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Flecheiras-Trairi-Ceará-Brasil

Flecheiras – Trairi – Ceará – Brasil

Mais um final de semana, mais uma viagem. Desta vez, para uma praia que amo de paixão: Flecheiras. Estamos no dia 20 de julho de 2018 em plenas férias.

Para chegar àquela localidade, vai-se de Fortaleza a caminho de Iparana, procurando pela CE-085, ou seja, pela estrada do Sol Poente. Vamos rumo a Trairi e de lá à praia de Flecheiras. Em 2 h e meia chegamos, são 130 km de Fortaleza.

Trairi é um município muito arrumado e limpo. Está sendo feito o recapeamento da estrada entre Trairi e seus distritos: Flecheiras, Mundaú e Guajiru, praias fabulosas, uma diferente da outra. Hoje a escrita é sobre Flecheiras.

Meu companheiro de aventuras Carlos Alencar e eu somos velhos conhecidos deste paraíso. Já ficamos nas pousadas O Paiva, na Casa do Alemão e na Red House.

Na Ubaia é a segunda vez que nos hospedamos (Rua São Pedro, 40/ http://www.pousadaubaia.com.br). O preço é bom e é no centrinho de Flecheiras, na frente da praça principal, no “point” à noite, além de ser perto do mar. Aconselho para quem não se incomoda com barulho, afinal movimento não falta nos finais de semana, ainda mais nas férias. A proprietária Rejane é uma simpatia, trata a todos com muito carinho. O café da manhã é rico e saboroso. Amei os diversos bolos com menos açúcar. Só de pensar neles fico com água na boca. Falta só ter cafezinho nas sextas e domingos à tarde!!!

Comecemos a jornada praiana. Na sexta almoçamos no self-service O Rinoceronte, como sempre. Localiza-se à rua Principal, 777, centro. Por R$3,90 o kilo, come-se bem. À noite a pizza é uma boa pedida. E ao lado tem a Sorveteria da Lya com o nosso gostoso sorvete Pardal: o de cajá e o de graviola são imperdíveis. É tão bom estar nos lugares e conhecer as pessoas.

Para uma tapioca com cafezinho à tardinha nada como a padaria Tropical. À noite decidimos conhecer as barracas/restaurantes da beira-mar.

No Marítimo, degustamos um prato há tempo desejado: lagosta grelhada com legumes salteados e arroz ao molho de alcaparras. O garçom Firmino é uma graça. São 40 anos de existência do restaurante. Li no cardápio algo tão romântico que divido com vocês. De Rita de Sena Souza: “Flecheiras, Flecheiras! Teu céu, teu mar, Nas belas noites enluaradas, Tua beleza é sem par.” Da mesma forma, também descobri com ela que a origem do nome da localidade vem de uma antiga lenda contada pelos mais velhos, em que se referem às índias, garantidoras do sustento de suas famílias por meio da pesca com flechas, como “mulheres atiradoras de flechas”.

Cerca de ali há outras barracas lindamente decoradas com motivos praianos. Há o restaurante Doya, Caravela e Maré Alta. Acho fantástico utilizarem em lustres, cortinas, abajures e em outros objetos as escamas do peixe camurupim, que tratadas parecem madrepérola.

Flecheiras se transforma à noite. Fervilha de gente. Tem a igrejinha bem frequentada ao sábado. Na Lá na Cris Bistrô, casa azul muito original, tem música ao vivo de boa qualidade.

A orla tem muitas pousadas e restaurantes coloridos e enfeitados com objetos nordestinos. Vemos gente tomando banho de mar à tardinha (melhor horário pelo mar mais calmo que forma piscininhas), andando de triciclo, quadriciclo, moto, carro (o que é proibido), jogando futebol, enfim curtindo o local.

A água é uma delícia. De manhã percebemos a transparência do mar verde, lindo! Interessante dizer que na praia há arrecifes e pedregulhos em alguns pontos.

Gosto de tudo em Flecheiras: dos passeios pela praça principal e centrinho, da areia da praia, do clima tranquilo de cidade interiorana, do sol poente que a tudo realça. Os coqueiros existentes na beira da praia dão um toque de cartão postal. Vejo muitos turistas em famílias e grupos de amigos. Sentar em um banco em frente à pousada Paiva para mirar o anoitecer é um luxo.

No sábado fomos almoçar em uma barraca chamada Brisa da Moça na praia de Emboaca entre Flecheiras e Mundaú. Dizem que lá se come bem e barato em qualquer barraca litorânea. Realmente o preço é incrível: R$40,00 por um kilo de lagosta grelhada com baião de dois e salada de tomate e alface. Emboaca tem restaurantes muito simples e é uma comunidade de pescadores, sem pousadas por lá.

Voltando a Flecheiras, falemos nas compras no centrinho. Comprar roupas e artigos de casa de renda de bilro na casa da dona Constância vale a pena.

Também tem a loja Mandarina da Amanda, minha vizinha do passado em Fortaleza. A originalidade começa pela fachada. As roupas são repletas de cor e bonitas. Ao lado existe a hamburgueria do marido espanhol dela. E estão agora com uma pousada: Vila Mandarina. Promete. A pousada São Pedro da Michelly de Goiânia tem um espaço interno muito agradável. Como se vê, opções não faltam.

O almoço de domingo foi a repetição de um prato que amo na pousada do Paiva. Fomos andando, apesar do sol intenso. O filé de peixe grelhado, servido com molho de alcaparras, batatas salteadas no alho, salada e arroz de banana é divino.

Como eram férias, os serviços estavam um pouco lentos. Isso faz parte da nossa realidade. Precisamos ter paciência. No primeiro dia, faltou luz na localidade, por conta de um carro que bateu em um poste de eletricidade e passamos calor sem o ar-condicionado. Mas tudo bem. Flecheiras é tão encantadora que tudo se resolve. O período das brisas está iniciando, logo nos sentimos bem mais confortáveis na praia.

