Argentina – Córdoba – Cabildo e Paseo de las Artes
Placa do Cabildo de Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estamos ainda no dia 14 de outubro de 2018 à tarde pós-almoço. O calor aumenta ao longo do dia. Fomos rumo ao Cabildo, mas estava fechado, logo olhamos somente o prédio e peguei algumas informações. Trata-se de uma instituição mais tradicional deixada pela Espanha. Típica construção colonial com uma série de arcos formadores de uma recova. Na parte superior tem janelas grandes com um balcão central saliente. Atualmente aloja a Secretaria de Cultura e o Museu da Cidade o qual descreverei em outro artigo.
Visão do Cabildo por fora-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Cabildo por dentro-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Entre 1573 e 1992 o Cabildo foi sede do Governo Intendência de Córdoba e Tucumán, Assembleia e Governo Provincial, Municipalidade e Polícia da Província. Hoje é centro cultural dos cordobeses.
De lá caminhando nos dirigimos ao Patio Olmos. Gostei do shopping, há muitas opções de restaurantes. As lojas de alfajores da região valem. Eis uma tradição argentina, todos comem sempre. Além do mate que os habitantes carregam com a garrafa térmica e cuia e bomba para qualquer local. Vendem muito como suvenir os apetrechos para chimarrão e a bolsa para carregá-los. Tal costume do chimarrão é instituição na Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul (Brasil).
Capela San Francisco Solano dos dominicanos em Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Queríamos mesmo era conhecer a feira mais tradicional de Córdoba aos domingos: o Paseo delas Artes, mas antes de chegar lá, nos dirigimos a pé pela Av. Belgrano e entramos na Capela San Francisco Solano dos dominicanos. O bairro se chama Güemes onde se localiza a feira enorme. É no estilo da feira de San Telmo de Buenos Aires e no Brasil a mais parecida é a do Brique de Porto Alegre-RS. São lugares onde os turistas se refestelam, assim como os moradores.
Eu na feira Paseo de las Artes em Córdoba-foto tirada por Carlos Alencar
Paseo de las Artes-Córdoba-foto tirada por Mônica
Multidão na feira Paseo de las Artes em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
A feira é fan-tás-ti-ca! Tem mil bancas com doces regionais, pães, artesanato, comidas, bolsas etc. Ao redor todas as lojas estão abertas, tais como: antiguidades, restaurantes, sorveterias e por aí vai. Amei!!! Comemos baklava com nozes, um doce grego que já tinha ouvido falar. O Carlos comprou lemoncello, aquele licor italiano delicioso feito de limão.
Um domingo no Paseo de las Artes-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Bancas coloridas no Paseo de las Artes-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Bairro Güemes no dia da feira-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
O dito bairro é muito transado por conta das lojas e seus diversos recantos. São hordas de jovens e gente bonita, aliás isso não falta por ser uma cidade universitária. Os habitantes chamam a atenção pela beleza. Uau! A feira é perfeita para um domingo à tarde, pois começa às 17 h e termina bem mais tarde.
Para um sorvete original de figo com nozes e framboesa, indico a heladeria Venezia y Café. Depois para gastar as calorias, seguimos na caminhada. Ainda bem que os doces e sorvetes têm pouco açúcar, deste modo a consciência dói menos… Ficamos cansados de tanto peregrinar e já na saída, resolvemos nos alimentar de quê? Outra instituição argentina: empanadas. Descobrimos na esquina da Belgrano com San Luís a La Cabaña de Chamigo com música regional, lugar simples e atraente. Pedimos empanadas de milho (choclo), frango e carne. Cada por 20 pesos, bem em conta. Com cerveja escura, amarga e de origem mendocina chamada Andes fizemos a festa. Detalhe: a garrafa é de um litro.
Pessoas dançando tango na Diagonal E. Garzón perto do Patio Olmos-Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
A cidade é alegre, jovial, festeira para todas as idades. Ao voltarmos para o hotel, nos deparamos com pessoas, idosos em sua maioria, dançando tango na Diagonal E. Garzón perto do shopping Patio Olmos. Vibrei. Considerei a prova de que as pessoas vivem e respiram a cidade. Havia muitos espectadores curtindo o momento e em frente ao citado shopping outra multidão, conversando, ouvindo música etc. Fabuloso.
Algo interessante do hotel Caseros 248: havia no quarto sachês de café preto (da marca La Virginia de Rosário-Argentina) e chá. Nunca vi na vida, mas gostei da ideia. E outra novidade: o dia das Mães é celebrado dia 21 de outubro no país. O comércio dá descontos robustos na semana anterior.
Catedral de Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Lado da Catedral de Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hoje é domingo, dia 14 de outubro de 2018. O clima primaveril está bom e com sol: 19˚C. O Carlos e eu continuamos o nosso city tour por Córdoba. A guia dá muitas informações sobre a história da cidade. Gosto de fazer de início este passeio, tenho uma ideia da cidade e depois escolho o que visitar com calma. Perto da Catedral Nuestra Señora de la Assunción de Córdoba, que foi consagrada em 1706, há o Monastério das Carmelitas Descalças cuja vida é contemplativa e de clausura. A primeira igreja de monastério de clausura data de 1613: a de Santa Catarina de Siena.
A loteria de Córdoba e o jogo são controlados pela província. O prédio da loteria é bonito e existe desde 1929. Interessante mencionar que há cassinos pelo país todo.
A Biblioteca Pública foi a Casa da Província, ou seja, a casa do governo nos anos 1940.
A Praça Itália é uma homenagem aos fundadores italianos. Lá existe um monumento à loba que amamentou Remo e Rômulo, os gêmeos da mitologia romana. Há uma festividade anual em honra aos imigrantes daquele país. Também há a Praça Espanha com oito diagonais.
Passamos pelo Paseo Sobremonte, onde havia um lago no séc. XVIII que distribuía água com os vizinhos. Hoje, porém, tem o lago seco. De qualquer modo, a praça é bem usada para recreação da população, por causa da sua rica vegetação e fonte de água.
Palácio da Justiça em Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
O Palácio da Justiça tem um prédio renascentista lindo. Pode ser visitado. No subterrâneo da Praça Independência funciona um estacionamento e na praça também há o escritório que controla os semáforos e o trânsito.
A guia conta lendas de fantasmas de Córdoba. Achei bem divertido. A avenida mais larga da cidade com a área comercial se chama Av. Colón. Na cidade há jóquei-clube com eventos importantes durante o ano. Bom contar que as mulheres são motoristas de ônibus. A livraria El Ateneo, tão reconhecida em Buenos Aires, também existe lá, na Av. General Paz.
