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Diários do Canadá: Toronto 1

Diários do Canadá: Toronto 1

Estamos em 7 de outubro de 2017. O clima está mais para quente. Segundo minha prima Rebeca, ela nunca viu um outono assim. Imaginem 26˚C em Toronto, Canadá. Ainda bem que ela tinha me avisado antes.

Vale a pena comprar o City Pass a fim de pagar mais barato por cinco museus para usar até nove dias. Vamos começar o passeio de hoje pelo fantástico museu Ontario Science Centre. Lembrei-me do Museu de Ciências da PUC-RS em Porto Alegre. A diferença é que esse daqui é enorme, são vários andares com curiosidades científicas e muitas atividades para crianças. Há muita interatividade também. São mais de 800 exposições de lata tecnologia e apresentações ao vivo dignas de nota. Darei exemplos: mostram telefones antigos e atuais; sente-se o cheiro da canela e outros temperos por um orifício; há máquina que fala a palavra coffee (café); escuta-se o batimento cardíaco em outra. Tem a seção de esporte, a da ciência, a marinha e por aí vai. O museu é impressionante. Achei bonita a menção feita a Terry Fox, considerado herói nacional. Teve a perna amputada com 18 anos, por conta de um câncer ósseo, mas nada o impediu de virar maratonista.

Para almoçar, o Carlos, a Rebeca e eu saímos e fomos ao Cora´s ali perto Trata-se de uma cadeia de restaurantes que funcionam somente para café da manhã e almoço. Os pratos são enormes e variados de sanduíches, omeletes, saladas, crepes etc. A água é de graça. Os sucos e smoothies também são deliciosos. É válido citar que Cora é a dona que começou a vender café da manhã para sobreviver e sustentar os dois filhos. Hoje é uma potência.

Saciados, voltamos ao museu com o recibo de pagamento e continuamos nossa jornada pela floresta tropical, acompanhamos as etapas da gestação da mulher, além de ver sapos coloridos venenosos e cobras. Tem de tudo neste museu. Incrível!

De lá fomos ao Pacific Malls, um shopping center chinês. Aliás, eles tomam conta da cidade, juntamente com os indianos.  Há muitas lojas de produtos alimentícios, restaurantes, roupas, bolsas, etc. Considerei interessante o sanduíche de sorvete e o waffle de ovo (egg waffle).

E tem mais… aguardem.

Diários do Canadá: Niagara Falls e Niagara on the Lake

Diários do Canadá: Niagara Falls e Niagara on the Lake

Saudações direto do Canadá. Estamos em outubro de 2017. Eu direi que ir às Cataratas do Niagara é uma experiência fenomenal. Vale muito. É aproximadamente uma hora e meia saindo do centro de Toronto.

Em 1885 formaram uma comissão a fim de criar o Parque Queen Victoria Niagara Falls. Em 24 de maio de 1888, ele foi criado oficialmente com 1720 hectares. Existem sítios históricos, jardins botânicos, escola de horticultura e áreas de recreação no parque.

Falemos nas Cataratas… são algumas quedas d´água imponentes e majestosas. Ficamos fascinados. A infraestrutura para o turista é completa com lojas, restaurantes diversos, um centro para o visitante chamado Welcome Centre. Dentro existe a loja Canadian Treasures. Enorme com tantas maravilhas que são difíceis de resistir.  Parece americano o estilo. Não é à toa que os Estados Unidos estão bem ali, do outro lado da Ponte da Amizade. O lado canadense das Cataratas, dizem ser mais bonito. Comparando com as nossas Cataratas do Iguaçu, tenho a comentar que as nossas são mais exuberantes.

A cidade de Niagara Falls é também linda, repleta de parques e jardins, até os postes têm flores. Um primor de cidade. O dia estava ensolarado e havia uma multidão visitando tão belo lugar. Trata-se de um local completo com cassino, hotéis para todos os bolsos, aviário, borboletário, casas lindas, roda gigante, passeios de helicóptero, enfim feito para agradar.

Outro local imperdível lá perto é a cidade Niagara on the Lake. São 13 km do Niagara Falls e no caminho se encontra o relógio floral ou Floral Clock, além de vinícolas e vendas de frutas da região.

Esta cidade lembra Gramado-RS e Villa Angostura na Patagônia Argentina. É charmosa, romântica, com casas bonitas e grandes, sem muros e rodeadas de florestas. São jardins mil no meio-fio, lojas transadas de fudge (doce inglês), sorveterias, padarias, além de lojas de geleias feitas artesanalmente. Em suma, muitas opções para um passeio agradável. Aconselho a Nina Gelateria & Pastry Shop onde se compra sorvetes deliciosos e com pouco açúcar. Tomei os de figo e framboesa. Na padaria, pedi trouxinha de maçã (apple dumpling) e torta de frango (chicken pie) e trouxe para o jantar. Um sabor inigualável.

Meus agradecimentos sinceros à minha prima Rebeca, cidadã canadense e moradora em Toronto com a família, que carinhosamente tem acompanhado a mim e ao Carlos nesta nova aventura.

Fortaleza Sem Árvores

Fortaleza Sem Árvores

Este artigo de 2012 foi repaginado e continua moderno. Nos idos dos anos 60, segundo pesquisas orais, Fortaleza era uma cidade jardim, tinha casas com plantas, árvores, pássaros, era pavimentada em pedra tosca ou paralelepípedo e no centro era concreto e não asfalto, enfim, era um lugar bucólico com clima agradável e em julho e agosto fazia frio à noite. Era considerado um exemplo de cidade boa de viver, com qualidade de vida.

