Foz do Iguaçu – Cataratas del Iguazú na Argentina
Hoje é dia 10 de março de 2020 e iremos conhecer o lado argentino das Cataratas do Iguaçu. São 7h40m e estamos no hotel Mirante em Foz. Somos um grupo grande (34 pessoas) e o papo é bom. Muita gente de fora mora na cidade, a dona da loja de lembrancinhas do hotel, por exemplo, é de Frederico Westfallen no RS. Aconselho a loja e a boa conversa.
O passeio será puxado e mais complexo, vai até às 16 h, com caminhadas longas, trilhas, trenzinhos, pontos de parada e muita emoção. Tem que ter boas pernas e muita disposição. Lembrar a roupa e sapatos confortáveis para um calor intenso, mais repelente e chapéu. Chegaremos bem perto da Garganta do Diabo. O guia é o Rodrigo e o motorista o sr. Walter ( o mesmo do passeio a Puerto Iguazú by night da noite anterior).
Segundo o informativo da CVC, as cataratas são admiradas de ângulos diferentes na margem argentina do rio Iguaçu, onde fica o Parque Nacional Iguazú. A arrebatadora Garganta do Diabo é observada do alto sobre o trecho mais turbulento do rio.

Mapa do Parque Nacional del Iguazú-foto tirada por Mônica D. Furtado 
Parque Nacional del Iguazú-foto tirada por Mônica D. Furtado
O ingresso é R$70,00 e como é Argentina não há descontos para brasileiros. Enfim, entramos no Parque Nacional Iguazú ( Água Grande” em guarani). Segundo os guias, no lado vizinho tudo é mais complicado. A vegetação é a mesma dos dois lados, a terra vermelha é rica, fértil, viçosa, me recordo do Cariri no sul do estado do Ceará (Brasil). No portão há um guarda florestal armado.
Começamos o passeio. O parque é muito bem estruturado. O Sendero Verde (Trilha Verde): 650 m, 15 minutos, acessível 100%. Vamos até a estação Cataratas para pegar o trem ecológico. O próximo trem virá somente às 10h55, há muita gente e lota logo. Em todo o caminho existem lixeiras e paradas estratégicas. Aviso que o passeio é demorado e há filas para o banheiro e para o trenzinho. No trem vi uma marina para um passeio ecológico no rio. A selva é encantada, bela Mata Atlântica. O rio Iguaçu nos enfeitiça, trem vai e trem vem. As borboletas e a natureza nos despertam e saciam a nossa fome de vida pura.

Trenzinho ecológico no PNI-foto tirada por Mônica D. Furtado 
Passarela e o rio Iguazú-foto tirada por Mônica D. Furtado
Descemos na Estação Garganta do Diabo, aí iniciamos a trilha de 2200m ida e volta até a inigualável Garganta do Diabo passando por uma passarela de ferro. Temos uma vista panorâmica do Salto Unión. São 120 minutos e acessível 100%. Estamos dentro da reserva. Diferente do nosso parque nacional brasileiro, o da Argentina é mais dentro, mais no coração das Cataratas. Achei fabuloso caminhar sobre o rio Iguaçu e ter pequenos nichos de descanso. O visual das Cataratas del Iguazú é ESPETACULAR e INCOMPARÁVEL. O lugar é privilegiado. O sol está a pique: 35 °C, um calor infernal!
Saindo de lá, vamos ao ponto de apoio para banheiros e lanchonetes. O grupo se divide neste momento: uns vão para a praça de alimentação e outros para a trilha com 80% na sombra, são 2800m ida e volta. Decidimos pela trilha, não dá para perder. Estamos no Circuito Inferior que vai até o Salto Cabeça de Vaca. São 1700 m, 90 minutos e acessível 70%. O percurso é fabuloso com escadas, mirantes e cascatas. A Cascata Bossetti é mais uma do local. Temos uma vista panorâmica dos saltos vistos da parte de baixo e dá acesso à ilha San Martin. Aviso aos navegantes: o percurso exige muita disposição, andar uns bons quilômetros a 35°C não é fácil. Tem que passar protetor solar e fugir dos quatis. Vale a pena demais apesar do calorão.

Cataratas del Iguazú pujantes-foto tirada por Mônica D. Furtado 
Nós no Salto Cabeza de Vaca-PNI-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
Também há informações no folder recebido a respeito do Circuito Superior: 1750 m, 120 minutos e 100% acessível, vista panorâmica dos saltos vistos da parte de cima. A ilha San Martin: 700 m, 120 minutos e não acessível, localizada no centro das cataratas, possui trilhas e mirantes, mas a visita fica condicionada à altura do rio. A Trilha Macuco: 7000 m, 180 minutos e não acessível, ideal para observar as aves e conhecer a selva. É uma trilha agreste, exclusivamente pedestre, interpretativa e autoguia. Solicita-se o folheto no Centro de Interpretação (de imagens da selva e história do parque) ou Centro de Visitantes “Yvirá Reta”, que significa “o país das árvores” em guarani. A viagem guiada nesse local leva 20 minutos. Bom para conhecer as culturas que habitaram a selva ao longo do tempo, seu problema de conservação e os esforços realizados para a sua proteção. A Selva Paranaense tem um alto grau de ameaça, por isso a importância do parque.
Considero o Parque Nacional Iguazú colossal em termos de cenários e infraestrutura. Na praça de alimentação existem muitas opções de comidas e há espaços com telas para os comensais a fim de protegê-los dos danadinhos dos quatis que roubam alimentos. Preferimos as empanadas com salada, combinam com o clima. Deliciosas por 70 pesos argentinos cada, ainda bem que aceitam real, dólar e euro. Isso é ser internacional, no Brasil não se tem o hábito de aceitar moedas estrangeiras, infelizmente.
No Centro de Visitantes Velho Hotel Cataratas encontra-se um museu com um pouco da história do Parque das Cataratas e do local. Ali era o antigo Hotel Cataratas do lado argentino. Também se encontra um posto de informações e o escritório da Administração do PNI. Lá existem locais comerciais com variedades de produtos. A venda de artesanato, ou seja, dos produtos dos artesãos guaranis beneficia as comunidades aborígenes locais.
Um pouco da história dos parques de acordo com o folder entregue, realizando uma travessia entre a costa do Atlântico e Assunção do Paraguai, o espanhol Alvar Nuñez Cabeza encontrou as cataratas no ano de 1542 e as batizou com o nome de Saltos de Santa Maria. Ao final do séc. XIX, do lado brasileiro e argentino homens ilustres começam a frequentar esta maravilha da natureza e propõem protegê-las e torná-las conhecidas. No início do séc. XX foram criados os dois parques nacionais em torno delas: o Parque Nacional Iguazú em 1934 (Argentina) e o Parque Nacional do Iguaçu em 1939 (Brasil). O primeiro foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade em 1984 e o segundo em 1986.
O folder complementa que ambos os parques protegem a riquíssima biodiversidade. Algumas espécies de sua flora e fauna estão ameaçadas de extinção, como a onça pintada, o puma, o jacaré de papo amarelo, o papagaio de peito roxo, o gavião real, o madeira rosa e o ariticum (parente da fruta do conde ou ata).
Depois do almoço, entramos no ônibus às 15h15 para a volta rumo ao hotel Mirante em Foz do Iguaçu. Dia bastante produtivo e feliz. Parabéns aos parques nacionais pelo seu trabalho de conscientização e proteção da Natureza.



