Para concluir, tenho algo a falar aos prefeitos de Caucaia e Fortaleza. Quando voltamos por Iparana (Caucaia) e Av. Leste Oeste em Fortaleza nos deparamos com monturos de lixo nos meios-fios em pleno domingo. Pensando que são caminhos turísticos, fico envergonhada com tal desleixo.

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O pôr-do-sol em Flecheiras-Trairi-Ceará-Brasil-foto tirada por Mônica D. Furtado

Por isso, viajo tanto nos finais de semana a fim de visitar lugares paradisíacos e mais limpos aqui perto.

Canoa Quebrada – Ceará – Brasil

Canoa Quebrada – Ceará – Brasil

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Voo de parapente em Canoa Quebrada-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado

Eu e meu companheiro de aventuras Carlos Alencar saímos de Fortaleza para mais um final de semana. Hoje é dia 30 de junho de 2018. Rumamos à estrada Litorânea Sol Nascente, que está aproximadamente 80 % finalizada em sua duplicação e chegamos à praia de Canoa Quebrada 3 h depois. São 160 km indo contra o vento. Fazia tempo que não voltávamos lá.

É distrito de Aracati. Quando conheci era tão mais simples, hoje tem tantas casas, pousadas, hotéis que só vendo. E tem o eterno point: a rua chamada Broadway. Já falarei mais nela.

Viemos para a pousada Morada do Sol (88-34217031) pelo booking.com, conseguida por um preço mais em conta, mas sem café da manhã o qual pagamos por fora: R$ 15,00. A proprietária é a Andréa Foianini, argentina de Córdoba e nutróloga, e o atendente Márcio de São Paulo. Coincidência que havia assistido esse ano uma palestra sobre alimentação natural em Fortaleza e a Andréa estava lá. A pousada dela oferece cursos de ioga (naquele momento com um instrutor de Punta del Este no Uruguai) e jornada de desintoxicação do organismo. Como se diz, bem “natureba”. Gostaria de mencionar que temos uma amiga em comum: a jornalista Letícia Amaral (quem me ajudou a criar este blog).

Quisemos provar por R$25,00 o almoço vegano na pousada. Gostei, considerei diferente, só dava para reconhecer as verduras cortadas bem fininhas. O espaço é repleto de plantas, hortas, animais domésticos, paz e amor. Amei! A gente se sente no Éden. Interessante a cadeira embaixo de uma pirâmide para se energizar.

À tarde desbravamos Canoa. Estivemos na pracinha da igreja e na própria igreja, tão linda. A prefeitura de Aracati tem que consertar as calçadas que foram destruídas talvez pela erosão das chuvas e o pátio também. Além de pensar no escoamento sanitário, infelizmente, são fossas sépticas. Algumas ruas têm calçamento, outras ainda estão na areia.

A escola primária Zé Melancia está em containers provisórios, embora com desenhos bonitos e coloridos. E pensar que a entrada de uma cidade é marcante para o turista: há de dar um jeito nos buracos, Sr. Prefeito!

Agora falemos na mais do que imperdível Broadway. Para mim, vale o passeio à noite. Trata-se de um calçadão com movimento intenso. Há bares, restaurantes diversos, padaria, lojas de couro, artesanato e trajes de banho, supermercado, hippies, enfim, tudo se encontra lá e é muito divertido. O lugar é um mel, atrai a todos. Para jantar, quisemos pizza marguerita, como sempre, no Cantinho da Sardenha. A pizza grande é enorme. Um achado!

Ter conhecido a banca da Baiana foi uma graça. Vende duendes, fadas, produtos esotéricos e tem o axé e a simpatia da boa Bahia. Lembrou-me da feira da Praça França em Buenos Aires.

A praia é perto da pousada, mas se vai andando no sol forte. Pegamos um caminho de areia e descemos a falésia pela escada cerca da pracinha da igreja até a praia que tem barracas palafitas. Bem originalmente construídas em estilo hippie e pintadas com desenhos praianos. Combinam com Canoa Quebrada, afinal sempre foi conhecida como o paraíso hippie. O banho é divino e admirar as falésias é obrigatório. Em uma delas, está o símbolo da praia, famoso mundialmente: uma lua e uma estrela.

Tenho que citar os nativos. São queridos, atenciosos e educados. Cumprimentam a gente e se preocupam com o meio ambiente. Quem suja é o de fora. Ter nos deparado com o Emanuel colocando uma estaca com os dizeres: “Não suje a praia” foi um prazer. Ele trabalha como guia e informante (fone: 88-97542743).

Para o almoço no domingo, resolvemos conhecer o restaurante O Nain, dica do Márcio da pousada. Fomos de carro, por conta do sol forte, pegamos a rua da igreja, descemos, contornamos as falésias e chegamos ao restaurante/bar na colônia de pescadores. Lugar rústico, ajeitado e bem frequentado por quem conhece. Tem um visual do mar e das falésias arrebatador. Os preços são consideravelmente mais baratos que na Broadway. Aconselho o garçom Ramon (todos atendem bem, na verdade).

Pedimos o peixe frito guaiúba com tomate, alface, cebola, baião de dois, pratinho de salada e pirão de farinha de mandioca. Super!

Canoa Quebrada com suas ruelas estreitas, ruas assimétricas e com calçadas curtas é um lugar deslumbrante. Cada minuto é revitalizante. Recomendo!

Mendoza – Argentina – Termas de Cacheuta

Mendoza – Argentina – Termas de Cacheuta

Hoje é dia 18 de maio de 2018, data escolhida para visitar as Termas de Cacheuta. O transporte da agência nos pegou às 9 da manhã. Compramos o passeio na agência Las Mayas y Turismo na Paseo Sarmiento, 290. Queríamos tomar banho de água pura, vinda das Cordilheiras dos Andes. Já saímos de Fortaleza sabendo que iríamos lá, logo levamos roupas de banho.

