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Sete Dias em Cartagena by L. Amaral

Sete Dias em Cartagena by L. Amaral

Primeiramente, apresentarei vocês à minha colaboradora e amiga Letícia Amaral. Jornalista na Universidade Federal do Ceará, realiza o Programa UFCTV e é mestre em Comunicação Social também pela UFC. Serei eternamente grata por ela ter me ajudado a fazer este blog em 2017.  

Vamos lá. Cartagena no Caribe colombiano nos espera.

Mapinha Cartagena
Mapa Cartagena-Caribe colombiano

Início

Uma viagem começa, na realidade, muito antes do dia do embarque. Comecei a pesquisar sobre Cartagena pelo menos dois meses antes da jornada, marcada para maio de 2018, como faço sempre e sempre, amém.

Já nas pesquisas descobri que eu encontraria muitos e muitos cafés pelas ruas históricas de Cartagena, assim como livrarias e sebos elegantes, lojas de pérolas e esmeraldas e um monte de cevicherias!

 

Minha dica é: reserve vários dias só para perambular pelas ruas do Centro Histórico de Cartagena. Achar-se e perder-se entre aquelas ruelas cheias de sacadas floridas e multicoloridas, com cheiro de frutas tropicais por todos os lados, é uma sensação que eu ainda quero viver muitas vezes nesta vida.

Em Cartagena, o melhor mesmo é ficar hospedado dentro do Centro Histórico ou vizinho, como eu fiquei, no bairro La Matuna. Hospedei-me num hotel de três estrelas, o Stil Cartagena (www.hotelstilcartagena.com), de dez andares e fachada branca imponente, um hotel simples mas muito eficaz: preço justo, quarto amplo, ótimo serviço de quarto e café da manhã cheio de delícias locais como as arepas. Arepas são uns bolinhos achatados feitos com massa de farinha de milho pré-cozido, bem comum nas culinárias da Colômbia, Venezuela e Panamá. No café da manhã dos cartagenenses, come-se arepas no lugar do nosso pãozinho.

Sobre o custo dos hotéis

Este hotel, o Stil Cartagena, me custou em média 150 mil pesos colombianos por cada diária. Com mil pesos colombianos correspondendo a aproximadamente 1 real, a diária saiu por cerca de 150 reais. Eu verifiquei que hostels situados na região do Centro Histórico de Cartagena custavam, em média, o mesmo preço, ou um pouco mais caros, quando bem localizados. No hotel Stil há bicicletas para aluguel, e isso, confesso, foi o que me fez efetuar a reserva. Sempre alugo bicicletas para conhecer uma cidade.

Em Cartagena, os hostels são uma opção de hospedagem bem comum também. Isso porque, como o Centro Histórico não é muito grande, não dá para ter grandes hotéis na parte mais turística. Os hostels, desta forma, são hospedagens em grandes sobrados que foram transformados em locais de hospedagem. Eu acabei optando por um hotel, mas optar por um hostel em Cartagena pode ser uma decisão a ser considerada, posto que, muitos deles são “hostels boutique”, ou seja, oferecem opções de conforto correspondentes a de um bom hotel. Entre os melhores hostels de Cartagena estão Hostal Casa Mara (diária média de 170 mil pesos), El Viajero Cartagena Hostel (preço da diária em média de 173 mil pesos) e o Media Luna Hostel (em Getsemaní, com diárias a partir de 170 mil pesos). Este último, o Media Luna, é bom para viajantes que gostam de festa. Todas as quartas-feiras à noite acontece no Media Luna Hostel uma festa para solteiros que vara a madrugada.

Mas, caso você seja um viajante abastado, ou tenha acabado de ganhar na loto, ou esteja comemorando uma data muito especial, você pode optar por cinco estrelas! Entre os melhores de Cartagena estão o Hilton (diária média de 512 mil pesos), o Sofitel Legend Santa Clara (diária em média de 1.350 pesos colombianos), o Hotel Charleston Santa Teresa (diária média de 1.288 mil pesos, ou 1200 reais), ou ainda o tradicional Hotel Caribe (um cinco estrelas à beira mar, com diárias em torno de 367 mil pesos, um pouco afastado do Centro Histórico).

Meu roteiro – como eu montei

Fiz meu próprio roteiro apenas seguindo as indicações de amigos, blogs como o Andarilho (www.blogandarilho.com.br) do jornalista “destinado a te guiar” Anchieta Júnior, e do guia “Colômbia”, da Lonely Planet.

Cartagena2
Letícia Amaral mostrando uma linda fachada de uma casa em Cartagena-Colômbia

Escolhi ir direto para Cartagena, sem passar pela capital Bogotá. Sim! Eu queria uma aventura 100% caribenha, com algumas pausas para leituras e cafés.

Também optei por não ir a quatro lugares que, em caso de um roteiro mais longo, acho legal incluir: o Parque Nacional Tayrona, a cidade colonial de Mompox, a ilha de San Andrés e a cidade de “Letícia”, esta última, só por causa do meu nome mesmo.

Na volta, tive meu voo cancelado pela TAM, por motivos de problemas de decolagem no Brasil. Desta forma, “ganhei de presente” uma manhã na capital Bogotá. Ou seja, Bogotá entrou no meu roteiro por acaso. No microtempo que fiquei na capital, aproveitei para conhecer o Museu Nacional (museonacional.gov.co). Maravilhoso! Indico!

Voos para Cartagena

Fiz um voo que não indico muito, pois enfrentei uma viagem mais longa que o necessário e bem desgastante. Fui pela companhia “TAM”, saindo de Fortaleza, com escalas em São Paulo e, depois, Lima, no Peru. Cheguei a Cartagena depois de aproximadamente 27 horas de viagem. E veja que se olharmos o mapa da América do Sul, veremos que a minha cidade, Fortaleza, no Ceará, fica muito perto de Cartagena. Mas as companhias aéreas ainda nos obrigam a dar estas voltas.

A chegada

Cheguei a Cartagena na hora mágica: o sol estava se pondo e o céu oscilava entre o rosa, o azul e o lilás, um céu de sonho. Quando o táxi passou ao lado da Cidade Amuralhada, beirando o mar do inacreditável Oceano Pacífico, eu me belisquei pra ver se estava vivendo uma aventura real. Sim! Eu estava! Quanta emoção! As chegadas aos destinos que escolho para viajar são imagens que não me saem da cabeça, jamais.

Do aeroporto até meu hotel, no bairro La Matuna, vizinho ao Centro Histórico, o táxi rodou por uns 15 minutos e me cobrou apenas 15 mil pesos colombianos, uns 15 reais. E esta seria a corrida mais cara a ser paga durante toda a minha estadia em Cartagena. Portanto, financeiramente falando, um paraíso para nós, brasileiros, posto que nossa moeda é forte frente a deles. Por isso, apenas sugiro conforme fiz: sejamos legais e generosos com o povo colombiano, eles precisam e merecem. Eu acho que pechinchar em países pobres é feio, antiético, sejamos bons turistas, por favor.

