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Argentina – Salta – Museu MAAM (Museu de Arqueologia da Alta Montanha)

Argentina – Salta – Museu MAAM (Museu de Arqueologia da Alta Montanha)

 

Hoje é dia 24 de outubro de 2018. Viemos conhecer o afamado Museu de Arqueologia da Alta Montanha (MAAM) no centro histórico, em frente à praça 9 de Julho.  Lugar surpreendente em um prédio meio escondido, com três níveis, os quais nos deixam fascinados. Pequeno, bem organizado e transmite muito conhecimento em espanhol e inglês. Imperdível.

Segundo o folder recebido: “O museu tem como objetivo principal a conservação, difusão e investigação do achado realizado no vulcão Llullaillaco. Neste local, a 6.700m acima do nível do mar, foram encontradas três crianças acompanhadas de objetos que, por seu lugar de procedência, manufatura e materialidade representam aspectos transcendentais da vida social, simbólica e religiosa do mundo Inca. O excelente estado de conservação da coleção, somado à variedade dos materiais com que foram confeccionados, implicaram um desafio na aplicação de técnicas que permitiram a correta preservação e apresentação deles”.

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As crianças mumificadas encontradas na Cordilheira dos Andes na província de Salta-foto tirada do folder por Mônica D. Furtado

Eu já havia lido sobre as crianças mumificadas encontradas nos Andes, porém ver uma delas in loco é algo emocionante. Começaremos a visita. As múmias das três crianças: a Donzela (la Doncella – jovem de 15 anos de idade), a Menina do Raio (la Niña del Rayo – criança com 6 anos de idade) e o Menino (el Niño – criança com 7 anos de idade) foram localizados com objetos na plataforma cerimonial no vulcão cujo cume tinha 6. 736 m. entre Argentina e Chile.  Para levar os jovens ao sacrifício, foram acompanhadas por representantes da elite imperial com seus adereços coloridos e grandes na cabeça. Iam também caravanas de lhamas cuja função era controlar magicamente os elementos como saúde e abundância de ganhos.

A tumba da menina doada às divindades foi violada por caçadores de tesouros. Hoje está protegida no museu. Fotos e vídeos mostram a história e cultura do povo Inca. Estamos falando de tempos pré-colombianos. São duzentas montanhas com adoratórios ou santuários de altura para rituais religiosos.

O Caminho Principal Andino (Qhapaq Ñan) é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2014. Salta através do Ministério da Cultura e Turismo é responsável pelo Programa Qhapaq Ñan (língua indígena quechua) com o intuito de preservar este legado, que vai do sul da Colômbia até o Chile e Argentina (em Mendoza). Trata-se de 40.000 km atravessando diferentes populações e ecossistemas, eis o domínio Inca em passados longínquos. As lhamas à época carregavam minérios e variados produtos 30 a 40 km pelo Caminho. Hoje só se conhecem 25.000 km. Uma riqueza de cultura! Detalhe: ainda existem comunidades Qhapaq Ñan lá.

Voltemos às múmias. Comidas e animais também eram ofertados à montanha da Cordilheira dos Andes. A Donzela era uma adolescente virgem e no momento do holocausto estava com os pais e sacerdotes. Músicas eram cantadas. Os pequenos iam preparados com roupas e artefatos, como madeira a fim de serem inseridos juntos com eles. Subiam até o cume da montanha, onde estava a plataforma cerimonial. Isso ocorreu há mais de 500 anos atrás.

Quando foram encontrados, estavam intactos, por conta da localidade sem oxigênio e asséptica. Foram congelados naturalmente. Em março de 1999, uma equipe científica retirou as crianças do vulcão nevado. Os cientistas sentiram muito frio e passaram dificuldades. Um vídeo mostra tudo. Na verdade, os garotos foram descobertos pelo antropólogo norte-americano Johan Reinhard. Ele havia subido a montanha em 1983, 1984 e 1985 anteriormente. Digno de nota ressaltar que em 1952 houve a primeira expedição do Chile Mountaneering Club (Clube de Montanhismo do Chile) o qual subiu a montanha e descobriu a existência de materiais arqueológicos.

A PALEOPATOLOGIA é o estudo das crianças congeladas (por dentistas, médicos e radiologistas). A conservação do corpo exterior delas estava perfeita: os pulmões intactos. Elas sofreram de desidratação. Estudaram todos os órgãos internos, estavam em bom estado de nutrição, ou seja, foram alimentadas até o fim. Estavam adormecidas quando morreram. No museu os corpos estão conservados em cápsulas que modificam a atmosfera reduzindo o conteúdo de oxigênio em um ambiente estável de -20˚C e uma iluminação filtrada em UV e IR que garantem a correta preservação: chama-se “criopreservação”.

As cerimônias religiosas nos Andes eram relacionadas com a natureza e a fertilidade, especialmente, os ciclos e estações da agricultura. Para perecer, os sacrificados tomavam chicha (bebida alcoólica de milho). Em Cusco no Peru, da mesma forma, eram enterrados dormindo. Importante mencionar que para os Incas, eles não eram imolados, eram reunidos com os ancestrais, que iriam olhar das montanhas mais altas, do topo para eles embaixo. A vida dos miúdos era a melhor oferenda. O ouro representava o Sol; a prata, a Lua; e a concha marinha, as chuvas e a fertilidade. As peças que acompanhavam os meninos eram em miniatura, mas representavam o mundo real. Os casamentos de crianças de diferentes tribos eram simbólicos para a união do mundo Inca. Mulheres eram entregues a outros chefes regionais e as meninas ao Sol, por isso a Donzela sacrificada. Pertencia à Casa das Escolhidas, era a Virgem do Sol.

O Menino era da elite Inca. Encontra-se no museu com as roupas do momento do sacrifício. Tinha uma pena na cabeça, cordas enroscadas na cabeça e corpo, e sapatos. Impressionante a visão do niño, parece estar dormindo. Como pode estar tão incólume com mais de 500 anos de idade?

A Menina do Raio, por sua vez, teve seu corpo queimado por um raio que caiu sobre ela logo depois de ser enterrada. O seu crânio tinha uma forma cônica em sinal de hierarquia e beleza.

Conforme linguistas, Llullaillaco significa “água de memória”. A montanha é considerada sagrada. Os sacrifícios eram ditos naturais por muitos indígenas da região (em entrevistas). Aconteciam para prevenir doenças e ganhar fartura. Uma professora reportou: “Dizem que lá há muito a ser descoberto e por meio deles se conheceu mais a região”.

Um pouco de história da região: em 10.000 a. C. existiam os grupos caçadores; em 3.000 a. C. a domesticação de animais, e vegetais; em 600 a. C. as primeiras aldeias; em 600 d. C as aldeias desenvolvidas; em 1.000 d. C. os povoados; em 1.400 d. C. chegam os Incas; e em 1.532 d. C. chegam os espanhóis.

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Capa do folder do MAAM – foto tirada por Mônica D. Furtado

Em suma, nunca visitei um museu tão impressionante como esse. Saímos de lá abismados. Parabéns a Salta e continue cuidando da sua história e riqueza cultural assim.

O próximo artigo será sobre o Museu Histórico do Norte no Cabildo.

