Blog

Rumo à Patagônia Argentina: Parte 3

Ushuaia-4
Ushuaia e suas belezas naturais-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado

Rumo à Patagônia Argentina – Parte 3: Ushuaia

Estamos em 2010. Já estivemos em Porto Alegre, Uruguai e Buenos Aires. Antes de sair da capital portenha, darei saudações aos amigos Ana Tavares e seus familiares Regina, Nelson e dona Augusta com quem o Carlos e eu estivemos um dia antes de partir. Estávamos em um hotel a bater papo. Nada melhor do que encontrar amigos em terra estrangeira.

Daqui continuamos a nossa jornada rumo à Ushuaia, a capital da Terra do Fogo. Aliás, chama-se assim, porque os índios yámanas que lá viviam e eram canoeiros, antes da chegada dos brancos ingleses, costumavam se proteger do imenso frio com muitas fogueiras. Partimos do aeroporto dentro da capital Jorge Newbery: grande, bom e próprio para voos regionais ou para o Uruguai (hoje opera para o Brasil também). Fomos pela Lan Chile – Lan Argentina, com bom serviço, cadeiras azuis e bonitas, além de um espaço decente entre elas. O avião faz escala em El Calafate, logo é muito comum o turista conhecer as duas localidades, até porque janeiro é a melhor época para conhecer tais maravilhas, por conta do clima mais ameno e com os dias mais longos, afinal é verão. Porém, roupas de frio são obrigatórias.

Em Ushuaia, ficamos no ótimo hotel Los Lagos Hostería (Calle Patagonia, 66 – http://www.loslagoshosteria.com): lindo, aconchegante, feito de madeira etc. Lá nos deparamos com um casal uruguaio fenomenal: ela, a camareira e chef de cozinha e ele, o recepcionista da noite – Sílvia e Danúbio, pessoas agradáveis e amigas. Ela preparou um prato de centolla (caranguejo gigante típico da região), com entrada de salada russa e sobremesa de flan, por 60 pesos à época, algo muito em conta e delicioso! O gerente Federico também foi muito delicado e prestativo, é assim que se conquista. Uma pousada muito romântica que deu vontade de conhecer foi a Hostería Linares, localizada à rua Governador Deloqui, 1522 – www.hosteríalinares.com.ar. Pensem em um lugar com ambientes bem decorados, de forma a deixar o visitante encantado.

Mais sobre a cidade: Ushuaia é um acidente geográfico no Canal de Beagle, que significa “baía que se dá ao poente”. Trata-se de um lugar charmoso, tranquilo, que mais parece uma cidade do interior da Inglaterra, com aquelas casas de boneca de madeira e coloridas. Enfeitiça a todos.  Vale o passeio pelo ônibus de turismo double-decker, aquele vermelho inglês e também ao Museu do Fim do Mundo, o qual conta a história dos índios, dos primeiros colonizadores e do presídio que havia naquele local no início do século XIX. Também há a visita ao Museu do Presídio cuja construção se iniciou onde está situado hoje a Base Naval de Ushuaia.

As pessoas que lá vão, não deixam de fazer o passeio de catamarã, são várias as empresas. Nós fomos com a Canoero Catamaranes, por 206 pesos naquela época. Vimos lobos marinhos, pinguins, o Farol do Fim do Mundo e a primeira estância existente na região: Harberton. Interessante mencionar que neste passeio conhecemos amigos de meus pais de Alegrete-RS, onde nasci. Foi a maior coincidência. A amiga da minha mãe Dayse de colégio (imagine!) olhava pra mim me achando parecida com quem? Minha mãe. Aí o Carlos começou a conversar com o Luiz Odilon, marido dela. Logo, tudo estava esclarecido. Foi um encontro das estrelas! Grande abraço no casal amigo e sua filha Desirée. Outro passeio fabuloso foi o de táxi ao Parque Nacional Terra do Fogo. Que lugar fantástico com suas baías, riachos, lagoas, enfim tudo muito verde e conservado. Os taxistas não podem agir como guias, isso é lei.

O centro da cidade é repleto de bons restaurantes, o Marcopolo (procurem o garçom Carlos) e o La Estancia são boas idéias. O Castor Cook, na Maipú, 1161, perto da rua principal San Martin, também é uma boa dica para quem quer saladas, café, panquecas, ou seja, lanches. Tudo de mais importante se encontra nessa rua central: lojas com mercadorias interessantes para comprar, sorveteria, casas históricas, centro de turismo etc. Outra sugestão: tomar a cerveja Beagle, típica da região. E comer truta com ervas finas, salmão com batatas, enfim, tudo de bom.

Saímos de Ushuaia com saudades e apaixonados pela beleza e olhem que não havíamos ainda acabado a aventura… Continuaremos a nossa viagem em El Calafate.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rumo à Patagônia Argentina: Parte 2

Rumo à Patagônia Argentina – Parte 2: Buenos Aires

Estamos no final de 2009, entrando em 2010. Já estivemos em Porto Alegre e no Uruguai na parte 1. Agora vamos a Buenos Aires, capital da Argentina. De Montevidéu a Buenos Aires fomos de Buquebus, aquele barco enorme com cafeteria, loja duty free e muita gente. Chegamos ao terminal do Buquebus com antecedência, a fim de passar pela alfândega com calma. Já saímos com o visto pronto da Argentina, uma facilidade, pois entramos no país vizinho bem rápido e sem burocracia. Em três horas estávamos na capital portenha.

