Turquia – Pérgamo e Esculápio

Turquia – Pérgamo e centro de medicina Esculápio

Hoje é dia 25 de outubro de 2019. Saímos de Izmir de ônibus e fomos a Pérgamo, cidade rival de Éfeso no plano comercial e de Alexandria e Antioquia, no plano cultural, segundo o livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS. A Wikipédia nos conta que fica a 26 km da costa do mar Egeu em um promontório no lado norte do rio Caicos e a noroeste da moderna cidade de Bergama (Pérgamo). Era a antiga cidade grega rica e poderosa na Eólia. Desde 2014 é inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO.

O mesmo livro adiciona que lá foi inventado o pergaminho a partir do couro de carneiro, quando o Egito lhes interditou a venda do papiro. A história menciona Pérgamo desde o séc. IV a. C., mas existem achados arqueológicos que datam da Idade da Pedra. A biblioteca da cidade continha cerca de 200 mil rolos de pergaminho, que Marco Aurélio, apaixonado, presenteou à Cleópatra. Esses pergaminhos se perderam no grande incêndio da Biblioteca de Alexandria.

O nosso guia Ali esclarece que os homens de ciência em Pérgamo começam a escrever sobre pele de animais, eis o pergaminho e depois veio o papel. Primeiro se escreve com maiúsculas nos mosteiros e para pequenas escritas com as letras minúsculas. Interessante que o imperador Constantino pediu 50 bíblias sobre o pergaminho.

A cidade é ancestral. Era a Pergamon helenística de 2, 3 a. C. Fez parte do império macedônico de Alexandre Magno em 1 d. C. Com a morte dele, os generais ficaram com a direção da terra.

Uma lindeza a igreja de Pérgamo (Bergama em turco), uma das sete igrejas do Apocalipse. A Wikipédia nos informa que eram sete as igrejas primitivas do cristianismo: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sárdis, Filadélfia, e Laodiceia. São as Sete Congregações da Revelação, também conhecidas como as Sete Congregações da Ásia Menor, as congregações das cidades mais importantes da região do início do cristianismo mencionadas no livro do Apocalipse no Novo Testamento. Atualmente todas as ruínas destas antigas cidades se encontram na Turquia.

O blog old.aproximaviagem.pt nos descreve que os monumentos arquiteturais mais importantes do distrito onde foi inventado o pergaminho encontram-se na Acrópole. No local está situada a biblioteca, famosa pelos seus 200 mil manuscritos; os templos Atena e Trajano; o teatro mais vertical do mundo e a base do altar de Zeus, classificado entre as maravilhas artísticas do mundo. Digno de nota mencionar que as acrópoles gregas sempre se situam em uma montanha, isto é, na parte mais alta do terreno.

Visitamos o primeiro santuário da medicina mental chamado Esculápio. Na mitologia grega e romana, o deus da medicina e da cura. Trata-se de um complexo constituído por biblioteca, anfiteatro e escolas de medicina. Os vestígios gregos do centro do deus Esculapium encontrados são dos séc. 4 a. C. até 4 d. C. O cristianismo chega à região e fecha o culto a ele, mas não o centro de medicina. A Wikipédia relata que Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, se formou no santuário de Esculápio em Cós (ilha grega do Dodecaneso, a 4 km da costa de Bodrum na Turquia). Foi um dos deuses pagãos de maior sobrevida no cristianismo, em virtude de sua fama de bondade e compaixão.

De acordo com a Wikipédia, as versões mais correntes apontam Esculápio como filho do deus Apolo e da mortal Corônis. Teve dois filhos: Podalírio e Macaão. Seus templos e santuários atuavam como hospitais em uma vasta região da Europa, norte da África e Oriente Próximo. Foi um dos primeiros deuses gregos a serem assimilados pelos romanos.

O médico Galeno ali exerceu sua atividade até a morte e 210 d. C., foi o fundador da ciência farmacêutica. A Wikipédia adiciona que era o médico mais famoso do antigo Império Romano e era médico pessoal do imperador Marco Aurélio e trabalhou no local por muitos anos.

Diz-se em turco Asklepion; na mitologia romana: Esculápio. O livro da agência PortoSul (2009) de Porto Alegre-RS acrescenta que não admitiam velhos nem mulheres grávidas no centro. Foi o primeiro hospital psicoterápico que se tem notícias na História. O tratamento consistia em leituras, meditações, exercícios físicos, teatralizações, orações, jejuns, além de aplicações de unguentos e do emprego de ervas medicinais.

A Wikipédia nos informa que a cura era um processo que envolvia a transformação do corpo e do espírito. Instruções eram dadas em sonhos dos enfermos e era pré-requisito para a cura. O sonho era então relatado aos sacerdotes que interpretavam ou complementavam as instruções.  Houve relatos em que o deus Esculápio aparecia em sonhos contrariando a falta de fé do paciente.

Na localidade impressionante, andamos pela Via Tecta ou Caminho Sagrado que era uma rua colunada que leva ao santuário, era coberta no passado remoto e se vê escrito: “O Morto não entre neste lugar”. Os doentes chegavam de cavalo ou burro. Os “doutores” curavam problemas mentais, psicológicos. Havia o templo de Esculápio com uma biblioteca rica em livros de medicina, e teatro para enfermos com 3, 4 mil lugares. Diz uma lenda que a origem do antídoto foi descoberta no centro. Uma pessoa quase morta bebeu o antídoto das cobras, feita do vômito delas, se curou, logo a partir daí foram estudar e descobriram o antídoto.

Vimos colunas jônicas com sulcos profundos. Que sítio arqueológico incrível. Como era uma cidade helenística havia um teatro. E não podia faltar a homenagem ao deus grego Dionísio ou ao romano Baco, fundador do teatro e do espetáculo para festas. Escavaram a costa da colina e colocaram as pedras. Criaram um lugar circular: a orquestra, ou seja, o teatro primitivo dos gregos. O romano acrescenta a parte de trás, um muro para a acústica, por isso o nome teatro greco-romano. Cabiam de 40 a 50 mil pessoas no anfiteatro circular.

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Eis umas piscinas onde os enfermos tomavam banho no centro de medicina Esculápio em Pérgamo-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Depois do espetáculo no teatro, os doentes tomavam banho de lama (perto das piscinas), depois de água normal nas piscinas, tomavam água e após isso, se dirigiam ao túnel. O túnel escuro com água dentro tinha doze aberturas com assistentes de Esculápio dizendo “Você vai se curar” onde os doentes caminhavam sem sapato. Saíam do túnel e passavam pelo lugar circular no meio onde se localizavam os dormitórios ou celas. Os assistentes faziam os remédios enquanto os enfermos dormiam. Somente saíam do centro, depois da “revelação”, ou seja, de como seria o tratamento. Os pacientes levavam os medicamentos ao partirem. Quantos dias ficavam, não se sabe.