Argentina – Salta – Passeio pela Cidade

Argentina – Salta – Passeio pela Cidade

Hoje é dia 23 de outubro de 2018. O Carlos foi conhecer a maravilha da Quebrada de Humahuaca em Jujuy com a excursão da agência Tintikay sem mim (duração: 14 h). Eu estava cansada e resolvi desbravar a linda cidade. Dá pra uma mulher sozinha fazer turismo em Salta, pois as pessoas são respeitosas e o local é seguro.

Tomei o café da manhã do hotel Solar de la Plaza com calma. Biscoitos caseiros (galletitas), minibolo de maçã com pouco açúcar e cremoso (uau!), bolachinha com doce de leite e chocolate, alfajores pequeninos, brownies, enfim, uma delícia. Decidi que desta viagem em diante eu iria comprar leite desnatado (leche descremada) no supermercado, logo todos os dias desço para o café da manhã com o meu. O leite argentino é divino: encorpado e gostoso, porém fico com o meu sem gordura e a consciência dói menos…

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Porta do Convento São Bernardo – Salta – foto tirada por Mônica D. Furtado

Caminhei, observei, fiz compras e senti o clima de Salta. Aliás, tinha chovido e o clima esfriara. Fui novamente ao Convento San Bernardo e comprei uma medalhinha pela janela móvel, já que são freiras reclusas.

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A deliciosa humita de Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

As comidas típicas da região são as nozes confeitadas, doces regionais, tamales (com carne; trata-se de uma massa feita de milho, que pode ser cozida a vapor), salame e carne de lhama e humita. Essa eu provei com um café chico (pequeno) e paguei 80 pesos. Trata-se de uma pamonha de milho mais doce e mais cremosa que a nossa do Ceará. Sentar em um café com pessoas da terra e sem pressa não tem preço. Aconselho o La Tacita Café.

As lojas variadas e com artesanatos coloridos são um colírio para os olhos. Uma loucura! Lembrei-me de Cartagena na Colômbia. Salta é feita para o turismo. Agrada a todos. A Loja do Convento na rua Caseros tem preço muito bom para as lembrancinhas. A Coya Artesanías na mesma rua também gostei.

O argentino do norte do país tem descendência indígena, por isso é tão diferente fisicamente do do restante do território. Amo o povo e eles amam a gente.

O almoço foi no Rosseto´s Café por 210 pesos: frango grelhado com salada e limonada. E lá estava o indefectível jornal para a leitura: El Tribuno Salta. Considero fantástico chegarmos aos cafés ou restaurantes e encontrarmos jornais. A leitura é um costume na Argentina e Uruguai. Ponto para eles.

De lá fui à Catedral de Salta novamente. Erigiu-se a Catedral por Bula de Pio VII em 28 de março de 1806 ao criar-se o Bispado de Salta. Em 4 de junho de 1810 foi inaugurada no antigo templo da Cia. de Jesus. O Panteão das Glórias do Norte, com urnas do herói Gal. Güemes, Gal. Frías, Monsenhor Romero e outros, está localizado dentro da catedral. Tirei foto da estátua em bronze do papa João Paulo II em frente à Catedral, como uma devida homenagem do povo de Salta em 1987. 

Dei uma olhada na Peatonal Alberdi com muito a ver em termos de lojas e sentei um pouco na praça 9 de Julho. Ali se escuta música clássica. Demais!

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Assembleia Legislativa em Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

Resolvo voltar ao hotel e tiro uma foto da Assembleia Legislativa em frente à praça Güemes, onde está o nosso Solar. Todos os dias há gente fazendo barulho e protestando em frente, mesmo que poucos. Também testemunhei outro dia marchas de protesto em uma rua no centro. Tudo controlado pela polícia de forma pacífica.

No caminho para o hotel, vejo muitos vendedores. Comercializam frutas pelas ruas, queijos, tortilhas variadas, panetones etc. Sobrevivem como podem.

Digno de nota reportar que o argentino é família e católico. Notei a imagem de Cristo e do papa Francisco em lojas e outros lugares. Recordei do Cariri cearense com sua devoção ao Padre Cícero.

Salta é centro de turismo estudantil e religioso. Estudantes não faltam, são milhares. E grupos religiosos também. Soube que a Nossa Senhora do Cerro é venerada. Sempre há uma multidão aos sábados para vê-la. Esse local é afastado da cidade. Já N. Sr. e N. Sra. do Milagre são adorados na Catedral.

Em breve vamos ao fabuloso MAAM (Museu de Arqueologia de Alta Montanha).

Argentina – Salta – Cafayate

Argentina – Salta – Cafayate

Hoje é dia 22 de outubro de 2018 e continuamos na excursão até Cafayate, ao sul de Salta. Estivemos na Quebrada do Rio das Conchas ou Quebrada de Cafayate e agora rumamos ao município com a segunda maior produção de vinhos do país. São vinhos de altitude, uma vez que as uvas são cultivadas em terras a 1.660m acima do nível do mar, concedendo-lhe um sabor especial.

São duas maneiras de chegar à localidade: pela Ruta 68 (toda asfaltada e mais curta – 189 km) ou pela Ruta 40 (percurso maior com 320 km). É comum ir por uma via e voltar pela outra. As paisagens de formações rochosas e montanhas embelezam ambos os percursos.

Cafayate na língua quichua significa “grande lago ou lago do cacique”. De acordo com o http://www.welcomeargentina, “a cidade foi fundada em 1840 por Dom Manuel Fernando de Aramburu, cumprindo a vontade de sua mãe e encarregou a Dom Rosendo Frías a demarcação do povoado. Da união dos vales Santa Maria e Calchaquí e na Quebrada do Rio das Conchas, entre bonitas paisagens das montanhas Três Cruzes e Morales, ao pé de San Isidro se levanta Cafayate”.

O festival de folclore mais importante do norte argentino ocorre uma vez por ano e se chama “Serenata Cafayate”. No ano de 2019, realizou-se nos dias 21, 22 e 23 de fevereiro no Payo Solá na Bodega Encantada no centro da cidade. Grandes cantores e grupos de folclore, como Abel Pintos, La Cantada e Paola Arias estiveram na festividade.

Vi muitos cactos pelo caminho, planícies pluviais e montanhas. Eis o Valle de Calchaquí. A areia parece de praia do leito de rio seco.

Chegamos a Cafayate (fala-se “Cafajate”). A Ruta Nacional 40 passa por onze províncias e em Cafayate só tem uma mão. Segundo centro turístico do norte da Argentina após Salta, lugar de bodegas, lojas de artesanato e de degustação de produtos regionais e vinhos. Há vinhas à direita e à esquerda, usam o método italiano, exclusivo para o vinho torrontés.

A terra é do sol e do vinho torrontés. Hoje são 120 bodegas, quatro anos atrás eram 40. Os trabalhadores vêm de Mendoza e San Juan.

Fizemos compras na loja Alfajores Calchaquitos (Av. Güemes, 124) com uma gama imensa de produtos. Como passas, postais, roupas de lã etc. O almoço foi no restaurante El Criollo, onde conversamos bastante com um casal bastante agradável e simpático de Buenos Aires: Marta Ferreira e Martin Gauna. Saudaciones! De almoço eu fiquei na massa e o Carlos pediu de prato principal matambre, tão comum no Rio Grande do Sul e a cara da minha avó Dinah. Conforme a Wikipédia: “é um pedaço de carne que se extrai dentre a pele e a costela do gado bovino. A maneira mais conhecida de preparação é o matambre enrolado, preparado típico da Argentina, Paraguai e Uruguai, que se consome principalmente na época natalina”. No restaurante, tudo tinha carne, afinal é a boa e velha Argentina.

