Diários do Canadá: Ottawa 3

Diários do Canadá: Ottawa 3

Estamos ainda no dia 12 de outubro de 2017. Chegamos ao museu escolhido para ser o primeiro: Galeria Nacional do Canadá (National Gallery of Canada), um dos sete museus nacionais do país. O arquiteto israelense-canadense responsável foi Moshe Safdie.

Como adentramos na hora do almoço, decidimos ir logo para a cafeteria e lá nos surpreendemos: era um restaurante com opções saudáveis de comida. Escolhi uma salada de espinafre e morango, e iogurte com granola. Detalhe: para quem gosta de se alimentar bem, o Canadá não oferece tantas variedades de comida do jeito que gosto.

Vamos ao museu. Começamos com a estátua gigante de uma aranha na frente. Representa a maternidade. Para quem observar melhor, verá uma parte dela carregando ovinhos. Chamada Maman (1999), é de autoria de Louise Bourgeois. O museu é fabuloso com sua apresentação de arte canadense, clássica e contemporânea, incluindo arte Inuit (um dos três povos aborígenes do Canadá).

No primeiro andar: arte indígena e canadense; no segundo andar: europeia e americana. Quanto à arte canadense, aprendi sobre o Grupo dos Sete cuja primeira exibição foi em maio de 1920 com quatro canadenses e três britânicos. Um dos líderes do grupo foi Lawren S. Harris (1885-1970). Este pintor mostrava o lado espiritual nos seus quadros. O grupo citado pintava quadros fortes, vivos, com cores expressivas. Eu amei! Mostraram o Canadá para o mundo, sua natureza, temas sociais, políticos e espirituais. Outros pintores foram F.H. Farley, James Wilson Morrice, Alfred Howell etc. Um quadro marcante foi “The Drive” de Lawren S. Harris sobre uma paisagem com neve. Simplesmente belo!

O primeiro impressionista canadense foi W. Blair Bruce (1859-1906); no segundo andar nos deparamos com Jan Weenik e Jacob van Ruisdael da Escola Holandesa do séc. 17; com Canaletto, Francesco Guardi e Bernardo Belloto da Escola Italiana do séc. 18; Camille Pissarro e Claude Monet do séc. 20 da Escola Francesa, além de Picasso e Chagall, dentre muitos outros.

Ter aulas de cultura não tem preço. Considerei o museu espetacular. E ainda oferece uma loja tentadora e uma capela construída em 1888. A Capela Rideau é estilo Tudor com música ambiente: canto gregoriano. É um oásis de paz. Interessante acrescentar que a Rideau Street Convent Chapel foi salva da demolição e restaurada, peça por peça, dentro do prédio principal da Galeria Nacional. O canadense valoriza sua história.

Em frente à Galeria Nacional está a Basílica-Catedral de Notre Dame, que com suas torres de latão, é a mais antiga de Ottawa e sede do arcebispado católico da cidade. 1841 foi ano da construção da catedral como está hoje. Lindo demais o seu interior.

Acabamos o passeio às 16 h e voltamos ao double-decker para a finalização do percurso. Vimos novamente o Byward Market; o Centro de Convenções; a Universidade de Ottawa, a mais antiga bilíngue (inglês e francês) do país; o Canal Rideau, considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO, o mais antigo da América sem o qual não existiria a Capital do Canadá; o Parque Lansdowne de exposições e festivais, como o de tulipas, que ocorre anualmente em maio, além de ter casas e prédios lindos ao redor; o lago artificial Dows Lake; a Fazenda Experimental com o Jardim Botânico, a Pequena Itália (Little Italy); Chinatown, e finalmente descemos na parada 1: Elgin Street & Sparks.  Deu para se encantar mais ainda com a cidade.

A respeito do Canal Rideau, gostaria de mencionar ser a atração externa mais famosa da capital e também o rinque de patinação maior do mundo: são 7.8 km de gelo cortado, ou seja, o equivalente a aproximadamente noventa rinques de hóqueis olímpicos. Isso no inverno, nem vimos tal espetáculo no outono.

Descobrimos na rua Albert a Olly´s Fresco, loja maravilhosa de opções saudáveis. Que bom! Sempre falo em comida, porque a culinária de um lugar também é cultura. Lá se come muito fast food engordativo. Para se alimentar bem, só cozinhando em casa ou procurando muito. Frequentamos muitos supermercados e feiras. Pela primeira vez em uma viagem, emagreci. Comi muita salada com folhas, iogurtes, kebabs (sanduíches turcos) e frutas da estação, como uvas, morangos, bananas, framboesas, mirtilos, amoras, maçãs etc. Todas de sabor inigualável. A comida italiana sempre salva a gente. E caminhávamos de 2 a 6 km por dia. Foi um “spa” e tanto…  Restaurante é caro, porque se paga o valor da alimentação, além da taxa para o governo e 15% para o garçom. Lá ainda não descobriram o nosso self-service brasileiro do dia a dia…

Umas curiosidades para contar: Ottawa foi escolhida como capital pela Rainha Vitória; seu nome na linguagem indígena Algonquin significa “to trade” ou “business”, ou seja, “negociar” ou “negócio”. Os indígenas canadenses eram bons nisso. A casa do Primeiro – Ministro foi escolhida como oficial em 1950, antes cada um morava na sua própria residência. Nela foram plantadas muitas árvores por Pierre Trudeau (pai do atual Primeiro – Ministro) a fim de ter mais privacidade. Fica ao lado da Embaixada da França.

O país todo é repleto de esquilos nos parques, uma lindeza. Em Ottawa, também se veem gansos.

A novidade épica de Ottawa, como diz a minha ex-aluna da Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará Karinny (de muitos anos atrás), casada com outro ex-aluno meu, Vladimir Cezar, foi tê-los encontrado no restaurante transado, alegre e jovem chamado Milestone´s (ao lado do hotel Fairmont Château Laurier, o mais chique da cidade), também na rua Rideau, a mesma do nosso hotel. Marcaram para nos ver e trouxeram o filho Victor, nascido canadense. Já vivem como cidadãos do país há 15 anos. Foi um prazer inenarrável encontrá-los, bater um bom papo brasileiro e comer um sanduíche gostoso de frango, queijo, salada e bacon.

Nós com Vladimir e Karinny em Ottawa
O Carlos e eu no nosso encontro épico com a Karinny e o Vladimir no Milestone´s.

Continuarei com Ottawa em breve…

 

 

 

4 comentários em “Diários do Canadá: Ottawa 3

Deixe um comentário