Ficamos no hotel Orly, que vale pela localização, bem próximo da fantástica Calle Florida (rua). O melhor lugar para as compras de couro, doces alfajores (típicos), dentre outras maravilhas. Na mesma rua se encontram as Galerías Pacífico, um shopping center encantador, com muitas opções de lojas, restaurantes, cafés etc. Falando em hotéis, tenho uma boa dica: o simples e bem localizado Hotel La Argentina, na Avenida Mayo, perto do fabuloso Café Tortoni. Aliás, lá assistimos a um show de tango, mais simples que os outros, mas também um evento e tanto.

Em Buenos Aires, os cafés são uma instituição. Sentar em um local desses, ler um jornal e tomar um café é agir como um autêntico portenho. Outros lugares bem práticos no país são os locutórios, mistura de lojinha onde se vendem chocolates, sanduíches, refrigerantes, por exemplo, e opera-se com telefonia. Diga-se de passagem: o preço dos telefonemas é muito barato, em comparação com os nossos.

Passamos o Reveillón na capital. O argentino aproveita diferentemente da gente. Quem se vê nos restaurantes lindamente decorados pela cidade ou em Puerto Madero (local turístico à beira do Rio da Prata) são os turistas. O povo considera a data tão importante e familiar quanto o Natal, logo não sai de casa e cai no badalo, comemora a ceia com a família. Já nós, por 120 pesos à época, jantamos na esquina do hotel no restaurante francês Ce Bleu. Valeu a pena, pois foi uma refeição farta e alegre. Depois com outros casais brasileiros, fomos ao Puerto Madero, onde houve shows de fogos e muitos turistas se divertindo, dançando e cantando nos restaurantes e no calçadão.

Um passeio válido é do rio Tigre. Vai-se à estação de trem Retiro, perto da Torre dos Ingleses e por 1,10 pesos (à época) se vai à Estação Mitre. De lá se pega o Trem de la Costa até o Tigre. No caminho, descemos na cidade bucólica e charmosa San Isidro. Vale a pena dar uma voltinha e sentir a sua tranquilidade. Existem lugares tão calmos e belos que sentimos vontade de morar em tal paragem. Pegamos o trem novamente e fomos à cidade de Tigre, a fim de fazer o passeio de barco ao longo do rio. Em uma hora e por 22 pesos (naquele ano), entramos em uma lancha e saímos a passear para ver casas lindas e testemunhar a vida de pessoas que lá residem. O museu Casa Domingo Sarmiento, protegida por um vidro enorme, chama a atenção. Como era feriado, a maioria dos restaurantes estava fechada, então nos contentamos com empanadas e cerveja Stella Artois.

Voltando à capital, mais dicas: passeios pelos bairros apaixonantes Recoleta e Palermo. E um restaurante bom e barato: Punta Cuore na Av. Corrientes, 4199. Por 16 pesos à época, comemos ravioles artesanais.

De Buenos Aires, continuamos na jornada rumo à Ushuaia, a capital da Terra do Fogo. Estamos quase na Patagônia. Aguardem…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rumo à Patagônia Argentina: Parte 1

Rumo à Patagônia Argentina – Parte 1: Porto Alegre e Uruguai

 Estamos no final do ano de 2009. Tudo começou em Porto Alegre – RS. Na verdade, o Carlos e eu fomos passar o Natal lá. Entre velhos amigos e familiares, os passeios foram acontecendo. O Portinho, como é carinhosamente conhecido, tem muito a oferecer, mesmo com tanto calor de dezembro. Dicas não faltam: no centro há a Catedral, o Palácio Piratini, o Centro de Cultura Mário Quintana, o Mercado Público, dentre outros lugares interessantes. Ao chegarmos, à noite fomos a um bistrô francês aconchegante, chamado Lorita.

Outros passeios são o Gasômetro, o bairro Ipanema e a orla do Guaíba, repletos de charme e muito verde. Algo que chama a atenção na cidade é a quantidade de árvores, plantas e parques.  Nota-se que o portoalegrense ama cuidar e zelar pelo local onde vive. Lugar que amo ir aos domingos pela manhã é o Brique – a feira de antiguidades e artesanatos – no parque da Redenção. É uma ótima maneira de sentir a atmosfera da cidade visitando um lugar original desses.

De avião, rumamos a Montevidéu, afinal nunca havia pisado em solo uruguaio. Por um dia, deixamos de descer no novo aeroporto da cidade, construído bem perto do antigo. Aliás, chama-se Carrasco e fica localizado no bairro do mesmo nome. Por conta do terminal estar sendo desativado, não havia balcão de informações, logo ficamos um pouco perdidos, assim como outros brasileiros também. O preço do táxi era exorbitante para a Ciudad Vieja, ou seja, a cidade velha e histórica, então estávamos averiguando o valor dos ônibus. Até que uma moça de lá apareceu e foi um anjo nas nossas vidas. Obrigada, Andréa! Que criatura gentil e eu que pensei que ela trabalhava com turismo, mas não… foi pura bondade. Colocou-nos em um ônibus de carreira, do tipo simples e barato (25 pesos uruguaios à época), e lá fomos nós, os brasileiros. Detalhe: entendo porque o táxi era caro, porque a distância era enorme, muito longe mesmo. Foi uma aventura, nós com as malas bem recheadas no corredor do transporte público, o povo chegava e nem reclamava, ai já fiquei estupefada. Fomos os últimos a descer, o motorista educadamente nos disse onde parar e ainda deu a dica do táxi para o hotel: mais 50 pesos e chegamos ao Palácio Hotel: na rua Bartolomé Mitre, 1364 (com Peatonal Sarandi); www.hotelpalacio.com.uy. Aconselho este hotel, bem localizado, em pleno centro, perto de prédios históricos e do fantástico Mercado del Puerto – mercado com muitas opções de restaurantes, ambiente bonito, com lojas de artesanato que valem a pena. Foi projetado pelo engenheiro R. V. Mesures na Inglaterra e inaugurado em 1868. Dica de restaurante: La Chacra del Puerto, prato: arroz de mariscos. Lógico que as carnes são excelentes. Importante mencionar que a entrada em qualquer restaurante no Uruguai e Argentina é pão e haja pães gostosos, com isso, as calorias vão para a estratosfera… Não tem como evitar, pois está incluído no preço, o jeito é comer e fazer regime quando voltar.