Muito original a cidade. Parece de velho oeste. As construções são mais altas e as ruas mais largas do que em Salta. A Catedral, da patrona do município, Nossa Senhora do Rosário, de 1895, foi construída pelo padre Julian Toscano e é a sede da prelatura (prelazia) de Cafayate desde 1969.

A mais importante via é a Av. Güemes que corta a cidade de norte a sul, passando pela praça principal, onde está o comércio com suas lojas coloridas de artesanato, restaurantes diversos, galeria de arte e os hotéis. Esta via no sentido norte, após passar a ponte do rio Chusca, direciona os motoristas para a Ruta 40 no sentido de Cachi ou Ruta 68 diretamente a Salta.

Estava muito quente: 42˚C. Abafado, querendo chover. Pena não ter provado os sorvetes de vinho torrontés (branco) e cabernet (tinto), com teor alcoólico, na sorveteria Helados Miranda (Av. Güemes Norte, 170), iguaria original da cidade, criada pelo dono do estabelecimento.

Após o almoço era hora de visitar uma bodega familiar e a mais antiga: Vasija Secreta, situada na saída norte da estrada, em direção à Ruta 40.  A guia Susana nos ensinou muito. Vamos lá. Existem três setores na bodega. Tudo é manual, a água de gelo é usada. O vinhedo é orgânico, não utiliza pesticida. A construção foi em 1807 e aberta ao público em 1857.

Fotos históricas dos donos saltenhos estavam expostas na parede. A primeira máquina-prensadora-vinda da Itália em 1900; os primeiros filtros; e os tonéis construídos a mão em exposição. Para cada vinho, uma temperatura ideal, mas os 40˚C do verão não fazem bem à produção. Para os brancos de 5˚C a 10˚C, sendo melhor consumir de 5 meses a 3 anos.

O Museu das Bodegas com suas primeiras máquinas vinícolas, com tanques de fermentação e outros controlados por um rapaz no laboratório. Nos tanques brancos há a separação do vinho da casca da uva. Qualquer um coleta a uva, mas para podar é específico. De fevereiro a maio, três turmas de trabalhadores são necessárias. O vinho Gata Flores tinto cabernet da bodega ganhou o “Prêmio Internacional de Reconhecimento de Eficiência”. Depois da visita, a degustação. Provamos um torrontés semidoce (colhido em fev. de 2018) e um malbec tinto. Gostei do primeiro, pois o paladar frutado caiu bem.

Interessante dizer que o dique Cobra Corral, de 13 mil hectares, se localiza em Cel. Moldes (no caminho de Salta a Cafayate). Passa-se pela represa ao sul de Salta pela Ruta 68. Foi construído na década de 70 e ajudou a acabar com as inundações da área. Praticam-se esportes náuticos ali.

A viagem de volta a Salta foi de uma hora e meia. Foi um dia bem completo, fomos de um lugar exótico indígena (Quebrada do Rio das Conchas) até a cidade das bodegas do norte (Cafayate). Valeu o passeio. Para os amantes do bom vinho argentino, Cafayate e Mendoza são obrigatórias. Viva o vinho! Néctar dos deuses…

Argentina – Salta – Los Cerrillos – Quebrada del Rio de las Conchas

Argentina – Salta – Los Cerrillos –  Quebrada del Rio de las Conchas

Hoje é sexta, dia 22 de outubro de 2018. Pegamos a excursão que vai até a cidade dos vinhos: Cafayate, porém não vamos direto, passaremos por lugares bem interessantes antes. Vamos pela agência de turismo Tintikay e, juntamente com o city tour, pagamos 1290 pesos argentinos, só para lembrar. No grupo: argentinos, chilenos e nós. Achei ótimo, assim hablamos mucho.

O horário de busca foi pelas 7.30h, sem dúvida, um dia longo. O guia foi o Ramiro e o motorista o Leonardo. Iniciamos pelo município Los Cerrillos (diz-se “Cerijos”), considerado a capital do carnaval, onde ocorre a festa mais afamada da província de Salta. Em todos os domingos de fevereiro, a população se encontra na praça principal para brincar de “mela-mela”, ou seja, jogar farinha e água uns nos outros. As jovens solteiras colocam flores na orelha e os rapazes também. Segundo o guia, a taxa de natalidade é grande em novembro e nem sabem quem é o pai… Por isso, os bebês são chamados de filhos do diabo. Los Cerrillos tem igreja, praça e é tão bem apresentada.

 

A estrada (Ruta Nacional 68: sem buracos, muito boa) que vai de Salta a Cafayate tem 192 km. A região produz quantidade de tabaco (a matéria prima), alfafa (tipo de capim para o gado), milho e muito vinho. Em La Merced se planta flores. A cidade é graciosa, com flores na praça principal. Vislumbramos El Carril. Em Cel. Moldes (outro importante saltenho que lutou pela independência, cidade a 62 km de Salta), houve uma parada técnica para banheiros e café, uma vez que na zona de montanhas não há sanitários. Lá comemos amoras silvestres do pé. Uma delícia! Pertence ao departamento de La Viña.

Nesta parte de Salta chove muito, o que é positivo para as uvas. Molinos, cidade da província de Salta, tem 180 anos e lá está a família pioneira na produção de vinhos. No município de La Viña (a 88 km de Salta) se produz uvas comestíveis. A colheita de tabaco é manual. Em Cafayate, o vinho mais famoso é o Torrontés, o qual representa 80% das plantações.

Os povoados estão ao pé da montanha, quando chove, a água entra nas casas, então são construídas sobre uma plataforma. Cafayate tem arquitetura colonial e é de 1840. Já a melhor arquitetura do país está perto: em Cachi sobre as margens do rio Calchaquí.

Continuamos na estrada e passamos por Alemania. Um local no qual os primeiros habitantes eram alemães chegados ali depois da Segunda Guerra Mundial. O trem vinha de Salta, sendo a última parada lá. Usavam cavalos para o seu trabalho de comércio. Nos anos 60, a ferrovia estava em grande parte da Argentina, todavia um dia parou de funcionar, logo os alemães se mudaram para Rosário e a cidade de Alemania ficou abandonada. Quem chegou e ocupou as casas foram os hippies. Trabalham com artesanato. São 50/60 habitantes, mas na temporada de inverno cresce para 200, com os jovens que vêm para trabalhar.

Como há uma planta alucinógena na área chamada “brea”, diz o guia que os hippies escutam o som do trem e de muita gente. Afinal, a estação era bastante movimentada. E é considerada única, com arquitetura inglesa. Falando na tal planta, em Cachi existe uma curandeira na praça principal que vende a raiz de brea e ervas medicinais. Elas têm aroma forte e são boas para muitos males, aliás a brea é usada para depressão, é seca, sem folhas e tem cor verde-amarelada, por causa da clorofila.

