Eu no trem EUROMED de Alicante a Barcelona-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Carmen e eu comendo paella em Barcelona-Espanha-foto tirada pelo garçom
Estamos em fevereiro de 1998. Já estivemos em Torrevieja. Minha amiga Carmen Rivas e eu viajamos de Alicante na província de Valência até Barcelona na Catalunha. Fomos de trem EUROMED, que ligava à época o lado leste do país a Barcelona. Foram 4 h de viagem. Um luxo! À época a Carmencita, professora da Casa de Cultura Hispânica da Universidade Federal do Ceará, estava fazendo seu doutorado na Universidade de Alicante.
Barcelona é a capital da comunidade autônoma da Catalunha e é o segundo município mais populoso da Espanha. A população fala catalão e espanhol, não se consideram espanhóis e sim, catalães. São muito conscientes de sua terra, seus costumes, sua cultura e sua língua. Por exemplo: veem-se na rua placas em catalão e espanhol e há missas nas igrejas rezadas em ambas as línguas em horários diferentes. Aliás, catalão é uma língua românica derivada do latim vulgar falado pelos romanos na Idade Antiga. Atualmente estão em conflito em favor da separação do país, querem a sua independência.
Show de flamenco em Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dançarinas de flamenco no show El Cordobés-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Flamenco é a dança da Andaluzia-Espanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
Chegamos à linda cidade já encantadas pelo seu sol e alegria no ar. Logo no início fomos ao show de flamenco El Cordobés nas Ramblas (calçadões). Como amo esta dança tão apaixonada, senti um nó no coração de tanta emoção. Las Ramblas ou La Rambla é o nome dado a uma via que conecta a Praça da Catalunha ao Porto Velho na Cidade Velha. É uma série de pequenas ruas que se juntam e formam um calçadão largo e movimentado com 1,2 km de comprimento.
O nosso hotel Nouvel em Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Cidade de Barcelona com casas floridas-foto tirada por Carmen Rivas
Nós nos hospedamos no bem localizado hotel Nouvel (em catalão), situado à Rua Santa Ana, perto da Praça da Catalunha. Passeamos bastante a pé e de ônibus.
O monumento a Cristóvão Colombo-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Barcelona com suas avenidas largas e monumentos originais-foto tirada por Carmen Rivas
O monumento a Colombo no fundo da foto-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Barcelona com suas avenidas largas e monumentos originais é imperdível. A cidade é agradabilíssima com casas com flores nas janelas.
Bairro Gótico-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Casa Pedrera-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Há de se conhecer o bairro Gótico e suas ruelas; a Catedral com o túmulo de Santa Eulália – padroeira da cidade; a Casa Batló; a Casa Pedrera; e o Parque Güell, todos idealizados por Antoni Gaudí.
Eu no Parque Güell-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
O lagarto de Gaudí no Parque Güell-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Carmen no Parque Güell-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu junto ao banco de Gaudí no Parque Güell-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
O Bairro Gótico é um dos quatro bairros que formam o distrito da Cidade Velha. É o centro histórico e o núcleo mais antigo de Barcelona. Seu estilo arquitetônico predominante é o gótico, por isso o nome. Já o Parque Güell é um grande parque urbano com elementos arquitetônicos, sito no distrito de Gràcia. Foi construído entre 1900 e 1914 e é uma das principais obras de Gaudí.
A Casa Batló é um edifício modernista catalão no qual Gaudí teve o auxílio dos arquitetos Josep Maria Jujol e Joan Rubió i Bellversituado. Situa-se no n˚43 do Passeig (avenida) de Gràcia na chamada Ilha da Discórdia, um bairro modernista da cidade.
Casa Pedrera 2-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Casa Pedrera 3-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu na Casa Pedrera-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Outra obra: a Casa Pedrera ou Casa Milá foi construída entre os anos 1905 e 1907 para Roger Segimon de Milá e inaugurada em 1912. Localiza-se no n˚ 92 do Passeig de Gràcia. Gaudí e Josep Maria Jujol foram os arquitetos.
Falemos no afamado e original arquiteto catalão Antoni Gaudí i Cornet. Nasceu em 25 de junho de 1852 em Reus e faleceu em 10 de junho de 1926 em Barcelona. Foi figura de ponta do modernismo catalão e suas obras revelam um estilo único e individual. Grande parte delas revela muito de suas paixões: arquitetura, natureza e religiosidade.
Foto artística da Sagrada Família-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Sagrada Família inacabada-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Sagrada Família-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Torres da Sagrada Família-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Esculturas da Sagrada Família-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Todo arquiteto deveria conhecer Barcelona. Uma visita impressionante é a famosa Sagrada Família com o mirante que oferece uma vista espetacular. Tempo Expiatório da Sagrada Família é um grande templo católico, também desenhado por Gaudí. Considerada sua obra-prima, é o expoente do modernismo catalão e tem diversos estilos arquitetônicos. Sua construção foi iniciada em 19 de março de 1882.
El Pueblo Español-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carmen no El Pueblo Español-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu no El Pueblo Español-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
O Pueblo Español é outro local maravilhoso. Trata-se de uma vila tipicamente espanhola com lojas e restaurantes, um verdadeiro elixir para os olhos dos turistas. É um museu arquitetônico ao ar livre centrado na montanha de Montjuic. Oferece arte contemporânea, arquitetura, artesanato e gastronomia. Está integrado por 117 edifícios que compõem um povoado ibérico com suas ruas, casas, praças, teatro e restaurantes. Tem edifícios representativos de 15 comunidades autônomas, tais como a Andaluzia, Madri, Cantabria etc. Foi construído em 1929 devido à Exposição internacional ocorrida em Barcelona.
Cupidos no shopping da Barceloneta-Barcelona-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu na Barceloneta-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
eu na Barceloneta de novo-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
No dia de São Valentim (dia do santo padroeiro do amor) em 14 de fevereiro, celebrado na Europa e Estados Unidos, estivemos no shopping da Barceloneta. Havia cupidos dando flechadas de cupido. Muito simpático.
Eu na Barceloneta tendo o shopping dos cupidos ao fundo-foto tirada por Carmen Rivas
Barceloneta e eu-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Vida boa na Barceloneta-Barcelona-foto tirada por Carmen Rivas
Falando na Barceloneta. Amamos! Um calçadão longo que percorre a orla marítima, bem cuidado com restaurantes, lojas, lugares amplos para caminhar e shopping center. Historiando um pouco, a Barceloneta é um bairro marinheiro do distrito da Cidade Velha, edificado no séc. XVIII e projetado pelo engenheiro Prosper Verboom para acomodar os moradores do bairro La Ribera que perderam suas casas pela demolição ordenada por Felipe V para construir a Cidadela.
P.S. Pesquisei informações sobre Gaudí e suas obras na Wikipédia.
SOB O SOL DA TOSCANA: OS TRÊS MOTIVOS PELOS QUAIS EU GOSTEI DO FILME
Ana Carolina Tavares
Perdi as contas das vezes que assisti a este filme e todas as vezes que repito, sinto as borboletas no estômago. Os motivos?
As minhas regiões preferidas da Itália são cenários do filme
Carol Tavares em San Gimignano -Toscana – Itália – foto tirada por Ana Maria Tavares
Foi na bela cidade de Cortona , província de Arezzo, que rodaram as filmagens de Sob o Sol daToscana (Under the Tuscan Sun, 2003). O filme mostra ainda algumas cenas do centro histórico de Florença (Toscana) e Positano (Costa Amalfitana). É difícil descrever a sensação de estar no centro de Florença, na Piazza della Signoria, pela noite, observando as expressões das estátuas, esculpidas tão perfeitamente, que parecem estar querendo te contar um segredo. Em Positano, meu queixo caiu com aquele mar, a estrutura das casas… é incrível! Daqueles lugares que dizemos: “Quero voltar!”