Chama a atenção a vitalidade da religião católica na cidade. A primeira ordem a chegar foram os dominicanos. Vimos a Igreja de São Domingos. Para informe, o patrono da cidade é São Jerônimo.
Há muitos museus na cidade: Academia Nacional de Ciências, Museu de Paleontologia, Palácio Ferreyra Museu de Belas Artes Evita, Museu de Arte Contemporânea etc.
Os sítios jesuíticos fora da cidade são patrimônio da Unesco. Falarei depois sobre alguns deles. O shopping center Patio Olmos é um dos seis centros comerciais existentes. O limite da cidade era ele. Além era subúrbio onde os habitantes tinham casa de férias no passado remoto. São tantos parques, praças, monumentos e estátuas… fico maravilhada com o estilo Europa na América do Sul.
O bairro Nova Córdoba, do séc. XIX e XX, foi inspirado nos bulevares parisienses e tem um diferente traçado urbano. Era habitado pela elite no início e é considerado tradicional. Neste local está a Paróquia do Bom Pastor, dentro não é igreja e sim ponto de encontro de pessoas para tomar mate, por exemplo. Pensem em algo inusitado. Ao lado está o Paseo del BuenPastor com chafariz, galeria de arte e loja transada.
Praça San Martin-Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Igreja dos Capuchinhos-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
A Praça San Martin-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Mais adiante testemunhamos algo espetacular: a Igreja do Sagrado Coração (dos Capuchinhos), umas sete quadras da Praça San Martin. Por 150 pesos, o turista sobe a escada espiral para ver o mirante lá de cima (são uns 148 degraus). Para tanto, há um guia contando a história. O estilo da igreja é neogótico, de ordem franciscana, toda de matizes de rosa e de madeira.
Vimos o câmpus da Cidade Universitária cujo ensino foi o primeiro de Córdoba e é de graça, tendo sido fundada por jesuítas. É secular e livre. Passamos pelos Tribunais Federais do Poder Judiciário.
Chegamos à Cidade das Artes da Universidade Provincial de Córdoba. Lá há teatro, cursos de cerâmica, desenho e outros. Córdoba é uma cidade universitária por excelência. Também há a Universidade Nacional (federal) e as privadas, consideradas caras.
Parque Sarmiento com as árvores na primavera-Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Passeio de city tour em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
City tour em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
O Parque Sarmiento é o maior da cidade. Lembra o Ibirapuera de Sampa. As árvores vieram de outros países, são plátanos, palmeiras, magnólias etc. É de 1911 e são 100 hectares. A parte alta oferece um mirante. Há muito a fazer por aquela paragem e os food trucks fazem sucesso. Tem morador que ruma ao local só pra comer o conhecido pão de choriço. Dentro do parque há lago artificial, parque de diversões, lugar para festividades, eventos culturais e musicais. Digno de nota dizer que pelos idos de 1920 o banheiro era separado para homens e mulheres por horários.
Saindo do parque, cruzamos hospitais públicos: o São Roque com mais de 100 anos e o Rawson, infantil. O outro São Roque se situa no centro e data de 1917. Existe a igreja do mesmo santo cujo estilo arquitetônico é colonial clássico.
Pontes Gêmeas que dão acesso ao Centro Cívico em Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
A estação de ônibus serve para viagens nacionais e internacionais. Ali perto está o Centro Cívico del Bicentenário Gobernador Juan Bautista Bustos (casa do governo da província) em um prédio todo moderno. Conhecido como “El Panal” é de 2011, assim como as Pontes Gêmeas de acesso a ele, que foram inauguradas anteriormente, mas no mesmo ano pelo governador Schiaretti. O divertido monumento “El Hombre Urbano” (O Homem Urbano) se localiza cerca de ali. O rio Suquía cruza a cidade que da mesma forma possui arroios, como o La Cañada.
Seguimos por bairros residenciais tão a cara da Argentina, por exemplo: o Júniors. Os primeiros moradores foram os trabalhadores da ferrovia que vieram da Inglaterra.
Nós no restaurante Solar de Tejeda em Córdoba-foto tirada pela garçonete
Almoço de merluza a milanesa com guarnição no restaurante Solar de Tejeda em Córdoba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Terminamos o city tour, demos tchau às companheiras de passeio legais e rumamos ao restaurante que a guia indicou ali do lado. Solar de Tejeda é um museu e do lado um restaurante, localizado à Rua 27 de abril, 23. Vale a pena demais. A casa é deslumbrante e histórica, um casarão colonial espanhol. Pedimos um prato por 240 pesos por pessoa e veio muita fartura de comida: dois filés de merluza a milanesa com verduras e legumes: abóbora, cebola, tomate e pimentão grelhados. Excelente! Adicionado a isso, um vinho tinto Vasco Viejo de Mendoza. Não é uma maravilha? E de entrada: o sempre presente pão com grisines (pequenos bastões torrados e secos de pão, finos e longos; receita de Turim, Itália) ou palitos de pão. Aliás, cobram o cubierto ou entrada, o que na maioria dos restaurantes é grátis.
Saindo dali, fomos fazer câmbio em um kiosco na Praça San Martin, indicação do rapaz solícito do Centro de Informações Turísticas ali perto. Devemos a ele não ter ficado sem dinheiro em pleno domingo e segunda, pois era feriado. Estava tudo fechado.
Hoje é dia 14 de outubro-domingo. É feriado: dia da diversidade cultural e tudo está fechado, menos o shopping center Patio Olmos e alguns kioscos aqui no centro. Esses kioscos são instituição nacional. Vendem alfajores, sanduíches, bombons, balas, refrigerantes, empanadas e por aí vai. E alguns também têm locutórios, ou seja, telefonia. Sempre uso, é barato demais ligar para o Brasil.
Falando de novo no hotel Caseros 248 (www.solans.com), localizado perto de tudo que interessa a um turista é muito bom. O atendimento solícito de todos faz a diferença. Aconselho! Saudações à Zaida, recepcionista gentil, que foi com a gente à excursão das estâncias jesuíticas que contarei depois. Da mesma forma, saúdo o Rodrigo e o Joshua. Nossos agradecimentos aos demais funcionários.
Falemos no diferente do café da manhã no hotel. As pequenas confituras, ou seja, minibolinhos doces de frutas, brownies e crumbles de maçã são deliciosos. E como sempre, encontro o afamado doce de leite. Amo!
