Joinville-SC: terra de possibilidades
Estamos em maio de 2017. Estou recém- chegada de uma região rica e pródiga em empregos de Santa Catarina. Terra de gente trabalhadora. Eis Joinville, outro Brasil, certamente.
Vamos começar o passeio. Estamos em Florianópolis no hotel Castelmar no centro e resolvemos visitar meus primos em Joinville. Acordamos às 6 h e fomos a pé para a rodoviária. O hotel é muito bem localizado, foi uma boa escolha. Por R$65,00 compramos a passagem de ida (individual) às 7.15 h. pela Viação Catarinense, só que pensávamos ser direto e não era. Foram 3 horas e 30 min. de viagem com quatro paradas (Tijucas, Itapema, Balneário Camboriú e Itajaí). O bom foi ter observado as boas estradas. Chegamos a Joinville na hora estipulada.
Com a assessoria dos primos, fomos logo ao Pórtico da Cidade e pegamos informações no Centro de Turismo da Prefeitura (Portal Turístico). Isso é fundamental. Lá pegamos mapas da cidade com explicativos e folders. Bem organizado, bem sistema alemão. Almoçamos na Panificadora da Vila com um bom self-service barato. Achei tudo mais barato no estado. A gasolina, então, é bem mais em conta. Falando no almoço, a sobremesa é cortesia, aí aproveitei para comer sagu. Doce feito com vinho e típico do sul. Sempre gostei e quando estou pelo sul, não perco.
Joinville, a maior cidade do estado, não é uma cidade turística como Blumenau, mas é uma cidade referência em turismo de eventos e industrial. Fiquei encantada com a imagem que passa de desenvolvimento. Lá há as fábricas da Tigre, Amianco, Schutz e tantas outras. Uma São Paulo menor e muito agradável. E tem o que ver. Como o tempo era curto, escolhemos o centro. Tudo tão ajeitado, limpo, dá gosto de se andar. Fomos à rua das Palmeiras: Alameda Brüstlein, tombada pelo Patrimônio Cultural de Joinville. Engraçado que quando vi as árvores gigantes, pensei no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (de 1867) e olha que eu não estava errada. Estas palmeiras vieram das sementes das existentes no Jardim Botânico. Bingo! Em 1873 as mudas de 56 palmeiras foram transplantadas para o local, por isso Rua das Palmeiras. Como Joinville é uma cidade muito quente no verão, sentar sob a sombra das lindas árvores centenárias é um elixir. Aliás, chega a 56˚ C a sensação térmica. Eu diria que para nós é impensável. Melhor visitar no outono ou no inverno.
Ao fundo da rua encontramos o Museu Nacional de Imigração e Colonização. Vale a pena conhecer. Pertencia à princesa Francisca Carolina, irmã de Dom Pedro II, e seu marido, príncipe de Joinville, de origem francesa. A edificação é muito bonita, foi construída em 1870 para sediar a administração do Domínio Dona Francisca (nome anterior da cidade) e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O museu foi criado em 1957, mostra a casa da época imperial com seus quartos e banheiro (só um!) antigos. O detalhe do urinol embaixo da cama e da estrebaria embaixo da casa chama a atenção. Pertencia à princesa Francisca Carolina, irmã de Dom Pedro II, e seu marido, príncipe de Joinville, de origem francesa. Do lado de fora da casa principal há um galpão com as carruagens da época e uma casa “enxaimel” de 1905. Construção de tijolos, típica da região, feita sem pregos e montada sobre pedaços de madeiras. Deve ser um delírio para arquitetos e engenheiros. Ainda hoje existem algumas e são atrações turísticas na região.
Aliás, a cidade é conhecida como Cidade dos Príncipes, justamente porque suas terras eram parte do dote de casamento da princesa em 1843. Foram vendidas para uma companhia de colonização alemã posteriormente. Os colonizadores transformaram a cidade no maior polo industrial e exportador catarinense.
O outro museu visitado foi o Museu Arqueológico de Sambaqui. Reúne 12 mil peças arqueológicas e lá aprendi sobre os 41 sambaquis (palavra de origem tupi) existentes na região. São montes altos, amontoados de conchas, restos de comidas, pessoas mortas etc. usados como lugares sagrados ou de proteção contra os perigos da época pelos “sambaquianos”, mistura de pescadores e catadores aproximadamente há 6.500 anos. Algo único no Brasil. Uma relíquia histórica imensurável. Confesso que nunca havia ouvido falar. Como digo, viajar é aprender muito.
Joinville é a sede da única escola, fora da Rússia, do Teatro Bolshoi. Trata-se da mais respeitada instituição de balé no mundo. Parabéns à cidade. O Festival de Dança ocorre anualmente na segunda quinzena de julho e atrai 200 mil pessoas. As companhias apresentam espetáculos de balé clássico, dança contemporânea, jazz, dança de rua etc e durante o evento acontece a Feira da Sapatilha com 70 expositores a comercializar artigos de dança a preços acessíveis.
Os habitantes da cidade amam comer cucas: doces/bolos típicos da região sul. Que delícia! Minha prima trouxe vários, doces e salgados, para serem degustados. Maravilha das maravilhas. Foi o lanche antes de voltar a Floripa. Desta vez, só teve uma parada, em Balneário Camboriú, logo chegamos em 3 h e foi um pouco mais caro, uma vez que o ônibus tinha dois andares e era mais confortável.
Há mais museus para visitar, passeios a fazer, como o de barco pela Baía da Babitonga no barco Príncipe de Joinville III; a Estrada Bonita, ponto de turismo rural, a qual lembra a simplicidade das origens e a colonização da cidade, enfim, vale a pena conhecer lugar tão charmoso. Este artigo é em agradecimento a meus primos queridos Roberta, Eduardo, Marcelinho e a Helena, que chegará em breve, por terem nos recebido com tanto carinho. Obrigada!

Para quem ama as árvores a cidade é um prato cheio.
Eu não conheço esta parte “work” de Santa Catarina. Só a “frou frou” ( Treze Tílias)
Está incluída nos meus planos de viagem.
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