Importante mencionar que devemos o conhecimento do Esculápio ao grego Aristides, pois o visitou e escreveu um livro.

Entramos no ônibus e em mais uma hora chegamos a Troia.

 

 

 

Turquia – Izmir

Turquia – Izmir

Hoje é dia 24 de outubro de 2019. Saídos do sítio arqueológico de Éfeso às 17 h, nos dirigimos a uma loja de couro ou centro de peles chamado Freya Russo. Mesmo estando exaustos, deu para se divertir. Logo na entrada nos oferecem vinho branco, tinto ou chá de maçã. Vários vendedores mostram jaquetas de couro deslumbrantes que são exportadas para lojas da Itália. São feitas de couro de cordeiro, vaca, camurça e seda. São belas, leves e coloridas. Algumas têm 0,4 mm e não amassam. As vendas são feitas em euro no cartão com 50 a 60% de desconto. A tentação foi grande, alguns compraram. No fim ainda há um desfile com membros da excursão de modelos, bem alegre o momento.

Chegamos à turística Izmir no sudoeste do país. Depois rumamos ao hotel Izmir Hilton. Estava em reformas do lado de fora. Após o jantar, o grupo foi dormir e pelo visto somente eu e o Carlos saímos pelas redondezas para dar uma olhada nos arredores. Já a conhecia das novelas turcas da TV Band. São quatro milhões de habitantes. Entramos pela periferia com um trânsito menor.

Os edifícios à beira-mar são bem simpáticos. Vimos uma avenida larga que convive com o verde no calçadão que alcança a água. Lembrei-me de Santos no litoral do estado de São Paulo. Estamos no mar Egeu. O calçadão se chama “Kordon”, ou seja, cordão em português. O site istambulturquia.com.br informa que são 6 km de costa a partir do Konak píer até a estação de trem Alsancak.

Os prédios têm bares e restaurantes embaixo e muita gente se divertindo, incluindo mulheres tomando cerveja e a sós, vestidas como ocidentais. Isso não ocorre em cidades mais muçulmanas. Estamos na Copacabana carioca da Turquia com aquele ar de descontração litorânea. Gostaria de passar mais tempo na cidade que aparenta ser uma delícia. Demos uma volta e retornamos.

A fundação de Izmir (nome turco) contabiliza cinco mil anos; era nomeada Smyrna pois era grega. Lá nasceu o poeta Homero 3.500 anos atrás. Em português é dita Esmirna, eis a pérola do Egeu, cidade mais ocidentalizada da Turquia quanto a valores e estilo de vida.

No dia seguinte, 25 de outubro de 2019, partimos do hotel. Detalhe: comemos banana no café da manhã, estávamos saudosos. O pessoal ficou chateado de não ter conhecido nada da cidade. Nem um city tour. Fomos embora de ônibus às 7 h da manhã. No jardim em frente ao hotel havia um gari com um pegador longo de pequenos lixos. Tudo muito limpo.

Izmir tem organização: lugar na avenida para ônibus parar, está marcado. Na avenida à beira-mar ônibus não cruza. Tem porto, tram (tipo de trem), metrô e aeroporto a 25 km da cidade. Um município sem pichações dá gosto. Tudo é gracioso. Que cidade mais convidativa!

Carlos de Campinas discursando
Nosso companheiro de viagem: Carlos de Campinas discursando ao lado do nosso guia Ali-foto tirada por Mônica D. Furtado

No caminho até Pergamon (em grego) ou Bergama em turco, demos presentes financeiros ao guia Ali e ao motorista Dogan com discurso do Carlos de Campinas-SP. Eles amaram. Tínhamos um ambiente irmão. Um adendo sobre os guias na Turquia. São quatro anos de curso ofertado pelo Ministério de Turismo. Estudam cultura geral, geografia, história, arte, etiqueta e língua estrangeira. Fazem muitas provas e ainda passam 45 dias viajando pela Turquia em um treinamento ao término do curso.

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Eu com o motorista Dogan da nossa excursão pela Turquia-foto tirada por Carlos Alencar

Passamos pelas cidades de Menemen, distrito de Izmir, e Aliarra. Tivemos uma parada técnica no café Bonjour onde tirei uma foto com o motorista Dogan. Gente boa. Continuamos ao longo do mar Egeu. Dizer que as cidades do país são ajeitadas e caprichosas é me repetir.

A Turquia tem cinco refinarias de petróleo. No norte do mar Egeu, local ventoso, há fábricas de hélices da energia eólica. Curiosidade cultural: no país os convidados deixam os sapatos na entrada da casa. A dona da casa oferece água, café ou chá e um cheiro perfumado para as mãos, geralmente, uma água de colônia de limão e é obrigatório aceitar. Faz parte da tradição.

De Izmir a Çanakkale (o “ç” em turco se fala “tch” em português) são 350 km. Antes encontraremos a cidade de Pérgamo onde se localiza o Asklepion, santuário dedicado ao deus da medicina Esculápio. Rodamos a Turquia de ônibus.

Em breve, chegaremos a Pérgamo.

Turquia – Éfeso

Turquia – Éfeso

Hoje é dia 24 de outubro de 2019. O dia será longo, já estivemos na Casa da Virgem Maria e agora vamos ao sítio arqueológico de Éfeso.

O site da abreutur.com.br nos informa que a cidade greco-romana da Antiguidade foi uma das doze cidades da liga jônica durante o período clássico grego. Durante o período romano, foi por muitos anos a segunda maior cidade do Império Romano apenas atrás de Roma, a capital do império.

O clima estava quente e a caminhada é boa. Logo, é aconselhável levar água e usar sapatos confortáveis.  Estamos na região de Selçuk na província de Izmir.

O livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009) nos conta que a cidade de mármore, como é conhecida Éfeso, foi fundada nos séculos XVI a XI a. C. por colonos helênicos e esteve em poder de Ciro da Pérsia no séc. VI a. C. Depois de várias vicissitudes (dificuldades), passou pacificamente para os romanos e se tornou um ativo centro comercial e financeiro. Foi capital da província da Anatólia no ano 1000 a. C. Sua decadência começou em meados do séc. III a. C. quando conquistada pelos Godos. Éfeso sofreu muitos terremotos e acabou por sucumbir pela acumulação de depósitos aluviais (de chuva). Em consequência, o mar se afastou do local, deixando o porto obstruído por sedimentos.