Os outros trechos que fiz de táxi pela cidade nunca custaram mais que 7 mil pesos, uma pechincha!

Fui instalada na minha suíte três estrelas por volta das 19 horas. O hotel estava lotado e mais gente chegava. Um dos recepcionistas, o José, me levou gentilmente ao Café climatizado do hotel e me entregou um copo de suco de maracujá. O recado estava dado!!! Ele queria dizer com simpatia: “moça brasileira”, tenha só um pouquinho de paciência! Aguarde um pouco, enquanto terminamos de arrumar a sua suíte e concluímos o check in de todos os outros hóspedes que chegaram antes de você”.  Sim, eu esperaria o tempo que fosse preciso depois daquela simpática recepção!!! Assim como eu, muita gente havia notado que o preço do Hotel Stil Cartagena estava muito bom para a média dos hotéis e hostels da cidade.

Valeu a espera. Ao entrar na que seria a minha suíte pelos próximos 8 dias, eu me deparei com uma enorme janela com uma lindíssima vista de Cartagena. A vista alcançava até o Castelo de San Felipe de Barajas (veja foto abaixo). Uma lindeza!

A viagem havia sido longa e eu estava muito cansada, mas nada como a alegria de um desembarque para fazer o sono desaparecer. E foi o que aconteceu. Me arrumei como uma princesa, tomei um belo de um táxi na porta do hotel e pedi para o taxista me deixar numa cevicheria famosa, a La Cevicheria, no bairro San Diego.

Continuaremos nosso passeio por Cartagena em breve…

 

 

 

 

 

 

O Meu Pós-Câncer

O Meu Pós-Câncer

Hoje é dia 23 de agosto de 2018 e moro em Fortaleza-Ceará-Brasil. Já se passaram mais de três anos da mastectomia da mama esquerda e dois anos da reconstituição mamária. Estou ainda em tratamento com os remédios anti-hormonais. Primeiro, o Nolvadex (Tamoxifeno) e este ano troquei pelo Arimidex (Anastrozol). Cada um com seus efeitos colaterais. O Nolvadex aumentou algumas taxas minhas, como de triglicerídeos e outras. Essas estão controladas e baixando, somente o fígado que teve a gordura intensificada, para tanto estou com um novo médico: hepatologista (dr. Oliveira da Endodiagnose). A atual medicação, levo bem, tirando uma dorzinha aqui e outra ali, pois provoca dores musculares, nada que não dê para suportar. O problema foi ter tido agora em agosto de 2018 uma infecção urinária, algo até simples, porém quando juntou o antibiótico com o Arimidex, os efeitos foram extrapolados e lá veio uma fadiga terrível, insônia, dores no corpo todo (isso foi de lascar!) e muito mais. Graças a Deus, tudo já passou. Ficaram uns suores noturnos, mas estão partindo também, uma vez que não “curto” baixo astral. Ufa! Sobrevivi! Obrigada também ao médico urologista, dr. Márcio (da Otoclínica) e sempre aos meus médicos oncologistas, dr. Victor Hugo e dr. Mário (da Oncoclinic).

Esta semana tomei a injeção para proteger meus ossos (contra o efeito colateral do Arimidex que provoca osteoporose). Agradeço ao dr. Victor Hugo por ter feito uma boa defesa junto à Unimed a fim de liberar o Prolia, medicamento dado de forma subcutânea. Foi em substituição ao Zometa, que tomei em março e descobri ser altamente alérgica (fiquei toda vermelha e fui parar no hospital Prontocárdio para tomar corticóide e depois anti-histamínico por duas semanas). Ufa de novo! Tudo já passou, felizmente. Só tenho a agradecer também à equipe de enfermeiras da Oncoclinic, na pessoa da Dani.

O intento deste artigo nem é falar no lado físico, o “porém” é que não posso separar. Quero falar no emocional. Depois de tudo isso, como não melhorar como pessoa? Todo dia é um novo dia!

Vamos lá. Gostaria de dividir com vocês as minhas pequenas mudanças. Mas antes queria relembrá-los dos meus primeiros artigos publicados aqui no blog sobre a minha luta contra o câncer: O Outubro Rosa e Eu e Meu Outubro Rosa.

As minhas modificações nem foram tão bruscas, pois eu apenas me aprimorei, mas de maneira profunda.

1-O câncer me deixou muito sensível à dor do outro, principalmente, se for câncer de mama. Ver uma mulher sem cabelo me reporta a um bocado de momentos difíceis. Mesmo não tendo feito quimioterapia, e sim, radioterapia, meu coração se abre para o padecimento delas. Estou junto. Por isso, algumas amigas minhas me procuram quando estão nesta situação e eu sou sempre disponível para escutá-las e trocarmos ideias.

2- Virei uma manteiga derretida, como se diz. Sempre fui difícil de chorar, hoje é um negócio sério. Conversando com minha amiga Alice, ela me contou o mesmo.

3-Não tenho tempo para besteiras, futricas, fofocas, mesquinharias. E nem mau humor e caras e bocas. A vida me é bastante preciosa para perder tempo valioso com isso. Ainda reconheço algumas pessoas que, infelizmente, não percebem que somos irmãos neste planeta.

4- Escuto meu corpo e faz tempo. Contarei pequenas histórias. Eu bem mais jovem resolvi usar três brincos na orelha direita.  Para quê? Eu me esqueci de pedir a opinião da minha orelha. Doeu uma semana inteira até eu captar a mensagem e tirar os dois brincos extras. Parou de doer. Mais: antes da mastectomia, fiz um ritual com meu seio esquerdo: em frente ao espelho, pedi permissão a ele ir embora, mas que trouxesse a minha saúde, repeti como se fosse um mantra. Cá estou eu! E a novidade de agosto é o meu cabelo.  Por muitos anos, pintei meu cabelo com a mesma cabeleireira (Viva a Loirinha!), e mesmo produto. Da última vez, meu cabelo reagiu e me provocou alergia. Tudo bem, entendi. Na verdade, estou antecipando em alguns anos deixar de pintar. Fiz umas mechas marrons e mais claras, já no processo de ficar branco. É isso aí! Chega de química. Grande decisão, embora eu estivesse analisando e me preparando para isso faz tempo.

5-De volta do passado, algo que necessito dizer. Agradeço àquelas pessoas anônimas que me receberam antes das cirurgias em 2015 e 2016, nos hospitais da Unimed e São Camilo (em Fortaleza), respectivamente. Foram de uma delicadeza única. Também sou grata àquelas atendentes da Unimed, sempre sensíveis.