Dado histórico: os incas e os espanhóis entraram na Argentina pela Quebrada de Humauaca em Jujuy (perto de Salta), a mais importante do país. “Quebrada” significa caminhos naturais. Também um passo estreito entre montanhas que forma uma espécie de lago, equivalente a um desfiladeiro. Estamos na Cordilheira dos Andes, formada pela Placa Tectônica Sul Americana. Por estar sempre em movimento, há tremores de terra e terremotos, como em Mendoza e San Luís. Nas montanhas são encontradas fossilizadas conchas marinhas, demonstrando que havia mar no longínquo passado.

 

As casas da região são de barro e areia para o isolamento térmico: no verão, fresco; no inverno, quente. Chove de janeiro a março. No verão o rio está cheio, mas é uma estação perigosa de vir por estas plagas, pois os arroios cruzam a estrada e quem tenta passar, pode ser arrastado e morrer. Eis o motivo de vermos muitas cruzes pelo caminho, conforme o guia.

Vê-se montanha em forma de empanada. Falando em empanada, o Ramiro nos convida a comer a típica empanada saltenha (com ovo, batata, carne, pimentão etc). Da mesma forma, montanha em formato de sapo, dita “sapo cancioneiro”, de obelisco e de janelas. Tudo é aproveitado para o turismo.

 

A região é montanhosa, contudo seca, tem arbustos que sobrevivem à pouca água. Estamos na Quebrada do Rio das Conchas, na Ruta Nacional 68.  Visitamos as duas principais atrações.

 

A Garganta do Diabo era uma cascata no passado, hoje é seca. Trata-se de uma abertura gigantesca na pedra. O local é impressionante. É proibido escalar.

 

Também vimos o Anfiteatro. Segundo o Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul (de Zizo Anis e Os Viajantes, quarta edição): “uma concha acústica natural, quase uma caverna sem teto, onde a atração é brincar com os ecos. Eventualmente, em julho, há espetáculos musicais no local”. Considerado Patrimônio Cultural da Comunidade Indígena Suri Daguita para observação e estudo da cosmovisão. Estupendo! Na rocha gigante se está a 1800 m acima do nível do mar. Há um limite para chegar perto.

 

Ali vemos alguns vendedores de artesanato e instrumentos musicais, como a ocarina. Segundo a Wikipédia: “instrumento de sopro globular feito, geralmente, de porcelana, madeira ou pedra. Pertence à família das flautas”.

 

Cerca do Anfiteatro, está o mirador com um cenário espetacular do vale lá embaixo e o cerro Tres Cruces, ou seja, em cima do monte está o monumento das Três Cruzes: Pai, Filho e Espírito Santo. O lugar é uma mistura de São Raimundo Nonato (PI) com o deserto do Atacama no Chile. Salta sempre surpreendente, nunca imaginei que fosse tão rica e exótica.

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Visual do vale abaixo da placa Tres Cruces na Quebrada de las Conchas-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

Iniciamos o dia com clima chuvoso e agradável, porém foi esquentando até os 40˚C.

As rochas pelo percurso são coloridas de diferentes nuances. Os passarinhos que moram em buracos nas rochas na Quebrada, vão pela manhã a Cafayate comer uvas. Logo, as bodegas têm maneiras de evitar isso, geralmente com sons.

Na região do deserto da Quebrada de las Conchas existem muitos tatus. O casco no passado era utilizado para fazer instrumento musical. Atualmente é de madeira. Há lhamas, iguanas, lagartixas, víboras, cobra coral e cascavel. A cobra com cabeça triangular tem veneno. O leão da montanha nomeado “puma” marca seu lugar com urina a qual tem um aroma muito forte. Há superpopulação e há de se ter cuidado, pois todos os anos pessoas morrem pelo ataque delas. O país mandou 76 para os Estados Unidos de modo a diminuir os problemas.

A erosão e água formam uma paisagem única na Terra. A gente se sente em tempos pré-hispânicos. Valeu demais ter conhecido.

Saindo da área da Quebrada, começam os vinhedos. Em breve, Cafayate.

 

 

 

Argentina – Salta – Cerro San Bernardo e Estância de Veraneio San Lorenzo

Argentina – Salta – Cerro San Bernardo e Estância de Veraneio San Lorenzo

Hoje é dia 21 de outubro de 2018 e continuamos no passeio do city tour à tarde. O guia Davi nos dá dicas sobre os locais por onde passamos. San Bernardo é 3 km e meio de Salta, tem 600 mil habitantes e se pode subir a montanha de carro, ônibus ou por funicular (estação na praça San Martin). Estamos a 300 km do Chile a oeste e a 400 km da Bolívia ao norte.

As montanhas são as mais jovens da Terra, tremem todos os dias e a cada dois anos acontece um movimento importante.

Em San Bernardo estamos a 1454 m acima do nível do mar. A água é reciclada, há mirante com plataformas, lojas de artesanato, confeitaria, dentre outros. A folha de coca se compra nos quiosques e servem para o mal estar causado pela altitude. Lembrando que tem um gosto forte e se coloca no canto da boca e não se mastiga.

O solo é hostil por aqui. As árvores perdem as folhas que adubam a terra. Vê-se o autódromo Güemes de cima. Antigamente se tirava a madeira e a terra do cerro, hoje isso é proibido. A Reserva Provincial foi criada há 70 anos para proteger a área. 300 mil anos atrás a região era um lago, segundo geólogos.

O dique Cobra Corral ao sul produz energia hídrica e lá se pratica a pesca e o rafting. Bonito ver as pedras em três níveis colocadas para proteger a rocha: gabiões, ou seja, segundo a pt.wikipédia.org, trata-se de estrutura flexível armada, drenante de grande durabilidade e resistência, são feitos com malha de fios de aço galvanizado, em dupla torção, amarrados nas extremidades e vértices por fios de diâmetro maior e preenchidos com pedras.  Encontramos pelo caminho do cerro para evitar deslizamento.

Na zona de montanha, a variação térmica vai de 38˚C de dia para 20˚C à noite nessa época. É grande amplitude térmica. Não há umidade e nem neva. Em geral a temperatura é de 16˚C.

Interessante dizer que nesta área de Salta se homenageiam com estátuas até grupos de músicos locais. Aliás, há grande produção literária e de folclore, são muitos os músicos e poetas. Os locais de música noturnos típicos para nativos e turistas são as peñas: restaurantes com música regional para dançar à noite, muitas existentes perto da antiga estação de trem e nas seções mais turísticas da cidade. Infelizmente, não fomos, estávamos sempre exaustos à noite, mas deve ser bem divertido.

Passamos por bairros diversos de Salta: o Güemes é o mais caro e o Gran Burgo, o centro cívico (administrativo). Parece a Europa com suas praças e monumentos. Vimos o Monumento da Vitória que diz respeito à segunda batalha de Salta pela independência, a primeira foi a de Tucumán.

Há jacarandás na cidade vindos da Bahia. O serviço militar não é obrigatório no país. Cruzamos  o hospital militar o qual atende o público civil também. O Batalhão de Engenharia de Montanha com sua vila militar foi novidade. A área militar é bem extensa. Mais ao norte percorremos duas universidades e tribunais. O deserto do Atacama do Chile está a oeste.