Passados bons anos, o que vemos hoje? Uma cidade destruidora. Casas, prédios de poucos andares, principalmente na Aldeota e perto da Beira Mar, vindo abaixo pela fome implacável das construtoras, além de terrenos arborizados com macaquinhos, pássaros diversos na calada da noite, como aquele conhecido de todos na esquina das avenidas Virgílio Távora com a Santos Dumont na Aldeota.

Para que se preocupar com o meio ambiente, não é mesmo? Isso é coisa sem importância, dizem alguns, o progresso é assim. Outros mais conscientes e amantes da velha Fortaleza pensam o contrário. Eis a Fortaleza bela, a loira desposada pelo Sol de edifícios e mais edifícios, trânsito difícil, insegurança para todos e sem árvores.

O motivo deste desabafo é na realidade as árvores. São muitas passadas na guilhotina. Vejo isso diariamente, seja nas ruas ou praças. Qual é a razão deste desatino? Fico a questionar-me. Ou é para não ter que limpar a calçada, afinal as folhas sujam muito… Ou é porque as pobres vítimas estão morrendo, mas aí eu pergunto: e onde estão as árvores novas e por que não são plantadas imediatamente? Ou é pelo motivo de aumentar o estacionamento, como testemunhei em salão de beleza na rua Silva Paulet, ou em confeitaria conhecida na avenida Padre Antônio Tomás, também na Aldeota? Ou é porque os fios de iluminação ficam enganchados nos galhos? O gostar de plantas deve ter ficado no passado, certamente. Atualmente, o que ouvimos são serras elétricas aos domingos. Afinal, tem que ser escondido.

Algo mais a mencionar: os arquitetos só escolhem plantas como coqueiros e palmeiras para os edifícios novos. Vamos combinar…  lindas plantas se estiverem na beira do mar, mas não fazem sombra em outros locais.

Penso em outras cidades: João Pessoa e Natal no nordeste e fico suspirando com tanto verde. Ou São Paulo, tão cosmopolita, porém tão sábia em oferecer parques fenomenais e muitas árvores para a sua população ter sombra e lazer.

Fortaleza, acorde! Para ser bela, há de mudar e muito a sua consciência ecológica e ao invés de decapitar a mãe natureza, plantar sempre!

Quase 60 anos de Bossa Nova

Quase 60 Anos da Bossa Nova

Estamos em 1958. Um LP está sendo lançado e o seu nome é “Canção do Amor Demais”, cantado por Elizeth Cardoso. Nele, João Gilberto mostra pela primeira vez sua batida ao violão, considerada genial na canção “Chega de Saudade”, composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Mas o disco marco inicial da Bossa Nova foi lançado na praça em 1959 pela Odeon. Eis que aparecia um cantor que cantava baixinho, discreta e quase inexpressivamente, interpretava melodias difíceis de ser entoadas e ainda por cima era muito exigente na hora da gravação. Surge João Gilberto e a música popular brasileira nunca mais foi a mesma…

Parte da história do movimento começou com o encontro de jovens, na maioria, universitários de classe média carioca, na zona sul do Rio de Janeiro: no apartamento da Nara Leão, na praia, no barquinho do Roberto Menescal etc. Por meio deles, a música brasileira se tornou “ensolarada”, pois os temas de suas canções eram o mar, a beleza da mulher, o amor, a natureza, dentre outros.

Antes da Bossa Nova, as canções apresentavam a traição como parte do amor, a mulher sofrida e não valorizada, o mal de amor. Com a música que estava nascendo, houve a transformação para melhor. E o Brasil foi se colorindo, graças a João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes (a “Santíssima Trindade da Bossa Nova”), Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra, Nara Leão, Newton Mendonça, dentre outros representantes, responsáveis pela música “tipo exportação”, de qualidade, que até hoje é a “cara do Brasil” lá fora, notadamente, nos Estados Unidos e Japão.

A Bossa Nova continua mais viva do que nunca, segundo Roberto Menescal. Ele e Wanda Sá constantemente viajam ao exterior, principalmente, ao Japão.

Este artigo é uma homenagem à música mais harmoniosa e bonita do Brasil. Ela que fará 60 anos em 2018, mesmo sendo uma senhora de meia idade, permanece jovem e personifica o Brasil de uma época feliz, progressista, repleta de esperança, como era o nosso país em 1958/59.

P.S. Na pesquisa para a minha dissertação de mestrado, investiguei as principais características discursivas do Movimento Bossa Nova no discurso literomusical brasileiro, nas composições de João Gilberto, Vinícius de Moraes, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli e Newton Mendonça. Foram 47 canções estudadas sob o suporte teórico da Análise de Discurso de linha francesa, conforme delineada por Dominique Maingueneau. Foi apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará, sob a orientação do prof. Dr. Nelson Barros da Costa, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Linguística em Fortaleza-Ceará em 2007.