 

Citando o hotel novamente, ele tem um staff de pessoas simpáticas, trata-se de um hotel antigo, com aquele elevador do século passado que admiro. Só não oferece café da manhã e nem precisa, pois tem restaurantes perto que o fazem: a Pasiva tem um muito bom por 43 pesos à época. Uma sugestão: restaurante Dom Peperone, comida italiana, ambiente acolhedor e a imperdível cerveja Patrícia, típica do país. Muito boa! Não é tão encorpada como a nossa, por isso bebe-se no litro e meio. Ai, que saudades dela! No mesmo restaurante toma-se o chá da tarde com delícias de chocolates e doce de leite. Isso é excepcional no Uruguai e Argentina, maravilha dos doces!

Aconselho um passeio pelas Las Ramblas (a Copacabana deles). A orla é linda, extensa e bem cuidada, os prédios não são altos, mas são modernos e agradáveis de se ver. Contratamos um motorista de táxi e fizemos esse passeio. Na minha opinião, sempre aprendemos muito com eles, são ótimos guias. Um prédio lindo, localizado no centro histórico, e digno de nota é o Palácio Salvo do arquiteto Mario Palanti. Foi inaugurado em 1928 com altura de 95 m. e chegou a ser o mais alto da América do Sul.

DSCN0474
Exemplo de hotel em Punta del Este-Uruguai-foto tirada por Mônica D. Furtado

Decidimos conhecer a famosa Punta del Este e saber o porquê de ser tão amada. De onde estávamos no centro, pegamos o ônibus 180 para a Estação Três Cruces e por 296 pesos por pessoa à época, pegamos um ônibus bastante confortável (duas companhias trabalham essa rota). Duas horas para chegar, ficamos duas horas visitando a cidade e depois voltamos. Apesar do pouco tempo, deu para captar a essência do local. É simplesmente apaixonante, fomos e sonhamos em voltar por mais tempo. Demos umas boas voltas pela praia, vimos prédios baixos, respeitando o ambiente, sentimos o clima de veraneio dos turistas, tiramos fotos do símbolo de Punta: aqueles dedos na areia da praia, e contratamos de novo um motorista de táxi para nos mostrar a cidade. Valeu! Com ele, passeamos pelo bairro San Rafael, Beverly Hills, bairro judeu, praia de Maldonado, com casas lindas e grandiosas, além de parques, jardins e muita vegetação. Até a casa dos caseiros é imensa, outro padrão de vida, sem dúvida. Cá pra nós, os Grendenes têm casa lá.

Voltamos a Montevidéu e de lá viajamos a Buenos Aires… no próximo artigo continuaremos…

My Impressions of England

Este artigo foi publicado no jornal Spy da Casa de Cultura Britânica-Universidade Federal do Ceará em 1997, ideia do nosso então professor visitante Dietmar Dombrowsky. Fica aqui o reconhecimento pelo seu trabalho profícuo na CCB por quatro anos. Aliás, ele esteve em Berlim e em Hastings comigo e com a Glaucya naquela época. Dietmar, sempre presente e atuante, meu muito obrigada. O artigo é em inglês, mas as fotos estão explicadas em português. Espero que gostem.

My Impressions of England

“Spy” Newspaper -Casa de Cultura Britânica-UFC

It was the first time I went to Europe: February 1997. My friend Glaucya Brito and I visited Amsterdam, Berlin, Paris and some places in England, such as Hastings (where we stayed for two weeks to do the course named Methodology Refresher at the International House), Rye, Cambridge, Battle and finally, London.

Getting to England made me feel as if I were in a tunnel of time and I found myself in the past, in 1516, 1600 and so on… but maybe because the English people really preserve their history by taking good care of their castles, legends, hills, battles and customs.

It was a wonderful experience to have been among them for more than two weeks. I could observe some of their habits a little bit. I´m going to tell you some of their likes and dislikes. For sure, they love “fish n´ chips”, especially, chips. They eat chips with lasagna, pizza, rice etc. They also love tea, of course. In the historical town called Rye, my classmates and I went along with our teacher to a “Tea Room”. It was a Friday afternoon. We took the train in Hastings and went there to enjoy this lovely and romantic town. Well, in the “Tea Room”, we ordered the famous “cream tea”, which is tea (there were a lot of different kinds of tea) and scones (a mixture of bread and cake) to be eaten with jam and cream. Wow! What an experience from Heaven! Lots of calories but no problem, it was something not to be missed.

Another English habit is going to pubs. There are pubs everywhere in England, on every corner, to be more precise. I can´t imagine the English people without drinking beer. The pubs inside are very cosy and comfortable, although sometimes they´re very crowded. They sometimes have live music, with customers playing instruments and everybody singing. And a lot of smoke in the air (how much they smoke is incredible). At 11.30 p.m. the girl at the counter rings the bell, so that the customers are invited to order the last beer, because the pub is closing soon. After that, people go to clubs. That´s why there are the verbs “to pub” and “to club” in colloquial English. They´re part of their everyday lives.

