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Os bichinhos lá de casa

Os bichinhos da minha casa

Este artigo é em homenagem às crianças de quatro pernas lá de casa que, infelizmente, já nos deixaram, mas ficaram para sempre nos nossos corações. Quando foi escrito em 2002, só a gatinha Kika já havia partido.

Tenho muito a contar sobre a minha paixão pelos nossos animais de estimação. Eram eles: o Charlie, gato quase todo branco de 13 anos na época, de raça chamada “PD Sofisticada”, ou seja, o velho pé duro, só que com o ótimo tratamento, ficou para lá de sofisticado; o Dunga, outro gato pé duro, de 8 anos; a Kika, gatinha de raça branca e super dengosa; e o Nicky, o cachorrinho poodle de 3 anos. Detalhe: meus pais e eu morávamos em apartamento e cá para nós, eles mandavam e coordenavam nossas vidas. Ah! E tinha a nossa super ajudante, também minha comadre, a Adalgisa. Sem ela, na organização da casa, seria impossível nossa convivência harmoniosa com os bichanos (embora, às vezes pegasse fogo…).

Vamos aos poucos… O Charlie chegou nas nossas vidas, quando estávamos quase de mudança. Foi jogado em um dia de chuva torrencial para o pátio da nossa casa e ficou preso entre dois vasos de plantas. Êta gato de sorte! Meu irmão Ricardo e eu fomos vê-lo e ele estava uma fera! Mas era de fome e frio. Arranhou meu irmão e isso salvou a sua vida, pois levamos ao veterinário e ele disse para deixá-lo em observação. Nesse ínterim, foi ficando, nos mudamos e ele veio com a gente. Era o meu filho! Dormiu comigo por 15 anos. Ficou velho! Urinava pela casa, como não fazia antes. Vivia para dormir e comer. Era para ser rebento único, mas aí chegou o Dunga… Que ciumeira no início e sempre. Só melhorou depois de anos, com a chegada do cachorrinho, porque aí os dois se uniram contra o novo habitante da casa, o “usurpador”! Eu estava à beira de um ataque de nervos no começo dessa relação, porém tudo se encaixa com o tempo devido e hoje percebo o quanto a veterinária das crianças (dra. Gerlene Castelo Branco) tinha razão, quando dizia que um dia o Nicky iria ser o maior protetor dos gatos. E não é que foi mesmo?

Falemos no Dunga. Este gato veio para o apartamento para morrer. E viveu muito. Digo que vivia por amor e pela total dedicação da minha mãe para com ele. É incrível o quanto ele a adorava e vice-versa. Pois é, veio para morrer. Quase morreu atropelado perto da então loja do meu pai no centro, quase morreu envenenado lá perto também e quando chegou até nós, quase morreu de barriga d’água duas vezes. Que sufoco! Que sofrimento! Vê-lo sofrendo e tendo aquele líquido escuro saindo de si era de cortar o coração. E não se foi! Em 2001, novo padecimento: foi operado duas vezes de pedra na bexiga. Quase faleceu, mas era um lutador, simplesmente se recusava a partir. Eu o admirava tremendamente. Aliás, a veterinária considerava um milagre. Em 2002, não tinha bexiga e nem pênis. Que tal? Continuava perambulando pela casa, com uma fome de leão, urinando por toda a parte, mas firme e nós também! Detalhe: há dias em que nem saia da cama, por sinal, minha cama durante o dia e não comia nada. Em outros estava ativo e esfomeado. O seu lema era nunca desistir! Ele tinha o quartinho dele, a caminha dele (uma caixa de papelão), porém meu quarto era o preferido durante o dia pelas crianças… Parecia ter mel… Se eu queria tirar uma soneca, não sobrava muito espaço para mim, eis a verdade!

E a Kika veio trazida pelo meu irmão Rogério. Era linda, fofa, faceira. O Dunga era apaixonado por ela e ela por ele, viviam fazendo estipulias. Uma graça!

Agora o Nickinho…  Meu irmão Rogério o comprou após o falecimento da Kika para a namorada na época. Hoje, esposa. Só que esqueceu que ela era alérgica. Pode? Moral da história, aquela criaturinha linda e peluda veio parar no nosso apartamento. Foi comprado como sendo poodle toy, todavia foi crescendo e se tornou bem grande. De toy não tinha nada. Foi ficando, ficando, passou pelas crises com os gatos (e nós também), pela partida do “pai” (meu irmão), o qual se casou e foi embora e, o Nicky nos conquistou a ponto de termos saudades até quando saia para tomar banho. Um dia foi namorar, mas não deu certo! Ficou nervoso sem a gente e em casa desconhecida. Quando chegou, estava morto de saudades, esfomeado e sedento. Ficara o dia todo num nervosismo tal que nem pensou em comida. Era uma gracinha! Todo preto, com fios brancos na orelha, deveras carinhoso e amigo.

Devido à doença do Dunga, ele tinha remédios diários a tomar. Pois, não é que o Nicky se colocava ao lado do doente e não deixava a gente se aproximar, a não ser minha mãe para dar o medicamento e ainda ficava rosnando. Lá estava ele protegendo o amiguinho gato. O mundo animal está sempre me encantando. O senso de lealdade, proteção e amor incondicional são partes de suas personalidades. Muitas pessoas ficam chocadas, quando digo que prefiro animais a muito ser humano. Temos um universo a aprender com eles.

O Dunga quando queria leite gelado, ia atrás da minha mãe onde ela estivesse no apartamento, ficava miando e olhando para ela, até ela se movimentar. Depois, dirigia-se à cozinha e ficava olhando da geladeira para ela, dela para a geladeira. Todos os dias era esse ritual.