6-Voltemos agora aos amigos. A corrente do bem funcionou em 2015 com uma água benta vinda de Guaramiranga-Ce. A amiga Ligênia foi à missa da cura, pegou a água benta, aí os amigos Patrícia e Walter, embora gripados, trouxeram à minha casa.  Sou eternamente grata, queridos amigos.

7-Estou cada vez mais sincera com o que penso e sinto. A opinião dos outros é isso: dos outros e não minha.  Sem ser egoísta, logicamente.

8-Essência é mais importante que aparência. Tudo no seu devido lugar. Conforto é mais fundamental que beleza e por aí vai.

No mais, creio ser alguém mais conectada com o mundo e com meu corpo. Vivo cada momento intensamente e sou muito feliz com a minha nova vida de aposentada. Viajo, amo escrever meu blog, encontro amigos, faço novos conhecimentos, dou minhas aulinhas de inglês, estou presente junto aos que amo e vou aproveitando o que Deus me dá: o instante atual.

Dedico este artigo a todos aqueles que sempre estão comigo, que se preocupam comigo, rezam e oram por mim, e vão a um hospital comigo. Beijos no coração!

Mendoza-Argentina-Alta Montanha-Los Penitentes, Puente del Inca e Las Cuevas

Mendoza – Argentina – Alta Montanha – Los Penitentes, Puente del Inca e Las Cuevas

Hoje é domingo, dia 20 de maio de 2018 e fazemos o passeio da Alta Montanha. Já estivemos em Uspallata, cidade de montanha encantadora, e continuaremos subindo.

Cruzamos o Caminho do Inca. Os Incas vinham do Peru e aproveitavam as águas termais de Mendoza. Também vimos a rocha denominada de “Múmia Grávida” e atravessamos vários túneis dentro de rochas.

O vento desta região vem do Oceano Pacífico, logo é frio e úmido, mas quando passa pelas Cordilheiras sai quente e seco. As montanhas vislumbradas são coloridas em degradê. Percorremos pequenos povoados, aduanas e a sede da Gendarmería (Polícia) Nacional, essa localizada na pequena localidade de Punta de Vacas, no departamento de Las Heras na província de Mendoza. O dito nome foi escolhido, porque ali se vendiam vacas vivas para o Chile. Ali está a 50 km a oeste de Uspallata, 17 km da Puente del Inca e a 30 km do limite com o Chile. O guia Marcos comentou da existência do El Parque de Estudio y Reflexión Punta de Vacas, isto é, um centro de estudo com atividades, produções e projeções.

Chegamos à estação de esqui Los Penitentes cujo cerro ou montanha tem 1.300m. Há uma escola de esqui e um teleférico que cobra mais de 200 pesos para alcançar a pista de esqui. Ao redor existem hotéis, restaurantes, albergue (hostel) e tudo o mais relativo ao esporte. Trata-se de um lugar no meio da Pré-Cordilheira o qual sobrevive disso. Ninguém da excursão quis subir e ver a estação de esqui, portanto seguimos viagem rumo a um dos locais mais es-pe-ta-cu-la-res que já reparei na vida: a Ponte do Inca, povoado situado no noroeste da província de Mendoza, a aproximadamente 180 km de Mendoza.

Antigamente era um sítio de banhos termais a 38˚C, hoje não se cruza mais a ponte, somente se admira e como! É uma raridade. Havia um hotel lá perto construído pelos ingleses, mas em 1965 houve uma avalanche e 30% do hotel foi destruído, além de oito empregados terem sucumbido. Restou a igreja, embora o teto e as janelas foram afetados. O restante foi demolido por militares argentinos em 1978 na guerra com o Chile a fim de evitar a presença de espiões chilenos.  Hoje só restam as ruínas históricas do hotel e igreja, e a estrutura dos banhos e ponte estão fechados. A gente assiste de longe pelo perigo que a ponte caia.

Explicando um pouco o que foi a “quase” guerra com o Chile em 1978. O conflito de Beagle envolveu uma região que divide a argentina com o Chile no extremo sul do continente, na Terra do Fogo na Patagônia. À época os dois países eram ditaduras e estavam lutando pela posse de três ilhas: Picton, Lennox e Nueva.  O papa João Paulo II evitou a disputa propondo a assinatura do “Tratado de Paz e Amizade”. Para tanto, enviou seu mais hábil cardeal Antonio Samoré, chamado de “Kissinger” do Vaticano, a Buenos Aires – Argentina e Santiago – Chile. As ilhas ficaram para o Chile desde então, mas o controle da área marítima é argentina. Os países realizam treinamentos militares em conjunto. Enfim, final feliz. Viva a paz!

Vamos à Puente del Inca. São 2.719m de formação natural de ponte em arco conhecidas desde os tempos pré-colombianos pelos habitantes incas. Charles Darwin esteve em tão magistral local. A cobertura da ponte é composta de substâncias minerais e algas. O rio Cuevas, afluente do Mendoza, passa por baixo da ponte. Em 1902 chegou até lá o Ferrocarril Transandino, pena que em 1974 a malha ferroviária foi desativada por questões políticas e conveniências de empresas de caminhões na Argentina e na mesma década em toda a América do Sul.

Prosseguindo o passeio, alcançamos a parede sul do tão majestoso Aconcágua. São 15 dias para subir e atingir o cume. Infelizmente, foi um pouco decepcionante não ter se aproximado mais. E nem atingimos a estátua do Cristo Redentor, divisa com o Chile. Houvera uma nevasca em dias anteriores, mas mesmo assim a agência não prometera isso. Ali estávamos na zona de avalanches. Vimos a água e a neve descendo a montanha.

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Trilhos de trem desativados-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado

No caminho testemunhamos estruturas de trens se perdendo pelo tempo, uma lástima.

Para almoçar a cidadezinha escolhida foi Las Cuevas em um restaurante com o mesmo nome. Por 240 pesos a comida era tipo buffet com salada e prato principal mais sobremesa (postre) na qual eles mesmo servem. O grupo do passeio era bem animado e sempre tem gente de São Paulo em Mendoza. O Carlos preferiu um sanduíche, então foi para a lanchonete na frente. Havia outras opções de refeições. Estávamos a 3.200m com um frio de 6˚C e vento gélido. Era tanto frio que nem vontade tivemos de nos aventurar pela cidade. Las Cuevas parece uma cidade do velho oeste americano com suas construções de madeira.

Do restaurante observamos as antenas nas montanhas que dividem os dois países. Muito legal isso. Acho sempre emocionante chegar a uma fronteira, no caso foi só no “olhômetro’.

Depois do almoço, voltamos a Mendoza. Fomos perambular pelo Paseo Sarmiento e novamente compramos uma torta de milho no Del Vigo e com uma cerveja Patagônica celebramos o fim da viagem.

