Turquia – Capadócia – Vale do Göreme

Turquia – Capadócia – Vale do Göreme

Hoje é terça-feira, dia 22 de outubro de 2019. Depois do inesquecível passeio de balão, o lugar a conhecer é o histórico Vale do Göreme, conhecido como o “Vaticano da Capadócia”, que teve iniciada a sua ocupação a partir dos séc. III e IV. Foi nomeado Patrimônio Mundial da UNESCO em 1984. Há proibição de escavações, porém para tristeza dos turcos, o presidente Erdogan permitiu construir na região recentemente. Tomara que isso não ocorra.

Foto do grupo no Vale do Goreme
Foto do nosso grupo da agência Abreu na Turquia em outubro de 2019 com o guia Ali-foto comprada depois do passeio no Vale do Göreme.

Estamos no Parque Nacional Vale do Göreme e aviso aos turistas ir com roupa e sapatos apropriados para muitas andanças. O clima é bom e ensolarado no momento. Subimos e descemos tantas escadas que fiquei com pernas e joelhos doloridos. Também existem subidas íngremes no paralelepípedo. Uma boa ginástica.

O primeiro cristão a chegar à região foi São Basílio. O local é um museu ao ar livre, em inglês: Open Air Museum. São 365 igrejas pequenas com muitas imagens. Até o século VIII eram 843 imagens religiosas. Entre 725 e 842 d. C. ocorreu o período iconoclasta no qual a decoração dos santuários era mínima. A oficialização dos cristãos ocorreu em 380 d. C., isto é, o Cristianismo Niceno (relativo à cidade de Niceia na Antiguidade, hoje Iznik na Turquia) foi dito como Igreja estatal do Império Romano pelo imperador Teodósio I.

Encontram-se na localidade mosteiros, igrejas e túneis subterrâneos entre vales distantes entre si uns 400 m, utilizados por homens e mulheres da época em que os cristãos se escondiam para rezar e se manter unidos perante as perseguições. Eram as catacumbas. Com o Tratado de Lausanne (ao final da Primeira Grande Guerra), e consequente transferência populacional entre Grécia e Turquia: os gregos e cristãos foram embora para a Grécia e os muçulmanos e turcos rumaram à Turquia, logo a região da Capadócia dos gregos e cristãos ficou abandonada até 1965. Com os turistas, esta formidável terra virou museu a céu aberto.

Um detalhe histórico: 5.000, 10.000 a. C. os mortos eram enterrados nas habitações. Segundo o livro da agência Porto Sul de Porto Alegre – RS (2009), a região do Göreme foi habitada desde os tempos mais antigos, mas após o séc. II foi habitada por cristãos que aproveitaram as particularidades do terreno para se esconder. As rochas se prestam para escavações e já foram usadas como depósitos, abrigos, esconderijos, igrejas e até moradias. No séc. IV a Capadócia ficou conhecida como a região de três santos: São Basílio, seu irmão São Gregório e São Gregório Nazianzeno. Devido à reforma feita por São Basílio, estabelecendo a tradição de rezar em comunidade, foram escavadas nas rochas da Capadócia mais de 600 igrejas.

A Wikipédia diz que São Basílio foi bispo de Cesareia na Capadócia e um dos mais influentes teólogos a apoiar o Credo de Niceia. Considerado Doutor da Igreja na tradição oriental e ocidental. Ele, o Santo Gregório de Nissa e o Santo Gregório de Nazianzo são os Padres Capadócios.  A mesma fonte esclarece ser o credo niceno-constantinopolitano uma declaração de fé cristã aceita pela Igreja Católica, Ortodoxa, ortodoxas orientais, Anglicana, Luterana e as demais protestantes históricas.

Em cima das rochas ficavam os dormitórios e os refeitórios dos religiosos. Os buracos escavados nos rochedos (cavernas) serviam de lares. Eram verdadeiras casas com mesas esculpidas na rocha para 40 pessoas, cozinhas com fornos ainda usados em casas de vila locais, uma adega cavada no chão, empregada para esmagar as uvas, enfim algo impressionante.  Adentrar esses recintos tão antigos e históricos é uma bênção, uma aula de cultura.

As igrejas foram escavadas em tufo vulcânico, pedra da região. As igrejas são várias, todas com imagens nas paredes: São Basílio, Santa Bárbara, da Maçã, da Serpente, das Sandálias, (Cristo) Pantocrator (de origem grega, essa palavra significa: “Todo Poderoso”, é o mais antigo ícone conhecido de Cristo; a igreja é protegida por grades e com uma boa subida) e Karanlik (a igreja Escura). Essa cobram 18 liras turcas para entrar e é a mais bonita. Recebe pouca luz da janela no nártex (átrio ou vestíbulo que precedia as basílicas cristãs em http://www.infopedia.pt). A entrada é pelo norte através de um túnel de enrolamento que abre para um nártex abobadado. As imagens estão bem visíveis e ainda intactas: Cristo, Natividade, Batismo, Traição de Judas etc. Apareceu na novela Salve Jorge da Rede Globo. Bela! Emocionante. Vale demais. Como era árduo chegar lá, pessoas da excursão não foram. Uma pena. Data do fim do séc. XI.

De acordo com o blog viajoteca.com, quase todas as pinturas estão com os seus rostos destruídos. Isto porque no séc. VIII o imperador bizantino Leão III aderiu à iconoclastia, corrente religiosa que proíbe o culto a imagens, e mandou vandalizar tudo. Outros dizem que quase todos os olhos das figuras pintadas foram removidos por moradores supersticiosos com medo de mau olhado.

Nesta região neva por três meses. E há muitas árvores de damascos.

Continuamos o dia com uma visita a uma fábrica de tapetes turcos.

 

 

Turquia – Passeio de balão inesquecível

Turquia – Capadócia – Passeio de balão inesquecível

Hoje é dia 22 de outubro de 2019. Grande dia nos aguarda, pois passearemos de balão de ar quente na Capadócia. Estamos em Avanos no hotel Suhan Capadócia. Acordamos às 5 h da madrugada, um frio de rachar. Grande parte do grupo da excursão da Abreu se interessou. Fiquei surpresa, pois havia gente de todas as idades. O pessoal muito participativo e interessado nas aventuras. Todos se divertiram. O que mais fizemos foi rir, se emocionar e tirar fotografias. Buscaram a gente no hotel em caminhonetes e fomos ao local dos voos.

Dicas: estar bem agasalhado de luvas, cachecol e vestir calças confortáveis, porque subir no balão não é fácil, é alto, precisa de escadas. Jeans, não aconselho. Entramos em um cesto de vime enorme no qual cabem umas 30 pessoas. O baloeiro nos instrui para tomar cuidado com tudo fora do cesto, não se assustar com o barulho do fogo que sai acima das nossas cabeças e não se mexer bruscamente na hora do pouso. E acrescenta que quando mandar, devemos se agachar com os joelhos dobrados e com as mãos na cabeça na descida. Detalhe: eles falam em inglês.