O Nicky tinha os horários de passeio lá embaixo. Nas horas certas, ia atrás do meu pai, ficava mostrando a coleira, falando o seu palavreado canino até conseguir realizar a sua vontade. E tinha cada mania… Uma delas era levar qualquer pessoa saída do lar ao elevador. Fazia questão de olhar pela janelinha e lançar aquele olhar meloso, só que não fazia sozinho, queria participação, ou seja, algum de nós tinha que segurá-lo no colo. Sempre! A outra mania era ser bastante possessivo com as suas duas bolinhas. Tinha sempre as duas por perto. Se uma entrasse debaixo da geladeira, respeite o “chororô” da criança. Lá íamos nós dar um jeito de tirar o brinquedinho de qualquer maneira, se não, não tínhamos paz.

O Charlinho gostava de cafuné e carinhos mil. Após o meu trabalho, à noite quando chegava em casa, deitava no sofá para assistir à minha novela favorita, dava um tempinho e lá vinha ele. O ritual era seguido com rigor. Pulava em cima de mim e ficava maravilhado recebendo os carinhos na cabeça.

Na minha opinião, os bichinhos existem para melhorar e aprimorar a nós mesmos. Aqui em casa, todos nós aumentamos a paciência e nos sentimos mais sensíveis à vida, seres humanos e animais. A existência é mais colorida por causa deles. Dão um trabalho daqueles, principalmente, se um deles for doente, mas fazem a vida valer mais a pena. Afinal, são como gente, exigem cuidados, mimos, atenção. Dão em retorno, amor total, olhar de adoração e muita festa! É isso aí, muita festa! Quem tem ou já teve, sabe!

Nosso eterno agradecimento à dra. Gerlene por ter estado conosco em todos os momentos, dos felizes aos mais sofridos. Não a esqueceremos jamais.

Guaramiranga, meu amor

 

Guaramiranga –  Ceará, paixão total!

Dedico este artigo aos amigos de lá, pessoas muito estimadas e boas de papo e afeto. Amizades valiosas que se provaram leais quando precisei. Jamais esquecerei a água benta recebida para a minha cura, a qual chegou até mim por meio de alguns amigos. As conversas e os abraços estão sempre presentes quando lá estou. Tudo isso é vida e carinho. Obrigada, amigos!

Já ando pelo Maciço de Baturité há bastante tempo. Posso dizer que foi paixão à primeira vista por Guaramiranga, nossa querida ”Guará”. Todo aquele verde, reminiscências da Mata Atlântica, o aroma das plantas, o canto dos pássaros que demonstram uma felicidade ímpar em serem livres naquela região, a natureza abundante na qual tudo que se planta nasce, as flores a espalhar o seu perfume, em suma, um local abençoado pelo seu linguajar próprio. Trata-se de um pedaço do paraíso. O clima também é agradável, à tardinha e à noite a temperatura cai e chega até os 18 graus.  Há dias com muita neblina, algo bem diferente para quem mora em Fortaleza.

Ainda para completar, há os moradores gentis, educados, prontos para uma prosa. No comércio local de final de semana, compra-se o café orgânico, produzido nos sítios das redondezas, além da aguardente de banana, os doces de frutas da região, as bijuterias, os artesanatos, os quadros de flores e passarinhos, os sabonetes e cremes, enfim, é o momento de encontro e lazer.

Para quem precisar de uma informação de hospedagem, aconselho a Pousada Zeus a quem queira uma boa localização perto do centrinho, sem café da manhã. Quem quiser um chalé ou apartamento no meio da mata, o Alto da Serra também tem camping e serve um café da manhã espetacular. Não posso deixar de mencionar a Pousada Café Brasil, mais longe do centro, mas com tratamento familiar “do sul”. Guará oferece onde ficar para todos os gostos. Isso é muito bom.

Um final de semana lá é relaxante e divertido. Sempre há música ao vivo na praça principal  onde nativos e turistas se reúnem no sábado à noite. Há muito o que visitar pela região, por exemplo: o Pico Alto,  a Linha da Serra, o hotel Vale das Nuvens, o hotel dos Capuchinhos e as igrejas, em suma, Guaramiranga é um mel, atrai turistas o ano todo.  Vale a pena ir e se encantar com o nosso pedaço de paraíso.

 

 

Guaramiranga com muito jazz e blues

Guaramiranga com muito jazz e blues

Este artigo, apesar de antigo, continua atual, uma vez que o Festival de Jazz e Blues ocorre todos os anos no período do carnaval.

Farei aqui uma declaração: amo Guaramiranga! Está localizada no Maciço de Baturité no Ceará, é a nossa serra mais perto de Fortaleza, assim como Pacoti, Aratuba, dentre outras cidades. Guará, como é conhecida, tem muito charme não só por ter uma natureza verdejante e pródiga, onde tudo que se planta floresce, mas também por ser calma, tranquila, convidativa ao silêncio e aos longos passeios a pé. Com pousadas e hotéis cheios de encantos e flores, restaurantes com culinária internacional e lojas tentadoras, a cidade torna-se válida para uma visita mais demorada.

Já senti a diferença na cidade da festa do Ano Novo de 2009 para cá; o trânsito estava mais organizado, não se podia estacionar em duas mãos em certos lugares como antes. Também na parte central, não podia mais passar carro. Ficou bem melhor assim. Conclui-se que há um preparo cuidadoso ao receber os visitantes que lotam o local. Além de ter uma atmosfera que promove a paz de espírito, a cidade oferece algo mais no carnaval: o Festival de Jazz e Blues.

No clima de muito respeito pelas diferenças entre as “tribos reinantes”, testemunhei pessoas de variadas idades, condições sociais e pensamentos convivendo no mesmo espaço na maior harmonia.