Êta Mendoza para render tantos artigos, mas é porque é um lugar cativante, imperdível de conhecer, além de ter um povo querido e hospitaleiro. Eu amei! Saudações ao meu amigo argentino Guilhermo, morador em Fortaleza, que quando disse que ia a Mendoza, ele deu dicas especiais, principalmente, a Puente del Inca.  Linda, bela, ilustre, sem palavras para descrever tanta formosura. Vocês verão pelas fotos. Até outros escritos.

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Carlos e eu no último dia em Mendoza se refestelando no restaurante Facundo: meu prato- Merluza a la Romana (merluza empanada com vegetais cozidos e vinho Malbec)-foto tirada pelo garçom Rubem

Mendoza-Argentina-Alta Montanha-Uspallata

Mendoza – Argentina – Alta Montanha – Uspallata

Hoje é dia 20 de maio e o nosso passeio do dia será para conhecer a Alta Montanha, ou seja, vamos rumo à montanha mais alta da América do Sul, o Aconcágua, quase Chile.

O transporte da companhia Hualilán Turismo nos pega no hotel. O guia se chama Marcos e o motorista Alejandro.

No caminho, passamos por um vulcão dormindo, de 6.570m, dito Tupungato. Trata-se de um dos dez maiores do mundo e pertence ao Chile. O nome significa na língua indígena Huarpe “janela de estrelas”. Também visualizamos refinaria de petróleo; a fábrica de alfajores mendocina “Entre Dos”; central de hidrelétrica Cacheuta de 1934, sem uso atualmente; e uma praia com rio da montanha (Luján Playa) onde se pratica rafting e a água é super fria. Já estivemos nessa estrada quando fomos às Termas de Cacheuta. Estamos nos arredores de Mendoza, precisamente em Luján de Cuyo, com seus 163 anos completados.

Entramos pelo segundo túnel dentro de uma montanha, fantástico. O primeiro túnel, diga-se de passagem, não foi bem desenhado e desmoronou, logo construíram este segundo: Túnel Potrerillos. Saindo dele, vê-se algo belo: o dique Potrerillos, feito entre 2002 e 2003, com 1.300 m acima do mar e localizado em Cacheuta. Nenhuma embarcação é permitida, só vela, remo e kitesurf são aceitos a fim de não contaminar a água.

Este grande lago existe para regular os níveis do rio Mendoza e sua água é usada para beber. Do mirador, as fotos saem deslumbrantes e de lá se conhece as montanhas El Cordón de Plata, com 5.968m. Como estão nevadas, a mistura de dique, montanha e neve são um assombro. Realmente parece muito com a Suíça na Europa, segundo meu companheiro de aventuras Carlos.

O frio neste passeio é imenso, vim com minhas roupas mais quentes, mas mesmo assim, ufa! Faltaram as meias de lã… Percebi no caminho hotéis de montanha, cabanas com cavalos, trekking e lojas vendendo artesanatos ou “regionales”. São eles: produtos de couro, doces de marmelada, figada, pessegada e muito vinho do bom.

O rio Mendoza nos acompanha pela direita e vemos muitas planícies.  Também encontramos muitos quartéis de polícia, tipo os “carabineros” do Chile. Aqui se chamam de “Gendarmería” e são soldados do Regimento de Montanha. O trânsito de caminhões com o Chile é intenso; as linhas de trem do passado não são mais utilizadas, que pena! Antes se ia ao país vizinho a pé ou no lombo de um cavalo atravessando a Cordilheiras dos Andes. Um heroísmo. O General San Martin que o diga.

Chegamos à atraente cidade montanhosa de Uspallata a 1750 m. Estava -0,5˚C às 9 da manhã. Lembra muito Villa Angostura, perto de Bariloche na Patagônia argentina. Tem o mesmo estilo calmo e charmoso por estar ao redor de montanhas. Pronuncia-se “Uspajata” em espanhol argentino, os dois “ll” têm a pronúncia de “j”.

Em Uspallata há plantações de alho, batata e álamos para a extração da madeira, usada na construção de casas. Interessante ressaltar que foi neste lindo lugar que foi filmado uma película imperdível: Sete Anos no Tibet (com Brad Pitt). O argentino tem o maior orgulho desse feito. Ali as ruas são de cascalho e asfalto e o cassino virou centro cultural.

Fizemos uma parada para banheiros e cafés na Casita Suiza. Os chocolates eram tentadores, mas amei mesmo foi o doce tradicional da Argentina, alfajor, de chocolate macio e inesquecível. Daqueles que temos saudades… Considerei o melhor até hoje degustado.

Falando na Cordilheira dos Andes, tem três milhões de anos e no percurso saindo de Uspallata, há um paredão enorme cimentado pelo rio Mendoza. E é ao lado desse paredão da Pré-Cordilheira que o rio vai encontrando caminhos pela planície. Havia araucárias nessa região, a prova está nas marcas nas rochas, como desenhos.

Continuaremos com a estação de esqui Los Penitentes e Cuevas…

 

Mendoza-Argentina-Reserva Natural de Villavicencio

Mendoza – Reserva Natural de Villavicencio

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Hotel de Villavicencio em Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado

Estamos em 19 de maio de 2018. O Carlos e eu vamos conhecer mais um pouco da linda região de Mendoza. O transporte nos pega no hotel Carollo Gold às 8 h e nos deixa de volta às 13 h, conforme combinado e pago na agência Las Mayas y Turismo, situada no Paseo Sarmiento, 290. Desta vez a guia era a Antonela e o motorista o Cairo na van Oro Negro. Encontramos a nova amiga, de Diadema – São Paulo, Áurea Regina no ônibus. Estivemos nas bodegas juntos.

Pelo caminho até a Reserva Natural de Villavicencio a 1800m acima do nível do mar, testemunhamos a existência da rota mais antiga para ir ao Chile com 365 curvas. Tem mirante e ponta panorâmica. Ufa! Não deve ser fácil.

Vale dizer que na região de Mendoza há extração de minérios. O clima é semidesértico e a água da cidade depende exclusivamente das nevadas.

A Reserva Natural de Villavicencio hoje pertence ao grupo francês Danone e se chama Águas Danone Argentina. Diga-se de passagem, é só o que se toma na cidade. Os mananciais estão a 1700m de profundidade e a água tem a temperatura de 28˚C. Sai da montanha aos 24˚C, com mineralização completa e tem o sódio como conservação natural. São 82 vertentes do mesmo aquífero.

Quem descobriu o lugar foi o espanhol Villavicencio em 1704. Estava em busca de ouro e prata, foi o pioneiro a usar a água. A região foi muito utilizada como paragem para comerciantes e mineiros, rumo ao Chile. Paravam para água e comida.