Antes de descrever o lugar, vamos ao que aprendi no caminho. Os argentinos jogam polo, hóquei, futebol e tênis. Mendoza tem espaços largos, convidativos a passeios nos parques e praças. Saindo para as termas, passamos por condomínios fechados. Percebe-se a natureza mais árida e vemos o rio Mendoza seco. A umidade é baixíssima: 30 %. Percorremos a cidade de Luján de Cuyo com bodegas importantes como a Nieto Senetiner e vemos uma praia de rio com guarda-sóis, uma hidrelétrica, cervejarias artesanais e hotéis com cabanas. A atmosfera é interiorana.

Falemos nas Termas de Cacheuta. Diria que achei Cacheuta uma cidade de faroeste americano, devido às suas construções de madeira e aridez local.

As termas consistem em um galpão enorme fechado com piscinas térmicas e do lado de fora, outras piscinas. Como estava muito frio, ficamos dentro. Nós éramos os únicos brasileiros, salve! A vantagem é podermos praticar mais o espanhol. Pareceu ser o paraíso da terceira idade argentina. Trata-se de um local pequeno com opções de restaurantes dentro e fora do complexo.

O banho é sensacional com diferentes piscinas e temperaturas. Amei a que borbulhava e dava massagem no corpo.

Para almoçar, fomos ao restaurante dentro do complexo e eu pedi frango com batatas fritas com casca, fatiadas ao sal, pimenta, alho, queijo parmesão e azeite de oliva ao forno (pollo disco con papas cuñas), mas o Carlos decidiu pelo ragú de ternera con papas cuñas, ou seja, guisado francês de vitela com as batatas mencionadas. Bem simples e gostoso. Considero muito simpático não cobrarem a entrada de pães (cubierto).

O forte de Cacheuta são as bancas de frutas secas, mel, nozes, passas, sucos etc. Tudo em conta. Os mercadinhos fora do complexo tem artesanato a oferecer, embora poucos. A cidadezinha lembra o Atacama no Chile, segundo o Carlos.

Pondero que o passeio poderia ser mais curto. Das 9 às 18 h é muito tempo. Ficamos esperando do lado de fora das termas a partir das 16 h sem ter o que fazer. O maravilhoso foi ter conhecido uns argentinos bons de papo.

Fizemos amizade com um casal especial: Ana e Nunzio Schembari: ela, argentina e ele, italiano. Depois nos encontramos com eles em outras ocasiões em Mendoza e era uma alegria. Quando formos a Buenos Aires, nós os procuraremos, com certeza.

Tem gente que pega a van e vai ao hotel que oferece spa de um dia e não às termas. Por isso, a demora maior, pois temos que aguardar. Mesmo assim, valeu. Foi uma experiência única.

Continuaremos com a Reserva Natural de Villavicencio.

 

Mendoza – Argentina – a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo

Mendoza – Argentina – a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo

Estamos em 17 de maio de 2018. Da bodega Vistandes, rumamos à fábrica de azeites. Gostei muito da visita, por ser diferente e pela degustação soberba. Chegaremos lá. Também houve apresentações do processo em duas línguas. A guia deu uma aula e tanto sobre azeitonas. Todas são verdes, outras cores como violeta e preta dependem da maturação. A Argentina é responsável por 5 % da colheita do mundo.

A empresa visitada foi criada em 1920 e tem ainda a parte antiga, juntamente com a atual. Hoje é uma empresa moderna, mas da mesma família fundadora: Muravnik. Também produzem tomates secos e passas de uva. Chama-se Pasrai (pasas e raisins, ou seja, passas de uva em espanhol e inglês) e se situa em Ozamis Sur, 2731, Russell, Maipú. Os empregados trabalham por temporada, por exemplo: de maio a julho extraem o azeite e em outros momentos plantam e colhem a azeitona. São de confiança.

O tipo de azeite depende da acidez das azeitonas. Extravirgem, virgem e regular de oliva (o mais barato, bom para cozinhar); azeite dividido em não filtrado (natural, com a primeira prensa com a polpa) e filtrado. São mais de 80 qualidades de oliva, com diferentes cores e maturação, sabor e aroma. Tanto faz em plástico, vidro ou lata. Aberto dura menos e tem que ficar em lugar fresco sem calor.

Vamos à degustação. Saborosa! Várias mesas com pães e azeites e a linha spa de cosméticos. Provamos dos mais suaves aos mais intensos. Oliva tradicional, azeite sem filtrar, azeite com sabor de laranja, azeite com alho e pão com grão de bico, azeite com orégano, azeite com manjericão e pão com tomate seco e pão com pasta de feijão vermelho e pimenta, além de passas de uva e as cobertas com chocolate e azeitonas diversas. Ufa! Que delícia! Amamos! Depois de tal festa, como não consumir? Comprei uvas passas cobertas de chocolate, azeite extravirgem com sabor de laranja: Quinta Generacion (incrível!) e um creme hidratante de azeite de oliva. Lugarzinho imperdível esse.

No caminho para a outra bodega, vimos o rio Mendoza seco e o Canal San Martin com seus 74 km, sendo um dos principais sistemas de irrigação da região. Lembrando que 18 % do petróleo do país vêm de Mendoza. É válido mencionar que a Argentina é a maior exportadora de limão do mundo e suas plantações estão no norte do país: em Tucumán.

Chegamos às Cavas de Don Arturo, uma bodega mais antiga, de 1826. Localiza-se no Vale de Lunlunta, reconhecido como a primeira região vinícola. O endereço é Villanueva, 2233 em Maipú. O prédio é acolhedor. Novamente, guias nos recebem em duas línguas. Nesta vinícola, o método de produzir o vinho é o tradicional, sendo as plantas mais expostas ao sol e as parreiras situadas como trepadeiras, com 1.60 m de altura e menor quantidade de uvas, mas com mais qualidade. São produzidos oito mil kilos por hectare. A colheita é manual e começa em 1˚ de março. Tira-se a uva e leva-se à bodega. Na sala de colheita, onde recebe a fruta, existem máquinas que separam a pasta líquida da sólida. O caminho é mais lento pelo fato de ser mais natural, não usam produtos químicos para acelerar o processo, que dura nove meses. Cada variedade de uva tem seu sabor e aroma natural.