What are the English like? They´re nice and friendly, especially, in the countryside.

What else? The Royal Family is loved despite the scandals, principally, Lady Diana. Just something funny: in the classroom, when someone sneezes, they say: “God save the Queen”. Imagine…

There´s much more to say… See you!

P.S. Their sense of humour is peculiar. They´re kind of ironic, and love making fun of other people. When the famous book writer and teacher Jim Scrivener told me about how they responded to a sneeze, I really believed him. In fact, it was a joke. The problem is that they tell jokes seriously. I came back to Fortaleza and told everybody that when someone sneezed, they said: “God save the Queen”. Sometime later Jim Scrivener came to Casa de Cultura Britânica in Fortaleza (to give us a workshop, sponsored by the British Council) and told me that nobody said that, that it had been a joke. I was so embarrassed. “God bless you” is what they say.

Plácido e Pierina

PLÁCIDO E PIERINA

Cel. Rui Pinheiro Silva

No começo do século passado vivia em Fortaleza um notável comerciante, homem destemido na arte de ganhar dinheiro e executar obras suntuosas: chamava-se Plácido Carvalho.

Sua loja, localizada numa esquina da Praça do Ferreira, vendia roupas, calçados, perfumes, era quase um shopping. Para comercializar tanto luxo, ele viajava constantemente à Europa onde se abastecia nos melhores endereços do Velho Mundo. Mas um dia, avistou em Paris uma linda mulher pela qual se enfeitiçou: era uma italiana de Milão, elegante, vistosa e disponível, cujo nome era Maria Pierina.

Corria o ano de 1914 e a 1ª Grande Guerra irrompia na Europa com todas as suas consequências, mas, graças à visão do excelente comerciante, a loja de Fortaleza já fora totalmente reabastecida.

Casam-se, e a vida de ambos toma novo destino. Plácido retorna a Fortaleza e, para receber sua amada, manda construir o suntuoso Theatro Majestic Palace, localizado na Praça do Ferreira, cuja festiva inauguração coincide com a chegada dela.  Fortaleza vira Paris. Com o fim da guerra e a ajuda de Pierina, a Casa Plácido passa a exportar para a Europa, agora com preços multiplicados, os inumeráveis bens que ali faltam. O casal torna-se riquíssimo e decide construir no bairro Outeiro, hoje Aldeota, um palácio, que fica conhecido como o Palácio do Plácido, entre as Av. Santos Dumont, Costa Barros, Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno. É um belíssimo palácio italiano, onde vai residir o casal.

Em 1922, Plácido inaugura na Praça do Ferreira o requintado Cine Moderno que irá servir à sociedade e, também, inaugura o prédio da Farmácia Oswaldo Cruz. Resolve, por fim, dotar Fortaleza do seu maior prédio. Encarrega o cunhado Natale, irmão de Pierina, de executar o projeto feito na Europa. E, daí, vai surgir o Excelsior Hotel, de nove andares, construído em alvenaria e suportes de longarinas, inaugurado em 31 de dezembro de 1931. Todas essas notáveis personagens e belíssimas construções, exceto o Excelsior (graças ao Janos) e a Farmácia, o vento levou.  Cadê nossa história?

 

P.S. O Coronel Rui Pinheiro Silva é um querido amigo do meu pai, escreve para jornais e é outro apaixonado pela arte da escrita, por isso ele está aqui no meu blog. Falar da Fortaleza antiga é indubitavelmente um prazer e uma nostalgia a quem viveu aquela outra cidade e hoje não reconhece a atual, pois a que temos mudou muito.

Cariri: Barbalha e Caldas

Cariri: Barbalha e Caldas

Estamos chegando ao fim da nossa jornada de agosto de 2017. Já estivemos em Juazeiro do Norte, Crato, Nova Olinda e Santana do Cariri. Hoje vamos conhecer as charmosas Barbalha e Caldas.

Vamos começar? Primeiramente, gostaria de saudar as amigas de Barbalha: Fátima e Jéssica. Pessoas queridas que acolhem tão bem. Obrigada.

Estamos ainda na região Crajubar (Crato-Juazeiro-Barbalha), a ligação entre elas é intensa. Já fui algumas vezes a Barbalha e sempre me encanto com a parte histórica. Como é linda com suas casas antigas e coloridas. Parece que o tempo parou… Ali em frente à Igreja da Matriz (Nossa Senhora das Dores), há uma praça e ao redor dela existem casas centenárias, responsáveis por contar muito da história da cidade. Lá se encontra o Palacete dos Alencar, casa na cor rosa, que chama a atenção. Foi edificado em 1817, a mando do padre Gregório de Sá Barreto, primeiro adjutor (auxiliar) da Capela de Santo Antônio. Foi a primeira construção de arquitetura monumental da vila, pois existiam somente casebres ao redor da capela, hoje matriz de Barbalha.

