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Memórias de uma viagem europeia: Portugal – Porto

Memórias de uma viagem europeia: Portugal – Porto

Porto
Porto com a Torre dos Clérigos ao fundo-foto tirada por Mônica D. Furtado

Estamos em 2004. Oh, Portugal! Oh, meus amigos do Porto! Saudades!

Em três horas chegamos ao Porto de trem, vindos de Lisboa (Estação Santa Apolônia), primeiro descemos na Estação Porto Campanhã e, com o mesmo bilhete, pegamos o “comboio” para a Estação São Bento. Aliás, esta é uma visita obrigatória aos turistas devido aos belíssimos mosaicos nas paredes.

A dica de hotel é o Peninsular, logo ali pertinho da estação. Endereço: Rua Sá da Bandeira, 21 (fone: +351-22-200-3012). Eu só me hospedo lá. Preço razoável, pessoal simpático e excelente localização, com café da manhã.

 

Os passeios tradicionais como a ponte Dom Luís entre Gaia e Porto; a Ribeira, o rio Douro, a Catedral, a Igreja de São Francisco, o Café Majestic (um dos dez mais do mundo), o Shopping Via Catarina (o andar superior tem de decoração casinhas encantadoras), a Rua de Santa Catarina, a Livraria Lello (uma das mais bonitas do mundo) etc. Do hotel se vai a pé a esses lugares.

 

Outros locais imperdíveis na região central: a subida de mais de 225 degraus da Torre dos Clérigos (a torre mais alta de Portugal) a fim de ver o Porto com outros olhos; o Palácio de Cristal, com seus jardins e chafarizes e deslumbrante cenário do rio Douro; cerca de ali fica o lindo Museu Romântico e o Solar do Vinho do Porto (Rua de Entre Quintas, 220). Além de bebermos o sagrado “vinho do Porto”, ainda desfrutamos de um ambiente acolhedor e elegante com direito a um indescritível visual do famoso rio Douro, desde as caves em Vila Nova de Gaia até a sua foz no Atlântico. Encerrou suas atividades em janeiro de 2012 por razões financeiras e hoje funciona um restaurante com pratos clássicos da cozinha portuguesa com uma pitada de modernidade. O nome? Antiqvvem, do chef Vitor Matos e do sommelier António Lopes. Um pouco mais de informação sobre o Museu Romântico. O nome completo é Museu Romântico da Quinta da Macieirinha e é um dos núcleos museológicos do Museu da Cidade do Porto.

 

Falando em caves… existem várias do lado do rio Douro em Vila Nova de Gaia. A Ribeira com suas casas e prédios baixos originais fica do outro lado. O calçadão em frente às caves foi renovado e dá gosto curtir um momento sossegado em um dos bancos, deliciando-se com a beleza da paisagem única, após ter tomado uns vinhos nas caves abertas ao público e de graça. Como resistir? Dessa vez conheci a Cave Vasconcellos, já havia ido duas vezes à Cálem. Detalhe: é uma boa caminhada do hotel, porém depois de tantas guloseimas portuguesas, almoços e jantares fartos com vinho, o corpo grita: “Quero gastar calorias!”.

Outro “sítio” encantador é o bairro da Foz. Tem casas magníficas e um calçadão, dessa vez à beira-mar. Com bares, esculturas e bancos para sentar. É o lugar preferido dos “tripeiros” para passeios aos domingos, é uma festa alegre com tanta gente se divertindo. Detalhe: quem nasce no Porto é tripeiro e quem nasce em Lisboa é alfacinha.

Como não mencionar as maravilhosas “tascas” onde se come em quantidade e barato? Os menus são ótima ideia, porque vem pão como entrada, depois o prato principal e a sobremesa, com uma bebida que pode ser vinho.

No caminho do Palácio de Cristal, descobrimos o restaurante “O Boteko” com cardápio bem em conta e com show de fado das 18 h às 22 h aos sábados (Rua Dom Manuel II, 172-Massarelos). Outra opção: Adega Vila Meã. Endereço: Rua dos Caldeireiros, 62. Eis um restaurante típico da culinária portuguesa. Aconselho o bacalhau acebolado. Desde 1976 é gerido por Armando Sousa Santos.

 

Aqui fica a minha saudação aos queridos amigos do Porto. E aos que vêm me ver em terra tão mágica… Amo esta cidade, a considero charmosa e romântica.

Rio Douro com barcos típicos
Rio Douro com seus barcos típicos: rabelos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Próximo encontro em Guimarães…

 

 

Memórias de uma viagem europeia: Portugal – Sintra

Memórias de uma viagem europeia: Portugal – Sintra

Romântica Sintra
Romântica Sintra-Portugal-foto tirada por Mônica D. Furtado

Estamos em 2004. Oh, Portugal! Oh, Lisboa, Sintra, Porto e Guimarães. O meu alô aqui do Brasil.

Sintra:

Eis a cidade mais romântica de Portugal. Está na minha lista das mais, mais da Europa juntamente com Bruges, Bélgica. A sua arquitetura oferece prédios em estilo mourisco, detalhados e rebuscados. São espetaculares! Perto da Prefeitura (uma foto, por favor!) há o Restaurante Regional de Sintra. Tanto o bacalhau regional, como o grelhado levam os sentidos ao paraíso. Lembrando que os pratos são generosos.