O shopping center Patio Olmos em Córdoba, Argentina – foto tirada por Mônica D. Furtado
Córdoba é uma cidade para conhecer a pé. Aqui no centro estamos perto de museus, da Catedral, do shopping Center Olmos, da Igreja dos Capuchinhos, de lojas variadas etc. As calçadas são uniformes, o que facilita a vida de todos. Eu diria que é boa para cadeirantes, cegos e idosos com bengalas. Gostei das ruas com bloquetes bem colocados e dos calçadões, ditos peatonais. A cidade parece ser construída com o pensamento de respeito ao pedestre.
Bus turístico de Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
A guia no passeio do city tour em Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Decidimos fazer o city tour no bus (ônibus) turístico. Pegamos na Praça San Martin para um percurso de uma hora e meia que não é hop on, hop off, isto é, não tem paradas. O valor é de 250 pesos por pessoa. A guia deu muitas explicações sobre a cidade e sua história. Tivemos a sorte de conhecer umas chicas (garotas) do Chile e Argentina muito simpáticas, sendo que uma havia morado em Belo Horizonte, logo falava português, o que nos ajudou em alguns entendimentos. Só achei que a guia falou muito e não deu tempo para perguntas.
A Catedral de Córdoba – Argentina – foto tirada por Mônica D. Furtado
Passamos por sítios históricos, casas coloniais, museus, parques, vamos lá. Córdoba foi fundada em 1573 por Jerônimo Luís de Cabrera, logo celebra seus 445 anos em 2018. Há um monumento a ele na Plazoleta (pracinha) del Fundador perto da Catedral. A cidade tem 1.400 mil habitantes aproximadamente e 520 distritos. Sua política de modernização começou no séc. 19. É a segunda cidade mais importante do país, juntamente com Rosário, a primeira é a capital federal: Buenos Aires.
No passeio conhecemos o Cabildo histórico que era a sede do governo colonial. Já foi prisão no subterrâneo, legislatura provincial e hoje é museu e centro cultural. Ao lado fica a Catedral que levou 200 anos para ser construída. Tem estilo barroco e foi edificada por nativos, mestiços e escravos. Fecha ao meio dia e abre às 16 h. São visitas imperdíveis. Falarei mais sobre esses locais mais a frente.
Em frente está a Praça San Martin. Já foi praça de touros e ponto de encontro cívico e religioso. O herói tem nome de ruas e praças em todo o país. Bonito isso. Como o argentino tem orgulho de seus feitos passados. Aliás, o centenário da independência da Espanha foi 1916. Isso todo guia conta.
As ruas em Córdoba mudam de nome, como em Fortaleza-Ceará. Trata-se de uma cidade plana e altamente caminhável. Aconselho aos viajantes de coração.
Estamos em 13 de outubro de 2018. O Carlos e eu decidimos voltar ao lindo país, desta vez às cidades de Córdoba e Salta.
Comecemos pelo percurso. Descobri o voo Recife-Córdoba pela Azul e achei ótima a ideia de não passar por São Paulo e ir direto. Em 5 h estávamos lá. Contando Fortaleza-Recife foi uma hora. Só considerei o aeroporto de Recife mais exigente do que todos os outros no voo internacional. Nunca vi ter que tirar o laptop da capa na esteira, dentre outras coisitas mais. Isso foi chato. Eles disseram que eram ordens da ANAC e que eram os outros aeroportos que não respeitavam. Entramos no avião e direcionamos o pensamento à viagem.
No voo 8746 (10.30 às 15.30) havia poucos brasileiros e muitos argentinos. Todos bronzeados, que bom! O almoço foi pão rosbife ou vegetariano, salada, pão de leite, bolo de chocolate e as bebidas. E antes de aterrissar, mais um lanche. A Azul foi super pontual. No mais, gostei do serviço.
Enfim, chegamos a Córdoba. Pegamos o Aerobus por 200 pesos. Compramos o cartão no aeroporto na parte de cima em um kiosco (local que vende balas, bombons, sanduíches etc) por 70 pesos e carregamos 60 pesos para cada um. A informação quem nos deu foi o rapaz do balcão turístico no aeroporto. Recebemos um folder com os horários do ônibus e paradas. A fila estava grande, mas esperamos e entramos com as malas. A diferença de valor do Aerobus para um táxi é grande, então vale a pena. Também pegamos informações com os argentinos no avião. Sempre prestativos.
Detalhe: chegamos em um sábado. Domingo as casas de câmbio são fechadas e na segunda era feriado nacional: dia da diversidade cultural. E nós com pouco dinheiro. Ainda bem que as pessoas são solícitas e nós perguntamos bastante. Descobrimos um kiosco no centro que trocava dinheiro. Ufa! Trouxe dólares, mas o real atualmente está bom de troca. Por isso, a dica é de levar alguns pesos e checar se não há um final de semana ou feriado pelo caminho.
Patio Olmos-Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Pessoas dançando tango na Diagonal E. Garzón perto do Patio Olmos-Córdoba-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Continuando, ao sair do Aerobus, o povo nos ajudou, afinal eram duas malas grandes. Descemos no Patio Olmos (shopping center) e viemos para o hotel a pé. Bem perto. Foi uma ótima escolha. A localização do hotel Caseros 248 na Rua Caseros é excelente, por ser no centro e cerca de museus e igrejas históricas. Estamos aqui pelo Bancorbrás (na nossa viagem anual de sete diárias).
À noite saímos para jantar e por indicação do povo do hotel fomos ao Il Panino. Lá comemos um frango a milanês (supremo de pollo) com salada por 225 pesos. Muito gostoso. Foi curador do cansaço e da fome. Já vi que aqui gostam muito de supremo de carne ou frango.
Estou escrevendo a pedidos, uma vez que os colegas me veem como uma pessoa satisfeita com a nova vida de aposentada. Sou professora de inglês, nunca deixamos de ser, não é mesmo? Trabalhei de 1985 a 2014. Tirei uma licença para tratamento de saúde por dois anos, e me aposentei do serviço público em 2016, logo tenho dois anos de reformada. Então, já dá para ter uma noção de como é a vida pós-trabalho. Lembrando que são as minhas experiências, cada um tem o seu modo de viver e pensar tal assunto.
Vamos lá. Uns cinco anos antes já pensava no tema. Uns dois anos antes, comecei a entrevistar o povo aposentado para checar se estavam felizes. Só encontrei uma professora que me disse que estava arrependida. A dúvida é atroz mesmo. Trata-se de uma questão importantíssima. Já perto do momento, resolvi me consultar com uma pessoa experiente no tópico. E ela me mandou me ocupar se não ficaria entediada e depressiva. Chocante, né? A gente se preocupa, pensa e reflete muito mesmo.
