O Outubro Rosa e Eu

O Outubro Rosa e Eu

Este artigo é de outubro de 2015. Hoje em 2017 posso dizer que estou muito bem, ainda em tratamento de imunoterapia, ou seja tomando o remédio para prevenir o retorno do câncer. Em 2016 fiz a reconstituição da mama e continuo na fisioterapia para o braço esquerdo até hoje. É um processo longo.

Muito já foi dito sobre o câncer de mama este mês. Graças ao Outubro Rosa, a divulgação está sendo feita. Parabéns! Enfim, o medo está sendo dissipado e quanto mais se falar, melhor. Mais vidas serão poupadas.

Eu pensei como poderia ajudar. Escrevi dois artigos anteriores, mas falavam em procedimentos e sentimentos. Ficarão para serem publicados em outra oportunidade, porque tive a intuição que era mais importante falar no lado espiritual e nos sentimentos.

Vamos à minha história. Este ano será inesquecível para mim. Foi o ano em que descobri estar com câncer de mama. Ainda bem que no estágio inicial, embora o tumor fosse grande. Foi o grande presente de Deus! Em termos gerais e leigos, fiz a mastectomia da mama esquerda em fevereiro, colocaram o expansor (uma bexiguinha para ser enchida, digamos assim), fiz radioterapia (28 sessões), agora estou na fisioterapia para melhorar o movimento do braço e tomando o remédio que previne o câncer novamente. Em janeiro, faço outra operação. A cirurgiã tira o expansor e coloca a prótese. E a vida continua…

Queria dizer algo que fosse um diferencial. O que seria? Dizer que acreditar que nunca estive doente e que aquele momento de choque e dor, compartilhado pelos familiares e amigos, iria passar. Como passou. O pós-operatório é doloroso e só aguentável, por causa da presença amorosa dos que me cuidaram, além das visitas e telefonemas constantes. Rezas, orações, reiki vindo de longe de alguém que nem me conhecia, pensamentos positivos e até atabaques. Vale tudo e isso faz a diferença.

Ter agido rápido também marcou pontos. Nisso tive o apoio total dos médicos, foi uma corrente de ação a fim de não perder tempo. Afinal, câncer não se fica curtindo, extirpa-se o quanto antes. Entrei na mesa de cirurgia entregando minha vida nas mãos de Deus e na da equipe que me operou. Meus médicos, meus anjos. Aqui se fala em confiança. Confiança de que eles e elas vão cuidar bem de mim e salvar a minha vida. Muito obrigada a cada um e olhem que a lista é longa. Além dos enfermeiros, atendentes no hospital, na Unimed, todos com quem tive contato, muito solidários com aquele momento.

E para finalizar, a pergunta que ronda a cabeça quando descobrimos que temos câncer. Por que eu? Aí vem a resposta do Alto: porque eu tinha força e coragem para enfrentar tudo que passou. E a tudo que acontece de difícil na minha existência, eu peço a Deus me dizer o porquê de estar naquela situação e Deus sempre responde. O que eu tinha que melhorar como pessoa?  Refleti e soube a resposta. Divulgar o que senti, ajudar a quem precisa, continuar a visitar os amigos doentes e terminais, ser ainda mais presente na vida das pessoas amadas. Enfim, aprimorar o que eu já fazia e ser mais ainda alegre. A felicidade é um antídoto contra doenças. O mundo precisa de mais. De agora em diante, transformar minha vida em um jardim com todas as flores do arco-íris é minha responsabilidade.

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2 comentários em “O Outubro Rosa e Eu

  1. Que texto incrível, Mônica! Sinto a mesma coisa que você. Eu também me perguntei várias vezes por que eu tive CA de mama? Agora vejo que tinha que ser eu. Através de mim muitas pessoas se tornaram melhores e eu me tornei mais forte e, claro, melhor. Com certeza hoje eu sou outra pessoa. Mais feliz, mais positiva e de bem com a vida. Parabéns para nós.

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