Estamos sem café da manhã por conta do adiantado da hora, então a empresa de balões nos espera com sucos e sanduíches. Na volta, com sidra. Pedem gorjeta e oferecem o pendrive com a filmagem por 150 liras turcas. Nós não quisemos. Porém ficamos com a foto.

A estrutura de inúmeros balões (contei uns 150), transportes e de muitos funcionários (cinco por balão na terra) é incrível. São 200 euros por pessoa, mas vale cada minuto. Aceitam-se dólares e euros por aqui. O nosso guia Ali recolheu o dinheiro antes. Disse que está sempre encarecendo. Tem bastante gente envolvida com a atividade. De cair o queixo. Importante mencionar que o passeio depende do clima. Tivemos sorte. Segundo o blog mapadesonhos.com, se tem muito vento ou pouquíssimo, ou está muito frio, o voo é cancelado. Há um órgão regulamentador que autoriza as saídas diariamente.

Foto dos balões
Foto dos balões na Capadócia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Inflam-se os balões com ventiladores super potentes e depois lufadas de ar quente com fogo para agilizar o processo, de acordo com o blog acima mencionado. O passeio é fenomenal, subimos e descemos no balão perante as formações rochosas peculiares da região. Um sentimento forte toma conta de nós em estar em tão espetacular sítio histórico turco. Imperdível. Assistimos ao nascer do sol, algo inspirador. Chegamos a 6 mil pés ou 1.829 km de altura. O horizonte fica repleto de pequenos pontos coloridos, são os outros balões a embelezar a paisagem árida, mas espetacular.

São várias as empresas que voam. A nossa escolhida pela Abreu se chama Balloon Turca. O passeio dura uma hora e meia e fizemos sem medo algum. O baloeiro é muito experiente. Aliás, o curso para controlador de balão profissional dura um ano.

De cima vemos casas típicas da Capadócia e muitas com placas solares, também observamos muitas vinhas de uvas da região. Passamos por montanhas singulares somente existentes nesta localidade. A natureza encanta.  Fica-se deslumbrado. Quando acaba o passeio, estamos em êxtase.

Recebemos o certificado de voo e a foto. Foi uma aventura de uma vida.

Interessante dizer que na região de Pamukkale (650 km da Capadócia) também se anda de balão. Na nossa excursão não teremos tempo.

Ao retornar ao hotel, tomamos café com poucas frutas e já vamos ao Vale do Göreme, que dista 750 km de Istambul. Continuaremos em breve com o “Vaticano da Capadócia”. Que Turquia mais rica de história, geografia, cultura!

 

 

Turquia – Capadócia – Vale dos Pombos e Castelo Uçhisar

Turquia – Capadócia – Vale dos Pombos e Castelo Uçhisar

Hoje é dia 21 de outubro de 2019. Viajamos de ônibus, com grandes distâncias pela Turquia. A viagem é puxada e há pouco espaço entre as cadeiras. Saímos de Ancara, passamos pelo lago Salgado e rumamos à Capadócia, região única no mundo.

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Capadócia e sua beleza única no mundo-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

A natureza esculpiu uma fantástica e quase sobrenatural paisagem, conhecidas como Chaminés das Fadas. Apresentam formas cônicas, pontiagudas, de sombrinhas, de setas ou de colunas. A Wikipédia as apresenta como cones de rocha vulcânica e calcária, frequentemente, coroados com um grande “chapéu”.

A terra dos vulcões possui o tufo vulcânico, pedra porosa da região. Segundo o blog viator.com/pt-BR, este tufo foi esculpido pelo vento da Capadócia e criou uma impressionante série de vales, pontilhada de imponentes chaminés de fadas e formações rochosas dramáticas.

É região antiga demais, sua fundação vem de 10.000 a. C., período do Neolítico.  São 80.000 km². Os cumes na Anatólia Central com 3 mil, 4 mil m formaram a Capadócia quando estavam em erupção. A terra é árida, a região é dita como semiárida.

A história da região tem a ver com as cidades subterrâneas construídas nas montanhas contra perseguições dos árabes, mongóis, romanos e outros. Interessante dizer que todas as igrejas na área têm a imagem de São Jorge, os primeiros cristãos estavam nesta localidade, era o cristianismo “Gálata”. Escavavam abaixo da terra para se esconder, eram grutas escavadas.

Capadócia significa “terra dos cavalos” em persa. O Vaticano da Ásia Menor era encontrado nas rochas escavadas. Em 1200 d. C. os turcos viviam bem com os cristãos até o fim da Primeira Guerra Mundial. Devido ao Tratado de Lausanne em 1923, houve a mudança da população: os cristãos deveriam sair do país e ir para a Grécia; e os turcos de lá muçulmanos vir para a Turquia. Com essa transferência populacional, a terra dos cristãos e gregos vai ser abandonada (até 1965, depois viraram museus). Hoje em dia não existem mais cristãos. Digno de nota que a população local não queria a mudança.

Falemos no amado São Jorge da Capadócia ou Jorge de Lida (hoje, Lod em Israel, onde estão suas relíquias). De acordo com a Wikipédia, Jorge nasceu em 270 ou 280 d. C. nesta região, era soldado do exército do Império Romano da época de Diocleciano. Morreu como mártir em 303 d. C. em Nicomédia (atual Ismide turca). O nosso guia Ali acrescenta que ele aceita o cristianismo e recusa-se a orar no Templo de Tibele, por isso foi exilado do exército. Conhece Teodoro que também vira santo. Andavam a cavalo na região, Jorge no seu animal branco e Teodoro no vermelho. No caminho, encontram um protesto, pois havia um dragão em uma caverna em Kayseri e por essa razão iriam sacrificar a filha do rei da Capadócia: Sabra. Jorge mata o dragão, aí o rei aceita o cristianismo. Ressalto que são várias as histórias contadas, consideradas lendas. Lembrei demais da novela global “Salve Jorge”. Este santo é venerado em muitos lugares do mundo. No Brasil é padroeiro extraoficial do Rio de Janeiro e no sincretismo religioso brasileiro e cubano é Ogum.

A Capadócia era cristã. Após a saída dos cristãos, os turcos destruíram as imagens de Nossa Senhora, mas não as de Jorge, porque acreditavam nele.

Estamos no centro da Capadócia, na Anatólia Central. Aqui se planta trigo, cevada, lentilha (vermelha e amarela), grão de bico, batatas, abóbora para os animais e sementes de girassol se tiver água.

Antes de chegar ao hotel Suhan Capadócia e ficar na cidade de Avanos, fomos conhecer o Vale dos Pombos, perto do castelo Uçhisar. Lugar inigualável.

