maneira bem mais simples, mas mais cansativa é ir de ônibus. Sai da estação de ônibus de Santiago direto a Pucón. Passa a noite viajando e dormindo por estradas maravilhosas. Vi americanos e chilenos fazendo esse percurso. Da próxima vez, o Carlos e eu viveremos essa aventura.

Em 1 hora e 20 minutos adentraremos a cidade e o motorista da van deixará cada turista no seu hotel. No caminho, passamos por muita vegetação e fazendas de gado. Lembra a vegetação da Serra Gaúcha: muitos pinheiros e eucaliptos. A região é de exploração madeireira.

Saindo do aeroporto, a via da esquerda vai a Temuco e a da direita vai a Villarrica e Pucón.

Estamos no sul do Chile, a 780 km da capital Santiago, na província de Cautín na região de Araucanía. Pucón foi dica do meu irmão Rogério e cunhada Lindiane (de São Paulo) que lá estiveram e amaram.

Em Pucón fomos entregues no Hostal Graciela de Victoria e Henry Herrera Martínez pelas 18.30 h. Um bed and breakfast (pousada na qual a família cuida e mora) adorável descoberto no Booking.com. Endereço: Rolando Matus, 521 (e-mail: hostalgraciela@gmail.com). Nos sentimos muito bem acolhidos. O Henry (para nós, Henrique) foi nosso guia informador e trocamos muitas ideias com ele. Pagamos logo as sete diárias em dólares ($385) para não pagar o imposto IVA.

Mal nos acomodamos, já saímos para jantar. Descobrimos o restaurante Krater na av. principal da cidade Bernardo O´Higgins. Pedimos truta com salada, purê de batata e refrigerante Ginger Ale (amo!). Foram 5.900 pesos para cada um. Comer tal peixe saboroso, sentar em uma mesa na calçada e ficar a vontade é demais, além de sentir um friozinho bem agradável. A partir daí tive certeza que Pucón prometia…

Em breve mais sobre tão charmosa cidade, fundada em 1883.

Chile – Santiago – Shopping Center Parque Arauco e Cerro San Cristóbal

Chile – Santiago – Shopping Center Parque Arauco e Cerro San Cristóbal

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Cerro San Cristóbal com a imagem da Imaculada Conceição ao fundo-foto tirada por Mônica D.Furtado

Hoje é dia 25 de abril e estamos no segundo dia do passeio do ônibus turístico Turistik em Santiago. Recordando que cada um pagou 30 mil pesos para os dois dias, incluindo o Cerro San Cristóbal. Valeu a pena.

Pegamos o ônibus na parada Santa Lucía perto da Universidade Católica do Chile. Testemunhamos uma manifestação de estudantes das 11 h às 14 h contra o sistema pago da universidade. Tudo ordeiro e policiado.

O clima está bom: 15,4˚C. Como gostamos de conversar, a nossa guia no Turistik está de prosa conosco. Seu nome é Catalina. Muito querida e atenciosa. Os motoristas também, por sinal. Descemos umas paradas adiante: no shopping center Parque Arauco, nosso centro de compras preferido na cidade. Gostamos de passear, principalmente, nas lojas de roupas de frio tipo North Face, Columbia, Cat, Timberland etc. Deve-se checar se não dão desconto para o comprador estrangeiro. A loja Desigual de roupas femininas é fantástica, toda colorida e original. Pena ser tão cara… Já o nosso almoço foi no C´Est Si Bon. Que comidinha mais saborosa! Conhecemos em 2015. O fricassê de frango com salada e suco de ata (chirimoya), eu aconselho.  O fricassê deles não é o nosso, é bem diferente: arroz com molho de tomate, cenoura, azeitona e frango. Delícia! Pagamos 13. 178 pesos os dois. 

Depois de ver vitrines e se refestelar com o shopping, pegamos o ônibus lá fora e paramos em frente ao hotel Sheraton.  Um funcionário Turistik estava a nossa espera, e com ele e mais um turista mexicano, aguardamos a van que nos levaria ao parque Metropolitano onde está o Cerro San Cristóbal. Chegando à estação Oasis do teleférico, pegamos o ticket de entrada na bilheteria, assim como a pulseira.

A subida de teleférico é linda. Gostei do percurso e do cenário. Na parte mais alta do cerro há uma cafeteria/sorveteria. Tomei picolé caseiro de frutas do bosque com manjericão. Sinceramente, me arrependi. Melhor teria sido a framboesa do Carlos. 

De lá rumamos à igreja do Cerro San Cristóbal. As imagens de Santa Teresa de los Andes e de San Alberto Hurtado nos receberam. A Sala dos Milagres fica ao lado.

Embaixo da imagem de N. Sra. da Conceição existe uma pequena capela. O Santuário da Virgem é bonito, comumente há missas e as pessoas se sentem bem. O esforço físico por conta das escadas é grande, mas válido. Descemos de funicular, tão antigo e gracioso. Os turistas mais vistos são os americanos jovens. De acordo com o DICIO – Dicionário Online de Português, funicular significa “caminho de ferro ou plano inclinado destinado a vencer rampas fortes e cujos carros estão presos a um cabo”.

Da saída do funicular, fomos andando pela av. Bellavista. Aí adentramos o Patio Bellavista. Lugarzinho muito atraente com lojas e restaurantes transados. Demos uma volta pela redondeza e vimos muitos bares/restaurantes joviais. 

Bellavista é um bairro aprazível, arborizado, com plátanos, sente-se a boemia no ar. Tem gente que mora no meio do burburinho e ainda estuda na faculdade de direito existente. Pegamos o Turistik no outro lado da saída do funicular e seguimos até o Cerro Santa Lucía. Entramos na feirinha em frente ao cerro, com preços bons e baratos. Indico o local para a compra de lembrancinhas. Um rapaz vendia empanadas venezuelanas deliciosas. Aliás, o Chile tem o costume de empanadas, são grandes e gostosas.

Para compras práticas, o supermercado Líder Express é muito bom. Percebi que no país a guerra contra a sacola plástica e o canudinho está grande. O Origen Apart-Hotel (rua Tarapacá/Curicó, 644) com os funcionários Alfonso, Nelly e Luís vale a pena. 

Aconselho que conheçam um pedacinho charmoso do centro: o bairro Paris-Londres, tão europeu nos seus prédios e casas. Bucólico, calmo e bom de passear.

Em breve viajaremos a Pucón no sul do Chile.

Chile – Santiago – Terceira Parte

Chile – Santiago – Terceira Parte

Hoje é dia 24 de abril de 2019 e seguimos no passeio do ônibus turístico Turistik pela cidade de Santiago. O passeio é de duas horas e meia. Estamos agora na av. Isidora Goyenechea, o mesmo nome da parada. Isidora administrava com seu marido um império econômico de minas de cobre e carvão. Seu sogro era milionário e ela continuou a aumentar o patrimônio. O curioso foi que ela deixou como herança uma parte da fortuna para escolas, igrejas e criou um asilo para mineiros doentes.

Estamos na zona alta de El Golf, com algumas características arquitetônicas das décadas de 1940 e 1950 que recordam o tempo em que esta região residencial, com várias mansões, era uma das mais exclusivas de Santiago, combinada com edifícios de escritórios. O nome El Golf recebeu esse nome devido ao clube de Golfe Los Leones. O campo tinha 18 buracos em 1943. A municipalidade é Las Condes. Por estas plagas, moram pessoas de poder aquisitivo alto. Passamos pela avenida El Golf e pela av. Apoquindo, homenagem à denominação do cacique e ao lugar onde ele vivia.