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Castelo de San Lorenzo-Salta-foto tirada de dentro da van por Mônica D. Furtado

Vamos ao município de casas de finais de semana agora. Estamos em San Lorenzo. A sede administrativa é independente de Salta. O rio com o mesmo nome está seco no momento, depende das chuvas. Tudo é muito verde e úmido. Por conta da altitude é mais frio uns 4˚C. Localiza-se a uns 15 km de Salta e tem casas grandes e bonitas, restaurantes e hotéis. O centro é tranquilo. A cidade é arborizada, linda, com moradores que vivem na paz. Digno de nota o castelo de San Lorenzo, construído por um italiano, destinado a ser restaurante na atualidade.

Os saltenhos andam a cavalo e fazem piquenique na Reserva Natural Quebrada de San Lorenzo. Lá se compra produtos da terra e artesanatos coloridos.

O guia nos informa que dia 17 de junho é feriado nacional em honra ao General Güemes, herói fundamental à independência. Era de família rica, mas mais próximo aos pobres ditos gaúchos. Os ricos ficavam enraivecidos. Na excursão os guias sempre falam da importância do General San Martin para a Argentina e Chile e mencionam Simon Bolívar para os outros países da América do Sul hispânica.

Pera, maçã, cítricos, banana e tabaco são produtos da região. Carne de lhama (livre de gordura), de gado e o couro são fundamentais para a economia. Não podemos esquecer a energia produzida. Vimos muitas residências com energia solar. A indústria não é forte.

O nome Salta significa “lindo lugar para crescer” na tribo indígena de los Saltas.

Para finalizar a tarde, visualizamos o Mercado de Artesanato que está sendo renovado há um ano. As lojas se situam do outro lado, porém ninguém quis descer, estávamos cansados. Detalhe: fora do centro as casas e lojas têm grades, isso quer dizer que o centro histórico é mais protegido.

Vale a pena fazer o city tour. O guia Davi ajudou muito pelo seu conhecimento.

Em breve iremos a Cafayate, a cidade dos vinhos.

Argentina – Salta – City Tour 1

Argentina – Salta – City Tour 1

Hoje é dia 21 de outubro de 2018. Chegamos a Salta e decidimos fazer um city tour à tarde. Custou 390 pesos por pessoa, mas como compramos com o passeio de Cafayate (região dos vinhos), pagamos 1.290 pesos individualmente. A agência foi a Tintikay do diligente Guillermo (Calle Caseros, 404). A excursão durou 4 horas e o guia Davi nos pegou no hotel Solar de La Plaza às 16 h. Éramos o Carlos, um casal inglês e eu.

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Eu no centro histórico de Salta la linda-foto tirada por carlos Alencar

Vamos começar. A cidade é repleta de casas coloniais, uma mistura da brasileira Paraty com a colombiana Cartagena. Simplesmente apaixonante. Ao leste estão a montanha San Bernardo e a oeste o lugar de veraneio San Lorenzo.

A praça 9 de Julho, a principal, está na parte mais antiga de Salta. Era uma cidade quadriculada e a dita praça era a Plaza de Armas, local de encontros religiosos, cívicos e militares. Tal espaço foi destinado por Hernando de Lerma ao fundar a cidade em 16 de abril de 1582. Hoje há coreto, engraxates (ainda existem!), o Panteão dos heróis argentinos, sendo o mais importante o General Güemes, o que lutou pela independência da região contra os espanhóis e ao seu redor 14 mulheres, representando as províncias existentes na época. Trata-se de uma praça movimentada e querida dos habitantes e turistas.

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O Bispado de Salta ao lado da Catedral com a estátua do papa viajante-foto tirada por Mônica D. Furtado

Ao redor encontra-se o Teatro Provincial; a Sinfônica (melhor da região noroeste do país); o Museu de Arte Moderna; o Banco Makro (edifício mais moderno); a Catedral rosada (reconstruída entre 1800 e 1802); o Bispado de Salta ao lado da Catedral com a estátua de João Paulo II: o Papa Viajero (viajante), o Cabildo, dentre outros. A celebração religiosa mais conhecida é do Senhor e da Virgem do Milagre.

Os incas dominaram esta região e faziam sacrifícios humanos. Foram encontradas três crianças na montanha: eram múmias do frio. Estão no Museu de Arqueologia da Alta Montanha, também localizado ao redor da praça 9 de Julho.

A segunda catedral da cidade á de São Francisco, cuja torre mede 53 m e é considerada a segunda mais alta da América do Sul. Dos anos de 1800, tem estilo barroco e um museu.  O artesanato do local lembra muito o de Cartagena: colorido, alegre e diverso. Há muitas opções para lembrancinhas. Eu endoidei! Infelizmente, meu pai ficou sem o boné característico do local. Não encontrei.

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Café del Convento em frente ao Convento San Bernardo-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

O Convento San Bernardo, do final de 1800, possui 20 carmelitas em clausura. Para comprar uma medalhinha lá, tem que falar por uma portinhola. Ali está a porta mais bonita de Salta com a madeira trabalhada.

Há um sistema de canais pela cidade a fim de não ser inundada e um aqueduto o qual leva a água para o rio. Salta tem teleférico e o acesso se encontra na praça San Martin.

San Martin, general herói, venerado no país todo, tem um monumento em sua homenagem. Olha em direção ao Chile, pois o libertou dos espanhóis. Lembrando que a independência da Argentina foi em 9 de julho de 1816. Da mesma forma existe um monumento ao Gaúcho – ao grupo que acompanhava o Gal. Güemes na luta pela independência (dos espanhóis) da região na saída de Salta.

Antes da criação da Cordilheira dos Andes, uns 500 mil anos atrás, a água do Oceano Pacífico chegava até lá. A prova foram os fósseis achados, por isso a região é um grande sítio arqueológico. Seus arqueólogos e escritores viajam o mundo compartilhando suas histórias e conhecimentos.

Contando um pouco mais sobre sua fundação, recorro ao Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul de Zizo Anis & Os Viajantes (quarta edição). Hernando de Lerma, o fundador, era um dos conquistadores espanhóis que vinham de Lima no Peru para conquistar terras e tesouros e expandir as conquistas ibéricas. Salta passou a ser um importante assentamento que supria alimentos e animais de transporte necessários nas minas da Bolívia.

Seguiremos com o cerro San Bernardo e a estância de veraneio San Lorenzo.

Zona Azul, lixo e outras coisitas mais em Fortaleza – Ceará – Brasil

Zona Azul, lixo e outras coisitas mais em Fortaleza-Ceará-Brasil

ZONA AZUL

Muita gente leu o meu primeiro artigo sobre a Zona Azul em Fortaleza. Percebi o incômodo de todos. Continuo achando que a prefeitura de Fortaleza se considera dona das ruas. Há Zona Azul em frente de padaria na rua Pereira Filgueiras – Aldeota só para dar um exemplo. Fala sério, Prefeito! O comércio está tentando sobreviver e a prefeitura pensa em cobrar dos  clientes? Isso não ajuda. Somos Davi contra Golias, já que não sai matéria no jornal ou TV ou rádio. Ninguém está chateado? Quem estiver, então, faça como eu: onde tem as tais zonas azuis não estaciono. Não dou um tostão desses para uma prefeitura que tem dinheiro para a propaganda cara na TV (com o nosso dinheiro do contribuinte), mas não tem para hospitais, limpeza de bocas de lobo e etc.

