Viagem a Praga, Viena e Budapeste

 

Viagem a Praga, Viena e Budapeste

Começarei este artigo, escrito em 2007, dizendo que vale a pena ir às capitais imperiais da Europa: Praga, Viena e Budapeste em julho. São encantadoras, sendo Budapeste a mais surpreendente, pelo fato de nós brasileiros estarmos mais familiarizados pelas leituras com Praga e Viena. A capital da Hungria é de “cair o queixo” pela sua beleza e vivacidade.

Grupo da Abreu-Praga
Grupo da Abreu em Praga-quatro brasileiros e dezessete portugueses-foto tirada pela guia local

Fomos pela agência portuguesa Abreu a qual recomendo de olhos fechados. Estivemos em grupo de portugueses e pouquíssimos brasileiros. Minha mãe e eu nos sentimos acolhidas e bem cuidadas o tempo todo pelo guia do Porto: Sr. Melo, mesmo com os atropelos de atraso de voo em Fortaleza pela TAP, perda de conexão em Lisboa a Praga e com a não chegada das malas no momento esperado. Felizmente, tudo se resolveu a contento, mas aconselho sempre se levar uma muda de roupa na sacola de mão.

Vamos iniciar nossa jornada por Praga. Ficamos no Corinthia Towers Hotel, um hotel inesquecível. Para o passeio pela cidade, indico um bom par de tênis e muita disposição, pois haja caminhada!

Fomos a pé pela colina do Castelo, entramos no Palácio Real e Catedral gótica de São Vito, São Venceslau e Santo Adalberto, que foi fundada por Carlos IV e terminada nos finais dos anos 20 do século passado.  O sepulcro de prata de São João Nepomuceno, criado nos anos de 1733 a 1736, por Josef Würth de Viena, é digno de nota. Além dos belos mosaicos e vidros pintados encontrados lá. Importante dizer que São Venceslau é o padroeiro da cidade e Santo Adalberto está sepultado na Catedral com seus 33 metros de altura.

Detalhes da Catedral de São Vito-Praga
Detalhes da Catedral de São Vito-foto tirada por Mônica D. Furtado

Não posso esquecer de adicionar a esse passeio, o pitoresco Beco de Ouro, uma ruela com casas minúsculas que estão como se fossem pregadas ao lado interno da muralha do Castelo. Em relação a ele, é antiga sede dos príncipes e reis checos e desde 1918 também dos Presidentes da República.

Menino Jesus de Praga
Menino Jesus de Praga no Santuário Menino Jesus de Praga

Continuando a maratona, passamos pelo Santuário Menino Jesus de Praga, cuja estátua de cera do Menino Jesus foi oferecida à Igreja em 1623 por Polyxena de Lobkovice.

Depois atravessamos a conhecida ponte de Carlos IV sobre o Rio Moldava. Trata-se da mais antiga da cidade, tendo sido fundada em 1357. Durante muitos séculos, a ponte era a comunicação mais significativa que ligava as cidades praguenses de ambos os lados do rio. Passaram por ela as marchas de coroação dos reis checos e nos anos de 1419, 1648 e 1848 foi cenário de lutas cruéis. Hoje, contudo, é o local mais visitado, com seus pintores de rua, artistas e vendedores. Acrescentando que ao longo da ponte, há trinta estátuas barrocas, sendo uma a de São João Nepomuceno. Diz a lenda que quem tocar nele, voltará à charmosa cidade. Então, eu voltarei!

Grupo de rapazes de Madri tocando por uns trocados em Praga
Grupo de rapazes de Madri cantando por uns trocados em Praga-foto tirada por Mônica D. Furtado

Chegamos à Praça Velha, onde se encontra o célebre relógio astronômico. Lá está localizado o centro antigo que nos faz cair de amores, uma vez que é lindo com seus calçadões, uma multidão de turistas, restaurantes, feira de rua, lojas tentadoras, cristais famosos, e muito mais. Sem falar no povo simpático e belo, castelos fantásticos, florestas, enfim, Praga apaixona. À noite, uma dica de programa: o Teatro negro de Pantomina (Image/Black Light Theatre: http:///www.imagetheatre.cz).