Falemos, enfim, sobre o festival. Estamos no ano de 2009. Foi meu primeiro carnaval jazzístico e posso assegurar que fiquei satisfeita com a organização, eram vários grupos lidando com os mínimos detalhes de um evento de tal porte. Os shows foram empolgantes e impressionaram pela qualidade, dentre eles, os dos nossos cearenses que mostraram o seu talento. Juntar craques como Dominguinhos, César Camargo Mariano, Toots Thielemans e Ná Ozzetti foi um golpe de mestre. Como já estive no carnaval de Nova Orleans nos EUA, posso dizer que senti a mesma emoção ao escutar a banda Dixie Square Jazz Band. Eles conseguiram fazer o povo se remexer no espaço aberto. Parabéns a todos os músicos participantes e à produção bem elaborada do festival. Penso que a homenagem recebida pelas produtoras e toda a equipe no último show foi mais do que merecida, afinal são 10 anos acreditando que este projeto tão sonhado e sendo realizado faz a diferença no nosso estado.

Em suma, aconselho aos amantes da boa música e convivência harmoniosa passar dias de muito enriquecimento cultural em Guaramiranga no próximo carnaval!

 

 

Blumenau e Pomerode: Santa Catarina Alemã

 Blumenau e Pomerode: Santa Catarina alemã

Continuando com os passeios no lindo estado de Santa Catarina em maio de 2017, vamos a Blumenau e Pomerode desta vez. Estávamos em Florianópolis e no hotel Castelmar mesmo fizemos a reserva para o passeio de um dia. Fomos pela agência Vavatur, com o motorista Dimitri e o guia Sr. Jorge, ambos gaúchos. Um comentário aqui: como existem gaúchos em Florianópolis, encontramos muitos.

A van nos pegou às 8.30 h. de uma quarta-feira para o passeio de quase 12 h. para a Rota Alemã. Éramos um grupo de piauienses, argentinos, chilenos e nós. Já digo de antemão que foi bem longo e cansativo o dia. Dou uma sugestão à Vavatur: remover algumas paradas em Pomerode, de forma que o passeio fique mais leve e que cheguemos mais cedo a Floripa, afinal são 130 km até Blumenau.

No caminho, descemos no Restaurante Sinhá Benta para cafés, banheiros e compra de cachaças típicas da região. O interessante foi testemunhar um aquário com peixes médios que tomavam mamadeira de ração para peixe. Algo inédito para mim. Da mesma forma, passamos pela cidade de Gaspar onde há a Catedral São Pedro Apóstolo.

Chegamos a Blumenau, cidade fundada por Hermann Blumenau em 1850. Em 1851, a primeira fábrica de cerveja foi inaugurada. Visitamos o Museu da Cerveja, a Prefeitura Municipal de Blumenau no estilo germânico, a Ponte de Ferro, a Rua XV de Novembro etc. No museu citado, vimos fotos históricas e máquinas usadas para fazer cerveja na época. Aliás, a cerveja é uma das bebidas mais antigas da humanidade, é feita de água, lúpulo, malte de cerveja e levedura. Ocorre anualmente o Festival da Cerveja em outubro, a famosa Oktoberfest, com muita bebida e iguarias alemãs.  Blumenau também oferece a Magia do Natal e a Festa de Verão. Lá há o Cemitério de Gatos, criado por Edith Gaertner, o Museu de Hábitos e Costumes, a Rua das Palmeiras (como em Joinville), dentre outros locais turísticos.

O prédio da Prefeitura é digno de uma fotografia. A Prefeitura dá incentivos fiscais a quem construir no estilo germânico, assim como Gramado-RS. Fazem muito bem. A cidade fica charmosa e tão alemã…

Aconselho a visita em períodos menos quentes como maio, uma vez que o clima vai de -1˚C a 50˚C. Ufa! Não deve ser fácil o verão.

O que faz Blumenau ser tão atraente ao turista é, sem dúvida, a Vila Germânica, onde acontece a Oktoberfest em um grande galpão. Almoçamos no Park Blumenau em estilo buffet, localizado na Vila, com comidas alemãs, nacionais, doces diversos e um chope gratuito a quem vai pela Vavatur de segunda a sexta.  Tudo por R$27,00. Valeu a pena.

Amei a Vila Germânica com suas lojas fofas: de artesanato, chocolates, cafés, queijos e mostardas. Tudo tão lindo com flores e decorações típicas de uma cidade alemã. Gostaria de mencionar que Blumenau tem crescido muito e não é diferente das cidades do sul, o que a faz original é a citada vila.

No Vale Europeu, perto de Blumenau, está situado Pomerode. Confesso nunca ter ouvido falar, mas agora não sai do pensamento. É pequena e linda! A mais alemã das cidades do Brasil, seus habitantes, assim como nas outras cidades alemãs, falam em alemão entre si. A cidade oferece cultura, música, dança e uma variedade de gastronomia aos turistas. Há eventos e festas ao longo do ano, por exemplo: em fevereiro, a Festa do Encontro de Amigos, algo único no mundo!; em março, a Páscoa mais alemã do Brasil; em maio, Encontro de Carros Antigos; em julho, Festival Gastronômico de Pomerode; em agosto, a Festa do Borrego, trata-se de um carneiro com a idade entre 7 e 15 anos, enfim, não faltam festejos.

Agora vamos passear por local tão verde e adorável. A primeira parada é no Pórtico de Entrada, com uma loja de artesanatos de enlouquecer. Lá pegamos material turístico. Visitamos a casa/museu do fundador da cidade, o imigrante Carl Weege, de 1868. A maioria dos colonizadores da região veio da Pomerânia, no norte da Alemanha, em 1945. Hoje tal região pertence à Polônia. As casas são em enxaimel, mencionadas no artigo sobre Joinville, típicas da região do Vale Europeu. Primeiro coloca-se a madeira e depois preenche com tijolos, sem pregos ou parafusos.  Na parte de fora do museu, visitamos os galpões com máquinas da época. Uma que me chamou atenção foi a “atafana”, um engenho de moer milho, criado e construído pelo genro do fundador em 1951.