Enfim, chega o grande momento. Bom dizer que as ocupações não vêm tão rapidamente. “Deixei a vida me levar”, como canta o Zeca Pagodinho, mas só no início. Aí as coisas foram tomando rumo. Vieram alunas particulares por meio da Alice e Beatriz; iniciei o projeto blog, apoiada pela Letícia, Shirley, Mendes e Cláudio; fui cuidar da saúde, visitar amigos, ter tempo de qualidade com as pessoas. Hoje me dedico à família com calma; ajudo meu pai no computador; vou com a minha mãe no shopping uma vez por semana, leio muito, tomo café com amigas e por aí vai.
Aconselho arranjar hobbies e fazer o que ama. Para quem via muita gente em um dia de trabalho, entre alunos e colegas da universidade, pelo menos umas 55 pessoas diferentes, tudo muda. Deixei de ver esse povo todo, aí tive que me reinventar. Criar novos grupos: o povo da caminhada e o do pilates, por exemplo. E incentivar o encontro com os velhos amigos, tudo é motivo de socialização.
Pensando bem, no momento presente, gasto menos roupa e gasolina. Eu ia ao trabalho duas vezes por dia e não era tão perto, além do trânsito que estressava. E não ter provas e composições para corrigir ou aulas para preparar é um sossego. Sinto falta, sim, dos alunos, meus queridos que sempre me deram prazer e estímulo ao estudo e ensino. Posso dizer o mesmo dos meus colegas e amigos. Com eles, não perdi o contato, felizmente. Estou sempre presente ao meu ambiente universitário.
Logicamente, viajar e fazer a “festa” antes, durante e depois. As viagens rendem muito nos papos, encontros e artigos do blog. O melhor: poder partir para lugares sonhados em qualquer época do ano. Isso é fabuloso e mais barato.
Por incrível que pareça, a agenda vai enchendo e muitas opções surgindo. Coração aberto, cuca fresca e o que vier pós-jubilação é novidade. Saímos do lugar-comum para algo novo. Eis a hora de se sentir jovem e ter tempo para ideias boas.
Por me sentir renovada, sem a pressão do dia a dia, dedico estas palavras à amiga Viviane, técnica-administrativa da Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará. É uma forma de dar forças a uma decisão difícil que pode ser leve e enriquecedora.
Eu no trem EUROMED de Alicante a Barcelona-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Carmen e eu comendo paella em Barcelona-Espanha-foto tirada pelo garçom
Estamos em fevereiro de 1998. Já estivemos em Torrevieja. Minha amiga Carmen Rivas e eu viajamos de Alicante na província de Valência até Barcelona na Catalunha. Fomos de trem EUROMED, que ligava à época o lado leste do país a Barcelona. Foram 4 h de viagem. Um luxo! À época a Carmencita, professora da Casa de Cultura Hispânica da Universidade Federal do Ceará, estava fazendo seu doutorado na Universidade de Alicante.
Barcelona é a capital da comunidade autônoma da Catalunha e é o segundo município mais populoso da Espanha. A população fala catalão e espanhol, não se consideram espanhóis e sim, catalães. São muito conscientes de sua terra, seus costumes, sua cultura e sua língua. Por exemplo: veem-se na rua placas em catalão e espanhol e há missas nas igrejas rezadas em ambas as línguas em horários diferentes. Aliás, catalão é uma língua românica derivada do latim vulgar falado pelos romanos na Idade Antiga. Atualmente estão em conflito em favor da separação do país, querem a sua independência.
Show de flamenco em Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dançarinas de flamenco no show El Cordobés-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Flamenco é a dança da Andaluzia-Espanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
Chegamos à linda cidade já encantadas pelo seu sol e alegria no ar. Logo no início fomos ao show de flamenco El Cordobés nas Ramblas (calçadões). Como amo esta dança tão apaixonada, senti um nó no coração de tanta emoção. Las Ramblas ou La Rambla é o nome dado a uma via que conecta a Praça da Catalunha ao Porto Velho na Cidade Velha. É uma série de pequenas ruas que se juntam e formam um calçadão largo e movimentado com 1,2 km de comprimento.
O nosso hotel Nouvel em Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Cidade de Barcelona com casas floridas-foto tirada por Carmen Rivas
Nós nos hospedamos no bem localizado hotel Nouvel (em catalão), situado à Rua Santa Ana, perto da Praça da Catalunha. Passeamos bastante a pé e de ônibus.
O monumento a Cristóvão Colombo-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Barcelona com suas avenidas largas e monumentos originais-foto tirada por Carmen Rivas
O monumento a Colombo no fundo da foto-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Barcelona com suas avenidas largas e monumentos originais é imperdível. A cidade é agradabilíssima com casas com flores nas janelas.
Bairro Gótico-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Casa Pedrera-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Há de se conhecer o bairro Gótico e suas ruelas; a Catedral com o túmulo de Santa Eulália – padroeira da cidade; a Casa Batló; a Casa Pedrera; e o Parque Güell, todos idealizados por Antoni Gaudí.
Eu no Parque Güell-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
O lagarto de Gaudí no Parque Güell-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Carmen no Parque Güell-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu junto ao banco de Gaudí no Parque Güell-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
O Bairro Gótico é um dos quatro bairros que formam o distrito da Cidade Velha. É o centro histórico e o núcleo mais antigo de Barcelona. Seu estilo arquitetônico predominante é o gótico, por isso o nome. Já o Parque Güell é um grande parque urbano com elementos arquitetônicos, sito no distrito de Gràcia. Foi construído entre 1900 e 1914 e é uma das principais obras de Gaudí.
A Casa Batló é um edifício modernista catalão no qual Gaudí teve o auxílio dos arquitetos Josep Maria Jujol e Joan Rubió i Bellversituado. Situa-se no n˚43 do Passeig (avenida) de Gràcia na chamada Ilha da Discórdia, um bairro modernista da cidade.
Casa Pedrera 2-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Casa Pedrera 3-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu na Casa Pedrera-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Outra obra: a Casa Pedrera ou Casa Milá foi construída entre os anos 1905 e 1907 para Roger Segimon de Milá e inaugurada em 1912. Localiza-se no n˚ 92 do Passeig de Gràcia. Gaudí e Josep Maria Jujol foram os arquitetos.