Ainda há mais: a Praça Venceslau, o ponto mais importante da cidade nova, palco de vários acontecimentos históricos, o Bairro Pequeno, o Mosteiro da Ordem dos Premostatenses (seguem os Cistercienses), o Palácio Real, a Igreja/Santuário de Santa Ludmila (que foi morta pela sogra) e o Bairro Judeu. São tantas as opções…

Seguindo viagem de ônibus rumo à Viena, passamos por BRNO, ainda na República Checa, onde ocorre o Grand Prix de motociclismo, bastante conhecido pelos amantes do esporte. Paramos em Bratislava – capital da Eslováquia, situada nas margens do Rio Danúbio. Lá visitamos a Catedral de São Martinho, onde os reis da Hungria eram coroados, e o seu centro histórico adorável com a feira de rua, prédios e lojas lindas, especialmente, de bijuterias.

Interessante comentar que os países que fizeram parte do Império Austro-Húngaro (República Checa, Eslováquia e Hungria) estão fazendo todo o esforço para se reerguerem no pós-comunismo. Suas estradas mostram isso. As da Hungria, mesmo mais debilitadas, ainda são bem melhores que as nossas. Na estrada entre República Checa e Áustria, passando pela Eslováquia, existem aros metálicos que apitam de tantos em tantos quilômetros para cobrar a taxa do pedágio, que é paga previamente e cobrada em créditos. Perto do motorista, há uma caixinha para controlar o crédito. As caixinhas são carregadas em postos de gasolina.

Ao chegar a Viena, fomos direto ao hotel: Hilton Vienna Danube Hotel. Só o cenário da janela do quarto já validou a permanência nele: cisnes, amanhecer e pôr-do-sol no Danúbio. Nada mais bucólico! Na cidade, separei-me do grupo e encontrei amigos queridos. Sair pela noite vienense no verão foi um acontecimento marcante. Fomos a um restaurante nos fundos de uma casa a lá Viena, com plantas ao redor e muito charme, a um bar com música brasileira, mais notadamente, bossa nova, com cantor e garçons brasileiros, tomamos café no Starbucks, passeamos pelo belo centro e acabamos assistindo a um concerto de jazz no telão em frente à Prefeitura. Lotado de gente bem-comportada, sendo que ali ao lado havia uma feira de comidas e bebidas, com jovens conversando, se divertindo e fumando, é lógico. E como se fuma na velha Europa, mas isso está sendo limitado, felizmente! Finalizamos a noite no parque de diversões Prater. Imaginem que foi aberto ao público em 1765, pelo Imperador José II.

No outro dia, visitamos prédios originais e coloridos, conhecidos como “Hundertwasser  House” e criados por Friedensreich Hundertwasser, famoso artista austríaco, comparado em inventividade ao catalão Gaudí. No Museu Leopoldo, vimos a exposição de Kolo Moser (1868-1918), pintor, artista gráfico e aplicado de móveis a quadros e taças coloridíssimas de bebidas. Um arraso! Viena é uma cidade elegante, “dourada” e bem arrumada. Quero sempre voltar lá. Um muito obrigada aos amigos de longas datas com quem eu sempre tenho encontros memoráveis: Alexandra Zeiner, Bernie Zeiner e Klaus. Saudações ao filho da amiga, o fofo Alexander.

De Viena para Budapeste de ônibus novamente demos uma parada, desta vez no maior lago dos países do leste: o Balaton, em Tihany na Eslováquia. Trata-se de um lugar bastante requisitado pela sua beleza e infra-estrutura hoteleira, restaurantes e artesanato encantador nas barraquinhas nas calçadas e lojas. Aliás, o artesanato lembra o nosso, pois é vivo e colorido. Neste local estivemos na abadia beneditina do séc. XI.