Falemos na história da água mineral. Dois argentinos: Henrique Soarez de Mendoza e Lúcio Funes de Buenos Aires a descobriram e começaram a usá-la como produto medicinal, de modo precário e com venda para hospitais e farmácias. O primeiro era farmacêutico e descobriu as propriedades antiácidas, bom para acabar gastrite e úlcera; o segundo era médico e começou a engarrafar a água. A primeira engarrafadora de Mendoza foi de 1923. Foi vendida a um basco em 1918 e assim sucessivamente. Depois foi vendida ao grupo Grieco e mais tarde ao grupo Tartellone. Em 2000 passou ao grupo Danone e foi nessa época que os 72 mil hectares se transformaram em reserva natural com o intuito de proteger a flora e fauna.

Em 1940 no local foi construído um hotel icônico e em 1978 foi fechado e abandonado por má administração, uma vez que amigos e familiares de Dom Ángel (o dono) se hospedavam e não pagavam. A arquitetura me recordou muito o hotel Quitandinha de Petrópolis. Em 1980 veio a crise do vinho na região e por motivos políticos com grupos financeiros houve a decadência do hotel. Com a morte de Dom Ángel, os sobrinhos assumiram. A história continua com a intervenção em 1980, e consequente vandalismo de 1980 a 1989.

Está cerrado atualmente, os turistas só veem a fachada, a capela (de 1941, neocolonial, de Maria Auxiliadora) e a reserva natural. Os jardins são dignos de um passeio com calma. O guia Davi dá banho de conhecimento. Segundo ele, está sendo reconstruído e será um museu.

Foi uma enorme perda para o país o hotel fechado, pois eu imagino à época o seu esplendor: tinha sala de chá, orquestras, concertos e muita gente circulando. Inclusive a seleção holandesa na Copa do Mundo de 1978 se hospedou ali.

No caminho até lá se vê a paisagem de deserto mendocino, com arbustos baixos chamados cariza – flor de Mendoza, ou seja, são plantas aromáticas. Quando subimos a Pré-Cordilheira, a paisagem vai mudando. A flora aumenta muito e os animais autóctones, como aranhas do tamanho da palma da mão ou as venenosas como a viúva negra, se fazem presente. Também há lagartixas, roedores, aves de rapina, pumas, raposas vermelhas e famílias de guanacos, essas mandadas por machos “alfa” com suas 40 “noivas”.  “Cairo” é como se denomina o macho alfa e o filhote “chulengo”. Chocante dizer que quando os machos “alfa” brigam pelo seu harém, a luta é feroz.  Às vezes arrancam os genitais ou vão embora e começam outro harém.  São da família dos camelos, vicunhas, lhamas, logo bebem pouca água. Por ser uma reserva natural, é proibido arrancar qualquer arbusto ou flor. Vai-se ao máximo da subida e após isso, descemos ao hotel, que está incrustado nas montanhas.

O argentino vende seu produto muito bem. Êta Argentina encantadora. Quando retornamos, fomos direto almoçar. Escolhemos a Estancia La Florencia, restaurante e churrascaria perto do nosso hotel. Escolhemos truta a la Florencia com molho de mariscos (camarão e ostras com creme de leite feito em casa) . Considero fantásticos os restaurantes terem mesas nas calçadas. Saindo de lá, fomos ao supermercado Carrefour para comprar o jantar: empanadas. Comemos com o suco de pêssego, com bagaço da fruta, adquirido em Cacheuta. Uma delícia!

 

 

 

 

 

 

Flecheiras-Trairi-Ceará-Brasil

Flecheiras – Trairi – Ceará – Brasil

Mais um final de semana, mais uma viagem. Desta vez, para uma praia que amo de paixão: Flecheiras. Estamos no dia 20 de julho de 2018 em plenas férias.

Para chegar àquela localidade, vai-se de Fortaleza a caminho de Iparana, procurando pela CE-085, ou seja, pela estrada do Sol Poente. Vamos rumo a Trairi e de lá à praia de Flecheiras. Em 2 h e meia chegamos, são 130 km de Fortaleza.

Trairi é um município muito arrumado e limpo. Está sendo feito o recapeamento da estrada entre Trairi e seus distritos: Flecheiras, Mundaú e Guajiru, praias fabulosas, uma diferente da outra. Hoje a escrita é sobre Flecheiras.

Meu companheiro de aventuras Carlos Alencar e eu somos velhos conhecidos deste paraíso. Já ficamos nas pousadas O Paiva, na Casa do Alemão e na Red House.

Na Ubaia é a segunda vez que nos hospedamos (Rua São Pedro, 40/ http://www.pousadaubaia.com.br). O preço é bom e é no centrinho de Flecheiras, na frente da praça principal, no “point” à noite, além de ser perto do mar. Aconselho para quem não se incomoda com barulho, afinal movimento não falta nos finais de semana, ainda mais nas férias. A proprietária Rejane é uma simpatia, trata a todos com muito carinho. O café da manhã é rico e saboroso. Amei os diversos bolos com menos açúcar. Só de pensar neles fico com água na boca. Falta só ter cafezinho nas sextas e domingos à tarde!!!

Comecemos a jornada praiana. Na sexta almoçamos no self-service O Rinoceronte, como sempre. Localiza-se à rua Principal, 777, centro. Por R$3,90 o kilo, come-se bem. À noite a pizza é uma boa pedida. E ao lado tem a Sorveteria da Lya com o nosso gostoso sorvete Pardal: o de cajá e o de graviola são imperdíveis. É tão bom estar nos lugares e conhecer as pessoas.

Para uma tapioca com cafezinho à tardinha nada como a padaria Tropical. À noite decidimos conhecer as barracas/restaurantes da beira-mar.

No Marítimo, degustamos um prato há tempo desejado: lagosta grelhada com legumes salteados e arroz ao molho de alcaparras. O garçom Firmino é uma graça. São 40 anos de existência do restaurante. Li no cardápio algo tão romântico que divido com vocês. De Rita de Sena Souza: “Flecheiras, Flecheiras! Teu céu, teu mar, Nas belas noites enluaradas, Tua beleza é sem par.” Da mesma forma, também descobri com ela que a origem do nome da localidade vem de uma antiga lenda contada pelos mais velhos, em que se referem às índias, garantidoras do sustento de suas famílias por meio da pesca com flechas, como “mulheres atiradoras de flechas”.

Cerca de ali há outras barracas lindamente decoradas com motivos praianos. Há o restaurante Doya, Caravela e Maré Alta. Acho fantástico utilizarem em lustres, cortinas, abajures e em outros objetos as escamas do peixe camurupim, que tratadas parecem madrepérola.

Flecheiras se transforma à noite. Fervilha de gente. Tem a igrejinha bem frequentada ao sábado. Na Lá na Cris Bistrô, casa azul muito original, tem música ao vivo de boa qualidade.