No Palácio Nacional de Sintra, a visita às diversas Salas, sua tapeçaria flamenga do séc. XVI, seus azulejos originais, suas pinturas no teto, as mais belas escrivaninhas vistas por mim tornam o lugar especial. Interessante dizer que na cozinha do séc. XV há o exemplar único de duas chaminés gêmeas.

Na Vila de Turismo, pega-se um ônibus ao impactante Palácio da Pena (ida e volta). A subida é um banquete visual por causa das “quintas” (pequenos sítios) e casas em forma de castelos. Não tivemos tempo de ir ao Castelo dos Mouros, bem perto do Palácio da Pena.

Falando no dito palácio, foi construído no séc. XIX para Fernando Saxe-Coburgo-Gotha, marido da jovem rainha Maria II (filha de Dom Pedro I). Ergue-se sobre as ruínas do mosteiro hieronimita, fundado no séc. XV, no lugar da Capela de Nossa Senhora da Penha.

Entrando no belíssimo Palácio da Pena, sentimo-nos transportados a outro tempo, a um mundo árabe das “Mil e uma Noites”. O local é escolhido por Deus, tamanha a sua originalidade e beleza. Não há palavras para descrever suas Salas, por exemplo: a Sala de Saxe, decorada com porcelanas de Saxe (era a sala de leitura da última rainha de Portugal: Dona Amélia, ou melhor, Maria Amélia Luísa Helena de Orléans e Bragança, nascida no Reino Unido em 1865 e falecida  na França em 1951) e a Sala Árabe, com bronzes franceses e porcelana Meissen. Fenomenal! Os palácios Alhambra e Generalife em Granada, Espanha, com toda a sua força mourisca são visita obrigatória, acrescente a eles o Palácio da Pena que dá um orgulho danado de existir em solo português.

Uma das torres do Palácio da Pena
Uma das torres do Palácio da Pena-Sintra-Portugal-foto tirada por Mônica D. Furtado

Nosso próximo encontro será no Porto…

 

Memórias de uma viagem europeia: Portugal – Lisboa

Memórias de uma viagem europeia: Portugal –Lisboa

Centro de Lisboa
Centro de Lisboa-foto tirada por Mônica D. Furtado

Estamos em 2004. A primeira parte será sobre fatos da época.

Primeira parte:

Oh, Portugal! Oh, Lisboa, Sintra, Porto e Guimarães. O meu alô aqui do Brasil.

Dá gosto observar como o país trata bem as suas cidades e o seu povo. O turista agradece haver tantos mapas e folders em qualquer lugar turístico. Há uma boa organização dos transportes coletivos, logo é fácil se locomover. Quanto aos patrícios, estão sempre prontos para bater aquele papo camarada. Os viajantes querem limpeza, segurança, prédios sem pichações, serem bem tratados e verem lugares “únicos”. Portugal tem isso a oferecer e muito mais.

Lisboa:

Vamos iniciar o nosso percurso na capital lusa: o imperdível Castelo de São Jorge, o Elevador da Santa Justa e seu mirante, a Igreja de Santa Luzia e seu “mirador”, como eles dizem. Tudo perto do centro. Por isso, dou a dica de um hotel muito bem localizado, com café da manhã simples para os padrões brasileiros, mas com preço razoável à época: Hotel Duas Nações, na esquina da Rua Augusta com Rua da Vitória, cerca do bairro Rossio. Endereço: Rua da Vitória, 41.

Em relação a transporte, toma-se táxi ou ônibus do aeroporto (à época era o número 45). Os meios de transportes são interligados, ou seja, paga-se por um e tem-se direito aos outros por um dia.

Apesar de o euro estar proibitivo para o nosso bolso, Portugal continua a ser nossa melhor opção. Nas cidades principais, percebi que as tascas, ou seja, os restaurantes pequenos e familiares são sempre em conta. Quanto mais escondido, melhor. Se topar um sanduíche, a Cia. das Sandes em frente ao hotel oferece opções variadas, também de sopas. Endereço: Rua da Vitória, 54. Se estiver com muita fome, o restaurante, perto do hotel Duas Nações, Marisqueira/Cervejaria Concha D´Ouro é a solução. O arroz de mariscos para uma pessoa dá para duas. Endereço: Rua Augusta, 238. Como se come bem na terra-mãe…

Lisboa vista do alto
Lisboa vista do alto-foto tirada por Mônica D. Furtado

Desta vez, fizemos um passeio por Lisboa pela companhia de ônibus CityLine- sightline (www. cityline-sightline.pt) por um preço bom à época (14 euros). Vale a pena! São quatorze paradas e o terminal se situa à Praça Marquês de Pombal. Pegamos o mesmo no Rossio, passamos pela Praça do Comércio, Docas de Alcântara, Museu dos Coches (maravilhoso!), Torre de Belém, Padrão dos Descobrimentos, dentre outros. O esquema é descer e subir em qualquer parada. Passamos pela loja de departamentos espanhola El Corte Inglés. Um sonho de consumo! Para quem quer ir lá de metrô, saiba que se localiza junto à estação São Sebastião (linhas azul e vermelha) e que é nos arredores do Parque Eduardo VII.