Falemos no afamado e original arquiteto catalão Antoni Gaudí i Cornet. Nasceu em 25 de junho de 1852 em Reus e faleceu em 10 de junho de 1926 em Barcelona. Foi figura de ponta do modernismo catalão e suas obras revelam um estilo único e individual. Grande parte delas revela muito de suas paixões: arquitetura, natureza e religiosidade.
Foto artística da Sagrada Família-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Sagrada Família inacabada-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Sagrada Família-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Torres da Sagrada Família-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Esculturas da Sagrada Família-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Todo arquiteto deveria conhecer Barcelona. Uma visita impressionante é a famosa Sagrada Família com o mirante que oferece uma vista espetacular. Tempo Expiatório da Sagrada Família é um grande templo católico, também desenhado por Gaudí. Considerada sua obra-prima, é o expoente do modernismo catalão e tem diversos estilos arquitetônicos. Sua construção foi iniciada em 19 de março de 1882.
El Pueblo Español-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carmen no El Pueblo Español-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu no El Pueblo Español-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
O Pueblo Español é outro local maravilhoso. Trata-se de uma vila tipicamente espanhola com lojas e restaurantes, um verdadeiro elixir para os olhos dos turistas. É um museu arquitetônico ao ar livre centrado na montanha de Montjuic. Oferece arte contemporânea, arquitetura, artesanato e gastronomia. Está integrado por 117 edifícios que compõem um povoado ibérico com suas ruas, casas, praças, teatro e restaurantes. Tem edifícios representativos de 15 comunidades autônomas, tais como a Andaluzia, Madri, Cantabria etc. Foi construído em 1929 devido à Exposição internacional ocorrida em Barcelona.
Cupidos no shopping da Barceloneta-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu na Barceloneta-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
eu na Barceloneta de novo-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
No dia de São Valentim (dia do santo padroeiro do amor) em 14 de fevereiro, celebrado na Europa e Estados Unidos, estivemos no shopping da Barceloneta. Havia cupidos dando flechadas de cupido. Muito simpático.
Eu na Barceloneta tendo o shopping dos cupidos ao fundo-foto tirada por Carmen Rivas
Barceloneta e eu-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Vida boa na Barceloneta-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Falando na Barceloneta. Amamos! Um calçadão longo que percorre a orla marítima, bem cuidado com restaurantes, lojas, lugares amplos para caminhar e shopping center. Historiando um pouco, a Barceloneta é um bairro marinheiro do distrito da Cidade Velha, edificado no séc. XVIII e projetado pelo engenheiro Prosper Verboom para acomodar os moradores do bairro La Ribera que perderam suas casas pela demolição ordenada por Felipe V para construir a Cidadela.
P.S. Pesquisei informações sobre Gaudí e suas obras na Wikipédia.
SOB O SOL DA TOSCANA: OS TRÊS MOTIVOS PELOS QUAIS EU GOSTEI DO FILME
Ana Carolina Tavares
Perdi as contas das vezes que assisti a este filme e todas as vezes que repito, sinto as borboletas no estômago. Os motivos?
As minhas regiões preferidas da Itália são cenários do filme
Carol Tavares em San Gimignano -Toscana – Itália – foto tirada por Ana Maria Tavares
Foi na bela cidade de Cortona , província de Arezzo, que rodaram as filmagens de Sob o Sol daToscana (Under the Tuscan Sun, 2003). O filme mostra ainda algumas cenas do centro histórico de Florença (Toscana) e Positano (Costa Amalfitana). É difícil descrever a sensação de estar no centro de Florença, na Piazza della Signoria, pela noite, observando as expressões das estátuas, esculpidas tão perfeitamente, que parecem estar querendo te contar um segredo. Em Positano, meu queixo caiu com aquele mar, a estrutura das casas… é incrível! Daqueles lugares que dizemos: “Quero voltar!”
Carol em Florença na Toscana-Itália-foto tirada por Ana Maria Tavares
Carol em Siena-Toscana-Itália-foto tirada por Aila Silva
A coragem da protagonista
A maneira como ela estava perdida no início do filme, desconstruída por um divórcio recente e aos poucos, o modo como foi se reconstruindo, ressignificando as feridas, a dor da separação, fazendo novos amigos, descobrindo sabores, aprendendo a maravilhar-se com coisas pequenas, a sentir a vida. Mas, nada disso teria acontecido sem a sua coragem. Às vezes necessitamos mudar o rumo das coisas, e é normal ter medo do novo. Porém, arriscar-se, em muitas situações, tem suas vantagens. Decidir por aquilo que faz nosso coração bater, pode nos trazer agradáveis surpresas. Principalmente quando relaxamos e deixamos fluir. De repente a sorte pode “pousar” em você.
A interculturalidade no filme
Já que é um assunto que adoro, as relações interculturais entre a Frances (protagonista-americana), os italianos e os trabalhadores de sua casa, que são da Cracóvia (Polônia), são muito ricas. A maneira de se comunicar, apesar de alguns não saberem os idiomas dos outros é bonita, intensa, regada com olhares, sorrisos, e solidariedade. Com o tempo, conhecidos se tornaram amigos, que se tornaram uma família. E é isso que acontece quando moramos em outro país. Os amigos viram família…
Sinopse: Frances Mayes (Diane Lane) é uma escritora que leva uma vida feliz em San Francisco (Estados Unidos), até que se divorcia de seu marido. Triste e deprimida, Frances ganha uma passagem para a Itália de presente das amigas para passar 10 dias. Mas, nessa viagem, ela decide mudar radicalmente de vida e compra uma chácara na Toscana, para descansar e poder terminar em paz seu novo texto. Porém enquanto ela cuida da reforma de sua nova casa acaba conhecendo um novo homem, que reacende sua paixão.
P.S. Ana Carolina Tavares é minha amiga e colaboradora. Ama escrever e viajar. Os artigos Longe de Casa e Viajar é Viver são dela. Ela é psicóloga clínica e tem um master em terapia de casal e família pela Universidade de Salamanca – Espanha. Seu contato é 85-987897633.
Carmencita e eu com nossa paella de mariscos nos divertindo em Torrevieja-Espanha-foto tirada pelo garçom
Estamos em fevereiro de 1998. Minha amiga Carmen Rivas, professora da Casa de Cultura Hispânica da Universidade Federal do Ceará, estava recém-chegada na Espanha a fim de fazer seu doutoramento na Universidade de Alicante. Felizmente, no início de vida lá, contou com o apoio de sua tia, irmã da dona Isabel Rivas (professora aposentada da mesma casa de cultura, de nacionalidade argentina, diga-se de passagem), para se hospedar por uns tempos na casa dela na linda Torrevieja. E eu tive a tremenda sorte de estar por aquelas plagas. Detalhe: a tia da Carmencita vivia na Suíça com a família. Hoje, falecida. Aproveito este artigo para homenagear dona Isabel Rivas, professora dedicada, poliglota, literata, atleta, a quem muito estimava e admirava. Também já partiu, infelizmente.
