Meu Outubro Rosa

Meu Outubro Rosa

Hoje em 2017, estou muito bem, graças a Deus. Fiz a reconstituição da mama em 2016. Em 2017 fiz a tatuagem do mamilo e achei o máximo. O Walber Tattoo fez um trabalho e tanto! Endereço: Rua João Regino, 830-Parque Manibura-Fortaleza-Ceará, fone: 85-988078031. Escrevo para dividir a minha experiência e dar forças a quem estiver passando por este momento difícil. É a parte física do artigo “Outubro Rosa e Eu”, também publicado no meu blog.

Vamos ao artigo. Resolvi escrever influenciada pela campanha do Outubro Rosa. Penso que quanto mais se divulgar, melhor será o futuro em termos de prevenção ao câncer de mama, assim como ao fim do preconceito.

Aproveito o momento para contar a minha história. Sempre fui muito cuidadosa do tipo que faz check-up e mamografia todo ano, além de ultrassom de mama de 6 em 6 meses. Não tenho histórico na família, diga-se de passagem. Fui salva por ser cuidadosa. Em janeiro de 2015, às voltas com meus exames, foi detectada uma lesão na mama esquerda. Foi bem atropelada esta parte. Fui pega de surpresa. Fiquei em choque e a família também. Fiz a core-biopse (exame que tira pedacinhos de carne da mama e você toma injeção de xilocaína para não sentir nada) em um sábado. Fiquei descansando no restante do dia, com gelo na mama. Só que na segunda eu já tinha viagem marcada para o Chile com tudo pago. O quê fazer? O resultado só sairia uns 10 dias depois. Então, resolvi viajar, mas preocupada, logicamente.

Chego dia 24 de janeiro. Fico sabendo do resultado já no aeroporto. Eram uns nomes tão feios… Foi tudo tão rápido que você liga o automático e vai vivendo. Dia 26, eu já estava na médica mastologista. Ela me explicou tudo, aliás me deu uma aula sobre o assunto. Explicou que era câncer em estágio inicial e que eu teria de retirar a mama esquerda. Ufa! Que estado de tensão! Em 12 dias pós-consulta e após fazer os exames pré-operatórios em regime de urgência, eu estava me operando com a equipe feminina da dra. Paulla Valente e da dra. Custódia Jucá, cirurgiã-plástica. De homem somente o anestesista. Meu muito obrigada à minha cunhada Lindiane por ter me indicado a dra. Paulla em momento tão urgente.

Aí entra o meu lado Mônica de ser: fiz de tudo isso um grande evento social. Eu precisava da família e dos amigos ao meu lado, logo eu comuniquei a todos. O hospital ficou cheio. Foram até expulsos do andar. Eu queria estar lá no fuzuê. Na minha convalescença, recebi muitos telefonemas, tive muitas visitas, conversei, dei boas risadas. Foram poucos os momentos de choro. Em momento nenhum eu me vi doente ou achei que seria o meu fim. Como tenho amigos de todas as cores, crenças e pensamentos, recebi muito carinho, amor, orações, rezas, reiki e até atabaque. Posso dizer que tudo isso fez uma enorme diferença.

Ao longo do caminho até hoje, tive problemas diversos, mas solucionáveis (uma hemorroida que ninguém merece e uma infecção urinária por estar com a imunidade baixa); expandi o expansor (um tipo de bexiguinha dentro de mim, um seio falso) por quase 2 meses com a cirurgiã-plástica (as primeiras sessões de expansão são dolorosas), fiz 28 sessões de radioterapia no CRIO e tive como médico radiologista o dr. Igor Veras. Felizmente, só senti enjoo no fim e hoje faço fisioterapia para o braço na clínica Resmofísio. Aprendi que cada caso é um caso. O que eu senti, outra sentiria diferentemente. A luta é grande, ainda hoje lido com uma certa dor no local da operação. Fiquei com o emocional um pouco fragilizado em certos momentos, mas não esmoreci. Tenho estado bem e calma, como sempre. Fui poupada da quimioterapia, por ter descoberto logo no começo. E em janeiro me opero novamente para a reconstituição da mama.

Este artigo é um agradecimento sincero aos médicos que descobriram a lesão (dra. Maria do Carmo da Clínica Centrus e dr. mastologista Wilson Mourão) , aos que cuidaram e cuidam de mim até hoje, e são muitos. Também aos familiares e amigos que estiveram ao meu lado ao longo de todo este processo que perdura até hoje. Em todos os momentos do tratamento, tive alguém ao meu lado. Isso é uma glória! Para as sessões de radioterapia, eu fiz uma agenda social para os “caroneiros”. Meus sinceros agradecimentos a quem acordava às 6 da manhã a fim de estar comigo no Crio às 7 h. São eles: meu pai Jair, meu “namorido” Carlos, meu tio Mauro e minhas amigas Carol e Ana Tavares. Não posso deixar de mencionar minha amiga-irmã Eveline que me levou por duas vezes à sala de cirurgia. Se superei maravilhosamente, foi por ter recebido muito amor.  Sou abençoada por ter pais presentes e um amor na saúde e na doença. E uma tia Rita que voou de Porto Alegre para Fortaleza a fim de estar comigo dando força e suporte no momento da primeira e mais difícil cirurgia. Muito obrigada!

Hoje em 2017 faço há um ano fisioterapia para o braço esquerdo. É um processo lento. Agradeço à minha fisio particular Ingrid Fontenele a quem devo o movimento mais flexível e seguro do meu braço. Da mesma forma, não posso esquecer do dr. oncologista Victor Hugo Alencar com quem tenho consultas detalhadas e cuidadosas para checar o efeito do remédio Nolvadex em mim. Remédio que tomo desde agosto de 2015 e vou até 2020. Sempre rezando para que funcione e eu não tenha mais câncer. Outro agradecimento vai ao dr. William Bezerra, meu cardiologista de anos, sempre presente. Por receber tanta delicadeza em forma de atitudes, agradeço à minha psicóloga de longas datas Lucita e à amiga Carla Neves de Porto Alegre por ter me indicado a atenção da Stella de Pelotas-RS. Devo a ela um trabalho dedicado de muito tempo de reiki. Foram muitos apoios e digo a vocês, a terapia me fez sempre levantar.

Como pode-se perceber é uma luta de exames, médicos, cuidados, fisioterapias, alimentação etc, mas que um dia passará. Vou concluir com o meu poeta preferido Mário Quintana, também natural de Alegrete-RS: “Eles passarão, eu passarinho”.

8 comentários em “Meu Outubro Rosa

  1. Monica li mais uma vez seu Outubro Rosa
    Sensacional, também mais uma vez!
    Você é uma pessoa de espírito elevado, alegre de bem com a vida.
    Admiro bastante a sua força e coragem de enfrentar tamanha guerra, e sair vitoriosa.
    Admiro por demais essa pessoa que você é.
    Sua titia predileta
    Lêda

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  2. Conheço a Monica faz muitos anos e sei da força da positividade dela. Se tem alguém que faria da pior situação algo ‘quase bom” seria está guerreira! Tudo de bom, minha amiga!

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  3. Mônica, se existe um ser iluminado e abençoado nesse mundo, com certeza, é você! Sua fé, alegria e generosidade são inabaláveis! Que Deus a cubra de bênçãos e muita saúde! Beijos mis!!!

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