LIXO

Meu Deus do céu! Os bandidos andaram ateando fogo em carros de lixo agora em janeiro de 2019, mas e nós? Isso do lixo não é novidade. Fortaleza deve ser a capital mais suja do país. Monturos já existem aos montes. A prefeitura responsabiliza a população e vice versa. Fala sério, prefeito! Campanhas de educação como a do “sujismundo” no passado surtiram efeito. Nem educação, nem punição? As praias também deveriam contar para serem limpas. Os moradores da nossa cidade estão doentes com a virose da mosca em consequência das chuvas e sujeira. Há gente sendo picada por escorpiões que vão atrás de baratas, tudo fruto da falta de limpeza. 

PRÉ-CARNAVAL NA MOCINHA

Não tenho nada contra, desde que não entre dinheiro público e não se feche a via na rua João Cordeiro – Meireles. Ninguém consegue passar lá dia de sábado e domingo à tardinha e noite. E aí questiono: por que na Mocinha, só para exemplificar, fazem isso e não há limpeza da sujeirada pós-festa e nem fiscalização? Fala sério, prefeito!

TURISMO

Continuo a indagar: como se quer turista de qualidade se aqui em Fortaleza tem esgoto transbordando em pleno Meireles. E olha que estamos falando do bairro nobre. Imagine na periferia? O turista que vai praticar kite-surfe nas praias, não quer nem papo com a capital. E fazem bem, melhor curtir praias como Uruaú, Cumbuco, Icaraizinho de Amontada. As fotos mostradas da Ponte Metálica de Fortaleza são para enganar turista. Fala sério, governador!

ÁRVORES

Onde estão as árvores que seriam plantadas após a derrubada de várias nas avenidas Dom Luís e Santos Dumont? A cidade a cada dia perde mais sua cobertura vegetal.

MOTOS

Motoqueiros andam nas suas motos de pés descalços, não respeitam faixa de pedestre nem sinal de trânsito. Colocam a vida dos pedestres em perigo e nada é feito. Fala sério, prefeitura (AMC).

CONCLUSÃO

Escrevo para desabafar. Certa vez escrevi que o mínimo que queria de uma prefeitura seria ter uma cidade limpa. Quero obras simples por parte da gestão. Quem concordar comigo, divulgue, por favor. A Fortaleza, loira desposada pelo Sol, clama por ser amada e merece muito mais. Não tenho orgulho, só tristeza!

 

 

 

Argentina – Salta la Linda – Chegada

Argentina – Salta la Linda – Chegada

Hoje é dia 20 de outubro de 2018, sábado. Enfim, Salta! Chegamos de avião, vindos de Córdoba, pela empresa aérea Aerolíneas Argentinas. Depois de 1 h. e 20 min. aterrissamos em Salta, no noroeste da Argentina, a 1.605 km ao norte de Buenos Aires, próxima da fronteira do Chile, na altura do Deserto do Atacama a oeste e da Bolívia ao norte. Conhecida como “A Linda”, significado de seu nome “sagta” na língua indígena Aimara (:a mais linda), já começa encantando. O turismo é levado a sério, ganhamos mapas no centro de turismo do Aeroporto Internacional Martín Miguel de Güemes a 10 km do centro.

Como era tardinha, fomos ao hotel encontrado no booking.com: Solar de La Plaza. Endereço: Leguizamón, 669 – www.solardelaplaza.com.ar. Antigo e charmoso com estilo espanhol, aberto por dentro com um fosso que dá para os quartos. Um luxo! Detalhe: pagando com cartão de crédito, nos livramos do IVA de 21%. Explicando: IVA é o imposto sobre o valor agregado, ou seja, incide sobre a despesa ou consumo e tributa o valor acrescentado das transações efetuadas (Wikipédia). Muito simpático o Solar presentear-nos com balas da ARCOR ou mini-alfajores todos os dias. Sachês do café La Virginia fazem parte do pacote.

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Plaza Güemes-Salta-Província de Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

O hotel se situa em frente à praça Güemes, onde há uma feira de artesanato nos finais de semana à tardinha. Estava na hora do jantar, então ficamos ao lado. Comemos empanadas bem temperadas e suco de morango e pêssego no restaurante Pettineo. Com mais tempo, percebi que gostam de uma pimenta lá. Parece com a nossa Bahia.

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Catedral Basílica del Señor y la Virgen del Milagro com suas bandeiras em frente-Salta-foto tirada por Mônica D. Furtado

Domingo, 21 de outubro de 2018. Depois do café da manhã robusto (eles oferecem leite desnatado!!!), decidimos explorar a área pela manhã e ficamos maravilhados em notar como o hotel era perto do centro histórico. O passeio a pé valeu, demos uma olhada na bela Catedral Basílica del Señor y la Virgen del Milagro. Em 25 de agosto de 1948, Salta voltou a ser sacudida por um forte terremoto e outra vez foi salva pela proteção do Senhor e da Virgem do Milagre. Há uma placa lá com o reconhecimento do Governo e do Povo de Salta. Também o papa João Paulo II é muito venerado, esteve na catedral em 1987.

A catedral fica em frente à praça mais central 9 de Julho. Uma delícia se sentar em um banco e admirar a boa vida dos moradores. Ao redor dela existem restaurantes, cafés, lojas de doces tentadoras, agências de turismo (muitas abertas no domingo) e lojas de artesanato. Logo de início eu gamei na cidade. Senti como se estivesse em uma cidade do interior. Salta é plana, boa para andar e desbravar suas peculiaridades. Não há nenhuma cidade como ela. As pessoas são confiantes e ainda têm a ingenuidade de um lugar não “poluído”, os cambistas trocam e contam dinheiro na calçada na frente de todo mundo. Amei. Tocou meu coração.

O Cabildo antigo, prédio onde abrigava o centro do governo da província de Salta, abriga o Museu Histórico do Norte, já o Museu MAM (Museu de Alta Arqueologia de Alta Montanha) da mesma forma jaz na praça. O centro de informações se situa na Buenos Aires. Aliás, hoje é o Dia das Mães na Argentina.

Outra igreja primorosa é a Basílica Menor de São Francisco. O Menino Jesus de Aracoeli, cuja imagem foi bendita por João Paulo II em 1996 em Roma, está lá. A cruz do teto é estilo bizantino do séc. XII de Jesus da Cruz. A basílica é simplesmente deslumbrante por dentro e por fora.

Vejo muitos visitantes europeus, a cidade é turística pela beleza colonial e pela religiosidade. São grupos e grupos de católicos da argentina toda e países vizinhos. Os brasileiros perdem bastante em não vir por estas plagas.

O clima estava nublado e chuviscando, depois passou a ser ensolarado às 11. 25 da manhã.

Descobrimos um café The Coffee Store (em grãos) com cafés do Brasil, Indonésia, Tanzânia, Quênia, Colômbia e Peru. Achei original.

Prosseguimos na caminhada e chegamos ao Convento São Bernardo desde 1941, considerado Monumento Histórico Nacional. Trata-se da mais antiga construção de Salta, do séc. XVI. No passado foi Hospital de San Andrés e Ordem do Carmelo.

Ali perto descobrimos uma agência de turismo com alguém muito solícito e agradável: Guillermo. Saudações, Guillermo! Agencia Empresa de Viajes y Turismo Tintikay na rua Caseros, 404 com Dean Funes.

