Portugal 2006: o Porto e arredores

Portugal: o Porto e seus arredores

Esta viagem ocorreu em março de 2006 e eu estava acompanhada da minha mãe Sirley Dourado Furtado. Foi uma jornada sentimental, de encontros com amigos portugueses queridos. Meus agradecimentos sinceros às amigas da região de Bragança: Luísa, Isabel, dona Gracinda e Inês Fernandes e família, além da Salete, Teresa, Alice e amigas. No Porto, os amigos Rui Vaz Pinto, Xana, Margarida e famílias. Saudades da amiga Luísa Vaz Pinto, que nunca esquecerei. Também meu muito obrigada ao amigo belga Jeroen Dewulf, que nos recebeu em Aguda com todo o afeto. Em Esposende, os amigos João Manuel e Maria João nos ofereceram um jantar e tanto. Obrigada.

Para chegar ao Porto, pegamos o comboio (trem) na Estação Santa Apolônia em Lisboa e seguimos até Espinho (antes do Porto). Lá descemos, porque a nossa hospedagem era em Aguda, bem pertinho de lá. Aliás, Portugal é muito bem servido de trens. Por ali, vale um passeio pelas praias de Aguda e Granja, gozando da sua tranquilidade e se deleitando com o Oceano Atlântico e belas casas.

No Porto, o passeio obrigatório é pedir a bênção do rio Douro, do bairro da Ribeira e das caves de vinho do Porto do outro lado do rio, em Vila Nova de Gaia. Para almoçar? Sugiro o restaurante Avó Maria, no Cais da Ribeira, em frente ao rio Douro. O salmão grelhado, regado ao especial vinho português, é uma delícia.  O bom da Europa é saber que anos passarão e tudo continuará lá da mesma forma. Após o almoço, fomos à cave Ferreira. Vale dizer que aquela região do norte do país é o único lugar do mundo propício ao cultivo da uva do vinho do Porto. Pode ser branco, ruby ou tawny e pelo seu gosto frutificado, natural e rico torna-se um prazer indescritível.

Em Espinho, cidade à beira-mar, mais desenvolvida que Aguda e Granja à época, tem um programa imperdível às segundas pela manhã a fim de conhecer um pouco mais da cultura portuguesa: a feira de Espinho, uma das maiores do país. Lá se encontra de tudo: roupas, pães, peixes, tapetes, bolsas, artesanato, enfim… isso e algo mais por preços camaradas. No fim da feira, existe o espaço dos ciganos vendendo roupas, meias etc e tal por valores mais baratos ainda. Uma loucura!

Lá cerca de Aguda está situada a cidade de Arcozelo. Digno de nota mencionar é a surpresa marcante encontrada em uma capela. Eis a capela e o museu de Santa Adelaide, considerada a santinha de Arcozelo, não canonizada e com devotos no país e exterior. É da mesma forma conhecida por ser santa casamenteira e fazedora de milagres. O mais fantástico é ter visto na capela o seu caixão com o corpo intacto, mesmo tendo morrido há mais de 100 anos. Sua história é linda: com mais de 30 anos de morta e enterrada, quando os coveiros abriram o caixão para exumá-la, encontraram-na como havia sido enterrada, exalando a rosas. Ficaram estarrecidos e colocaram no seu corpo um produto químico de destruição total. Não adiantou, ela continua incorrupta. A comoção popular não tardou e sua santidade começou a ser propagada, assim como seus milagres. Construíram a capela e seu corpo foi transladado em 1924. Depois disso, já houve roubo (por causa das doações), atentado a bomba e um “perturbado” deu umas marretadas no seu corpo, porém, felizmente, lá continua a Santinha, um pouco machucada, mas digamos assim, firme. Muito interessante dizer que trocam a roupa dela uma vez por ano. Incrível. Também no cemitério ao lado, está o túmulo de outro personagem considerado santo, o Padre Cura. Era muito caridoso, benevolente, fazia curas, não foi canonizado e dizem que seu corpo continua intacto na terra.

Em outra cidade litorânea, Miramar, com suas casas deslumbrantes, conhecemos a Igreja Senhor da Pedra. Incrustada em uma rocha, fica solitária na maré alta. Trata-se de um verdadeiro cartão postal. Bem anterior ao Cristianismo, havia cultos pagãos naquele local.

Também visitamos Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende, mais ao norte do Porto. De metrô até Póvoa (linha recém-inaugurada em 2006) se chega em uma hora. São cidades agradáveis, pequenas, aconchegantes, litorâneas, e com muita qualidade de vida.

Falando em uma vivência culturalmente enriquecedora foi ter ido à tertúlia de uma quarta à noite na UNICEPE (Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL) no Porto, na Praça Carlos Alberto. Convite do amigo Rui Vaz Pinto, um dos sócios da mencionada cooperativa. Era uma homenagem a José Afonso, cantor, compositor e poeta, já falecido. A sala estava repleta e tomando o maravilhoso vinho do Porto, fomos nos deliciando com a música, poesias declamadas por atores profissionais e histórias contadas a respeito de tão importante figura da história de Portugal. Sua música “Grândula Vila Morena” foi a senha, tocada nas rádios, para o início da Revolução dos Cravos, que libertou o país do período da ditadura iniciada por Salazar. Foi um banho de cultura: para quem se interessar, o site é www.unicepe.com.

Para concluir, falando em castelos, construções sempre existentes no nosso imaginário de Europa, fomos ao de Santa Maria da Feira e o de Bragança. Só pra ter uma ideia: Bragança, na província de Trás-os-Montes e Alto Douro, é uma cidade pequena para os padrões brasileiros, mas possui biblioteca, cinema, teatro, shopping center, estava em construção o Museu de Ciências em 2006 etc. Dê-lhe Portugal! Parabéns à nossa mãe-pátria, país onde se lê cada vez mais, mostrando que cultura é algo sério.

De Bragança tomamos o ônibus até Lisboa. Jamais esqueceremos a generosidade da família da Luísa e Inês conosco, quando o pai delas nos deu lanches da sua mercearia. Muito obrigada!

Foram 7h de viagem, afinal são 539.1km. Ficamos uns poucos dias e voltamos ao Brasil.

O próximo artigo será sobre Lisboa e arredores. A gente se vê em breve…

 

 

 

 

 

 

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