A orla tem muitas pousadas e restaurantes coloridos e enfeitados com objetos nordestinos. Vemos gente tomando banho de mar à tardinha (melhor horário pelo mar mais calmo que forma piscininhas), andando de triciclo, quadriciclo, moto, carro (o que é proibido), jogando futebol, enfim curtindo o local.

A água é uma delícia. De manhã percebemos a transparência do mar verde, lindo! Interessante dizer que na praia há arrecifes e pedregulhos em alguns pontos.

Gosto de tudo em Flecheiras: dos passeios pela praça principal e centrinho, da areia da praia, do clima tranquilo de cidade interiorana, do sol poente que a tudo realça. Os coqueiros existentes na beira da praia dão um toque de cartão postal. Vejo muitos turistas em famílias e grupos de amigos. Sentar em um banco em frente à pousada Paiva para mirar o anoitecer é um luxo.

No sábado fomos almoçar em uma barraca chamada Brisa da Moça na praia de Emboaca entre Flecheiras e Mundaú. Dizem que lá se come bem e barato em qualquer barraca litorânea. Realmente o preço é incrível: R$40,00 por um kilo de lagosta grelhada com baião de dois e salada de tomate e alface. Emboaca tem restaurantes muito simples e é uma comunidade de pescadores, sem pousadas por lá.

Voltando a Flecheiras, falemos nas compras no centrinho. Comprar roupas e artigos de casa de renda de bilro na casa da dona Constância vale a pena.

Também tem a loja Mandarina da Amanda, minha vizinha do passado em Fortaleza. A originalidade começa pela fachada. As roupas são repletas de cor e bonitas. Ao lado existe a hamburgueria do marido espanhol dela. E estão agora com uma pousada: Vila Mandarina. Promete. A pousada São Pedro da Michelly de Goiânia tem um espaço interno muito agradável. Como se vê, opções não faltam.

O almoço de domingo foi a repetição de um prato que amo na pousada do Paiva. Fomos andando, apesar do sol intenso. O filé de peixe grelhado, servido com molho de alcaparras, batatas salteadas no alho, salada e arroz de banana é divino.

Como eram férias, os serviços estavam um pouco lentos. Isso faz parte da nossa realidade. Precisamos ter paciência. No primeiro dia, faltou luz na localidade, por conta de um carro que bateu em um poste de eletricidade e passamos calor sem o ar-condicionado. Mas tudo bem. Flecheiras é tão encantadora que tudo se resolve. O período das brisas está iniciando, logo nos sentimos bem mais confortáveis na praia.

Para concluir, tenho algo a falar aos prefeitos de Caucaia e Fortaleza. Quando voltamos por Iparana (Caucaia) e Av. Leste Oeste em Fortaleza nos deparamos com monturos de lixo nos meios-fios em pleno domingo. Pensando que são caminhos turísticos, fico envergonhada com tal desleixo.

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O pôr-do-sol em Flecheiras-Trairi-Ceará-Brasil-foto tirada por Mônica D. Furtado

Por isso, viajo tanto nos finais de semana a fim de visitar lugares paradisíacos e mais limpos aqui perto.

Canoa Quebrada – Ceará – Brasil

Canoa Quebrada – Ceará – Brasil

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Voo de parapente em Canoa Quebrada-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado

Eu e meu companheiro de aventuras Carlos Alencar saímos de Fortaleza para mais um final de semana. Hoje é dia 30 de junho de 2018. Rumamos à estrada Litorânea Sol Nascente, que está aproximadamente 80 % finalizada em sua duplicação e chegamos à praia de Canoa Quebrada 3 h depois. São 160 km indo contra o vento. Fazia tempo que não voltávamos lá.

É distrito de Aracati. Quando conheci era tão mais simples, hoje tem tantas casas, pousadas, hotéis que só vendo. E tem o eterno point: a rua chamada Broadway. Já falarei mais nela.

Viemos para a pousada Morada do Sol (88-34217031) pelo booking.com, conseguida por um preço mais em conta, mas sem café da manhã o qual pagamos por fora: R$ 15,00. A proprietária é a Andréa Foianini, argentina de Córdoba e nutróloga, e o atendente Márcio de São Paulo. Coincidência que havia assistido esse ano uma palestra sobre alimentação natural em Fortaleza e a Andréa estava lá. A pousada dela oferece cursos de ioga (naquele momento com um instrutor de Punta del Este no Uruguai) e jornada de desintoxicação do organismo. Como se diz, bem “natureba”. Gostaria de mencionar que temos uma amiga em comum: a jornalista Letícia Amaral (quem me ajudou a criar este blog).

Quisemos provar por R$25,00 o almoço vegano na pousada. Gostei, considerei diferente, só dava para reconhecer as verduras cortadas bem fininhas. O espaço é repleto de plantas, hortas, animais domésticos, paz e amor. Amei! A gente se sente no Éden. Interessante a cadeira embaixo de uma pirâmide para se energizar.

À tarde desbravamos Canoa. Estivemos na pracinha da igreja e na própria igreja, tão linda. A prefeitura de Aracati tem que consertar as calçadas que foram destruídas talvez pela erosão das chuvas e o pátio também. Além de pensar no escoamento sanitário, infelizmente, são fossas sépticas. Algumas ruas têm calçamento, outras ainda estão na areia.

A escola primária Zé Melancia está em containers provisórios, embora com desenhos bonitos e coloridos. E pensar que a entrada de uma cidade é marcante para o turista: há de dar um jeito nos buracos, Sr. Prefeito!

Agora falemos na mais do que imperdível Broadway. Para mim, vale o passeio à noite. Trata-se de um calçadão com movimento intenso. Há bares, restaurantes diversos, padaria, lojas de couro, artesanato e trajes de banho, supermercado, hippies, enfim, tudo se encontra lá e é muito divertido. O lugar é um mel, atrai a todos. Para jantar, quisemos pizza marguerita, como sempre, no Cantinho da Sardenha. A pizza grande é enorme. Um achado!

Ter conhecido a banca da Baiana foi uma graça. Vende duendes, fadas, produtos esotéricos e tem o axé e a simpatia da boa Bahia. Lembrou-me da feira da Praça França em Buenos Aires.

A praia é perto da pousada, mas se vai andando no sol forte. Pegamos um caminho de areia e descemos a falésia pela escada cerca da pracinha da igreja até a praia que tem barracas palafitas. Bem originalmente construídas em estilo hippie e pintadas com desenhos praianos. Combinam com Canoa Quebrada, afinal sempre foi conhecida como o paraíso hippie. O banho é divino e admirar as falésias é obrigatório. Em uma delas, está o símbolo da praia, famoso mundialmente: uma lua e uma estrela.