Quanto à praça, trata-se da praça do Pau da Bandeira. A estátua de A. José da Costa Veloso, dito “pavão”, foi o capitão do pau e se tornou ícone da cultura barbalhense. A cidade cultiva seu patrimônio histórico e se orgulha de seus costumes. Muito bonito isso. As festividades dedicadas a Santo Antônio, padroeiro da cidade, se estendem até 13 de junho e o ponto máximo da festa é o carregamento de um tronco enorme de madeira, conhecido como pau da bandeira, tradição que remonta ao século XIX. O cortejo se encerra com o hasteamento da bandeira, em frente à Igreja Matriz. O pau da bandeira fica lá na praça pelo ano todo até o próximo. Interessante que as moças interessadas em casar são impulsionadas a tocar no mastro no dia da festa, sentar-se nele ou ingerir o chá da sua casca a fim de encontrarem bons maridos. A cada ano o número de curiosos aumenta. Também há bandas e cantores populares que se apresentam nas ruas da cidade, enfim é uma grande manifestação da cultura local.

Como toda cidade do Cariri, Barbalha é limpa, bem cuidada e amada por seus habitantes. Também a Igreja do Rosário tem uma beleza diferenciada.

De Barbalha sobe-se a Chapada do Araripe e se chega ao Caldas, um vilarejo bastante agradável com casas de veraneio e moradores, igreja, o Balneário Termas do Caldas e o Hotel das Fontes, ligado ao balneário citado. É digno de nota mencionar a construção de um teleférico entre o Caldas e o Cruzeiro em cima da Chapada. Vai ter borboletário e mirante. Promete.

Imperdível conhecer o balneário com suas fontes, plantas, árvores, flores, com uma boa infraestrutura para se aproveitar os espaços verdejantes, a natureza viva, as piscinas e os banhos termais de águas minerais, chamadas de “buracos”. Estes banhos são meus preferidos, além de revigorantes, são bons para a pele, o cabelo e a saúde. Tem restaurante, lanchonetes e redes para alugar, muito original. As famílias se reúnem debaixo das árvores e fazem seu piquenique. É tudo muito tranquilo e dá gosto em estar em local tão aprazível. Tomar banho no buraco faz parte da nossa jornada no Caldas.

Aqui termina a nossa aventura caririense. Êta região para eu gostar e querer sempre retornar…

 

Cariri:Nova Olinda e Santana do Cariri

Cariri: Nova Olinda e Santana do Cariri

Estamos em agosto de 2017. Já estivemos em Juazeiro do Norte e Crato nas nossas aventuras. Agora iremos à Nova Olinda e Santana do Cariri.

Vamos começar? A estrada entre Crato e Nova Olinda está na fase de recuperação, esperamos que não demore. Rumamos à cidade, motivados em conhecer o famoso artista Espedito Seleiro. Confesso que conhecia algumas obras dele, mas não sabia o seu nome. Depois de tanta propaganda, ficamos curiosos. Valeu a pena! Apesar do calorão, nos divertimos bastante na jornada: o Carlos, a Denise, a Celina (amiga) e eu. Como toda cidade do Cariri, é ajeitada e limpa.  Posso dizer a vocês que o ponto turístico é a rua em que vive: a loja, as casas dos familiares e dele e o Memorial. Muito interessante e em um domingo mais fabuloso ainda.

Falemos na pessoa dele. O Espedito Seleiro é conhecido internacionalmente. Trata-se de um senhor simples, bom de prosa e que gosta de trocar ideias mil… Passamos um tempão com ele e com a nora (vendedora). Ele saiu no programa da Regina Casé da TV Globo, fez exposição de roupas para a Cantão, Cavaleira e Farm e vende na CEART (Centro de Artesanato do Ceará) e em outros locais. Trabalha com os irmãos e filhos e está na quinta geração de trabalho com o couro, mas o colorido foi invenção dele. Tem histórias do avô dele com Lampião e vários ilustres já estiveram no seu ateliê e loja: Zeca Balero, o governador Camilo Santana, os irmãos Campana, arquitetos renomados etc. As fotos estão lá para comprovar. Fiquei abismada ao ver as cadeiras feitas de couro por ele para os Irmãos Campana. Sucesso mundial. E tem mais: é Mestre da Cultura – Título de Notório Saber em Cultura Popular (Artesanato em Couro), agraciado pela UECE (Universidade Estadual do Ceará), em reconhecimento à sua contribuição artística e cultural; também recebeu a comenda pela Ordem do Mérito Cultural na classe de Comendador em 03 de novembro de 2011, assinado pela ex-presidente Dilma Rousseff e pela então Ministra da Cultura Anna Maria Buarque de Holanda. Todos esses documentos estão no Memorial Espedito Seleiro (perto da loja), gentilmente aberto e mostrado pelo filho dele. Trata-se do Museu do Ciclo do Couro no qual há fotos da região, medalhas, comendas, fotos da família, instrumentos usados pelo vaqueiro, roupas, dentre outros. Imperdível o passeio. Detalhe: a família dele fugiu da seca, vieram de Arneirós (no sertão de Inhamuns) há muito tempo atrás. Hoje Nova Olinda tem a honra de possuir habitante tão conhecido.

Agora falando da loja. Para quem gosta de artesanato e cores, é o lugar. Nós amamos! Têm sandálias, bolsas (de enlouquecer!), chapéus de vaqueiro, cintos, chaveiros e muito mais. As cadeiras são únicas. Uau! Tudo é colorido e bonito. Digno de uma boa visita com dinheiro no bolso. Pretendo voltar lá…

De Nova Olinda nos guiamos a Santana do Cariri a fim de conhecer o Museu de Paleontologia, sob os cuidados da URCA (Universidade Regional do Cariri). Gostei. Chegamos perto das 13 h e já estava quase fechando, afinal era domingo. O guia estagiário foi bem atencioso. O museu é simples, organizado, e bastante frequentado por cientistas, estudantes e turistas do mundo todo. Vale a pena ir sem pressa. Vimos fósseis incríveis de pterossauros (segundo a Wikipédia, “enormes répteis voadores do período Mesozóico”), peixes e árvores. Imagino que os estudiosos fiquem encantados com o museu. Nós ficamos.

Demos uma olhada na cidade e achamos uma gracinha. Limpa, bem cuidada, com casas coloridas, típicas do Cariri. A padroeira é Santana. O caririense é muito católico, por isso a devoção aos seus santos.

Procuramos a Euroville, condomínio fechado de casas cada uma com um estilo de país, tão original que já saiu em uma reportagem da TV Globo. Infelizmente, estava fechada para os curiosos, pois está em reforma.

De Santana fomos ao Pontal da Santa Cruz, uma das pontas da Chapada do Araripe. Em uma subida com pedra tosca e carroçal, ruim para o carro, nos guiamos ao restaurante do Pontal, afinal estávamos com uma fome danada. O caminho é para Indiana Jones, tamanha a dificuldade para chegar lá. Interessante dizer que o Geossítio Pontal da Santa Cruz tem a caatinga como vegetação e a areia é parecida com a de praia. Por isso, fósseis de peixes serem encontrados na localidade. Penso ser um sinal que em um passado longínquo, havia mar nas redondezas. Falemos no restaurante. Sua vista é linda da Chapada, sua comida é bem regional e gostosa: macaxeira, baião, churrasco e frango. Nada melhor! Ali no lugar há uma capela, o mirante e a cruz enorme. Muito bom ter nos familiarizado com o Pontal. Um detalhe: há uma placa no caminho dizendo que a Floresta Nacional do Araripe foi a primeira floresta nacional do Brasil, criada em 1946. Já em cima da Chapada as árvores são maiores e mais verdejantes. O clima é outro.

Continuaremos nossa jornada em Barbalha e Caldas. Aguardem…

Cariri:Crato

Cariri: Crato

Continuamos nossa jornada pelo Cariri em agosto de 2017. Já estivemos em Juazeiro do Norte e agora vamos ao Crato, cidade ao lado de Juazeiro. Estão juntas, só se conhece o limite por uma sinalização na rodovia.

A cidade é tão querida de todos que é conhecida por “Cratinho de Açúcar”. Entendo a razão. É arborizada, limpa, tem várias praças com lugares para sentar e curtir a vida. O cratense é orgulhoso de sua origem e cultura e gosta de uma prosa. Como são gentis! Dá gosto passear e se sentir nativo.

A Praça da Sé na qual está situada a catedral é uma delícia. A novidade é um parquinho para as crianças. Os quiosques de sucos e vendas de comidas e filhós (uma “peta” da terra) fazem a festa das famílias à noite. Achei uma pena o Pão e Cia. ali ao redor da praça ter fechado, assim como a loja Karmélia de sapatos e bolsas. Eu frequentava os dois locais. Ainda bem que existe a loja de bijuterias e acessórios Hippie Chic com suas novidades e criações. Saudações à Deusinha com seus sorvetes deliciosos e cafés. Foi maravilhoso passar o sábado à noite de papo com ela e amigas. Também aconselho o calzone ao lado. Um baita de um jantar. Um grande abraço à Heloísa e sua família do mercado da esquina da praça.

Um comentário: o pequi, fruta com gosto forte, é muito usado na culinária da região do Cariri. A pequizada é um prato recomendado.

Para informar vocês, a padroeira do Crato é Nossa Senhora da Penha e o nome da cidade foi escolhido em homenagem ao Crato de Portugal. O nosso foi fundado em 1706 pelo frei italiano Carlos Maria Ferrara. Como sei? Porque visitamos o Museu Histórico do Crato perto da Sé. Até 1960 era cadeia, Prefeitura (embaixo) e Câmara (em cima). No mesmo prédio atualmente funciona o Museu de Artes Vicente Leite, infelizmente, desativado. Algumas obras importantes estão expostas em um painel no museu citado. Vamos à visita. Nosso guia Adalberto disse ser o local tombado pelo IPHAN e que as salas foram reabertas para visitação em janeiro deste ano. Há a sala com obras sacras; a de Wanderson Petrova, artista de lá que trabalha com mulheres no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), em homenagem a Frida Kahlo; a de pinturas com obras expostas, incluindo o selo do 1º centenário da cidade e um acervo de instrumentos dos índios Cariris; a sala com um carrinho original, máquina de costura, cadeira de dentista, foto dos graduados da Faculdade de Medicina da Bahia de 1929, além da máquina de frisar cabelo e tijolos e azulejos da época. Bem interessante saber que o Cariri tinha o seu professor Pardal: o inventor Edival Saraiva de Oliveira. Ele começou a construir um helicóptero o qual ficou inacabado, mas o carrinho mencionado anteriormente ficou pronto e em uso. Parabéns a J. Figueiredo Filho, criador do museu e a Ricardo Saraiva da Rocha, Presidente da Associação dos Amigos do Museu Histórico. Aprendemos muito com ele, com o guia e com as funcionárias da entrada. Obrigada! Ter um museu significa ter história para contar às novas gerações.

Perto do Crato, há um passeio imperdível: o Arajara Park. Trata-se de um conjunto de piscinas em um parque muito bonito, florido, com árvores nas quais se pratica a tirolesa (segundo a Wikipédia: “atividade esportiva de aventura. Consiste em um cabo aéreo ancorado entre dois pontos pelo qual o praticante se descola através de roldanas”). Vale a visita, não deixem de aproveitar o ambiente e comer uma tapioca com um cafezinho na charmosa tapiocaria. É linda, com bancos coloridos, velas na mesa, toalhas repletas de cor e detalhes. Um mimo de lugar. Não digo que os locais são transados? Para entrar no parque, paga, mas se for só para um capuccino com cuscuz é grátis.

Do Arajara ao Crato, passamos por várias fazendas de gado. Bom sentir o cheiro do esterco, de interior no qual as pessoas vivem com tranquilidade. De lá fomos conhecer a estátua gigante de Nossa Senhora de Fátima. Muito linda. A estrada, porém, está péssima. Parece um rally. Há de melhorar muito o entorno a fim de receber os peregrinos. Também falta arborização, de dia deve ser muito quente. Além de sinalização para chegar naquela paragem. Espero ver as mudanças no futuro, pois se trata de um sítio promissor.

Denise querida, obrigada pela sua companhia nas nossas aventuras.

Do Crato vamos à Nova Olinda e Santana do Cariri. Aguardem…

 

Cariri:Juazeiro do Norte

Cariri: Juazeiro do Norte

Este artigo é de agosto de 2017. Estou recentemente chegada do Cariri. Nesta nova jornada Cariri vou falar para vocês sobre Juazeiro, Crato, Barbalha, Caldas, Nova Olinda e Santana do Cariri. Viajar para essa região é um prazer.

Já fui várias vezes a Juazeiro, Crato e Barbalha (cidades principais), e sempre tenho a certeza do meu retorno. Em Juazeiro do Padre Cícero e arredores, o Ceará é pujante, a economia fervilha e vê-se desenvolvimento. A região faz divisa com três estados: Pernambuco, Piauí e Paraíba. Encontram-se pessoas de diversas cidades fronteiriças morando lá. São locais atraentes aos jovens, por terem universidades reconhecidas. Esse contato é rico em termos culturais. Outras cidades da região são: Milagres, Brejo Santo, Missão Velha, Jardim, Farias Brito, dentre outras. Então, vamos começar nossa aventura.

O voo de 50 min. da Avianca é uma maravilha. Quando o preço está mais em conta, fica melhor ainda. Garanto que não falta o que fazer naquelas paragens. Falemos em Juazeiro primeiro. Com mais de 260 mil habitantes, vive da fé, indústrias, calçados, comércio etc. Percebi a cidade mais limpa, organizada e com praças remodeladas. Significa que a Prefeitura está agindo. Algo chama a minha atenção; o bom gosto das lojas, cafés e confeitarias, parabéns! Mas o trânsito é caótico. Nem carros, nem motos respeitam a sinalização, coisa de louco! Outro comentário: falta arborização na cidade. Ali precisa de um choque de árvores.

Vamos às dicas: a Praça La Favorita na Lagoa Seca (bairro mais elitizado de lá) é o lugar para uma caminhada no final da tarde. Aproveitem e passem no recém- inaugurado Albuquerque Delicatéssen, fenomenal! Os funcionários foram treinados em Recife, são cuidadosos e gentis. Tratamento de primeira. Trata-se de um supermercado, com padaria e café/lanchonete/pizzaria. Recomendo. Também gosto do restaurante Sirigado do Pedro. Muito bom. Ao redor da praça também há quiosque de açaí, cachaçaria e o hotel Iu-á. A confeitaria Amora e o Pão e Cia. estão localizados lá perto. São bonitos e transados. No mesmo bairro, pizzaria estilizada com decoração de fotos de países em preto e branco em uma parede e coloridas em outra: Flambeé. É pizza fina para comer com luvinha, muito boa. Para encerrar, uma novidade: Kava Café, bem decorado a lá Beatles e uma gracinha. As tortas são de dar água na boca. Parabéns, Juá. Seu bom gosto é indiscutível.

É obrigatório conhecer o Horto do Padre Cícero. Lugar bonito com a estátua gigante do fundador da cidade e santo reverenciado no nordeste, principalmente. A vista é marcante, vale a visita. Em épocas de romarias ao Padre Cícero, Juazeiro fica lotado. Ver tanta fé e devoção dos romeiros e dos habitantes da região é digno de nota. Encontram-se estátuas do santo padre nas residências, nas lojas, nas rodovias, em qualquer local, o que mostra a sua importância.

Como não falar em shopping center? O Cariri Garden Shopping tem tudo e supre também as cidades vizinhas. Gosto dele por ser amplo, agradável e bem sortido. Descobri desta vez a loja Jóias Bárbara´s com muita variedade de pulseiras, brincos, anéis etc de ouro do Juazeiro por um preço convidativo.

Fica aqui registrado o meu agradecimento a companhias tão queridas que o Carlos (meu companheiro de vida) e eu tivemos na viagem. Fomos visitar a filha caçula dele, Denise. Obrigada, Denise, Celina e boa turma da pousada do Sr. Agrimar, o tratamento recebido é sempre especial. Denise, você é sempre presente nas nossas jornadas, nosso “Anjo”.

Próxima parada: Crato. Aguardem…

P.S. Voltei a Juazeiro para passar o Natal de 2019 e vi mudanças. As praças estão mais bem cuidadas. As decorações natalinas são bem peculiares, com bonecos de neve e outros enfeites naquele calorão. A padaria Pão e Cia. que existia na Lagoa Seca não existe mais, agora há um shopping center novo: La Plaza Shopping, com opções de pizzaria, café, restaurantes e outras lojas. O voo da Avianca também não acontece mais, que pena! O horário dos voos em outras companhias é ruim, por ser de madrugada. Sempre há a opção de chegar lá vindo de Fortaleza por ônibus da Guanabara (de dois andares) . Gostei, fomos na parte de baixo que é leito, só é cansativo, uma vez que é a noite toda (umas dez horas de viagem).