Carol em Florença na Toscana-Itália-foto tirada por Ana Maria Tavares
Carol em Siena-Toscana-Itália-foto tirada por Aila Silva
A coragem da protagonista
A maneira como ela estava perdida no início do filme, desconstruída por um divórcio recente e aos poucos, o modo como foi se reconstruindo, ressignificando as feridas, a dor da separação, fazendo novos amigos, descobrindo sabores, aprendendo a maravilhar-se com coisas pequenas, a sentir a vida. Mas, nada disso teria acontecido sem a sua coragem. Às vezes necessitamos mudar o rumo das coisas, e é normal ter medo do novo. Porém, arriscar-se, em muitas situações, tem suas vantagens. Decidir por aquilo que faz nosso coração bater, pode nos trazer agradáveis surpresas. Principalmente quando relaxamos e deixamos fluir. De repente a sorte pode “pousar” em você.
A interculturalidade no filme
Já que é um assunto que adoro, as relações interculturais entre a Frances (protagonista-americana), os italianos e os trabalhadores de sua casa, que são da Cracóvia (Polônia), são muito ricas. A maneira de se comunicar, apesar de alguns não saberem os idiomas dos outros é bonita, intensa, regada com olhares, sorrisos, e solidariedade. Com o tempo, conhecidos se tornaram amigos, que se tornaram uma família. E é isso que acontece quando moramos em outro país. Os amigos viram família…
Sinopse: Frances Mayes (Diane Lane) é uma escritora que leva uma vida feliz em San Francisco (Estados Unidos), até que se divorcia de seu marido. Triste e deprimida, Frances ganha uma passagem para a Itália de presente das amigas para passar 10 dias. Mas, nessa viagem, ela decide mudar radicalmente de vida e compra uma chácara na Toscana, para descansar e poder terminar em paz seu novo texto. Porém enquanto ela cuida da reforma de sua nova casa acaba conhecendo um novo homem, que reacende sua paixão.
P.S. Ana Carolina Tavares é minha amiga e colaboradora. Ama escrever e viajar. Os artigos Longe de Casa e Viajar é Viver são dela. Ela é psicóloga clínica e tem um master em terapia de casal e família pela Universidade de Salamanca – Espanha. Seu contato é 85-987897633.
Carmencita e eu com nossa paella de mariscos nos divertindo em Torrevieja-Espanha-foto tirada pelo garçom
Estamos em fevereiro de 1998. Minha amiga Carmen Rivas, professora da Casa de Cultura Hispânica da Universidade Federal do Ceará, estava recém-chegada na Espanha a fim de fazer seu doutoramento na Universidade de Alicante. Felizmente, no início de vida lá, contou com o apoio de sua tia, irmã da dona Isabel Rivas (professora aposentada da mesma casa de cultura, de nacionalidade argentina, diga-se de passagem), para se hospedar por uns tempos na casa dela na linda Torrevieja. E eu tive a tremenda sorte de estar por aquelas plagas. Detalhe: a tia da Carmencita vivia na Suíça com a família. Hoje, falecida. Aproveito este artigo para homenagear dona Isabel Rivas, professora dedicada, poliglota, literata, atleta, a quem muito estimava e admirava. Também já partiu, infelizmente.
Cenário dos prédios em TorreviejaEspanha-foto tirada por Carmen Rivas
Torrevieja-cidade de bonecas-foto tirada por Carmen Rivas
Vamos a Torrevieja. Município da província de Alicante, situado a 30 km ao sul da citada cidade. Está localizada na Comunidade Valenciana, por isso tem o nome de Torrevella em valenciano. Trata-se de uma cidade turística, com aproximadamente 84.213 habitantes contabilizados em 2016. Seu clima é semiárido, mas em fevereiro é muito frio.
Carmen na frente da casa da tia dela na praia de la Mata em Torrevieja-Espanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carmen com seu carrinho de compras em frente à parada de ônibus na praia de la Mata em Torrevieja-foto tirada por Mônica D. Furtado
Com a Carmen vivemos o dia a dia da cidade, fazendo compras, andando pela orla da Playa deLa Mata, praia onde ficamos, degustando paellas, passeando pela Costa Blanca, com seus iates, barcos, praias e rochas, tudo muito lindo. Pegávamos sempre o mesmo ônibus da praia até o centro e achávamos o motorista educado, gentil e lindo! Belezas da Espanha.
Praça principal da cidade com seu bando à la Gaudí-Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Praça em Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Praça florida em Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Torrevieja é uma gracinha, tão florida, bem cuidada, parecia de boneca. O centro da cidade tem banco à la Gaudí, com chafariz e igreja principal. Comemos bem e nos divertimos bastante.
Torrevieja-Costa Blanca-foto tirada por Carmen Rivas
Eu na praia de la Mata-Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Eu no litoral de Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Suas praias de água quente são limpas. No verão devem fervilhar. Praias famosas: Playa delCura,La Mata, Punta Prima, Playa de los Naufragos, Playa de los Locos etc.
Atualmente Torrevieja possui muitas atrações: o Torrevieja Aquopolis (complexo de piscinas), Dique do Levante, Parque das Nações etc.; museus diversos como o Museu do Mar e Sal, Museu de História Natural, Sala de Exposições Vista Alegre, dentre outros. Além de monumentos: Ao Homem do Mar, Às Culturas do Mediterrâneo, Aos Músicos “Torrevejenses” etc. Em adição, há as atividades de esportes aquáticos. As Salinas de Torrevieja são comentadas. Enfim, oferece, sem dúvida, muito a fazer e conhecer. Eu nem reconheceria hoje.
Eu mostrando a igreja da cidade-Torrevieja-Espanha-foto tirada por Carmen Rivas
Carmencita, obrigada por me receber com tanto carinho. Nossos passeios estão eternizados na minha memória.
A beleza da praia da Taíba com uma refrescante água de coco-foto tirada por Mônica Dourado Furtado
Mais um final de semana encantador no final de agosto de 2018. Meu companheiro de aventuras Carlos Alencar e eu saímos de Fortaleza pela Barra do Ceará e rumamos em direção à praia da Taíba, distrito de São Gonçalo do Amarante, assim como a praia da Lagoinha. Estamos na Estrada do Sol Poente, lado oeste do estado do Ceará.
Como a sinalização na estrada é deficiente, nos perdemos e entramos em Suipé, lugar minúsculo, mas como toda localidade do interior, com as pessoas dispostas a nos dar a direção certa. O distrito é bem arrumadinho, sossegado, com sua pracinha e igreja central.
Parede representando o mar-Taíba Inn-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Pousada Taíba Inn-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Flor do deserto na Taíba Inn-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Com a informação correta, chegamos à Taíba, aproximadamente 70 km de Fortaleza. Viemos para a pousada Taíba Inn, já a segunda vez que nos hospedamos nela (Beliza & Erik, fone: 85-33156140). É simples, com café da manhã muito bom, à beira-mar, porém sem opções de quartos para cadeirantes (informação a pedidos). O motivo é que os quartos de baixo têm batentes altos, há de se ter cuidado ao entrar neles. São dois andares com escadas e a parte mais inspiradora é o restaurante.
Prato de peixe pargo com verduras refogadas, baião de dois e farofa-Taíba Inn-foto tirada por Mônica D. Furtado
Lá se come muito bem. O peixe pargo com verduras refogadas, baião de dois e farofa é delicioso. Na beira do mar tem um cenário deslumbrante da enseada com coqueiros e casas em uma encosta. Para mim, o lugar mais belo da praia. É um luxo ficar admirando as mudanças de cores no céu. Gostei da pesquisa de opinião da pousada Taíba Inn, o cafezinho à vontade e o atendimento.