O mesmo livro diz que em 1869 foram iniciadas as escavações arqueológicas e parte da cidade foi recuperada, mostrando as belezas do que foi: as avenidas de mármore com os sulcos deixados pelas antigas rodas e as inscrições que indicavam o caminho do bordel (Casa do Amor); as Termas de Santa Escolástica; as latrinas; o Grande Anfiteatro com capacidade para 24 mil espectadores, construído no período helênico, onde São Paulo foi apedrejado pelos devotos de Artemisa (a deusa Diana); a Fonte do Imperador Trajano; o Templo de Adriano; a belíssima Biblioteca de Celso; e muito mais.

Segundo o nosso guia Ali, a primeira cidade foi fundada em VI mil a. C., mas sem vestígios. Os habitantes mudaram de lugar, porque o mar estava se aproximando. A segunda Éfeso também não deixou marcas, já a terceira (o sítio arqueológico) se situava entre duas colunas à beira-mar. Só 20 a 25 % são visitados e estamos falando da parte administrativa. O restante ainda está a ser descoberto. Eram 250 mil habitantes à época. Também moravam na cidade alguns filósofos estoicos, sábios que praticavam o estoicismo, isto é, a busca pela vida boa e a felicidade. Lá da mesma forma vivia o arquiteto mais antigo do mundo: Hipódamo de Mileto (498 a. C.- 408 a. C.).

São João vivia a 6 km de Éfeso com a Virgem Maria, então ele andava pela cidade. Quando o imperador romano Domiciano estava inaugurando a Ágora (lugar de reunião) Política, o combinado é que todos viessem de branco, mas São João veio de preto. Tal imperador foi responsável pela morte de muitos cristãos e foi ele que exilou São João na ilha de Patmos no mar Egeu.

No nosso passeio sob um sol forte, conhecemos os banhos; o parlamento dito Bouleterion que seria um conselho de representantes; a rua principal “dos Curetes” que dá diretamente na Biblioteca de Celso; o Monumento Memmius; as casas dos ricos com mosaicos; os banheiros da época cuja água suja dos banhos descia e limpava as latrinas; o Mercado Público ou Ágora Comercial, cuja porta de entrada se localizava ao lado da Biblioteca de Celso; um tipo de prefeitura chamado Pritâneon, o Grande Anfiteatro etc.

Agora um pouco de cada local. Achei a Biblioteca de Celso parecida com o Teatro Romano de Hierápolis. Baseando-me no blog mochilacameraacao.com, narro que a citada biblioteca é a atração mais esperada de Éfeso. Foi erigida em 115 d. C. e abrigou doze mil pergaminhos, sendo considerada a terceira biblioteca mais rica e importante nos tempos antigos, só perdendo para as bibliotecas de Alexandria e Pérgamo. Sua fachada é feita de puro mármore e resiste até hoje, ainda que com algumas restaurações, com detalhes esculpidos em baixo relevo. Além de seus três belos portões e quatro estátuas de deusas simbolizando: a Sabedoria (Sophia), o Conhecimento (Episteme), a Virtude (Arete) e a Inteligência (Ennoia). Sua construção foi uma homenagem ao senador romano de origem grega e também governador do Império Romano Tiberius Julius Celsus Polemaenus, que está sepultado lá. O blog asdistancias.com acrescenta que a sua destruição foi ocasionada aparentemente por um terremoto.

Conforme o blog mochilacameraacao.com, no Grande Teatro (anfiteatro) cabia 25 mil pessoas e foi usado a princípio para teatro, mas posteriormente para lutas de gladiadores. A sua acústica era impressionante. A rua em frente ao teatro se chamava “do Porto”, pois ligava o teatro ao cais do porto. Reporta a história que Marco Antônio e Cleópatra desfilaram por essa rua durante uma visita a Éfeso.

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Sítio arqueológico de Éfeso-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

A Fonte do Imperador Trajano foi construída em honra a esse imperador que morreu em 132 d. C. aos 62 anos de idade. Situava-se na via principal: Rua dos Curetes.

Com base no blog mochilacameraacao.com, explico que a Rua dos Curetes era pavimentada toda em mármore branco que cobria o grande sistema de saneamento na cidade e que ainda pode ser visto em partes. No passado remoto ali havia muito comércio. A rua conectava a parte administrativa e política com a parte pública da cidade. Já a prefeitura da cidade era o Pritâneon. Edifício administrativo onde funcionavam escritórios, arquivos e salas de reunião. Em seu pátio ficava uma chama sagrada em homenagem à deusa do lar: Hestia. Essa chama era mantida por sacerdotes, ditos Curetes. Na mitologia a palavra “curetes” se referia aos semideuses.  O Templo de Adriano, segundo a mesma fonte, foi construído originalmente em 138 d. C. em tributo ao imperador romano Adriano. Em sua bela fachada existe uma imagem da deusa da vitória: Tique. Dentro do templo dizem ter uma imagem da Medusa. A Wikipédia relata que o templo localizado na Rua dos Curetes é uma das peças mais bem preservadas do período romano.

O parlamento ou Bouleuterion era o teatro Odeon, lugar coberto, utilizado para reuniões do Senado e performances artísticas em concertos.

O Templo de Ártemis (Artemisa) fica nos arredores de Éfeso. As moças a serviço do templo eram virgens e acendiam o fogo da cidade de Éfeso que servia como farol para o porto. Trata-se de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, era enorme e hoje, porém, sobrou somente uma coluna das 127 existentes. Um lunático incendiou o templo no séc. III a fim de ter seu nome imortalizado. Duas estátuas de Artemisa ou Diana estão preservadas no museu Arqueológico da cidade de Selçuk (a 2 km de Éfeso). Vi uma foto, era monumental e imponente, uma lástima.

Passeio mais divino esse. Em breve Izmir.

 

 

 

Turquia – Meryem Ana Evi, a Casa da Virgem Maria em Éfeso

Turquia – Meryemana, a Casa da Virgem Maria em Éfeso

Continuamos no dia 24 de outubro de 2019. Saímos de Pamukkale e Hierápolis de ônibus e antes do almoço prosseguimos na excursão até Izmir (uns 250 km). Antes passaremos em Éfeso onde se localiza a Casa de Nossa Senhora na região de Selçuk.

Observando o caminho vejo figueiras à direita e em cima das montanhas, uvas. Há centrais geotérmicas que aquecem a água da cidade. Curiosidade: os turcos assim como os italianos, falam e parecem que estão brigando.