Cenário visto do Castelo de São Jorge
Cenário visto do Castelo de São Jorge-foto tirada por Mônica D. Furtado

Os cafés são parte íntima da Europa, não é mesmo? Uma visita ao Café Nicola no Rossio, por favor! Local histórico com mais de 200 anos, já foi ponto de encontro de intelectuais e palco de tertúlias literárias, logo é símbolo da cidade. Endereço: Praça Dom Pedro IV, 24-25. Eis uma visita obrigatória.

Nosso próximo encontro será em Sintra…

 

 

 

Longe de casa…

Longe de casa

                                                                                                         Ana Carolina Tavares

Grupo de estudos da Carol
Colegas da Carol no curso na Universidad de Salamanca – Espanha

Quando nos mudamos para outro país, o luto migratório, afeta diretamente nossa identidade. Deixa-se no país de origem, um idioma, uma família, amigos, uma cultura, uma maneira de viver. No início, ao mesmo tempo em que somos atraídos pelo novo, e pela mudança de ares, nos sentimos inadequados. As diferenças muitas vezes assustam, e nos afastam dos outros, principalmente, se tivermos uma visão etnocêntrica, onde acreditamos que a nossa maneira de viver a vida é o centro do mundo, e quando não percebemos que a nossa cultura, é apenas uma forma de ser e estar no mundo, dentre as muitas outras formas que existem. Talvez porque sentimos a diferença como uma ameaça ao nosso modo de viver. Questionamos, “como pode, essas pessoas viverem dessa forma, tão diferente da minha?” e como consequência, nos sentimos irritados, e também afrontados. Em seguida completamos, para nos reafirmarmos “meu modo de viver é que está certo, a minha cultura é que está certa”.

Pois é, mas para a felicidade geral de todas as nações, não existe cultura certa ou errada. Não existe melhor nem pior. Não se pode comparar. São apenas modos de viver diferentes. Com o tempo, depois de passar pelo processo do luto migratório, nos tornamos alguém que construiu uma identidade diferente, mais ampla e rica, pois agregamos saberes sobre aqueles que já possuíamos anteriormente. Ao invés de um idioma, falaremos dois. Ao invés de conhecer um modo de viver, conheceremos mais um. É soma. Não se trata de subtração, de esquecer as nossas raízes. E no final das contas, percebemos que apesar de viver em culturas diferentes somos todos seres humanos, merecedores de gentileza e compaixão. E que o sorriso é nossa língua universal. ☺

Por Carolina Tavares

Psicóloga clínica 

Contato: 85 987897633

Minha amiga Carol Tavares ama escrever e já colaborou com meu blog com o artigo “Viajar é Viver”.  Esse artigo “Longe de casa” tem como assunto o ano de 2013 em que ela passou em Salamanca – Espanha, estudando, fazendo um master em terapia de casal e família pela Universidad de Salamanca. O texto foi publicado na íntegra no  Jornal O Povo online.

Albergues da Juventude

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Livro dos albergues da juventude 1992-1993

Albergues da Juventude

Este artigo é antigo, mas como gosto muito dele, resolvi repaginá-lo e divulgá-lo mais uma vez. Foi publicado no Caderno de Turismo do Jornal O Povo nos idos dos anos 80. Tal caderno, cuja editora era a jornalista Lúcia Helena Galvão, não existe mais como era.

Comecemos o artigo… Aconselho albergues da juventude. São lugares interessantíssimos, onde conhecemos pessoas do mundo todo, vemos gente exótica e escutamos idiomas para lá de diferentes do nosso. É bom para quem aprecia o inusitado, sente-se jovem: de alma e de coração, “topa” pagar pouco e se divertir muito em troca do conforto.

Para viajar ficando em albergues, pelo menos no exterior, era necessário ter a carteira de alberguista internacional e se comunicar com antecedência com os locais escolhidos, requerendo hospedagem (hoje com a internet tudo é mais fácil). Como são opções baratas, são sempre muito procurados. Antigamente, havia livros para vender com os endereços dos albergues no mundo inteiro. Aqui em Fortaleza há vários. Mencionarei o da praia de Iracema, localizado à Av. Almirante Barroso, 998, fone: 32193267.

Vamos ao que importa, ou seja, às experiências. Em alguns albergues fora do Brasil, havia obrigações. Por exemplo, para manter o valor baixo, os hóspedes tinham que fazer algum tipo de trabalho doméstico. Imaginem a minha “cara” varrendo a entrada do albergue de Boston-EUA ou passando aspirador no quarto gigante do de Washington D.C.-EUA (detalhe: havia pelo menos doze beliches no quarto). Em 1988, eu era muito preguiçosa (ainda bem que deixei de ser, defeito do signo de Libra jovem, com certeza!), confesso, só queria “sombra e água fresca” nas viagens, mas mesmo assim foi muito divertido. À época eu era professora de inglês do município de Fortaleza e o dinheiro era contado. Fiz milagre viajando aos EUA e Canadá aos 23 anos com uma companheira recém – conhecida chamada Irene. Uma aventura e tanto! Tenho que dizer ter economizado durante três anos no antigo banco BEC (Banco do Estado do Ceará, já não existe mais), pois queria ir por conta própria e fui bem sucedida.