A próxima parada, também na municipalidade de Las Condes, se chama Escuela Militar. A construção histórica data da década de 1840 e trata-se do local onde se formam os oficiais do Exército do Chile. Com quatro anos de estudo, eles saem como alferes. Em outubro de 1943 surgiu um novo prédio da Escola Militar. À época existiam chácaras e o lugar era periferia de Santiago. Este prédio/museu, considerado um ícone, apresenta obras de esculturas e pinturas de artistas nacionais e internacionais. O arquiteto, Juan Martinez Gutiérrez, foi ganhador do primeiro prêmio nacional de arquitetura. A partir daí, houve o desenvolvimento desta parte da cidade. No pátio da escola, se encontra o monumento equestre do libertador Capitão General Bernardo O´Higgins. Já na época da luta pela independência do Chile, ele sentia a necessidade de uma escola militar. Sua fundação vem de 1812.

Fazendo o passeio, percebemos como Santiago é enorme e bem estruturada. A economia do Chile depende do cobre, pesca, agricultura, indústria florestal e prestação de serviços.

Continuemos com a jornada. O primeiro shopping center de Santiago foi inaugurado em 1981: o Apumanque. Ainda existe e é popular.

Em Nueva las Condes há outra parada. Era a antiga fazenda San Luís e atualmente um polo de negócios, hotéis e de demanda imobiliária mais recente de Santiago, onde se veem exemplos da arquitetura mais vanguardista da cidade. Também é a porta de entrada para o parque Araucano, que com 22 hectares, se converte em uma das principais áreas verdes da região oriente da capital. Conta com um roseiral sedutor, com lugar para esportes, jogos infantis, eventos culturais, gastronômicos e infraestrutura para piqueniques.

Ao lado do parque se localiza o shopping mais querido por mim e pelo Carlos: o Parque Arauco, com as melhores marcas e gastronomia. Eis a parada nº 1. Fora do local há um ponto Turistik para quem vai conhecer os arredores de Santiago. Decidimos passear no Arauco no dia seguinte.

Passamos pela av. Los Conquistadores, em honra aos espanhóis colonizadores do Chile Hernando de Magalhães, Pedro de Valdivia, Diego de Almagro, García Hurtado de Mendoza, dentre outros. Interessante dizer que a Guerra de Arauco, dos índios mapuches contra os espanhóis durou 300 anos e eles surpreenderam os colonizadores pela sua ferocidade. Os indígenas lutaram com táticas de guerra, aprendidas com os incas. O mapuches (em idioma mapuche significa “gente da terra”) ou araucanos dominavam a região que ia do Vale do Aconcágua até a ilha de Chiloé. Foi o Gal. Cornelio Saavedra (argentino, 1759-1829) que conseguiu a pacificação entre as comunidades indígenas e os chilenos muitos anos depois.

No Chile à época da colonização espanhola, os habitantes eram classificados assim: espanhóis (com privilégios); crioulos (filhos de espanhóis nascidos na América); mestiços (mistura de espanhóis com índios) e os de sangue indígena.

O país recebeu imigrantes do mundo todo: gente da Croácia, Alemanha, Itália etc no passado. Hoje notadamente da Venezuela, Haiti e Peru.

Depois chegamos à parada do Hotel Sheraton, no qual quem vai ao teleférico e funicular do Cerro San Cristóbal desce. Há uma pessoa da Turistik esperando a fim de se pegar uma van. De lá seguimos pela av. Bellavista. No século XX intelectuais como Pablo Neruda transformaram este bairro em boêmio. Diz respeito a um lugar repleto de bares, pubs e restaurantes. Os jovens amam curtir a noite nos seus pontos de encontro.

Visual do cerro
Cenário de Santiago visto do Cerro San Cristóbal-foto tirada por Mônica D. Furtado

A parada Patio Bellavista promete. Sempre gosto de adentrar o pátio com seus restaurantes pitorescos, lojas e atmosfera aconchegante. Ali perto está situada a entrada do maior parque urbano de Santiago com seus 737 hectares. Eis o parque Metropolitano onde se encontra o Cerro San Cristóbal com seus 860 m acima do nível do mar. No cume do morro ou cerro está a imagem da Virgem em tributo ao dogma a Ela. O pedestal tem 8 metros. O funicular, que leva os turistas ao cerro, data de 1925. O teleférico é mais recente. Funciona das 10 h às 19 h menos às segundas.

Cerro San Cristóbal
Cerro San Cristóbal com a imagem da Imaculada Conceição ao fundo-Santiago-foto tirada por Mônica D. Furtado

A próxima parada é a Plaza de Armas de fins do séc. XVIII, com construções espanholas tendo linhas neoclássicas italianas e francesas. Descemos aqui. Tirei uma foto da estátua do ex-presidente Salvador Allende (1908-1973) e achei bonitas suas palavras: “Tenho fé no Chile e seu destino”.

Fomos tomar um café no Starbucks acompanhado de um muffin (bolinho) de chocolate amargo e pedaços de chocolate. Delícia. Amo muffins.

Para finalizar o passeio, rumamos ao Centro Cultural la Moneda. Suas lojas, exposições, cinema e atividades convidam. Na Sala Pacífico acontecia a exposição: “Obra Viva” do uruguaio Joaquim Torres Garcia desde 12 de abril. E na loja Mundo Rural vi maravilhas de chás, ervas, doces e até mel de abelha da ilha de Chiloé. Mel que de tão saboroso nunca esqueci desde 2015.

Que dia mais bem aproveitado!

Chile – Santiago – Segunda Parte

Chile – Santiago – Segunda Parte

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Av. Ricardo Lyon com plátanos orientais-Providência-Santiago-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 24 de abril de 2019 e seguimos no passeio do ônibus turístico Turistik pela cidade de Santiago. O passeio é de duas horas e meia. Estamos no bairro da Providência, onde é a parada. Aliás, eles chamam de municipalidade. Santiago é composta de diferentes comunas e cada uma é uma municipalidade com alguém responsável por ela. O intendente (prefeito), porém, é um só.

Providência é um centro de comércio e gastronomia, com avenidas bucólicas como a Ricardo Lyon e Pedro de Valdivia. Passamos pelo Centro Cultural Gabriela Mistral, inaugurado em 2010. Ela recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1945. Parabéns ao Chile que tem dois, o outro é o Pablo Neruda (1971). Ambos foram poetas.

Na Plaza Italia ou Plaza Baquedano há um monumento a Manuel Baquedano com seu cavalo (corcel) preferido. A praça localizada na saída do metrô Baquedano, encontra-se no ponto em que a movimentada avenida Alameda se converte em avenida Providência. Os parques Bustamante e Forestal começam nela. É um eixo central da cidade.

No áudio comentaram sobre o ex-presidente chileno Balmaceda, que terminou seu mandato em 1891 no meio de uma guerra civil, e nesse mesmo ano se refugiou na Embaixada da Argentina e se suicidou. Havia iniciado seu governo com um ambicioso plano de obras públicas e com o ideal político de unir os liberais em um único grande partido.