Tenho que citar os nativos. São queridos, atenciosos e educados. Cumprimentam a gente e se preocupam com o meio ambiente. Quem suja é o de fora. Ter nos deparado com o Emanuel colocando uma estaca com os dizeres: “Não suje a praia” foi um prazer. Ele trabalha como guia e informante (fone: 88-97542743).

Para o almoço no domingo, resolvemos conhecer o restaurante O Nain, dica do Márcio da pousada. Fomos de carro, por conta do sol forte, pegamos a rua da igreja, descemos, contornamos as falésias e chegamos ao restaurante/bar na colônia de pescadores. Lugar rústico, ajeitado e bem frequentado por quem conhece. Tem um visual do mar e das falésias arrebatador. Os preços são consideravelmente mais baratos que na Broadway. Aconselho o garçom Ramon (todos atendem bem, na verdade).

Pedimos o peixe frito guaiúba com tomate, alface, cebola, baião de dois, pratinho de salada e pirão de farinha de mandioca. Super!

Canoa Quebrada com suas ruelas estreitas, ruas assimétricas e com calçadas curtas é um lugar deslumbrante. Cada minuto é revitalizante. Recomendo!

Mendoza – Argentina – Termas de Cacheuta

Mendoza – Argentina – Termas de Cacheuta

Hoje é dia 18 de maio de 2018, data escolhida para visitar as Termas de Cacheuta. O transporte da agência nos pegou às 9 da manhã. Compramos o passeio na agência Las Mayas y Turismo na Paseo Sarmiento, 290. Queríamos tomar banho de água pura, vinda das Cordilheiras dos Andes. Já saímos de Fortaleza sabendo que iríamos lá, logo levamos roupas de banho.

Antes de descrever o lugar, vamos ao que aprendi no caminho. Os argentinos jogam polo, hóquei, futebol e tênis. Mendoza tem espaços largos, convidativos a passeios nos parques e praças. Saindo para as termas, passamos por condomínios fechados. Percebe-se a natureza mais árida e vemos o rio Mendoza seco. A umidade é baixíssima: 30 %. Percorremos a cidade de Luján de Cuyo com bodegas importantes como a Nieto Senetiner e vemos uma praia de rio com guarda-sóis, uma hidrelétrica, cervejarias artesanais e hotéis com cabanas. A atmosfera é interiorana.

Falemos nas Termas de Cacheuta. Diria que achei Cacheuta uma cidade de faroeste americano, devido às suas construções de madeira e aridez local.

As termas consistem em um galpão enorme fechado com piscinas térmicas e do lado de fora, outras piscinas. Como estava muito frio, ficamos dentro. Nós éramos os únicos brasileiros, salve! A vantagem é podermos praticar mais o espanhol. Pareceu ser o paraíso da terceira idade argentina. Trata-se de um local pequeno com opções de restaurantes dentro e fora do complexo.

O banho é sensacional com diferentes piscinas e temperaturas. Amei a que borbulhava e dava massagem no corpo.

Para almoçar, fomos ao restaurante dentro do complexo e eu pedi frango com batatas fritas com casca, fatiadas ao sal, pimenta, alho, queijo parmesão e azeite de oliva ao forno (pollo disco con papas cuñas), mas o Carlos decidiu pelo ragú de ternera con papas cuñas, ou seja, guisado francês de vitela com as batatas mencionadas. Bem simples e gostoso. Considero muito simpático não cobrarem a entrada de pães (cubierto).

O forte de Cacheuta são as bancas de frutas secas, mel, nozes, passas, sucos etc. Tudo em conta. Os mercadinhos fora do complexo tem artesanato a oferecer, embora poucos. A cidadezinha lembra o Atacama no Chile, segundo o Carlos.

Pondero que o passeio poderia ser mais curto. Das 9 às 18 h é muito tempo. Ficamos esperando do lado de fora das termas a partir das 16 h sem ter o que fazer. O maravilhoso foi ter conhecido uns argentinos bons de papo.

Fizemos amizade com um casal especial: Ana e Nunzio Schembari: ela, argentina e ele, italiano. Depois nos encontramos com eles em outras ocasiões em Mendoza e era uma alegria. Quando formos a Buenos Aires, nós os procuraremos, com certeza.

Tem gente que pega a van e vai ao hotel que oferece spa de um dia e não às termas. Por isso, a demora maior, pois temos que aguardar. Mesmo assim, valeu. Foi uma experiência única.

Continuaremos com a Reserva Natural de Villavicencio.

 

Mendoza – Argentina – a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo

Mendoza – Argentina – a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo

Estamos em 17 de maio de 2018. Da bodega Vistandes, rumamos à fábrica de azeites. Gostei muito da visita, por ser diferente e pela degustação soberba. Chegaremos lá. Também houve apresentações do processo em duas línguas. A guia deu uma aula e tanto sobre azeitonas. Todas são verdes, outras cores como violeta e preta dependem da maturação. A Argentina é responsável por 5 % da colheita do mundo.

A empresa visitada foi criada em 1920 e tem ainda a parte antiga, juntamente com a atual. Hoje é uma empresa moderna, mas da mesma família fundadora: Muravnik. Também produzem tomates secos e passas de uva. Chama-se Pasrai (pasas e raisins, ou seja, passas de uva em espanhol e inglês) e se situa em Ozamis Sur, 2731, Russell, Maipú. Os empregados trabalham por temporada, por exemplo: de maio a julho extraem o azeite e em outros momentos plantam e colhem a azeitona. São de confiança.

O tipo de azeite depende da acidez das azeitonas. Extravirgem, virgem e regular de oliva (o mais barato, bom para cozinhar); azeite dividido em não filtrado (natural, com a primeira prensa com a polpa) e filtrado. São mais de 80 qualidades de oliva, com diferentes cores e maturação, sabor e aroma. Tanto faz em plástico, vidro ou lata. Aberto dura menos e tem que ficar em lugar fresco sem calor.

Vamos à degustação. Saborosa! Várias mesas com pães e azeites e a linha spa de cosméticos. Provamos dos mais suaves aos mais intensos. Oliva tradicional, azeite sem filtrar, azeite com sabor de laranja, azeite com alho e pão com grão de bico, azeite com orégano, azeite com manjericão e pão com tomate seco e pão com pasta de feijão vermelho e pimenta, além de passas de uva e as cobertas com chocolate e azeitonas diversas. Ufa! Que delícia! Amamos! Depois de tal festa, como não consumir? Comprei uvas passas cobertas de chocolate, azeite extravirgem com sabor de laranja: Quinta Generacion (incrível!) e um creme hidratante de azeite de oliva. Lugarzinho imperdível esse.

No caminho para a outra bodega, vimos o rio Mendoza seco e o Canal San Martin com seus 74 km, sendo um dos principais sistemas de irrigação da região. Lembrando que 18 % do petróleo do país vêm de Mendoza. É válido mencionar que a Argentina é a maior exportadora de limão do mundo e suas plantações estão no norte do país: em Tucumán.