Também fomos à fábrica da Porcelana Schmidt cuja loja é enorme e decorada como a Zara Home. Achei o máximo lá ter um memorial com louças de todas as coleções até a atualidade. Muito válido esse cuidado com o passado. País sem memória é nada. Na continuação, estivemos em uma loja do chocolate da região Nugalle. Bem estilo europeu, com menos açúcar.

Depois fomos à parte mais interessante do passeio: a Rota Enxaimel. São 16 km de extensão, o maior acervo de construções enxaimel fora da Alemanha. Segundo o guia, a Baviera do Brasil. É zona rural com 50 casas estilo enxaimel e outras antigas de madeira. Foi um privilégio ter conhecido. Parece estarmos no interior da Alemanha, é decididamente, outro país. Tudo verde, bem cuidado, com casas charmosas, lindo! Visitamos uma delas: a da família Siewert de 1868. Lá conhecemos o Adir, morador da casa, o nosso recepcionista. Foi muito querido em tirar foto conosco, nos mostrar a árvore genealógica da família e nos contar como se vive naquele paraíso. Não há crise e, lugar como aquele, só se trabalha, vive do campo e em família. Maravilha. Ele nos apresentou ao avô dele ainda vivo, à cunhada, ou seja, todos moram próximos e trabalham unidos. Também estavam lá alunos da região. Podemos dizer que é um museu atual. Vendem geleias, doces, mel e eu comprei por uma pechincha um pote de palmito da terra. Por último, adentramos a loja da cerveja Schornstein, para quem gosta de cerveja, não faltam opções. Um delírio! Interessante o pão de cerveja e os diversos queijos em bisnagas e potes.

Apesar do cansaço na volta, ainda assistimos a filmes na van. Fizemos amizades, nos divertimos e vimos locais em que o Brasil dá certo. Sou muito fã deles. Aconselho muito cidades tão únicas. Principalmente, Pomerode. Amei e voltarei.

 

Carta da América

Querido amigo: carta da América

Este artigo é em homenagem a dois grandes cinéfilos, ambos amigos meus: o jornalista Frederico Fontenele e o professor Luiz Geraldo Miranda Leão, meu mestre na UECE, pessoa a quem devo o convite para escrever sobre cinema para o Jornal O Povo pela primeira vez, lá pelos idos dos anos 80.

Miami, 28 de fevereiro de 1994

 

eu em LA
Eu com o Mickey Mouse na Calçada da Fama no Teatro Chinês em Los Angeles-EUA

 

Querido Fred,

Não posso deixar de me lembrar de você estando na terra do cinema.

Meus dois hobbies favoritos são: ir ao cinema e viajar, então imagine o que não é de maravilhoso passar pelas cidades onde filmes foram feitos.

St. Petersburg na Flórida é um lugar ainda desconhecido do turista brasileiro, mas conhecidíssimo do americano. É uma cidade bela na qual os pelicanos e os idosos fazem sua morada. As pessoas “mais experientes” aproveitam a vida dançando na beira da praia, pescando e sendo felizes. Como não lembrar dos filmes Cocoon I e II (ator: Steve Guttemberg), nos quais velhinhos descobrem uma piscina, se deleitam nela e ficam mais e mais dispostos, jovens e repletos de alegria.

Nova Orleans é a terra do carnaval americano, conhecido como Mardi Gras. É a festa dos colares, das paradas com carros alegóricos, de muita gente bonita e simpática nas ruas. Sem dúvida, é uma das mais românticas cidades dos Estados Unidos. Lá foi filmada parte da película A Assassina (atriz: Bridget Fonda). Veja o filme e sinta a magia do French Quarter (Bairro Francês).

Um dos candidatos à oitava maravilha do mundo – o Grand Canyon – é algo de tão belo que não há descrição possível. O fim de Thelma e Louise (atrizes: Geena Davis e Susan Sarandon) foi feito naquela beleza majestosa. O momento do filme em que elas decidem entre se entregar à Polícia ou se atirar no despenhadeiro, preferindo a última opção, mostra bem a força do Grand Canyon, ou seja, a sensação de liberdade que o lugar inspira, juntamente com o sentimento de ser amplo, infinito, grandioso. Por isso, elas tiveram o poder de escolher a própria morte, ir para Deus no paraíso terrestre.

Estar em Las Vegas e não pensar em Uma Proposta Indecente (atores: Demi Moore e Robert Redford) é impossível. O ambiente de luxo dos cassinos foi muito bem retratado no filme.

Top Gun ou Asas Indomáveis ( atores: Kelly McGillis e Tom Cruise) é San Diego com todo o esplendor chamado Califórnia, com suas praias, barzinhos e clima litorâneo.

tom cruise
Tom Cruise na Calçada da Fama em Los Angeles-EUA

Hollywood e Beverly Hills, com uma das ruas mais caras do mundo – Rodeo Drive, lembra qual filme? Logicamente que Uma Linda Mulher (atores: Julia Roberts e Richard Gere). Para comprar algo lá, tem que marcar com 24 horas de antecedência, pois algumas lojas só vendem a seis clientes por dia. Que tal? Não podiam mesmo atender à personagem Vivian sozinha e vestida como estava…

Finalmente, a cidade propícia para romance com suas ladeiras, casas vitorianas, bondinho e Golden Gate Bridge: São Francisco. O filme Uma Babá Quase Perfeita (atores: Sally Field e Robin Williams) mostra bem a arquitetura de St. Francis. Aliás, eu, minha amiga Sandra Ximenes e minha mãe fechamos a viagem com chave-de-ouro, quando fomos para a rua Lombard com a Hyde, descemos do bondinho para conhecer a via mais tortuosa do mundo e qual não foi minha surpresa, pois estavam filmando Murder in the First (Assassinato em Primeiro Grau) em plena rua. Foi mais do que emocionante para uma cinéfila como eu, ver o Christian Slater correndo pela rua atrás do cable car (bondinho). Agora eu entendo porque cinema é caro, afinal para aparecer um ou dois segundos na tela, filmam horas com pessoal e material qualificadíssimos.

