Blumenau e Pomerode: Santa Catarina Alemã

 Blumenau e Pomerode: Santa Catarina alemã

Continuando com os passeios no lindo estado de Santa Catarina em maio de 2017, vamos a Blumenau e Pomerode desta vez. Estávamos em Florianópolis e no hotel Castelmar mesmo fizemos a reserva para o passeio de um dia. Fomos pela agência Vavatur, com o motorista Dimitri e o guia Sr. Jorge, ambos gaúchos. Um comentário aqui: como existem gaúchos em Florianópolis, encontramos muitos.

A van nos pegou às 8.30 h. de uma quarta-feira para o passeio de quase 12 h. para a Rota Alemã. Éramos um grupo de piauienses, argentinos, chilenos e nós. Já digo de antemão que foi bem longo e cansativo o dia. Dou uma sugestão à Vavatur: remover algumas paradas em Pomerode, de forma que o passeio fique mais leve e que cheguemos mais cedo a Floripa, afinal são 130 km até Blumenau.

No caminho, descemos no Restaurante Sinhá Benta para cafés, banheiros e compra de cachaças típicas da região. O interessante foi testemunhar um aquário com peixes médios que tomavam mamadeira de ração para peixe. Algo inédito para mim. Da mesma forma, passamos pela cidade de Gaspar onde há a Catedral São Pedro Apóstolo.

Chegamos a Blumenau, cidade fundada por Hermann Blumenau em 1850. Em 1851, a primeira fábrica de cerveja foi inaugurada. Visitamos o Museu da Cerveja, a Prefeitura Municipal de Blumenau no estilo germânico, a Ponte de Ferro, a Rua XV de Novembro etc. No museu citado, vimos fotos históricas e máquinas usadas para fazer cerveja na época. Aliás, a cerveja é uma das bebidas mais antigas da humanidade, é feita de água, lúpulo, malte de cerveja e levedura. Ocorre anualmente o Festival da Cerveja em outubro, a famosa Oktoberfest, com muita bebida e iguarias alemãs.  Blumenau também oferece a Magia do Natal e a Festa de Verão. Lá há o Cemitério de Gatos, criado por Edith Gaertner, o Museu de Hábitos e Costumes, a Rua das Palmeiras (como em Joinville), dentre outros locais turísticos.

O prédio da Prefeitura é digno de uma fotografia. A Prefeitura dá incentivos fiscais a quem construir no estilo germânico, assim como Gramado-RS. Fazem muito bem. A cidade fica charmosa e tão alemã…

Aconselho a visita em períodos menos quentes como maio, uma vez que o clima vai de -1˚C a 50˚C. Ufa! Não deve ser fácil o verão.

O que faz Blumenau ser tão atraente ao turista é, sem dúvida, a Vila Germânica, onde acontece a Oktoberfest em um grande galpão. Almoçamos no Park Blumenau em estilo buffet, localizado na Vila, com comidas alemãs, nacionais, doces diversos e um chope gratuito a quem vai pela Vavatur de segunda a sexta.  Tudo por R$27,00. Valeu a pena.

Amei a Vila Germânica com suas lojas fofas: de artesanato, chocolates, cafés, queijos e mostardas. Tudo tão lindo com flores e decorações típicas de uma cidade alemã. Gostaria de mencionar que Blumenau tem crescido muito e não é diferente das cidades do sul, o que a faz original é a citada vila.

No Vale Europeu, perto de Blumenau, está situado Pomerode. Confesso nunca ter ouvido falar, mas agora não sai do pensamento. É pequena e linda! A mais alemã das cidades do Brasil, seus habitantes, assim como nas outras cidades alemãs, falam em alemão entre si. A cidade oferece cultura, música, dança e uma variedade de gastronomia aos turistas. Há eventos e festas ao longo do ano, por exemplo: em fevereiro, a Festa do Encontro de Amigos, algo único no mundo!; em março, a Páscoa mais alemã do Brasil; em maio, Encontro de Carros Antigos; em julho, Festival Gastronômico de Pomerode; em agosto, a Festa do Borrego, trata-se de um carneiro com a idade entre 7 e 15 anos, enfim, não faltam festejos.

Agora vamos passear por local tão verde e adorável. A primeira parada é no Pórtico de Entrada, com uma loja de artesanatos de enlouquecer. Lá pegamos material turístico. Visitamos a casa/museu do fundador da cidade, o imigrante Carl Weege, de 1868. A maioria dos colonizadores da região veio da Pomerânia, no norte da Alemanha, em 1945. Hoje tal região pertence à Polônia. As casas são em enxaimel, mencionadas no artigo sobre Joinville, típicas da região do Vale Europeu. Primeiro coloca-se a madeira e depois preenche com tijolos, sem pregos ou parafusos.  Na parte de fora do museu, visitamos os galpões com máquinas da época. Uma que me chamou atenção foi a “atafana”, um engenho de moer milho, criado e construído pelo genro do fundador em 1951.

Também fomos à fábrica da Porcelana Schmidt cuja loja é enorme e decorada como a Zara Home. Achei o máximo lá ter um memorial com louças de todas as coleções até a atualidade. Muito válido esse cuidado com o passado. País sem memória é nada. Na continuação, estivemos em uma loja do chocolate da região Nugalle. Bem estilo europeu, com menos açúcar.

Depois fomos à parte mais interessante do passeio: a Rota Enxaimel. São 16 km de extensão, o maior acervo de construções enxaimel fora da Alemanha. Segundo o guia, a Baviera do Brasil. É zona rural com 50 casas estilo enxaimel e outras antigas de madeira. Foi um privilégio ter conhecido. Parece estarmos no interior da Alemanha, é decididamente, outro país. Tudo verde, bem cuidado, com casas charmosas, lindo! Visitamos uma delas: a da família Siewert de 1868. Lá conhecemos o Adir, morador da casa, o nosso recepcionista. Foi muito querido em tirar foto conosco, nos mostrar a árvore genealógica da família e nos contar como se vive naquele paraíso. Não há crise e, lugar como aquele, só se trabalha, vive do campo e em família. Maravilha. Ele nos apresentou ao avô dele ainda vivo, à cunhada, ou seja, todos moram próximos e trabalham unidos. Também estavam lá alunos da região. Podemos dizer que é um museu atual. Vendem geleias, doces, mel e eu comprei por uma pechincha um pote de palmito da terra. Por último, adentramos a loja da cerveja Schornstein, para quem gosta de cerveja, não faltam opções. Um delírio! Interessante o pão de cerveja e os diversos queijos em bisnagas e potes.

Apesar do cansaço na volta, ainda assistimos a filmes na van. Fizemos amizades, nos divertimos e vimos locais em que o Brasil dá certo. Sou muito fã deles. Aconselho muito cidades tão únicas. Principalmente, Pomerode. Amei e voltarei.

 

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