Cruzamos a cidade de Nazilli, uma joia que mais parece Punta del Este no Uruguai. Tem clima mais quente, avenida principal e prédios baixos. Típica cidade litorânea. No verão chega a 40° C. Na saída da localidade o nosso guia Ali comprou figos secos para todos a fim de enganar a fome. Em outra parada técnica mais adiante, comprei por 15 liras turcas uma rapadura de gergelim.  Nas lojas vemos uma roupa típica dos homens: uma calça estilo bombacha.

Enfim, chegamos a Éfeso. Cidade fofa, limpa, com prédios baixos, por isso muito agradável. Fora do município, finalmente chegamos ao restaurante self-service Konaklama cuja comida foi boa, temperada e com opções, já a sobremesa de melão e docinhos, achei sem gosto. Nunca pensei que me livraria de filas para os banheiros femininos. Milagre!

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Placa de entrada do Santuário Meryem Ana Evi em Éfeso-foto tirada por Mônica D. Furtado

De lá rumamos à Meryem Ana Evi, ou seja, a Casa da Virgem Maria, a 6 km de Éfeso. Trata-se da primeira igreja da cidade. A aldeia à época tinha uns 500 habitantes. Um pedaço da primeira construção está exposto.

A estátua da Virgem existente no local é recente, de 6 a 7 anos. Cristo antes de morrer, confiou Nossa Senhora a João Evangelista e ele escolheu a região de Éfeso para viver. Mais tarde foi exilado na ilha de Patmos por ordem do imperador Domiciano, mas seu túmulo se encontra nas ruínas da Basílica de São João na cidade. Aliás, a pequena ilha grega era o lugar de banimento do Império Romano e se situa no Egeu meridional.

Em 15 de agosto os cristãos vão à Meryem Ana Evi para comemorar a festa da Assunção da Virgem Maria. Ela nasceu em Jerusalém e morreu no lugar visitado, porém não se sabe onde está enterrada.

Conforme a Wikipédia, o papa Leão XIII esteve no lugar em 1896; João XXIII em 1961; Paulo VI em 1967; João Paulo II em 1979; e Bento XVI em 2006. Todos os papas celebraram missas lá.  A revista Hola espanhola diz que o papa João XXIII mudou para Éfeso as indulgências que a Igreja garantia aos peregrinos que visitaram a tumba da Virgem Maria em Jerusalém. Logo, fez do santuário um lugar de peregrinação. Acrescenta que no Concílio de Éfeso, celebrado em 431 d. C., se promulgou o dogma de fé da Virgem Maria como mãe de Deus.

O islã reconhece a Virgem como mãe de Cristo, o profeta dos cristãos. De acordo com a revista mencionada acima, é o único lugar do mundo em que cristãos e muçulmanos rezam juntos. A Virgem Maria é mencionada trinta e seis vezes no Corão, como a mais pura, santa e mulher venerada por todos. Recebe até vinte mil peregrinos por dia do mundo todo e de todas as religiões.

É um paraíso de paz, o clima é mais fresco por estar em um bosque e em uma colina (monte Koressos), logo o calor é atenuado. Há para conhecer a igreja, sem fotos permitidas dentro; a fonte de água sagrada e potável; o mural de pedidos (é tradição asiática fazer pedidos e amarrá-los com um nó em árvores ou muros); um café; e lojas de santinhos (em euros). Os arqueólogos encontraram uma cisterna de água para umas 500 pessoas da época e relíquias pertencentes a Nossa Senhora. Notável contar que a fonte de água mencionada anteriormente é dita com poderes milagrosos de cura ou de fertilidade.

De acordo com o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), a montanha Bülbül-Dag (monte Rouxinol em português), próxima a Éfeso é o lugar onde consta que São João e Maria se refugiaram e viveram após a morte de Jesus. As escrituras mantêm silêncio sobre a vida Dela. O escritor Eusébio de Cesarea diz expressamente que São João foi para a Ásia. Segundo a terminologia romana da época, a palavra Ásia se aplica somente à região de Éfeso. O lugar foi descoberto a partir das visões de uma freira alemã Catharina Emmerich, falecida em 1824. Dois anos antes de sua morte, descreveu com detalhes as colinas de Éfeso e a casa da Virgem Maria, tal como foi encontrada.

A Wikipédia adiciona que a casa da Virgem, hoje igreja, era de pedra e ali viveram São João e Maria até a Assunção de Maria (segundo a doutrina católica) ou até a Dormição (segundo a doutrina ortodoxa). Em relação à freira alemã, Ana Catharina Emmerich (1774-1824) era da ordem agostiniana, estava doente há muito tempo na comunidade rural de Dülmen (Alemanha) e era reconhecida como mística. Foi beatificada pelo papa João Paulo II em 03 de outubro de 2004. O primeiro a encontrar o local da casa foi o padre francês, o abade Julien Gouyet, porém não foi levado a sério. Dez anos depois dois missionários lazaristas padres Poulin e Jung, instigados pela irmã Marie de Mandat-Grancey, estiveram lá e então entraram para a história em 29 de julho de 1891. A casa era à época conhecida como Panaya Kapulu, ou seja, Portal para a Virgem. Foi consagrada em 1896.

A revista Hola espanhola nos conta que a freira irmã Marie era da ordem das Filhas de Caridade e superiora do Hospital Naval francês em Esmirna (hoje Izmir). De acordo com a Wikipédia, a casa foi descoberta em ruínas: com quatro paredes e sem o teto. A irmã Marie de Mandat-Grancey, então, foi nomeada a fundadora da Casa de Maria pela Igreja Católica e ficou responsável por adquirir, restaurar e preservar o local e as redondezas de 1891 até a sua morte em 1915.

Muita história na linda Turquia. Em breve as ruínas de Éfeso.

Turquia – Hierápolis e Pamukkale

Turquia – Hierápolis e Pamukkale

Continuamos no dia 24 de outubro de 2019. Nós passeamos pela manhã por Pamukkale e Hierápolis, uma ao lado da outra. Ambas pertencem à cidade de Denizli.

De acordo com o blog qualviagem.com.br, o complexo Pamukkale reúne as famosas piscinas naturais petrificadas do chamado “Castelo de Algodão” e um outro conjunto de piscinas de águas termais que descem em cascatas em Hierápolis. O blog flickr.com menciona a existência da antiga piscina romana, a mais famosa, tendo sido mandada construir por Cleópatra (69 a. C. a 30 a. C.) em Hierápolis, onde supostamente se banhava. Eis a piscina da Cleópatra. Dentro da água estão colunas das ruínas romanas do Templo de Apollo que caiu durante um terremoto no ano de 7 d. C. A temperatura da água é de 36 ° C.