Foi nos dito que o Instituto Nacional de Vinicultura controla a qualidade do vinho. A cave é escura e úmida. Exportam minimamente para os EUA e não vendem para restaurantes. Interessante dizer que a oxigenação dá o aroma e sabor ao vinho. As barricas, que amadurecem o vinho, tem vida útil de quatro anos. A linha superior de vinho (reserva e gran-reserva) fica 12 meses na barrica. Mais: o Malbec natural é suave. Se não tiver lágrimas, não é um bom vinho. O Cabernet Savignon significa mais tanino, mais cor e mais corpo. O vinho mais seco tem mais tanino, é mais estruturado e tem mais polifenóis. Aprendemos bastante nesta visita. Na degustação, bebemos os oferecidos, mas confesso que gostei mais dos da Vistandes, embora isso seja gosto pessoal. Dessa bodega, amei o doce mendocino, vendido bem baratinho por 20 pesos. É uma bolacha com doce de leite dentro, típico de Mendoza.

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Igreja N. Sra. de Carrodilla-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado

Na saída já era mais tarde, porém ainda passamos na casa antiga com a igreja de La Virgen de Carrodilla, isto é, a Nossa Senhora protetora dos vinhedos. Nas paredes do lado de fora, há mosaicos de argila com a história de Mendoza e dentro do prédio há um pátio estilo espanhol muito bucólico. Trata-se de um monumento histórico que em 2013 completou 100 anos e em 1992 tornou-se Patrimônio Histórico de Mendoza. A casa pertenceu à família Solanilla Estrella. Lugar que merece mais tempo.

O próximo passeio será nas Termas de Cacheuta.

 

 

Mendoza – Argentina – a bodega Vistandes

Mendoza – Argentina – a bodega Vistandes

Hoje é dia 17 de maio de 2018 e resolvemos comprar os passeios a fazer. O Carlos e eu passamos a pé pela Praça Chile e chegamos à Peatonal Sarmiento. Lá na loja de turismo Los Mayas (Paseo Sarmiento, 290 – info@mayaturismo.tur.ar), encontramos uma pessoa muito simpática: o Pablo. Ele nos deu um desconto bom e compramos quatro passeios por 1.900 pesos. Hoje é dia de visitar as bodegas e uma fábrica de azeite pela tarde. A van nos pegou no hotel às 14.30 h. Mas como era de manhã, tínhamos que pensar em refeição. Tomamos café e comemos mil folhas com doce de leite (mil hojas con dulce de leche) e o almoço foi da La Viga Drugstore: pão gostoso com salame e mussarela, iogurte desnatado com polpa de pêssego (durazno) e torta de milho (tarta de choclo). Recomendo.

Entramos no transporte da empresa Huentata e conhecemos o outro lado da cidade. Tudo é organizado, com casas lindas e muitas árvores, impressionante. A Argentina mesmo em crise dá banho de civilidade. Como não amar a cidade?

Cenário da Bodega Vistandes em Maipú
Cenário da bodega Vistandes em Maipú – Mendoza – foto tirada por Mônica D. Furtado

O guia Sérgio e o motorista Mário nos levaram a uma vinícola moderna e minimalista chamada Vistandes. Trata-se de uma bodega boutique em Maipú, a 24 km sudoeste de Mendoza. Localiza-se à Ruta 60 y Carril Urquiza, Cruz de Piedra.

Nós tomando vinho na Bodega Vistandes em Maipú
Nós tomando vinho na bodega Vistandes em Maipú – Mendoza – foto tirada por Áurea Ramos

O prédio tem estilo modernista com uma sala de entrada enorme, muito vidro e dois andares. Fantástico terem guias para inglês e espanhol, afinal turistas estrangeiros não faltam. Nesse local, conheci a jovem Áurea Ramos de Diadema em São Paulo. Muito bom fazer amizades pelo caminho.

Mendoza e seus arredores têm 270 a 300 dias com sol e a temperatura vai de 15 a 20˚C em geral, clima perfeito para a plantação de uvas. Os terrenos têm pouca umidade e o solo é desértico, o que é bom para as parreiras. Os álamos protegem as videiras dos ventos que vão de 90 a 100 km/h em agosto e setembro. A região também é produtora de hortaliças e frutas variadas. Alho, tomate, batata e azeitona são plantações significativas. A Argentina é o décimo produtor de azeitona do mundo, a Espanha é o primeiro.

Em abril de 2017, houve chuva de granizo considerada horrível pelos produtores de hortaliças e uvas. Segundo eles, usam muito dinheiro e lágrimas. Outro fenômeno climático prejudicial é a geada tardia. Queima as flores. A de 2013 provocou um desastre. Atualmente, usam redes a fim de proteger as colheitas. Só lembrando que o terremoto de 1861 matou 1/3 da população e destruiu a cidade toda.

Nomes muito conhecidos como Quilmes, Concha y Toro e Peñaflor produzem vinho na região. Cada vinícola tem seu estilo próprio, são aproximadamente 980. Voltemos à Vistandes, inaugurada em 2006. Foi a primeira bodega a usar o sistema de gotejamento constante pressurizado.  É pequena com uma produção limitada. Produzem uvas Malbec, Cabernet Savignon, Sirah etc. Seu sistema foi copiado dos franceses. Após a visita para conhecer o processo utilizado na preparação do vinho, fomos convidados a degustar os vinhos da casa: o rosé (frutado de cereja) para saborear com chocolates e mariscos, o Malbec jovem de linha frutada para tomar sob temperatura ambiente, e o Cabernet Savignon, amadeirado, mais forte que o anterior. Comprei um Malbec rosé jovem frutado chamado Hechizo del Plata. Simplesmente maravilhoso!

Continuaremos com a fábrica de azeite Pasrai e a bodega Cavas de Don Arturo.