A história desta municipalidade começa com as irmãs da Divina Providência que em 1853 chegaram procedentes do Canadá. Peculiar dizer que o destino era o estado americano de Oregon, todavia estava inundado, então aceitaram a carona de um capitão de um barco chileno e partiram rumo a um lugar remoto como o Chile. Convidadas pelo presidente Manuel Montt à época se estabeleceram por aqui.

A Providência tem a Plaza de la Aviacion que proporciona um espetáculo Dança das Águas em uma fonte iluminada com 70 m de comprimento e 25 m de largura na av. Nueva Providencia. Também possui o Convento das Freiras (Monjas) da Providência e a igreja da Divina Providência na mesma avenida mencionada anteriormente. Feita de alvenaria de ladrilhos cujo estilo arquitetônico é neorrenascentista. Digno de nota ressaltar a influência da religião católica na sociedade chilena. Somente foi separada do Estado na Constituição em 1925.

A av. Pedro de Valdivia é uma importante via da municipalidade. Antes era a vinha Pedro de Valdivia que foi dividida e pertencia ao Arcebispado. Trata-se de um eixo institucional do município, cercado por plátanos orientais, que também se encontram na Av. Ricardo Lyon. Muito lindo de se ver. Nesta região estão localizadas as delegações diplomáticas. Os prédios são em geral antigos, bem cuidados, baixos e acolhedores, ou seja, um bairro para morar. As calçadas são homogêneas e atrativas para uma caminhada, com bancos para se sentar e curtir a exuberância das florestas dentro dos condomínios. Encantador.

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Roseiras nas calçadas da municipalidade da Providência-Santiago-foto tirada por Mônica D. Furtado

Ricardo Lyon, nome da avenida, foi prefeito de Providência (os chilenos o chamam de prefeito) de 1909 a 1915 e 1922 e 1924. Era dono da fazendo Los Leones (Os Leões) que deu origem à avenida Los Leones (as estátuas francesas dos leões da entrada da fazenda estão no início da avenida, assim como o escudo heráldico do seu sobrenome com o emblema familiar). São 14 km² e 604 m. acima do nível do mar, enquanto Santiago é 570 m. Oferece segurança aos habitantes e turistas, e atrativos históricos e patrimoniais. São 100 hotéis e 750 mil m² de áreas nobres. Estamos falando de uma das melhores qualidades de vida do Chile.

Chegamos à parada Costanera Center e Sky Costanera. Costanera Center diz respeito a um complexo financeiro formado por quatro edifícios e um shopping center. O edifício central, a La Gran Torre Santiago é o mais alto da América Latina, com 300 m de altura, 62 andares, seis subterrâneos e elevadores expressos que fazem 60 minutos em 6 segundos. Possui um mirante dito Sky Costanera. Já o shopping tem seis andares e uma multidão frequentando as lojas e pátio de comidas. Uma loucura de gente. Aliás, a cidade tem sempre movimento intenso de carros, pedestres, bicicletas e patinetes.

Continuamos a jornada com o município de Las Condes, criado em 1901. No passado, Pedro Torres comprou estas terras e deu como dote para o casamento da filha. Ele queria ser marquês, mas acabou conde e a filha condessa. Teve grande desenvolvimento no séc. XX e se tornou um polo cultural, gastronômico e hoteleiro. Da mesma forma é um bairro residencial agradável com calçadas boas para andar.

Em Las Condes muitas empresas financeiras se estabeleceram nos anos 90 e os executivos resolveram morar no mesmo bairro a fim de facilitar suas vidas. Logo, vemos um prédio de escritórios e ao lado um residencial. A região é conhecida como Sunhattan em homenagem à Manhattan de Nova York.

Passamos pelo Edifício da Indústria e pela Embaixada dos Estados Unidos, com seus 11 mil e 300 m², cuja fachada é de granito com painéis de alumínio, trazidos dos EUA. Reúne todos os serviços diplomáticos, diferentemente de outras.

Prosseguiremos em breve com a parada Isidora Goyenechea.

Chile – Santiago – Primeira Parte

Chile – Santiago – Primeira Parte

Hoje é dia 24 de abril de 2019. Estamos passeando pelo centro de Santiago. Nosso apart-hotel Origen é bem localizado (Tarapacá, 644). Está na hora do almoço, estamos em um portal que dá para a praça Plaza de Armas. É o Portal Fernandez Concha no Paseo Estado. Tem quiosques de sanduíches e restaurantes. Notamos estar mais arrumado e com comidas mais atraentes aos olhos.

 

Um comentário: é muito bom caminhar sem pressa em um paseo, ou seja, calçadão na capital. Sentar em um banco e ver a vida em Santiago acontecer é ainda melhor… Detalhe: ainda existem engraxates aqui e senhores jogando xadrez na rua. 

 

Voltemos ao almoço. Descobrimos o restaurante El Rincón del Portal. O Carlos pediu o típico pastel de choclo. Vai milho, carne, frango, cebola e ovos. Uma delícia. Para mim, foi salada com frango desossado. Passamos bem. Gostam de abacate na comida, como o colombiano e o mexicano.  Para beber, um refrigerante parecido com guaraná que não existe no Brasil: Ginger Ale, das companhias Canada Dry ou da Nordic Mist. No total foram 11. 850 pesos chilenos, com 10% para o garçom.

 

Percebi que as pessoas não são obesas em geral. Visitamos a Catedral e a Plaza de Armas (praça mais central e famosa). O dia estava frio com 12 graus e com leve chuva. Na Catedral encontramos um grupo bem animado cantando, as mulheres sendo maioria. Lá estava a estátua de San Alberto Hurtado (1901-1952). Ailás, meu sobrenome é Hurtado em espanhol.

Na Plaza de Armas, vimos um rapaz da companhia de ônibus Turistik, falamos que queríamos passear no ônibus hop-on/hop-off (aquele que se desce e sobe nas diferentes paradas) e ele nos levou ao escritório ali perto. Por 30 mil por pessoa, compramos o pacote para dois dias, incluindo o teleférico e o funicular no Cerro San Cristóbal o qual faz parte do Parque Metropolitano. Ele nos deu pulseiras e pediu para não removermos. Decidimos, então, pegar o ônibus na parada da Plaza de Armas na rua Monjitas e passear de ônibus somente à tarde e deixar para o outro dia o cerro. São 2 horas e meia fazendo o giro pela cidade e ainda se ganha descontos para o Mercado Público e o Patio Bellavista (um shopping transado com lojas e restaurantes etc, porém caro).

Dentro do bus turístico, há audioguias com várias línguas. Lá está o nosso português. Há muitos brasileiros conhecendo esta linda região. Aliás, o brasileiro em geral fica em Santiago e arredores, o que é uma pena, pois o país tem muito a oferecer.

Comecemos o percurso de aprendizado pelo centro. O belo prédio da antiga sede do Congresso Nacional funcionou como tal de 1876 a 1895, quando sofreu um incêndio, por isso na década de 80 os congressistas se mudaram para a cidade de Valparaíso. Em 1913 o prédio foi vendido à Sociedade Imobiliária Septiembre e em 1973 vendido ao governo. Chama-se Palácio Septiembre.