Apresento a vocês agora a entrevista feita com o bossanovista Roberto Menescal para a minha dissertação de mestrado. Ele, muito acessível e simpático, foi parte importante na minha pesquisa. Tal entrevista está como anexo no meu trabalho. Interessante dizer que passada a defesa, mandei a dissertação por e-mail a ele e como é brincalhão, comentou ser a bíblia da Bossa Nova e não uma dissertação de mestrado. Ganhou meu livro “Alma de Viajante” e a esposa dele artesanato do Ceará. Ficou radiante e eu também. E ainda para complementar: um tempo depois ele veio com um grupo a Fortaleza para fazer um show no Iate Clube, eu fui com o Carlos (meu companheiro) e logo na entrada nos encontramos. Eu me apresentei a ele que fez uma festa danada e nos convidou para irmos ao camarim depois do show. Fomos e foi emocionante. Obrigada pela acolhida, Roberto Menescal. Você é especial.

 

ANEXO: Entrevista dada pelo cancionista Roberto Menescal a nós por correio

eletrônico em 10/08/06.

Em 10/08/2006, às 16:17, Mônica Dourado Furtado escreveu:

1 – Na sua opinião, a Bossa Nova foi um movimento musical, cultural e estético, ou como diz Tinhorão, apenas uma nova maneira de tocar, ou Santuza Cambraia Naves, um estilo musical?

R- Creio que foi cultural, pois trouxemos à música brasileira, harmonias mais sofisticadas, melodias com mais liberdade em termos de dissonâncias, letras mais elaboradas com envolvimento de profissionais como jornalistas, poetas etc. Também foi estético, porque mesmo sem uma intenção clara e pré-concebida mudamos vários padrões de interpretação no cantar e tocar, e porque não salientar também no modo de vestir e de se comunicar.

2 – Qual foi a sua impressão do concerto da BN no Carnegie Hall? Na Revista “Nova História da Música Popular Brasileira” da Abril Cultural – SP, de 1978, diz que foi a primeira e última vez que o senhor cantou. É verdade?

R – Quero salientar a minha inocência na época em relação à força que nossa música já havia adquirido e também ao seu alcance no exterior. Fui para o Carnegie Hall sem saber o que o mesmo era ou significava, e fui apenas porque “a turma ia”. Na época, eu era um compositor e instrumentista que tinha um grupo que participava de shows e gravações, e que eu o encarava como um “grupo prestador de serviços”. No dia do ensaio no teatro, levei um susto por sua suntuosidade e também porque realizei que estava lá sem meu grupo e sem ter pensado no quê e como fazer. Tentei fugir, mas fui obrigado pelo empresário que nos levou, com toda razão, a cantar, o que nunca tinha feito em público porque não era e nunca foi meu objetivo, por isso cantei pela primeira vez profissionalmente no Carnegie Hall. Foi a carreira mais rápida que conheço, pois começou ali e ali terminou. Agora, duvido que encontrem alguém que estreou sua carreira de cantor, diretamente no Carnegie Hall! (Pena que encerrou ali também).

3 – Muito já foi dito e escrito sobre sua composição “O Barquinho”, juntamente com Ronaldo Bôscoli. O que o sr. tem a dizer sobre o processo de composição da canção “Rio”?

R- “Rio” é uma das canções que escrevi com Ronaldo Bôscoli, meu parceiro mais efetivo, que mais gosto. Eu a acho moderna, bem sincopada, com uma “levada bem carioca” (como diz o poeta “basta o jeitinho que ela tem”). A gente brincou nesta canção com os jogos de palavras o tempo todo como: “Rio é mar”, ou “É sol, é sal, é sul”, ou ainda, “Sorrio p’ro meu Rio que sorri de tudo”, ou ainda no final que usamos as expressões, “Sorrio, Só Rio, Sou Rio”, coisa que poucas pessoas perceberam.

4 – Como se posiciona a BN em relação aos investimentos de posicionamentos concorrentes, como os da prática do samba tradicional e do jazz? Em outras palavras, quais são, na sua opinião, as principais semelhanças e diferenças entre eles, tanto no plano musical, quanto verbal? O que poderia comentar sobre o samba-canção também?

R – Para mim a BN nasceu da fusão do que ouvíamos na época, ou seja, o samba tradicional, que era muito difícil de tocar ao violão, e por isso criamos a nossa “batidinha” que se tornou famosa, do Jazz que venerávamos pela qualidade musical e liberdade de improvisação, do samba-canção que já se aventurava pela modernidade harmônica por muitos de seus compositores, apesar do “peso” de suas letras tipo: “Se eu morresse amanhã de manhã, não faria falta a ninguém”, ou “Sei que falam de mim, sei que zombam de mim, ó Deus como eu sou infeliz”. Imagine, nós garotos de 18 a 20 anos, moderninhos de Copacabana, cantando essas letras catastróficas. Por isso colocamos tudo num liquidificador e sem negar nada, a não ser o que era “brega total” e colhemos o que se chamou de Bossa Nova.

5 – Como está o movimento da BN hoje em dia em nível nacional e internacional?

R – Creio que a Bossa Nova está no seu auge tanto no exterior quanto no Brasil. Creio que você vai me entender não como participante, e interessada no assunto, mas analisando de uma forma simples e concreta. Você vê e ouve nas novelas principais da TV Brasileira, o número de canções Bossa Novistas que têm sido usadas nesses últimos anos (agora mesmo na novela das 8 da Globo). Nossos shows apesar de normalmente acontecerem em locais pequenos, como sempre aconteceram, pois nossa música assim como o jazz, é feita para locais pequenos, com boa qualidade de som, estão sempre cheios, e nunca trabalhamos tanto em nossas vidas, como temos feito agora. Se você puder ver minha agenda, e está à sua disposição, vai ficar impressionada com o número de apresentações que fazemos, (só perdemos para Ivete Sangalo… risos…). No exterior, sempre tivemos muitas possibilidades e normalmente até mais público que no Brasil. Agora mesmo estou indo para uma temporada de shows no Japão pelos 3 Blue Note daquela terra, que são as melhores casas para shows de qualidade, do Japão. Estou viajando para lá com Joyce, que acaba de chegar nesta semana, de um mês de temporada pela Europa. No ano passado e atrasado, fiz duas temporadas grandes na Europa, com o grupo “Bossa Cuca Nova”, que faz uma bossa mais atual e dançante, permitindo assim que se consiga levar nossa música a um público bem jovem e numeroso. Tocamos em alguns lugares em festivais com mais de 200.000 pessoas. Só quem não sabe disso é o Brasil! Fizemos por 3 anos quase seguidos shows no Japão, festejando os 40 anos da BN, a pedido deles, todos shows para um público de 10.000 pessoas. Acabamos de presenciar o grande sucesso de 2 filmes documentários, envolvendo e envolvidos pela Bossa Nova, “Vinícius” e “Coisa Mais Linda”, filmes que foram lançados também internacionalmente e também em DVD. Ou seja, me parece que a BN está mais viva do que nunca!

 

Rumo à Patagônia Argentina: Parte Final

Rumo à Patagônia Argentina- Parte Final: Parque Nacional Torres del Paine

Estamos em janeiro de 2010. O Carlos e eu já estivemos em Porto Alegre, Uruguai, Buenos Aires e Ushuaia. Continuamos em El Calafate-Argentina, aí resolvemos fazer outro passeio digno de nota: para o Parque Nacional Torres del Paine no Chile no velho ‘bate e volta”. Saímos de ônibus de turismo, também agendado no centro da cidade em Calafate, que nos buscou na hora certa e bem cedo da manhã no hotel. Interessante dizer que nosso companheiro de viagem no ônibus de dois andares era um rapaz gaúcho,  criou-se em Fortaleza, e naquela época já morava em Belo Horizonte. Não o conhecíamos. Seu nome era João Sarubbi. Foi um papo bom e divertido. Saudações a ele.

Foi uma longa jornada de um dia todo, passando pelas aduanas na Argentina e no Chile. A burocracia do lado argentino foi mais cansativa e burocrática do que a do lado chileno, mas valeu, pois sem dúvida, é um lugar belo. O parque é enorme, com lagos azuis, montanhas nevadas ao fundo e outras verdejantes, enfim, uma mistura para cartão postal. Considerei cara a entrada: 30 dólares à época . Pelo fato de sermos do Mercosul, não ajuda em nada, que pena! A infraestrutura de lá, na minha opinião, é inferior à de Calafate, em termos de instalação de apoio e passarelas novas. Porém, é válido visitar, porque as montanhas Torres del Paine são famosas entre os turistas de aventura do mundo todo.

Na fronteira dos países, paramos em um restaurante de apoio e câmbio para fazer um lanche e lá paramédicos foram chamados, pois dois turistas no ônibus estavam com suspeita de dedo quebrado (o rapaz brasileiro havia se machucado antes desta viagem) e pé quebrado (a moça torceu o pé em uma descida do ônibus). Já era fã do Chile, fiquei mais ainda pela presteza do serviço. Trabalho sério e de qualidade.

No dia seguinte a ideia foi aproveitar a cidade de El Calafate. Andamos por uma das ruas principais: San Martin. Entramos em lojas diversas: de artesanato indígena da Patagônia, de chocolates, licores, alfajores e de lembranças da região, em conclusão, existe muito a se ver e comprar. Que cidade mais apaixonante, parece do velho oeste, por causa do estilo arquitetônico e da madeira usada. Até o aeroporto tem sua estrutura feita com a madeira da região. Nunca vi algo tão original.

De volta a Buenos Aires, fomos à feira das pulgas de San Telmo, com todo o seu charme e quantidade de objetos antigos, artesanatos da Argentina, shows de tango na rua, dentre tantas outras novidades. Dica: o restaurante El Balcón oferece um bom almoço com show de tango e de gaúchos.

Em suma, viajar é sempre uma grande aventura na vida, entramos em outros mundos e aprendemos sobre outros povos e suas culturas. Outro detalhe: quem lê meus artigos, pensa que só bebo cerveja, na verdade bebo muito pouco. Amo mesmo é vinho…

Aqui termina nossa aventura na Patagônia argentina. Lugar de beleza indescritível. Uma das minhas regiões preferidas. Espero voltar um dia…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rumo à Patagônia Argentina: Parte 4

 

Rumo à Patagônia Argentina – Parte 4: El Calafate

Estamos em janeiro de 2010. O Carlos e eu já estivemos em Porto Alegre, Uruguai, Buenos Aires e Ushuaia. Saímos de Ushuaia com vontade de retornar um dia. Nossa aventura continua pela Patagônia argentina. Na verdade, muita grandiosidade iria nos encontrar em El Calafate, a cidade da famosa geleira Perito Moreno. Chegamos de avião pela Lan Chile – Lan Argentina e ficamos já no aeroporto surpresos com a infraestrutura do local: a van da empresa Yes Patagônia tinha um container separado só para as malas. Por 26 pesos por pessoa à época, fomos deixados no hotel Hainen, uma grande escolha. Um hotel agradável por dentro, por fora e todo de madeira, com um pessoal querido e simpático. Um detalhe: o aeroporto da cidade foi inaugurado em 2000, portanto esse turismo de massa no verão é recente. Afinal, de Buenos Aires até Calafate são 4 hs. e de lá para Ushuaia mais 1 hora.