Chegamos às Cavas de Don Arturo, uma bodega mais antiga, de 1826. Localiza-se no Vale de Lunlunta, reconhecido como a primeira região vinícola. O endereço é Villanueva, 2233 em Maipú. O prédio é acolhedor. Novamente, guias nos recebem em duas línguas. Nesta vinícola, o método de produzir o vinho é o tradicional, sendo as plantas mais expostas ao sol e as parreiras situadas como trepadeiras, com 1.60 m de altura e menor quantidade de uvas, mas com mais qualidade. São produzidos oito mil kilos por hectare. A colheita é manual e começa em 1˚ de março. Tira-se a uva e leva-se à bodega. Na sala de colheita, onde recebe a fruta, existem máquinas que separam a pasta líquida da sólida. O caminho é mais lento pelo fato de ser mais natural, não usam produtos químicos para acelerar o processo, que dura nove meses. Cada variedade de uva tem seu sabor e aroma natural.

Foi nos dito que o Instituto Nacional de Vinicultura controla a qualidade do vinho. A cave é escura e úmida. Exportam minimamente para os EUA e não vendem para restaurantes. Interessante dizer que a oxigenação dá o aroma e sabor ao vinho. As barricas, que amadurecem o vinho, tem vida útil de quatro anos. A linha superior de vinho (reserva e gran-reserva) fica 12 meses na barrica. Mais: o Malbec natural é suave. Se não tiver lágrimas, não é um bom vinho. O Cabernet Savignon significa mais tanino, mais cor e mais corpo. O vinho mais seco tem mais tanino, é mais estruturado e tem mais polifenóis. Aprendemos bastante nesta visita. Na degustação, bebemos os oferecidos, mas confesso que gostei mais dos da Vistandes, embora isso seja gosto pessoal. Dessa bodega, amei o doce mendocino, vendido bem baratinho por 20 pesos. É uma bolacha com doce de leite dentro, típico de Mendoza.

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Igreja N. Sra. de Carrodilla-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado

Na saída já era mais tarde, porém ainda passamos na casa antiga com a igreja de La Virgen de Carrodilla, isto é, a Nossa Senhora protetora dos vinhedos. Nas paredes do lado de fora, há mosaicos de argila com a história de Mendoza e dentro do prédio há um pátio estilo espanhol muito bucólico. Trata-se de um monumento histórico que em 2013 completou 100 anos e em 1992 tornou-se Patrimônio Histórico de Mendoza. A casa pertenceu à família Solanilla Estrella. Lugar que merece mais tempo.

O próximo passeio será nas Termas de Cacheuta.

 

 

Mendoza – Argentina – a bodega Vistandes

Mendoza – Argentina – a bodega Vistandes

Hoje é dia 17 de maio de 2018 e resolvemos comprar os passeios a fazer. O Carlos e eu passamos a pé pela Praça Chile e chegamos à Peatonal Sarmiento. Lá na loja de turismo Los Mayas (Paseo Sarmiento, 290 – info@mayaturismo.tur.ar), encontramos uma pessoa muito simpática: o Pablo. Ele nos deu um desconto bom e compramos quatro passeios por 1.900 pesos. Hoje é dia de visitar as bodegas e uma fábrica de azeite pela tarde. A van nos pegou no hotel às 14.30 h. Mas como era de manhã, tínhamos que pensar em refeição. Tomamos café e comemos mil folhas com doce de leite (mil hojas con dulce de leche) e o almoço foi da La Viga Drugstore: pão gostoso com salame e mussarela, iogurte desnatado com polpa de pêssego (durazno) e torta de milho (tarta de choclo). Recomendo.

Entramos no transporte da empresa Huentata e conhecemos o outro lado da cidade. Tudo é organizado, com casas lindas e muitas árvores, impressionante. A Argentina mesmo em crise dá banho de civilidade. Como não amar a cidade?

Cenário da Bodega Vistandes em Maipú
Cenário da bodega Vistandes em Maipú – Mendoza – foto tirada por Mônica D. Furtado

O guia Sérgio e o motorista Mário nos levaram a uma vinícola moderna e minimalista chamada Vistandes. Trata-se de uma bodega boutique em Maipú, a 24 km sudoeste de Mendoza. Localiza-se à Ruta 60 y Carril Urquiza, Cruz de Piedra.

Nós tomando vinho na Bodega Vistandes em Maipú
Nós tomando vinho na bodega Vistandes em Maipú – Mendoza – foto tirada por Áurea Ramos

O prédio tem estilo modernista com uma sala de entrada enorme, muito vidro e dois andares. Fantástico terem guias para inglês e espanhol, afinal turistas estrangeiros não faltam. Nesse local, conheci a jovem Áurea Ramos de Diadema em São Paulo. Muito bom fazer amizades pelo caminho.

Mendoza e seus arredores têm 270 a 300 dias com sol e a temperatura vai de 15 a 20˚C em geral, clima perfeito para a plantação de uvas. Os terrenos têm pouca umidade e o solo é desértico, o que é bom para as parreiras. Os álamos protegem as videiras dos ventos que vão de 90 a 100 km/h em agosto e setembro. A região também é produtora de hortaliças e frutas variadas. Alho, tomate, batata e azeitona são plantações significativas. A Argentina é o décimo produtor de azeitona do mundo, a Espanha é o primeiro.

Em abril de 2017, houve chuva de granizo considerada horrível pelos produtores de hortaliças e uvas. Segundo eles, usam muito dinheiro e lágrimas. Outro fenômeno climático prejudicial é a geada tardia. Queima as flores. A de 2013 provocou um desastre. Atualmente, usam redes a fim de proteger as colheitas. Só lembrando que o terremoto de 1861 matou 1/3 da população e destruiu a cidade toda.

Nomes muito conhecidos como Quilmes, Concha y Toro e Peñaflor produzem vinho na região. Cada vinícola tem seu estilo próprio, são aproximadamente 980. Voltemos à Vistandes, inaugurada em 2006. Foi a primeira bodega a usar o sistema de gotejamento constante pressurizado.  É pequena com uma produção limitada. Produzem uvas Malbec, Cabernet Savignon, Sirah etc. Seu sistema foi copiado dos franceses. Após a visita para conhecer o processo utilizado na preparação do vinho, fomos convidados a degustar os vinhos da casa: o rosé (frutado de cereja) para saborear com chocolates e mariscos, o Malbec jovem de linha frutada para tomar sob temperatura ambiente, e o Cabernet Savignon, amadeirado, mais forte que o anterior. Comprei um Malbec rosé jovem frutado chamado Hechizo del Plata. Simplesmente maravilhoso!

Continuaremos com a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo.