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Uma Jornada Europeia: Londres

Uma Jornada Europeia: Londres

Estamos em janeiro de 2009 em pleno inverno. O Carlos e eu já viajamos por Lisboa, Porto e Santiago de Compostela, passando por Viana do Castelo na Jornada Europeia parte 1. Depois fomos a Amsterdam, Bruxelas e Bruges na Jornada Europeia parte 2.  No artigo anterior, estivemos em Paris. Agora rumamos a Londres, a última etapa da nossa viagem.

19˚ dia: Ufa, chegamos ao aeroporto Heathrow em Londres e lá estava nos esperando a minha amiga inglesa Rosie Barker, a quem eu já havia hospedado em casa tempos atrás. Desta vez foi o momento dela retribuir. Ela nos hospedou na sua casa vitoriana, estilo “aquelas dos filmes”. Nós nos beliscávamos o tempo todo. É mágico! O bairro era Stoke Newington. Ela já esperou-nos no aeroporto com o cartão de transporte pago para alguns dias. Na capital inglesa, em ônibus, metrô e até barco se usa o tal cartão. Há de se ter cuidado e ter sempre crédito, se não o vexame é certo. Bem, para chegarmos a casa dela foi uma hora de trem, mais ônibus e uma caminhada. A noite foi de televisão, matar as saudades e bater papo com a amiga, além de comidinha caseira e vinho para esquentar. Obrigada pelo carinho, Rosie.

20˚ dia: O afamado Museu Britânico de graça! A querida Rosie nos deixou lá de transporte público e a pé. Como sempre, o lugar estava lotado de turistas e estudantes mirins com seus professores. Ver as crianças de terno foi um deleite. Achei o museu mais organizado do que em 1997, faz tempo! As seções da Grécia e do Egito são minhas preferidas. Também fomos ao charmoso Covent Garden (com suas lojas, restaurantes e feira de artesanato), Big Ben, Houses of Parliament (Casas do Parlamento), Abadia de Westminster, Palácio de Buckingham, sebos pelo caminho e almoço em um restaurante turco. Londres é mesmo cosmopolita, vê-se de tudo e ninguém se importa com você. Considero isso fantástico: gente de todas as tribos vivendo suas vidas sem se preocupar com os outros.

21˚ dia: Da mesma forma, há problemas no trânsito londrino, o mesmo do dia anterior: lento, por conta de homens trabalhando na rua, então andamos bastante para chegar à estação de metrô Angel e de lá ir para o Picadilly Circus. Por £22 (pounds) à época entramos no ônibus vermelho “double-decker” para turistas e fizemos um city tour pelos pontos turísticos principais. Este dia foi inesquecível por termos assistido ao musical O Fantasma da Ópera no teatro Her Majesty´s Theatre, situado à rua Haymarket. Algo grandioso e emocionante. O teatro é específico para esse musical há anos. Há duas sessões: uma às 14 h e outra às 20 h. Fomos na da tarde. Outro detalhe: pagamos mais caro, porque compramos em um guichê perto do Covent Garden. O melhor local para compra de ingressos é na Leicester Square (praça). De lá fomos para casa e passamos por um pub, afinal estar em Londres e não tomar um chope em um bar tão londrino não vale. Saímos do local com porta-copos (presente do dono)  e fizemos deles lembranças de viagem.

22˚ dia: “Good bye, London!”. Até breve! E lá vamos nós de volta a Lisboa. Aconselho ao partir de Londres fazer tudo com muita antecedência, pois do ônibus onde estávamos, tivemos que sair, deu “prego”. Aí começou a romaria de andar a pé carregando malas até a estação de metrô mais próxima (Angel), trocar de linha de metrô até a King´s Cross e depois pegar o metrô para o aeroporto Heathrow ( terminal 2-linha Piccadilly), que é longe. Que sufoco! Ainda bem que me lembrei de carregar o cartão de transporte anteriormente, aquele emprestado pela Rosie. Ao chegar ao Brasil, mandei de volta pelo correio, uma vez que ela sempre empresta aos hóspedes. Ao chegarmos a Lisboa, fomos ao Residencial Duas Nações novamente, caminhamos pelo bairro Chiado, passamos pelo Café A Brasileira (frequentado por Fernando Pessoa), por lojas e livrarias. E degustamos caldo verde, bacalhau e vinho no jantar.  Ficamos encantados ao testemunhar que o restaurante somente tinha dois trabalhadores e de mais de 70 anos: um era o cozinheiro e o outro o garçom. Notável como dão conta de tudo e ainda tem tempo para uma boa prosa Portugal-Brasil. E como não amá-los?

23˚ dia: De manhã pegamos o bonde “elétrico” 15 para ir a Belém por €1,40 à época na Praça do Comércio (perto do nosso hotel). Visitamos o Mosteiro dos Jerônimos, Padrão do Descobrimento e fomos comer bolinho de bacalhau e pastel de Belém na famosa confeitaria Pastéis de Belém que não espalha a receita secreta. Pegamos mais tarde um táxi para o aeroporto via Sacávem e Oceanário, caminho mais longe, contudo com menor trânsito. Aí se conclui mais uma viagem à amada Europa. Voltamos ao Brasil, repletos de felicidade e certos de que sempre deixamos um pouco do nosso coração naquele continente.

Uma Jornada Europeia: Paris

 

Uma Jornada Europeia: Paris

Estamos em janeiro de 2009 em pleno inverno. Já viajamos por Lisboa, Porto e Santiago de Compostela, passando por Viana do Castelo na Jornada Europeia parte 1. Depois fomos a Amsterdam, Bruxelas e Bruges na Jornada Europeia parte 2. Agora chegamos a Paris, a mais cantada e poetizada das cidades.

Continuemos com a nossa aventura.

12˚ dia: Enfim, Paris! Sonho dourado! Confesso a vocês que, embora seja professora de inglês, minha paixão é Paris. Viva a França! O cemitério de Pére Lachaise onde imortais estão enterrados  é enorme, estava chovendo, nos perdemos, pois estávamos sem o mapa do local e sabe que só encontramos um túmulo conhecido nosso? O de Allan Kardec. Foi emocionante! Seguindo em frente, Champs Élysées (a avenida mais famosa do mundo, decorada para o Natal ainda) com almoço no restaurante George V (salmão). Detalhe: o garçom era português, pra variar! A colônia de portugueses na terra francesa é imensa. E nós brasileiros podemos contar com a simpatia deles. Um aparte aqui: em outra viagem bem anterior faltaram moedas para um cafezinho e quem me salvou foi um português na estação Gare Du Nord. Como não amá-los?

13˚ dia: Basílica de Sacre Couer (do Sagrado Coração), o bairro de Montmartre (convidativo!) com sua praça dos pintores: Place de Tertre, o Moulin Rouge, a Ópera, a Galeria Lafayette (tentação pura!), o Printemps (a loja de departamentos mais em conta) e o velho e adorado rio Sena. Como deve ser bom morar lá…

14˚ dia: Desta vez visitamos a Ópera por dentro e como não se lembrar do célebre Fantasma da Ópera? Também o bairro Quartier Latin, o passeio de barco Bateau Mouche e a pé pela Prefeitura chamada Hotel de Ville, iluminada ainda para o Natal com pista de gelo para patins em frente. Magia pura!

Hotel em Paris? Ficamos no Hotel du Printemps no bairro La Nation na Boulevard Picpus, perto de metrô e ônibus. Excelente localização. Tem tudo perto. O café da manhã se paga por fora. Se não quiser, há muitas opções de padarias e cafés nas proximidades, além de um supermercado Casino. O quarto é pequeno, mas em Paris tudo é caro, portanto foi uma ótima pedida. Os recepcionistas foram muito atenciosos e nos deram dicas fantásticas.

15˚ dia: Passeio ao Vale do Loire de van por uma agência de turismo, encontrada e combinada ao vivo no dia anterior. O problema foi estar em frente ao local, pros lados do Sena, às 7 h da manhã em uma manhã invernal. É passeio para o dia todo. E haja correria a pé e de metrô, mas tudo deu certo. Visitamos três castelos: o Chenonceau, o Cheverny (onde conhecemos a marquesa /dona que mora no castelo com a família e possui uma loja bem sortida lá, foi um doce) e o Chambord. O dia foi venturoso, valeu cada minuto! É tudo tão encantador, pródigo, verdejante, são tantos bosques. Almoçamos sanduíches que compramos no caminho em um lugar para piqueniques abandonado em bancos de concreto. O guia multilíngue já havia morado na Bahia, logo estava em êxtase por encontrar brasileiros na van. Também havia russos e outros franceses do interior. Dia bastante agradável.

16˚dia: Paris de novo: Igreja da Medalha Milagrosa (pena que estava em reforma, fomos à loja), encontro com minha prima Nilce (residente no país há anos) na Fondation Maison des Sciences de l´Homme, uma fundação de pesquisa. Obrigada, prima. Fomos também ao bairro La Defense (com arquitetura bem moderna). Como usamos o ticket do metrô comum, fomos multados na saída do trem RER (trem interurbano) por uma oficial antipática em 25 euros cada. Doeu no bolso! Motivo: havíamos saído de Paris uma parada sem saber. A saída do trem é dentro do shopping do La Defense. Isso azedou nosso passeio, tanto que não quisemos mais continuar nossa visita. Estávamos revoltados. Depois no hotel, o recepcionista nos disse que geralmente perdoam a multa dos turistas, mas essa oficial foi taxativa. Ficou como experiência. De lá ainda fomos à Igreja de São Estácio e depois ao charmoso bairro Marais, o que melhorou e muito nosso humor…

17˚ dia: Fomos ao Parque La Vilette no norte de Paris e na sala de cinema especial chamada La GEÓDE (cúpula geodésica espelho-acabado), assistimos a um filme em 3D sobre golfinhos e baleias. Está situado na Cité des Sciences et de l´Industrie (Cidade das Ciências e da Indústria). Da mesma forma, visitamos o submarino Argonauta. Saímos a fim de terminar o dia na Igreja estilo clássico Madeleine e na Champs Élysées de novo e como não?

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Sala dos Espelhos-Palácio de Versailles-foto tirada por Mônica D. Furtado

18˚ dia: Fomos de trem por conta própria ao Palácio de Versailles. Passeio obrigatório e de um dia. Depois de volta a Paris: Torre Eiffel. Perto do hotel há um restaurante italiano de gente afável. Os espaguetes siciliano e carbonara foram divinos, regados ao bom vinho francês.

19˚ dia: Saímos de Paris pelo ônibus 351 que leva a gente até o aeroporto Charles de Gaulle – terminal 2B (British Airways). O bairro Nation é bem assistido em termos de transporte, esse ônibus foi uma sugestão valiosa do pessoal do hotel. Foi mais barato ir a Londres de avião. Em breve chegaremos à capital inglesa…

 

Uma Jornada Europeia: Amsterdam, Bruxelas e Bruges

Uma Jornada Europeia: Amsterdam, Bruxelas e Bruges

Continuamos a nossa jornada pela linda Europa. Estamos em 2009 e já estivemos em Lisboa, Porto (Portugal) e Santiago de Compostela (Espanha).

Agora chegamos a Amsterdam na alegre Holanda. Vamos viajar?

7˚ dia: Chegada a Amsterdam de avião, vindos do Porto. Pegamos um trem no aeroporto Schiphol (magnífico!), descemos na estação de trens Central Station e depois subimos em um tram (um trem elétrico) a fim de descer perto do hotel escolhido. Fomos a pé para o Hotel Euphemia, muito bem localizado. É fácil andar pela cidade, tudo funciona efetivamente. O holandês fala inglês com perfeição e trata-nos com cortesia, sendo muito agradável e disponível. Ficamos encantados. Passear à noite pelos canais a pé é romântico e o frio de janeiro dá a impressão de estarmos em uma terra mágica.

8˚ dia: Passeio a pé até a Central Station, onde pegamos o barco para fazer o city tour. Depois fomos a pé pelo Bairro da Luz Vermelha onde as prostitutas legalizadas ficam na vitrine. É bem diferente, sem dúvida. Enfim, fui e conheci. Confesso ter achado um tanto deprimente, assim como passar pelos cafés onde a maconha é liberada. Não é justo pensar que a bela cidade se resume a só isso. Trata-se das minhas cidades preferidas na Europa.

9˚ dia: Foi o dia do magnífico Museu Van Gogh, também fomos a pé, por ser perto do hotel. Nos arredores vimos parques, escolas e estudantes, ou seja, um dia normal na vida deles. Chegamos ao hotel, pegamos as malas, entramos no tram 16, depois no metrô e fomos para a estação de ônibus Amstel Bus Station. Partimos para Bruxelas-Bélgica às 15 h. Assim que chegamos, fomos ao hotel Saint Nicholas (o melhor e mais caro da jornada), fizemos o check-in e logo saímos para conhecer a famosa Grand Place (praça). Realmente é fenomenal! Não tinha ideia que fosse paixão à primeira vista. Trata-se de um quadrado e seus arredores onde encontramos museu, igreja e restaurantes transadíssimos (especialidade: frutos do mar) em cujas fachadas há exposição de caranguejos, lagostas e peixes em cerâmica, além das chocolaterias (um dos melhores chocolates do mundo), a renomada cerveja belga e o artesanato gobellin e rendas. Uau! Que lugar imperdível!  

 10˚ dia: Ai, que frio! Visita a Bruges-Bélgica de trem. Os canais estavam congelados, então não houve passeio de barco e sim a pé. Tiritamos de frio! Cidade medieval e romântica, com casinhas que parecem de boneca e são decoradas com cortinas de rendas e bonecos a colorir os ambientes. Linda Bruges! Conhecemos a Catedral onde está a “Nossa Senhora com o Menino” de Michelangelo. De volta a Bruxelas, jantamos na rua dos restaurantes transados com menu bem em conta. Dica: a cerveja Grinenbergen é um achado.

11˚ dia: Passeio na cidade: Catedral de São Miguel, Parque de Bruxelas, Parlamento, Palácio Real e Grand Place. Lá é terra de waffles também. Amamos ter estado nesses lugares especiais.

A jornada continuará em Paris. Aguardem…

 

Uma Jornada Europeia: Lisboa, Porto e Santiago de Compostela

 

Uma Jornada Europeia: Lisboa, Porto e Santiago de Compostela

Começamos nosso roteiro turístico por Lisboa, sempre Lisboa. Estamos em 2009 e esta viagem acaba em Londres. Portugal representa um caso de amor na minha vida e na do Carlos, meu companheiro de vida e alma!

Lá vamos nós:

1˚dia: Oceanário, Parque das Nações, Parque Eduardo VII e a loja de departamentos El Corte Inglés. Andamos de ônibus, principalmente. E ficamos no Hotel Residencial Duas Nações em pleno centro, localizado à rua Augusta com rua da Vitória, aconselho! Tem que reservar com muita antecedência, pois é muito procurado.

2˚dia: Viagem de avião para o Porto, somente uma hora. Lugares amados: Estação São Bento, Rua de Santa Catarina, Shopping Via Santa Catarina, Café Majestic e Mercado do Bolhão, todos no centro e vai-se a pé até o Hotel Peninsular, muito bem localizado, perto da estação de trem São Bento. O tratamento foi especial, já que o gerente já havia morado no Brasil. Estávamos em janeiro e o frio era intenso. Urgh!

3˚dia: Encontro com as amigas Luísa Vaz Pinto e Margarida Branco, amigas fabulosas. Dedico este artigo à Luísa, professora dedicada, que, infelizmente, partiu muito cedo. Com ela e Margarida, tive momentos divertidos e estreitamos nossos laços Brasil/Portugal. Continuando: passeio de carro pelos graciosos bairros Foz e Matosinhos.

4˚dia: Porto-Braga de trem. Sugestões: Catedral da Sé e o seu Tesouro Museu, passeio pela cidade que estava em vias de ser considerada como Patrimônio Cultural Imóvel. Voltamos ao Porto de trem.

 

5˚dia: Porto novamente com almoço na Ribeira (à beira do rio Douro), com visita à Cave Sandeman com provas do néctar dos deuses: vinho do Porto em Vila Nova de Gaia, do outro lado do rio. De volta ao Porto: Palácio da Bolsa com sua Sala Árabe (maravilhosa!) e o Palácio de Cristal (amo!). Obrigada à amiga Inês Fernandes que veio de Santa Maria da Feira só pra passar algumas horas conosco.

6˚dia: Fomos em uma van do Porto a Santiago de Compostela na Galícia, Espanha, passando por Viana do Castelo, ainda em Portugal. Valeu cada centavo. A guia da agência nos pegou no hotel e como éramos só nós dois, tivemos atenção total. Em Viana do Castelo, fizemos um tour pela cidade e fomos à parte mais alta da cidade conhecer a Igreja do Sagrado Coração. Comprei bonequinhos de pano em trajes típicos: um casal próprio do lugar. O povo ainda se deleita contando suas tradições, como o do lenço dos namorados. Em Santiago, a nossa guia ajudou muito, visitamos o Centro Histórico, a famosa Catedral onde beijamos o Santo e ficamos com a beleza e espiritualidade reinantes do local, além da cidade medieval nos remeter a um passado longínquo. Aconselho a sopa galega nos restaurantes aconchegantes de lá. Foi um passeio de um dia. Santiago merece uma estadia mais longa, há muito a conhecer.

De Portugal viajamos a Amsterdam. Contarei em breve…

 

Liderança

winston churchill
http://en.wikipedia.org/wiki/Arthur_Pan

 

LIDERANÇA

Sempre considerei a palavra liderança altamente atraente. Afinal, poucos têm esta característica tão marcante. Como gosto muito de história, dedicarei este artigo a Winston Churchill, o grande líder de todos os tempos e de quem sou grande admiradora. Devemos a ele termos nos livrado das garras do nazismo. Sua força moral encorajou povos a não desistir de lutar na Segunda Guerra Mundial.

Falando em liderança, três filmes me vêm à mente: O Gladiador, O Resgate do Soldado Ryan e Duelo de Titãs, esse último com o ator Denzel Washington. Nessas películas, além de histórias emocionantes, deparamo-nos com exemplos de grandes líderes. Pessoas com a capacidade de influenciar multidões. Primeiro, dão o exemplo, depois são seguidos em suas ações e convicções. Nos filmes mencionados, eram pessoas do bem, com um senso de ética e justiça fortes. A retidão de caráter é condição obrigatória para ter a liderança moral e espiritual. No terceiro filme, Denzel Washington é um treinador de futebol americano negro em uma sociedade marcada pelo preconceito racial e intolerância. Tanto ele consegue se fazer respeitar perante a escola secundária onde leciona, como trabalha ao mesmo tempo o relacionamento igual entre os rapazes e a autoestima de cada um. O melhor foi ter se baseado em um fato real, parte do capítulo histórico dos Estados Unidos quanto à intransigência racial. É digno de nota afirmar que os americanos enfrentam o preconceito de frente e lá perante a lei todos são realmente iguais. Temos muito a aprender, sem dúvida.

Como sempre há o outro lado, o negativo, também existiu um Napoleão, um Hitler na nossa história mundial. Para contrabalançar, os líderes espirituais do bem: Jesus Cristo, Buda, Dalai Lama etc.

Onde estão os líderes de hoje? Será que só em situações de guerra, crise e sofrimento eles aparecem? Ao visitar o antigo Hôtel des Invalides (construído para os inválidos das guerras, e que hoje, na parte de trás, abriga o Museu do Exército em Paris, França), mais precisamente a coleção referente à Segunda Guerra Mundial, ficamos profundamente sensibilizados com a coragem e bravura dos membros da Resistência Francesa. Os líderes eram descobertos pelos nazistas, desapareciam e logo depois, outros líderes davam o seu sangue pelo movimento heróico. A guerra e a luta pela sobrevivência fizeram brotar o melhor daquelas pessoas.

Aí penso no nosso amado Brasil. Guerra civil causada por traficantes nós temos faz tempo, crises por falta de oportunidades, empregos e “decência” também fazem parte da nossa vida, sendo o sofrimento a consequência natural de morar em um país sem lei.

Onde estão nossos líderes? Qual é a mensagem que eles passam para nós cidadãos? Infelizmente, que quem não paga dívidas municipais, será perdoado após alguns anos; que posso fazer o que quiser no trânsito, pois não há fiscalização suficiente; que posso sujar a rua, porque todo mundo assim o faz; que posso corromper qualquer pessoa a fim de conseguir o meu intento etc.

Minha sugestão é tolerância zero. Aceitamos muito o errado. Mudar a sociedade requer coragem e o início vem de nossas ações.

 

 

Viajar é Viver

Viajar é viver

Ana Carolina Tavares

Viajar é atravessar fronteiras, sair da zona de conforto, estreitar as distâncias. É entrar em contato com o desconhecido, com o diferente. É rir diante de um erro em uma língua estrangeira, é fazer mímica para o garçom. É emocionar-se diante de uma obra de arte, ou de cantores numa ponte qualquer. É perder-se numa ilha onde todas as casas são pintadas da mesma cor, e as ruas são verdadeiros labirintos. É perder-se de propósito naquela cidadezinha medieval, que você não quer ir embora nunca mais. É ser reencontrada por seus amigos na tal cidadezinha medieval com o seu sorriso mais lindo, já a cara deles… É um tira e bota no raio X, é olhar mapa de cabeça pra baixo em outro alfabeto (*amém para o google maps). É perder o passaporte e ficar desesperada. É sentar numa vespa italiana às 3 da manhã para tirar uma foto, e o alarme tocar. É sair correndo. É ficar parado, sem palavras, agradecendo por estar vendo aquela paisagem “de cinema”. É inscrever-se na aula de salsa em Cartagena. É virar melhor amiga de gente que vai ser seu melhor amigo, ou que você nunca mais vai ver… na vida. Viajar é ser levada nos braços do pai aos 6 anos de idade por estar cansada, e décadas depois, organizar a viagem para ele. É comer algo doce pensando que é salgado. É brigar com os amigos, fazer as pazes e marcar outras viagens com eles… É quebrar o GPS em plena autoestrada na Alemanha, sem saber falar uma só palavra em alemão. É “ter vontade de morder os telhadinhos marrons das casinhas europeias porque parecem chocolates” (*A Frase é da amiga Flávia, mas a vontade é a mesma) 🙂 É tomar o melhor sorvete do mundo. Ou o melhor vinho. Ou cerveja!  É conhecer outras culturas, modos de viver, diferentes do seu. É sentar num café com a mãe pra ver o povo passar. É comer o melhor croissant da sua vida. É aprender a aceitar as diferenças. É sorrir para um estranho na rua. É ser respondido com antipatia ou ser recebido como um membro da família. Viagem é antes, durante e depois. Você se prepara, idealiza, cria expectativas, e lá, vê que era tudo diferente do que você imaginou, ou então que tudo era igual. Tanto faz! Mas eu te juro…  você vai lembrar desses momentos, pelo resto da sua vida. Ah vai… Viajar é crescer, é voar, é desbravar. Viajar é bom para autoestima. É apaixonar-se, por pessoas, ou por um lugar. Viajar é viver.

Referências bibliográficas: O coração, a mente e os sentidos.

O texto poderia ser bem mais longo… as experiências são verídicas e ainda existe uma longa lista delas.
Dedico-o a todos meus companheiros de viagens. Eles saberão identificar cada situação. E também a todos que amam essa arte que é viajar.

P.S. A Carol é minha amiga, filha da Ana Tavares, psicóloga e com muita experiência em viagens. Também ama escrever e conhecer novas culturas. Eu a convidei a ocupar este espaço a fim de dividirmos textos que considero bem interessantes.

 

EDISCA e Billy Elliot

      EDISCA e Billy Elliot

Este artigo é de 2002, repaginei e cá está. Vocês assistiram ao filme Billy Elliot? Se não, assistam correndo! Mostra-nos a luta de um menino de 11 anos no interior da Inglaterra pelo seu sonho de “dançar”. Ele sentia “eletricidade” dentro dele e se esquecia da vida, dos problemas e até de si, quando bailava. Órfão de mãe, filho de pai mineiro, em greve por melhores condições de vida, ousou sonhar e por sorte, encontrou um anjo em forma de professora de balé da associação local. Criado em um ambiente pobre, tinha como pai e irmão pessoas rudes e áridas, para quem o máximo da vida seria lutar boxe, pois o avô assim o fizera. E o jovem Billy desafiou querer mais…

Ao longo da película, vemos a transformação de toda a família pelo amor ao garoto, esquecendo tabus e preconceitos contra homens que eram bailarinos. Na cena final, anos mais tarde, aparece Billy como o “Cisne Negro”, no Royal Ballet de Londres, estando sua família na audiência. A emoção do pai demonstrada pela força da expressão de seu olhar em lágrimas falou TUDO! Naquele momento, lembrei-me da maravilha que temos em Fortaleza: o EDISCA. Graças à Dora Andrade e seu grupo ético e sério, quantas mães e pais  podem ver seus filhos no Teatro José de Alencar ou em outra casa de espetáculo com o mesmo sentimento expressado pelo pai de Billy. O EDISCA transforma meninas e meninos que não tinham direito de “sonhar” em cidadãos do MUNDO. Vão ter projetos, dançar, ser gente feliz e desbravar o universo do prazer em viver. Parabéns, Dora! Você abriu as portas de um outro tipo de existência para muitas crianças que hoje têm coragem de ter seus sonhos realizados!

St. Petersburgo-Rússia

 

São Petersburgo!!!

Ana Maria Tavares

São Petersburgo  abraça, acolhe… Já disseram que é a mais estranha das cidades russas, que nenhuma delas tem uma vida tão secreta, tão cheia de lendas e dramas como ela. Procurei fugir das comparações. Não, ela não é igual à Paris de luz, nem à Londres enevoada ! Não, ela não tem nada a ver com Nova York, nem com Roma e Madri, nem com Istambul, nem com Praga, nem com Casablanca. Ela é única e ainda guarda  mistérios dos miseráveis personagens de Crime e Castigo de Dostoievski, dos contos de Tchecov e Gorki. Estremeci quando  passei na fortaleza Pedro e Paulo, foi lá que estes autores ficaram presos, por transgredirem  e atiçarem os leitores contra o regime político vigente.

Esplêndida! Cortada, docemente, pelo rio Neva, espalha-se em ilhas que se interligam por pontes. Larguíssimas avenidas. Arquitetura dominada por cores suaves, prédios, elegantemente, alinhados em altura. Noites brancas encantadoras e intrigantes, duram de maio a julho. Você vai querer ver todos os palácios dos reis, todas as igrejas deslumbrantes, com cúpulas douradas ou coloridíssimas. Vai querer ficar horas diante  da igreja do Sangue Derramado, estranho nome, devido ao sangue  de Alexandre II, aí assassinado.São arrebatadoras as cúpulas de esmalte de joalheria e ouro, remetem a sorvetes coloridos.

Sim, Hermitage, parada mais que obrigatória, imenso! Verde claro, branco e dourado! Deve ter mesmo mais mil e setecentas portas e janelas e três milhões de peças, quem duvidar que conte… coleções de rei para rei…  para quem pode passar 3 meses indo lá todos  os dias e admirá-las ! Imensas aglomerações diante do quadro “A Virgem e a Criança”, de Leonardo da Vinci. Multidões, embasbacadas, diante de  Ticiano, Rafael, Caravaggio, Michelangelo, Goya, Rubens, Van Dyck, Rembrandt, Velasquez etc. Pensei que as centenas de lustres de ouro, gigantes e o fuso horário de seis horas para o Brasil estavam me fazendo ver coisas… Não, não estava… é  verdade que os milhares de objetos de decoração de Catarina, a Grande possuem desenhos fálicos… Aliás, as biografias da grandona, falam que ela era insaciável, leiam sobre  seu  amante Orlov e concluam que ele não é  vodca Orlof. .

Emocionei-me com a escultura do Voltaire, dominando  a sala imensa que homenageia  pintores, pensadores e escultores  franceses, a grande estátua de Voltaire domina, merecidamente, a cena. Sei  que Catarina, a Grande, a Gigante, manteve o preço pra você, não foi, amigo Voltaire? Alguns pensam, até hoje, que as cartas que vocês trocavam, eram para falar de filosofia dos déspotas esclarecidos… e que a compra de parte de sua obra foi para  enriquecer a biblioteca do palácio… Ah, meu amado filosófo,  suas pequenas  frases aqui e ali de aprovação ao marido da majestosa,   o golpista Feodoravich  valiam ouro em pó… você se  vendeu, estava endividado… Mas para mim, nada  abalou, considero você o melhor filósofo iluminista francês, point à la ligne!

Foi, desde a escada de Joubert, e  dos milhares  lustres de ouro espalhados, insolentemente no museu, que entendi o porquê da queda dos czares. Bem feito! Ostentação permeia  igrejas e catedrais. A de Santo Isaac, e múltiplas  catedrais  confirmam que havia muito fausto para uns, e faltava tudo para os outros. Pontinhos para a luta  dos camaradas russos!

Moscou, Mockba, não me disse quase nada. Cansaço da viagem? Sim, vinha da Suécia e de Tallinn na Estônia. Pela Russianlin, cheguei a São Petersburgo, num avião Bombardier vermelho, pequeno e lindo! Cheguei a Moscou  de trem comparável  ao T.G.V. francês.

P.S. Este artigo é da minha amiga Ana Tavares, professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa e da UECE- Universidade Estadual do Ceará. Ela também ama escrever e viajar, por isso a convidei a ocupar este espaço com as suas lembranças de viagem e opiniões a partir da última viagem realizada por ela em junho de 2017.

Florianópolis Imperdível

Florianópolis Imperdível

Eis “Floripa” para os íntimos, trata-se da cidade com a melhor qualidade de vida do Brasil. Os carros são mais simples, a classe média reina, não se vê tanto desnivelamento social. Bom saber que isso é possível no Brasil.

Vamos às curiosidades: vi alguns outdoors espalhados pela ilha dizendo o seguinte: “Sr. Prefeito, se a cidade estiver suja, a responsabilidade é sua”. Amei! E mais: há uma lei municipal que nas calçadas há a obrigação de ter o caminho especial para os deficientes visuais. Posso dizer que é cumprido. O centro é habitável e andável. Outro detalhe: como gostam de açaí e pão de mel. As pessoas em geral se reportam umas as outras por senhor e senhora, educação portuguesa pela descendência açoriana, eu presumo.

Agora começaremos a viagem. Fomos por meio de um pacote pela CVC baratíssimo com passagens compradas pela GOL e hotel, por ser baixa estação em maio de 2017. O voo foi tranquilo e pontual via Guarulhos em São Paulo. Ao chegarmos, pegamos um táxi sem ser oficial. Aconselho o Felipe Rafael (48-84034366), muito gente boa. A simpatia por uma cidade já começa com os taxistas na entrada. Vamos ao hotel: Castelmar (Rua Felipe Schmidt, 1260) no centro, super bem localizado. Aconselho. Fomos a pé ao Centro Histórico e à Av. Beira-Mar Norte.

Logo ao chegarmos, fomos explorar os arredores, dentre eles, o Centro Histórico. Fiquei encantada com o centro limpo e repleto de pequenas lanchonetes e restaurantes, com muitas opções “naturebas”. Tudo tão bem cuidado que dá gosto se perder por lá.  O suco de morango da “Bom Apetite” é delicioso.

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Palácio Cruz e Sousa-foto tirada por Mônica D. Furtado

Fizemos os passeios típicos de turistas: o Museu de Santa Catarina – o bonito Palácio Cruz e Sousa com suas pantufas obrigatórias a fim de não machucar o chão de madeira antiga; a Catedral Metropolitana de 1753; a Praça XV de Novembro com sua figueira centenária (de 1890); o Mercado Público e a Casa da Alfândega. Ao redor desses dois últimos, há uma feira fantástica de frutas, queijos, doces, cucas e outras maravilhas no chamado Largo da Alfândega aos finais de semana. Também é imperdível entrar na antiga Alfândega e conhecer o centro de artesanato onde se compra artesanato açoriano, barcos, bolsas, bruxinhas etc. Tudo é colorido e bonito. Afinal, estamos na Ilha da Magia. Como não se enfeitiçar?

Dentro do Mercado Público, não deixem de tomar um chope belga no Box 32, o local é famoso e ponto de encontro na cidade. Há vários restaurantes em cujos cardápios encontramos do bacalhau à tainha, típica da região, além das carnes. Vi muita gente circulando e curtindo o local, eis um lugar para ir todos os dias se puder.

Vale a pena passear pelo calçadão no centro com suas lojas e observar o pulsar da cidade. Parece que há mais tranquilidade por lá. Outra tradição é o pastel com caldo de cana e ver moradores jovens e idosos jogando xadrez na praça XV de Novembro. Nada como manter os costumes. Gosto disso. Por sorte, quando estávamos lá estava acontecendo a Feira do Livro, pequena, mas que atraiu muita gente.

A capital é famosa por suas belezas naturais e pelo bem viver. A Grande Florianópolis, a qual inclui os municípios de Palhoça, Biguaçu e São José, possui algumas das praias mais lindas do Brasil, cercadas por dunas, restingas ou morros cobertos de Mata Atlântica. Há praias para todos os gostos: com águas calmas para crianças, com ondas boas para surfistas ou pequenas comunidades de pescadores.

A Av. Beira Mar Norte é uma Copacabana menor. Muito bom o nosso hotel ser perto de lá. É linda demais! O calçadão à beira mar é largo e magnífico, com bloquetes, ciclovia e muito verde. Bom para caminhar, tomar água de coco e aproveitar a vida. Vimos banheiros decentes fixos e água para cachorros. A caminhada é longa até o shopping Beira Mar, o qual considerei bem agradável e com boas opções para compras.

Uma boa sugestão para passeio de um dia é o city tour Ilha da Magia, organizado pela Vavatur Agência de Viagens. Contratamos no hotel e o guia Dimitry (o motorista do nosso dia em Blumenau e Pomerode) foi nos buscar em um carro. Como era baixa estação, só havia outro casal de Belém. Por aproximadamente R$80,00 por pessoa, tivemos um dia deslumbrante. A natureza foi abençoada por Deus na divina Floripa. Começamos pelo Mirante da Ponte Hercílio Luz. Há duas pontes que ligam a ilha ao continente: Colombo Sales de 1982 e Pedro Ivo Campos de 1991 (em uma os carros vão e em outra os carros voltam). A ponte Hercílio Luz é de 1926 e ainda está sendo reformada, hoje vale como cartão postal, não é mais usada.

Continuemos com o passeio. Direi a vocês o que aprendi. Florianópolis era antigamente “Vila do Desterro”. Quem nasce lá é floriapolitano, ou melhor, “mané da ilha”. O Mercado Público com o Largo da Alfândega são do final do séc. 18 e era onde os pescadores guardavam suas embarcações. Naquela região houve 700 m de aterro (vindo do mar) na década de 70, por conta da expansão populacional e a construção da ponte Colombo Sales. Incrível! Para vocês terem uma ideia, onde é hoje o Memorial Miramar, antes era água. Só vi isso em Funchal na Ilha da Madeira para a ampliação do aeroporto. A citada região é tombada e o governador da época era Colombo Sales. A calçada usada é original de pedra portuguesa, como no centro de Lisboa. A influência açoriana na ilha é visível em todos os lugares, principalmente, no Centro Histórico.

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Ribeirão da Ilha-foto tirada por Mônica D. Furtado

Vamos agora para a parte sul da ilha. Trata-se de uma região sem grande estrutura de hotéis e restaurantes. Ribeirão da Ilha foi descoberta em 1506, mas só ocupada em 1726. Para aquela paragem, seis mil açorianos vieram como imigrantes. Os primeiros habitantes eram os índios carijós. O forte na Freguesia da Ribeira, local tombado, são as ostras. A Igreja Nossa senhora da Ajuda de 1806 vale uma visita. Aliás, a localidade é colorida com suas casinhas açorianas. Os habitantes têm gosto em decorar seus lares e tornam Ribeirão da Ilha em um lugar encantador. Ali está a montanha mais alta da ilha: o Morro de Cabeça do Macaco. Seguindo em frente, visualizamos o Morro das Pedras, a ilha do Campeche e a praia famosa Joaquina, ideal para surfistas. Fomos ao Mirante do Convento Vila Fátima de onde se tem um visual arrebatador da Praia de Armação com sua baía e da Praia de Matadeiro. No séc. 18 se caçavam baleias naquela região, afinal a iluminação e a construção dependiam do óleo delas e a estrutura para o abate existia no Matadeiro. Atualmente, felizmente, a história mudou. Há pesca artesanal de tainha por dois meses ao ano, aí os surfistas são proibidos de ir ao mar, pois afastam os cardumes. Detalhe: a temporada se encerra com 150 toneladas. Depois do período, os surfistas são liberados.

Achei o guia muito bom e informado, assim o dia se tornou bastante produtivo. Continuemos… O Parque da Lagoa do Peri, com a Mata Atlântica preservada, com livre acesso, com a lagoa boa para banho e com viveiros de plantas nativas ; a Lagoinha do Leste; a praia do Pântano do Sul, o ponto mais afastado do centro; a Armação do Pântano do Sul com sua Igreja de Santa Ana de 1772, onde os pescadores recebiam as bênçãos antes de ir ao mar, valem a visita. O lugar é lindo! Sinceramente, só vi belezas mil e um ritmo diferente de vida. O lema deles deve ser “nada de estresse”.

Vamos ao lado leste da ilha que é a região central. Lá está a encantadora Lagoa da Conceição e o Canto da Lagoa. A natureza é conservada, há muito movimento de bares, restaurantes, bancos, supermercados e lojas na Avenida das Rendeiras, a principal; e pedalinhos e práticas de esporte na lagoa. Eis o destino mais nobre da ilha. Do outro lado da lagoa, está a Barra da Lagoa com turismo forte o ano todo. De lá visualizamos as dunas que vão até a praia da Joaquina. As casas de madeira ao longo do canal são de pescadores. Tudo é gracioso. A parada para o almoço foi naquela paragem, no restaurante “Dois Irmãos”: tainha grelhada com pirão e batata souté. Da Barra, ruma-se ao Morro das Sete Curvas e chega-se ao Mirante do Morro da Lagoa com um cenário fabuloso. Vê-se a Lagoa da Conceição do alto.

As praias continuam: Praia Mole, com ondas boas; a ilha do Xavier; e a Praia da Galheta, de nudismo com ou sem roupa. Praias preferidas do público GLS. Na parte leste, a fonte de renda é o turismo, a pesca e tem uma melhor estrutura hoteleira. A praia da Joaquina é conhecida internacionalmente pelos seus campeonatos de surf. Tais competições completaram 40 anos em 2016.

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Jurerê Internacional-foto tirada por Mônica D. Furtado

Do lado norte da ilha, encontramos praias badaladas como Jurerê Internacional e Tradicional. A primeira tem mansões de famosos, como a da Xuxa, dentre outros e é proibido construir muros, logo as casas são expostas, estilo americano. Umas mais bonitas que as outras, mas o lugar é estilizado. Tem um mar calmo e um calçadão no meio de prédios baixos, lindos, que dá vontade de curtir cada loja e cafeteria. A Tradicional tem vida própria, também com prédios baixos e convidativos.

A localidade que mais gosto é Santo Antônio de Lisboa. Região de ostras, bucólica com os barcos coloridos balançando nas marolas, é uma beleza ao amanhecer, ao entardecer e ao anoitecer. Os açorianos souberam escolher suas moradas bem, transformaram o lugar em um recanto aprazível com suas casas coloridas e decoradas com cortininhas. Típico de português. Eu amo!!!! O gosto é de quero ficar lá!

Após umas 10 horas de passeio, voltamos satisfeitos e querendo voltar o quanto antes a esta terra tão adorável e que nos recebeu tão bem. Não poderia de deixar de agradecer à minha família de lá e aos novos amigos. Vocês fizeram a viagem ter o gostinho do coração.

Viagem a Praga, Viena e Budapeste

 

Viagem a Praga, Viena e Budapeste

Começarei este artigo, escrito em 2007, dizendo que vale a pena ir às capitais imperiais da Europa: Praga, Viena e Budapeste em julho. São encantadoras, sendo Budapeste a mais surpreendente, pelo fato de nós brasileiros estarmos mais familiarizados pelas leituras com Praga e Viena. A capital da Hungria é de “cair o queixo” pela sua beleza e vivacidade.

Grupo da Abreu-Praga
Grupo da Abreu em Praga-quatro brasileiros e dezessete portugueses-foto tirada pela guia local

Fomos pela agência portuguesa Abreu a qual recomendo de olhos fechados. Estivemos em grupo de portugueses e pouquíssimos brasileiros. Minha mãe e eu nos sentimos acolhidas e bem cuidadas o tempo todo pelo guia do Porto: Sr. Melo, mesmo com os atropelos de atraso de voo em Fortaleza pela TAP, perda de conexão em Lisboa a Praga e com a não chegada das malas no momento esperado. Felizmente, tudo se resolveu a contento, mas aconselho sempre se levar uma muda de roupa na sacola de mão.

Vamos iniciar nossa jornada por Praga. Ficamos no Corinthia Towers Hotel, um hotel inesquecível. Para o passeio pela cidade, indico um bom par de tênis e muita disposição, pois haja caminhada!

Fomos a pé pela colina do Castelo, entramos no Palácio Real e Catedral gótica de São Vito, São Venceslau e Santo Adalberto, que foi fundada por Carlos IV e terminada nos finais dos anos 20 do século passado.  O sepulcro de prata de São João Nepomuceno, criado nos anos de 1733 a 1736, por Josef Würth de Viena, é digno de nota. Além dos belos mosaicos e vidros pintados encontrados lá. Importante dizer que São Venceslau é o padroeiro da cidade e Santo Adalberto está sepultado na Catedral com seus 33 metros de altura.

Detalhes da Catedral de São Vito-Praga
Detalhes da Catedral de São Vito-foto tirada por Mônica D. Furtado

Não posso esquecer de adicionar a esse passeio, o pitoresco Beco de Ouro, uma ruela com casas minúsculas que estão como se fossem pregadas ao lado interno da muralha do Castelo. Em relação a ele, é antiga sede dos príncipes e reis checos e desde 1918 também dos Presidentes da República.

Menino Jesus de Praga
Menino Jesus de Praga no Santuário Menino Jesus de Praga

Continuando a maratona, passamos pelo Santuário Menino Jesus de Praga, cuja estátua de cera do Menino Jesus foi oferecida à Igreja em 1623 por Polyxena de Lobkovice.

Depois atravessamos a conhecida ponte de Carlos IV sobre o Rio Moldava. Trata-se da mais antiga da cidade, tendo sido fundada em 1357. Durante muitos séculos, a ponte era a comunicação mais significativa que ligava as cidades praguenses de ambos os lados do rio. Passaram por ela as marchas de coroação dos reis checos e nos anos de 1419, 1648 e 1848 foi cenário de lutas cruéis. Hoje, contudo, é o local mais visitado, com seus pintores de rua, artistas e vendedores. Acrescentando que ao longo da ponte, há trinta estátuas barrocas, sendo uma a de São João Nepomuceno. Diz a lenda que quem tocar nele, voltará à charmosa cidade. Então, eu voltarei!

Grupo de rapazes de Madri tocando por uns trocados em Praga
Grupo de rapazes de Madri cantando por uns trocados em Praga-foto tirada por Mônica D. Furtado

Chegamos à Praça Velha, onde se encontra o célebre relógio astronômico. Lá está localizado o centro antigo que nos faz cair de amores, uma vez que é lindo com seus calçadões, uma multidão de turistas, restaurantes, feira de rua, lojas tentadoras, cristais famosos, e muito mais. Sem falar no povo simpático e belo, castelos fantásticos, florestas, enfim, Praga apaixona. À noite, uma dica de programa: o Teatro negro de Pantomina (Image/Black Light Theatre: http:///www.imagetheatre.cz).

Ainda há mais: a Praça Venceslau, o ponto mais importante da cidade nova, palco de vários acontecimentos históricos, o Bairro Pequeno, o Mosteiro da Ordem dos Premostatenses (seguem os Cistercienses), o Palácio Real, a Igreja/Santuário de Santa Ludmila (que foi morta pela sogra) e o Bairro Judeu. São tantas as opções…

Seguindo viagem de ônibus rumo à Viena, passamos por BRNO, ainda na República Checa, onde ocorre o Grand Prix de motociclismo, bastante conhecido pelos amantes do esporte. Paramos em Bratislava – capital da Eslováquia, situada nas margens do Rio Danúbio. Lá visitamos a Catedral de São Martinho, onde os reis da Hungria eram coroados, e o seu centro histórico adorável com a feira de rua, prédios e lojas lindas, especialmente, de bijuterias.