A altitude é de 1.187 m, ou seja, leva um tempinho para se acostumar com a altura. A gente sente a cabeça pesada, a respiração mais difícil e uma moleza no corpo, como em Bogotá-Colômbia. Por isso, se toma chá de coca (muito bom) ou se põe folha de coca na boca e se chupa. Garanto que alivia o mal estar. Uma semana passamos lá e uma semana chupamos a folha. Experiência diferente.

Após o passeio, almoço executivo por 220 pesos no restaurante Salta Cerveza, cerca da praça 9 de Julho. Cardápio: tortinha de milho, salada verde, com merluza, cebola e tomate. Comida leve e boa.

Continuaremos com o city tour em Salta…

 

 

 

 

 

Argentina – Córdoba – Museos Emílio Caraffa e Superior de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra

Argentina – Córdoba – Museos Emílio Caraffa e Superior de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra

Hoje é dia 20 de outubro de 2018, enfim o último em Córdoba. Resolvemos aproveitar a manhã para visitar uns museus famosos na região. Portanto, pegamos um táxi no hotel Caseros 248 a fim de se dirigir ao Museu de Belas Artes. O taxista nos deixou no teatro da Cidade das Artes da Universidade Provincial por 75 pesos. Ou ele não sabia onde era o museu citado ou nos enganou. Deveríamos ter saído com tudo escrito… Era mais longe, ainda bem que o guardinha do teatro foi gentil conosco e nos indicou a localização certa. Fomos caminhando e voltando para mais perto do hotel, afinal não era distante. Passamos pela Plaza (praça) España, Plaza do Bicentenario e Plazoleta (pracinha) Ana Frank.

encarte do museu emílio caraffa
Encarte do museu Emílio Caraffa em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Chegamos ao museu Emílio Caraffa de arte moderna. A entrada foi 50 pesos. O endereço é Av. Poeta Lugones, 411 (de terça a domingo e feriados das 10 às 20 h). Lá tem centro educativo com diversas propostas inclusivas para a escola pública, lojinha, biblioteca Deodoro Roca, e cinema gratuito às quartas às 19.30 h. com exibição de filmes de arte. Com nove salas, o museu oferecia à época exposições dos cordobeses Pablo Canedo, Carlos Crespo, Deodoro Roca, Rubén Ramonda, Juan Canavesi e Tato Carlo. Importante salientar que Deodoro Roca (Córdoba, 1890-1942) é um nome histórico, já que foi diretor do museu entre 1916 e 1919 e também foi líder do movimento reformista (conflito estudantil). Embora eu não goste muito de arte moderna, considero sempre instrutivo visitar esses centros de cultura.

folder do museu de bellas artes
Folder do museu de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra de Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Depois rumamos ao Museu Superior de Bellas Artes Evita – Palácio Ferreyra. A entrada também 50 pesos. As obras expostas são coleções do Governo da Província de Córdoba desde 1911: originam-se de artistas locais, de uma parte significativa de pintores nascidos em Córdoba e radicados na Europa nas décadas de 1920 e 1940, e da mesma forma de doações de artistas argentinos vinculados à construção da cena artística nacional. Há exposições permanentes e temporárias. A série Mãos Anônimas de Carlos Alonso; os primeiros prêmios das Bienais desde 1940; e As Quatro Estações de José Malanca são dignos de nota.

museu de bellas artes
Museu de Bellas Artes Evita-Palácio Ferreyra-Córdoba-foto tirada por Carlos Alencar

A casa do museu é um capítulo à parte. Começou a ser erigida em 1911 por ordem de Martin Ferreyra, um médico da aristocracia crescente da cidade e também dono de pedreiras de cal na localidade de Malagueña. Sua intenção era fazer uma réplica do Hotel Kessler de Paris, uma construção típica dos séculos XVII ao XIX. O arquiteto foi o francês Ernst-Paul Sanson, da mesma nacionalidade era o paisagista do jardim estilo europeu Charles Thays. A partir de 2007, por iniciativa do governo da província, as habitações se converteram em um espaço aberto à comunidade com o nome atual do museu. Parabéns, Córdoba.

Saindo do local, era hora do almoço e encontramos ao lado do nosso hotel uma porta pequena com um restaurante bem em conta. Por 100 pesos, comi frango ao forno com batatas fritas (papas).

Era o momento de ir ao aeroporto rumo a Salta no norte, mas antes tomamos um suco de maçã delicioso com café no hotel. Pena não ter tido tempo para provar as iguarias do Caseros 248. Hotel muito bom, localização ótima e staff gentil e amigo. Zaida, Rodrigo e Joshua, o nosso agradecimento carinhoso!

Conseguimos um táxi por 370 pesos, cobram uns 500. Aeroporto sem casas de câmbio, pequeno, com poucas opções de comida, mas tem a indefectível Havana com seus alfajores e cafés (amo!). Achávamos que tínhamos direito a 23 kilos pelas Aerolíneas Argentinas, mas não, somente a 15 k. A moça atendente foi tão solícita com a gente que nos deu ideia de tirar 2 k da mala média com excesso (do Carlos) e colocar nas malas de mão. Se não, pagaríamos 650 pesos. Fomos pegos de surpresa, porém deu tudo certo no final. Por isso, amo os argentinos: sempre nos ajudam.

Surpreendente Córdoba, foi espetacular ter estado aí. Voltarei, porque me encantei. E como escrevi…

Após um voo de 1 hora e 20 minutos, aterrissamos na linda Salta. Muito a dizer sobre esta cidade desconhecida dos brasileiros. Em breve…

 

Argentina – Córdoba – Segunda Parte – Triângulo Jesuítico: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Argentina – Córdoba – Segunda Parte -Triângulo Jesuítico: Colonia Caroya, Jesús María e Santa Catalina

Hoje é dia 18 de outubro de 2018 e prosseguimos nas visitas às estâncias jesuíticas ao norte da província de Córdoba. São testemunhos da identidade do país, segundo os argentinos. Considero bela a forma como eles reverenciam a sua história.

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Estancia Jesuítica Colonia Caroya-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado

Adentramos a Estancia Jesuítica Colonia Caroya de 1616. Estamos em um museu provincial chamado de Museu do Imigrante. As paredes têm cal branca para evitar insetos e são revestidas de gesso. A capela e quatro salas são da Companhia de Jesus, as últimas pertencem aos descendentes de imigrantes italianos do norte. Vamos às salas. A primeira tem o mobiliário da época do jesuíta Inácio Duarte y Quirós. Era maior no passado. Em 1687 doou seus bens para a criação do Colégio Real Seminário Convictório de Nossa Senhora de Montserrat para o ensino dos religiosos da Cia. de Jesus. Lembrando que “convictório”, segundo o dicionário online educalinguo.com, significa o departamento no qual os estudantes moram nas escolas jesuítas. À época 250 a 300 nativos eram controlados por dois jesuítas. A estância servia de residência de descanso dos estudantes do colégio durante suas férias. Interessante dizer que anteriormente em 1671, a Cia. vendeu a estância a Inácio Duarte y Quirós. Poucos anos depois, volta às mãos da Companhia como doação.

Em 1878 foi a fundação da Colonia Caroya com a chegada das famílias italianas para ter casa e trabalhar na agricultura. Vieram de Friuli, convidados pelo presidente Nicolas Avellaneda. Em 1987 foi celebrado o tricentenário do Colegio Nacional de Monserrat a la Casa de Caroya.