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Eu em frente ao Palácio la Moneda em Santiago do Chile-foto tirada por Carlos Alencar

O palácio do governo, isto é, o la Moneda tem estilo arquitetônico neoclássico. Foi lá que o presidente Allende se matou em 11 de setembro de 1973. O que assumiu, general Pinochet, governou o país por 17 anos como ditador. Em 1988 foi realizado um plebiscito sobre a permanência dos militares no governo, cujo resultado foi a saída deles, com 55 % dos votos.  Logo depois assumiu um partido, nomeado Concertación de Partidos pela Democracia, da coalizão centro-esquerda com os integrantes: Sebastián Piñera, Michelle Bachelet, Eduardo Frei Ruiz-Tagle e Patricio Aylwin. Segundo a Wikipédia, a coalizão manteve disciplina interna, apresentando um único candidato às eleições de então, o líder democrata-cristão Patrício Aylwin. A Concertación permaneceu na presidência do país de 1990 a 2010, quando Sebastián Piñera da direita chilena foi eleito. Assim, a Coalizão foi extinta. Interessante que estamos de volta ao mesmo presidente em 2019.

Em frente ao la Moneda, encontra-se a Plaza de la Constitución, onde há uma parada do ônibus Turistik. Existiam casas no passado. Hoje engloba ao seu redor as principais instituições públicas do Chile, como a Controladoria Geral da República e o Centro Cultural la Moneda, o qual sempre visito. Tem cinema, cafés, lojas de artesanato indígena etc. Na praça está o mastro com a bandeira enorme tremulando desde 2010, em honra aos 200 anos da independência do Chile.

A Avenida Libertador Bernardo O´Higgins, ou como todos dizem Alameda, tem a estátua de San Martin, o argentino importante para a independência do país. Já O´Higgins é considerado o pai da independência. A Alameda é uma avenida longa e larga.

Vamos seguindo dentro do Turistik. Parada Paseo Presidente Bulmes. Que cidade! Com um centro habitável e repleto de história. Esse paseo é uma artéria ao sul da Alameda que compreende seis quarteirões para pedestres. Foi construído em 1930 como parte do projeto Bairro Cívico, desenhado pelo urbanista Karl Brunner. Foi a mais importante intervenção no centro da cidade.

Parada Cerro Santa Lucía (cerro significa uma montanha pequena). A monumental entrada neoclássica do cerro foi terminada em 1902 e mostra uma escultura do deus Netuno. Passeio imperdível. Ali está o prédio de cor mostarda finalizado em 1872. Trata-se da Casa Central da Universidade Católica do Chile. A igreja de São Francisco do séc. XVI é histórica, por ser o único prédio desse século na capital. A Biblioteca Nacional é a mais completa da América Latina com três milhões de livros, dentre eles, alguns raros, como um decreto do séc. XVII dos reis católicos da Espanha: Fernando e Isabel.

Continuaremos em breve com nosso passeio de ônibus.

 

 

 

 

Chile -Chegada a Santiago

Chile – Chegada a Santiago

Estamos no dia 23 de abril de 2019. Nosso destino é o Chile, o qual estive em 2001 e 2015. Desta vez será Santiago e Pucón. Partimos pela LATAM de Fortaleza para São Paulo em horário bom (10.25 da manhã). O choque foi ver que a companhia agora está vendendo os sanduíches e bebidas.  Dado só água. E tudo caro.

Já de São Paulo para Santiago o avião era grande, estava lotado e a comida ótima: frango com polenta, queijo, bolacha e quindim, além de bebidas. Nada como um voo internacional para passarmos melhor.

Chegamos a Santiago. Sei que não se entra com nada de comida no país. São bem exigentes quanto a isso. Vi pela primeira vez no aeroporto, oficiais com cachorros checando as malas.   Depois de passar pela Imigração e Aduana fomos atrás de transporte para o centro. Pegamos uma van compartilhada por 7 mil pesos chilenos. A motorista era uma senhora e a companhia se chamava TRANSVIP. Era noite (19 h) e estávamos cansados, só foi chato, porque demoramos no caminho. Fomos quase os últimos a serem entregues. É o meio mais em conta de se chegar ao hotel. A capital tem uma hora a menos que nós.

Inauguramos desta vez o Origen Apart-Hotel na rua Tarapacá, 644. Engraçado que esse é o endereço oficial, mas na verdade a rua se chama Curicó. Consegui pelo Booking.com. Pagamos em dólares 161,50 por três noites. Pagando em dólares, nos livramos do imposto IVA.

Dia 24 de abril de 2019. O café da manhã é bom, sem frutas. Os atendentes do hotel são na maioria venezuelanos. Um olá para a Nelly, o Luís e o Alfonso. Muito queridos e solícitos. Quem está na portaria serve o café, recebe os hóspedes e ainda leva ao quarto. Importante mencionar que no Chile se toma Nescafé em hotéis. Os banheiros têm banheiras ao invés de boxes como no Brasil. Há de se tomar cuidado com quedas, pois não é costume ter barras para sustentação, principalmente, para idosos.

Interessante dizer como há venezuelanos no Chile. São refugiados da situação triste do país atualmente e que bom encontrarem trabalho em outro país. Segundo o Luís, a situação é pior do que sabemos. Tanto ele como a Nelly deixaram a família lá e vieram sozinhos.

O Origen é muito bem localizado, fazemos tudo no centro a pé. Existem muitos cafés e padarias atrativas cerca do hotel. Ao sair, pegamos a esquerda até a rua Agustinas e passamos pela Santa Rosa e Paseo de Ahumada. Esses calçadões são maravilhosos de se estar. Outro exemplo é o Paseo Estado. Na Agustinas encontramos muitas casas de câmbio.

Como os chilenos gostam dos bolinhos muffins. Matei as saudades do Canadá. Também a polícia federal nacional deles são os carabineros. Muito respeitados, estão em todos os lugares. Vimos os ambulantes se escondendo deles rapidinho.

Em Santiago como os chilenos. Então, tomar café no Café Haiti em pé com as atendentes vestidas com roupas sensuais e bonitas servindo o café. Estamos no Paseo Ahumada. Só vendem café e embalagens produzidas por eles e mais nada. Um ícone da cidade. Os executivos ficam na frente do estabelecimento em pé também tomando café. Um expresso com água com gás é uma boa pedida. Quase ao lado está o Café Caribe que funciona do mesmo jeito e é mais chique.

No Paseo há banheiros públicos decentes, lojas diversas, restaurantes, sorveterias e bancos para sentar. Delícia. Aliás, várias ruas próximas são calçadões para os pedestres. Santiago é uma cidade estruturada para quem anda. As calçadas e ruas são feitas para durar. Parabéns!

Na rua Agustinas entramos na igreja Santa Rita de Cássia onde vi a foto de uma popular santa do Chile: Teresa de Jesús de los Andes (1900-1920). Seu nome era Juanita Fernández Solar e entrou no Carmelo aos 18 anos, foi Carmelita Descalça. Pela foto era muito bonita.

Neste dia descobrimos uma loja que amamos: Casa Ideas no Paseo Ahumada, no modelo das Casas Freitas em Fortaleza, só que mais barato e transado. Tudo lindo e colorido. Há pelo menos duas pelo centro.

A temperatura nesta época é boa: 12˚C. Há muito a contar. Continuaremos em breve com Santiago.