“Polis” significa “cidade” em grego. O nosso guia Ali comentou ter sido a cidade greco-romana erigida em 3 a. C. (a Wikipédia cita a data de 2 a. C.), na região clássica da Frígia. Os frígios viviam naquela região e eram aliados dos troianos.

A Wikipédia esclarece que viveu nesta localidade Papias, discípulo de São João, e Epíteto, filósofo estoico. Entre outros monumentos encontrados está o túmulo de São Felipe, construído no séc. V, segundo um complexo plano da época bizantina (quarto octogonal, formando uma cruz dupla, rodeado por uma praça), o Teatro Romano e as fontes termais que atraem milhares de doentes. A cidade foi, em conjunto com Pamukkale, declarada Patrimônio Mundial da UNESCO.

O cemitério do mundo grego se situava neste local e se chamava Necrópolis, ou seja, a cidade dos mortos. Acrópolis era a cidade dos vivos. O período era o helenístico. A cidade antiga era cercada por muralhas que não existem mais, somente as pedras. O teatro era na avenida principal e cabiam 25 mil pessoas. Só 10% foram escavados até hoje. À época tinha 60, 70 mil habitantes. Havia banhos romanos, basílica bizantina, ginásio, latrinas, portão frontinus da avenida principal dita Frontinus, ágora (onde faziam as eleições políticas) e travertinos (tipo de rocha) de Pamukkale onde se localizavam as montanhas de calcário.

Os romanos, macedônios, turcos da mesma forma estiveram em Hierápolis. Os gregos que habitavam no local até 1923 foram embora para Denizli, por causa dos terremotos.

A Fortaleza de Hierápolis era da Idade Média, conforme o guia Ali. Embaixo, o vale e em cima, Pamukkale. O local é um sítio arqueológico e museu esplendoroso com passarelas de madeira e pedra, rodeado de árvores, plantas e muita água. Debaixo da passarela de madeira veem-se canaletas por onde a água passa. São inúmeras ruínas. Tudo muito bem cuidado e organizado. Gostei de ver banheiros (de madeira combinando com as passarelas) pelo caminho. Andamos muito.

Visitamos o museu dentro da estação arqueológica com suas seções de sarcófagos e estátuas, pequenos achados e achados do teatro.

Hierápolis, conforme o livro PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), conhecida como “Cidade das Águas” ou “Cidade dos Deuses” era muito grande e importante, devido ao poder curativo de suas águas. Reza a tradição que a cidade foi fundada pelo rei de Pérgamo: Eumene II. A partir do séc. II a. C. teria passado aos romanos em virtude de um testamento deixado por Atalo III (170 a. C a 133 a. C.; filho de Eumene II e último rei da dinastia Atálida). No ano 17 d. C. um terremoto a destruiu, mas foi reconstruída. São Felipe cristianizou a região, mas foi martirizado em 80 d. C. Da cidade restou o Teatro Romano que podia abrigar 25 mil espectadores, parabolicamente escavado na montanha; ruínas de um Templo de Apolo e ruínas da Necrópole.

A Wikipédia nos conta que a cidade desmoronou após um terremoto durante o reinado de Tibério (imperador romano) no ano 17. A cidade foi reconstruída e teve transformações significativas nos séculos II e III d. C. que a fizeram perder todo o seu antigo caráter helenístico para se tornar uma típica cidade romana. Nesse período, tornou-se um importante centro de descanso de verão para os nobres de todo o império que iam à cidade, atraídos pelas águas termais. Mais tarde sob o domínio bizantino, caiu nas mãos dos seljúcidas em 1210. Foi completamente destruída por um terremoto em 1354.

Turquia rica, repleta de lugares impressionantes. Uma manhã foi muito pouco para tantas atrações nos dois lugares imensos. Vi umas fotos bem lindas em viajandodenovo.blogspot.com. Vale a pena conferir.

Em breve Éfeso para conhecer a casa da Virgem Maria e as ruínas históricas da cidade.

 

 

 

Turquia – Pamukkale e Hierápolis

Turquia – Pamukkale e Hierápolis

Hoje é dia 23 de outubro de 2019 e chegamos a Denizli para jantar. Estamos no hotel Doga Thermal Health & Spa, o melhor até aqui. Pena que só dormiremos uma noite. O hotel é bonito, confortável e com piscinas termais no primeiro andar para o uso dos hóspedes dentro do espaço interno. Incrível. As do exterior não podiam ser utilizadas no momento. Muitos companheiros de viagem colocaram suas roupas de banho, pegaram seus roupões depois da ceia e foram se deleitar nas águas de diferentes temperaturas, o Carlos, inclusive. Eu mesma tive preguiça, fiquei só na vontade, pois o cansaço de tantas horas no ônibus venceu.

Acrescentando algo sobre o hotel. O jantar buffet foi excelente e o quarto enorme tinha quarto suíte, antessala, sauna e muita beleza. Uau! Não queria sair do paraíso.

Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), a cidade onde nos hospedamos, chamada Denizli, está aninhada na encosta de montanhas perto do rio Büyük Menderes (nome turco) de um lado e um vale verdejante de outro. Sobre sua planície fértil passaram diversas civilizações: hititas, persas, macedônios, romanos, bizantinos e otomanos. Denizli hoje é uma moderna cidade, a maior da província com o mesmo nome.

O rio citado acima é chamado também de Menderes ou Meandro em português. Pamukkale pertence a Denizli, cidade fundada pelos turcos no séc. XII. A Wikipédia acrescenta ser sua localização a sudoeste do país e fazer parte da região do Egeu. Tem uns 600 mil habitantes. No vale do Meandro, onde se situa a cidade, são cultivadas figueiras, uvas, romãs, algodão e oliveiras.

Dia 24 de outubro de 2019. Acordamos bem cedo às 5h30, às 7h15 já estávamos na saída do hotel. Vamos conhecer Hierápolis, a cidade santa, e Pamukkale que em turco significa “Castelo de Algodão”, uma ao lado da outra. Interessante mencionar que nesse local também ocorrem passeios de balão concorridos. É o segundo lugar de balonismo na Turquia, além de parapente.

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Balonismo em Pamukkale-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Pamukkale é uma obra da natureza constituída por várias nascentes de águas quentes e calcárias cujos sedimentos formaram piscinas naturais. Eram usadas para curar reumatismo e outras doenças.