Mendoza – Argentina – a cidade – parte 3

Mendoza – Argentina – Cerro de la Gloria

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Ônibus turístico Oro Negro em Mendoza-passeio ao Cerro de la Gloria-foto tirada por Carlos Alencar

Estamos no dia 16 de maio de 2018 na continuação do city tour por Mendoza. Finalizamos o passeio pela cidade e agora vamos à parte mais alta do município: o Cerro de la Gloria, dentro do parque Gal. San Martin. A guia é outra e muito boa também: a Jessica.

Pegamos a Av. Emílio Civit com suas casas ostentosas, segundo eles. A continuação da av. Sarmiento terá o nome de av. Libertador dentro do parque General San Martin. Este parque foi criado em 1907 a oeste da cidade por Emílio Civit (1856-1920). Ele foi um político argentino que exerceu os cargos de deputado, senador nacional, governador da Província de Mendoza e Ministro de Obras Públicas e de Agricultura da nação (Wikipédia).

Quanto ao parque, são 950 hectares com árvores do mundo todo. Achei semelhante ao Parque Maria Luísa em Sevilha – Espanha. Fenomenal tal lugar. É o maior espaço verde da cidade, estende-se por 17 km e alcança o sopé da Cordilheira dos Andes. Vale a pena ver o site www.experiencemendoza.com. Depois de passar pelo portão rebuscado, logo na entrada do parque, vemos as duas cópias dos Cavallitos de Marly, feitas em mármore branco de Carrara, de primeira qualidade.  Representam dois cavalos selvagens com seus domadores, cada um em cima de uma coluna. São réplicas dos cavalos franceses, realizados por Guilhaume Coustou entre 1743 e 1745, trabalho requisitado pelo rei Luís XV a fim de decorar a entrada do parque do Palácio de Marly fora de Paris.

 

Também somos apresentados à Fonte dos Continentes, representando a América, Europa, Ásia e África, de 1911, com as nereidas protegendo os marinheiros. Faltou a Oceania, porque não existia naquela época. Discursando mais sobre as nereidas, elas fazem parte da mitologia grega e se tratam das 50 filhas de Nereu e Dóris. Nereu compartilhava com elas as águas do Mar Egeu e era um deus marinho mais antigo que Netuno. As nereidas são ninfas do mar, gentis e generosas, sempre prontas a ajudar os marinheiros (Wikipédia).

O lago El Parque foi feito em 1906, sendo um reservatório de água para ser usado em caso de seca. A avenida das Palmeiras é muito bonita e tem um clube de regatas de 1909. O parque Gal. San Martin foi pensado pelo arquiteto francês Carlos Thays. Antes se chamava Oeste. Dentro dele, há a Universidade de Cuyo com 32 cátedras (cursos). É estatal e se entra por meio de exame. A Faculdade de Agronomia funciona fora de lá. Havia um zoológico, hoje os animais da terra estão sendo distribuídos para outras localidades.

Dia 17 de abril é considerado o dia internacional do vinho Malbec e das fontes de Mendoza jorram vinho (ver http://www.malbecworldday.com).

Falemos no Cerro de la Gloria. Não vão carros até o local, um caminhão entra e o outro sai, há controle. A vegetação é nativa da terra. Ao alcançarmos 1800 m chegamos ao Cerro Arco. Esportes radicais são praticados, como parapente, rapel, caminhadas de trilhas etc. As torres de TV estão situadas lá.

 

No mirante com 965 m existe um memorial homenageando o centenário do Exército dos Andes com a imagem do condor. Tal pássaro gigante é o símbolo de Mendoza. Vive na Cordilheira dos Andes e alcança 3 m com as asas abertas. Lembrando que o General José de San Martin libertou o Chile a pé e a cavalo via Cordilheira dos Andes no dia 12 de fevereiro de 1818. Como é venerado, assim como seus generais. Foi um feito histórico impressionante.

 

No Cerro de la Gloria há uma estátua magistral. Antes o monte se chamava Pilar. Após 1812 passou a ter o nome atual. Quem pensou a estátua foi o uruguaio Juan Manuel Ferrari. Ali tudo é paz com a vegetação exuberante e as flores “lavandas” ao redor da estátua.

 

A guia acrescenta sobre a Festa de la Vendimia que celebra a temporada de colheita de uvas e ocorre no dia 3 de março anualmente perto do cerro no Teatro Griego em 180˚, isto é, o som não se dispersa. Estamos falando do maior anfiteatro ao ar livre de Mendoza. Tal teatro foi construído por Frank Romero Day. Como a uva é sagrada para a região, a festa é uma grande celebração anual. Lembrando que a região do vinho Malbec está na grande Mendoza: nas cidades de Maipú e Luján de Cuyo. A cidade também é a segunda mais importante da Argentina na exploração de petróleo e ainda há as hidrelétricas. As plantas da região vivem do aquífero.

Está sendo construído ali perto um estádio poliesportivo no qual terá velódromo, pista de atletismo etc.

Terminamos o passeio, abismados com tanta beleza e fãs incondicionais de Mendoza. Depois desta viagem, pensamos que nada é impossível de solução em termos de falta de água. Só falta vontade política neste nosso Brasil.

 

Por fim, deu fome, era hora do almoço e fomos ao restaurante Tommaso Trattoria cerca do nosso hotel Carollo Gold (25 de Mayo, 1184). Pedi uma merluza Tommaso com azeitonas, batatas e salada verde por 240 pesos e um bom Malbec. Para o Carlos foi o famoso bife de chorizo argentino.

Depois fomos à Peatonal Sarmiento (amei!!!) comprar lembrancinhas. Indico a Imperial Cueros na Peatonal 23 e a La Góndola na Passaje San Martin, local 20. Diga-se de passagem, nós gastamos nosso espanhol com todo mundo. O mendocino é bom de prosa.

Mencionando um pouco do clima: o frio é seco, amanhece às 9 h, é muito frio (uns 6˚ C) pela manhã e noite e ao longo do dia vai esquentando. Vale a pena conhecer tão bucólica cidade no outono.