Argentina – Salta – Virgem da Montanha e Museu Güemes

Argentina – Salta – Virgen de lo Cerro e Museu Güemes

Começaremos o dia 26 de outubro de 2018 contando sobre a Virgem da Montanha, ou seja, a Virgen de lo Cerro. Muitos grupos religiosos vão a Salta por conta de Maria Lívia. Vamos lá. O rapaz da recepção do hotel me disse que essa senhora, de família de empresários, viu a Virgem há uns 15 anos atrás. Ela recebe milhares de pessoas aos sábados, quase o ano todo, de outros países também, como Uruguai, Chile etc. Fiquei impressionada. No Brasil ninguém sabe. Impõe as mãos e as deixa curadas e em êxtase. A mãe da política sequestrada pelas FARCS da Colômbia lá esteve pedindo a intercessão pela Ingrid Bittencourt e deu certo! Logo depois foi liberada depois de 20 anos de cativeiro.

O dia inicia. Encontrei uma loja bem interessante na Galeria Continental, no local 10, no centro histórico: Ala Par. Os horários são sugestivos: das 10 h às 13 h e das 18 h às 21 h. Que tal? Valeu ter voltado ao lugar para comprar minha bolsinha única da Frida Kahlo por $350 pesos.

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Museu Güemes – Salta – foto tirada por Carlos Alencar

Ao Museu Güemes, na Calle España, 730, rumamos. Estava curiosa, pois fiquei fã de tal personagem heroico. Para aposentados, $60. A casa vermelha se destaca. Obrigada à guia Silvina, tão disposta junto ao grupo. De brasileiros, somente o Carlos e eu.

Gal. Güemes, filho de Gabriel Güemes (espanhol – 29 anos) e Magdalena de Goyechea (da terra – 15 anos). O museu tem música e audiovisual. A família Tejada deixou a casa para a família do pai de Güemes, o filho viveu lá desde os quatro anos de idade. Hoje Monumento Histórico Nacional.

De sala em sala aprendemos muito sobre a história da cidade e da família. Na primeira sala, de 16 de abril de 1582, vimos solares, igrejas, acéquias, isto é, a fundação de Salta. As casas eram amplas com solares e pátios. Ficamos em pé vendo o filme com áudio. Enfatizo relatar que todos da cidade viraram milicianos, gaúchos, na luta pela independência do país, assim como a família de Güemes.

Na segunda sala (ou casa), dita a Casa Tejada, de 1789, que era propriedade de Don Manuel Tejada, funcionou a Tesouraria Real até 1819. Neste local um vídeo de um casal conta a história da família de Güemes com seus nove filhos. Mostra louças, cerâmicas e móveis da época. Muito lindo.

Na terceira sala, visualizamos o baú, o berço, móveis, livros e cavalinho de Güemes. Ele nasceu em 1785, Martin Miguel como o avô. O vídeo sai do baú. Foi o primeiro a nascer em Salta. Nas fincas da família brincava e andava a cavalo. Don Manuel de Castro o ensinava latim, direito e outras disciplinas aos 14 anos. Partiu para Buenos Aires a fim de completar os estudos. Ainda em Salta foi ginete da Infantaria. Era o segundo filho dos pais.

Na quarta sala, aparece ele como jovem cadete, escrevendo como em um museu de cera no momento das Invasões Inglesas.

Na quinta sala, está escrito por ele: “Um povo que quer ser livre, não há força que o sujeite”. Já nasceu destinado. Quanto às Invasões Realistas, em 1810, liderou a guerra contra o Gal. Pio Tristán, ao lado do Gal. Manuel Belgrano. A batalha de Tucumán foi a primeira invasão ao Exército do Noroeste da Argentina. Em 1814, surgiram as Províncias Unidas do Exército do libertador, do líder saltenho, tal exército de gaúchos e milicianos, paisanos que dariam a vida pela defesa de Salta.

Em 1815 foi eleito governador e em 1816 os seus homens já defendiam a região. Bastante moderno dizer que nessa época Juana Azurday, uma mulher, se uniu ao grupo. Em 1817 a maior revolução Realista, as tropas de Güemes acabavam com os inimigos, as chamadas Forças Patriotas de Güemes. Em 1821, a última a Invasão Realista. O general cai em uma emboscada pelos realistas. Foram 11 anos de incessantes esforços dos soldados defendendo a fronteira, a guerra gaúcha e seu líder. A sua irmã Madalena foi sua grande colaboradora.

Na sexta sala, Güemes e a independência. O congresso de Tucumán declarou a Constituição e a independência, quando ele era governador. Foi eleito sem a interferência de Buenos Aires. Neste recinto, aparece a grande história de amor dele com sua amada: Carmen Puch (1797-1822). Apenas dois meses depois de terem se conhecido, casaram em 1815. Ela era a mais bela da cidade: ruiva com olhos azuis e tiveram dois filhos Luís e Martin.  Morreu com 25 anos, após a morte dele. Carmen se encerrou em casa, cortou os belos cabelos famosos e deixou de comer “de tristeza”.

No pátio, testemunhamos as estátuas dos gaúchos de Güemes. Tinham estratégia militar, lutavam como em guerrilhas com o objetivo de desconcertar e desgastar as tropas invasoras. O jinete crioulo era fiel ao cavalo, eram adaptáveis ao terreno. Os gaúchos eram pequenos produtores, juízes rurais, estancieiros, escravos e peões.

Na oitava sala, a traição à meia-noite. Foi emboscado e ferido de morte. A mulher dele teve uma intuição. Os inimigos entraram vigorosamente no Campo da Cruz, eram quatro grupos de fuzileiros, 400 homens para matá-lo. Ele estava na casa da irmã Madalena. Escapou cavalgando até o El Chemical com escoltas, mas os opositores abriram fogo.

A sala 9 apresenta o general ferido em uma pintura. Eis uma lástima! Faleceu. O vídeo mostra os gaúchos ao lado dele ferido na Cañada de La Horqueta. Bastaram dois tiros. Ele dizia: “Nada temo, porque jurei sustentar a independência da América e selá-la com meu sangue”. Por 10 dias sofre até morrer, esteve rodeado pela mulher, filhos e padre Francisco Fernandéz. Tinha 36 anos. O médico foi Antonio Castellano, o primeiro doutor saltenho graduado.  O médico dele mesmo era escocês, porém estava ocupado cuidando do Gal. Belgrano. Está escrito em desenhos de nanquim: “Morreram todos como eu morro, antes de capitular com os tiranos espanhóis”.

Sobre Güemes escreveram Dionisio Puch em 1846, Juana Manuela Gorriti em 1858, Leopoldo Lugones em 1905, e Bernardo Frías em 1911. É uma aula de história fascinante.

A réplica do uniforme está em exposição, da mesma forma a faca e o punhal usados pelos liderados. Sua luta continua. Em 1807, durante a Segunda Invasão Inglesa, Güemes protege Buenos Aires. Em 1806, acoberta a mesma capital e Montevidéu para impedir contrabando. Em 1808, solicita ser destinado a Salta por problemas de saúde e para colaborar com a administração dos bens familiares, uma vez que o pai falecera em 1808. A Batalha de Suipacha de 1810 foi a primeira vitória patriota na Guerra da Independência. A sua atuação foi decisiva. Abriu uma rota para o Alto Peru. Em 1815 foi governador ou El Cabildo por 30 anos de Salta. Pensem em uma vida intensa.