Jangadas na praia da Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Casas na praia da Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Enseada da Taíba-foto tirada por Carlos Alencar
Acho a Taíba uma gostosura, é pequena e tem duas ou três ruas. A principal, rua capitão Inácio Prata, é uma rua longa que se dirige ao centrinho e no caminho a pé vemos padaria (que virou mercado), novos bistrôs, restaurantes, pizzaria, sorveteria, casas de açaí, academia e por aí vai. O local é tranquilo, só de casas e vida pacata. Bom para o descanso. A dica é a pizzaria Il Terrazzo, o point à noite.
Varanda do restaurante Saravah Lu Morena-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Banana flambada-restaurante Saravah Lu Morena-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
E o restô novo em uma casa cuja sala de comer é aberta e dá para ver o mar batendo nas pilastras embaixo: Saravah Lu Morena. Ali quis comer doce e nada como uma banana flambada em um visual tão arrebatador.
Mirante da Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Mirante da Taíba ao entardecer-foto tirada por Mônica D. Furtado
Para o turista tirar fotos, há um mirante com um visual do mar promissor à tardinha. Está com uns tapumes, mas tem um cantinho para aproveitar. Segundo me informei, os tapumes são por motivo de reforma, da mesma forma que a pracinha principal. Isso é bom. Este ano voltará a acontecer o Festival de Escargot, outrora tradicional, no final de setembro.
O Porto do Pecém, na praia vizinha, prejudicou o turismo na Taíba, uma vez que o mar avançou. A ressaca em janeiro destruiu parte da nossa pousada que teve que ser reconstruída. Essa verdade atingiu outras praias do Ceará, como já escrevi em outros artigos.
Casas à beira mar na Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos na praia da Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu com a enseada lá atrás-praia da Taíba-foto tirada por Carlos Alencar
Praia da Taíba e seus coqueiros-foto tirada por Mônica D. Furtado
O banho de mar na enseada em frente ao Taína Inn é show. Há piscinas que se formam nas rochas na maré baixa. Água quente, vida serena e muito sossego, para quê mais? Amei! O lado B (sempre existe) é ver muitos sacos plásticos no paraíso. Eles vêm de Fortaleza com a corrente, uma tristeza! A alegria foi ver gente como eu catando o lixo naquele refúgio. E soube pelo dono da pousada que a prefeitura de São Gonçalo, a escolinha da Taíba e outros cidadãos conscientes limpam a praia constantemente. Maravilha! O trabalho é árduo e na época das chuvas é ainda pior.
Muitas casas bonitas estão para alugar e vender. Lugar bem habitável. A Taíba está na moda para casar também, pois muitas festas ocorrem naquele recanto. Da próxima vez queremos nos hospedar em outra pousada para conhecer. Chama-se Roane (989039373) e está situada na rua principal, é bem decorada e atraente. Para chegar ao mar, tem uma passagem bem estreita, interessante.
Em suma, gosto de passear em praias diversas. Cada uma com suas peculiaridades e atrações. Todas bonitas e com um banho morno, daqueles que não queremos sair do mar. Novidades virão. Viva o Ceará!
As jangadas com a encosta repleta de coqueiros formam uma pintura especial-Taíba-foto tirada por Mônica D. Furtado
Convido vocês a lerem o primeiro artigo antes: “Sete Dias em Cartagena”, também escrito por minha colaboradora e amiga Letícia Amaral. Jornalista na Universidade Federal do Ceará, realiza o Programa UFCTV e é mestre em Comunicação Social pela UFC. Serei eternamente grata por ela ter me ajudado a fazer este blog.
Varanda em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Casas em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Continuando nosso passeio por Cartagena no Caribe colombiano.
Na Colômbia são poucos os taxistas que falam inglês. Virei-me com meu portunhol, e o motorista, que obviamente entendeu muito pouco, deixou-me num lugar que não tinha nada a ver com o lugar para onde eu pedira para ir. Fui levada para um local mil vezes melhor. Ele me deixou no bairro Getsemaní, o bairro mais animado de Cartagena: boêmio, cheio de bares, restaurantes e baladas descoladas.
Prato de ceviche em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Entrei num restaurante lindo porque vi logo na entrada que ele servia sushis e ceviches, o Kokoa Sushi Wok Bar e Delivery (http://www.kokoasushiwok.com). Aqui pedi meu primeiro ceviche em Cartagena: simplesmente perfeito, servido com patacones e chips de banana.
Os patacones são muito típicos da Colômbia: feitos com banana da terra, frita duas vezes. Em Cartagena a banana da terra é chamada de plátano. Os patacones acompanham muitos pratos.
Patacones-comida típica de Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Letícia Amaral em um restaurante em Cartagena-foto tirada pela garçonete
Digamos que é mais comum comer com acompanhamento de patacones do que com arroz. E quando tem arroz, é um arroz de coco, uma delícia indescritível que eu ainda não consegui imitar depois que cheguei a Fortaleza, embora já tenha me esforçado.
Já o ceviche é um prato muito típico da Colômbia: trata-se de peixe branco ou camarão crus, marinados em suco de limão, cebola e pimenta. Em muitas esquinas há cevicherias: de todos os tamanhos. Há cevicherias que são grandes restaurantes ou pequenos quiosques e até mesmo minicevicherias ambulantes acopladas a bicicletas!!!!
Na mesma noite eu segui pela Calle San Andrés e entrei no Épocas Delícias Restaurante (www.facebook.com/fernando.cabarcas.902), onde pedi um drink mojito. Foi feito pela Estéfane Alvarado, uma colombiana muito simpática e bonita, que logo ficou minha amiga. Foi um dos melhores mojitos (rum+coca-cola+hortelã+gelo) que já provei na minha vida!!! E no Épocas também tem ceviche, dos bons!
Outro point de ceviche que eu fui algumas vezes e indico é o El Grano Cevicheria Express (Calle Media Luna,1066, Getsemaní). Tem ceviche bem feito e com preço justo.
Sebo em Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Gabriel Garcia Marques em suas primeiras edições-foto tirada por Letícia Amaral
Nos dias seguintes pedalei e caminhei muito pelas ruas do Centro Histórico. Me chamaram atenção as muitas livrarias, sebos e o amor do cartagenense pelo escritor colombiano nascido em Aracataca, Gabriel Garcia Marques. Fiquei apaixonada pela livraria Ábaco Libros y Café (www.abacolibros.com), tradicional, com livros lindamente dispostos do chão ao teto, sofás que convidam a leituras sem fim e um café maravilhoso.
Me entreguei sem pressa à leitura de uma biografia de Gabriel Garcia Marques em quadrinhos: “Gabo – memórias de uma vida mágica”, da editora Rey Naranjo Editores (foto acima). Uma bela edição com uma história pra lá de incrível. A vida de Gabriel Garcia Marques realmente foi digna de ser contada e recontada: cheia de sacrifícios em nome da literatura e muita emoção. Enquanto eu lia pedi um café com leite e depois uma limonada de coco.
Café colombiano mundialmente famoso-foto tirada por Letícia Amaral
O CAFÉ da Colômbia é mundialmente famoso: e muito justamente! Há cafés maravilhosos por todos os lados.
E a Limonada com Coco é uma das bebidas mais maravilhosas de Cartagena, refrescante e ao mesmo tempo quase cremosa por causa do leite de coco. Também tentei aprender a receita da limonada de coco, mas meu portunhol se misturava ao espanhol do povo cartagenense, e, no final das contas, eu não sabia como realmente era feita!!! Vai ser o jeito voltar lá!!
Pelas ruas do Centro Histórico de Cartagena, tomei muito suco de limão a 2 mil pesos colombianos (2 reais), muitas frutas e outras guloseimas que a gente só se permite nas férias. Cartagena é terra de fartura.
Uma dessas delícias foi um pão com doce de leite que me conquistou primeiro pelo cheiro. Eu ia passando pela Calle de San Andrés, em Getsemaní, quando aquele perfume doce me chamou. Parei e olhei ao redor, investigando de onde viria aquela arma arrebatadora… Logo mirei! Era uma pequeníssima padaria de esquina. Ao entrar, me deparei com os pães que tanto cheiravam bem. Comprei o meu e fui me deliciando pelas ruas.