No primeiro dia, almoçamos no restaurante Casimiro Biguá: aconselho a cerveja artesanal Antares de Mar Del Plata e o prato truta com legumes no creme de limão, algo indescritível. À tarde, fizemos o passeio de land rover pela montanha Cerro Frías, com jantar em uma das fazendas da região que recebem turistas. O cardápio era frango, carne e porco, leguminosas típicas, como batatas, batatas doces, abóboras, cebolas assadas, todas plantadas lá e com muita fartura, além de sobremesa de arroz com leite e café ou chá. Estar em um carro desses com gente do mundo todo é um atrativo a mais. Ao meu lado, estavam viajantes de Israel, Bélgica e Argentina, o espanhol e o inglês facilitaram e muito a boa comunicação. Foram 195 pesos à época muito bem aproveitados. Subimos o ponto mais alto do cerro e tivemos uma linda visão do lago Argentino (o maior lago da Argentina) e vimos bosque de árvores nativas, enfim uma viagem bem organizada e digna de ser feita.

El Calafate é uma cidade linda, ajeitada, florida, com casas cuidadas e zeladas. Dá gosto de testemunhar tanta atratividade. A propósito, há concursos dos jardins mais bonitos lá. Surpreende ver gente do mundo todo, seja em trailers, como em motos. Observamos americanos em motocicletas enormes e alemães: o pai com uma filha em uma e a mãe com outra filha em outra. Algo único, cenas assim não se encontra no Brasil, mas a segurança existe por aquelas paragens, logo é repleto de turistas internacionais.

Dica barata: fazer compras em supermercados, tanto em Ushuaia, como em El Calafate existe a rede Anonima. Interessante dizer que é proibido usar saco plástico, mas podem-se carregar as compras em sacolas ecológicas, na mochila ou na mão. A limpeza da cidade agradece, com certeza, não se encontram sacos voando por todos os lugares como por aqui. Sim, falando em comida: empanadas diversas garantem um almoço e tanto.

 

É sempre bom saber o significado dos nomes: calafatear, por exemplo, diz respeito a ver, reparar; calafate é uma planta nativa da região, pequena e redonda que existe pelos bosques, nos parques e é transformada em deliciosas geleias, licores e sorvetes. Segundo consta a lenda do local, quem prova da fruta, volta sempre. Nem precisa provar, pois a magia se instala quando vamos a tão lindo lugar e ainda mais quando visitamos o “Parque Nacional de los Glaciares” e vemos o magnífico Perito Moreno. É considerado Patrimônio Natural da Humanidade e depois de mirá-lo se torna mais do que óbvio o desejo de querer ver de novo, pois se trata de algo indescritível: um mar imenso de gelo azul. As passarelas são bem estruturadas, bonitas, cuidadas e são várias no lado sul e norte, com distâncias seguras da geleira. Com as rupturas, ou seja, as quebras de gelo se conseguem fotos estupendas. Todo mundo se apaixona!  Preparem-se para caminhar. O parque, porém, não se restringe somente ao Perito Moreno, pois são 250 mil hectares de muita beleza: lagos azuis, geleiras e muito verde criando um espetáculo da natureza digno de conhecer e não se esquecer jamais. A geleira tem este nome em homenagem ao expert Francisco Moreno, uma vez que pelos seus conhecimentos a Argentina conseguiu a possessão desta parte da Patagônia. Aí o governo lhe deu essas terras que ele transformou no parque nacional. Pessoa muito respeitada e venerada, com motivo. A sugestão desse passeio é ir ao centro e procurar as agências localizadas lá, pagar e fazer as combinações. No dia marcado estão no hotel e levam de ônibus ao parque. Ao chegar entra-se em um barco, a fim de se aproximar da geleira imensa, depois todos descem e continuam a jornada com o guia pelas passarelas e então, volta-se ao hotel de ônibus. Tudo muito organizado.

 

Ainda não acabamos a jornada, porém está quase no fim. Seguiremos ao Chile com o Parque Nacional Torres del Paine…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rumo à Patagônia Argentina: Parte 3

Ushuaia-4
Ushuaia e suas belezas naturais-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado

Rumo à Patagônia Argentina – Parte 3: Ushuaia

Estamos em 2010. Já estivemos em Porto Alegre, Uruguai e Buenos Aires. Antes de sair da capital portenha, darei saudações aos amigos Ana Tavares e seus familiares Regina, Nelson e dona Augusta com quem o Carlos e eu estivemos um dia antes de partir. Estávamos em um hotel a bater papo. Nada melhor do que encontrar amigos em terra estrangeira.

Daqui continuamos a nossa jornada rumo à Ushuaia, a capital da Terra do Fogo. Aliás, chama-se assim, porque os índios yámanas que lá viviam e eram canoeiros, antes da chegada dos brancos ingleses, costumavam se proteger do imenso frio com muitas fogueiras. Partimos do aeroporto dentro da capital Jorge Newbery: grande, bom e próprio para voos regionais ou para o Uruguai (hoje opera para o Brasil também). Fomos pela Lan Chile – Lan Argentina, com bom serviço, cadeiras azuis e bonitas, além de um espaço decente entre elas. O avião faz escala em El Calafate, logo é muito comum o turista conhecer as duas localidades, até porque janeiro é a melhor época para conhecer tais maravilhas, por conta do clima mais ameno e com os dias mais longos, afinal é verão. Porém, roupas de frio são obrigatórias.