Em 1877 os restos mortais dele foram trasladados para a Catedral de Salta no Panteão dos Heróis. Em 1895 se publica ”Güemes e seus gaúchos” de Filiberto de Oliveira Cézar. Aqui deixa de ser somente mais um personagem para os historiadores argentinos. Em 2017 o museu é inaugurado. Vale a pena divulgar o filme de Leopoldo Torre Nilson de 1971: “La Tierra en Armas” com Alfredo Alcón.

Saímos do museu e fomos almoçar. Novamente no restaurante Solar do Convento no centro histórico na Calle Caseros. Pedimos truta com manteiga negra, champignon e batatas Niçoise. O vinho foi Amalaya, um malbec 2017 de Cafayate. Tudo muito bom por $1080 pesos. Considerei muito simpático o garçom ter nos oferecido um espumante por conta da casa.

Ufa! Maravilha de terra. Para finalizar esta cidade charmosa, não posso de deixar de grifar sobre a empanada saltenha da La Salteñeria na Calle Catamarca, 7. Ao som da nossa bossa nova, com carne, batata, coentro e cebola, e com uma leve pimentinha, o Carlos amou. Minha escolha de jantar foi o Café do Convento perto do Convento São Bernardo. Pedi um roll de vegetais de massa folheada com milho, ervilha, alfafa, cebola etc. Uma delícia por $180 pesos. Mesmo com o frio de noite e a demora no atendimento, compensou.

E, para finalizar, nosso agradecimento ao atendente Marcelo da Azul no aeroporto de Córdoba, que gentilmente nos deixou ficar no Espaço Azul do avião Córdoba – Recife – Fortaleza. Ganhamos mais espaço e comodidade. Ele foi demais.

Agora concluo, enfim, lhes dizendo que amei Salta, o povo, a tranquilidade. Voltarei! Viva a Argentina, viva nuestros hermanos tan queridos. Saudações ao nosso agente Guillermo!

 

 

 

Argentina – Salta – San Antonio de los Cobres e Tren a las Nubes – segunda parte

Argentina  – Salta – San Antonio de los Cobres e Tren a las Nubes – segunda parte

 

Estamos em 25 de outubro de 2018 e seguimos a nossa aventura rumo às nuvens. Na primeira parte deste artigo contamos como foi o início do percurso. Em San Antonio de los Cobres adentramos o trem começando um percurso impactante.

 

O Trem para as Nuvens (Tren a las Nubes) é uma obra de engenharia impressionante. Trata-se de uma locomotiva de vapor série C12, fabricada em 1921. Em 1920 começou o assentamento dos primeiros acampamentos que iriam realizar esta obra. O engenheiro foi o americano Richard Fontain Maury. Contabilizavam mil operários: 50% eram imigrantes estrangeiros com 14 horas de trabalho ao dia. Pode-se imaginar com aquela altitude? Difícil. Em 1924 foi inaugurada a primeira via e em 1941 a obra foi finalizada com o ex-presidente Perón. As vias eram extensas, havia 3 a 4 trens por dia exportando carne, cereais e minerais. Importavam roupas e eletrodomésticos. Em 1942 eram 1.600 toneladas de ferro sendo transportados. Em 1972 começa o trem turístico, sendo o quarto mais alto do mundo. Em 1994 privatizaram a ferrovia. De 2005 a 2008 não funcionou. Em 2014 passou a ser uma empresa provincial.

Emoção de estar no trem
Emoção de estar no Trem para as Nuvens-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

A ideia era partir no trem às 12 h sem almoçar a fim de não passar mal. Nunca vi nada igual, é deslumbrante estar em um trem em tal altitude em um lugar único no planeta. Com áudio em espanhol e inglês, tivemos como guia o Gabriel. Há loja, bar e assistência médica em cada vagão. Estamos na fronteira com o Chile. Perto de cidade, existem as Águas Termais de Pompeya. Um percurso muito interessante de se fazer. No trem vendem quinoa doce em sementes. Uma delícia.

 

O trem vai e volta sem mudar de lado, quem muda são os passageiros. Com as janelas abertas, o vento é gostoso. No meio do caminho há uma parada em Mina Concórdia, mina de 1660, a mais antiga do país, desativada em 1986. Produzia zinco, prata e cobre. O desengate do trem é realizado, uma máquina empurra e continuamos a viagem. Considerei original demais.

 

São 15 km de San Antonio de los Cobres até o Mercado Artesanal na última parada. Estamos a 4.220 m. Eis o ponto culminante do dia. Devagar levamos 2 horas até o local. Lá há indígenas vendendo artesanatos e tortilhas. Comprei a de queijo e presunto. A bandeira foi hasteada no morro acima com o hino da Aurora (Bandeira) sendo cantado pelos argentinos. Depois aplaudiram. Achei o máximo! Ficamos um tempinho no lugar.

 

O famoso viaduto em curva La Polvorilla é enorme com seus 224 m de comprimento e 63 m de altura. Sentimos estar realmente nas alturas. Experiência única na vida.

A volta para a cidade de Santo Antônio vai mais rápido (1h e meia). A pessoa tem que estar bem de saúde para este dia, é puxado, pois a altitude cansa. Ao retornarmos ao município às 15 h, nos dirigimos ao Centro de Artesanato onde havia um restaurante com opções boas. Comemos a melhor empanada até aquele momento: de frango e mais uma salada. A nossa garçonete foi uma indiazinha muito fofa chamada Luiza. Ela nos amou e nós a ela, uma graça. Dei a ela um bottom do Brasil e ela delirou. Depois, fomos conhecer a localidade.

Igreja Santo Antônio de Pádua
Igreja Santo Antônio de Pádua-San Antonio de los Cobres-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

Estivemos na igreja Santo Antônio de Pádua e demos uma volta.  Vimos muitos estudantes saindo da escola, observamos as casas e as ruas. Parece de faroeste tal a aridez do solo. Valeu!

Na volta entramos no sítio Santa Rosa de Tastil a 3.110 m. Trata-se de um povoado pré-hispânico com 15 famílias, um sítio arqueológico na Quebrada del Tastil, uma região inca. Visitamos o Museu de Tastil do Governo da Província de Salta – museu arqueológico – sem pagar nada, um achado. Pena que a visita tenha sido só de 10 minutos, mas deu para impressionar. Foi inaugurado em 1975. Vimos a arte rupestre na rocha com motivos naturalistas figurativos e outros. Entre os achados se exibem peças e objetos pertencentes ao sítio arqueológico situado na parte alta da montanha, muito próximo do atual povoado. É um dos maiores do país, calcula-se que chegou a albergar aproximadamente 3 mil pessoas. Tastil e o museu fazem parte do Patrimônio Cultural Qhapaq Ñan (Caminho Principal Andino ou Caminho Real Incaico).

Fora há uma feirinha com produtos artesanais com venda de roupas de lhama e alpaca e outros objetos. Digno de nota relatar que a lhama é mais elegante que a selvagem vicunha. Essa tem um pelo fino e a lã é cara, o kilo custa $25 mil pesos, já a lã de ovelha e lhama é mais barata por ser mais comum. Uma curiosidade da localidade: o El Baile de Suri (avestruz) é uma antiga dança cerimonial de origem pré-hispânica que hoje se realiza em ocasião das festas patronais, como a adoração a La Virgen ou Patrona local, no qual adultos e crianças usam penas pelo corpo.