A colonização espanhola fez da Colômbia e de seu povo um lugar muito culto. Os cartagenenses amam artes plásticas, livros e tudo que é manifestação artística. Pelas calçadas há muitas obras de arte de cores quase sempre vibrantes e muitos vendedores de pérolas. Meu conselho? Olhe e babe nas pérolas todas as vezes que estiverem lhe sendo oferecidas. Por quê? Você, com certeza, irá sentir muitas saudades desses momentos: jamais esquecerei as primeiras vezes que segurei entre as minhas mãos aquelas belíssimas pérolas verdadeiras, pesadas, ligeiramente assimétricas e de cores desiguais. Não são caras. Comprei colar, pulseiras e brincos. Sei que elas sempre vão guardar o perfume do mar dentro delas e me trarão a memória daqueles dias inesquecíveis no Caribe Colombiano. Serei sempre uma apaixonada pelas pérolas de Cartagena!!!
Nos dias seguintes fui às praias da cidade e sempre escolhia um lugar especial para almoçar. Entre os restaurantes mais legais que me serviram na velha Cartagena, indico o “La Cocina de Pepina” (Calle 25 # 10 b, Getsemaní), o “Café Lunático”, as lojas do “Crepes & Waffles”, todos com o super café colombiano, crepes, quiches e comida típica de Cartagena e preços acessíveis.
Sempre que eu pude, pedi pescado e camarão em Cartagena, com patacones e arroz de coco, e, se tivesse ceviche, eu pedia, porque há muitos anos eu já era apaixonada por este prato e sempre faço em casa.
Em Cartagena come-se muito fartamente peixes e crustáceos com preços módicos. Fui muito mais bem alimentada em Cartagena do que em qualquer país da Europa ou da própria América do Sul. E isso conquistou meu coração guloso.
Há um pôr-do-sol famoso em Cartagena: no Café Del Mar. Eu fui. A vista é realmente bela: um poente de frente para o mar, sobre as muralhas. Porém nada consumi neste local, por causa dos altos preços para turistas. Lembro que o drink mais barato custava 27 mil pesos, ou, 27 reais. Me poupe! Nem de álcool eu sou fã.
Já há ônibus estilo Hop On Hop Off em Cartagena. A gente toma num dia por cerca de 35 mil pesos, e tem o direito de circular neles, subindo e descendo em qualquer uma das paradas, durante as 48 horas a partir do momento da compra. Adorei. Foi assim que conheci um pouco da cidade além das muralhas, apelidada de “Pequena Miami” por ter centenas de arranha-céus de arquitetura visivelmente milionária e moderna. O Hotel Hilton de Cartagena fica nesta parte da cidade.
Ouvi dizer que, para quem gosta de balada, Cartagena é sensacional. Há festas animadas nos hostels do bairro Getsemaní e em bares como o famoso Café Havana (cafehavanacartagena.com), na Calle San Andrés.
Desta vez eu fui uma turista do dia, não conheci as baladas. Mas para quem quer, eu sei que tem festa.
Também fiz um passeio de barco até Islas del Rosário. A gente sai cedinho do hotel e paga por uma ilha com “day-use”. Por uns 250 mil pesos tem direito ao transfer de lancha (que eu achei emocionante e sensacional) até Isla Bella (cerca de uma hora e meia de viagem), com direito também a um drink na chegada à ilha, almoço maravilhoso, escolhi peixe frito com patacones (sim! de novo! Delícia demais), arroz de coco e uma jarra de mate gelado. No dia na ilha ficamos em enormes espreguiçadeiras à beira daquele mar azul turquesa: um paraíso caribenho de mar calmo e morno, que delícia! Ao final da tarde, por volta de 16 horas, o barco-lancha nos leva de volta à Cartagena. Super amei esse passeio.
Entre os outros passeios que fiz, incluí uma visita ao Castelo de San Felipe de Barajas (http://fortificacionescartagena.com), uma belíssima fortificação, de onde se vê toda a cidade. O Castelo tem um guia em papel bem explicativo e a entrada custou 25 mil pesos colombianos. Lá dentro dá para visitar as antigas celas da prisão do castelo e algumas catacumbas. Não sendo adepta desse tipo de “atração” macabra, eu passei direto e fui logo para o topo do castelo. Era um dia de chuva e, mesmo assim, minhas fotos ficaram lindas com a vista panorâmica do Castelo de San Felipe de Barajas.
Outro passeio sensacional que fiz foi ao Museu de Arte Moderna de Cartagena, no Centro Histórico. Muitas obras incríveis repousam naquele museu: amei conhecer os trabalhos do artista plástico Henrique Grau.
Se fiz compras? Sejamos honestos: toda mulher normal as faz! Me apaixonei perdidamente por alguns ateliês de alta costura de Cartagena, e quero muito ter a sorte de um dia poder voltar lá e comprar na “Etóile La Boutique” (etoilelaboutique.com), no “Mariano” ou na simples e descolada “Tennis” (www.tennis.com.co).
Na “Etóile” encontrei vestidos de seda desses que se provar só sai se for com ele, não quer mais nem tirar (rsrsrs). E cá entre nós: toda mulher merece um lindo vestido de seda, pelo menos unzinho! Agora já tenho o meu.
Quero voltar a Cartagena quantas vezes o tempo me permitir: serei sempre uma apaixonada pela arquitetura encantadora daquela cidade histórica. Seus sobrados multicoloridos com suas sacadas de madeira entremeadas de flores ganharam meu coração e minha memória. Seu povo negro, belo, de sorriso e coração abertos para nós, irmãos da América Latina, me deixaram aos suspiros… Nunca eu havia sido tão bem recebida por um povo, e olha que também amei a hospitalidade de lugares como Amsterdã e Londres, mas não há gente como aqueles alegres cartagenenses.
Amei, amo e amarei Cartagena. Acho que nós, latinos, não devemos perder tempo e temos a obrigação de ir conhecer aquela terra caliente que também foi de Gabriel Garcia Marques (nosso primeiro Prêmio Nobel de Literatura da América do Sul, 1982, por “Cem Anos de Solidão”). Mas se formos falar de Gabriel Garcia Marques, ou simplesmente Gabo, aí, já teremos texto, fala e emoção para um outro conto, ou um outro post. I love Gabo with all my heart, and, now, Cartagena too. Thank you God!
Minha amiga Letícia Amaral e eu em novembro de 2017 em Fortaleza-Ce-foto tirada pela sua mãe na celebração do aniversário dela
Primeiramente, apresentarei vocês à minha colaboradora e amiga Letícia Amaral. Jornalista na Universidade Federal do Ceará, realiza o Programa UFCTV e é mestre em Comunicação Social também pela UFC. Serei eternamente grata por ela ter me ajudado a fazer este blog em 2017.
Vamos lá. Cartagena no Caribe colombiano nos espera.
Mapa Cartagena-Caribe colombiano
Início
Uma viagem começa, na realidade, muito antes do dia do embarque. Comecei a pesquisar sobre Cartagena pelo menos dois meses antes da jornada, marcada para maio de 2018, como faço sempre e sempre, amém.
Já nas pesquisas descobri que eu encontraria muitos e muitos cafés pelas ruas históricas de Cartagena, assim como livrarias e sebos elegantes, lojas de pérolas e esmeraldas e um monte de cevicherias!
Minha dica é: reserve vários dias só para perambular pelas ruas do Centro Histórico de Cartagena. Achar-se e perder-se entre aquelas ruelas cheias de sacadas floridas e multicoloridas, com cheiro de frutas tropicais por todos os lados, é uma sensação que eu ainda quero viver muitas vezes nesta vida.