Como a Turquia se situa em cima de duas falhas sísmicas, já houve terremoto na cidade romana de Hierápolis. Destruiu muito e a cidade foi reconstruída. O site flickr.com nos conta que em XVII d. C., no reinado de Tibério (imperador romano), a cidade foi destruída por terremotos e arruinada novamente na época de Nero em 60 d. C. Só lembrando que o último episódio do país foi em 26 de setembro de 2019, com epicentro no mar de Mármara, a 70 km a oeste de Istambul (5.7 na escala Richter).

A respeito de Pamukkale, o livro da agência Porto Sul (2009) diz que as águas termais ricas em minerais, principalmente óxido de cálcio criaram uma série de terraços que se precipitam em cascatas, formando maravilhosas minerações que assumem o aspecto de estalactites. Seriam dezessete, as fontes subterrâneas que chegam à superfície entre 60°C e 100°C, e suas águas estão indicadas para tratamento de doenças nervosas e cardíacas. Devido ao crescente e indiscriminado uso da água pelos hotéis, o governo estabeleceu normas para o seu aproveitamento. O local, com suas águas termais, era usado como centro terapêutico, repouso e banhos termais pelos romanos.

Pamukkale é impressionante de tão belo. O azul das piscinas é de uma cor inigualável. E as piscinas naturais em que só molhamos os pés são um cartão postal. É proibido pisar perto. O clima estava quente: 24°C. Os ditos “vestígios da civilização” são Patrimônio Cultural da UNESCO. Não pode ter mais hotéis dentro dos vestígios. A água sai da nascente a 32°, 37°, 39°C. O óxido de carbono vaporiza e molha o calcário, assim formando as piscinas. Como algodão em turco é pamuk, as formas lembram as flores de algodão. Os balões vistos no horizonte formam uma paisagem bela. Senti não ter tempo para andar de balão de novo.

Pessoas molhando os pés em Pamukkale
Pessoas molhando os pés em Pamukkale-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

De acordo com o blog qualviagem.com.br, há gente por todo o lado, segurando os sapatos e molhando os pés em piscinas naturais que descem em cascata numa colina de 160 m. As manchas brancas (na paisagem) que vemos parecem montanhas de neve. No topo das piscinas, encontra-se Hierápolis. Em breve visitaremos as suas ruínas.

Turquia – Konya

Turquia – Konya

Hoje é dia 23 de outubro de 2019. De Avanos até Pamukkale são 670 km de estrada. Chegamos a Konya, capital do Sultanato turco no passado, dita cidade devota e a mais praticante do islã hoje em dia. Antes dos turcos conquistarem a região, era cristã e se nomeava Iconium (do latim). Santa Tecla e São Nicolau são originários da Turquia. Nos séculos IV e V d. C. os cristãos saíram das catacumbas e fizeram imagens nas inúmeras igrejas da localidade.

A Wikipédia esclarece que Santa Tecla é a padroeira dos agonizantes. Foi uma virgem proveniente de família rica e influente de Icônio que não quis casar e, sim, seguir o apóstolo Paulo. É considerada “protomártir” entre as mulheres, ou seja, a primeira mártir do país, e também “igual aos apóstolos”. Já o site pt.aleteia.org nos informa que São Nicolau inspirou o surgimento do bom velhinho Papai Noel. Nasceu em Patara (atual Turquia) em 270 d. C., era de família abastada, recebeu uma grande herança que distribuiu com os necessitados. É o mesmo São Nicolau de Bari ou Mira e é padroeiro da Rússia, Grécia e Turquia natal.

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Derviches giróvagos na Capadócia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Um dervixe místico, filósofo e religioso, islâmico fundador da Ordem Mevlevi, chamado Mevlana, chegou a Konya no séc. XIII. Conhece o Islã e prega o amor de maneira diferente. Não precisa buscar Alá na mesquita, pode-se dançar e tocar instrumento para chegar ao Nirvana. Aí as almas desaparecem no amor de Alá. Tratam-se dos dervixes rodopiantes ou giróvagos que não seguem as regras dos sunitas nem dos xiitas. As mulheres não participam das orações em forma de danças.

A cidade, muçulmana por excelência, com muitas mesquitas, hospeda o túmulo/mausoléu de Jalal ad-Din Muhammed Rumi, isto é, Mevlana, o fundador da ordem dos dervixes rodopiantes, além de sua família. Data do séc. XIII. Ele nasceu em 30 de setembro de 1207 na cidade de Baji na Ásia Central (atual Afeganistão) e faleceu em Konya em 1273.  O local usado por ele vira um convento. Em 1927 o monastério dervixe se transforma em museu dos Dervixes, onde foi erguida uma pequena mesquita pelo sultão e califa do islã Suleyman, o Magnífico (Solimão I que reinou de 1520 a 1566 quando morreu). Lembrando que as mulheres rezam separadas dos homens. Para o turista entrar, tiramos os sapatos e utilizamos sacos plásticos como galochas. As mulheres não precisam de véus. A cor dos muçulmanos é verde.

O museu com objetos do líder dos dervixes é bonito e possui uma caixa sagrada “com um fio de barba de Maomé”. Havia dois imãs (guias espirituais do islamismo) em visita ao museu, muito fotografados e reverenciados. Estivemos na sala dos dervixes, salas com rosários (99 vezes dizendo Alá) e salas com instrumentos sufi para fazer os seres humanos conscientes da sua dependência de Deus (Alá). Digno de nota mencionar que o lugar é importantíssimo para os muçulmanos. Guarda o Mathnawi, seis livros que ensinam a filosofia da união espiritual e do amor universal do poeta Rumi ou Mevlana. Estamos no museu mais visitado da Turquia, segundo o blog TRT Português. Duas universitárias turcas vieram conversar comigo e com o Carlos. Queriam saber de onde éramos, e se comunicaram em inglês bem. Umas gracinhas.

Ainda estamos na Anatólia Central. A cidade é graciosa, plana, limpa, linda, aberta, com flores nos postes de iluminação. O país é um brinco. A construção civil está em efervescência. E mais: as calçadas são bem cuidadas, com canteiros centrais com rosas e canaletas de irrigação. Fiquei encantada. Tem comércio, shopping center, o catador de reciclável anda de moto com o reciclado atrás. Vi o transporte: tram (tipo de trem urbano moderno), casas de muros baixos e prédios baixos.

Era capital do Império Romano em 1230 antes dos otomanos. Hoje tem uma única igreja católica: São Paulo.  Atualmente é a sexta ou sétima cidade da Turquia.