Cenário dos prédios em TorreviejaEspanha-foto tirada por Carmen Rivas
Torrevieja-cidade de bonecas-foto tirada por Carmen Rivas
Vamos a Torrevieja. Município da província de Alicante, situado a 30 km ao sul da citada cidade. Está localizada na Comunidade Valenciana, por isso tem o nome de Torrevella em valenciano. Trata-se de uma cidade turística, com aproximadamente 84.213 habitantes contabilizados em 2016. Seu clima é semiárido, mas em fevereiro é muito frio.
Carmen na frente da casa da tia dela na praia de la Mata em Torrevieja-Espanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carmen com seu carrinho de compras em frente à parada de ônibus na praia de la Mata em Torrevieja-foto tirada por Mônica D. Furtado
Com a Carmen vivemos o dia a dia da cidade, fazendo compras, andando pela orla da Playa deLa Mata, praia onde ficamos, degustando paellas, passeando pela Costa Blanca, com seus iates, barcos, praias e rochas, tudo muito lindo. Pegávamos sempre o mesmo ônibus da praia até o centro e achávamos o motorista educado, gentil e lindo! Belezas da Espanha.
Praça principal da cidade com seu bando à la Gaudí-Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Praça em Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Praça florida em Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Torrevieja é uma gracinha, tão florida, bem cuidada, parecia de boneca. O centro da cidade tem banco à la Gaudí, com chafariz e igreja principal. Comemos bem e nos divertimos bastante.
Torrevieja-Costa Blanca-foto tirada por Carmen Rivas
Eu na praia de la Mata-Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Eu no litoral de Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Suas praias de água quente são limpas. No verão devem fervilhar. Praias famosas: Playa delCura,La Mata, Punta Prima, Playa de los Naufragos, Playa de los Locos etc.
Atualmente Torrevieja possui muitas atrações: o Torrevieja Aquopolis (complexo de piscinas), Dique do Levante, Parque das Nações etc.; museus diversos como o Museu do Mar e Sal, Museu de História Natural, Sala de Exposições Vista Alegre, dentre outros. Além de monumentos: Ao Homem do Mar, Às Culturas do Mediterrâneo, Aos Músicos “Torrevejenses” etc. Em adição, há as atividades de esportes aquáticos. As Salinas de Torrevieja são comentadas. Enfim, oferece, sem dúvida, muito a fazer e conhecer. Eu nem reconheceria hoje.
Eu mostrando a igreja da cidade-Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Carmencita, obrigada por me receber com tanto carinho. Nossos passeios estão eternizados na minha memória.
A beleza da praia da Taíba com uma refrescante água de coco-foto tirada por Mônica Dourado Furtado
Mais um final de semana encantador no final de agosto de 2018. Meu companheiro de aventuras Carlos Alencar e eu saímos de Fortaleza pela Barra do Ceará e rumamos em direção à praia da Taíba, distrito de São Gonçalo do Amarante, assim como a praia da Lagoinha. Estamos na Estrada do Sol Poente, lado oeste do estado do Ceará.
Como a sinalização na estrada é deficiente, nos perdemos e entramos em Suipé, lugar minúsculo, mas como toda localidade do interior, com as pessoas dispostas a nos dar a direção certa. O distrito é bem arrumadinho, sossegado, com sua pracinha e igreja central.
Parede representando o mar-Taíba Inn-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Pousada Taíba Inn-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Flor do deserto na Taíba Inn-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Com a informação correta, chegamos à Taíba, aproximadamente 70 km de Fortaleza. Viemos para a pousada Taíba Inn, já a segunda vez que nos hospedamos nela (Beliza & Erik, fone: 85-33156140). É simples, com café da manhã muito bom, à beira-mar, porém sem opções de quartos para cadeirantes (informação a pedidos). O motivo é que os quartos de baixo têm batentes altos, há de se ter cuidado ao entrar neles. São dois andares com escadas e a parte mais inspiradora é o restaurante.
Prato de peixe pargo com verduras refogadas, baião de dois e farofa-Taíba Inn-foto tirada por Mônica D. Furtado
Lá se come muito bem. O peixe pargo com verduras refogadas, baião de dois e farofa é delicioso. Na beira do mar tem um cenário deslumbrante da enseada com coqueiros e casas em uma encosta. Para mim, o lugar mais belo da praia. É um luxo ficar admirando as mudanças de cores no céu. Gostei da pesquisa de opinião da pousada Taíba Inn, o cafezinho à vontade e o atendimento.
Jangadas na praia da Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Casas na praia da Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Enseada da Taíba-foto tirada por Carlos Alencar
Acho a Taíba uma gostosura, é pequena e tem duas ou três ruas. A principal, rua capitão Inácio Prata, é uma rua longa que se dirige ao centrinho e no caminho a pé vemos padaria (que virou mercado), novos bistrôs, restaurantes, pizzaria, sorveteria, casas de açaí, academia e por aí vai. O local é tranquilo, só de casas e vida pacata. Bom para o descanso. A dica é a pizzaria Il Terrazzo, o point à noite.
Varanda do restaurante Saravah Lu Morena-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Banana flambada-restaurante Saravah Lu Morena-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
E o restô novo em uma casa cuja sala de comer é aberta e dá para ver o mar batendo nas pilastras embaixo: Saravah Lu Morena. Ali quis comer doce e nada como uma banana flambada em um visual tão arrebatador.
Mirante da Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Mirante da Taíba ao entardecer-foto tirada por Mônica D. Furtado
Para o turista tirar fotos, há um mirante com um visual do mar promissor à tardinha. Está com uns tapumes, mas tem um cantinho para aproveitar. Segundo me informei, os tapumes são por motivo de reforma, da mesma forma que a pracinha principal. Isso é bom. Este ano voltará a acontecer o Festival de Escargot, outrora tradicional, no final de setembro.
O Porto do Pecém, na praia vizinha, prejudicou o turismo na Taíba, uma vez que o mar avançou. A ressaca em janeiro destruiu parte da nossa pousada que teve que ser reconstruída. Essa verdade atingiu outras praias do Ceará, como já escrevi em outros artigos.