Interessante comentar que os países que fizeram parte do Império Austro-Húngaro (República Checa, Eslováquia e Hungria) estão fazendo todo o esforço para se reerguerem no pós-comunismo. Suas estradas mostram isso. As da Hungria, mesmo mais debilitadas, ainda são bem melhores que as nossas. Na estrada entre República Checa e Áustria, passando pela Eslováquia, existem aros metálicos que apitam de tantos em tantos quilômetros para cobrar a taxa do pedágio, que é paga previamente e cobrada em créditos. Perto do motorista, há uma caixinha para controlar o crédito. As caixinhas são carregadas em postos de gasolina.

Ao chegar a Viena, fomos direto ao hotel: Hilton Vienna Danube Hotel. Só o cenário da janela do quarto já validou a permanência nele: cisnes, amanhecer e pôr-do-sol no Danúbio. Nada mais bucólico! Na cidade, separei-me do grupo e encontrei amigos queridos. Sair pela noite vienense no verão foi um acontecimento marcante. Fomos a um restaurante nos fundos de uma casa a lá Viena, com plantas ao redor e muito charme, a um bar com música brasileira, mais notadamente, bossa nova, com cantor e garçons brasileiros, tomamos café no Starbucks, passeamos pelo belo centro e acabamos assistindo a um concerto de jazz no telão em frente à Prefeitura. Lotado de gente bem-comportada, sendo que ali ao lado havia uma feira de comidas e bebidas, com jovens conversando, se divertindo e fumando, é lógico. E como se fuma na velha Europa, mas isso está sendo limitado, felizmente! Finalizamos a noite no parque de diversões Prater. Imaginem que foi aberto ao público em 1765, pelo Imperador José II.

No outro dia, visitamos prédios originais e coloridos, conhecidos como “Hundertwasser  House” e criados por Friedensreich Hundertwasser, famoso artista austríaco, comparado em inventividade ao catalão Gaudí. No Museu Leopoldo, vimos a exposição de Kolo Moser (1868-1918), pintor, artista gráfico e aplicado de móveis a quadros e taças coloridíssimas de bebidas. Um arraso! Viena é uma cidade elegante, “dourada” e bem arrumada. Quero sempre voltar lá. Um muito obrigada aos amigos de longas datas com quem eu sempre tenho encontros memoráveis: Alexandra Zeiner, Bernie Zeiner e Klaus. Saudações ao filho da amiga, o fofo Alexander.

De Viena para Budapeste de ônibus novamente demos uma parada, desta vez no maior lago dos países do leste: o Balaton, em Tihany na Eslováquia. Trata-se de um lugar bastante requisitado pela sua beleza e infra-estrutura hoteleira, restaurantes e artesanato encantador nas barraquinhas nas calçadas e lojas. Aliás, o artesanato lembra o nosso, pois é vivo e colorido. Neste local estivemos na abadia beneditina do séc. XI.

Chegando a Budapeste, nos hospedamos no Hilton Budapeste WestEnd Hotel em Peste. Hotel magnífico, bem localizado, com porta para um baita shopping center, povo agradável, em suma, ficamos maravilhadas desde o início.

Falando um pouco sobre o povo húngaro: são de origem asiática, da Mongólia. Nas suas origens, eram habituados a montar e tinham etnia cigana, eram comerciantes e voltados para a música. A língua é o húngaro, considerada mais difícil que o tcheco. O que me encantou nesses países mencionados é o fato de que todos falam inglês, do atendente d loja ao motorista de táxi. Em Budapeste, encontrei um taxista bem versado na língua inglesa e que sabia muitas informações sobre o Brasil e não somente a respeito de futebol. Perguntei como ele conhecia tanto e ele replicou: “Eu leio”. Ponto para ele!

A Hungria tem o melhor patê de ganso do mundo, embora quem ganhe a fama seja o francês. Compra-se por um preço módico. Eu não fiz isso, porque não concordo com o sofrimento dos pobres gansos… Também é produto da terra a páprica seca picante ou não.

Prédios colossais? Um deles é a Catedral de São Estevão (considerado santo pela população, porém não canonizado). Foi ele que trouxe os mongóis das estepes para a Hungria em 896 d. C e a cavalo! Uau! Quanto esforço… Este santo é referência para os húngaros. Outro prédio digno de fotos é a Sinagoga da cidade. Não tenho palavras para descrever tamanho colosso. O ator Alain Delon é o maior contribuinte para a sua manutenção. E da mesma forma, há o Parlamento mais lindo do mundo e a Ópera. O povo húngaro é culto: são 600 museus no país, além de serem amantes de concertos e música clássica. Eles têm grande tradição musical.

Outro lugar badalado é a Praça dos Heróis, com suas estátuas enormes dos heróis do país montados em cavalos. Não poderia faltar São Estevão, o líder. O povo é bem humorado, logo se percebe isso, porque eles têm uma piada para tudo. Na praça, há um túmulo pelas terras perdidas nas guerras contra os países vizinhos. Isso demonstra senso de humor, sem dúvida. Ainda há a conhecer o Bastião dos Pecadores, com o seu mirante, turistas, vendedores e músicos, e o Castelo de Buda na Cidade Medieval.

A Hungria é terra de bordados, porcelanas, arte popular e da famosa “balinka” (damasco). Encontram-se fontes termais que foram usadas pelos romanos. Hoje são de uso terapêutico, não para turistas. A cidade em si tem uma arquitetura atraente. Gamei!

Não posso deixar de citar a Noite Zíngara. Fomos a um restaurante com comida e bebidas fartas. Os cantores eram descendentes de ciganos que no país se dedicam à música. O vinho era tomado de maneira criativa, sendo que o garçom empina uma pipa na boca do sujeito e agente morre de rir. Na hora da sobremesa, alguns frequentadores são convidados a bailar com os dançarinos. Uma grande diversão.

Eis Budapeste, cidade de dois milhões de habitantes à época, situada no meio da Europa, sendo que Buda é dividida de Peste pelo rio Danúbio. Buda fica nas colinas e Peste na planície. Dizem que o povo é diferente em cada localidade, sei lá.

Aqui concluo mais uma excursão com gosto de quero mais…

Sinagoga em Budapeste
Sinagoga de Budapeste-foto tirada por Mônica D. Furtado