O próximo artigo será sobre as bodegas e fábrica de azeite. Aguardem…

 

Mendoza – Argentina – a cidade – parte 2

Mendoza – Argentina – city tour

Hoje é dia 16 de maio de 2018. Vamos passear pela cidade por meio do ônibus de city tour La Batea. Ele é aberto, logo tem que proteger a cabeça do frio. Pagamos 190 pesos por pessoa e fizemos a volta pela cidade (uma hora de city tour) e mais uma hora e meia até o Cerro de La Gloria, a parte mais alta de Mendoza. Você tem escolha de fazer os dois passeios ou só um. Pegamos o ônibus praticamente ao lado da Praça Independência. Parabéns à guia Janina, muito bem informada. Os guias são muito instruídos na história e geografia da cidade e não pedem gorjeta, ponto para eles.

Em 1861 houve um terremoto em Mendoza que a deixou em ruínas. Matou 1/3 da população. Hoje temos uma nova cidade. Falando nas praças… A Praça Independência é a mais importante, tendo quatro outras satélites: Espanha, San Martin, Chile e Itália. Há teatro e museu debaixo da Independência, porém estão fechados no momento.

A Praça Chile tem uma fonte circular e duas estátuas: dos heróis Bernardo O´Higgins e San Martin em homenagem à amizade entre Chile e Argentina. A Praça San Martin estava sendo remodelada e já deve ter sido reinaugurada no final de maio com festa e tudo o mais. Tem um monumento equestre em honra a San Martin. A Praça Espanha faz homenagem à colonização. No centro existe um mosaico contando a história de Mendoza e há duas mulheres juntas: a Espanha e a Argentina formando a Nova Espanha. Em outubro fazem a Festa da Coletividade Espanhola. A Praça Itália honra a comunidade italiana e em fevereiro há a Festa da Comunidade Italiana. As famílias italianas trouxeram 70 % do vinho nacional da Argentina. Ele está posicionado em 8˚ lugar no mundo. O mais típico do local é o vinho Malbec, mas recentemente o melhor tinto do mundo escolhido foi um Cabernet Savignon da região.

A estação de trem de 1883 está na Av. Belgrano. Esse meio de transporte trouxe imigrantes e comércio. Funcionou até 1993 e havia o trem Mendoza – Buenos Aires. Por motivos políticos e interesses outros, os governantes acabaram com as ferrovias. Na mesma época, a América Latina tomou essa decisão errônea. No centro do município há um metrô tipo bonde que circula pela região central e se paga com cartão magnético. Nos locutórios se compram e carregam os cartões ou tarjetas.

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Mercado Central de Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado

Na Avenida Las Heras se encontram fábricas de chocolate e couro. O Mercado Central também é de 1883. Lembrou o de Montevidéu. Há restaurantes, mas não tem lojas variadas de artesanatos. Interessante mencionar que os horários do comércio são das 9 às 13h e das 17 às 21.30 h, afinal a sesta é um momento sério para eles.

A respeito da história do local… O General San Martin foi governador da província de Mendoza e foi daqui que formou o Exército dos Andes a fim de libertar o Chile e o Peru da Espanha. Ele é venerado, assim como outros generais, por exemplo: o Las Heras e o Soller. O Gal. Las Heras entrou no Chile por Upstalla. O Gal. Soller comandou três mil homens e entrou pelo sul. O feito de San Martin não foi pequeno. Como conseguiu atravessar a Cordilheira dos Andes a pé e a cavalo com o seu exército, dividido em seis colunas, comandados pelos seus generais, em 1816? San Martin era um estrategista.

 

Continuando o passeio… Na parte antiga da cidade, as ruas são estreitas e temos o bairro chamado Área Fundacional. As ruínas jesuíticas da Igreja de São Francisco foram remanescentes do terremoto de 1861.

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Ruínas Jesuíticas de São Francisco-Mendoza-foto tirada por Mônica D. Furtado

A fundação da cidade foi feita por Pedro de Castillo  sob ordens do chileno Garcia Hurtado de Mendoza. Na parte antiga, também passamos pela Plaza de Armas e pelo Parque O´Higgins cujo teatro se chama Gabriela Mistral. Existe uma praça só para crianças, afinal pensam muito em inclusão. Com a mesma entrada para a Área Fundacional, visitamos o Aquário Municipal e o Serpentário. A Praça Sarmiento estava protegida com grades, por conta de vandalismo (ninguém escapa?).

 

Mendoza é tão única que não se constroem edifícios altos para proteger a vida das árvores. E não tem shopping center para não prejudicar o comércio de rua. O existente fica a 4 km do município e se chama Mendoza Plaza Shopping.

A casa do governo da província de Mendoza se localiza no Parque Cívico em frente ao Memorial da Bandeira do Exército dos Andes. A “La Legislatura” ou Assembleia Legislativa se situa em frente à Praça Independência. O Centro de Congreso de Exposiciones com enoteca (cave onde se guardam vinhos raros) recebe exposições da Argentina e exterior.

Estamos na Europa quando percebo os habitantes viverem as suas praças e caminharem muito pela cidade. Mendoza é simplesmente imperdível.

Continuaremos com o Cerro de la Gloria…

 

 

Mendoza – Argentina: a cidade – parte 1

Mendoza – Argentina: a cidade – parte 1

Continuemos com o passeio ao redor da Praça Independência em Mendoza. Estamos em 15 de maio de 2018. A cidade tem a energia calma de Montevidéu. Tem a atmosfera de interior, sentar em suas praças e ficar tranquilo olhando para as árvores é um prazer.

Nas nossas caminhadas, descobrimos o Paseo del Estado de Israel com o símbolo Menorah (candelabro), presente da comunidade israelense da cidade. Toda a cidade é bucólica.

E o hotel Park Hyatt, o primeiro hotel cinco estrelas da cidade. Também o Teatro Independência, dedicado à ópera e cultura local, foi fundado em 1925.

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Teatro Independência em Mendoza – Argentina – foto tirada por Mônica D. Furtado

Vemos árvores por todas as ruas. Os plátanos orientais formam túneis e protegem do sol intenso no verão e do vento no inverno. Toda a arborização existente foi implantada pelo homem, ajudando a criar um clima mais ameno que pudesse ser suportado pela população que se instalava no local.