Em Ushuaia, ficamos no ótimo hotel Los Lagos Hostería (Calle Patagonia, 66 – http://www.loslagoshosteria.com): lindo, aconchegante, feito de madeira etc. Lá nos deparamos com um casal uruguaio fenomenal: ela, a camareira e chef de cozinha e ele, o recepcionista da noite – Sílvia e Danúbio, pessoas agradáveis e amigas. Ela preparou um prato de centolla (caranguejo gigante típico da região), com entrada de salada russa e sobremesa de flan, por 60 pesos à época, algo muito em conta e delicioso! O gerente Federico também foi muito delicado e prestativo, é assim que se conquista. Uma pousada muito romântica que deu vontade de conhecer foi a Hostería Linares, localizada à rua Governador Deloqui, 1522 – www.hosteríalinares.com.ar. Pensem em um lugar com ambientes bem decorados, de forma a deixar o visitante encantado.

Mais sobre a cidade: Ushuaia é um acidente geográfico no Canal de Beagle, que significa “baía que se dá ao poente”. Trata-se de um lugar charmoso, tranquilo, que mais parece uma cidade do interior da Inglaterra, com aquelas casas de boneca de madeira e coloridas. Enfeitiça a todos.  Vale o passeio pelo ônibus de turismo double-decker, aquele vermelho inglês e também ao Museu do Fim do Mundo, o qual conta a história dos índios, dos primeiros colonizadores e do presídio que havia naquele local no início do século XIX. Também há a visita ao Museu do Presídio cuja construção se iniciou onde está situado hoje a Base Naval de Ushuaia.

As pessoas que lá vão, não deixam de fazer o passeio de catamarã, são várias as empresas. Nós fomos com a Canoero Catamaranes, por 206 pesos naquela época. Vimos lobos marinhos, pinguins, o Farol do Fim do Mundo e a primeira estância existente na região: Harberton. Interessante mencionar que neste passeio conhecemos amigos de meus pais de Alegrete-RS, onde nasci. Foi a maior coincidência. A amiga da minha mãe Dayse de colégio (imagine!) olhava pra mim me achando parecida com quem? Minha mãe. Aí o Carlos começou a conversar com o Luiz Odilon, marido dela. Logo, tudo estava esclarecido. Foi um encontro das estrelas! Grande abraço no casal amigo e sua filha Desirée. Outro passeio fabuloso foi o de táxi ao Parque Nacional Terra do Fogo. Que lugar fantástico com suas baías, riachos, lagoas, enfim tudo muito verde e conservado. Os taxistas não podem agir como guias, isso é lei.

O centro da cidade é repleto de bons restaurantes, o Marcopolo (procurem o garçom Carlos) e o La Estancia são boas idéias. O Castor Cook, na Maipú, 1161, perto da rua principal San Martin, também é uma boa dica para quem quer saladas, café, panquecas, ou seja, lanches. Tudo de mais importante se encontra nessa rua central: lojas com mercadorias interessantes para comprar, sorveteria, casas históricas, centro de turismo etc. Outra sugestão: tomar a cerveja Beagle, típica da região. E comer truta com ervas finas, salmão com batatas, enfim, tudo de bom.

Saímos de Ushuaia com saudades e apaixonados pela beleza e olhem que não havíamos ainda acabado a aventura… Continuaremos a nossa viagem em El Calafate.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rumo à Patagônia Argentina: Parte 2

Rumo à Patagônia Argentina – Parte 2: Buenos Aires

Estamos no final de 2009, entrando em 2010. Já estivemos em Porto Alegre e no Uruguai na parte 1. Agora vamos a Buenos Aires, capital da Argentina. De Montevidéu a Buenos Aires fomos de Buquebus, aquele barco enorme com cafeteria, loja duty free e muita gente. Chegamos ao terminal do Buquebus com antecedência, a fim de passar pela alfândega com calma. Já saímos com o visto pronto da Argentina, uma facilidade, pois entramos no país vizinho bem rápido e sem burocracia. Em três horas estávamos na capital portenha.

Ficamos no hotel Orly, que vale pela localização, bem próximo da fantástica Calle Florida (rua). O melhor lugar para as compras de couro, doces alfajores (típicos), dentre outras maravilhas. Na mesma rua se encontram as Galerías Pacífico, um shopping center encantador, com muitas opções de lojas, restaurantes, cafés etc. Falando em hotéis, tenho uma boa dica: o simples e bem localizado Hotel La Argentina, na Avenida Mayo, perto do fabuloso Café Tortoni. Aliás, lá assistimos a um show de tango, mais simples que os outros, mas também um evento e tanto.

Em Buenos Aires, os cafés são uma instituição. Sentar em um local desses, ler um jornal e tomar um café é agir como um autêntico portenho. Outros lugares bem práticos no país são os locutórios, mistura de lojinha onde se vendem chocolates, sanduíches, refrigerantes, por exemplo, e opera-se com telefonia. Diga-se de passagem: o preço dos telefonemas é muito barato, em comparação com os nossos.

