Os bichinhos da minha casa
Este artigo é em homenagem às crianças de quatro pernas lá de casa que, infelizmente, já nos deixaram, mas ficaram para sempre nos nossos corações. Quando foi escrito em 2002, só a gatinha Kika já havia partido.
Tenho muito a contar sobre a minha paixão pelos nossos animais de estimação. Eram eles: o Charlie, gato quase todo branco de 13 anos na época, de raça chamada “PD Sofisticada”, ou seja, o velho pé duro, só que com o ótimo tratamento, ficou para lá de sofisticado; o Dunga, outro gato pé duro, de 8 anos; a Kika, gatinha de raça branca e super dengosa; e o Nicky, o cachorrinho poodle de 3 anos. Detalhe: meus pais e eu morávamos em apartamento e cá para nós, eles mandavam e coordenavam nossas vidas. Ah! E tinha a nossa super ajudante, também minha comadre, a Adalgisa. Sem ela, na organização da casa, seria impossível nossa convivência harmoniosa com os bichanos (embora, às vezes pegasse fogo…).
Vamos aos poucos… O Charlie chegou nas nossas vidas, quando estávamos quase de mudança. Foi jogado em um dia de chuva torrencial para o pátio da nossa casa e ficou preso entre dois vasos de plantas. Êta gato de sorte! Meu irmão Ricardo e eu fomos vê-lo e ele estava uma fera! Mas era de fome e frio. Arranhou meu irmão e isso salvou a sua vida, pois levamos ao veterinário e ele disse para deixá-lo em observação. Nesse ínterim, foi ficando, nos mudamos e ele veio com a gente. Era o meu filho! Dormiu comigo por 15 anos. Ficou velho! Urinava pela casa, como não fazia antes. Vivia para dormir e comer. Era para ser rebento único, mas aí chegou o Dunga… Que ciumeira no início e sempre. Só melhorou depois de anos, com a chegada do cachorrinho, porque aí os dois se uniram contra o novo habitante da casa, o “usurpador”! Eu estava à beira de um ataque de nervos no começo dessa relação, porém tudo se encaixa com o tempo devido e hoje percebo o quanto a veterinária das crianças (dra. Gerlene Castelo Branco) tinha razão, quando dizia que um dia o Nicky iria ser o maior protetor dos gatos. E não é que foi mesmo?
Falemos no Dunga. Este gato veio para o apartamento para morrer. E viveu muito. Digo que vivia por amor e pela total dedicação da minha mãe para com ele. É incrível o quanto ele a adorava e vice-versa. Pois é, veio para morrer. Quase morreu atropelado perto da então loja do meu pai no centro, quase morreu envenenado lá perto também e quando chegou até nós, quase morreu de barriga d’água duas vezes. Que sufoco! Que sofrimento! Vê-lo sofrendo e tendo aquele líquido escuro saindo de si era de cortar o coração. E não se foi! Em 2001, novo padecimento: foi operado duas vezes de pedra na bexiga. Quase faleceu, mas era um lutador, simplesmente se recusava a partir. Eu o admirava tremendamente. Aliás, a veterinária considerava um milagre. Em 2002, não tinha bexiga e nem pênis. Que tal? Continuava perambulando pela casa, com uma fome de leão, urinando por toda a parte, mas firme e nós também! Detalhe: há dias em que nem saia da cama, por sinal, minha cama durante o dia e não comia nada. Em outros estava ativo e esfomeado. O seu lema era nunca desistir! Ele tinha o quartinho dele, a caminha dele (uma caixa de papelão), porém meu quarto era o preferido durante o dia pelas crianças… Parecia ter mel… Se eu queria tirar uma soneca, não sobrava muito espaço para mim, eis a verdade!
E a Kika veio trazida pelo meu irmão Rogério. Era linda, fofa, faceira. O Dunga era apaixonado por ela e ela por ele, viviam fazendo estipulias. Uma graça!
