Continuando em Portugal

NOTÍCIAS SOBRE PORTUGAL

Estamos em abril de 2013 e continuamos a nossa jornada portuguesa após ter estado pela ilha da Madeira.

Sempre que viajo, gosto de chegar e colocar em palavras emoções sentidas e pensamentos ocorridos no papel. É impossível não fazer comparações com a nossa mãe pátria. Então, vamos começar.

Primeiramente, gostaria de dizer-lhes que Portugal em crise ainda consegue estar melhor do que da última vez que lá estive em 2009. Indago-me como pode. Vi desta vez menos pedintes na rua e a criminalidade baixou, segundo dados mostrados na televisão. O que aumentou foram os roubos de casas. Deu pra ver lojas fechadas, a situação parece mais grave para os funcionários públicos que tiveram seus salários reduzidos. No lado positivo, vemos muitos turistas ingleses e alemães na Ilha da Madeira e espanhóis no Porto na Semana Santa. Com certeza, eles movimentam a economia e fazem a diferença. Apesar da citada crise econômica, as cidades continuam adoráveis, limpas, seguras e organizadas a encantar os viajantes. As cidades pequenas oferecem museus, centros culturais, bibliotecas, dentre outros. As pessoas leem muito jornais, revistas, livros no metrô, no trem, na rua, em todos os sítios, como eles chamam os lugares. Testemunhei taxistas trocando jornais e revistas entre eles no Porto.

Só para dar um exemplo de pontualidade: o trem é para partir às 13.57min. e realmente parte. Ficamos boquiabertos com o detalhe dos números.  Aliás, trem é comboio lá. A terceira idade com mais de 65 anos tem descontos em passagens de ônibus, trens, entradas de museus e outros. Em Funchal na Ilha da Madeira eles são clara maioria.

Comparando a Semana Santa lá e cá, tenho algo a dizer: não vi chocolates para vender nos supermercados. Lá valorizam as amêndoas de chocolate, o bolo pão de ló, o bolo doce recheado de frutas cristalizadas e o pão com massa de pão de ló feito com ovos cozidos em cima dele. Ficamos curiosos com tal pão. Nunca vimos algo igual. A Semana Santa é familiar e religiosa para o português. A diferença gritante com o nosso Brasil é o consumo de ovos de chocolate em demasia aqui e o preço que aumenta a cada ano. Lá nem propaganda na TV se vê.

Estar em Portugal é sentir-se em casa para mim. Andar nas suas ruas e ruelas sem medo é uma glória. Fiquei imaginando que jamais circularia pelas vias do bairro da Ribeira, o mais antigo do Porto, às margens do rio Douro, se a linda cidade estivesse no Brasil. Gostaria muito que cada brasileiro tivesse a oportunidade de conhecer algum país estrangeiro digno e seguro para saber o que é viver pelo menos algum tempo na tranquilidade.

Ao chegarmos a Lisboa, passamos uns cinco minutos na imigração. Foi algo rapidíssimo. Bem, estávamos na baixa estação, mas Lisboa é parada quase obrigatória na Europa para milhares de voos. No guichê, os policiais vestidos a rigor e profissionais. Já de volta ao Brasil, ficamos mais de uma hora em uma fila, na sala havia uma multidão fatigada e impaciente, vinda de horário com 4 horas a mais, isto é, para nós era meia noite e aqui eram 20 horas. Detalhe: fomos atendidos por terceirizados e o sistema que lê o passaporte estava com problemas desde sexta-feira e estávamos na segunda. Vi dois policiais federais no recinto e só soube pelo distintivo e jamais pelas roupas.  Algo tão sério como a entrada no país é entregue a terceirizados? Ou seja, bem vindo ao Brasil.

Há mais: em Portugal em muitas cidades não existem sinais de trânsito, mas os pedestres são respeitados. Ao tocarem o pé na faixa de pedestre, o motorista já para. Tal grau de civilidade, segundo um amigo me contou há muito tempo, não foi bem sucedido de graça, mas pelas multas. Aprenderam! Em duas semanas, somente escutei duas buzinadas e vi uma batida de carro. Completamente contrária a nossa realidade local. Mal testemunhei motos que lá chamam de motas. E ciclistas? Eu os vi bem paramentados, em termos de segurança. As exigências são severas. Motoqueiros dirigindo pelas calçadas? E livres e crentes que podem? Em Fortaleza, Ceará, sim. Na Europa, com certeza, não ficariam sem punição.

As cidades são floridas, repletas de árvores e com jardins graciosos. Em qualquer cidade, seja pequena ou grande, encontram-se bosques, praças valorizadas e muito verde. Funchal, então, é um delírio aos sentidos. Lá em Portugal não se assassinam árvores como aqui. Tudo é planejado. Se a árvore foi cortada, havia um motivo maior e não porque as folhas  incomodavam!… Estivemos na antiga Universidade de Coimbra e conhecemos a Biblioteca Joanina. Tudo é tão cuidado e preservado para as gerações futuras. Os espaços das universidades na Europa são amplos, verdejantes, intocáveis. Aqui, infelizmente, bem diferente é a realidade. Na nossa UFC, os poucos jardins e árvores que existem no campus do Benfica são destruídos. Em nome do progresso, a fim de construir outro bloco de salas de aula, lá se foi um dos poucos jardins existentes (atrás da Casa de Cultura Francesa) com árvores, grama e tudo o mais. Tudo em nome do desenvolvimento. Talvez seja eu a errada a sonhar com amplos espaços, com bosques, árvores, flores, um lugar que dê prazer em estudar, admirar a paisagem e refletir. Porém, caro leitor, isso existe! A Universidade de Alicante na Espanha é outro exemplo. Você pensa que está em um paraíso. Para mim, é um pesadelo ver uma árvore ser assassinada.

Aí você, caro leitor, pensa, será que não tem nada bom aqui? Apesar do meu momento “expressão dos meus pensamentos”, digo que o melhor que temos aqui são as pessoas amadas, todas elas e a nossa simpatia e calor humano! E o fato de não fumarmos como na Europa. Para mim, é uma praga, que o europeu ainda não acordou para os seus malefícios.

Para concluir, falarei do clima. Em aproximadamente 60 anos, não chovia tanto em Portugal. Desde novembro de 2012, chove todos os dias. Alguns lugares já estavam em alerta amarelo e laranja como na Ilha da Madeira e Coimbra.  Em plena primavera e a temperatura de inverno, com chuva, vento e frio. Foram as minhas férias mais molhadas: duas semanas fazendo turismo de guarda-chuva. Mesmo assim, sempre vale conhecer um pouquinho mais o país de Fernando Pessoa e rever meus amigos que lá estão.

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