Em Cônia (em português) há fábrica de sapatos de pele de ovelha e confecção de casacos. O couro da Turquia tem como concorrente a Itália. O país tem as fábricas Lacoste e Burberry. Da região se exporta mármore para o mundo todo; cerejas para a Grã-Bretanha e papoulas para produzir morfina sob controle do estado, além de rosas que viram perfumes e sabonetes.

Saímos na estrada onde o nosso guia comprou simit: um caldo de uva com gergelim e massa de pão, um tipo de rosca grande a fim de enganar o estômago. Vendem na estrada com chá turco. Os carros ficam parados esperando.

Em Akşehir paramos no restaurante Özkan, espaçoso o suficiente para muita gente. Comemos salada ou canja de entrada, almoço principal de churrasco a lá turca, sobremesa de maçã ou bolinho de nozes ou pudim de arroz.

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Romã- fruta nacional da Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Outra parada técnica em Dinar, onde havia uma cafeteria e loja, aliás, fantástica. Inaugurada recentemente. Vi maravilhas de sabonetes, sapatos, lenços, almofadas e cremes, paraíso das mulheres. Comprei um creme hidratante de azeite de oliva por 48 liras. Em toda parada há venda de sucos de romã, fruta nacional. Delícia!

Estamos rumo a Pamukkhale por uma estrada vicinal, o interior encanta. São plantações e tratores no campo e montanhas de mármore do lado esquerdo. Enfim, saímos da Anatólia Central rumo ao mar Egeu. A terra é mais fértil e rica. Estamos na região do algodão, já que pamuk significa algodão e khale castelo.

Em breve visitaremos o Castelo de Algodão, outra preciosidade da Turquia.

 

 

 

 

Turquia – Capadócia – Cidade Subterrânea e os Dervixes Rodopiantes

Turquia – Capadócia – Cidade Subterrânea

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Saímos da loja de tapetes e fomos almoçar. O restaurante se chama Hanedan, localizado em Avanos/Nevşehir. São treze salas diferentes, cada uma decorada individualmente com o ambiente de um caravançarai e com a tradição da cozinha turca. Cabem 800 pessoas e serve almoço e jantar.

Caravançarai significa “palácio das caravanas”. O lugar é fabuloso, histórico e hoje pelo país estão sendo restaurados, afinal pertenciam ao Sultanato turco (século XII, XIII e XIV). São utilizados também como locais para as danças dos Dervixes (ou derviches) Rodopiantes ou Giróvagos (seguidores do islamismo sufista: uma seita místico-religiosa).

Tais palácios estavam ligados à rota da seda do passado longínquo que ia da Turquia até Viena. Os comerciantes da época andavam de cavalos e camelos e o percurso era de 100 km por dia. A cada 35 km paravam para descansar em um caravançarai. Lá tinham hospedagem e trocavam mercadorias. Os animais que iam junto aos homens eram um burro e 30 camelos. O inteligente burro sabia a localização de pântanos e onde encontrar água. Os homens ficavam no local por três dias de graça, no quarto pagavam. Simplicidade, eis o que tinham.

Após o almoço muito bom, rumamos à Cidade Subterrânea dos séculos IV ou VI d. C. Trata-se de um museu que mostra uma cidade troglodita, ou seja, escavada na rocha. Servia de abrigo às populações, por exemplo, os cristãos, quando de ataques de inimigos. As casas de cima tinham buraco para as de baixo. A gruta escavada na montanha descia 40, 50, 60 m abaixo da terra. À época era fácil escavar, não havia planejamento.

Tinham refeitórios, igrejas, estábulos, casas, lugar para fazer vinho (pisando uvas, guardadas no tonel de pedra), com portas de rochas ou saídas pelo teto com diferentes níveis. Passamos pelas passagens subterrâneas baixas e estreitas, ainda bem que curtas. Muito interessante. Nesses passeios já fazem fotos e cobram por elas, estilo EUA. Digno de nota mencionar que para os turcos de então, a casa da joalheria era como se nomeava a “prisão das mulheres”. São mais de 200 cidades subterrâneas na região.

De lá fomos ao Vale Vermelho onde os tufos vulcânicos mudam de cor e formam imagens. As lojas para turistas estão em todas. Ainda fomos a uma joalheria onde conhecemos o afamado “anel do sultão”. Os vendedores eram solícitos, mas tudo muito caro. Estávamos exaustos. Isso que é chato em excursão, queríamos voltar ao hotel Suhan Capadócia, mas tivemos que esperar. Quando nos liberaram da visita, estava 15°C e chovia.

Tínhamos uma atividade noturna aguardada com expectativa pela gente. Às 18h20 passaram no hotel para nos pegar a fim de vermos o espetáculo dos dervixes rodopiantes no Saruhan (em Aktepe/Avanos/Nevşehir). A exibição da cultura da Capadócia na parede ao final do show foi fenomenal. Os dervixes dançantes rodeiam em transe por uma hora e meia. A música e a dança são hipnóticas. Eles oram rezando. Espetacular, imperdível. Desde a novela Salve Jorge da TV Globo, tinha muita vontade de vê-los pessoalmente. Amei. Detalhe: Saruhan é um caravançarai construído em 1249, com a arquitetura Seljuk. O evento é todo mágico, pena que rápido.

Dervixes na Capadócia
Dervixes rodopiantes na Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Falando nos dervixes. As mulheres não participam. Os rodopiantes fazem danças na Capadócia, Istambul e Konya. Vestem preto e por cima branco, significa que o mundo vai descolorindo, isto é, vai tendo conhecimento. Usam turbante que é a sua pedra tumular (inscrição tumular, remete a cemitério). A mão direita aberta olha para o céu e a esquerda virada para o chão. Tudo que recebem, distribuem aos outros. Aceitam todos os religiosos, isso incomoda os sunitas e xiitas.

O fundador da República turca, general Ataturk, proibiu cultos islãs e a prática dos dervixes em 1927. Há 20 anos voltaram a praticar, embora de forma diferente.

Prosseguiremos com o caminho até Konya, a cidade mais muçulmana da Turquia.

 

 

Pensamentos meus sobre o coronavírus

Pensamentos meus sobre o coronavírus

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Meu jardim encantado para tranquilizar a alma-foto tirada por Mônica D. Furtado

Muito já foi dito e vou repetir o óbvio: o nosso planeta Terra andava gemendo há muito tempo por meio de incêndios florestais, tsunamis, ressacas violentas etc. até que resolveu tomar uma atitude radical e fez-se a pandemia.

Pegou-nos de surpresa e mostrou ser global, pois somos conectados no mundo. Um vírus minúsculo vindo da China se espalha na totalidade da Mãe Terra e fez-se a globalização.