Bem, Fred, espero que um dia você faça uma viagem com experiências tão inesquecíveis quanto a minha.

Até a volta,

Mônica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Colégio Militar de Fortaleza

Fachada_principal_do_Colégio_Militar_de_Fortaleza
https://pt.wikipedia.org/wiki/Col%C3%A9gio_Militar_de_Fortaleza

Colégio Militar de Fortaleza

Gosto de divulgar minhas opiniões, principalmente, quando para elogiar uma instituição centenária e que muito me orgulha.

Tendo estado lá em março de 2017, devido à comemoração dos 65 anos de ingresso na então Escola Preparatória de Fortaleza da Turma Monte Castelo, turma com a qual meu pai (Tenente-Coronel reformado Jair Barreira Furtado) entrou na AMAN – Academia Militar das Agulhas Negras, fiquei agradavelmente surpresa ao ver o velho Colégio Militar de Fortaleza tão bem cuidado, limpo, pintado e com preocupações ecológicas como reciclagem de lixo. Ou seja, vejo o antigo colégio dos meus irmãos ensinando o aluno a ser cidadão consciente da sua responsabilidade para com a natureza.

Outro assunto a ser mencionado é o vínculo de amizade, camaradagem e dedicação existente entre os companheiros de farda. Sei que é um sentimento real entre os militares de todas as turmas, contudo focalizarei as Turmas Monte Castelo e Montese (turma de saída do meu pai da AMAN em 1958), as quais pertencem amigos antigos e queridos. Toda vez que participo, mesmo que somente de um almoço,  num encontro como esse, confesso ficar orgulhosa, emocionada com o reencontro de companheiros de longas datas e com uma ponta de inveja. Qual seria a razão? Pelo fato de saber que o meio civil não tem a mínima ideia da força da família militar, as amizades são profundas e sinceras. No meio civil, há amizades, logicamente, mas a ligação de “irmãos” no meio militar é diferente. Só vejo semelhança na Igreja.

Se eu voltasse o tempo (na minha época de estudante, não se aceitavam mulheres nas escolas militares), seria aluna do CMF, desfilaria todo 7 de Setembro, faria tudo para ser coronel-aluna e teria o maior prazer de dizer isso a todos. Apesar de não ter sido, gosto de espalhar aos quatro ventos ser fã incondicional da  família  militar. Será por ser filha de tenente-coronel e neta de general? Sei lá, deve estar em ebulição no meu sangue…

grupo militares
Turma Montese

Joinville-Santa Catarina Alemã

Joinville-SC: terra de possibilidades

Estamos em maio de 2017. Estou recém- chegada de uma região rica e pródiga em empregos de Santa Catarina. Terra de gente trabalhadora. Eis Joinville, outro Brasil, certamente.

Vamos começar o passeio. Estamos em Florianópolis no hotel Castelmar no centro e resolvemos visitar meus primos em Joinville. Acordamos às 6 h e fomos a pé para a rodoviária. O hotel é muito bem localizado, foi uma boa escolha. Por R$65,00 compramos a passagem de ida (individual) às 7.15 h. pela Viação Catarinense, só que pensávamos ser direto e não era. Foram 3 horas e 30 min. de viagem com quatro paradas (Tijucas, Itapema, Balneário Camboriú e Itajaí). O bom foi ter observado as boas estradas. Chegamos a Joinville na hora estipulada.

Com a assessoria dos primos, fomos logo ao Pórtico da Cidade e pegamos informações no Centro de Turismo da Prefeitura (Portal Turístico). Isso é fundamental. Lá pegamos mapas da cidade com explicativos e folders. Bem organizado, bem sistema alemão. Almoçamos na Panificadora da Vila com um bom self-service barato. Achei tudo mais barato no estado. A gasolina, então, é bem mais em conta. Falando no almoço, a sobremesa é cortesia, aí aproveitei para comer sagu. Doce feito com vinho e típico do sul. Sempre gostei e quando estou pelo sul, não perco.

Joinville, a maior cidade do estado, não é uma cidade turística como Blumenau, mas é uma cidade referência em turismo de eventos e industrial. Fiquei encantada com a imagem que passa de desenvolvimento. Lá há as fábricas da Tigre, Amianco, Schutz e tantas outras. Uma São Paulo menor e muito agradável. E tem o que ver. Como o tempo era curto, escolhemos o centro. Tudo tão ajeitado, limpo, dá gosto de se andar. Fomos à rua das Palmeiras: Alameda Brüstlein, tombada pelo Patrimônio Cultural de Joinville. Engraçado que quando vi as árvores gigantes, pensei no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (de 1867) e olha que eu não estava errada. Estas palmeiras vieram das sementes das existentes no Jardim Botânico. Bingo! Em 1873 as mudas de 56 palmeiras foram transplantadas para o local, por isso Rua das Palmeiras. Como Joinville é uma cidade muito quente no verão, sentar sob a sombra das lindas árvores centenárias é um elixir.  Aliás, chega a 56˚ C a sensação térmica. Eu diria que para nós é impensável. Melhor visitar no outono ou no inverno.

Ao fundo da rua encontramos o Museu Nacional de Imigração e Colonização. Vale a pena conhecer. Pertencia à princesa Francisca Carolina, irmã de Dom Pedro II, e seu marido, príncipe de Joinville, de origem francesa.  A edificação é muito bonita, foi construída em 1870 para sediar a administração do Domínio Dona Francisca (nome anterior da cidade) e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O museu foi criado em 1957, mostra a casa da época imperial com seus quartos e banheiro (só um!) antigos. O detalhe do urinol embaixo da cama e da estrebaria embaixo da casa chama a atenção. Pertencia à princesa Francisca Carolina, irmã de Dom Pedro II, e seu marido, príncipe de Joinville, de origem francesa. Do lado de fora da casa principal há um galpão com as carruagens da época e uma casa “enxaimel” de 1905. Construção de tijolos, típica da região, feita sem pregos e montada sobre pedaços de madeiras. Deve ser um delírio para arquitetos e engenheiros. Ainda hoje existem algumas e são atrações turísticas na região.

Aliás, a cidade é conhecida como Cidade dos Príncipes, justamente porque suas terras eram parte do dote de casamento da princesa em 1843. Foram vendidas para uma companhia de colonização alemã posteriormente. Os colonizadores transformaram a cidade no maior polo industrial e exportador catarinense.

O outro museu visitado foi o Museu Arqueológico de Sambaqui. Reúne 12 mil peças arqueológicas e lá aprendi sobre os 41 sambaquis (palavra de origem tupi) existentes na região. São montes altos, amontoados de conchas, restos de comidas, pessoas mortas etc. usados como lugares sagrados ou de proteção contra os perigos da época pelos “sambaquianos”, mistura de pescadores e catadores aproximadamente há 6.500 anos. Algo único no Brasil. Uma relíquia histórica imensurável. Confesso que nunca havia ouvido falar. Como digo, viajar é aprender muito.

Joinville é a sede da única escola, fora da Rússia, do Teatro Bolshoi. Trata-se da mais respeitada instituição de balé no mundo.  Parabéns à cidade. O Festival de Dança  ocorre anualmente na segunda quinzena de julho e atrai 200 mil pessoas. As companhias apresentam espetáculos de balé clássico, dança contemporânea, jazz, dança de rua etc e durante o evento acontece a Feira da Sapatilha com 70 expositores a comercializar artigos de dança a preços acessíveis.

Os habitantes da cidade amam comer cucas: doces/bolos típicos da região sul. Que delícia! Minha prima trouxe vários, doces e salgados, para serem degustados. Maravilha das maravilhas. Foi o lanche antes de voltar a Floripa. Desta vez, só teve uma parada, em Balneário Camboriú, logo chegamos em 3 h e foi um pouco mais caro, uma vez que o ônibus tinha dois andares e era mais confortável.

Há mais museus para visitar, passeios a fazer, como o de barco pela Baía da Babitonga no barco Príncipe de Joinville III; a Estrada Bonita, ponto de turismo rural, a qual lembra a simplicidade das origens e a colonização da cidade, enfim, vale a pena conhecer lugar tão charmoso. Este artigo é em agradecimento a meus primos queridos Roberta, Eduardo, Marcelinho e a Helena, que chegará em breve, por terem nos recebido com tanto carinho. Obrigada!

Santa Catarina

Santa Catarina

Santo Antônio de Lisboa
Santo Antônio de Lisboa-foto tirada por Mônica D. Furtado

Queridos leitores,

Vou convidá-los a fazer uma jornada comigo por um dos estados mais bonitos do Brasil: Santa Catarina. Este artigo é de 2005, mas em breve sairá o mais recente de 2017.

Topam passear? Então, vamos começar… Nossa primeira parada será em Florianópolis. Muito já foi dito sobre Floripa ser encantadora, cativante etc, mas nunca é demais dar uma volta na Lagoa da Conceição e ver como está desenvolvida com seus restaurantes, pizzarias e lojas cheias de estilo; deliciar-se com a orla da capital (Av. Beira Mar Norte) que parece muito com Copacabana; dar uma parada no centro e visitar o Museu e Palácio Cruz e Sousa. Esse museu foi iniciado na segunda metade do séc. XVIII,  é considerado Patrimônio Histórico Estadual e tem linguagem eclética com predominância de características barrocas. Bem perto dali, há a praça XV de Novembro, com ares interioranos (na qual as pessoas se reúnem pra jogar, conversar em grupos ou apenas deixar o tempo passar), onde existe uma figueira pra turista ver e se refestelar na sua imensa sombra. Sem esquecer da Catedral e do centro de artesanato. Uma loucura! Lá perto está o Mercado Público, onde se compra do camarão fresco às bolsas e sapatos. Imperdível ir onde as celebridades vão: no Box 32 e se deliciar com os quitutes e bebidas.

Ali mesmo na Ilha de Florianópolis, há um local com arquitetura açoriana digna de menção: Santo Antônio de Lisboa. Lembrou-me da Paraty colonial no Estado do Rio. Imaginem o mar calmo, rochas ao redor da enseada, luar despontando, casas em estilo português, muita paz, pássaros na água, o tempo parecendo não existir… Uau! Amei!

Ainda dentro da ilha, vamos passear pelas praias de Jurerê Internacional e Nacional, uma ao lado da outra. A Nacional é mais modesta comparada com a Internacional, que é fenomenal! Não existe outro adjetivo para descrever tal praia. Famílias de São Paulo estão se mudando pra lá e construindo mansões as quais são um colírio pros olhos. Uma casa é mais fabulosa que a outra. Nunca vi igual! O centro é formado por um calçadão que tem ao redor prédios baixos e graciosos em diversos estilos: Miami, Mediterrâneo, cada qual mais original. Sim, o calçadão é um shopping center coberto, com cafés, supermercados e lojas diversas com muito bom gosto.