Canaletas na calçada em Mendoza
Canaleta de irrigação na calçada em Mendoza – Argentina – foto tirada por Mônica D. Furtado

Algo único encontrado em Mendoza são as canaletas ou “cequias” em espanhol. Segundo os guias de turismo, foram desenhados pelos incas peruanos. Antigamente, a cidade pertenceu ao Chile e Peru e depois à região de La Plata. As canaletas de irrigação são Patrimônio da Humanidade e responsáveis por 4% de terrenos cultivados na região. Trata-se de pequenos canais que correm junto ao meio fio das calçadas e é por onde escoa a água a qual irriga a cidade. Sobre eles há pequenas lajes para os pedestres atravessarem. Existe um inspetor que controla a irrigação da cidade. São quatro oásis. A água é preciosa lá e cuidada como tal. A crise hídrica ocorre há sete anos. Lembrando que o clima é árido, seco, desértico e chove pouquíssimo: 200 ml de chuva no verão.

 

O traçado de Mendoza é uniforme, logo é fácil se localizar. A Av. San Martin é a principal artéria e linha comercial, a esquina desta com a Peatonal Sarmiento é o ponto central da cidade. Divide a cidade em norte e sul, a leste (a cidade velha) e a oeste (a nova cidade).

As avenidas são largas, o que é bom caso haja terremotos. A região de Mendoza existe sobre uma placa tectônica. Há sempre movimentos sísmicos e os habitantes são preparados para a evacuação. Mendoza e San Juan são considerados zonas negras sísmicas. O último terremoto foi em 2015 e teve pontuação de 7.5 na escala Richter.

A fronteira entre a Argentina e o Chile tem uma cordilheira com picos eternamente nevados. Entre as províncias de San Juan e, sobretudo, Mendoza encontra-se o ápice da maior montanha das Américas, o Aconcágua, com 6.960 m. Lá está o Parque Provincial Aconcágua. De Mendoza se vê a Pré-Cordilheira dos Andes e a Cordilheira Frontal. Outro importante motivo para se visitar a região.

Tenho muito mais a dizer sobre tão peculiar localidade. No próximo artigo: city tour em Mendoza.

Mendoza-Argentina

Mendoza – Argentina

Eis Mendoza, a capital do vinho Malbec na Argentina. O ditado mais conhecido da cidade é “Si vino a Mendoza y no tomó vino, a qué vino…” Realmente, vir aqui e não se refestelar de vinho não tem graça.

Chegamos dia 15 de maio de 2018. O aeroporto é pequeno e bem ajeitado. Mas a minha mala somente chegou 24 horas depois. Contei no artigo “Dicas de Viagem”. A do Carlos estava no setor de reclamação de bagagens e tinha vindo de Santiago do Chile e naquele país nem passamos. Enfim, problemas da mudança do sistema da LATAM. Um REMIS, tipo Uber, do aeroporto ao hotel perto da Praça Independência saiu por 190 pesos. As localidades no país hermano, com exceção de Buenos Aires e Bariloche, são bem mais baratas para nós.

Vamos falar na linda cidade. O Carlos já havia estado lá e pelo seu encantamento eu também quis conhecer.

Como chegamos na hora do almoço, descobrimos bem cerca do hotel Carollo Gold, um restaurante cujo garçom Rubem nos tratou muito bem.  Aliás, nós amamos os argentinos e eles nos amam. O restaurante se chama Facundo e está situado em uma casa grande e antiga, muito agradável. Por 200 pesos por pessoa, comemos uma merluza grelhada com acompanhamentos de batatas e legumes ao vapor, uma delícia.  Não pedimos vinho, porque estávamos cansados e a bebida dos deuses tem que ser saboreada com qualidade.

A respeito do hotel, escolhi checando na internet e foi uma excelente escolha. O pagamento foi feito pelo Bancorbrás, já mencionado algumas vezes aqui. Pagamos mensalmente e temos direito a sete diárias anuais em hotéis em qualquer lugar do mundo, às vezes pagamos suplemento ou não temos direito ao café da manhã. No caso, foi ótimo, com café e sem suplemento.

O hotel Carollo Gold, localizado à av. 25 de Mayo, 1184, tem pessoal atencioso e é situado perto da principal praça de Mendoza: a Independência.

Praça Independência em Mendoza
Praça Independência em Mendoza-Argentina à noite-foto tirada por Mônica D. Furtado

Há restaurantes, supermercado Carrefour, padaria, pizzaria etc. Excelente! A dica de compra de vinhos mais em conta na Argentina é rumar a um Carrefour, os preços valem.

Após um merecido descanso, nos guiamos à famosa Peatonal Sarmiento, via Praça Independência. Trata-se de um calçadão especial, bem cuidado, com lojas, cafés, restaurantes e árvores, muitas árvores. Vi trabalhadores ajeitando a calçada à tarde e garis varrendo a peatonal com uma folha de palmeira grande, uma diversão!

Paramos para jantar lá em uma Confeitaria e Restaurante Zeux para um promo, ou seja, por um preço fixo temos direito a um café com leite ou só café ou chá, sanduíches tostados e um suco natural de laranja. Faltou o suco, veio a água mineral com gás. Por aquelas plagas, amam esse tipo de água. Aconselho a Panaderia e Confiteria Dϋn Ken na Peatonal Sarmiento, 250. A torta de maçã ou tarta de manzana é bem alemã.

A cidade é uma gostosura, toda rodeada de árvores. Ajuda a amenizar o calor ou o frio. No momento, pegamos de 6˚ C a 17˚ C. O clima é árido e tem temperatura definida nas estações.

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Estande turístico na Praça Independência-Mendoza-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado

Falarei mais da aconchegante Mendoza. Fomos para passear e tomar vinho Malbec. Dizer que o povo fuma muito é me repetir, mas fazer o quê? Tudo valeu. Continuarei em breve…

 

Dicas de Viagem

Dicas de viagem

Estamos em maio de 2018. Dedico este artigo à querida Josi Short, amiga, professora de inglês aposentada da UECE (Universidade Estadual do Ceará), minha leitora e também com alma de viajante. Logo, a pedidos, lá vou eu.