Eu no Vale dos Pombos-Capadócia
Eu com o Vale dos Pombos atrás-Capadócia-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

O blog siamoarrivati.wordpress.com esclarece que o nome do vale deve-se à enorme quantidade de pombais esculpidos ao longo do vale. Os pombos eram utilizados como fonte de alimento. Ainda usam as fezes deles para fertilizar a terra. Vemos buracos de moradas nas rochas ao longe. Como há lojas de sementes, incrível.

O blog brasileirosporai.com adiciona que o Vale dos Pombos é repleto de pequenas casinhas escavadas nos paredões de rocha e ainda é frequentado por estas aves que hoje existem em menor número na região. O pombo foi o animal mais importante para os antigos habitantes da Capadócia. O excremento da ave também era usado como selante nos afrescos encontrados nas igrejas rupestres. À beira do vale está a mais bela árvore de olhos turcos da Capadócia.

A Wikipédia menciona que Uçhisar significa “três fortalezas” em turco. Fica no vilarejo de Uçhisar, pertencente ao distrito de Nevşehir. O castelo serviu de fortaleza e refúgio no passado e que, com seus 1.300 m de altitude, é o ponto mais alto da Capadócia. Foi usado como abrigo na época hitita (cerca de 1.500 a. C.) e posteriormente pelos primeiros cristãos durante o período romano e pelos bizantinos durante as incursões árabes dos sécs. VII e VIII e durante as primeiras invasões turcas. A fortaleza é um autêntico labirinto que inclui capelas, mosteiros, habitações, refeitórios, armazéns e salas comuns, ligados entre si por uma rede de galerias empilhadas em vinte andares. O castelo Uçhisar se situa em uma aldeia troglodita, ou seja, primitiva.

No hotel o jantar foi em estilo buffet: um mundo de comidas com uma multidão de chineses.

Continuaremos com a Capadócia em breve.

 

Turquia – Lago Salgado e Outros Detalhes

Turquia – Lago Salgado e Outros Detalhes

Hoje é dia 20 de outubro de 2019 e continuamos no percurso de Ancara até a Capadócia de ônibus. As estradas são perfeitas no país surpreendente.

Nossa primeira parada será para conhecer o segundo maior lago da Turquia: Salgado ou Tuz Gölü em turco que significa “lago de sal”. Conforme explica a Wikipédia, a área é de 1500 km² e engloba as províncias de Ancara, Cônia e Aksaray. Estamos a 150 km a sudeste de Ancara, a 105 km a nordeste de Cônia e em plena Anatólia Central, ou seja, no centro do país. O lago tem normalmente 80 km de comprimento e 50 km de largura, a uma altitude de 905 m. Trata-se de um lago endorreico, ou seja, sem saída. O nosso guia Ali esclarece que 70% do sal consumido na Turquia vêm dele.

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A companheira de viagem Liliana Moreira e eu no lago Tuz na Turquia-foto tirada por Carlos Alencar

Chegamos, descemos e fomos conhecê-lo. Muito interessante pisar só em sal. No ponto de apoio enorme, os banheiros são pagos e lá fomos nós pobres mulheres enfrentá-los. Como sempre, os banheiros com vasos sanitários (a lá franga) e os no chão, sem vaso (a lá turca). Ainda bem que no ponto de apoio havia cafés, sucos e uma loja com as tentadoras bolsas e sacolas coloridas e lindas, além das maravilhas para os turistas. Tudo é tão repleto de cores.

Nós no lago Salgado-Turquia
Nós no lago Salgado ou Tuz na Turquia-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

Na região, vemos pradarias com montanhas. Eis o planalto da Anatólia Central, seco no verão e com neve e chuva no inverno.

Uma pergunta que não quis calar: o motivo de algumas mulheres usarem burcas pretas fechadas e outras, apenas hijabs (véus), lenços ou nada cobrindo a cabeça. Lembrando que estamos na Turquia, considerada laica na Constituição. A resposta é que depende da interpretação de cada um, vai da família ou do marido. Se casadas, seguem os preceitos religiosos do marido.  Em Istambul, por exemplo, há muitas mulheres europeias. Em Cônia, a cidade mais muçulmana da Turquia, somente burcas. Algo digno de nota: as turistas iranianas cobrem a cabeça também, isto é obrigatório, porém muitas quando chegam à Turquia, tiram a coberta. Em 1934 a mulher já votava na Turquia e tinha Primeira-Ministra. Hoje os que seguem o Islã, não aceitam a mulher ter liberdade assim.

Um pouco sobre geografia: a montanha mais alta do país tem 5.165 m e se chama Monte Aratate. Segundo a lenda, a Arca de Noé atracou lá e está enterrada no seu cume. Também há o Pequeno Ararate, ambos no Planalto Armênio, vizinhos da Armênia e do Irã.

Falemos em economia: o forte no país é construção, bancos, petroquímica (sem petróleo), cinco refinarias, agricultura (legumes), avelã (70% da produção mundial), e a cidade de Izmir sendo responsável por 35% da produção mundial de uvas passas. Compram gás natural da Rússia. Até 1946 os produtores de ovelhas eram nômades, hoje são seminômades e produzem queijo, tapetes e couro. Tapetes usados como camas e para cobrir a areia nas tendas, são feitos por mulheres e por prisioneiras que estão no sistema semiaberto.

Não podemos esquecer a produção de cevada, figos, damascos e oliveiras. Atualmente, importam lentilha e trigo. O turco come pepino, azeitona e queijo no café da manhã. Isso é cultura de um povo.

O turismo é muito importante. São 45 milhões de turistas por ano. A guerra com os curdos atrapalha os europeus, mas não os latinos. Detalhe: na Alemanha são quatro milhões de imigrantes turcos (aliás, foi em Berlim que eu comi kebab pela primeira vez e amei!).

Com a queda do Império Otomano, os curdos queriam seu estado, porém não conseguiram até hoje. Estão divididos entre Irã (12 milhões de pessoas), Iraque (10 milhões), Síria (5 milhões) e Turquia (20 milhões). Desde 1923 estão proclamando e querendo sua identidade cultural.

O Mercado Comum Europeu (MCE), desde o final da década de 90 do século passado, pediu que a Turquia resolvesse a situação com os curdos e com a ilha de Chipre, já que o país estava pleiteando ser um membro desde 1987, mas agora os extremistas turcos não querem mais entrar no MCE. Logo, nada foi resolvido.

Para finalizar, um pouquinho de política. Nos tempos modernos até 2016 o sistema de governo era parlamentarista. Foi feito um referendo popular em abril de 2017, sendo decidido pela República Unitária Presidencialista. Presidencialismo este, que não é entendido pelo povo. Na verdade, o presidente Erdogan controla os três poderes, além de governadores, reitores, presidentes de Tribunais etc. O “sultão Erdogan”, como dizem os turcos, está no poder desde 2003.