Casas típicas de Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Cartagena e suas casas com balcões floridos-foto tirada por Letícia Amaral
Em Cartagena, o melhor mesmo é ficar hospedado dentro do Centro Histórico ou vizinho, como eu fiquei, no bairro La Matuna. Hospedei-me num hotel de três estrelas, o Stil Cartagena (www.hotelstilcartagena.com), de dez andares e fachada branca imponente, um hotel simples mas muito eficaz: preço justo, quarto amplo, ótimo serviço de quarto e café da manhã cheio de delícias locais como as arepas. Arepas são uns bolinhos achatados feitos com massa de farinha de milho pré-cozido, bem comum nas culinárias da Colômbia, Venezuela e Panamá. No café da manhã dos cartagenenses, come-se arepas no lugar do nosso pãozinho.
Sobre o custo dos hotéis
Este hotel, o Stil Cartagena, me custou em média 150 mil pesos colombianos por cada diária. Com mil pesos colombianos correspondendo a aproximadamente 1 real, a diária saiu por cerca de 150 reais. Eu verifiquei que hostels situados na região do Centro Histórico de Cartagena custavam, em média, o mesmo preço, ou um pouco mais caros, quando bem localizados. No hotel Stil há bicicletas para aluguel, e isso, confesso, foi o que me fez efetuar a reserva. Sempre alugo bicicletas para conhecer uma cidade.
Em Cartagena, os hostels são uma opção de hospedagem bem comum também. Isso porque, como o Centro Histórico não é muito grande, não dá para ter grandes hotéis na parte mais turística. Os hostels, desta forma, são hospedagens em grandes sobrados que foram transformados em locais de hospedagem. Eu acabei optando por um hotel, mas optar por um hostel em Cartagena pode ser uma decisão a ser considerada, posto que, muitos deles são “hostels boutique”, ou seja, oferecem opções de conforto correspondentes a de um bom hotel. Entre os melhores hostels de Cartagena estão Hostal Casa Mara (diária média de 170 mil pesos), El Viajero Cartagena Hostel (preço da diária em média de 173 mil pesos) e o Media Luna Hostel (em Getsemaní, com diárias a partir de 170 mil pesos). Este último, o Media Luna, é bom para viajantes que gostam de festa. Todas as quartas-feiras à noite acontece no Media Luna Hostel uma festa para solteiros que vara a madrugada.
Mas, caso você seja um viajante abastado, ou tenha acabado de ganhar na loto, ou esteja comemorando uma data muito especial, você pode optar por cinco estrelas! Entre os melhores de Cartagena estão o Hilton (diária média de 512 mil pesos), o Sofitel Legend Santa Clara (diária em média de 1.350 pesos colombianos), o Hotel Charleston Santa Teresa (diária média de 1.288 mil pesos, ou 1200 reais), ou ainda o tradicional Hotel Caribe (um cinco estrelas à beira mar, com diárias em torno de 367 mil pesos, um pouco afastado do Centro Histórico).
Meu roteiro – como eu montei
Fiz meu próprio roteiro apenas seguindo as indicações de amigos, blogs como o Andarilho (www.blogandarilho.com.br) do jornalista “destinado a te guiar” Anchieta Júnior, e do guia “Colômbia”, da Lonely Planet.
Letícia Amaral mostrando uma linda fachada de uma casa em Cartagena-Colômbia
Escolhi ir direto para Cartagena, sem passar pela capital Bogotá. Sim! Eu queria uma aventura 100% caribenha, com algumas pausas para leituras e cafés.
Também optei por não ir a quatro lugares que, em caso de um roteiro mais longo, acho legal incluir: o Parque Nacional Tayrona, a cidade colonial de Mompox, a ilha de San Andrés e a cidade de “Letícia”, esta última, só por causa do meu nome mesmo.
Na volta, tive meu voo cancelado pela TAM, por motivos de problemas de decolagem no Brasil. Desta forma, “ganhei de presente” uma manhã na capital Bogotá. Ou seja, Bogotá entrou no meu roteiro por acaso. No microtempo que fiquei na capital, aproveitei para conhecer o Museu Nacional (museonacional.gov.co). Maravilhoso! Indico!
Voos para Cartagena
Fiz um voo que não indico muito, pois enfrentei uma viagem mais longa que o necessário e bem desgastante. Fui pela companhia “TAM”, saindo de Fortaleza, com escalas em São Paulo e, depois, Lima, no Peru. Cheguei a Cartagena depois de aproximadamente 27 horas de viagem. E veja que se olharmos o mapa da América do Sul, veremos que a minha cidade, Fortaleza, no Ceará, fica muito perto de Cartagena. Mas as companhias aéreas ainda nos obrigam a dar estas voltas.
A chegada
a cidade histórica dentro da muralha-Cartagena-foto tirada por Letícia Amaral
Cartagena e suas varandas floridas-foto tirada por Letícia Amaral
Cheguei a Cartagena na hora mágica: o sol estava se pondo e o céu oscilava entre o rosa, o azul e o lilás, um céu de sonho. Quando o táxi passou ao lado da Cidade Amuralhada, beirando o mar do inacreditável Oceano Pacífico, eu me belisquei pra ver se estava vivendo uma aventura real. Sim! Eu estava! Quanta emoção! As chegadas aos destinos que escolho para viajar são imagens que não me saem da cabeça, jamais.
Do aeroporto até meu hotel, no bairro La Matuna, vizinho ao Centro Histórico, o táxi rodou por uns 15 minutos e me cobrou apenas 15 mil pesos colombianos, uns 15 reais. E esta seria a corrida mais cara a ser paga durante toda a minha estadia em Cartagena. Portanto, financeiramente falando, um paraíso para nós, brasileiros, posto que nossa moeda é forte frente a deles. Por isso, apenas sugiro conforme fiz: sejamos legais e generosos com o povo colombiano, eles precisam e merecem. Eu acho que pechinchar em países pobres é feio, antiético, sejamos bons turistas, por favor.
Os outros trechos que fiz de táxi pela cidade nunca custaram mais que 7 mil pesos, uma pechincha!
Fui instalada na minha suíte três estrelas por volta das 19 horas. O hotel estava lotado e mais gente chegava. Um dos recepcionistas, o José, me levou gentilmente ao Café climatizado do hotel e me entregou um copo de suco de maracujá. O recado estava dado!!! Ele queria dizer com simpatia: “moça brasileira”, tenha só um pouquinho de paciência! Aguarde um pouco, enquanto terminamos de arrumar a sua suíte e concluímos o check in de todos os outros hóspedes que chegaram antes de você”. Sim, eu esperaria o tempo que fosse preciso depois daquela simpática recepção!!! Assim como eu, muita gente havia notado que o preço do Hotel Stil Cartagena estava muito bom para a média dos hotéis e hostels da cidade.
Valeu a espera. Ao entrar na que seria a minha suíte pelos próximos 8 dias, eu me deparei com uma enorme janela com uma lindíssima vista de Cartagena. A vista alcançava até o Castelo de San Felipe de Barajas (veja foto abaixo). Uma lindeza!
A viagem havia sido longa e eu estava muito cansada, mas nada como a alegria de um desembarque para fazer o sono desaparecer. E foi o que aconteceu. Me arrumei como uma princesa, tomei um belo de um táxi na porta do hotel e pedi para o taxista me deixar numa cevicheria famosa, a La Cevicheria, no bairro San Diego.