Antes de viajar para a Argentina, por intuição, fiquei pensando se os assentos haviam sido marcados. Liguei para a CVC e me informaram que um dos trechos da viagem que ocorreria em breve São Paulo-Santiago do Chile na ida tinha sido cancelado naquele dia. Tivemos, portanto, que remarcar de outra forma. Melhorou, pois ficou São Paulo-Mendoza (Argentina) direto, mas um dia antes. Aí refleti que uma vez que a companhia aérea havia sido responsável pelo cancelamento, então teríamos direito à hospedagem em São Paulo (teríamos que passar a noite toda lá). O funcionário da CVC após ser arguido me disse que somente poderíamos requisitar se fosse por atraso do voo. Entendi e viajamos, mas não achei correto e resolvi ir ao guichê da LATAM em Guarulhos. O rapaz foi atencioso conosco e comprovou que tínhamos direito. Parabéns aos funcionários Jaisler e Natália, pois provaram ser exemplares. Em conclusão, ganhamos o transporte para o hotel Mônaco no centro de Guarulhos, o retorno ao aeroporto no dia seguinte, a hospedagem e o jantar, não o café da manhã, porque saímos mais cedo. Em conclusão: lute pelo seu direito se acha que vale a pena. O pior que pode acontecer é receber um “não”.

Minha mala não chegou comigo em Mendoza no voo Fortaleza-São Paulo Guarulhos-Mendoza (Argentina). De novo, que sufoco! Já é a terceira vez que isso acontece. Ocorreu no aeroporto de Madri (Espanha-Iberia), no de Praga (República Tcheca-TAP) e agora no de Mendoza (LATAM). É só receber a mala no fim do percurso, que temo. Bem, seguro de viagens é obrigatório. Falei com o moço da LATAM lá do aeroporto de Mendoza, fui para outro setor a fim de confirmar a reclamação do extravio da bagagem pelo computador com Rodrigo e Roxana, e aí rumei ao hotel.  Do hotel liguei para o seguro e por e-mail mandei as cópias do voucher, do número do contrato e a cópia da declaração recebida lá no aeroporto de perda de mala. No mais: avisar no hotel sobre o acontecido e esperar. Ainda bem que o povo do aeroporto e hotel era calmo e dava força. 24 horas depois chegou a bendita bagagem sem cadeado e intacta. Parecia um milagre. Fico agradecida em comprovar a existência de gente íntegra neste mundo.

Desde Madri, aprendi a ter na mala de mão roupa íntima e algo mais para vestir. Infelizmente, atualmente sou escaldada. Graças a Deus, as malas sempre chegaram. Não precisei utilizar-me do direito ao dinheiro que teria direito caso demorasse mais.

Outra sugestão: olhar na internet o clima na cidade de destino de forma antecipada e checar uns poucos dias antes. Só pra terem ideia, mesmo fazendo isso, às vezes ainda fico sem roupa apropriada. Em São Paulo, certa vez levei roupa de frio em pleno julho e fez calor, e em Puerto Varas no Chile, na Patagônia, esperei frio em janeiro e estava calor. Solução? Comprar roupa.

Falemos no aeroporto de Guarulhos… e olha que considero melhor que muitos outros por aí em termos de sinalização, mas ainda falta. Será que não podem colocar avisos onde é o setor de conexão da LATAM ou AVIANCA no Terminal 2? Só colocam que é Conexão Check-in, mas não dizem a empresa. Então, temos que estar sempre perguntando. Fico imaginando a dificuldade para quem não é nativo da língua. Mais: será que não podem divulgar a localização do restaurante self-service Viena ao final do Terminal 2? Ou onde está o hotel para repouso ou banho dentro do mesmo terminal? Aliás, é perto do setor de Conexão Check-in da LATAM e se chama Fast Sleep Slaviero Hotéis. Aconselho. Já tomei banho duas vezes lá. Renova. Caro o banho, quase R$ 50,00, mas vale cada minuto. O que não é exorbitante em aeroportos, não é mesmo?

Quer trazer vinho nas viagens? Se não trouxer na mão, colocar na mala as garrafas enroladas em meias, dentro de sacos plásticos ou protegidas por roupas. Trouxemos vinhos, azeite de oliva e até azeitonas. Felizmente, deu tudo certo na volta.

Parabéns ao aeroporto de Fortaleza Pinto Martins por ter uma televisão que mostra em tempo real os funcionários pegarem as malas e colocarem nas esteiras. Foi por causa de uma delas que reconheci minha mala e a do meu companheiro de vida Carlos sendo separadas para fora da esteira. Corri e requisitei do rapaz. Quem veio foi o responsável da LATAM de dentro do saguão falar com a gente. Ele achava que não havíamos passado pela alfândega em Guarulhos. Explicamos que sim e ele liberou a bagagem. Ufa! Que alívio! Afinal, eram 2.30 da madrugada. Tudo resolvido. Infelizmente, os funcionários não têm comunicação entre si. A de Mendoza colocou logo todos os identificadores de bagagem (os da LATAM) na mala do trajeto completo e o daqui não entendeu.

Carregar lenços de papel é fundamental. E remédios fora da mala. Olhar menos o celular e fazer mais contato humano. Quem viaja geralmente gosta de conhecer gente e bater papo em qualquer língua se necessário usar mímica. Até os mais tímidos se abrem após um instante de sorriso e “olá”.

Quanto a hábitos e comida, “em Roma como os romanos”, ou seja, nada de pensar em “baião de dois” (CE) ou “arroz carreteiro” (RS) se no lugar se come mais batata do que arroz como na Argentina ou Inglaterra. Captou a mensagem? Há de se aproveitar o melhor da culinária local.

Em suma, ter alma preparada para eventuais problemas e não perder o bom humor. Estar aberto para conversar, pedir ajuda e fazer amizades. Eu sempre volto de uma viagem mais rica de cultura e conhecimentos.