A cada crise, surge uma oportunidade, diz o ditado oriental. Cada um se posiciona quanto ao isolamento social de uma forma única. Se esse momento nos atinge como depressão ou novas ideias sendo postas em prática, aí se faz a escolha. Infelizmente, não somos fortes o tempo todo. Em momentos meus de opressão, respiro e decido chegar à solução: sair desse sentimento negativo me ocupando com trabalho manual ou criativo. Nunca a ida a um supermercado ou farmácia foi tão apreciada. E ganhei meu dia.

Vamos sair dessa, sabemos e não vemos a hora. Retornar à vida boa de antes, porém não seremos mais os mesmos. Quem sai igual de uma doença grave ou de uma crise como esta? Será possível que ainda continuaremos a ferir o nosso planeta? Sujando as praias, matando os nossos “irmãos” animais aquáticos com sacos plásticos? Descartando móveis em rios? Colocando lixo na rua? Importando-nos zero com o nosso semelhante? Se nada mudar, virão novos vírus e crises. E será o nosso futuro.

A vida atual precisa de muita solidariedade, respeito, compaixão e ética, palavras necessárias para uma vida decente. Aprendi em casa com meus queridos pais. E aí está o exemplo de vida.

Aí eu pergunto: o que você fará quando tudo isso terminar? Eu? Comerei um bolo de chocolate com uma calda bem saborosa. Pense nisso. Todo dia é uma vitória se estamos nos cuidando e olhando para o próximo com amor. Rezar, orar, meditar, ficar em silêncio, se interiorizar, tudo vale.

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Flores para embelezar a vida-foto tirada por Mônica D. Furtado

Os mares e os rios mais limpos, o ar menos poluído, a vida mais equilibrada e simples. E se faz a Vontade de Deus: recuperar a simplicidade, a saudade do contato pessoal, a fala por um telefone, se importar com o outro. Quem sabe voltaremos a hábitos hoje antigos como escrever cartas e mandar postais, teremos mais tempo para os mais velhos e vizinhos, visitaremos os tios, agradeceremos a qualquer agrado recebido e teremos gratidão ao Divino?

E você? Como está? Espero que bem.

Dedico este artigo a quem está consciente da importância do momento presente. E a quem está na linha de frente na tarefa árdua de salvar vidas. E lutar pela sobrevivência diária. E a ser um herói anônimo, fazendo algo pelo semelhante.

 

 

 

Turquia – Capadócia – Museu e loja de tapetes em Avanos

Turquia – Capadócia – Museu e loja de tapetes em Avanos

Artesã na loja de tapetes em Avanos
Artesã no tear no museu/loja de tapetes em Avanos na Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Saímos do Vale do Göreme bastante cansados e rumamos a um museu e loja de tapetes, o Centro de Artesanato em Avanos. A manhã rendeu.

Na casa de tapetes turcos que tanto é loja como museu se aprende muito sobre a obra de arte de fabricar um tapete artesanalmente, passado de geração em geração. Explicam como se faz e negociam, também entregam em domicílio para outros países. Lembrando que o turco é tão bom comerciante como o judeu e fala português em centros de comércio. Infelizmente, ninguém da excursão comprou, por ser muito caro, embora existissem em várias opções de tamanhos, padrões, cores e preços. A tentação foi grande, posso assegurar. São belíssimos.

O tapete chamado hereke é considerado especial.  Era usado nos palácios dos sultões e hoje embelezam o Palácio de Versalhes na França, a Casa Branca nos EUA e o Vaticano. Só em ver já é um deslumbre.

O guia Kahn deu aula de conhecimento e com um português excelente. Começamos com uma artesã fabricando um tapete no tear. São quatro tipos: de lã pura; lã sobre algodão; seda (orgulho do país); e algodão puro. O tapete tem trama e nós (com dois pontos fechados). O tapete pisado tem mais valor, porque os nós são mais apertados quando pisados. A artesã turca faz com dois nós, baixa e corta com uma tesoura especial.

Segundo a Wikipédia, a área de produção de tapetes pode ser comparada com os territórios historicamente dominados pelo Império Otomano. Possui um tecido atado com fios e é produzido para uso doméstico, colocação em pisos ou paredes, venda local e também exportação. Faz parte da cultura da Turquia, os exemplos mais antigos datam do séc. XIII. O material mais tradicional é a lã natural tingida a mão. A chegada do Islã e o desenvolvimento da arte islâmica influenciaram profundamente o design dos tapetes da Anatólia.

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Centro de Artesanato em Avanos-Capadócia-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

O desenho é realizado em papel milimétrico: 1 m² para fazer em lã pura leva duas semanas; já o de seda leva um ano. O valor do tapete depende da mão de obra. A cor e o brilho do tapete de seda se conseguem no máximo em duas horas.

O local é uma cooperativa, são 2.500 meninas que aprendem a arte e trabalham em casa. Elas têm direito à aposentadoria e recebem 250 dólares por mês mais o bônus pela venda. Os tapetes prontos vão para a Câmara do Comércio com certificado de autenticidade.

Sobre a seda… a brasileira utilizada na localidade vem do Paraná e São Paulo. Para o nosso orgulho, é dita como a melhor do mundo. Também usam a da China e da própria Turquia, da região de Bursa (dependem das amoreiras).

O processo nos é mostrado. A larva vira lagarta, aí uma parte é morta. Cada casulo tem 1.200 a 1.400 metros de fio. Molham-se os casulos com água quente e se acham as pontas: os fios principais são molhados em água fria, esses passam por uma máquina que move os fios. As lagartas que sobram são dadas para os animais na Turquia. Porém, na China e Coreia as comem.

Ao fim do percurso, na hora da amostragem dos tipos diferentes de tapetes, oferecem chás de maçã e o turco (preto), além de vinho branco. O guia nos conta que o vinho no país não tem gosto de madeira, pois é guardado em um buraco na rocha.

Interessante mencionar que o tapete de seda não pega fogo. Diversos tipos como o de lã e algodão com bambu são vintage (desgastados), têm uns 8 anos; o de seda com bambu é elegante e lindo; e os da Capadócia têm cores fortes por conta do solo vulcânico e seco. Em muitos outros sítios do país há lojas com tapetes diferentes e de cores variadas, nem sempre artesanais. Eis um produto muito apreciado. Conforme a Wikipédia, vintage é uma corrente da moda que busca recuperar modos de vestir de períodos passados, o tapete também faz parte.

Gostei do passeio e de ter visto tapetes únicos em beleza. Somente na Turquia visitaria um museu assim.

Seguiremos nossa jornada em uma cidade subterrânea em breve.