Continuaremos nosso passeio por Cartagena em breve…
Hoje é dia 23 de agosto de 2018 e moro em Fortaleza-Ceará-Brasil. Já se passaram mais de três anos da mastectomia da mama esquerda e dois anos da reconstituição mamária. Estou ainda em tratamento com os remédios anti-hormonais. Primeiro, o Nolvadex (Tamoxifeno) e este ano troquei pelo Arimidex (Anastrozol). Cada um com seus efeitos colaterais. O Nolvadex aumentou algumas taxas minhas, como de triglicerídeos e outras. Essas estão controladas e baixando, somente o fígado que teve a gordura intensificada, para tanto estou com um novo médico: hepatologista (dr. Oliveira da Endodiagnose). A atual medicação, levo bem, tirando uma dorzinha aqui e outra ali, pois provoca dores musculares, nada que não dê para suportar. O problema foi ter tido agora em agosto de 2018 uma infecção urinária, algo até simples, porém quando juntou o antibiótico com o Arimidex, os efeitos foram extrapolados e lá veio uma fadiga terrível, insônia, dores no corpo todo (isso foi de lascar!) e muito mais. Graças a Deus, tudo já passou. Ficaram uns suores noturnos, mas estão partindo também, uma vez que não “curto” baixo astral. Ufa! Sobrevivi! Obrigada também ao médico urologista, dr. Márcio (da Otoclínica) e sempre aos meus médicos oncologistas, dr. Victor Hugo e dr. Mário (da Oncoclinic).
Esta semana tomei a injeção para proteger meus ossos (contra o efeito colateral do Arimidex que provoca osteoporose). Agradeço ao dr. Victor Hugo por ter feito uma boa defesa junto à Unimed a fim de liberar o Prolia, medicamento dado de forma subcutânea. Foi em substituição ao Zometa, que tomei em março e descobri ser altamente alérgica (fiquei toda vermelha e fui parar no hospital Prontocárdio para tomar corticóide e depois anti-histamínico por duas semanas). Ufa de novo! Tudo já passou, felizmente. Só tenho a agradecer também à equipe de enfermeiras da Oncoclinic, na pessoa da Dani.
O intento deste artigo nem é falar no lado físico, o “porém” é que não posso separar. Quero falar no emocional. Depois de tudo isso, como não melhorar como pessoa? Todo dia é um novo dia!
Vamos lá. Gostaria de dividir com vocês as minhas pequenas mudanças. Mas antes queria relembrá-los dos meus primeiros artigos publicados aqui no blog sobre a minha luta contra o câncer: O Outubro Rosae Eu e Meu Outubro Rosa.
As minhas modificações nem foram tão bruscas, pois eu apenas me aprimorei, mas de maneira profunda.
1-O câncer me deixou muito sensível à dor do outro, principalmente, se for câncer de mama. Ver uma mulher sem cabelo me reporta a um bocado de momentos difíceis. Mesmo não tendo feito quimioterapia, e sim, radioterapia, meu coração se abre para o padecimento delas. Estou junto. Por isso, algumas amigas minhas me procuram quando estão nesta situação e eu sou sempre disponível para escutá-las e trocarmos ideias.
2- Virei uma manteiga derretida, como se diz. Sempre fui difícil de chorar, hoje é um negócio sério. Conversando com minha amiga Alice, ela me contou o mesmo.
3-Não tenho tempo para besteiras, futricas, fofocas, mesquinharias. E nem mau humor e caras e bocas. A vida me é bastante preciosa para perder tempo valioso com isso. Ainda reconheço algumas pessoas que, infelizmente, não percebem que somos irmãos neste planeta.
4- Escuto meu corpo e faz tempo. Contarei pequenas histórias. Eu bem mais jovem resolvi usar três brincos na orelha direita. Para quê? Eu me esqueci de pedir a opinião da minha orelha. Doeu uma semana inteira até eu captar a mensagem e tirar os dois brincos extras. Parou de doer. Mais: antes da mastectomia, fiz um ritual com meu seio esquerdo: em frente ao espelho, pedi permissão a ele ir embora, mas que trouxesse a minha saúde, repeti como se fosse um mantra. Cá estou eu! E a novidade de agosto é o meu cabelo. Por muitos anos, pintei meu cabelo com a mesma cabeleireira (Viva a Loirinha!), e mesmo produto. Da última vez, meu cabelo reagiu e me provocou alergia. Tudo bem, entendi. Na verdade, estou antecipando em alguns anos deixar de pintar. Fiz umas mechas marrons e mais claras, já no processo de ficar branco. É isso aí! Chega de química. Grande decisão, embora eu estivesse analisando e me preparando para isso faz tempo.
5-De volta do passado, algo que necessito dizer. Agradeço àquelas pessoas anônimas que me receberam antes das cirurgias em 2015 e 2016, nos hospitais da Unimed e São Camilo (em Fortaleza), respectivamente. Foram de uma delicadeza única. Também sou grata àquelas atendentes da Unimed, sempre sensíveis.
6-Voltemos agora aos amigos. A corrente do bem funcionou em 2015 com uma água benta vinda de Guaramiranga-Ce. A amiga Ligênia foi à missa da cura, pegou a água benta, aí os amigos Patrícia e Walter, embora gripados, trouxeram à minha casa. Sou eternamente grata, queridos amigos.
7-Estou cada vez mais sincera com o que penso e sinto. A opinião dos outros é isso: dos outros e não minha. Sem ser egoísta, logicamente.
8-Essência é mais importante que aparência. Tudo no seu devido lugar. Conforto é mais fundamental que beleza e por aí vai.
No mais, creio ser alguém mais conectada com o mundo e com meu corpo. Vivo cada momento intensamente e sou muito feliz com a minha nova vida de aposentada. Viajo, amo escrever meu blog, encontro amigos, faço novos conhecimentos, dou minhas aulinhas de inglês, estou presente junto aos que amo e vou aproveitando o que Deus me dá: o instante atual.
Dedico este artigo a todos aqueles que sempre estão comigo, que se preocupam comigo, rezam e oram por mim, e vão a um hospital comigo. Beijos no coração!
Mendoza – Argentina – Alta Montanha – Los Penitentes, Puente del Inca e Las Cuevas
Hoje é domingo, dia 20 de maio de 2018 e fazemos o passeio da Alta Montanha. Já estivemos em Uspallata, cidade de montanha encantadora, e continuaremos subindo.
Cruzamos o Caminho do Inca. Os Incas vinham do Peru e aproveitavam as águas termais de Mendoza. Também vimos a rocha denominada de “Múmia Grávida” e atravessamos vários túneis dentro de rochas.
O vento desta região vem do Oceano Pacífico, logo é frio e úmido, mas quando passa pelas Cordilheiras sai quente e seco. As montanhas vislumbradas são coloridas em degradê. Percorremos pequenos povoados, aduanas e a sede da Gendarmería (Polícia) Nacional, essa localizada na pequena localidade de Punta de Vacas, no departamento de Las Heras na província de Mendoza. O dito nome foi escolhido, porque ali se vendiam vacas vivas para o Chile. Ali está a 50 km a oeste de Uspallata, 17 km da Puente del Inca e a 30 km do limite com o Chile. O guia Marcos comentou da existência do El Parque de Estudio y Reflexión Punta de Vacas, isto é, um centro de estudo com atividades, produções e projeções.
Carlos e eu na estação de esqui Los Penitentes-Mendoza-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Eu na estação de esqui Los Penitentes-Mendoza-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Chegamos à estação de esqui Los Penitentes cujo cerro ou montanha tem 1.300m. Há uma escola de esqui e um teleférico que cobra mais de 200 pesos para alcançar a pista de esqui. Ao redor existem hotéis, restaurantes, albergue (hostel) e tudo o mais relativo ao esporte. Trata-se de um lugar no meio da Pré-Cordilheira o qual sobrevive disso. Ninguém da excursão quis subir e ver a estação de esqui, portanto seguimos viagem rumo a um dos locais mais es-pe-ta-cu-la-res que já reparei na vida: a Ponte do Inca, povoado situado no noroeste da província de Mendoza, a aproximadamente 180 km de Mendoza.