Vejamos outras salas. A sala da farmácia com dicas de como provocar vômito, sobre sangrias, receitas etc.; a capela; a primeira fábrica de armas brancas que funcionou de 1814 a 1816, quando Gervasio A. Posadas, Diretor Supremo das Províncias Unidas, decidiu instalá-la.

Um dado histórico: o General San Martin se hospedou no local em 1814, a fim de ter uma entrevista com o Gal. Juan Martin de Pueyrredon no regresso da direção do Exército do Norte. Só rememorando que San Martin proclamou a independência da Argentina em 1816, logo as estâncias eram lugares estratégicos para o Caminho Real. Conforme a Wikipédia, Camino Real era a rota que começava na Avenida Rivadavia em Buenos Aires, passava pelo Alto Peru (hoje Bolívia) até alcançar a cidade de Lima durante o Vice-Reinado do Peru e o Vice-Reinado do Rio da Prata. Curioso acrescentar que a Missão Jesuítica Caroya estava situada nesse trajeto.

O lugar também foi usado por presidentes para descanso. Estivemos na sala dos nativos (estilo gaúchos) com objetos do seu cotidiano na lida com cavalos: esporas, selas e outros; a sala dos imigrantes com móveis, utensílios de casa e para a agricultura que trouxeram da Itália, máquina de costura, aparelho de música (gramofone) etc. O sítio histórico é bem organizado com placas explicando tudo em espanhol.

Depois rumamos à Estancia Jesuítica Jesús (fala-se “Resus” em espanhol) María de 1618. São quatro hectares, possui uma bodega de vinho e restaurante. A cidade é tão ajeitada com casas baixas lindas. O rio existente na região se chama Guanusacate em língua indígena quíchua e o fundador da estância foi o jesuíta Pedro de Oñate (nasceu em Valladolid-Espanha em 1567 e faleceu em Lima-Peru em 1646). Ele a adquiriu em 15 de janeiro de 1618 e a ela deu o nome.

Visitamos o Museu Jesuítico Nacional de graça com muitas salas. Na primeira habitação visualizamos pinturas americanas e livros. Na sala 7 há mobiliário e imagens sacras. Na parte do forno encontramos jarros coloniais para decantar o vinho que procedia de Cafayate na província de Salta no séc. XVIII. No primeiro andar estavam a pia, cozinha, corredor dos aposentos e a sala de arte sacra colonial. No corredor um lavador de pedra sabão e um lugar para as toalhas. A sala de arte sacra completa do séc. XVIII. Na estância houve negros escravizados. Ademais, a sala dos paramentos religiosos; a sala da coleção de moedas, Numismática e Medalhística do mesmo século mencionado; a sala de arte religiosa e história dos jesuítas: Francisco de Borja, Claudio Acquaviva (quem substituiu o fundador Inácio de Loyola na direção da Companhia de Jesus) e Juan Pablo Oliva, responsáveis pela Companhia; a sala de lugares comuns: banheiros, sanitários de água corrente que desde 1721 existia na parte alta uma parede dupla de pedra e ladrilho onde corria uma acéquia que desembocava no rio; a sala com instrumentos dos indígenas da terra; a sala da tribuna que dava para a igreja a fim de se sentarem as pessoas importantes ou sacerdotes enfermos; a igreja com estátuas barrocas, sendo uma a imagem de San Isidro Labrador; e a sala de porcelanas e cerâmicas da família González Warcalde. A região de Córdoba tem 10 mil anos de existência. É muita riqueza cultural a ponto de ficarmos boquiabertos.

Um adendo: a cidade é sede do renomado Festival Nacional e Internacional de La Doma y el Folklore e a localidade é o centro financeiro e agrícola mais importante da província de Córdoba. Quanto ao festival, ocorre de 11 a 21 de janeiro deste ano e há mais de 20 anos. No anfiteatro José Hernandéz, acontece corrida de burros, rodeios, shows musicais, desfiles folclóricos, danças, dentre outras atrações. Vi no site hoje que o evento foi anulado na sétima noite (dia 18/01/2019), por conta de tormentas que virão. As entradas seriam devolvidas. “Doma” significa adestramento. No Brasil temos algo parecido: a Festa do Peão de Barretos-São Paulo.

Estava na hora do almoço, logo voltamos à Colonia Caroya, não à estância. Paramos na loja Provin Il Salami para compras de vinho, salame, azeitona e alfajores. Ao lado estava o restaurante Panchos. Era muita gente e ficamos todos (era um grupo de bom tamanho) juntos em uma mesa retangular. Foi um evento linguístico rico com espanhol, português e inglês ao mesmo tempo. Amei! Pedi verdura, frango e uma coca. Detalhe: o calor estava demais.

Na Estancia Jesuítica Santa Catalina, tivemos um contato maior com um casal brasileiro: Marcelo de Minas e Mara de Roraima, habitantes de Brasília. Saudações a vocês! Vamos à estância. É Monumento Histórico Nacional desde 1941. Fica a 20 km a oeste de Jesús María e a 70 km ao norte de Córdoba. O guia muito agradável se chamava Marcelo Etcheberry. Pagamos 15 pesos pela visita guiada. Lá fazem casamentos e vive de agropecuária. Só um comentário: a seca estava braba na província de Córdoba, já haviam perdido 10 mil hectares sob os efeitos nefastos da falta de chuvas.

Para se chegar à estância, a estrada é de terra, de chão batido. Da cidade de Ascochinga, no departamento (comarca) de Colón, a 7 ou 8 km de distância de lá, pega-se um desvio à direita que leva à estância. Uma dica: perto existe um bar, restaurante e hotel nomeado La Rancheria de Santa Catalina.

Falemos mais em história: a igreja levou 141 anos para ser construída. Começou em 1622 e acabou em 1763. Iniciou sendo erigida pelos indígenas e no fim por 400 escravos africanos de Angola. Lembrando que os jesuítas foram expulsos da Argentina em 1767. O retábulo da igreja veio do Paraguai e é original, feito de cedro paraguaio e com pintura central de Rafael da Itália. A Wikipédia ajuda novamente: “retábulo” é a estrutura de madeira, mármore ou de outro material que fica para trás ou acima do altar e que, normalmente, encerra um ou mais painéis pintados ou em relevo.

Em Santa Catalina há missas, em Caroya e Jesús María, não. Cinco padres jesuítas viveram no lugar, juntamente com 400 escravos e cinco padres. Antes eram 167.500 hectares, hoje somente dois. Trata-se de uma casa de campo com 15 refeitórios e 60 quartos. Há um conselho administrativo de três pessoas que respondem pelo sítio. Em janeiro e fevereiro somente a igreja é aberta e aos sábados e domingos não há passeios pela estância (são os dias da família proprietária aproveitá-la, já que é privada).

Na igreja há uma porta que dá a um túnel de 15 km que vai até a Estancia Jesuítica de Jesús María. Obra de 1841, cujo intuito era a comunicação entre as estâncias e para fugir dos colonizadores espanhóis.

Conhecemos padarias, a despensa, a cozinha, além do pátio com árvores diversas e o outro pátio com um hospital para tuberculosos com sala para enfermos.

Ufa! Que passeio mais impressionante. Vale muita a pena, imperdível!