Outro lugar digno de nota é o Balneário Camboriú. Um achado! E o preferido da moçada da Terceira Idade. Parece com Miami Beach. Lá é absolutamente obrigatório conhecer  as atrações do Parque Unipraias Camboriú (www.unipraias.com.br). Na  Estação Laranjeiras, entramos no bondinho aéreo (uma beleza de vista) e subimos pra Estação Mata Atlântica e de lá, descemos pra Estação Barra Sul. No caminho, há mirantes, praias, arboreto, auditórios, quiosques, Parque das Aventuras, etc. Local certo pra esportes radicais. Uma cidade surpreendente!

E aí, gostaram? Há muito a ser dito. Fiquei com gostinho de quero mais…

Esse artigo é uma homenagem aos queridos familiares que residem na bela Santa Catarina.

Santo Antônio de Lisboa 2
Santo Antônio de Lisboa-tirada por Mônica D. Furtado

 

Ensino Mágico

 

ENSINO MÁGICO

Este artigo é 2002, mesmo antigo será sempre atual, pois um professor nunca deixará de ser professor, ainda que esteja aposentado. Está impresso na alma o seu amor pelo ensinar e seus alunos. Faço deste artigo uma homenagem aos meus queridos pupilos nos meus 33 anos de ensino de inglês. Lembro-me de todos os meus momentos com muito carinho. A vocês, alunos, o meu eterno “muito obrigada”, vocês me fizeram uma pessoa melhor e mais humana.

Para começar, vou repetir algo marcante, lido em algum lugar: “Fora da escola, não há salvação.” Realmente, acredito nisso. Professores, sem tempo, salário e condições de trabalho dignos e ainda querendo continuar professores, sabem muito bem ser a citação acima mais do que verdadeira.

Do que se trata o “Ensino Mágico?” É o tipo de ensino que vai além do conhecimento de conteúdo e atinge o coração do aluno. Como? Com bom tratamento, gentileza e fazendo-o se sentir único na classe. Mas aí se questiona: “É possível? De que maneira conseguir isso num cotidiano tão atribulado de afazeres?” De um modo muito simples: prestando atenção neles, em como estão vestidos (se estão mais elegantes, por exemplo); se parecem felizes ou não; nas suas reações para com o professor e os colegas de classe; se cortaram o cabelo, dentre outros. O fato do professor fazer comentários a respeito desses detalhes faz fluir a energia da turma. É incrível como ficam alegres com uma simples observação: “Fulano, você cortou o cabelo.” Além de ruborizarem, sentem-se “vistos, notados.” Não são um aluno, mas o “aluno.” Saber nomes, então, nem se fala. É condição essencial para um relacionamento igualitário. Agindo assim, o clima na sala torna-se bem mais agradável e o mestre é percebido como um AMIGO. Trabalhando com respeito e carinho, o educador ajuda a elevar a auto-estima dos pupilos, às vezes, fragilizada por motivos outros. Certos alunos tornam-se tão especiais que deixam de ser somente “pessoas na sala” para serem fundamentais, parte do ciclo afetivo do professor.

Certos vocábulos abrem portas e horizontes e fazem parte do “Ensino Mágico.” São palavras milagrosas de tão gentis. “Obrigado(a), de nada, com licença, sinto muito e por favor” transformam a vida do aluno e o fazem vislumbrar a sua potencialidade em ser “cidadão do mundo.” Afinal, educação é a passagem de “ida e volta” para qualquer lugar. Se o professor no seu cotidiano adota essas idéias mágicas, recebe um ambiente de trabalho de PAZ.

O educador é um exemplo, um líder, logo tem o poder de plantar a semente da boa interação. Algo mais a ser mencionado: o valor do sorriso. Como os alunos respondem? Sorrindo de volta!

Tenho trabalhado com os meus alunos na Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará, o seguinte lema: “O que estou fazendo para mudar o Brasil?” Sendo uma otimista incurável e convivendo com a nossa juventude universitária, tão repleta de sonhos e projetos, não deixo de me perguntar quanto ao meu papel na sociedade. Só sei que “Nós, professores, fazemos toda a diferença neste mundo tão desigual.” 

            Este artigo é uma homenagem a todos os profissionais comprometidos com a transformação do nosso país e olha que eu tenho a sorte de conhecer muitos professores assim. Em especial, dedico a duas pessoas entusiasmadas com a sua missão na Terra: “ensinar, estar rodeado de alunos, amar falar neles e estar sempre trocando experiências sobre as suas vidas escolares”: minha mãe, Sirley Dourado Furtado, professora alfabetizadora nata e minha grande incentivadora na arte de lecionar e meu tio, Celso Barreira Furtado, o tipo de pessoa que tem na testa escrito: “Sou professor com muito orgulho.”

Como uma boa cinéfila, aconselho alguns filmes marcantes sobre a influência de professores sobre os alunos: “Ao Mestre com Carinho 1 e 2, A Corrente do Bem e Meu Adorável Professor”.

Para concluir, uma citação do Pai da Psicologia Humanística, Abraham Maslow: “Os professores não devem somente aceitar os alunos, mas ajudá-los a aprender sobre o tipo de pessoas que eles são.” E eu acrescentaria: “o tipo de pessoas que eles querem ser…”

Meu Outubro Rosa

Meu Outubro Rosa

Hoje em 2017, estou muito bem, graças a Deus. Fiz a reconstituição da mama em 2016. Em 2017 fiz a tatuagem do mamilo e achei o máximo. O Walber Tattoo fez um trabalho e tanto! Endereço: Rua João Regino, 830-Parque Manibura-Fortaleza-Ceará, fone: 85-988078031. Escrevo para dividir a minha experiência e dar forças a quem estiver passando por este momento difícil. É a parte física do artigo “Outubro Rosa e Eu”, também publicado no meu blog.

Vamos ao artigo. Resolvi escrever influenciada pela campanha do Outubro Rosa. Penso que quanto mais se divulgar, melhor será o futuro em termos de prevenção ao câncer de mama, assim como ao fim do preconceito.