 

Ao fim da excursão ganhamos uma caixa com alfajor e salgadinhos e café ou bebidas no próprio ônibus. Ainda fizemos uma parada técnica para fotos do entardecer nas montanhas de cores variadas. Deslumbrantes! Só tenho elogios ao passeio, foi perfeito! Voltando a Salta, repetirei tão formidável turnê.

 

 

Argentina – Salta – San Antonio de los Cobres e Tren a las Nubes – primeira parte

Argentina – Salta – San Antonio de los Cobres e Tren a las Nubes – primeira parte

Hoje é dia 25 de outubro de 2018 e faremos o percurso mais inesquecível de Salta. Vamos passear no mais famoso atrativo turístico do noroeste argentino: o Tren a las Nubes! Subiremos a Cordilheira dos Andes e nos aventuraremos por paisagens secas, de pouca vegetação, onde a árvore mais encontrada é o cacto gigante, símbolo da região. Este passeio ocorre às terças, quintas e sábados, de abril a novembro. Antigamente o trem ia de Salta até o viaduto La Polvorilla, hoje não, vai somente de Santo Antônio até o viaduto, um percurso de 15 km. San Antonio de los Cobres dista 168 km a noroeste de Salta.

Compramos a excursão na agência Tintikay na Calle Caseros, 404 por $3.420,00 pesos por pessoa.  É caro, mas vale cada tostão. Viemos andando do hotel Solar de La Plaza pela Balcarce até a estação de ônibus, que fica esquina com a Calle Ameghino em frente à praça Antofagasta. São umas três quadras longas, estava frio e escuro, e tínhamos que estar lá às 6.30 da manhã. O ônibus sai às 7 h e faz ligação com o trem em Santo Antônio. Eis os Serviços Ferroviários Turísticos. Voltaremos às 20h. Dia pleno de tanta beleza da Cordilheira dos Andes.

Na estação de ônibus, entramos em uma fila para mostrar o voucher (recebido na agência) e a identificação. Em outra fila, recebemos a pulseira com a cor do ônibus. O nosso era o vermelho. Havia outros que saíram juntos. A guia muito simpática e eficiente se chamava Cristina Carrizo e o motorista Cristian. Cristina, aquele abraço! Há uma enfermeira em cada ônibus e uma ambulância seguindo. Achei genial. Afinal, tem turista que passa mal no trajeto com dor de cabeça, estômago etc.

Cheguei à estação cansada, pois o esforço exaure pela altura (1.187 m). Deixo a folha de coca na boca para amenizar. Na estação há pessoas vendendo chá, folha e bala de coca.

Entramos no coletivo. Bom ser ônibus normal e não van, menor. Chama atenção a altitude: El Alfarcito (2.800 m), Santa Rosa de Tastil (3.100 m), San Antonio de los Cobres (3.775 m), e o viaduto de La Polvorilla (4.200 m).

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Eu na placa da Ruta Nacional 51 perto de Alfarcito-Salta-foto tirada por Carlos Alencar

Seguimos em direção oeste pela Ruta 51 até San Antonio de los Cobres, a cidade mais alta da Argentina. A primeira parada é em Campo Quijano, onde havia uma moça vestida com traje de carnaval para o desfile momino “Comparsa Premiada”, ao lado de um trem histórico. Tiramos foto com ela e ali mesmo havia uma feirinha com comidas típicas, como tortilhas, e artesanato. A segunda parada foi em El Ceibo. Aliás, nome da flor nacional, vinda de árvores floridas da cor vermelha.

Vemos as estruturas ferroviárias nas montanhas abandonadas. Uma lástima! Muitos povoados dependiam dos trens. Aliás, o país teve um grande desenvolvimento a esse respeito. Foi o único país da América do Sul a fabricar material ferroviário.

Acerca das montanhas vistas, são verdes, porque os ventos passam pela região e muitas delas são espetaculares com suas cores diversas. Os álamos marcam as propriedades rurais de forma bonita de se observar. As famílias trabalham com queijo, cabras, vacas e agricultura. Plantam pêssego, maçã, pera, damasco e milho. Usam energia solar. Estamos a 2.500 m de altitude. 

Outra parada foi em Gobernador Solá que, além de ter as montanhas coloridas, da mesma forma tem o cemitério. A altitude é de 2.556 m. Há um controle de Gendarmeria, ou seja, da polícia no município. 10 voluntários argentinos foram convidados a mostrar os documentos.  Detalhe: na viagem só havíamos nós de brasileiros, todos eram argentinos. Eles sempre muito queridos (uma senhora no ônibus queria praticar o português conosco, uma graça!). Eles realmente se interessam por nós.

Em El Alfarcito (2.800 m), a companhia nos ofereceu um café da manhã campestre na localidade da escola do padre Chifri. Faz parte do pacote: café e chá de coca, e um saquinho de papel com pães salgados e doces.

A fé dos moradores mantém vivo o sonho do padre Chifri e a tradição na feitura de artesanato. Lá se destaca a Festa da Papa Andina que reúne habitantes de diversas comunidades da Quebrada del Toro. O rio Toro depende das chuvas, são aguaceiros que começam de novembro a fevereiro. Nas montanhas ao redor há avalanches.

Falando um pouco sobre o afamado e estimado padre Chifri (1965-2011). Nasceu em Buenos Aires, mas era sacerdote em Rosário e Lerma. Iniciou um trabalho com a sociedade de El Alfarcito para integrar 22 comunidades. Criou uma escola primária e secundária para crianças indígenas da região. É moderna e usa painéis solares. O padre fez muito pela comunidade. Os alunos moram na redondeza com suas famílias, a escola foi uma invenção do padre no meio do nada. Incrível! O tíquete do trem ajuda a Fundação do Padre Chifri. Na capela São Caetano está a tumba dele e também há o memorial com fotos da sua vida. Interessante que ele via os paroquianos de lugares distantes nas montanhas de parapente. Certa vez caiu e se quebrou todo, mas sobreviveu. Infelizmente, morreu do coração um tempo depois. O seu sonho, afortunadamente, continua. A diretora do colégio vem de Buenos Aires. Trata-se de um projeto bem conceituado no país.

As 11.30 h chegamos a Santo Antônio dos Cobres (3.775 m) ao pé da montanha Terciopelo. A cidade foi nomeada assim, por conta de ser um antigo acampamento mineiro. Eram minas de cobre e prata que existiam em seus arredores na época de sua fundação. Atualmente, não são mais tão importantes para a economia, embora ainda existam muitas empresas mineradoras atuando na região. Salta proibiu a extração de minerais metálicos. As casas são de adobe, ou seja, feitas para o deserto, e as ruas são de terra. O solo é pobre. Os moradores têm clara ascendência indígena. A popularidade do povoado cresceu devido ao trem que traz turistas e à proximidade do viaduto La Polvorilla. Estamos na Quebrada del Toro e faz frio na montanha. Não se deve correr, nem fazer esforço e só respirar pelo nariz. A amplitude térmica é grande. Na Cordilheira dos Andes deste lado veem-se pontos nevados. São 90 milhões de anos de existência.