Falando nessa viagem, conseguimos visitar nove cidades dos Estados Unidos e Canadá e gastar pouco, somente nos hospedando em albergues ou youth hostels. Em Quebec- Canadá, a Irene e eu tivemos muita sorte, pois era julho, mês de verão e de férias, e estava havendo shows e concertos de graça em lugares públicos, e conseguimos um quarto para nós duas (o último disponível), mesmo sem ter reservado antes. Loucura! Em Ottawa – Canadá, o albergue era a antiga cadeia pública, logo, não havia portas, mas grades. Bastante original! Em Nova York – EUA, tivemos que dividir o banheiro com o casal do quarto ao lado, ou seja, era bem embaraçoso pedir aos “vizinhos simpáticos ao contrário” abrir a porta que, por sinal, estava sempre fechada para o nosso lado.

Na maioria deles, havia horário para sair e retornar durante o dia a fim de evitar roubos e outros problemas. Para esclarecer, saíamos às 11 h e só voltávamos às 17 h. À noite não era permitido chegar muito tarde para não perturbar o sono dos companheiros de quarto. Pelo preço em conta, tudo valia a pena. Em alguns, os lençóis, toalhas e cobertores eram alugados e em todos o café da manhã não era servido, porque não havia serviço de copa e restaurante. No de Miami Beach – EUA havia um restaurante/bar ao lado do albergue e quando estávamos lá em outra viagem (minha mãe, a amiga Sandra Ximenes e eu), vimos empresários de Hollywood escolhendo tal lugar para cenas de um filme do ator americano Sylvester Stallone.

Os quartos eram de tamanhos diversos e para números de pessoas também variados. Em Miami Beach e Quebec, por exemplo, se conseguia quartos para duas pessoas, em São Francisco – EUA para quatro.

Outro detalhe importante é a excelente localização deles. Para vocês terem uma ideia, em Gramado – RS, o albergue fica perto do Lago Negro, localizado à Rua Vinte e Cinco de Julho, 83 – Planalto, lugar privilegiado de tão belo. Coitadinhos… me pego a imaginar poder estar ao redor de uma natureza bucólica e relaxante dessas…

Em geral, as pessoas pensam que albergues são específicos para jovens, não necessariamente. Famílias são bem aceitas e gente de qualquer idade, mas com o tal “espírito esportivo” irão se deslumbrar perante tanta variedade de seres humanos. Na mesma viagem mencionada, testemunhei a Irene certa vez morrendo de rir com uma inglesa. Aí me espantei, pois a minha cara companheira de jornada não sabia falar a língua do Príncipe Charles. Perguntei sobre o quê conversavam e a resposta foi: “Não tenho a mínima ideia”. Pode? Coisas e papos de alberguistas, curtidores da vida. Enfim, viajar é bom demais.

Caribe: Barbados e Santa Lucia

No paraíso reencontrado do Caribe: Barbados e Santa Lucia

Minha mãe Sirley Dourado Furtado e minha prima Flávia Diógenes estiveram comigo no navio transatlântico Seawind Crown – Vasco da Gama um uma jornada tropical em 1995. Estivemos em Aruba, Curaçao e Grenada, e neste artigo mostrarei para vocês as ilhas de Barbados e Santa Lucia.

Barbados – Capital: Bridgetown; língua: inglês.

Outro país da Comunidade Britânica, Barbados é um porto livre com seu comércio de rum, licores, cristais, perfumes e outros produtos. Sendo a mais inglesa das ilhas caribenhas visitadas por mim, pela sua arquitetura, educação do povo e jeito londrino, tem símbolos nacionais da Velha Albion (nome celta ou pré-céltico da Grã-Bretanha) nas ruas da capital: estátua do Almirante Nelson, perfumaria Louis Bailey e a loja preferida pela Família Real britânica: a Harrods. Que lojas repletas de aromas deliciosos lembrando-nos de lugares elegantes!

Na ilha, há passeios inesquecíveis, por exemplo: à Gruta de Harrison. Em Barbados, plantações de bananas e cocos são turísticas. Os americanos as visitam e acham tudo exótico.

Santa Lucia – Capital: Castries; língua: inglês (oficial), francês e patois (dialeto local).

Outro país da Commonwealth of Nations ou Comunidade das Nações, Santa Lucia é a mais bela das ilhas, embora menos conhecida. É a terra natal de Derek Walcott, autor de Omeros e prêmio Nobel de Literatura em 1992, foi também cenário simulando os Mares do Sul no filme A Lagoa Azul em propriedade particular. Por aí, pode-se ter ideia da sua beleza.