Chegando a Budapeste, nos hospedamos no Hilton Budapeste WestEnd Hotel em Peste. Hotel magnífico, bem localizado, com porta para um baita shopping center, povo agradável, em suma, ficamos maravilhadas desde o início.

Falando um pouco sobre o povo húngaro: são de origem asiática, da Mongólia. Nas suas origens, eram habituados a montar e tinham etnia cigana, eram comerciantes e voltados para a música. A língua é o húngaro, considerada mais difícil que o tcheco. O que me encantou nesses países mencionados é o fato de que todos falam inglês, do atendente d loja ao motorista de táxi. Em Budapeste, encontrei um taxista bem versado na língua inglesa e que sabia muitas informações sobre o Brasil e não somente a respeito de futebol. Perguntei como ele conhecia tanto e ele replicou: “Eu leio”. Ponto para ele!

A Hungria tem o melhor patê de ganso do mundo, embora quem ganhe a fama seja o francês. Compra-se por um preço módico. Eu não fiz isso, porque não concordo com o sofrimento dos pobres gansos… Também é produto da terra a páprica seca picante ou não.

Prédios colossais? Um deles é a Catedral de São Estevão (considerado santo pela população, porém não canonizado). Foi ele que trouxe os mongóis das estepes para a Hungria em 896 d. C e a cavalo! Uau! Quanto esforço… Este santo é referência para os húngaros. Outro prédio digno de fotos é a Sinagoga da cidade. Não tenho palavras para descrever tamanho colosso. O ator Alain Delon é o maior contribuinte para a sua manutenção. E da mesma forma, há o Parlamento mais lindo do mundo e a Ópera. O povo húngaro é culto: são 600 museus no país, além de serem amantes de concertos e música clássica. Eles têm grande tradição musical.

Outro lugar badalado é a Praça dos Heróis, com suas estátuas enormes dos heróis do país montados em cavalos. Não poderia faltar São Estevão, o líder. O povo é bem humorado, logo se percebe isso, porque eles têm uma piada para tudo. Na praça, há um túmulo pelas terras perdidas nas guerras contra os países vizinhos. Isso demonstra senso de humor, sem dúvida. Ainda há a conhecer o Bastião dos Pecadores, com o seu mirante, turistas, vendedores e músicos, e o Castelo de Buda na Cidade Medieval.

A Hungria é terra de bordados, porcelanas, arte popular e da famosa “balinka” (damasco). Encontram-se fontes termais que foram usadas pelos romanos. Hoje são de uso terapêutico, não para turistas. A cidade em si tem uma arquitetura atraente. Gamei!

Não posso deixar de citar a Noite Zíngara. Fomos a um restaurante com comida e bebidas fartas. Os cantores eram descendentes de ciganos que no país se dedicam à música. O vinho era tomado de maneira criativa, sendo que o garçom empina uma pipa na boca do sujeito e agente morre de rir. Na hora da sobremesa, alguns frequentadores são convidados a bailar com os dançarinos. Uma grande diversão.

Eis Budapeste, cidade de dois milhões de habitantes à época, situada no meio da Europa, sendo que Buda é dividida de Peste pelo rio Danúbio. Buda fica nas colinas e Peste na planície. Dizem que o povo é diferente em cada localidade, sei lá.

Aqui concluo mais uma excursão com gosto de quero mais…

Sinagoga em Budapeste
Sinagoga de Budapeste-foto tirada por Mônica D. Furtado

 

 

17 comentários em “Viagem a Praga, Viena e Budapeste

    1. Excelente relato das culturas nas viagens à Praga, Viena e Budapeste.
      Seu olhar e sensibilidade social só enriquecem os textos.
      Continue nos brindando com sua alma de viajante.
      Até a próxima!

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  1. Parabéns Mônica, magnifica experiência, seu relato nos deixa encantadoras sensações de curiosidade e imensa vontade de visitar, as belíssimas capitais imperiais do leste europeu.

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