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Estacionamento dos ônibus em San Antonio de los Cobres. Lá estava um vendedor de artesanato com sua lhama-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

A cidade pequena tem escolas, movimento, quartel do Exército, com poucas opções de restaurantes. Lugarzinho ermo, mas muito original. Imperdível!

Continuaremos com a viagem de trem no próximo artigo.

 

 

Argentina – Salta – Museu Histórico do Norte no Cabildo

Argentina – Salta – Museu Histórico do Norte

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Rua de Salta la linda-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 24 de outubro de 2018 e vamos conhecer outro museu: o Museu Histórico do Norte no antigo Cabildo (centro do governo da província). Já estivemos no MAAM (Museu de Arqueologia da Alta Montanha), também situado em frente à praça 9 de Julho. Segundo o Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul de Zizo Anis & Os Viajantes (quarta edição), “é o edifício mais antigo da cidade, sua construção começou no mesmo dia da fundação de Salta, em 1852. Desde então foi modificado diversas vezes, e é um dos mais completos e conservados centros históricos do país. A fachada de arcos brancos, típica da arquitetura colonial, estende-se por todo o quarteirão”.

Em 16 de abril de 1945, no dia do aniversário da fundação de Salta, este Cabildo foi reintegrado à Nação por iniciativa do ex-senador Dr. Carlos Serrey.

Por 20 pesos, conhecemos muito da história do norte da Argentina. A audição com os audioguias (audioguides) no local é feita em francês, inglês e espanhol. Parabéns!

Vamos lá. 12 mil anos atrás os indígenas, habitantes do noroeste argentino, tinham vida nômade. Há 8 mil anos novos grupos de caçadores adentraram esta região. Produziam cerâmicas, vasos, jarros etc. As plantas alimentícias mais importantes eram o milho, o feijão e a abóbora. Depois veio a batata. Entre 650 e 850 d. C. se desenvolve uma cultura que se sobressai no norte do país: a cultura de La Aguada (agricultura, guerreiros e religiosos).

Tastil, La Paya e Tolombón apareceram como centros urbanos. Os cemitérios foram separados das áreas de vivendas, ou seja, isso significa uma planificação com todas as implicâncias sociopolíticas e religiosas. As urnas funerárias para crianças são um dos elementos mais característicos dessa época.

Quando os grupos indígenas estavam no apogeu (até 1480 d. C), chegam os Incas. Provocam um profundo impacto naquelas sociedades locais. A quinua passa a ser um alimento fundamental. As collcas eram os depósitos de alimentos dos incas para proteger contra as mudanças climáticas. A dominação inca no território argentino facilitou a conquista pelos espanhóis, estes entraram de forma rápida e precisa. Aí os espanhóis destruíram os incas. Nos séculos XVI e XVII houve a miscigenação entre espanhóis e indígenas, dando lugar à cultura mestiça ou crioula.

Estamos agora no período colonial. A conquista espanhola trouxe o culto católico que foi difundido pelos missionários nos séc. XVII e XVIII. Vemos no museu as obras religiosas, como retábulos, quadros, cadeiras e baús. A arte alto-peruana fez escola em Tucumán. Um pintor flamenco Rodrigo Sas (1608) fez inúmeras obras em Potosi. Existiu da mesma forma Melchor Pérez em Holguin e Tomás Cabrera em Salta. Trabalhos em madeira na forma de escultura de Cristo e Nossa Senhora, além de mesas e vestes talares. Digno de nota a bela imagem da Virgen de La Merced do séc. XIX, e o jesuíta artista José Schmidt (1690-1752). Era escultor e retablista, nascido na Baviera – Alemanha, que em 1721 chegou a salta para edificar o colégio da Cia. de Jesus e também fazer pinturas e adornos. O Retablo (retábulo) Portátil do séc. XIX da Porta de La Paya do sino da igreja de Sumalas de 1822 (Valle Calchaquí – província de Salta a 33 km da capital) é um deslumbre.

Na Sala Capitular, encontra-se o autêntico mobiliário luso-brasileiro do séc. XVIII, acompanhado de quadros a óleo da escola Quitenha (de Quito – Equador) do mesmo século.

Na Sala de Moedas da época, tem-se uma verdadeira aula de história. A casa da Moeda foi fundada em 1754. Observamos o sistema monetário argentino desde o séc. XVI com as primeiras cunhagens de medas hispano-americanas. Uma riqueza de lugar para quem coleciona moedas.

Nos séc. XIX e XX, percebe-se o desenvolvimento, e a arquitetura da cidade começa a se modificar. Ao fim do séc. XVIII, o município tinha mais de 50 casas com duas plantas (Buenos Aires só tinha 12). Tinham balcões sustentados por mísulas magnificamente talhadas. De acordo com a Wikipédia: mísula é “um ornato que ressai de uma superfície, geralmente vertical, e que serve para sustentar um arco de abóbada, uma cornija, figura, busto, vaso etc”. Salta “era mais populosa em comércio e gente depois de Córdoba em 1697”, conforme o ex-governador de Tucumán Juan de Zamudio. A cidade cresceu a partir da Calle Comercio, hoje Caseros.

O Período Independente do séc. XIX aparece com mobílias, jogo de sala pertencente à Casa de Graña (uva), lugar frequentado pelo Gal. Güemes. As batalhas históricas pela independência foram de Tucumán (1812) e de Salta (1813). O Exército do Norte era comandado pelo Gal. Belgrano. A Guerra da Independência a partir de 1816 estava mais cruel. Foi o governador saltenho e comandante da vanguarda Gal. Martin Miguel de Güemes que assumiu o compromisso de impedir o avanço do inimigo. Nasceu em Salta em 1785. Os seus comandados eram conhecidos como os gaúchos. Os pró-espanhóis eram os realistas (Unitários) e estavam com o Gal. Pio Tristán, já os contra eram os Patriotas (Federais). Entre 1810 e 1821, Salta suportou oito invasões realistas.

Existe a Sala dos Governadores da província de Salta do séc. XIX e XX. Na área exterior do museu, há carruagens do séc. XIX. Na época de Felipe II (Espanha), ele proibira o uso na América. Antigamente, a distância entre Salta e Buenos Aires era de 40 dias indo de carruagem. Vimos carro dos correios e carro fúnebre de tempos passados, e um carro Renault modelo 1911 de propriedade do ex- governador de Tucumán Alberto Paz Posse.

Em outra área externa, estavam moedeiras de cana de açúcar, o recipiente para espremer uvas com os pés, ponchos de Molinos, e roupas de lã de vicunha, lhama e ovelha para venda da Associação de Artesãos e Produtores San Pedro Nolasco.

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Eu em um dos arcos do antigo Cabildo-Museu Histórico do Norte-Salta-foto tirada por Carlos Alencar

Saindo de lá, já era noite, logo decidimos jantar na rua Caseros, 342 no El Comedor. A empanada de frango estava menos temperada (ainda bem!), risoto de quinua e sobremesa de maçã ao malbec (vinho) por 180 pesos. Delícia. Na terra saltenha, gostam muito de uma pimentinha e temperos… Lembrei-me da nossa Bahia.

Ufa! Que passeio! Fiquei fã do Gal. Güemes, aliás, eu e a população argentina toda. Que cidade! O povo reverencia seus heróis o tempo todo. Os guias falam neles, os museus mostram, enfim, a gente aprende nem que não queira. Parabéns a Salta por tanta cultura!