As praias mais lindas e próprias para mergulho são as do norte: Marigot Bay, Santa Lucia, Halcyon e outras. São locais bucólicos, com muitos coqueiros, morros verdejantes, flamboyants, veleiros, calma, paz, águas cristalinas e céu azul. Enfim, o paraíso. Há dois morros, que fazem parte de uma baía, conhecidos como “Os Pitons”, localizados em Anse Chastanet, Soufriere. Local belíssimo. No terminal do porto, existe a Pointe Seraphine, um shopping plano com lojas floridas e perfumadas. Nunca vi tantas joias delicadas como na Colombian Emeralds.

Pois é, o Caribe é uma eterna festa, com suas cores vibrantes, música sensualmente alegre e povo hospitaleiro, dizendo sempre: no problem.

Mais fotos:

Eu e mãe no navio chegando a Curaçao
Eu e mãe chegando a Curaçao-foto tirada por Flávia Diógenes

Fotos no navio Seawind Crown:

Caribe: Aruba, Curaçao e Grenada

No paraíso reencontrado do Caribe: Aruba, Curaçao e Grenada

Postal do Caribe
Postal do Caribe com foto de Ron Montanino. Companhia: Astral Graphics de Miami-Florida EUA

Este artigo mesmo antigo mostra lugares imperdíveis, então resolvi repaginar um pouco e publicar novamente. Já havia saído no Jornal O Povo em 1995, no Caderno de Turismo.

Vamos iniciar. Depois de viajar pelo mar do Caribe, senti vontade de contar para as pessoas sobre as marav(ilhas) de Aruba, Curaçao, Grenada, Barbados e Santa Lucia como escalas de um cruzeiro do navio transatlântico Seawind Crown – Vasco da Gama. O Caribe, também conhecido como mar das Caraíbas ou das Antilhas, pelo clima, luminosidade, vegetação, frutas tropicais e praias de águas mornas, apresenta semelhança de paisagem como o nordeste brasileiro. O ambiente de hospitalidade e descontração parece ter como lema: no problem. É lugar ideal para mergulho. Embarquei no Seawind Crown com minha mãe Sirley Dourado Furtado e minha prima Flávia Diógenes em Aruba e de lá fomos nos surpreender com as belezas das ilhas caribenhas.

O navio é uma festa diária com funcionários simpáticos e prontos ao atendimento. São dois ou mais jantares formais, sendo a “noite do comandante” a mais elegante. Em uma semana engordei dois quilos de tantas refeições a bordo. Também há vários ambientes, diferentes espaços de restaurantes, cassino, sala de ginástica, capela etc., além de variados eventos: uma corrida de cavalos super engraçada no restaurante, exposição de esculturas de frutas e legumes , feitos por artistas da cozinha, e de estátuas de gelo.  A semana é movimentadíssima e ainda há a discoteca tarde da noite com direito a canapés. Fizemos amizades, conversamos muito e tivemos contato com pessoas interessantes. Foi uma experiência gloriosa.

Aruba – Capital: Orangestad; língua: papiamento (síntese de espanhol, holandês, francês e inglês).

Juntamente com Curaçao e Bonaire, Aruba é ainda o que resta do império colonial holandês, do qual fizeram parte o nordeste brasileiro (especialmente Recife) e Nova Amsterdã (futura Nova York), além de Suriname e Indonésia.  Ilha cuja refinaria Shell já foi a maior do mundo, Aruba é das mais conhecidas e formosas, com seus prédios coloridos, parques bem cuidados e pontos turísticos como a Rocha sobre o Mar (lembra a Pedra Furada da praia de Jericoacoara no Ceará).

A ilha é seca, sem rios e plantações. A água potável é dessalinizada e por isso, o contribuinte paga uma quantia mensal. Por viver inteiramente do turismo internacional, as línguas mais faladas são o inglês e o espanhol.

Curaçao – Capital: Willenstad; língua: papiamento.

Paraíso dos eletrônicos, com seus preços bastante convidativos, Curaçao parece a Holanda com sua arquitetura e maneira de ser. O turista se comunica em inglês ou espanhol, no problem.

As lojas fecham para a sesta das 12 às 14 h e são o delírio dos ávidos compradores. Naquela época adquiri uma máquina fotográfica (ainda analógica) que fiquei por anos.

Grenada – Capital: Saint George´s; língua: inglês.

Ilha das especiarias, como é conhecida, Grenada ou Granada é um país independente dentro da Comunidade Britânica de Nações, é a Bahia caribenha com seu ritmo, ladeiras e ruas estreitas. São altos e baixos na ilha.

Sua praia mais famosa se chama Grand Anse e tem muitos motivos para ser tão bela: repleta de cores com seus flamboyants à beira-mar, cercada por morros verdejantes e mar de águas límpidas. Ao desembarcarmos no porto, deparamo-nos como o mercado das especiarias, ou seja, barraquinhas com cestas pequenas, médias e grandes contendo canela, cravo, folhas diversas, urucum etc. Trata-se da ilha mais aromática.

Continuarei com as ilhas de Barbados e Santa Lucia em breve…

Praia do Uruaú-Beberibe-Ceará

Praia do Uruaú – Beberibe – Ceará

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Praia do Uruaú com suas jangadas-Beberibe-Ceará

Resolvemos fazer uma aventura: pegar o carro e sair livremente, parando onde quisesse. Decidimos pelo litoral leste, pela Costa do Sol Nascente. Então, o caminho é sair de Fortaleza seguindo pela Praia do Futuro, Sabiaguaba, Porto das Dunas, Aquiraz e rumando até Beberibe. A praia escolhida foi Uruaú, distrito de Beberibe. Fica a 5 km de Sucatinga.