Eu na Puente del Inca-Mendoza-foto tirada por Carlos Alencar
Eu na Puente del Inca2-Mendoza-foto tirada por Carlos Alencar
Carlos e eu na Puente del Inca-Mendoza-selfie tirada por Mônica D. Furtado
Antigamente era um sítio de banhos termais a 38˚C, hoje não se cruza mais a ponte, somente se admira e como! É uma raridade. Havia um hotel lá perto construído pelos ingleses, mas em 1965 houve uma avalanche e 30% do hotel foi destruído, além de oito empregados terem sucumbido. Restou a igreja, embora o teto e as janelas foram afetados. O restante foi demolido por militares argentinos em 1978 na guerra com o Chile a fim de evitar a presença de espiões chilenos. Hoje só restam as ruínas históricas do hotel e igreja, e a estrutura dos banhos e ponte estão fechados. A gente assiste de longe pelo perigo que a ponte caia.
Rio Cuevas que passa debaixo da Puente del Inca-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Rio Cuevas na Puente del Inca-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Termas da Puente del Inca-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Explicando um pouco o que foi a “quase” guerra com o Chile em 1978. O conflito de Beagle envolveu uma região que divide a argentina com o Chile no extremo sul do continente, na Terra do Fogo na Patagônia. À época os dois países eram ditaduras e estavam lutando pela posse de três ilhas: Picton, Lennox e Nueva. O papa João Paulo II evitou a disputa propondo a assinatura do “Tratado de Paz e Amizade”. Para tanto, enviou seu mais hábil cardeal Antonio Samoré, chamado de “Kissinger” do Vaticano, a Buenos Aires – Argentina e Santiago – Chile. As ilhas ficaram para o Chile desde então, mas o controle da área marítima é argentina. Os países realizam treinamentos militares em conjunto. Enfim, final feliz. Viva a paz!
Feira artesanal na Puente del Inca-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Feira de artesanato na Puente del Inca-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Vamos à Puente del Inca. São 2.719m de formação natural de ponte em arco conhecidas desde os tempos pré-colombianos pelos habitantes incas. Charles Darwin esteve em tão magistral local. A cobertura da ponte é composta de substâncias minerais e algas. O rio Cuevas, afluente do Mendoza, passa por baixo da ponte. Em 1902 chegou até lá o Ferrocarril Transandino, pena que em 1974 a malha ferroviária foi desativada por questões políticas e conveniências de empresas de caminhões na Argentina e na mesma década em toda a América do Sul.
Carlos e eu mostrando o Aconcágua-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Aconcágua ao fundo-foto tirada por Mônica D. Furtado
Prosseguindo o passeio, alcançamos a parede sul do tão majestoso Aconcágua. São 15 dias para subir e atingir o cume. Infelizmente, foi um pouco decepcionante não ter se aproximado mais. E nem atingimos a estátua do Cristo Redentor, divisa com o Chile. Houvera uma nevasca em dias anteriores, mas mesmo assim a agência não prometera isso. Ali estávamos na zona de avalanches. Vimos a água e a neve descendo a montanha.
Trilhos de trem desativados-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
No caminho testemunhamos estruturas de trens se perdendo pelo tempo, uma lástima.
Para almoçar a cidadezinha escolhida foi Las Cuevas em um restaurante com o mesmo nome. Por 240 pesos a comida era tipo buffet com salada e prato principal mais sobremesa (postre) na qual eles mesmo servem. O grupo do passeio era bem animado e sempre tem gente de São Paulo em Mendoza. O Carlos preferiu um sanduíche, então foi para a lanchonete na frente. Havia outras opções de refeições. Estávamos a 3.200m com um frio de 6˚C e vento gélido. Era tanto frio que nem vontade tivemos de nos aventurar pela cidade. Las Cuevas parece uma cidade do velho oeste americano com suas construções de madeira.
Do restaurante observamos as antenas nas montanhas que dividem os dois países. Muito legal isso. Acho sempre emocionante chegar a uma fronteira, no caso foi só no “olhômetro’.
Depois do almoço, voltamos a Mendoza. Fomos perambular pelo Paseo Sarmiento e novamente compramos uma torta de milho no Del Vigo e com uma cerveja Patagônica celebramos o fim da viagem.
Êta Mendoza para render tantos artigos, mas é porque é um lugar cativante, imperdível de conhecer, além de ter um povo querido e hospitaleiro. Eu amei! Saudações ao meu amigo argentino Guilhermo, morador em Fortaleza, que quando disse que ia a Mendoza, ele deu dicas especiais, principalmente, a Puente del Inca. Linda, bela, ilustre, sem palavras para descrever tanta formosura. Vocês verão pelas fotos. Até outros escritos.
Carlos e eu no último dia em Mendoza se refestelando no restaurante Facundo: meu prato- Merluza a la Romana (merluza empanada com vegetais cozidos e vinho Malbec)-foto tirada pelo garçom Rubem
Hoje é dia 20 de maio e o nosso passeio do dia será para conhecer a Alta Montanha, ou seja, vamos rumo à montanha mais alta da América do Sul, o Aconcágua, quase Chile.
Pré-Cordilheira dos Andes-Luján de Cuyo-foto tirada por Mônica D. Furtado
Transporte da Hualilán Turismo-passeio da Alta Montanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
O transporte da companhia Hualilán Turismo nos pega no hotel. O guia se chama Marcos e o motorista Alejandro.
No caminho, passamos por um vulcão dormindo, de 6.570m, dito Tupungato. Trata-se de um dos dez maiores do mundo e pertence ao Chile. O nome significa na língua indígena Huarpe “janela de estrelas”. Também visualizamos refinaria de petróleo; a fábrica de alfajores mendocina “Entre Dos”; central de hidrelétrica Cacheuta de 1934, sem uso atualmente; e uma praia com rio da montanha (Luján Playa) onde se pratica rafting e a água é super fria. Já estivemos nessa estrada quando fomos às Termas de Cacheuta. Estamos nos arredores de Mendoza, precisamente em Luján de Cuyo, com seus 163 anos completados.
Dique Potrerillos-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dique Potrerillos no passeio da Alta Montanha-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Entramos pelo segundo túnel dentro de uma montanha, fantástico. O primeiro túnel, diga-se de passagem, não foi bem desenhado e desmoronou, logo construíram este segundo: Túnel Potrerillos. Saindo dele, vê-se algo belo: o dique Potrerillos, feito entre 2002 e 2003, com 1.300 m acima do mar e localizado em Cacheuta. Nenhuma embarcação é permitida, só vela, remo e kitesurf são aceitos a fim de não contaminar a água.
Dique Potrerillos-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu em frente ao dique-Cacheuta-foto tirada pelo guia Marcos
Bancos à beira do dique Potrerillos-Cacheuta-foto tirada por Mônica D. Furtado
Este grande lago existe para regular os níveis do rio Mendoza e sua água é usada para beber. Do mirador, as fotos saem deslumbrantes e de lá se conhece as montanhas El Cordón de Plata, com 5.968m. Como estão nevadas, a mistura de dique, montanha e neve são um assombro. Realmente parece muito com a Suíça na Europa, segundo meu companheiro de aventuras Carlos.
O frio neste passeio é imenso, vim com minhas roupas mais quentes, mas mesmo assim, ufa! Faltaram as meias de lã… Percebi no caminho hotéis de montanha, cabanas com cavalos, trekking e lojas vendendo artesanatos ou “regionales”. São eles: produtos de couro, doces de marmelada, figada, pessegada e muito vinho do bom.
O rio Mendoza nos acompanha pela direita e vemos muitas planícies. Também encontramos muitos quartéis de polícia, tipo os “carabineros” do Chile. Aqui se chamam de “Gendarmería” e são soldados do Regimento de Montanha. O trânsito de caminhões com o Chile é intenso; as linhas de trem do passado não são mais utilizadas, que pena! Antes se ia ao país vizinho a pé ou no lombo de um cavalo atravessando a Cordilheiras dos Andes. Um heroísmo. O General San Martin que o diga.