Agora o Nickinho… Meu irmão Rogério o comprou após o falecimento da Kika para a namorada na época. Hoje, esposa. Só que esqueceu que ela era alérgica. Pode? Moral da história, aquela criaturinha linda e peluda veio parar no nosso apartamento. Foi comprado como sendo poodle toy, todavia foi crescendo e se tornou bem grande. De toy não tinha nada. Foi ficando, ficando, passou pelas crises com os gatos (e nós também), pela partida do “pai” (meu irmão), o qual se casou e foi embora e, o Nicky nos conquistou a ponto de termos saudades até quando saia para tomar banho. Um dia foi namorar, mas não deu certo! Ficou nervoso sem a gente e em casa desconhecida. Quando chegou, estava morto de saudades, esfomeado e sedento. Ficara o dia todo num nervosismo tal que nem pensou em comida. Era uma gracinha! Todo preto, com fios brancos na orelha, deveras carinhoso e amigo.
Devido à doença do Dunga, ele tinha remédios diários a tomar. Pois, não é que o Nicky se colocava ao lado do doente e não deixava a gente se aproximar, a não ser minha mãe para dar o medicamento e ainda ficava rosnando. Lá estava ele protegendo o amiguinho gato. O mundo animal está sempre me encantando. O senso de lealdade, proteção e amor incondicional são partes de suas personalidades. Muitas pessoas ficam chocadas, quando digo que prefiro animais a muito ser humano. Temos um universo a aprender com eles.
O Dunga quando queria leite gelado, ia atrás da minha mãe onde ela estivesse no apartamento, ficava miando e olhando para ela, até ela se movimentar. Depois, dirigia-se à cozinha e ficava olhando da geladeira para ela, dela para a geladeira. Todos os dias era esse ritual.
O Nicky tinha os horários de passeio lá embaixo. Nas horas certas, ia atrás do meu pai, ficava mostrando a coleira, falando o seu palavreado canino até conseguir realizar a sua vontade. E tinha cada mania… Uma delas era levar qualquer pessoa saída do lar ao elevador. Fazia questão de olhar pela janelinha e lançar aquele olhar meloso, só que não fazia sozinho, queria participação, ou seja, algum de nós tinha que segurá-lo no colo. Sempre! A outra mania era ser bastante possessivo com as suas duas bolinhas. Tinha sempre as duas por perto. Se uma entrasse debaixo da geladeira, respeite o “chororô” da criança. Lá íamos nós dar um jeito de tirar o brinquedinho de qualquer maneira, se não, não tínhamos paz.
O Charlinho gostava de cafuné e carinhos mil. Após o meu trabalho, à noite quando chegava em casa, deitava no sofá para assistir à minha novela favorita, dava um tempinho e lá vinha ele. O ritual era seguido com rigor. Pulava em cima de mim e ficava maravilhado recebendo os carinhos na cabeça.
Na minha opinião, os bichinhos existem para melhorar e aprimorar a nós mesmos. Aqui em casa, todos nós aumentamos a paciência e nos sentimos mais sensíveis à vida, seres humanos e animais. A existência é mais colorida por causa deles. Dão um trabalho daqueles, principalmente, se um deles for doente, mas fazem a vida valer mais a pena. Afinal, são como gente, exigem cuidados, mimos, atenção. Dão em retorno, amor total, olhar de adoração e muita festa! É isso aí, muita festa! Quem tem ou já teve, sabe!
Nosso eterno agradecimento à dra. Gerlene por ter estado conosco em todos os momentos, dos felizes aos mais sofridos. Não a esqueceremos jamais.

Sempre encantador esses amores em nossa vida! Amei o artigo!
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Denise querida,
Este artigo também é para nós que amamos animais. Obrigada pela leitura.
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Eu compartilho a mesma opinião sobre os pets que recebemos ao longo da vida, e nos dão companhia e amor incondicional por muito tempo… sinto somente que eles nos deixem em algum momento.
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Querido Maurinício,
Sim, é verdade, infelizmente, nos deixam muito cedo, mas fica a lembrança de uma eterna amizade e lealdade. Obrigada pela leitura.
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Que texto carinhoso! Esses nossos anjos de 4 pernas nos enchem de uma ternura encantadora. E como você descreveu com tamanha sensibilidade! Adorei!!!!
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Titia Leda,
Sim, essas crianças de 4 pernas enchem nossa existência de amizade e carinho. Obrigada pela leitura.
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Ai, meu Deus, amei o artigo sobre seus pimpolhos, Mônica!!! Milly e Molly mandam lambeijinhos!!
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Querida Larissinha,
Um miau para as suas gatinhas Milly e Molly. Elas têm muita sorte em ter você ao lado delas. Beijo.
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Obrigada, flor! Elas são meus amores! Beijocas mis!
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