 

Estivemos lá só de passagem anos atrás, mas lembrávamos de uma pousada à beira-mar. Chegamos e vimos que estava mais ajeitada com restaurante ao lado. “O Almirante” mudou de dono há uns poucos meses. Agora pertence ao casal Ellen e professor Augusto, que vieram aposentados de Brasília para viver no paraíso. Ficamos lá. Obs: aproximadamente em julho de 2018 “O Almirante” se tornou “do Édio”, voltou para o dono original.

 

Falemos na praia. O vilarejo, de pescadores, é uma linda beira de praia com vida pacata, mercearias, lojas, sorveterias, açaí, pastelarias, a pizzaria Dom Juam (com “m” mesmo) com forno à lenha, enfim uma delícia para um final de semana diferente. Quem mora lá conta com a típica tranquilidade do litoral cearense. Os vizinhos se conhecem e sentam na calçada para um bom papo. Fico encantada com isso.

Nosso almoço no restaurante da pousada foi cavala (peixe) grelhada com arroz e legumes (inclusive abóbora!). Gostamos tanto que repetimos no domingo.

Esta nossa beira-mar cearense é repleta de possibilidades a descobrir, com praias deslumbrantes que oferecem um final de semana restaurador e agradável.

 

O passeio do sábado à tardinha foi a pé pelo vilarejo. Caminha-se sem preocupação. Que saudades disso. Somente quando viajo tenho a falta dessa neurose que nos acompanha em Fortaleza sempre. Conhecemos outros hotéis bem estilosos, por exemplo: Villagio (Hotel Villagio Tudo Bom) e a Zebra Beach (Hotel Boutique Zebra Beach e Spa).  Lindos! Aconselho! Ao lado desse segundo hotel mencionado, há o restaurante transado Espaço Zebra Gourmet. Boa opção para a noite com sanduíches, tapiocas, cafés etc.

 

Interessante dizer que o Uruaú é o lugar escolhido pelos italianos para montar suas pousadas/hotéis e a praia de Icaraizinho de Amontada é a dos franceses.

 

Que praia mais surpreendente o Uruaú. Nunca imaginei ser tão convidativa. Outro passeio foi chegarmos à lagoa do Maceió a pé. Têm redinhas na beira da lagoa e é boa para banho. Maravilha tomar água de coco vendo paisagem tão bucólica de duna verdejante atrás da lagoa. Detalhe: a lagoa do Uruaú está seca, então nem fomos lá, teríamos que ir de carro.

 

A brisa em pleno janeiro, mês tão quente, é reconfortante. Diria que o vento é constante. O banho de mar é gostoso, a água é morna (como sempre) e a praia é limpa. Vida boa, não?

 

Vamos ao lado “b”: não gostei de ver carros circulando pela praia em pleno domingo. E também estava bastante barulhento, por conta de um campeonato de surfe. Infelizmente, existem os motoristas com os sons em carros que pensam que têm o direito de ocupar os nossos ouvidos com músicas (cujas letras são nada edificantes para as mulheres) até de madrugada. Mas fazer o quê? Eu quero escutar o som do mar, som inspirador e calmante, e ter paz.

Valeu ter conhecido um pouco mais da nossa costa do Ceará. Quero desbravar mais praias charmosas e depois contar para vocês. Aqui embaixo vão mais fotos.

 

Portugal 2006: Lisboa e seus arredores

Portugal 2006: Lisboa e seus arredores

Estamos em março de 2006 e esta jornada fiz com minha mãe Sirley Dourado Furtado a fim de rever nossa pátria-mãe amada. Portugal é sempre uma revelação. Cada vez que vou, conheço um pouquinho mais. Desta vez, em Lisboa fiquei no Hotel Botânico, localizado à Rua Mãe d´Água, 16-20, fones: 351-21-3420392, perto da Praça da Alegria entre a Avenida da Liberdade e o Jardim Botânico. Tem café da manhã tipo buffet e é perto de cafés, restaurantes familiares (tascas) e do movimento excitante da Avenida da Liberdade. Recomendo.

Como já conhecia muito da cidade, decidi ir ao Oceanário no Parque das Nações e checar o porquê de ser sempre tão admirado. Realmente, não tenho palavras para descrever tamanha variedade de peixes e riqueza de oceanos. Algo interessante sobre os pinguins: formam um casal pra vida toda, porém se no período do acasalamento não der certo, se separam e formam outros pares. E mais: o polvo gigante do Pacífico é o maior de todos, com 9 m. entre braços e 250 k. de peso. O Oceanário de Lisboa pede nossa ajuda para proteger os oceanos: Atlântico, Pacífico, Índico, Antártico e Ártico: um Só Oceano. É uma aula ao vivo!