Cenas de Uspallata-foto tirada por Mônica D. Furtado
Lojas em Uspallata-foto tirada por Mônica D. Furtado
Chegamos à atraente cidade montanhosa de Uspallata a 1750 m. Estava -0,5˚C às 9 da manhã. Lembra muito Villa Angostura, perto de Bariloche na Patagônia argentina. Tem o mesmo estilo calmo e charmoso por estar ao redor de montanhas. Pronuncia-se “Uspajata” em espanhol argentino, os dois “ll” têm a pronúncia de “j”.
Uspallata-foto tirada por Mônica D. Furtado
Tipo de árvores encontradas em Uspallata-foto tirada por Mônica D. Furtado
Em Uspallata há plantações de alho, batata e álamos para a extração da madeira, usada na construção de casas. Interessante ressaltar que foi neste lindo lugar que foi filmado uma película imperdível: Sete Anos no Tibet (com Brad Pitt). O argentino tem o maior orgulho desse feito. Ali as ruas são de cascalho e asfalto e o cassino virou centro cultural.
Fizemos uma parada para banheiros e cafés na Casita Suiza. Os chocolates eram tentadores, mas amei mesmo foi o doce tradicional da Argentina, alfajor, de chocolate macio e inesquecível. Daqueles que temos saudades… Considerei o melhor até hoje degustado.
Pré-Cordilheira dos Andes-passeio da Alta Montanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
Pré-Cordilheira dos Andes colorida-passeio da Alta Montanha-foto tirada por Mônica D. Furtado
Falando na Cordilheira dos Andes, tem três milhões de anos e no percurso saindo de Uspallata, há um paredão enorme cimentado pelo rio Mendoza. E é ao lado desse paredão da Pré-Cordilheira que o rio vai encontrando caminhos pela planície. Havia araucárias nessa região, a prova está nas marcas nas rochas, como desenhos.
Continuaremos com a estação de esqui Los Penitentes e Cuevas…
Hotel de Villavicencio em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estamos em 19 de maio de 2018. O Carlos e eu vamos conhecer mais um pouco da linda região de Mendoza. O transporte nos pega no hotel Carollo Gold às 8 h e nos deixa de volta às 13 h, conforme combinado e pago na agência Las Mayas y Turismo, situada no Paseo Sarmiento, 290. Desta vez a guia era a Antonela e o motorista o Cairo na van Oro Negro. Encontramos a nova amiga, de Diadema – São Paulo, Áurea Regina no ônibus. Estivemos nas bodegas juntos.
Van El Oro Negro-nosso transporte a Villavicencio-foto tirada por Mônica D. Furtado
Eu e Áurea Regina no caminho a Villavicencio-selfie tirada por Áurea
Pelo caminho até a Reserva Natural de Villavicencio a 1800m acima do nível do mar, testemunhamos a existência da rota mais antiga para ir ao Chile com 365 curvas. Tem mirante e ponta panorâmica. Ufa! Não deve ser fácil.
Vale dizer que na região de Mendoza há extração de minérios. O clima é semidesértico e a água da cidade depende exclusivamente das nevadas.
A Reserva Natural de Villavicencio hoje pertence ao grupo francês Danone e se chama Águas Danone Argentina. Diga-se de passagem, é só o que se toma na cidade. Os mananciais estão a 1700m de profundidade e a água tem a temperatura de 28˚C. Sai da montanha aos 24˚C, com mineralização completa e tem o sódio como conservação natural. São 82 vertentes do mesmo aquífero.
Quem descobriu o lugar foi o espanhol Villavicencio em 1704. Estava em busca de ouro e prata, foi o pioneiro a usar a água. A região foi muito utilizada como paragem para comerciantes e mineiros, rumo ao Chile. Paravam para água e comida.
Falemos na história da água mineral. Dois argentinos: Henrique Soarez de Mendoza e Lúcio Funes de Buenos Aires a descobriram e começaram a usá-la como produto medicinal, de modo precário e com venda para hospitais e farmácias. O primeiro era farmacêutico e descobriu as propriedades antiácidas, bom para acabar gastrite e úlcera; o segundo era médico e começou a engarrafar a água. A primeira engarrafadora de Mendoza foi de 1923. Foi vendida a um basco em 1918 e assim sucessivamente. Depois foi vendida ao grupo Grieco e mais tarde ao grupo Tartellone. Em 2000 passou ao grupo Danone e foi nessa época que os 72 mil hectares se transformaram em reserva natural com o intuito de proteger a flora e fauna.
Carlos e eu em frente a Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Áurea Regina
Fotos da construção do hotel de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu com Áurea em Villavicencio-Mendoza-foto tirada pelo guia Davi
Em 1940 no local foi construído um hotel icônico e em 1978 foi fechado e abandonado por má administração, uma vez que amigos e familiares de Dom Ángel (o dono) se hospedavam e não pagavam. A arquitetura me recordou muito o hotel Quitandinha de Petrópolis. Em 1980 veio a crise do vinho na região e por motivos políticos com grupos financeiros houve a decadência do hotel. Com a morte de Dom Ángel, os sobrinhos assumiram. A história continua com a intervenção em 1980, e consequente vandalismo de 1980 a 1989.
Capela perto do hotel de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Desenho do hotel de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Guia Davi em Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hotel de Villavicencio lá no alto-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Está cerrado atualmente, os turistas só veem a fachada, a capela (de 1941, neocolonial, de Maria Auxiliadora) e a reserva natural. Os jardins são dignos de um passeio com calma. O guia Davi dá banho de conhecimento. Segundo ele, está sendo reconstruído e será um museu.
Jardins de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Fonte existente nos jardins de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu nos jardins de Villavicencio-Mendoza-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Carlos tomando água no bebedouro de água pura-Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Foi uma enorme perda para o país o hotel fechado, pois eu imagino à época o seu esplendor: tinha sala de chá, orquestras, concertos e muita gente circulando. Inclusive a seleção holandesa na Copa do Mundo de 1978 se hospedou ali.
Placa mostrando os animais existentes na Reserva Natural de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Placa apresentando a origem da água mineral de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Flor nos jardins de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Jardins de Villavicencio-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
No caminho até lá se vê a paisagem de deserto mendocino, com arbustos baixos chamados cariza – flor de Mendoza, ou seja, são plantas aromáticas. Quando subimos a Pré-Cordilheira, a paisagem vai mudando. A flora aumenta muito e os animais autóctones, como aranhas do tamanho da palma da mão ou as venenosas como a viúva negra, se fazem presente. Também há lagartixas, roedores, aves de rapina, pumas, raposas vermelhas e famílias de guanacos, essas mandadas por machos “alfa” com suas 40 “noivas”. “Cairo” é como se denomina o macho alfa e o filhote “chulengo”. Chocante dizer que quando os machos “alfa” brigam pelo seu harém, a luta é feroz. Às vezes arrancam os genitais ou vão embora e começam outro harém. São da família dos camelos, vicunhas, lhamas, logo bebem pouca água. Por ser uma reserva natural, é proibido arrancar qualquer arbusto ou flor. Vai-se ao máximo da subida e após isso, descemos ao hotel, que está incrustado nas montanhas.
Prato de truta no almoço em Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hotel Termas de Villavicencio em Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado
Carlos e eu com Áurea Regina no nosso passeio-Villavicencio-Mendoza-foto tirada pelo guia Davi
O argentino vende seu produto muito bem. Êta Argentina encantadora. Quando retornamos, fomos direto almoçar. Escolhemos a Estancia La Florencia, restaurante e churrascaria perto do nosso hotel. Escolhemos truta a la Florencia com molho de mariscos (camarão e ostras com creme de leite feito em casa) . Considero fantásticos os restaurantes terem mesas nas calçadas. Saindo de lá, fomos ao supermercado Carrefour para comprar o jantar: empanadas. Comemos com o suco de pêssego, com bagaço da fruta, adquirido em Cacheuta. Uma delícia!