Passamos o Reveillón na capital. O argentino aproveita diferentemente da gente. Quem se vê nos restaurantes lindamente decorados pela cidade ou em Puerto Madero (local turístico à beira do Rio da Prata) são os turistas. O povo considera a data tão importante e familiar quanto o Natal, logo não sai de casa e cai no badalo, comemora a ceia com a família. Já nós, por 120 pesos à época, jantamos na esquina do hotel no restaurante francês Ce Bleu. Valeu a pena, pois foi uma refeição farta e alegre. Depois com outros casais brasileiros, fomos ao Puerto Madero, onde houve shows de fogos e muitos turistas se divertindo, dançando e cantando nos restaurantes e no calçadão.

Um passeio válido é do rio Tigre. Vai-se à estação de trem Retiro, perto da Torre dos Ingleses e por 1,10 pesos (à época) se vai à Estação Mitre. De lá se pega o Trem de la Costa até o Tigre. No caminho, descemos na cidade bucólica e charmosa San Isidro. Vale a pena dar uma voltinha e sentir a sua tranquilidade. Existem lugares tão calmos e belos que sentimos vontade de morar em tal paragem. Pegamos o trem novamente e fomos à cidade de Tigre, a fim de fazer o passeio de barco ao longo do rio. Em uma hora e por 22 pesos (naquele ano), entramos em uma lancha e saímos a passear para ver casas lindas e testemunhar a vida de pessoas que lá residem. O museu Casa Domingo Sarmiento, protegida por um vidro enorme, chama a atenção. Como era feriado, a maioria dos restaurantes estava fechada, então nos contentamos com empanadas e cerveja Stella Artois.

Voltando à capital, mais dicas: passeios pelos bairros apaixonantes Recoleta e Palermo. E um restaurante bom e barato: Punta Cuore na Av. Corrientes, 4199. Por 16 pesos à época, comemos ravioles artesanais.

De Buenos Aires, continuamos na jornada rumo à Ushuaia, a capital da Terra do Fogo. Estamos quase na Patagônia. Aguardem…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rumo à Patagônia Argentina: Parte 1

Rumo à Patagônia Argentina – Parte 1: Porto Alegre e Uruguai

 Estamos no final do ano de 2009. Tudo começou em Porto Alegre – RS. Na verdade, o Carlos e eu fomos passar o Natal lá. Entre velhos amigos e familiares, os passeios foram acontecendo. O Portinho, como é carinhosamente conhecido, tem muito a oferecer, mesmo com tanto calor de dezembro. Dicas não faltam: no centro há a Catedral, o Palácio Piratini, o Centro de Cultura Mário Quintana, o Mercado Público, dentre outros lugares interessantes. Ao chegarmos, à noite fomos a um bistrô francês aconchegante, chamado Lorita.

Outros passeios são o Gasômetro, o bairro Ipanema e a orla do Guaíba, repletos de charme e muito verde. Algo que chama a atenção na cidade é a quantidade de árvores, plantas e parques.  Nota-se que o portoalegrense ama cuidar e zelar pelo local onde vive. Lugar que amo ir aos domingos pela manhã é o Brique – a feira de antiguidades e artesanatos – no parque da Redenção. É uma ótima maneira de sentir a atmosfera da cidade visitando um lugar original desses.

De avião, rumamos a Montevidéu, afinal nunca havia pisado em solo uruguaio. Por um dia, deixamos de descer no novo aeroporto da cidade, construído bem perto do antigo. Aliás, chama-se Carrasco e fica localizado no bairro do mesmo nome. Por conta do terminal estar sendo desativado, não havia balcão de informações, logo ficamos um pouco perdidos, assim como outros brasileiros também. O preço do táxi era exorbitante para a Ciudad Vieja, ou seja, a cidade velha e histórica, então estávamos averiguando o valor dos ônibus. Até que uma moça de lá apareceu e foi um anjo nas nossas vidas. Obrigada, Andréa! Que criatura gentil e eu que pensei que ela trabalhava com turismo, mas não… foi pura bondade. Colocou-nos em um ônibus de carreira, do tipo simples e barato (25 pesos uruguaios à época), e lá fomos nós, os brasileiros. Detalhe: entendo porque o táxi era caro, porque a distância era enorme, muito longe mesmo. Foi uma aventura, nós com as malas bem recheadas no corredor do transporte público, o povo chegava e nem reclamava, ai já fiquei estupefada. Fomos os últimos a descer, o motorista educadamente nos disse onde parar e ainda deu a dica do táxi para o hotel: mais 50 pesos e chegamos ao Palácio Hotel: na rua Bartolomé Mitre, 1364 (com Peatonal Sarandi); www.hotelpalacio.com.uy. Aconselho este hotel, bem localizado, em pleno centro, perto de prédios históricos e do fantástico Mercado del Puerto – mercado com muitas opções de restaurantes, ambiente bonito, com lojas de artesanato que valem a pena. Foi projetado pelo engenheiro R. V. Mesures na Inglaterra e inaugurado em 1868. Dica de restaurante: La Chacra del Puerto, prato: arroz de mariscos. Lógico que as carnes são excelentes. Importante mencionar que a entrada em qualquer restaurante no Uruguai e Argentina é pão e haja pães gostosos, com isso, as calorias vão para a estratosfera… Não tem como evitar, pois está incluído no preço, o jeito é comer e fazer regime quando voltar.

 

Citando o hotel novamente, ele tem um staff de pessoas simpáticas, trata-se de um hotel antigo, com aquele elevador do século passado que admiro. Só não oferece café da manhã e nem precisa, pois tem restaurantes perto que o fazem: a Pasiva tem um muito bom por 43 pesos à época. Uma sugestão: restaurante Dom Peperone, comida italiana, ambiente acolhedor e a imperdível cerveja Patrícia, típica do país. Muito boa! Não é tão encorpada como a nossa, por isso bebe-se no litro e meio. Ai, que saudades dela! No mesmo restaurante toma-se o chá da tarde com delícias de chocolates e doce de leite. Isso é excepcional no Uruguai e Argentina, maravilha dos doces!