Oceanário-pinguins
Habitat dos pinguins no Oceanário de Lisboa-foto tirada por Mônica D. Furtado

Também gosto de visitar shopping centers: O Colombo é enorme! E com tantos saldos em março é uma tentação total.

Uma dica para um dia inesquecível: Tomar. São 2 horas de Lisboa de trem ( ou comboio, como eles dizem). Lá se tem uma experiência “templária”, afinal a cidade foi fundada pelos templários em 1160. Vale a pena conhecer a Igreja de Santa Maria dos Olivais ou também Santa Maria do Olival, localizada à margem esquerda do rio Nabão. Foi erguida no séc XII e se tornou sede da Ordem dos Templários no país, tendo servido como panteão dos mestres da Ordem. Da mesma forma, a Igreja de São João Batista, localizada na Praça da República, foi concluída em 1510. Tem como destaque seus portais: principal e sul, góticos; norte, manuelino; e a torre, sineira. Isso por fora, por dentro, também é magistral. E a questão: quem foram os Templários, afinal de contas? A Ordem dos Templários era uma ordem religiosa medieval (séculos 12/14), cuja sede portuguesa foi instalada em Tomar, em 1160, 34 anos após sua chegada ao país. Muito há a ser dito, infelizmente, o espaço é pouco. Continuando, o mais espetacular da cidade é ir a pé (aproveitei para perder umas calorias com tantas guloseimas portuguesas…) até o Castelo Templário ou Convento de Cristo, sede da Ordem do Templo até 1314, e da Ordem de Cristo, a partir de 1357. Vale comprar figo passa no quiosque em frente, algo típico da região e delicioso! Não poderia deixar de mencionar a Padroeira de Tomar: Santa Iria. A sua lenda faz parte do imaginário tomarense, dizem que teria vivido em meados do séc. 8.

Outra ideia para um dia todo: pegamos o ônibus “Cityrama” (Cityrama Gray Line Portugal) e por 81 euros à época, tivemos direito a almoço e passeio pelo que mais importa em cinco cidades: Óbidos, Alcobaça, Nazaré, Batalha e Fátima. Pagamos no próprio hotel e o encontramos em frente ao hotel Sofitel na Avenida da Liberdade.

Em Óbidos, vale a pena conhecer a cidade a pé, comprar o licor “ginginha” e ver o artesanato. E conhecer a Igreja de Santa Maria, fundada entre 1148 e 1185, sendo a principal igreja da vila.

Em Alcobaça, conhecer o Mosteiro gótico do séc. 12, dos monges cistercienses e se emocionar com os túmulos de Pedro I e Inês de Castro, relembrando sua bela, contudo sofrida história de amor. Trata-se da igreja mais longa do país: 106 m. Dom Pedro quis que seu túmulo ficasse oposto ao de sua amada Inês, assim quando chegasse ao paraíso, ela seria a primeira pessoa que ele veria. Lembrando que ele foi antepassado do nosso Dom Pedro I.

O almoço foi em Nazaré no restaurante São Miguel. Linda cidade à beira-mar.

Em Batalha, visitamos a igreja mais alta de Portugal, seu pórtico tem 32 m., com seus vitrais do séc. 16 e trabalho de filigrana em pedra. Maravilhoso! O mosteiro dominicano foi construído pela vitória na Batalha de Aljubarrota por Nuno Álvares Pereira contra os castelhanos. Dom João I está enterrado lá, assim como sua esposa, d. Filipa de Lancaster (inglesa).

Em Fátima, fomos logicamente ao Santuário de Fátima. O início da construção da basílica data de 1930 e os corpos de Francisco, Jacinta e Lúcia estão enterrados lá no transeto (segundo o dicionário Priberam, transeto significa faixa de terreno usada para monitorar um fenômeno em estudo). Só lembrando que Lúcia tinha 10 anos, Jacinta 7 e Francisco 9, quando viram a Virgem: Lúcia, escutava, via e falava; Jacinta, escutava e via; e Francisco, apenas via. Os dois últimos morreram muito jovens de gripe espanhola.

Pois, pois, Portugal encanta SEMPRE!

 

Portugal 2006: o Porto e arredores

Portugal: o Porto e seus arredores

Esta viagem ocorreu em março de 2006 e eu estava acompanhada da minha mãe Sirley Dourado Furtado. Foi uma jornada sentimental, de encontros com amigos portugueses queridos. Meus agradecimentos sinceros às amigas da região de Bragança: Luísa, Isabel, dona Gracinda e Inês Fernandes e família, além da Salete, Teresa, Alice e amigas. No Porto, os amigos Rui Vaz Pinto, Xana, Margarida e famílias. Saudades da amiga Luísa Vaz Pinto, que nunca esquecerei. Também meu muito obrigada ao amigo belga Jeroen Dewulf, que nos recebeu em Aguda com todo o afeto. Em Esposende, os amigos João Manuel e Maria João nos ofereceram um jantar e tanto. Obrigada.

Para chegar ao Porto, pegamos o comboio (trem) na Estação Santa Apolônia em Lisboa e seguimos até Espinho (antes do Porto). Lá descemos, porque a nossa hospedagem era em Aguda, bem pertinho de lá. Aliás, Portugal é muito bem servido de trens. Por ali, vale um passeio pelas praias de Aguda e Granja, gozando da sua tranquilidade e se deleitando com o Oceano Atlântico e belas casas.