Em 1924, as mesquitas, isto é, o poder religioso estava sob o controle do estado com a Constituição do mesmo ano, quando o primeiro presidente da república: Ataturk aboliu o sultanato. Atualmente, é o contrário, o estado laico é regido pelos religiosos.

Continuaremos com uma região espetacular e única no mundo: a Capadócia em breve.

 

 

Turquia – Ancara – Mausoléu do Ataturk

Turquia – Ancara – Mausoléu do Ataturk

Hoje é dia 20 de outubro de 2019. Estamos na capital da Turquia: a ajeitada e agradável Ancara. Do Museu das Civilizações da Anatólia rumamos a pé para o Mausoléu do Ataturk. O clima é bem mais frio do que Istambul: 14°C.

Este mausoléu é tão importante para o país, basta dizer que se a autoridade de um país estrangeiro em viagem oficial não visitá-lo, é sinal que não aceita a república. Os extremistas religiosos turcos não gostam do Ataturk. Sem dúvida, a Turquia é o que é hoje graças a ele. Quem segue o pensamento do Mustafá Kemal até hoje é considerado kemalista, quem é por esses religiosos é islamista.

Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), o Mausoléu de Mustafá Kemal, conhecido como Ataturk (pai dos turcos), foi construído em mármore travertino entre 1940 e 1950. Ele nasceu em Tessalônica (Macedônia grega), terminou com o regime de sultanato e com a monarquia e proclamou a república em 20 de outubro de 1923.

O nosso guia Ali da agência Abreu acrescentou que o Ataturk casou uma vez, mas não teve filhos e depois se divorciou. Não queria um mausoléu tão esplendoroso: são 700 mil m² com árvores de várias regiões. Pelas fotos, era branco, bem ocidental, bonito e de olhos claros. Era militar do Exército do Império Otomano. Faleceu em Istambul em 1938 aos 57 anos de cirrose, pois bebia muito raki (licor derivado da uva com sabor de anis-bebida nacional da Turquia).

O mausoléu foi inaugurado em 1953 no bairro de Çankaya. É enorme e imponente, muitos alunos de escolas o frequentam. Vários eventos políticos ocorrem no local, é simbólico. Na entrada novamente há controle de bolsas em todos os lugares, é muito bem policiado. No museu visitamos várias salas, vimos um carro Lincoln de 1973 do segundo presidente do país, objetos particulares de Mustafá Kemal, dentre eles: armas e medalhas e o seu sarcófago etc.

De acordo com o livro mencionado anteriormente, Ataturk foi o artífice do estado moderno turco e num gesto de coragem iniciou a ocidentalização da Turquia, aproximando-a da Europa. Entre as grandes reformas estão: 1-a separação da religião do estado; 2- a troca dos códigos religiosos pelos civis, copiando-os da Suíça e Itália (o código civil do suíço e o código penal do italiano); 3-a instituição do divórcio; 4-o casamento monogâmico; 5-a mudança no sistema de medidas; 6- a adoção do calendário gregoriano; 7-a mudança dos caracteres Magrebis (alfabeto árabe) pelos latinos; 8- a troca do modo de vestir árabe pelo europeu; 9- a adoção do domingo como feriado civil.

Algo digno de nota a ser contado: a palavra “mausoléu” vem de “Mausolo”. A Wikipédia explica que o Mausoléu de Halicarnasso ou de Mausolo foi uma tumba construída entre 353 e 350 a. C. em Halicarnasso para Mausolo (o governante de Cária no sudoeste da Ásia Menor) pela sua esposa e irmã Artemísia II. Com 45 m de altura, chama-se também de Túmulo de Mausolo e é umas das sete maravilhas do mundo antigo. Halicarnasso se tornou Bodrum na Turquia. A Encyclopaedia Britannica adiciona que o edifício foi desenhado pelos arquitetos gregos Pythius e Satyros; e as esculturas pelos artistas gregos: Scopas, Bryaxis, Leochares e Timotheus – cada um responsável por um lado do túmulo.

Saindo do local tão fundamental para o país, seguimos para o almoço no restaurante Emin Koçak Kebab. Minha refeição foi arroz com vegetariano (legumes) e sobremesa: pudim de arroz. O kebab também pode ser servido como pedaços de pizza magrinhos. Tem loja ao lado do restaurante que vende chaveiros, produtos de azeite, bolsas, doces, chocolates etc. Muitas lindezas tentadoras.

Mais um pouco de história: 1. Os romanos fundaram Ancara e chamaram-na de Ankre.  Chegaram de galés, ou seja, antigos navios de guerra, movidos a remo e geralmente movimentados por condenados ou escravos. 2. Os primeiros habitantes da região datam de 10.000 anos a. C.. Trata-se de uma terra muito antiga. Os hititas estavam lá em 2000 a. C.. Na cidade foram encontrados sítios arqueológicos hititas, frígios, helenísticos, romanos, bizantinos e otomanos.

A Wikipédia diz: “o centro histórico da cidade é um monte rochoso que sobe a 150 metros sobre a margem esquerda do Ankara Çayı, um afluente do rio Sakarya. A colina permanece coroada pelas ruínas da antiga cidadela. Ainda há exemplos bem preservados da arquitetura otomana e romana em toda a cidade, sendo o mais notável sendo o Monumento de Ancira, construído entre os anos 34 a. C. e 20 d. C..”

Na capital, em cima da montanha, havia favelas até o ano 2000. Algo bom feito pelo atual presidente Erdogan foi tê-las destruído e erigido prédios funcionais e bons para habitar de 60, 100 e 120 m² para venda para os trabalhadores pagar em 20 anos. São elogiados.

A aposentadoria na Turquia segue o modelo europeu: homens com 65 anos e mulheres com 62. 70 % da população têm menos de 35 anos. Com o salário mínimo de 2.200 liras turcas não dá para viver na cidade, porque os aluguéis são muito caros, vão de 2 mil a 20 mil liras mensais no centro, por exemplo. Um médico ganha umas 15 mil liras por mês; o professor universitário, de 10 a 15 mil; o professor de escola pública, umas 4 mil; e o policial, umas 7 mil liras turcas. As rodovias nacionais não são pagas, mas as autoestradas são por meio de pedágios.

Continuaremos com o lago Salgado em direção à Capadócia.

Turquia – Ancara – Museu das Civilizações da Anatólia

Turquia – Ancara –Museu das Civilizações da Anatólia

Hoje é domingo, dia 20 de outubro de 2019. Saindo do passeio do Bósforo, almoçamos e rumamos de ônibus à capital da Turquia: Ancara, sempre com o guia da Abreu Ali e o motorista Dogan.

Chegamos à AnKara, como os turcos escrevem, às 19h35 e nos hospedamos no Swisshotel. Foram 450 km de Istambul com duas paradas técnicas. Achei o hotel confortável e grande. Gostei do cardápio do jantar, o problema foi o café da manhã no dia seguinte. Não tão bom quanto o do hotel em Istambul, com poucas opções e muita fritura. E ainda teve o capítulo do despertar. Havíamos pedido na recepção para nos acordarem cedo, mas não nos despertaram. Foi um corre-corre quando o Carlos e eu vimos o relógio. Conclusão: deveríamos ter deixado a cargo do guia como todos os outros. Mal tomamos café e fomos os últimos a seguir para o ônibus. Aprendemos a lição e não tivemos mais obstáculos. Melhor deixar toda a responsabilidade com o guia.

Hoje é dia 21 de outubro de 2019. O Swisshotel fica no bairro Çankaya, perto de embaixadas, parques, prédios baixos, da Assembleia Nacional com jardins e mais estabelecimentos governamentais. Recordei-me de Ottawa no Canadá. Ancara é a cidade universitária e dos funcionários públicos. Muito linda, agradável, florida, gostosa mesmo, com calçadas arrumadas, árvores e ladeiras.

O nosso city tour faz parte do pacote. Vemos de um lado uma mesquita com quatro minaretes de 5 a 6 anos de idade e do outro lado, a Ópera da cidade. Estamos na área central ou Ulus que significa “nação” em turco. Trata-se do bairro antigo, da cidadela de Ankara. No bairro se situa a primeira Assembleia Nacional, hoje um museu.

Interessante dizer que os prédios oficiais tem um retrato do general Ataturk, isso é obrigatório. Ele é o herói dos turcos, responsável pela Turquia como existe desde 1923. Os turcos não falam mal da bandeira, da religião e de Mustafá Kemal (Ataturk).

Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), Ankara é a segunda cidade depois de Istambul. Localiza-se no centro da Anatólia na parte asiática do país, a 910m de altitude. É o centro administrativo do país e um centro industrial, comercial, cultural e turístico importantes. Já era centro comercial importante no tempo dos hititas (séc. XVIII a. C.). Foi capital de província romana no séc. I, sendo conquistada pelos turcos em meados do séc. XIV. Era uma pequena cidade de província quando foi escolhida para capital da Turquia em 1923.

Um pouco de geografia da Turquia: 97% do país se encontram na Ásia e somente 3% na Europa. Possui dois estreitos fundamentais: o de Bósforo e o de Dardanelos. São 780 mil km² de superfície com sete regiões geográficas: 1-região de Marmara (Istambul); 2-região do mar Negro; 3-região do mar Egeu; 4-região do Mediterrâneo; 5- região da Anatólia Central (Ancara e Capadócia); 6- região da Anatólia Oriental (fronteira com o Irã); 7- região da Anatólia Sudeste (fronteira com a Síria e Iraque). O país faz fronteira com a Bulgária e Grécia, ilhas gregas, Iraque, Irã, Armênia, Geórgia e norte do mar Negro. São 80 cidades além da capital. Até 2000, eram 67.

Falemos agora no nosso passeio ao museu impressionante das Civilizações da Anatólia. De acordo com o livro da Agência PortoSul mencionado anteriormente, as coleções compreendem achados pré-históricos de civilizações hititas, frísias, urartus, persas, gregas e romanas. Possui objetos de Çatalhöyük, primeira comunidade humana que se tem conhecimento; objetos artesanais dos hititas que datam de 6000 a. C.; tabuinhas de argila com escrita cuneiforme; relevos esculpidos em basalto etc.

Até 1930 era o Museu dos Hititas, a partir daí se transformou no Museu das Civilizações. Já ganhou prêmio de melhor museu europeu. Logo na entrada vemos estátuas sem cabeças. Os terremotos quebram braços, pernas e cabeças. O prédio “persa” era o antigo mercado de tecidos.

Amei este museu de alto nível. Aprendi tanto. Vi murais de pedras com escritas; e casas abertas com mortos enterrados dentro em posição fetal. Detalhe: nas sepulturas eram encontrados ouro e joias da Idade do Bronze. As casas eram de adobe, ou seja, terra com palha. Também vi o jarro de cerimônia de casamento: Inandik Vase de XVII a. C.. O símbolo da cidade de Ankara são os animais sagrados da deusa Cibele com raios de Sol. A escrita santa dos faraós do antigo Egito era o hieróglifo.

Que região mais rica! Na Anatólia, no período Paleolítico, as pessoas viviam de caça (100.000 a 10.000 a. C.); no Neolítico (10.000 a 5.000 a. C.), as casas não tinham portas nem janelas, havia vida religiosa e a deusa era Cibele (antes Tibele), a deusa da fertilidade. Os animais eram domesticados e já havia a liga do cobre com o latão. No Calcolítico ou Idade do Cobre (3.300 a 1.200 a. C), o período era dos metais, da agricultura e do escambo de produtos sem dinheiro.  Havia a cunhagem e a escrita cuneiforme sobre terra cozida. A escrita surgiu na antiga Mesopotâmia em 3.500 a. C. Estamos falando da região mais fértil do mundo que engloba parte do Iraque, Síria e Turquia e significa em grego “terra entre rios”: os rios Eufrates e Tigre.

Digno de nota citar que os otomanos não tinham cultura de preservação de tesouros arqueológicos. Muito do que ainda existe está no Louvre-Paris e Museu Britânico (British Museum)-Londres.

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Um bom café turco no café do Museu das Civilizações da Anatólia-Ancara-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Ao sair do museu, tomei um bom café turco ainda dentro do espaço do Museu das Civilizações. Tive uma verdadeira aula de história, geografia, antropologia, enfim vale demais conhecer este fabuloso local.

Escritório do Ataturk-Museu das Civilizações
Réplica do escritório do Ataturk no Museu das Civilizações em Ancara-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Prosseguiremos com o mausoléu do fundador da república turca em 1923: “Ataturk” em breve.

Turquia – Istambul 7 – Passeio de barco pelo Bósforo

Turquia – Istambul 7 – Passeio de barco pelo Bósforo

Hoje é domingo, dia 20 de outubro de 2019. Nosso último passeio em Istambul: passeio de barco pelo Estreito do Bósforo. Somos dois grupos grandes de brasileiros e nosso guia Ali vai com a gente. O nosso motorista do ônibus muito gente boa é o Dogan.

Começaremos o lindo percurso marítimo. Estamos no Chifre ou Corno de Ouro, um braço do Mar de Marmara, o qual passa pelo Estreito do Bósforo até o Mar Negro. Cruzamos a Ponte de Gálata que une dois continentes: Europa e Ásia. Estão renovando o porto de Istambul, um estreito natural com 56 m de profundidade. Há correntes de água por causa da diferença de temperatura entre o Mar Negro e o de Marmara.

Lembrando que ainda estamos no lado europeu de Istambul. Passamos por mesquitas neoclássicas e pelo belo Palácio Dolmabahçe (museu) em estilo europeu: principal centro administrativo do Império Otomano de 1853 até 1922. Também vemos o hotel cinco estrelas Palácio Çirağan, da época otomana do séc. XIX. É tanta beleza que ficamos deslumbrados.

Passeio de barco no Bósforo com Lili
Eu e o Carlos com a nossa companheira de viagem Liliana no passeio de barco pelo Bósforo-foto tirada pela Tereza

Do lado asiático vemos outros palácios lindos. Os habitantes de Istambul vão lá aos finais de semana para frequentar cafés, restaurantes etc. As casas na beira são chiques e os prédios são baixos. Parecem a casa do Onur e da Sherezade da romântica novela turca: “As Mil e uma Noites” da BAND. Aliás, assisti e me apaixonei por esta fascinante cidade. Há casas de madeira dos sécs. XVIII e XIX. Essas preciosidades eram de paxás no passado otomano e hoje custam de 20 a 100 milhões de dólares. Uau! Eu também quero… Achei esse lado bem bucólico, com pessoas pescando, a impressão é de vida mansa.

Existem tantos iates de todos os tamanhos no Bósforo. Que vidinha boa! A segunda ponte suspensa data de 1986, tem 50 m de comprimento e 60 m de altura.

Estamos no passeio e um funcionário do barco oferece chás por um euro. O chá turco de maçã é delicioso. Neste momento que conversamos mais com a Liliana Moreira e a Tereza, do nosso grupo e de Fortaleza – CE. Salve, Lili e Tereza!

Após este passeio inebriante, voltamos à Europa e fomos almoçar no restaurante Façyo (garçom: Güntai). A entrada foi de pães com guarnições turcas; o prato principal: peixe e a sobremesa: melão e laranja com vinho branco. Gostei, bem saudável. O vinho turco leve, seco e muito bom: Kavaklidere Ancyra Sultaniye-Emir de 2017. Comida e vinho: é cultura!

As malas já estavam no ônibus, porque ao sair do restaurante iríamos seguir rumo à capital Ancara. São 450 km com duas paradas técnicas. Em umas 5 horas e meia pela autoestrada E-80 se chega à desconhecida cidade para nós. A estrada é espetacular, são 3 a 5 pistas em perfeita ordem.

A parada técnica ocorre depois de 2 h e meia no restaurante/café Berceste Fuar Alani, com refeição self-service, loja de especiarias, doces, mel, azeites, chocolates etc.

Enfim, impossível não ficar fã da Turquia. Istambul é deslumbrante, com segurança e muitas opções de lugares para conhecer. Imperdível.

Em breve, Ankara (com acento na primeira sílaba, como os turcos dizem).

Turquia – Istambul 6 – Grande Bazar e Mercado das Especiarias

Turquia – Istambul 6 – Grande Bazar e Mercado de Especiarias

Nós no Grand Bazaar
O Carlos e eu no Grande Bazar-Istambul-Turquia-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é sábado, dia 19 de outubro de 2019 e ainda estamos nos passeios. Entramos no famoso Grand Bazar, fechado aos domingos. O nosso guia Ali alerta para a necessidade de pechinchar e negociar com os vendedores, não existe preço escrito nas mercadorias. Há que se ter cuidado com falsificações também. Outro detalhe inconveniente: foi-me reportado que alguns vendedores assediam brasileiras loiras de olhos azuis, mesmo acompanhadas. Isso é inadmissível.

Como já era tarde, tivemos pouco tempo no local, estávamos exaustos. O lugar é imperdível, um ícone de Istambul para compras: bolsas, lembrancinhas, chaveiros, lenços de seda etc, uau! É de se ficar deslumbrado. Achei uma graça a comunicação em português! O turco se vira bem e é um comerciante nato. O “porém” foi a lotação, como dizemos no Ceará: uma “muvuca”. De qualquer modo, foi um passeio divertido, colorido e com muitas opções de compra.

Tenho que contar algo: o banheiro feminino no país todo é um sacrifício. Há filas enormes e muita espera, porque se existem seis portas, duas são para as estrangeiras e quatro para as turcas. As delas não têm vaso sanitário, é no chão mesmo (diz-se “a lá turca”). E as das turistas, têm vaso (“a lá franga”). Por isso os banheiros vivem molhados, são sempre lavados, ainda bem.

Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), o Grande Bazar foi construído em 1461 e é o maior mercado coberto do mundo. Já foi modelo para outros mercados orientais. No séc. XIX era também centro de mercado de escravos. Sua área equivale a 10 campos de futebol. Possui 18 portas, 80 ruas e em torno de 4 mil lojas.

Voltamos para o hotel Hilton Bósforo, satisfeitos. Detalhe: lembrando que toda vez que entrávamos no hotel, tínhamos que passar pelo detector de metais. Para usar o elevador, tínhamos que colocar o cartão primeiro no lugar adequado. Depois de muita confusão, aprendemos com um inglês gentil no primeiro dia.

No dia 20 de outubro de 2019, começamos o dia no Mercado das Especiarias ou Mercado Egípcio ou Pequeno Bazar por ser aberto aos domingos. Foi muito bem tê-lo conhecido. Eu o preferi ao Grand Bazar, porque é menor e mais agradável, com menos gente. 

Fundado em 1664, é lindo com suas especiarias e artesanatos. Vale a pena provar o doce árabe: lokum, feito de calda de uvas. Vinte anos atrás só se vendiam especiarias nele. Novamente, a negociação é fundamental. Os vendedores são interessados e queridos

No séc. XV cada cidade do Império Otomano tinha o seu mercado de especiarias, usavam-nas para conservar comidas. Fazia parte da vida oriental, “uma mistura”, como bem descreveu o francês Montesquieu, como disse o nosso guia Ali.

Perto dali, está a original estação do Expresso do Oriente. Quem não se lembra do livro “Assassinato no Expresso do Oriente” da Agatha Christie? Pena estar desativada, a atual estação é mais moderna e em outro local, mas o trem como era e a rota ligando Istambul a Paris não existem mais.

Antes de finalizar este post, mais um pouco de história. Quem começou a erigir as Muralhas de Constantinópolis foi o imperador Constantino e depois o imperador Teodósio construiu as famosas linhas duplas no séc. V. Em 1453 os otomanos conquistaram a cidade (dentro das Muralhas de 22 km) com estratégias ousadas de guerra. Eles eram nômades e vinham da China, Mongólia e de outras terras orientais. Acreditavam em profecias (tanto otomanos quanto romanos orientais), astrologia e astronomia. Fiquei impressionada com o seriado “Império Otomano” da NETFLIX. Indico demais! O jovem de 21 anos Mehmet ou Maomé II (sultão otomano) ganhou na inteligência e com canhões. Fez o cerco à cidade durar dois meses com batalhas intensas pelo mar e por terra. Coube a Constantino XI (imperador romano do Oriente) defender a cidade e morrer com honra. O líder do exército de Constantinopla era o mercenário genovês Giustiniani, que trouxe com ele seus homens. Enfim, é uma aula apaixonante de história. Emocionante ver no seriado a Torre de Gálata e a igreja de Santa Sophia, já existentes à época. Êta Turquia mais estonteante!

Continuaremos em breve com o passeio de barco no estreito do Bósforo.

Turquia – Istambul 5 – Palácio Topkapi

Turquia – Istambul 5 – Palácio Topkapi

Hoje é dia 19 de outubro de 2019, sábado. Da Mesquita Azul fomos com o grupo da Abreu a pé até o Palácio Topkapi, foi uma boa caminhada. Enfrentamos a multidão e entramos no local existente entre os mares de Marmara, Bósforo e Chifre de Ouro.

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Palácio Topkapi em Istambul-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Na entrada, há controle de bolsas e guardas com metralhadoras para defesa de perto. Fiquei abismada, mas não podemos esquecer que o país tem problemas com terrorismo. Segundo o livro da agência PortoSul de Porto Alegre-RS, o Palácio Topkapi foi a sede administrativa do Império Otomano. Construído pelo Sultão Mehmet II (Maomé) entre 1475-1478 sobre as ruínas de uma cidade romana. Nos séculos posteriores  foi ampliado e enriquecido, muitos edifícios sofreram danos por incêndios e terremotos, sendo restaurados. Daí os estilos de épocas distintas, do séc. XV a XIX. O palácio apresenta 34 locais de grande interesse. Consta que umas 5000 pessoas viviam lá e tantas outras visitavam diariamente. Possui uma das coleções mais ricas do mundo. Entre as joias da Sala do Tesouro está o famoso diamante “Kasikci” de 86 quilates, lapidado em 58 faces e ladeado por 49 brilhantes menores, bem como tronos decorados com joias.

 

O folder do museu diz que o palácio foi residência dos sultões otomanos por 400 anos. Também foi o centro da administração imperial, educação e arte. No meio do séc. XIX os sultões se mudaram para o Palácio Dolmabahçe (se diz “Dolmabati”), mas o palácio manteve sua importância desde que o Tesouro e a Câmara Privada (Relíquias Sagradas) continuaram no mesmo lugar. No dia 3 de abril de 1924 se tornou um museu pelo fundador da república turca: Mustafa Kemal Atatürk. Trata-se de um lugar único no mundo pela sua coleção e estilo arquitetônico. A espada do sultão Mehmet II, o Conquistador, que data do séc. XV e é feita de aço, ferro, ouro e dentes de peixe, com 125 cm, se encontra exposta.

A revista Where Istambul (2019) acrescenta que o palácio foi construído em 1478 durante o reinado de Mehmet II, e a organização como museu foi da época do reinado de Abdülhamid II (1876-deposto em 1909), mas ficou sem ser aberto ao público até 1924.

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Dentro do Palácio Topkapi em Istambul-foto tirada por Mônica D. Furtado

As seções são muitas, as mais atrativas são o Harém, o Divã (Divan Square: pátio usado para ocasiões especiais), a Sala de Audiência, Sala de Relógios, de Armas, O Portão Imperial, O Salão do Conselho Imperial etc. De acordo com o folder do museu, o harém era a sala de estar onde somente o sultão, seus familiares, as concubinas, os eunucos (Harem Aghas) que guardavam e outros serventes podiam entrar. Foi expandido com estruturas adicionais do séc. XVI até os anos iniciais do séc. XIX. Atualmente, existem aproximadamente 300 quartos, 9 banheiros, 2 mesquitas, 1 hospital, 1 lavanderia e muitos dormitórios.

O sultão deixava um lenço no ombro da moça de quem se interessasse, isso significaria que passariam a noite juntos. Se apreciasse, seria uma odalisca, então viveria em um quarto como uma das concubinas do sultão. Se ela tivesse um filho homem, se tornaria uma das mais importantes. No mundo muçulmano, o homem pode ter até quatro mulheres, mas não na Turquia de hoje.

Falando no harém, tinha umas 700 mulheres. Era um lugar de acesso proibido, na verdade, não se sabia quantas mulheres existiam lá. A que o sultão gostasse, tinha o direito a um quarto particular e essa ganhava do sultão o anel do harém de quatro rodas. Os filhos das mulheres ficavam com elas no local. O filho com 10 anos seria nomeado governador, sairia com a mãe para um lugar mais distante. Os filhos mais inteligentes seriam governadores de lugares mais próximos de Istambul. Os funcionários mais altos do palácio casavam com mulheres desconhecidas; os ministros casavam com as filhas do sultão. O harém existiu até a proclamação da República. Depois foram expulsos os sultões e suas famílias do país. Voltando às mulheres do harém, a revista Super Interessante online (maio de 2009) esclarece que a maior parte delas chegava lá como prisioneiras de guerra, escravas comercializadas e até como presente de outros líderes ao poderoso sultão otomano.

A respeito dos eunucos, a mesma revista adiciona que havia tantos eunucos negros como brancos. Estes normalmente eram capturados na Europa e assumiam funções administrativas. Os eunucos negros controlavam o harém do sultão e tinham muito prestígio por isso. Eram escravos africanos que cuidavam da segurança das mulheres. O convívio próximo a elas custava-lhes a retirada dos órgãos genitais. Era o chefe dos eunucos negros quem conduzia as amantes para os aposentos do sultão.

Os eunucos para o Palácio Topkapi já vinham da Tunísia castrados, tal ato ocorria no mercado (conforme o nosso guia Ali explicitou) de escravos pelos vendedores para que custassem mais caro. Em www.iqaraislam.com/senhor-das-mocas-eunucos-otomanos, descobre-se que eles eram escravos capturados em batalha, ou comprados de mercadores que os traziam da Europa ou do Sudão.

Já os cristãos, foram crianças pegas nas conquistas dos otomanos e se tornavam ex-escravos guerreiros: os janissários. Eram circuncidados no palácio, os mais inteligentes iam para as escolas de elite: ou se tornavam arquitetos ou iam para o Exército Otomano. Esses não podiam casar. Na escola aprendiam o turco otomano (com palavras do árabe e persa) e se convertiam ao islamismo. Eram a força militar mais poderosa dos otomanos.

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Cozinha do Palácio Topkapi com suas panelas enormes-Istambul-foto tirada por Mônica D. Furtado

Só pra se ter ideia da enormidade do local: ali serviam 15 mil refeições para as pessoas de dentro e em dias de festas para umas 10 mil, além das pessoas da Família Real.

O Palácio Topkapi teve problemas com o último terremoto, então está sendo cuidado. Istambul está em cima de uma falha sísmica, por isso a frequência de problemas.

Saudações ao casal Taís e Carlos de Campinas, da nossa excursão, com quem trocamos ideias nesse passeio. Após conhecer um pouco do Topkapi, estávamos cansados. Só fomos almoçar pelas 15h30, pois o trânsito estava caótico. No Kebab House Restaurante comemos o menu de turista. Lá tinha fava de feijão, terrine, iogurte com pepino, salada ao molho de berinjela, como entrada; arroz, frango e esfirra de carne como prato principal; e melão e doce de nozes como sobremesa.