Aproveito o momento para contar a minha história. Sempre fui muito cuidadosa do tipo que faz check-up e mamografia todo ano, além de ultrassom de mama de 6 em 6 meses. Não tenho histórico na família, diga-se de passagem. Fui salva por ser cuidadosa. Em janeiro de 2015, às voltas com meus exames, foi detectada uma lesão na mama esquerda. Foi bem atropelada esta parte. Fui pega de surpresa. Fiquei em choque e a família também. Fiz a core-biopse (exame que tira pedacinhos de carne da mama e você toma injeção de xilocaína para não sentir nada) em um sábado. Fiquei descansando no restante do dia, com gelo na mama. Só que na segunda eu já tinha viagem marcada para o Chile com tudo pago. O quê fazer? O resultado só sairia uns 10 dias depois. Então, resolvi viajar, mas preocupada, logicamente.

Chego dia 24 de janeiro. Fico sabendo do resultado já no aeroporto. Eram uns nomes tão feios… Foi tudo tão rápido que você liga o automático e vai vivendo. Dia 26, eu já estava na médica mastologista. Ela me explicou tudo, aliás me deu uma aula sobre o assunto. Explicou que era câncer em estágio inicial e que eu teria de retirar a mama esquerda. Ufa! Que estado de tensão! Em 12 dias pós-consulta e após fazer os exames pré-operatórios em regime de urgência, eu estava me operando com a equipe feminina da dra. Paulla Valente e da dra. Custódia Jucá, cirurgiã-plástica. De homem somente o anestesista. Meu muito obrigada à minha cunhada Lindiane por ter me indicado a dra. Paulla em momento tão urgente.

Aí entra o meu lado Mônica de ser: fiz de tudo isso um grande evento social. Eu precisava da família e dos amigos ao meu lado, logo eu comuniquei a todos. O hospital ficou cheio. Foram até expulsos do andar. Eu queria estar lá no fuzuê. Na minha convalescença, recebi muitos telefonemas, tive muitas visitas, conversei, dei boas risadas. Foram poucos os momentos de choro. Em momento nenhum eu me vi doente ou achei que seria o meu fim. Como tenho amigos de todas as cores, crenças e pensamentos, recebi muito carinho, amor, orações, rezas, reiki e até atabaque. Posso dizer que tudo isso fez uma enorme diferença.

Ao longo do caminho até hoje, tive problemas diversos, mas solucionáveis (uma hemorroida que ninguém merece e uma infecção urinária por estar com a imunidade baixa); expandi o expansor (um tipo de bexiguinha dentro de mim, um seio falso) por quase 2 meses com a cirurgiã-plástica (as primeiras sessões de expansão são dolorosas), fiz 28 sessões de radioterapia no CRIO e tive como médico radiologista o dr. Igor Veras. Felizmente, só senti enjoo no fim e hoje faço fisioterapia para o braço na clínica Resmofísio. Aprendi que cada caso é um caso. O que eu senti, outra sentiria diferentemente. A luta é grande, ainda hoje lido com uma certa dor no local da operação. Fiquei com o emocional um pouco fragilizado em certos momentos, mas não esmoreci. Tenho estado bem e calma, como sempre. Fui poupada da quimioterapia, por ter descoberto logo no começo. E em janeiro me opero novamente para a reconstituição da mama.

Este artigo é um agradecimento sincero aos médicos que descobriram a lesão (dra. Maria do Carmo da Clínica Centrus e dr. mastologista Wilson Mourão) , aos que cuidaram e cuidam de mim até hoje, e são muitos. Também aos familiares e amigos que estiveram ao meu lado ao longo de todo este processo que perdura até hoje. Em todos os momentos do tratamento, tive alguém ao meu lado. Isso é uma glória! Para as sessões de radioterapia, eu fiz uma agenda social para os “caroneiros”. Meus sinceros agradecimentos a quem acordava às 6 da manhã a fim de estar comigo no Crio às 7 h. São eles: meu pai Jair, meu “namorido” Carlos, meu tio Mauro e minhas amigas Carol e Ana Tavares. Não posso deixar de mencionar minha amiga-irmã Eveline que me levou por duas vezes à sala de cirurgia. Se superei maravilhosamente, foi por ter recebido muito amor.  Sou abençoada por ter pais presentes e um amor na saúde e na doença. E uma tia Rita que voou de Porto Alegre para Fortaleza a fim de estar comigo dando força e suporte no momento da primeira e mais difícil cirurgia. Muito obrigada!

Hoje em 2017 faço há um ano fisioterapia para o braço esquerdo. É um processo lento. Agradeço à minha fisio particular Ingrid Fontenele a quem devo o movimento mais flexível e seguro do meu braço. Da mesma forma, não posso esquecer do dr. oncologista Victor Hugo Alencar com quem tenho consultas detalhadas e cuidadosas para checar o efeito do remédio Nolvadex em mim. Remédio que tomo desde agosto de 2015 e vou até 2020. Sempre rezando para que funcione e eu não tenha mais câncer. Outro agradecimento vai ao dr. William Bezerra, meu cardiologista de anos, sempre presente. Por receber tanta delicadeza em forma de atitudes, agradeço à minha psicóloga de longas datas Lucita e à amiga Carla Neves de Porto Alegre por ter me indicado a atenção da Stella de Pelotas-RS. Devo a ela um trabalho dedicado de muito tempo de reiki. Foram muitos apoios e digo a vocês, a terapia me fez sempre levantar.

Como pode-se perceber é uma luta de exames, médicos, cuidados, fisioterapias, alimentação etc, mas que um dia passará. Vou concluir com o meu poeta preferido Mário Quintana, também natural de Alegrete-RS: “Eles passarão, eu passarinho”.