 

Texas, Estado Surpreendente

                                  Texas, Estados Unidos 

Este artigo é de 2001. Antes de ter estado lá, quando a palavra Texas vinha à mente, pensava somente em fazendas de gado e petróleo, certamente inspirada pelo seriado Dallas de tempos atrás. Certifiquei-me que isso é verdade, porém o estado oferece muito mais e nos encanta.

Para começar, Houston. O centro da cidade com aqueles edifícios enormes é um cartão-postal. Tornam o cenário, visto de longe, espetacular. Também há o “Water Wall”, uma parede gigantesca com uma queda d´água. Tudo no Texas é grande, isso é facilmente percebido! O Shopping Center Galleria com seu restaurante “The Cheesecake Factory” vale uma lauta refeição.

É uma delícia passear por Houston com seus parques com muito espaço e arborizados e em seus bairros aconchegantes. Vale também uma visita à Universidade Rice, pois seu campus é muito bem cuidado.

Nos EUA é mais aconselhável conhecer os locais de carro, diferentemente da Europa, onde as caminhadas são comuns.

Uma viagem bastante válida é ao litoral: Kemah Boardwalk, um complexo turístico com hotéis, restaurantes, lojas, calçadões, tudo muito atraente. O restaurante temático Aquarium e seus muitos aquários é um deslumbre; Galveston é outra possibilidade de passeio, perto de Houston, sendo uma cidade à beira-mar adorável.

Aos aficcionados por centros de compras, ou seja, um bom “outlet”, um lugar imperdível é o Katy Mills em Katy, perto de Houston. São mais de 200 lojas FANTÁSTICAS e por preços COMPENSADORES. Literalmente, endoidei! O restaurante temático de florestas tropicais é uma graça, os comensais degustam a saborosa comida escutando os sons dos macacos e elefantes.

O estado é uma grande caixa de surpresas! No inverno, as estradas ficam enfeitadas por flores do campo, de cores variadas, exalando seu aroma pelo caminho. Inimaginável! É um espetáculo lindo, lindo, lindo! Vamos viajando e se deliciando com as flores selvagens: “wild flowers”, como são conhecidas.

Quem diria ter o Texas colônias estrangeiras, formadoras de cidades de sua origem?

Pois há! Mais perto de Austin, capital do estado, existe Fredericksburg com a atmosfera semelhante a Gramado-RS, fundada por alemães, repleta de pousadas coloniais, casas de vinho, restaurantes aconchegantes, padarias/confeitarias de dar água na boca (por exemplo, a Rather Sweet Bakery & Café em 249 E. Main Street), com uma natureza rica em flores, árvores, riachos, um sonho! E há mais: uma opção de hospedagem inusitada. Controlado por Quanah Acme & Pacific Historical Train Accomodations, o vagão de trem chamado “The Pullman Car Hotel”, histórico por ter hospedado o ex-presidente Theodore Roosevelt é uma interessante opção de hotel. É completo com cozinha, quartos, banheiros, decorado como na época de sua inauguração no século passado. Aconselho a experiência! Um feito e tanto!

Rumando ao norte pela rodovia 965, chegamos à Montanha Encantada, isto é, “Enchanted Rock”. Trata-se de um parque natural cuja montanha principal oferece um olhar especial do vale. As pessoas vão lá para fazer piqueniques, dar caminhadas, praticar esportes radicais, ou simplesmente, admirar tão belo panorama.

De lá, fomos a Castroville, outro primor de cidade. Desta vez fundada por imigrantes franceses da Alsácia-Lorena no séc. 17. A beleza das igrejas e casas já é o maior convite a visitá-la. Tudo é de boneca! Além da comida maravilhosa, é claro! O “Alsatian Restaurant” nos transporta à tentadora França de paladar requintado. Vale provar a sobremesa “peach cobbler”, doce de pessego quente com sorvete em cima. Uau! Uma dica de pousada: a Pousada Estadual, o lugar é um verdadeiro paraíso com um rio passando dentro do terreno. Digno de nota são as casas/museus lá dentro. Um convite à paz de espírito.

O símbolo do Texas é o seu gado de chifre longo, chamado de “long horn”.

Como visitar tão rico estado e não conhecer o Forte Alamo em San Antonio? Menor do que o imaginado, trata-se de uma referência histórica para os americanos. A cidade tem seus canais no centro histórico e uma estrutura turística invejável. O filme “Miss Simpatia” com Sandra Bullock mostra bem direitinho. Existem restaurantes, cafés, confeitarias e hotéis ao longo do rio. Olhamos para os barcos cheios de turistas boquiabertos (como eu!), enquanto caminhamos pelas suas pontes e vias, sempre preenchidos com muito verde. Água e verde, quer combinação mais bucólica? Para mim, a cidade mais charmosa do Texas.

Enfim, a capital: Austin. Bonita, bem cuidada, mostrando seus prédios magníficos e sólidos para a humanidade, dentre eles, o da Universidade do Texas, universidade classe A. Austin oferece lugares agradabilíssimos de ver como o mirante “Bell Mountain”.

O texano é orgulhoso de sua história, terra, flores, parques. Realmente, foi uma grande surpresa ter passeado por lugares tão bonitos. Valeu, Texas!

san antonio
Canal em San Antonio-Texas-foto tirada por Mônica D. Furtado