Casas à beira mar na Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos na praia da Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu com a enseada lá atrás-praia da Taíba-foto tirada por Carlos Alencar
Praia da Taíba e seus coqueiros-foto tirada por Mônica D. Furtado
O banho de mar na enseada em frente ao Taína Inn é show. Há piscinas que se formam nas rochas na maré baixa. Água quente, vida serena e muito sossego, para quê mais? Amei! O lado B (sempre existe) é ver muitos sacos plásticos no paraíso. Eles vêm de Fortaleza com a corrente, uma tristeza! A alegria foi ver gente como eu catando o lixo naquele refúgio. E soube pelo dono da pousada que a prefeitura de São Gonçalo, a escolinha da Taíba e outros cidadãos conscientes limpam a praia constantemente. Maravilha! O trabalho é árduo e na época das chuvas é ainda pior.
Muitas casas bonitas estão para alugar e vender. Lugar bem habitável. A Taíba está na moda para casar também, pois muitas festas ocorrem naquele recanto. Da próxima vez queremos nos hospedar em outra pousada para conhecer. Chama-se Roane (989039373) e está situada na rua principal, é bem decorada e atraente. Para chegar ao mar, tem uma passagem bem estreita, interessante.
Em suma, gosto de passear em praias diversas. Cada uma com suas peculiaridades e atrações. Todas bonitas e com um banho morno, daqueles que não queremos sair do mar. Novidades virão. Viva o Ceará!
As jangadas com a encosta repleta de coqueiros formam uma pintura especial-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Convido vocês a lerem o primeiro artigo antes: “Sete Dias em Cartagena”, também escrito por minha colaboradora e amiga Letícia Amaral. Jornalista na Universidade Federal do Ceará, realiza o Programa UFCTV e é mestre em Comunicação Social pela UFC. Serei eternamente grata por ela ter me ajudado a fazer este blog.
Varanda em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Casas em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Continuando nosso passeio por Cartagena no Caribe colombiano.
Na Colômbia são poucos os taxistas que falam inglês. Virei-me com meu portunhol, e o motorista, que obviamente entendeu muito pouco, deixou-me num lugar que não tinha nada a ver com o lugar para onde eu pedira para ir. Fui levada para um local mil vezes melhor. Ele me deixou no bairro Getsemaní, o bairro mais animado de Cartagena: boêmio, cheio de bares, restaurantes e baladas descoladas.
Prato de ceviche em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Entrei num restaurante lindo porque vi logo na entrada que ele servia sushis e ceviches, o Kokoa Sushi Wok Bar e Delivery (http://www.kokoasushiwok.com). Aqui pedi meu primeiro ceviche em Cartagena: simplesmente perfeito, servido com patacones e chips de banana.
Os patacones são muito típicos da Colômbia: feitos com banana da terra, frita duas vezes. Em Cartagena a banana da terra é chamada de plátano. Os patacones acompanham muitos pratos.
Patacones-comida típica de Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Letícia Amaral em um restaurante em Cartagena-foto tirada pela garçonete
Digamos que é mais comum comer com acompanhamento de patacones do que com arroz. E quando tem arroz, é um arroz de coco, uma delícia indescritível que eu ainda não consegui imitar depois que cheguei a Fortaleza, embora já tenha me esforçado.
Já o ceviche é um prato muito típico da Colômbia: trata-se de peixe branco ou camarão crus, marinados em suco de limão, cebola e pimenta. Em muitas esquinas há cevicherias: de todos os tamanhos. Há cevicherias que são grandes restaurantes ou pequenos quiosques e até mesmo minicevicherias ambulantes acopladas a bicicletas!!!!
Na mesma noite eu segui pela Calle San Andrés e entrei no Épocas Delícias Restaurante (www.facebook.com/fernando.cabarcas.902), onde pedi um drink mojito. Foi feito pela Estéfane Alvarado, uma colombiana muito simpática e bonita, que logo ficou minha amiga. Foi um dos melhores mojitos (rum+coca-cola+hortelã+gelo) que já provei na minha vida!!! E no Épocas também tem ceviche, dos bons!
Outro point de ceviche que eu fui algumas vezes e indico é o El Grano Cevicheria Express (Calle Media Luna,1066, Getsemaní). Tem ceviche bem feito e com preço justo.
Sebo em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Gabriel Garcia Marques em suas primeiras edições-foto tirada por Letícia Amaral
Nos dias seguintes pedalei e caminhei muito pelas ruas do Centro Histórico. Me chamaram atenção as muitas livrarias, sebos e o amor do cartagenense pelo escritor colombiano nascido em Aracataca, Gabriel Garcia Marques. Fiquei apaixonada pela livraria Ábaco Libros y Café (www.abacolibros.com), tradicional, com livros lindamente dispostos do chão ao teto, sofás que convidam a leituras sem fim e um café maravilhoso.
Me entreguei sem pressa à leitura de uma biografia de Gabriel Garcia Marques em quadrinhos: “Gabo – memórias de uma vida mágica”, da editora Rey Naranjo Editores (foto acima). Uma bela edição com uma história pra lá de incrível. A vida de Gabriel Garcia Marques realmente foi digna de ser contada e recontada: cheia de sacrifícios em nome da literatura e muita emoção. Enquanto eu lia pedi um café com leite e depois uma limonada de coco.
Café colombiano mundialmente famoso-foto tirada por Letícia Amaral
O CAFÉ da Colômbia é mundialmente famoso: e muito justamente! Há cafés maravilhosos por todos os lados.
E a Limonada com Coco é uma das bebidas mais maravilhosas de Cartagena, refrescante e ao mesmo tempo quase cremosa por causa do leite de coco. Também tentei aprender a receita da limonada de coco, mas meu portunhol se misturava ao espanhol do povo cartagenense, e, no final das contas, eu não sabia como realmente era feita!!! Vai ser o jeito voltar lá!!
Pelas ruas do Centro Histórico de Cartagena, tomei muito suco de limão a 2 mil pesos colombianos (2 reais), muitas frutas e outras guloseimas que a gente só se permite nas férias. Cartagena é terra de fartura.
Uma dessas delícias foi um pão com doce de leite que me conquistou primeiro pelo cheiro. Eu ia passando pela Calle de San Andrés, em Getsemaní, quando aquele perfume doce me chamou. Parei e olhei ao redor, investigando de onde viria aquela arma arrebatadora… Logo mirei! Era uma pequeníssima padaria de esquina. Ao entrar, me deparei com os pães que tanto cheiravam bem. Comprei o meu e fui me deliciando pelas ruas.