No Porto, o passeio obrigatório é pedir a bênção do rio Douro, do bairro da Ribeira e das caves de vinho do Porto do outro lado do rio, em Vila Nova de Gaia. Para almoçar? Sugiro o restaurante Avó Maria, no Cais da Ribeira, em frente ao rio Douro. O salmão grelhado, regado ao especial vinho português, é uma delícia.  O bom da Europa é saber que anos passarão e tudo continuará lá da mesma forma. Após o almoço, fomos à cave Ferreira. Vale dizer que aquela região do norte do país é o único lugar do mundo propício ao cultivo da uva do vinho do Porto. Pode ser branco, ruby ou tawny e pelo seu gosto frutificado, natural e rico torna-se um prazer indescritível.

Em Espinho, cidade à beira-mar, mais desenvolvida que Aguda e Granja à época, tem um programa imperdível às segundas pela manhã a fim de conhecer um pouco mais da cultura portuguesa: a feira de Espinho, uma das maiores do país. Lá se encontra de tudo: roupas, pães, peixes, tapetes, bolsas, artesanato, enfim… isso e algo mais por preços camaradas. No fim da feira, existe o espaço dos ciganos vendendo roupas, meias etc e tal por valores mais baratos ainda. Uma loucura!

Lá cerca de Aguda está situada a cidade de Arcozelo. Digno de nota mencionar é a surpresa marcante encontrada em uma capela. Eis a capela e o museu de Santa Adelaide, considerada a santinha de Arcozelo, não canonizada e com devotos no país e exterior. É da mesma forma conhecida por ser santa casamenteira e fazedora de milagres. O mais fantástico é ter visto na capela o seu caixão com o corpo intacto, mesmo tendo morrido há mais de 100 anos. Sua história é linda: com mais de 30 anos de morta e enterrada, quando os coveiros abriram o caixão para exumá-la, encontraram-na como havia sido enterrada, exalando a rosas. Ficaram estarrecidos e colocaram no seu corpo um produto químico de destruição total. Não adiantou, ela continua incorrupta. A comoção popular não tardou e sua santidade começou a ser propagada, assim como seus milagres. Construíram a capela e seu corpo foi transladado em 1924. Depois disso, já houve roubo (por causa das doações), atentado a bomba e um “perturbado” deu umas marretadas no seu corpo, porém, felizmente, lá continua a Santinha, um pouco machucada, mas digamos assim, firme. Muito interessante dizer que trocam a roupa dela uma vez por ano. Incrível. Também no cemitério ao lado, está o túmulo de outro personagem considerado santo, o Padre Cura. Era muito caridoso, benevolente, fazia curas, não foi canonizado e dizem que seu corpo continua intacto na terra.

Em outra cidade litorânea, Miramar, com suas casas deslumbrantes, conhecemos a Igreja Senhor da Pedra. Incrustada em uma rocha, fica solitária na maré alta. Trata-se de um verdadeiro cartão postal. Bem anterior ao Cristianismo, havia cultos pagãos naquele local.

Também visitamos Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende, mais ao norte do Porto. De metrô até Póvoa (linha recém-inaugurada em 2006) se chega em uma hora. São cidades agradáveis, pequenas, aconchegantes, litorâneas, e com muita qualidade de vida.

Falando em uma vivência culturalmente enriquecedora foi ter ido à tertúlia de uma quarta à noite na UNICEPE (Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL) no Porto, na Praça Carlos Alberto. Convite do amigo Rui Vaz Pinto, um dos sócios da mencionada cooperativa. Era uma homenagem a José Afonso, cantor, compositor e poeta, já falecido. A sala estava repleta e tomando o maravilhoso vinho do Porto, fomos nos deliciando com a música, poesias declamadas por atores profissionais e histórias contadas a respeito de tão importante figura da história de Portugal. Sua música “Grândula Vila Morena” foi a senha, tocada nas rádios, para o início da Revolução dos Cravos, que libertou o país do período da ditadura iniciada por Salazar. Foi um banho de cultura: para quem se interessar, o site é www.unicepe.com.

Para concluir, falando em castelos, construções sempre existentes no nosso imaginário de Europa, fomos ao de Santa Maria da Feira e o de Bragança. Só pra ter uma ideia: Bragança, na província de Trás-os-Montes e Alto Douro, é uma cidade pequena para os padrões brasileiros, mas possui biblioteca, cinema, teatro, shopping center, estava em construção o Museu de Ciências em 2006 etc. Dê-lhe Portugal! Parabéns à nossa mãe-pátria, país onde se lê cada vez mais, mostrando que cultura é algo sério.

De Bragança tomamos o ônibus até Lisboa. Jamais esqueceremos a generosidade da família da Luísa e Inês conosco, quando o pai delas nos deu lanches da sua mercearia. Muito obrigada!

Foram 7h de viagem, afinal são 539.1km. Ficamos uns poucos dias e voltamos ao Brasil.

O próximo artigo será sobre Lisboa e arredores. A gente se vê em breve…