Mais uma informação interessante: a maioria dos imigrantes na Turquia é síria. Na capital Ancara, são 5 milhões; e na grande Istambul, 15 milhões.

Seguiremos com mais Istambul em breve. Há sempre muito a contar sobre esta cidade tão rica em cultura e história.

 

Turquia – Istambul 4 – Mesquita Azul e outros fatos peculiares

Turquia – Istambul 4 – Mesquita Azul e outros fatos peculiares

Hoje é dia 19 de outubro de 2019: segundo dia de excursão. Vamos visitar a Mesquita Azul, localizada na antiga Praça do Hipódromo romano, hoje Praça Sultanahmet ou Sultão Ahmet. Está há dois ou três anos com obras.

Um pouco de curiosidades históricas sobre a Turquia. O nosso guia Ali foi uma central de informações. No mundo persa ou Irã, chamava-se xá; no mundo oriental, sultão; e no ocidente, imperador. Em 1071 doze ou treze tribos turcas nômades chegaram a esta terra; em 1300 já estava estabelecido o Império Otomano (1299-1923), que englobava o norte da África, Egito, norte do Mar Negro até a fronteira da antiga Pérsia (Irã), chegando a ter 7 milhões de km² de área.

Em 1914-1918, lutava a Turquia na Primeira Guerra Mundial contra os Aliados ao lado da Alemanha. Pela derrota, perdeu enorme quantidade de terras, ficando somente com 783.562 mil km². Baseada na revista Super Interessante online (dez. de 2016), adiciono que com a decadência do sultanato no início do séc. XX, à época da Grande Guerra, a tolerância religiosa antes existente na Turquia foi desaparecendo, logo a violência contra gregos e armênios cristãos foi devastadora.

Segundo o livro da Agência PortoSul de Porto Alegre-RS (2009), após a derrota na Primeira Guerra Mundial, os Aliados ocuparam Istambul, planejaram  a divisão do país e a Grécia ocupou a Anatólia Central com  a autorização da Inglaterra. Em 1920, pelo Tratado de Sévres, o país foi dividido entre Inglaterra, Itália, França, Grécia e Armênia. Os estreitos ficaram sob o comando comum Britânico-Francês-Italiano. A Turquia ficou apenas com a Anatólia Central e uma parte do Mar Negro. O general Mustafá Kemal (Ataturk) reuniu representantes locais de todo o país, com os quais fundou um governo. Formou um exército composto por tropas otomanas e camponesas e conseguiu expulsar as forças gregas e armênias, acusadas de atrocidades contra os civis. A Guerra da Independência durou de 1912 a 1922. Com a proclamação da República em 1923, e com a assinatura do Tratado de Lausanne (na Suíça), foram estabelecidas as atuais fronteiras da Turquia. Foi o fim do Império Otomano.

De acordo com o Ali, com esse tratado mencionado anteriormente, foi decidida a transferência de população. A maioria dos gregos (cristãos) foi embora do país, atualmente somente em Istambul ainda há uma comunidade deles (uns dois mil). E os muçulmanos da Grécia vieram para a Turquia. Existe problema ainda hoje da Grécia com a Turquia, por causa da ilha de Chipre no mar Egeu. Conforme a Wikipédia, o terço norte da ilha pertence à Turquia (ocupada por militares turcos) e o sul é a República de Chipre (governo grego-cipriota).

Existem muitos bairros em Istambul com nomes gregos e turcos. No bairro dos cristãos gregos não existem mesquitas, mas igrejas ortodoxas. Da mesma forma existem na cidade sinagogas. O sistema laico está na Constituição do país desde 1924, graças ao general Ataturk.

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Praça Sultanahmet com Obelisco em Istambul-Turquia-foto tirada por Mônica D. Furtado

Voltemos à Praça do antigo Hipódromo romano. Eram 450 m de comprimento e 71 metros de largura para a corrida de bigas e hípica. À época do Império Bizantino, era comum fazerem apostas. Como Constantinopla era a capital do Império Romano do Oriente, a praça era o centro esportivo e social da cidade, que no séc. V chegou a ser a maior do mundo. Lá há um Obelisco egípcio e a Coluna Serpentina, mas as serpentes enroladas desse monumento antigo sumiram.

Interessante dizer que como a cidade não deu apoio aos Templários, eles a danificaram, inclusive destruíram o hipódromo na Quarta Cruzada. Lembrando que os Cavaleiros Templários eram da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão e  existiram como Ordem do Templo entre 1118 e 1312. Seu sucesso estava vinculado com as Cruzadas e o seu propósito era proteger os cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista (Wikipédia). Com a chegada dos turcos em 1453, construíram palácios e mesquitas no local. Hoje é a Praça do Sultanato e por uma das três portas entramos na Mesquita Azul.

Enfim, a Mesquita Azul, assim chamada pelos azulejos azuis Iznik que adornam o seu interior. Na entrada há controle dos lenços na cabeça das mulheres. Tiramos os sapatos e colocamos em sacos plásticos. São quatro mil lugares, quatro pilares, sendo a mesquita de 1619, do séc. XVII. Os tapetes são grandiosos e estão na mesquita toda, mas ficam desgastados com tanta gente. Em casa de turco se tira os sapatos ao entrar, pois são sujos (vivenciei isso em Viena-Áustria). O tapete tira a energia negra das pessoas. Por conta da quantidade de turistas, os tapetes usados hoje são de fazer mecânico e não manuais e mais caros. Diga-se de passagem: os tapetes turcos são fabulosos.  O turco tem o costume de oferecer tapetes de presentes aos amigos estrangeiros.

A revista Where Istambul (2019) acrescenta ser a Mesquita Azul também nomeada de Sultanahmet. Trata-se de um dos mais famosos pontos de referência da cidade. Sendo exemplo de arte clássica turca, é a única deste tipo erigida originalmente com seis minaretes e se sobressai no horizonte de Istambul desde o Bósforo.

Falemos em comidas. 70% dos pratos turcos contem berinjelas e 60% são kebabs. A comida turca é classificada, assim como a chinesa e a francesa. Os turcos comem iogurte, espinafre e preferem cordeiro, ovelha e frango. O muçulmano não come porco, uma vez que a religião proíbe. Em conformidade com o nosso guia, a explicação está na origem dela: nasceu na Arábia Saudita e na região não se conservava a carne de porco.

O Ali chama a atenção para tomar cuidado com taxistas solicitados na rua em Istambul (como em Buenos Aires-Argentina), já que eles enganam o turista trocando o dinheiro. Melhor pedir do hotel, mais seguro.

Continuaremos com o Palácio Topkapi em breve.