A colonização espanhola fez da Colômbia e de seu povo um lugar muito culto. Os cartagenenses amam artes plásticas, livros e tudo que é manifestação artística. Pelas calçadas há muitas obras de arte de cores quase sempre vibrantes e muitos vendedores de pérolas. Meu conselho? Olhe e babe nas pérolas todas as vezes que estiverem lhe sendo oferecidas. Por quê? Você, com certeza, irá sentir muitas saudades desses momentos: jamais esquecerei as primeiras vezes que segurei entre as minhas mãos aquelas belíssimas pérolas verdadeiras, pesadas, ligeiramente assimétricas e de cores desiguais. Não são caras. Comprei colar, pulseiras e brincos. Sei que elas sempre vão guardar o perfume do mar dentro delas e me trarão a memória daqueles dias inesquecíveis no Caribe Colombiano. Serei sempre uma apaixonada pelas pérolas de Cartagena!!!
Nos dias seguintes fui às praias da cidade e sempre escolhia um lugar especial para almoçar. Entre os restaurantes mais legais que me serviram na velha Cartagena, indico o “La Cocina de Pepina” (Calle 25 # 10 b, Getsemaní), o “Café Lunático”, as lojas do “Crepes & Waffles”, todos com o super café colombiano, crepes, quiches e comida típica de Cartagena e preços acessíveis.
Sempre que eu pude, pedi pescado e camarão em Cartagena, com patacones e arroz de coco, e, se tivesse ceviche, eu pedia, porque há muitos anos eu já era apaixonada por este prato e sempre faço em casa.
Em Cartagena come-se muito fartamente peixes e crustáceos com preços módicos. Fui muito mais bem alimentada em Cartagena do que em qualquer país da Europa ou da própria América do Sul. E isso conquistou meu coração guloso.
Há um pôr-do-sol famoso em Cartagena: no Café Del Mar. Eu fui. A vista é realmente bela: um poente de frente para o mar, sobre as muralhas. Porém nada consumi neste local, por causa dos altos preços para turistas. Lembro que o drink mais barato custava 27 mil pesos, ou, 27 reais. Me poupe! Nem de álcool eu sou fã.
Já há ônibus estilo Hop On Hop Off em Cartagena. A gente toma num dia por cerca de 35 mil pesos, e tem o direito de circular neles, subindo e descendo em qualquer uma das paradas, durante as 48 horas a partir do momento da compra. Adorei. Foi assim que conheci um pouco da cidade além das muralhas, apelidada de “Pequena Miami” por ter centenas de arranha-céus de arquitetura visivelmente milionária e moderna. O Hotel Hilton de Cartagena fica nesta parte da cidade.
Ouvi dizer que, para quem gosta de balada, Cartagena é sensacional. Há festas animadas nos hostels do bairro Getsemaní e em bares como o famoso Café Havana (cafehavanacartagena.com), na Calle San Andrés.
Desta vez eu fui uma turista do dia, não conheci as baladas. Mas para quem quer, eu sei que tem festa.
Também fiz um passeio de barco até Islas del Rosário. A gente sai cedinho do hotel e paga por uma ilha com “day-use”. Por uns 250 mil pesos tem direito ao transfer de lancha (que eu achei emocionante e sensacional) até Isla Bella (cerca de uma hora e meia de viagem), com direito também a um drink na chegada à ilha, almoço maravilhoso, escolhi peixe frito com patacones (sim! de novo! Delícia demais), arroz de coco e uma jarra de mate gelado. No dia na ilha ficamos em enormes espreguiçadeiras à beira daquele mar azul turquesa: um paraíso caribenho de mar calmo e morno, que delícia! Ao final da tarde, por volta de 16 horas, o barco-lancha nos leva de volta à Cartagena. Super amei esse passeio.
Entre os outros passeios que fiz, incluí uma visita ao Castelo de San Felipe de Barajas (http://fortificacionescartagena.com), uma belíssima fortificação, de onde se vê toda a cidade. O Castelo tem um guia em papel bem explicativo e a entrada custou 25 mil pesos colombianos. Lá dentro dá para visitar as antigas celas da prisão do castelo e algumas catacumbas. Não sendo adepta desse tipo de “atração” macabra, eu passei direto e fui logo para o topo do castelo. Era um dia de chuva e, mesmo assim, minhas fotos ficaram lindas com a vista panorâmica do Castelo de San Felipe de Barajas.
Outro passeio sensacional que fiz foi ao Museu de Arte Moderna de Cartagena, no Centro Histórico. Muitas obras incríveis repousam naquele museu: amei conhecer os trabalhos do artista plástico Henrique Grau.
Se fiz compras? Sejamos honestos: toda mulher normal as faz! Me apaixonei perdidamente por alguns ateliês de alta costura de Cartagena, e quero muito ter a sorte de um dia poder voltar lá e comprar na “Etóile La Boutique” (etoilelaboutique.com), no “Mariano” ou na simples e descolada “Tennis” (www.tennis.com.co).
Na “Etóile” encontrei vestidos de seda desses que se provar só sai se for com ele, não quer mais nem tirar (rsrsrs). E cá entre nós: toda mulher merece um lindo vestido de seda, pelo menos unzinho! Agora já tenho o meu.
Quero voltar a Cartagena quantas vezes o tempo me permitir: serei sempre uma apaixonada pela arquitetura encantadora daquela cidade histórica. Seus sobrados multicoloridos com suas sacadas de madeira entremeadas de flores ganharam meu coração e minha memória. Seu povo negro, belo, de sorriso e coração abertos para nós, irmãos da América Latina, me deixaram aos suspiros… Nunca eu havia sido tão bem recebida por um povo, e olha que também amei a hospitalidade de lugares como Amsterdã e Londres, mas não há gente como aqueles alegres cartagenenses.
Amei, amo e amarei Cartagena. Acho que nós, latinos, não devemos perder tempo e temos a obrigação de ir conhecer aquela terra caliente que também foi de Gabriel Garcia Marques (nosso primeiro Prêmio Nobel de Literatura da América do Sul, 1982, por “Cem Anos de Solidão”). Mas se formos falar de Gabriel Garcia Marques, ou simplesmente Gabo, aí, já teremos texto, fala e emoção para um outro conto, ou um outro post. I love Gabo with all my heart, and, now, Cartagena too. Thank you God!
Minha amiga Letícia Amaral e eu em novembro de 2017 em Fortaleza-Ce-foto tirada pela sua mãe na celebração do aniversário dela