Aconselho um passeio pelas Las Ramblas (a Copacabana deles). A orla é linda, extensa e bem cuidada, os prédios não são altos, mas são modernos e agradáveis de se ver. Contratamos um motorista de táxi e fizemos esse passeio. Na minha opinião, sempre aprendemos muito com eles, são ótimos guias. Um prédio lindo, localizado no centro histórico, e digno de nota é o Palácio Salvo do arquiteto Mario Palanti. Foi inaugurado em 1928 com altura de 95 m. e chegou a ser o mais alto da América do Sul.

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Exemplo de hotel em Punta del Este-Uruguai-foto tirada por Mônica D. Furtado

Decidimos conhecer a famosa Punta del Este e saber o porquê de ser tão amada. De onde estávamos no centro, pegamos o ônibus 180 para a Estação Três Cruces e por 296 pesos por pessoa à época, pegamos um ônibus bastante confortável (duas companhias trabalham essa rota). Duas horas para chegar, ficamos duas horas visitando a cidade e depois voltamos. Apesar do pouco tempo, deu para captar a essência do local. É simplesmente apaixonante, fomos e sonhamos em voltar por mais tempo. Demos umas boas voltas pela praia, vimos prédios baixos, respeitando o ambiente, sentimos o clima de veraneio dos turistas, tiramos fotos do símbolo de Punta: aqueles dedos na areia da praia, e contratamos de novo um motorista de táxi para nos mostrar a cidade. Valeu! Com ele, passeamos pelo bairro San Rafael, Beverly Hills, bairro judeu, praia de Maldonado, com casas lindas e grandiosas, além de parques, jardins e muita vegetação. Até a casa dos caseiros é imensa, outro padrão de vida, sem dúvida. Cá pra nós, os Grendenes têm casa lá.

Voltamos a Montevidéu e de lá viajamos a Buenos Aires… no próximo artigo continuaremos…

My Impressions of England

Este artigo foi publicado no jornal Spy da Casa de Cultura Britânica-Universidade Federal do Ceará em 1997, ideia do nosso então professor visitante Dietmar Dombrowsky. Fica aqui o reconhecimento pelo seu trabalho profícuo na CCB por quatro anos. Aliás, ele esteve em Berlim e em Hastings comigo e com a Glaucya naquela época. Dietmar, sempre presente e atuante, meu muito obrigada. O artigo é em inglês, mas as fotos estão explicadas em português. Espero que gostem.

My Impressions of England

“Spy” Newspaper -Casa de Cultura Britânica-UFC

It was the first time I went to Europe: February 1997. My friend Glaucya Brito and I visited Amsterdam, Berlin, Paris and some places in England, such as Hastings (where we stayed for two weeks to do the course named Methodology Refresher at the International House), Rye, Cambridge, Battle and finally, London.

Getting to England made me feel as if I were in a tunnel of time and I found myself in the past, in 1516, 1600 and so on… but maybe because the English people really preserve their history by taking good care of their castles, legends, hills, battles and customs.

It was a wonderful experience to have been among them for more than two weeks. I could observe some of their habits a little bit. I´m going to tell you some of their likes and dislikes. For sure, they love “fish n´ chips”, especially, chips. They eat chips with lasagna, pizza, rice etc. They also love tea, of course. In the historical town called Rye, my classmates and I went along with our teacher to a “Tea Room”. It was a Friday afternoon. We took the train in Hastings and went there to enjoy this lovely and romantic town. Well, in the “Tea Room”, we ordered the famous “cream tea”, which is tea (there were a lot of different kinds of tea) and scones (a mixture of bread and cake) to be eaten with jam and cream. Wow! What an experience from Heaven! Lots of calories but no problem, it was something not to be missed.

Another English habit is going to pubs. There are pubs everywhere in England, on every corner, to be more precise. I can´t imagine the English people without drinking beer. The pubs inside are very cosy and comfortable, although sometimes they´re very crowded. They sometimes have live music, with customers playing instruments and everybody singing. And a lot of smoke in the air (how much they smoke is incredible). At 11.30 p.m. the girl at the counter rings the bell, so that the customers are invited to order the last beer, because the pub is closing soon. After that, people go to clubs. That´s why there are the verbs “to pub” and “to club” in colloquial English. They´re part of their everyday lives.

What are the English like? They´re nice and friendly, especially, in the countryside.

What else? The Royal Family is loved despite the scandals, principally, Lady Diana. Just something funny: in the classroom, when someone sneezes, they say: “God save the Queen”. Imagine…

There´s much more to say… See you!

P.S. Their sense of humour is peculiar. They´re kind of ironic, and love making fun of other people. When the famous book writer and teacher Jim Scrivener told me about how they responded to a sneeze, I really believed him. In fact, it was a joke. The problem is that they tell jokes seriously. I came back to Fortaleza and told everybody that when someone sneezed, they said: “God save the Queen”. Sometime later Jim Scrivener came to Casa de Cultura Britânica in Fortaleza (to give us a workshop, sponsored by the British Council) and told me that nobody said that, that it had been a joke. I was so embarrassed. “God bless you” is what they say.